Apresentar e testar algumas hipóteses da teoria do valor de Marx através de uma empresa fictícia.
Estamos partindo de Marx no Capital livo 1 e de uma empresa fictícia.
A mais valia nesse momento (livro 1 capital) é tratada nas condições de concorrência perfeita (Baixíssima ou nula diferenciação entre os produtos; Transparência em relação às condições em que o mercado opera; Liberdade para entrar ou sair da atividade; Equilibrio entre oferta e demanda). O mundo “ideal” de Smith.
Para a seguinte análise vamos considerar que tudo que foi produzido foi vendido.
A ideia inicial da mais valia é o que é o lucro? A primeira ideia é de Lucro = Receita-despesas. As despesas são formadas de capital constante e capital variável.
Por ser uma taxa, a principio não importa o parâmetro de medida, desde que sejam todos iguais (Dinheiro ou Tempo de trab. social.necessário). Também porque 1hora de trabalho socialmente necessário pode equivaler-se a X dinheiro.
No caso estaremos usando Dinheiro ($) como medida.
Diferente da teoria marginalista a teoria do valor não é uma teoria dos preços. Mas uma teoria que busca compreender o movimento do capital.
mv= Mais-Valia
r= Receitas
cc= Capital constante. Capital constante são os gastos nos meios de produção e matéria prima.
cv= Capital variável Capital variável são os gastos com força de trabalho.
Mais_Valia <- function(mv,r,cc,cv)
{mv <- r-(cc+cv)
return(mv)}
Tx_Mais_Valia <- function(Tm,cv,mv)
{Tm <- mv/cv
return(Tm)}
Mais_Valia(mv,1000,200,200) #mv=600
## [1] 600
Tx_Mais_Valia(Tm,200,600) #Tm= 3
## [1] 3
Temos uma taxa de mais valia 3, 3x , 300%, 1:3
Uma taxa de 1:1 significa que 50% que o trabalhador produziu vai para o dono dos meios de produção. Assim, é impossível a troca REAL de equivalentes no capitalismo mesmo em suas condições de concorrência perfeita. A não ser que cv+cc = r (Porém, nessa situação também não há lucro ou lucro = 0). Exemplo: economia solidária.
" O mais-valor obtido pelo prolongamento da jornada de trabalho chamo de mais-valor absoluto; o mais valor que, ao contrário, deriva da redução do tempo de trabalho necessário e da correspondende alteração na proporção entre as duas partes da jornada de trabalho chamo de mais valor relativo." (Marx,2013, p.390)
Suponha que na fábrica 1 (r=1000;cc=200;cv=200) se dobre a produção pelo dobro de jornada de trabalhadores. O que acontece?
Mais_Valia (mv, 2000, 200, 400)
## [1] 1400
Tx_Mais_Valia(Tm,400,1400)
## [1] 3.5
#Tx_Mais_valia = 3,5 = 350% = 3,5 : 1
Suponha agora que na fábrica 1 foi possível reduzir pela metade os gastos com capital variado. O que acontece?
Mais_Valia (mv, 1000, 200, 100)
## [1] 700
Tx_Mais_Valia(Tm,100,700)
## [1] 7
#Tx_mais_valia = 7 = 700% = 7:1
Como foi observado, a taxa de mais valia é maior quando se há uma redução em cv. A mais valia relativa é capaz de aumentar mais significativamente a taxa de mais valia.
" Se a maquinaria é o meio mais poderoso de incrimentar a produtividade do trabalho, isto é, de encurtar o tempo de trabalho necessário à produção de uma mercadoria, ela se converte, como portadora do capital nas industrias de que imediatamente se apodera, no meio mais poderoso de prolongar a jornada de trabalho para além de todo limite natural. (MARX, 2013, p. 475)
A maquina a vapor dobrou a produção e diminuiu pela metade o capital variável. (nesse exemplo se manteve o mesmo valor de capital constante)
Mais_Valia (mv, 2000, 200, 100)
## [1] 1700
#mv = 1700
Tx_Mais_Valia(Tm,100,1700)
## [1] 17
#Tm= 17 = 1700% = 1:17
No caso ilustrado da maquina a vapor, a taxa de mais valia aumentou de 1:3 para 1:17.
