Análise Quantitativa do Impacto da Pandemia de Covid-19 no Perfil da População Discente do Instituto Federal do Piauí (IFPI)

Dados Obtidos por Meio da Plataforma Nilo Peçanha (PNP) [1].

Definições Utilizadas para a Análise Estatística Realizada

Série histórica do trabalho: 2017-2020

Requisitos preliminares para a análise dos dados:

  1. Instituto Federal selecionado: Instituto Federal do Piauí (IFPI)
  2. Interpretação das medidas de tendência central da série
  3. Representação gráfica dos indicadores acadêmicos
  4. Recorte das observações para os anos: 2018 [4], 2019 [3] e 2020 [2]
  • Estados alvo do estudo: Piauí (PI)
  • Segmentado por: status de situação acadêmica (matriculado, evadido), classificação racial, classificação de renda per capita familiar
  • Grupos do tipo de oferta de curso analisados: ‘Concomitante’, ‘Integrado’, ‘PROEJA - Integrado’
  1. Específico para Covid-19
  • Análise quanto ao impacto nos anos de pandemia em relação aos demais anos considerados
  • Análise quanto à mudança de perfil e classificação da população discente
  1. Observações importantes sobre os dados:
  • Os dados referentes ao ano de 2017 [5] encontram-se incosistentes e não foram factíveis de inclusão no referido estudo de caso
  • Os dados referentes ao ano de 2017 não estão desagregados por UF
  • Os dados referentes ao ano de 2017 apresentam inconsistência de preenchimento (UTF) na variável ‘Unidade Ensino’, a qual poderia identificar o IFPI (em substituição a variável UF), objeto de análise nesse trabalho.

 

Aspecto da Análise: Alunos matriculados nos anos 2018-2020

Interpretação preliminar dos resultados obtidos:

  1. Como pode ser obervado no gráfico G1, o quantitativo obtido dos alunos matriculados nos cursos EJA e CTI do IPFI nos anos analisados foram: 2018 (30.391 alunos); 2019 (7.862 alunos); 2020 (6.420 alunos).
  2. Dessa forma, observou-se uma redução de 74,13% de 2018 para o ano de 2019 (período do auge da pandemia de Covid-19), e ainda, de 18,34% entre o ano de 2019 para 2020. Representando assim, uma redução total de 78,87% no quantitativo de alunos matriculados do perfil (EJA e CTI) analisado no estudo.
  3. Para o indicador de ‘Qtd.alunos matriculados’, as medidas de tendência central calculadas para o período de 2018-2020 foram:
  • Média: 14.891
  • Mediana: 7.862
  • Desvio Padrão: 13.442,74

 

 

Aspecto da Análise: Alunos evadidos nos anos 2018-2020

Interpretação preliminar dos resultados obtidos:

  1. Como pode ser obervado no gráfico G2, o quantitativo obtido dos alunos evadidos nos cursos EJA e CTI do IPFI nos anos analisados foram: 2018 (2.827 alunos); 2019 (1.501 alunos); 2020 (707 alunos).
  2. Dessa forma, observou-se uma redução de 46,9% de alunos evadidos de 2018 para o ano de 2019 (período do auge da pandemia de Covid-19), e ainda, de 52,89% entre o ano de 2019 para 2020. Representando assim, uma taxa de evasão total de 75% de alunos do perfil (EJA e CTI) analisado no estudo.
  3. Para o indicador de ‘Qtd.alunos evadidos’, as medidas de tendência central calculadas para o período de 2018-2020 foram:
  • Média: 1678,33
  • Mediana: 1501
  • Desvio Padrão: 1071,06

 

 

Aspecto da Análise: Classificação racial dos alunos EJA e CTI nos anos 2018-2020

Interpretação preliminar dos resultados obtidos:

  1. Como pode ser obervado nos gráficos G3 e G4, o maior quantitativo de alunos nos cursos EJA e CTI do IPFI no ano de 2018 se concentravam na classificação racial ‘Parda’, com 33.420 alunos, e na classificação ‘Preta’, com 7.669 alunos.
  2. Já para o ano de 2019 a classificação racial ‘Parda’ foi predominante com 6.628 alunos, seguida da opção ‘Não declarada’ com 1.823 alunos. Nas classificações ‘Branca’, ‘Preta’, ‘Amarela’ e ‘Indígena’ tiveram 1.339, 1.190, 132 e 45 alunos cadastrados, respectivamente.
  3. O último ano disponível na série foi 2020, onde o padrão de classificação racial se manteve igual ao ano de 2019, porém, com os quantitativos a seguir: Parda (5.170), Não declarada (1.303), Branca (919), Preta (848), Amarela (71) e Indígena (20).

