Comentários da prova 1 de Eco2

Author

Felipe Melo

Introdução

Este arquivvo é um feedback geral para toda a turma e não um “espelho” da prova. Ele serve para que possam comparar o que se esperava de uma resposta excelente com aquela que você escreveu.

Questão 1 - Sobre a \(\beta\)-diversidade

A) Usando os dados da Tabela 1, calcule a diversidade de Whittaker (fórmula) para cada um dos 6 tipos de Caatinga (tipos da tabela 1) e interprete o valor em termos de “número efetivo de comunidades distintas”.

Essa parte da questão era muito fácil. O cálculo é direto e a interrpetação igualmente objetiva. Aqui eu esperaria o que alguns de vocês fizeram. Em vez de calcular apenas as \(\beta\) de cada tipo de ambiente, alguns também tiveram a ideia de calcular a \(\beta\) geral através da média das \(\bar{\alpha}\) médias e chegando ao valor de uma \(\beta\) regional de cerca de 8 comunidades efetivamente distintas. Isso já poderia me dar ideia sobre como proceder para pensar minha rede de UCs, se eu tinha 30 localidades, que se comportavam como 8 comunidades efetivas, escolher 10 já me dava uma certa margem de segurança. Imaginem: se eu escolhesse bem 10 localidades, poderia alcançar o máximo possível de espécies protegidas, já que no fundo aquelas 30 são 8 efetivamente distintas. Ainda, eu esperaria que vocês dictuissem um pouco mais a relativa regularidade entre os tipos vegetacionais. A maioria se focou no óbvio: Brejos e Tabuleiros tem mais \(\beta\) e ninguém discutiu que aqueles tipos vegetacionais com \(\beta\) ao redor de 1,7 variaram muito em sua \(\alpha\) e em sua \(\gamma\).

b) O que o resultado sugere sobre a importância relativa de \(\alpha\) e \(\beta\) para a construção de \(\gamma\) nesta paisagem como um todo?

Uma resposta excelente para este quesito incluiría comentários sobre porque algumas comunidades têm pesos diferentes de \(\beta\) e \(\alpha\) na composição da \(\gamma\). Propor algumas hipóteses seria legal. Poucos fizeram isso. De resto, a maioria usou ideias de uma \(\beta\) moderada, mesmo sem comparação. Ou, pior, simplesmente afirmavam que a \(\beta\) era alta e/ou “importante” mesmo sem explorar as possibilidades ou sem concetar os argumentos.

Quesito 2- Com base nos dados apresentados (em especial a ausência de relação entre \(\alpha\) e área, o valor de \(\beta\)w e o padrão de substituição de espécies), argumente se sua rede deve priorizar poucas áreas grandes ou várias áreas pequenas. Discuta também por que a inferência de processos a partir de padrões de distribuição de espécies exige cautela (risco de “confundir geografia com biologia”) e que dado adicional você pediria à equipe de campo para sustentar sua decisão.

Aqui tivemos uma questão em que quase 100% das pessoas teve ums resposta similar. Entendo que isso foi influenciado pela ausência de relação entre área e riqueza de espécies. A resposta que dá preferência à proteger várias áreas menores em vez de poucas grande, correto! Mas, há muitos pormenores e detalhes que pouca gente percebeu. O primeiro é a falta de correlação entre área do fragmento e riqueza. Mesmo que não haja correlação com a riqueza, proteger fragmentos grandes permite proteger populações maiores e portanto, poderiam ser considerados com mais atenção. Aliás, este é o dado que naturalmente eu pedidria à equipe de campo (além de outros). O tamanho das populações (abundâncias de cada espécie) são cruciais para ifnormar minha decisão. Mesmo usando a lógica de muitos pequenos, que abarquem a heterpgeneidade, senti falta de uma eplicação mais detalhada sobre como vocês selecionariam os de categoria “pequeno”. Matermeticamente, se não há relação com a área, a lógica deveria ser escolher a combinação que dá mais espécies, adicionando aos “protegidos” uma sequencia que gerasse uma curva ascendente de acumulação o mais acentuada possível.

Lembra desta figura? Então… era por aqui o caminho para explorar mais a resposta.