Supondo que na Fábrica 1 se dobre a produção devido ao dobro de investimento em cc.
Mais_Valia (mv, 2000, 400, 200)
## [1] 1400
#mv = 1400
Tx_Mais_Valia(Tm,200,1400)
## [1] 7
#Tm= 7 = 7:1
Valor = cc+cv+mv
cc/cv = composição organica do capital - aumento das forças produtivas
mv/cv= mais valia (taxa)
mv/(cv+cc) = taxa de lucro
Cp_org_cap <- function(Cp,cc,cv)
{Cp <- cc/cv
return(Cp)}
#Exemplo:
Cp_org_cap(Cp,200,200)
## [1] 1
Tl = mv/(cv+cc)=(mv/cv)/[(cc/cv)+(cv/cv)= (mv/cv)/[1+(cc/cv)]
Tx_lucro <- function(Tl,cc,cv,mv)
{Tl <- mv/(cv+cc)
return(Tl)}
É importante destacar que a taxa de lucro é diferente da taxa de mais valia.
Lei da tendencia a queda da taxa de lucro - Caso os investimentos em capital constante não aumentarem na mesma proporção a mais valia, há uma queda na taxa de lucro.
Tx_lucro(Tl,200,200,600)
## [1] 1.5
#Tx_lucro = 1,5 = 150% = valor inicial
Tx_lucro(Tl,400,200,1200)
## [1] 2
#Tx_lucro = 2 = 200% = crecimento em relação ao valor inicial
Tx_lucro(Tl,400,200,900)
## [1] 1.5
#Tx_lucro = 1,5 = 150% = Estagnação em relação ao valor inicial
Tx_lucro(Tl,800,200,1200)
## [1] 1.2
#Tx_lucro = 1,2 = 120% = diminuição em relação ao valor inicial
Foi observado que quando o crescimento no investimento em capital constante não é equivalente ao crescimento da mais valia, a taxa de lucro começa a cair. Nesse sentido caso o investimento em capital constante chega ao limite (crise do capital), só resta uma forma de aumentar a mais valia, com a redução do capital variavel.Vamos ver seus efeitos.
Agora vamos supor a fábrica 1 estava na situação 1 e foi para situação 4. Ou seja, esta em momento de crise do capital. Agora, para ela aumentar seus lucros só é possível pela redução de cv. Vamos testar cv/2 e cv/4 e e cv=0 para ver oque acontece.
Tx_lucro(Tl,800,100,1200) #Tx_lucro= 1,333 = 133,3%
## [1] 1.333333
#Aumenta a taxa de lucro em relação a situção 4 mas é menor que a situação 1
Tx_lucro(Tl,800,50,1200) #Tx_lucro= 1,411 = 141,1%
## [1] 1.411765
#Aumenta a taxa de lucro em relação a situção 4 mas é menor que a situação 1
Tx_lucro(Tl,800,0,1200) #Tx_lucro= 1,5 = 150% = A taxa de lucro só alcança seu patamar original (situação 1) quando cv=0
## [1] 1.5
Como resultado pode se observar que na crise do capitalismo, a taxa de lucro só alcança seu patamar inicial quando cv=0. Ou seja, em momentos de crise do capital, onde o capitalista não consegue aumentar a MAIS VALIA ABSOLUTA. O capitalista vai buscar diminuir os custos com a força de trabalho, logo aumentando a MAIS VALIA RELATIVA. Esse movimento do capital, como demonstrado, acaba por gerar uma tedência de diminuição das taxas de lucro. Sendo que para chegar no mesmo patamar da taxa de lucro inicial (antes da crise do capital) o capitalista tem que transformar os custos com força de trabalho em zero. O que é impossível. Logo, para o capitalista é impossível alcançar a taxa de lucro inicial. E o movimento para diminuir a crise (redução de cv) não é suficiente para resolver a crise do capital. Essa crise leva a uma tendência ao emprobecimento do trabalhador e o aumento das taxas de mais valia. Nesse sentido, a crise do capital é provocada e agravada pela própria lógica do capitalismo.