Variável / Categoria | n | % | Média ± DP (Anual) | Mediana (P25–P75) | Mín – Máx |
|---|---|---|---|---|---|
Sexo | |||||
Masculino (Meninos) | 844 | 57.3% | 76.73 ± 48.85 | 58.0 (43.0–104.5) | 24 – 178 |
Feminino (Meninas) | 629 | 42.7% | 57.18 ± 34.51 | 48.0 (31.0–76.5) | 19 – 122 |
Faixa Etária | |||||
< 1 ano (0 anos) | 1.315 | 89.3% | 119.55 ± 77.11 | 96.0 (61.0–163.5) | 36 – 265 |
1 a 4 anos | 158 | 10.7% | 14.36 ± 8.18 | 12.0 (9.5–16.5) | 6 – 35 |
Grande Região | |||||
Sudeste | 582 | 39.5% | 52.91 ± 28.86 | 44.0 (31.5–74.5) | 22 – 113 |
Nordeste | 438 | 29.7% | 39.82 ± 33.11 | 27.0 (21.5–47.0) | 7 – 107 |
Sul | 168 | 11.4% | 15.27 ± 8.27 | 12.0 (10.5–20.0) | 3 – 31 |
Norte | 159 | 10.8% | 14.45 ± 6.55 | 14.0 (8.0–18.5) | 7 – 26 |
Centro-Oeste | 126 | 8.6% | 11.45 ± 10.31 | 6.0 (4.5–19.5) | 1 – 29 |
Total Brasil | |||||
Total Geral (2015–2025) | 1.473 | 100.0% | 133.91 ± 82.95 | 113.0 (72.0–181.0) | 43 – 300 |
Fonte: Dados secundários da pesquisa (TCR_editado.xlsx, 2015–2025). DP: Desvio-padrão; P25–P75: Intervalo interquartílico. | |||||
Análise Epidemiológica e Tendência Temporal da Mortalidade Pediátrica no Brasil (2015–2025)
Relatório Técnico-Estatístico Baseado em Regressão Log-Linear e por Pontos de Inflexão (Joinpoint)
1 Introdução e Delineamento Metodológico
Este relatório apresenta a análise descritiva do perfil epidemiológico e a modelagem de tendência temporal dos óbitos pediátricos registrados na base TCR_editado.xlsx no Brasil, compreendendo o período de 2015 a 2025.
Seguindo o referencial metodológico de estudos ecológicos de séries temporais (diretrizes STROBE) e a estrutura analítica de Silva et al. (2026), a análise foi estruturada em duas etapas:
- Análise Descritiva e Perfil Epidemiológico: Distribuição de frequências absolutas (\(n\)), frequências relativas (\(\%\)), medidas de tendência central (média e mediana) e de dispersão (desvio-padrão, valores mínimo e máximo) estratificadas por faixa etária (\(< 1\text{ ano}\) vs. \(1\text{ a }4\text{ anos}\)), sexo (Masculino vs. Feminino) e Grande Região de residência (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste).
- Modelagem de Tendência Temporal (APC e Joinpoint): Aplicação de regressão log-linear (\(\ln(Y_t) = \beta_0 + \beta_1 \cdot \text{Ano}_t + \epsilon_t\)) e regressão por pontos de inflexão (Joinpoint Regression via pacote
segmented) para estimar a Variação Percentual Anual (Annual Percent Change — \(APC\)), com intervalos de confiança de 95% (\(\text{IC}_{95\%}\)) e nível de significância de 5% (\(p \le 0,05\)):
\[APC = \left(e^{\beta_1} - 1\right) \times 100\]
\[\text{IC}_{95\%}(APC) = \left(e^{\beta_1 \pm t_{0,975;\, gl} \cdot EP(\beta_1)} - 1\right) \times 100\]
As tendências foram classificadas como Crescentes (\(APC > 0\) e \(p \le 0,05\)), Decrescentes (\(APC < 0\) e \(p \le 0,05\)) ou Estacionárias (\(p > 0,05\)).
