Para sabermos o total de indivíduos em uma instituição, a simples contagem é uma medida pobre, pois não considera que alguns dos indivíduos trabalham/estudam em tempo parcial. Isto torna a contagem artificialmente elevada, superestimando custos, etc.
A principal medida adotada para contornar este problema é padronizar os dados para que seja fornecido o número de indivíduos em relação a um referencial, a saber, um estudante ou funcionário em tempo integral. De acordo com o relatório do THE:
1.0 FTE may be thought of as one person working full time for a year, while an FTE of 0.5 means half of a full work or study load. The FTE for a student or staff member could be calculated as the total number of hours worked (or modules studied) during the year, divided by the number of working hours or modules of a full time person.
Em relação aos docentes e técnicos administrativos, a medida é simples de ser adotada, pois as cargas horárias são bem definidas. Por exemplo, toma-se o técnico administrativo em tempo integral como aquele que trabalha 40 horas/semana. Desta forma, um técnico em regime de 30 horas é equivalente a \(30/40 = 0.75\) vezes um técnico em tempo integral.
A complexidade aumenta quando tratamos de estudantes, pelos seguintes motivos:
Temos dois conjuntos de dados correspondendo aos estudantes matriculados no primeiro e segundo semestres de 2017. Vamos definir a carga horária de um estudante em tempo integral como \(N \times H\), em que \(N\) é o número de disciplinas e \(H\) é o número de horas de cada disciplina, considerando um semestre. Assim, o aluno em tempo integral no período de um ano deve ter carga horária de \(2 \times N \times H\). Considerando \(N= 6\) e \(H = 60\), temos 720 horas de carga horária anual a ser cumprida pelo Estudante em Tempo Integral.
library(dplyr)
# Numero de disciplinas N com H horas: (padrão estabelecido)
N = 6
H = 60
# Abrir conjunto de dados dos alunos 2017.1
alunos_1 = read.csv("./Lista de todos os alunos matriculados em cursos de graduação em 2017.1(com ch_total) sem matriculas status cumpriu.csv", sep=";", header = TRUE)
# Abrir conjunto de dados dos alunos 2017.2
alunos_2 = read.csv("./Lista de todos os alunos matriculados em cursos de graduação em 2017.2(com ch_total) sem matriculas status cumpriu.csv", sep=";", header = TRUE)
O formato das planilhas é mostrado abaixo (nomes e cpf’s omitidos):
head(data.frame(matricula = alunos_1$matricula, CH = alunos_1$carga_horaria_total))
## matricula CH
## 1 2015000280 120
## 2 2014020138 300
## 3 2016011295 270
## 4 2014011066 300
## 5 2013020277 150
## 6 2016010062 450
Separamos os alunos em 3 grupos:
# Conjunto dos alunos que estudaram o primeiro e segundo semestres:
alunos_em_comum = intersect(alunos_1$matricula, alunos_2$matricula)
# Dados destes alunos no semestre 1:
alunos_em_comum_1 = alunos_1 %>%
filter(., alunos_1$matricula %in% alunos_em_comum) %>% arrange(., nome)
# Dados destes alunos no semestre 2:
alunos_em_comum_2 = alunos_2 %>%
filter(., alunos_2$matricula %in% alunos_em_comum) %>% arrange(., nome)
nrow(alunos_em_comum_1)
## [1] 5696
Seguindo a metodologia apresentada acima, temos que o número de alunos equivalentes, para o grupo matriculado nos dois semestres é de \(4478.933\). Este valor representa aproximadamente \(4478.933/5696 = 78.63\%\) do total.
# Finalmente, calculamos o FTE para os alunos do ano inteiro.
# Isto é feito somando a carga horária do primeiro com o segundo semestre
# e dividindo pelo número de horas esperadas de carga horária:
FTE_12 = (alunos_em_comum_1$carga_horaria_total + alunos_em_comum_2$carga_horaria_total)/(2*N*H)
# Considerando aqueles alunos com FTE_12 acima de 1 como 1, temos:
# FTE_12 = ifelse(FTE_12 > 1, 1, FTE_12)
# Finalmente, o número de alunos em tempo integral que estudaram
# os dois semestres é dado pela soma:
sum(FTE_12)
## [1] 4478.933
Utilizando a mesma metodologia, temos que o total de alunos matriculados apenas no primeiro semestre foi de \(1599\). O número de estudantes equivalentes é de \(552,1667\).
# Alunos matriculados apenas no primeiro semestre
alunos_so_1 = alunos_1 %>%
filter(., !(alunos_1$matricula %in% alunos_em_comum)) %>% arrange(., nome)
nrow(alunos_so_1)
## [1] 1599
FTE_1 = (alunos_so_1$carga_horaria_total/(2*N*H))
#FTE_1 = ifelse(FTE_1 > 1, 1, FTE_1)
sum(FTE_1)
## [1] 552.1667
# Alunos matriculados apenas no segundo semestre
alunos_so_2 = alunos_2 %>%
filter(., !(alunos_2$matricula %in% alunos_em_comum)) %>% arrange(., nome)
nrow(alunos_so_2)
## [1] 1581
FTE_2 = (alunos_so_2$carga_horaria_total/(2*N*H))
#FTE_2 = ifelse(FTE_2 > 1, 1, FTE_2)
sum(FTE_2)
## [1] 492.9444
# Finalmente, o número de FULL TIME STUDENTS é
sum(FTE_1) + sum(FTE_2) + sum(FTE_12)
## [1] 5524.044
Este número corresponde aproximadamente a \(5524.044/7295 = 75.72\%\) da contagem média de alunos nos dois semestres de 2017. Pela metodologia do TCU, o número de Alunos de Graduação em Tempo Integral (AGTI) na Ufersa é de \(6956\), segundo o relatório de gestão 2017, Anexo 1.