 

 

 

Aspecto da Análise: Classificação da Renda Familiar dos alunos EJA e CTI nos anos 2018-2020

Interpretação preliminar dos resultados obtidos:

  1. Como pode ser obervado nos gráficos G5, G6, G7 e G8, o maior quantitativo de alunos nos cursos EJA e CTI do IPFI durante a série histórica apresentada, possuem renda familiar per capita de até 1,5 salários mínimos. E esse padrão se manteve constante durante e após o início do evento da pandemia de Covid-19.
  2. Um segundo fato relevante é que apenas 1% ou menos da amostra discente analisada possui a classificação de renda familiar de ‘RFP>3,5’, ou seja, renda familiar per capita maior que três salários mínimos e meio.

 

 

 

 

 

 

 

Aspectos Conclusivos

Como aspectos conclusivos preliminares, evidenciou-se que o evento da pandemia de Covid-19 pode ter causado grande impacto no perfil, bem como no quantitativo da população discente dos cursos de oferta do tipo EJA e CTI do Instituto Federal do Piauí (IFPI). As principais métricas analisadas no estudo foram: quantidade de alunos matriculados, quantidade de alunos evadidos, classificação racial e classificação de renda familiar dos indivíduos. Para as quatro métricas principais, observou-se mudanças significativas entre os anos de 2018 para o 2019 e em seguida, de 2019 para o ano de 2020.

Os dados analisados demonstram que o IFPI para a dada oferta de curso alvo do estudo de caso (EJA e CTI) apresentava população discente de 30.391 alunos em 2018 contra 6.420 alunos para o ano base de 2020, ou seja, uma redução de 78,87% no quantitativos de alunos matriculados. Já para a métrica que avalia a evasão escolar dos alunos, constatou-se uma taxa de 75% de evasão para o período analisado (2018-20). Ambas as métricas, sejam elas analisadas separadamente e/ou em conjunto, demonstram um grave quadro que impacta negativamente o percentual de formação/conclusão dos discentes em seus cursos EJA e CTI ofertados na instituição.

Quanto a classificação racial se pôde observar uma predominância da classificação racial ‘Parda’ em seguida da ‘Preta’ durante a série analisada. Cabe a ressalva que para o IFPI, apenas as duas classificações indicadas foram evidenciadas para o ano base de 2018. Outro fator importante encontrado foi o percentual de redução de ambos os tipos de classificação entre o ano de 2018 e 2019, sendo que a classificação ‘Parda’ perdeu 80% dos seus indivíduos matriculados e a ‘Preta’ perdeu aproximadamente 85% de indivíduos no mesmo período. Para os anos de 2019 e 2020, a classificação racial ‘Não declarada’ ocupou a segunda posição no ranking do quantitativo de discentes dos cursos EJA e CTI. Para os mesmos anos, as classificações ‘Amarela’ e ‘Indígena’ seguiram como as de menor representatividade na amostra analisada. Já a classificação ‘Branca’, não evidenciada no ano base de 2018, ocupou a terceira posição no ano de 2019 e também em 2020. Como se pode observar, as mudanças no ordenamento dessa variável analisada foram significativas, podendo ser explicadas por mudança cadastral no registro do aluno (acréscimo de tipo de resposta) – uma vez que tal variável é auto declarativa -, mudança real no perfil racial dos alunos e/ou aspectos de impactos oriundos da vulnerabilidade social de certos grupos de indivíduos durante a pandemia de Covid-19 ocasionando assim uma maior taxa de evasão em determinados grupos de discentes.

Por fim, uma análise sobre a variável ‘classificação da renda familiar’ se demonstrou em conjunto com a variável ‘classificação racial’ fonte de importantes informações para se construir e analisar o perfil dos alunos EJA e CTI no Instituto em questão, bem como para se tentar compreender minimamente o fenômeno da evasão em tais cursos. Constatou-se, portanto, que mais de um quarto (no mínimo 25%) da população de discente do IFPI para as dadas ofertas de curso, possuem renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Tal classificação de renda familiar (0 < RFP <= 0,5 salários) teve o seu auge de 38,59% alcançado no ano de 2020. No outro extremo, a classificação de maior renda familiar (RFP >= 3,5 salários) não alcançou ao menos 1% para os três anos analisados no estudo. Dessa forma, observa-se que o perfil dos discentes dos cursos EJA e CTI do IFPI, é caracterizado em sua maioria por indivíduos de baixa renda, fato este que pode acarretar maiores dificuldades em sua jornada de formação, dada uma realidade de vulnerabilidade social característica desse extrato de alunos.