2 Resultados: Perfil Epidemiológico e Séries Anuais
2.1 Tabela 1 — Perfil Epidemiológico Agregado (2015–2025)
2.2 Tabela 2 — Distribuição Temporal por Faixa Etária e Sexo (2015–2025)
Categoria | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Total |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
< 1 ano | 64 | 58 | 75 | 96 | 108 | 36 | 53 | 146 | 233 | 181 | 265 | 1.315 |
1 a 4 anos | 10 | 12 | 16 | 17 | 6 | 7 | 9 | 14 | 11 | 21 | 35 | 158 |
Masculino | 41 | 45 | 51 | 58 | 66 | 24 | 33 | 98 | 139 | 111 | 178 | 844 |
Feminino | 33 | 25 | 40 | 55 | 48 | 19 | 29 | 62 | 105 | 91 | 122 | 629 |
Total (Brasil) | 74 | 70 | 91 | 113 | 114 | 43 | 62 | 160 | 244 | 202 | 300 | 1.473 |
Fonte: Base TCR_editado.xlsx (2015–2025). | ||||||||||||
2.3 Tabela 3 — Distribuição Temporal Segundo Território / Grande Região (2015–2025)
Território | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | Total | % Nacional |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Brasil | 74 | 70 | 91 | 113 | 114 | 43 | 62 | 160 | 244 | 202 | 300 | 1.473 | 100.0% |
Sudeste | 28 | 25 | 36 | 50 | 44 | 22 | 35 | 73 | 80 | 76 | 113 | 582 | 39.5% |
Nordeste | 25 | 18 | 27 | 33 | 31 | 9 | 7 | 27 | 93 | 61 | 107 | 438 | 29.7% |
Sul | 9 | 11 | 12 | 10 | 16 | 3 | 11 | 16 | 24 | 25 | 31 | 168 | 11.4% |
Norte | 8 | 11 | 8 | 14 | 18 | 8 | 7 | 26 | 18 | 19 | 22 | 159 | 10.8% |
Centro-Oeste | 4 | 5 | 8 | 6 | 5 | 1 | 2 | 18 | 29 | 21 | 27 | 126 | 8.6% |
Fonte: Base TCR_editado.xlsx (2015–2025). | |||||||||||||
3 Análise de Tendência Temporal: Regressão Log-Linear e Joinpoint
3.1 Tabela 4 — Tendência Temporal Global (2015–2025)
Dimensao | Estrato | Óbitos (2015 / 2025) | Período | APC (%) | IC 95% (Lower a Upper) | Valor-p | Tendência |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
Brasil | Brasil (Total) | 74 / 300 | 2015–2025 | 13.87* | 3.12 a 25.72 | 0.0158 | Crescente |
Sexo | Masculino (Meninos) | 41 / 178 | 2015–2025 | 13.90* | 2.75 a 26.26 | 0.0189 | Crescente |
Sexo | Feminino (Meninas) | 33 / 122 | 2015–2025 | 13.92* | 3.39 a 25.52 | 0.0140 | Crescente |
Faixa Etária | < 1 ano (0 anos) | 64 / 265 | 2015–2025 | 14.80* | 3.45 a 27.40 | 0.0150 | Crescente |
Faixa Etária | 1 a 4 anos | 10 / 35 | 2015–2025 | 6.95 | -3.50 a 18.54 | 0.1735 | Estacionária |
Região | Sudeste | 28 / 113 | 2015–2025 | 13.93* | 5.98 a 22.48 | 0.0028 | Crescente |
Região | Nordeste | 25 / 107 | 2015–2025 | 13.54 | -4.09 a 34.42 | 0.1228 | Estacionária |
Região | Sul | 9 / 31 | 2015–2025 | 11.64 | -0.86 a 25.72 | 0.0653 | Estacionária |
Região | Norte | 8 / 22 | 2015–2025 | 9.49* | 0.77 a 18.96 | 0.0355 | Crescente |
Região | Centro-Oeste | 4 / 27 | 2015–2025 | 20.41 | -1.83 a 47.70 | 0.0698 | Estacionária |
Legenda: APC = Annual Percent Change (Variação Percentual Anual); IC 95% = Intervalo de Confiança de 95%; *p <= 0,05 (estatisticamente significativo). | |||||||
3.2 Tabela 5 — Análise de Regressão por Pontos de Inflexão (Joinpoint Segmentado)
Local / Estrato | Ponto de Inflexão | Período do Segmento | APC (%) | IC 95% (Lower a Upper) | Classificação |
|---|---|---|---|---|---|
Brasil (Total) | 2020 | 2015–2020 | -2.91 | -21.69 a 20.37 | Estacionária |
2020–2025 | 40.30 | 5.58 a 86.45 | Crescente* | ||
Masculino (Meninos) | 2015–2020 | -3.92 | -22.89 a 19.71 | Estacionária | |
2020–2025 | 41.84 | 6.04 a 89.72 | Crescente* | ||
Feminino (Meninas) | 2021 | 2015–2021 | -1.38 | -20.92 a 23.00 | Estacionária |
2021–2025 | 38.50 | 3.41 a 85.51 | Crescente* | ||
< 1 ano (0 anos) | 2020 | 2015–2020 | -2.16 | -22.73 a 23.89 | Estacionária |
2020–2025 | 40.97 | 3.16 a 92.64 | Crescente* | ||
1 a 4 anos | 2021 | 2015–2021 | -10.29 | -26.77 a 9.89 | Estacionária |
2021–2025 | 36.64 | 4.47 a 78.71 | Crescente* | ||
Sudeste | 2020 | 2015–2020 | 2.37 | -14.26 a 22.22 | Estacionária |
2020–2025 | 26.93 | 0.39 a 60.47 | Crescente* | ||
Nordeste | 2021 | 2015–2021 | -12.63 | -32.02 a 12.29 | Estacionária |
2021–2025 | 79.59 | -0.82 a 225.21 | Estacionária | ||
Sul | 2020 | 2015–2020 | -9.36 | -35.91 a 28.18 | Estacionária |
2020–2025 | 37.51 | 5.82 a 78.69 | Crescente* | ||
Norte | 2021 | 2015–2021 | 4.07 | -17.71 a 31.63 | Estacionária |
2021–2025 | 19.65 | -12.31 a 63.25 | Estacionária | ||
Centro-Oeste | 2020 | 2015–2020 | -17.53 | -46.30 a 26.66 | Estacionária |
2020–2025 | 75.82 | -0.33 a 210.15 | Estacionária | ||
Nota: Modelos ajustados via regressão log-linear segmentada (pacote segmented). *Segmento estatisticamente significativo (IC 95% não inclui zero). | |||||
4 Visualizações Gráficas (Padrão Publicação)
4.1 Figura 1 — Séries Temporais no Brasil e Grandes Regiões (2015–2025)
4.2 Figura 2 — Comparação por Sexo, Faixa Etária e Forest Plot das APCs
5 Interpretação Estatística e Discussão Epidemiológica
5.1 Interpretação Descritiva do Perfil Epidemiológico (Tabela 1)
No período analisado, de 2015 a 2025, foram registrados no Brasil 1.473 óbitos pediátricos na base avaliada, com média anual de 133.91 ± 82.95 óbitos e mediana de 113.0. A série histórica apresentou valor mínimo no ano de 2020 (\(n = 43\)) e pico máximo em 2025 (\(n = 300\)), o que representa um incremento de 4.05 vezes no volume anual de óbitos entre o início (2015, \(n = 74\)) e o final da série (2025, \(n = 300\)).
- Predomínio do Sexo Masculino: Observou-se maior concentração de óbitos no sexo masculino (Meninos), que correspondeu a 57.3% dos casos (\(n = 844\); média anual de \(76,73 \pm 48,85\) e mediana de \(58,0\)), enquanto o sexo feminino (Meninas) respondeu por 42.7% (\(n = 629\); média anual de \(57,18 \pm 34,51\) e mediana de \(48,0\)), resultando em uma razão de masculinidade de 1.34:1. Notavelmente, a proporção de 57,3% no sexo masculino replica com exatidão o perfil epidemiológico nacional descrito por Silva et al. (2026) para neoplasias hematológicas pediátricas no Brasil (57,4% no sexo masculino), corroborando a maior vulnerabilidade biológica e epidemiológica dos meninos.
- Concentração Etária no Primeiro Ano de Vida: A estratificação por faixa etária revelou forte concentração nos menores de 1 ano (
0_ANOS), que totalizaram 89.3% de toda a casuística (\(n = 1.315\); média anual de \(119,55 \pm 77,11\)), ao passo que o grupo de 1 a 4 anos perfez 10.7% dos registros (\(n = 158\); média anual de \(14,36 \pm 8,18\)). Assim, ocorreram 8.3 óbitos em menores de 1 ano para cada óbito registrado entre 1 e 4 anos, indicando que a mortalidade estudada incide prioritariamente no período neonatal e pós-neonatal precoce. - Distribuição Espacial por Grandes Regiões: Sob a ótica macrorregional, a Região Sudeste concentrou a maior parcela de óbitos do país, com 39.5% (\(n = 582\); média de \(52,91 \pm 28,86\)), seguida pela Região Nordeste, com 29.7% (\(n = 438\); média de \(39,82 \pm 33,11\)). Juntas, Sudeste e Nordeste responderam por 69,2% da carga nacional de mortalidade. Na sequência figuraram as Regiões Sul (11.4%; \(n = 168\)), Norte (10.8%; \(n = 159\)) e Centro-Oeste (8.6%; \(n = 126\)).
5.2 Interpretação das Séries Anuais e da Tendência Temporal (Tabelas 2, 3 e 4)
A modelagem temporal pelo método log-linear e por regressão com pontos de inflexão (Joinpoint) evidencia dois fenômenos epidemiológicos centrais ao longo da década 2015–2025:
- Tendência Global de Crescimento (2015–2025):
- Brasil e Sexo: No agregado nacional, verificou-se tendência significativamente crescente [APC = +13.87% (IC 95%: +3.12 a +25.72; p = 0.0158 — tendência crescente)]. Diferentemente do padrão de estabilidade observado para o sexo feminino em séries históricas anteriores, nesta base ambos os sexos apresentaram tendência crescente e de magnitude quase idêntica: sexo masculino com APC = +13.90% (IC 95%: +2.75 a +26.26; p = 0.0189 — tendência crescente) e sexo feminino com APC = +13.92% (IC 95%: +3.39 a +25.52; p = 0.0140 — tendência crescente).
- Faixa Etária: O crescimento nacional foi integralmente tracionado pelos menores de 1 ano [APC = +14.80% (IC 95%: +3.45 a +27.40; p = 0.0150 — tendência crescente)], cujos óbitos anuais subiram de 64 (2015) para 265 (2025). Em contrapartida, a faixa de 1 a 4 anos manteve comportamento global estatisticamente estável [APC = +6.95% (IC 95%: -3.50 a +18.54; p = 0.1735 — tendência estacionária)], oscilando entre 6 e 35 óbitos/ano.
- Grandes Regiões: Na avaliação linear do período completo (Tabela 4A), exibiram tendência crescente estatisticamente significativa as Regiões Sudeste [APC = +13.93% (IC 95%: +5.98 a +22.48; p = 0.0028 — tendência crescente)] e Norte [APC = +9.49% (IC 95%: +0.77 a +18.96; p = 0.0355 — tendência crescente)]. As Regiões Nordeste [APC = +13.54% (IC 95%: -4.09 a +34.42; p = 0.1228 — tendência estacionária)], Sul [APC = +11.64% (IC 95%: -0.86 a +25.72; p = 0.0653 — tendência estacionária)] e Centro-Oeste [APC = +20.41% (IC 95%: -1.83 a +47.70; p = 0.0698 — tendência estacionária)] classificaram-se como estacionárias no modelo sem inflexão devido à alta variância introduzida pela queda abrupta nos anos de 2020 e 2021.
- Análise do Ponto de Inflexão (Joinpoint em 2020) e Dinâmica Pós-Pandêmica (Tabela 4B):
- Ao dividir a série histórica nos subperíodos identificados pelo modelo segmentado, constata-se que entre 2015 e 2019 a média nacional era de 92.4 óbitos/ano (total de 462 óbitos no quinquênio).
- Em 2020, ocorreu uma deflexão abrupta para 43 óbitos no Brasil (redução de 62,3% em relação aos 114 óbitos de 2019), mantendo-se baixa em 2021 (\(n = 62\)). No primeiro subperíodo (2015–2020), todas as macrorregiões e estratos exibiram tendência estacionária (\(p > 0,05\)).
- A partir do ponto de inflexão (2020–2025), instalou-se uma tendência crescente acentuada e estatisticamente significativa (\(p < 0,05\)) em praticamente todos os estratos: no Brasil, a variação anual saltou para \(APC = +47,82\%\) (\(p = 0,0073\)), elevando a média anual do quinquênio 2021–2025 para 193.6 óbitos/ano (968 óbitos acumulados — mais que o dobro do quinquênio pré-pandêmico). Nesse segundo segmento (2020–2025), destacaram-se as acelerações no Centro-Oeste (\(APC = +98,58\%\); \(p = 0,0240\)), Nordeste (\(APC = +77,64\%\); \(p = 0,0115\)), Sul (\(APC = +51,52\%\); \(p = 0,0133\)) e Sudeste (\(APC = +35,37\%\); \(p = 0,0079\)).
5.3 Discussão Metodológica e Limitações
À luz do referencial de vigilância epidemiológica discutido por Silva et al. (2026), a interpretação dessa inflexão requer considerar fatores assistenciais e de sistemas de informação em saúde no âmbito do SUS:
- Efeito do Período Pandêmico (2020–2021): A queda abrupta observada em 2020 e 2021 coincide com a sobrecarga dos serviços de saúde durante a pandemia de COVID-19, período marcado por atrasos diagnósticos, restrição de acesso a centros de referência pediátrica e possível competição de causas básicas ou subnotificação no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS).
- Expansão Recente (2022–2025): O crescimento expressivo entre 2022 e 2025 (atingindo 244 óbitos em 2023, 202 em 2024 e 300 em 2025) pode refletir tanto uma demanda reprimida e diagnósticos tardios acumulados após a crise sanitária quanto o aprimoramento da captação diagnóstica, triagem neonatal e qualificação do preenchimento da Declaração de Óbito nas redes estaduais de atenção materno-infantil, sobretudo nas Regiões Sudeste e Nordeste.
- Limitações do Estudo: Como estudo ecológico baseado em dados secundários agregados, destacam-se a impossibilidade de inferência causal no nível individual, a sensibilidade dos modelos log-lineares a oscilações extremas em séries de 11 pontos temporais e as desigualdades regionais na qualidade do registro civil e vigilância do óbito infantil.
5.4 Conclusão
Conclui-se que o perfil epidemiológico dos óbitos pediátricos analisados entre 2015 e 2025 caracteriza-se pelo predomínio do sexo masculino (57,3%), concentração crítica em menores de 1 ano de idade (89,3%) e maior carga absoluta nas Regiões Sudeste (39,5%) e Nordeste (29,7%). A análise de tendência temporal revelou comportamento global crescente no Brasil (\(APC = +13,87\%\text{ a.a.}\)), em ambos os sexos, nos menores de 1 ano e nas Regiões Sudeste e Norte, marcado por um ponto de inflexão em 2020 seguido de forte ascensão entre 2021 e 2025.