Quesito 3: Aplique os quatro processos de Vellend (seleção, deriva ecológica, dispersão e especiação) para explicar: (a) a alta substituição de espécies entre tipos dev ecossistema; (b) a baixa dissimilaridade dentro de cada tipo; (c) a homogeneização das localidades em vegetação secundária. Indique qual processo você esperaria que predomina em cada caso (por exemplo, nos brejos de altitude em comparação com a Depressão Sertaneja) e por quê.

Neste caso, a maioria também acertou, o que considero um bom sinal de que vocês estão entendendo as forças por trás da montagem de comunidades. No entanto, a maioria usou apenas um mecanismo para explicar os padrões, quando na verdade mais de um atua simultaneamente, ainda que um prevaleça (teoricamente). Para o caso da (a) alta beta entre tipos de ecossistemas, temos pelos menos a limitação de dispersão, seleção e especiação atuando. Para o caso (b) de baixa beta dentro de cada tipo, a limitação de dispersão perde força e a seleção passa a atua de maneira mais forte e a especiação também ajuda se gera espécies adaptadas apenas àquelas condições. Ja no caso c) da sucessão ecologíca que apresenta homogeneidade, a seleção passa a ser, de longe, o fator mais importante, filtrando espécies adaptaadas às condições de perturbação. Essas especies costumam ser pouco limitadas na dispersã porque são r-estrategistas e produzem muitos propágulos.

Quesito 4: Explique como clima, solo e vegetação atuam como filtros hierárquicos que geram a heterogeneidade dos seis tipos de ecossistema amostrados. Discuta o contraste entre substratos cristalinos e sedimentares, o papel da altitude nos brejos e dos gradientes de umidade entre Sertão e Agreste. Em seguida, responda: é possível usar variáveis ambientais (clima, solo, vegetação) como substitutas (surrogates) para planejar a rede de UCs e diminuir a dependência de inventários de aves? Quais são os riscos dessa estratégia?

Aqui quase todos deram boamss respostas usando a ideia de que filtros climáticos vẽm primeiro, logo o solo e a vegetação. Alguns deram exemplos legais, outros exploraram pormenores dessa hierarquia, mas infelizmente alguns forma sintéticos demais e obvios demais também.

Quesito 5: Sobre as áreas em regeneração: Explicar porque a) apresentam menor riqueza e maior semelhança entre si do que as áreas primárias equivalentes, relacionando o resultado à perturbação, à disponibilidade de propágulos e ao filtro ambiental e b) Como as mudanças climáticas e a dinâmica das comunidades “em um mundo em constante mudança” deveriam ser incorporadas ao desenho da rede, dando que ela deve funcionar por décadas?

Achei essa a pergunta mai fácil de todas, mas foi a que você menos investiram em usar seus conhecimentos e aplicar os processos de montagem de comunidades. A maioria das respostas foi protocolar e óbiva e às vezes catastrófica (não tem jeito). O centro seria explicar a) os processos de redução de riqueza e homogenização que eram meio repetidos da equestão anterior. Já para b) faltou muito imgeinação. Esse mundo em constante mudança não só o clima, mas as mundaças no uso de solo, a redistribuição das espécies e regimes de chuva. Alguns pensarm em corredores ecologícos e aumentar a conectivade entre as áreas protegidas, o que é bom. Outros (poucos) mencionaram gradientes altitudinais, o que foi muito bom. Enfim, eu esperava mais criatividade.

Quesito 6:Sua seleção de 10 áreas (320 espécies) deixou de fora 36 espécies, a maioria registrada em uma só localidade. (a) Explique por que nenhuma combinação de áreas alcançou o total de 356 espécies, usando o conceito de raridade (formas de raridade de Rabinowitz) e a estrutura de ocorrência descrita no cenário. (b) Discuta criticamente o uso de aves como única indicadora: quais dimensões da biodiversidade (funcional, filogenética, outros táxons) poderiam mudar sua recomendação?

Aqui foi legal ver que a mioria entendeu o que é raridade e a mioria conseguiu discutir bem o uso de aves como indicadores, ainda que de maneira extremamente óbiva, tipo: “As aves não representam tudo”. Claro que não, mas respondem a divesos gradientes, são diversas, possuem nichos distintos e responde a estrutura da vegetaçaõ e clima (não muito ao solo)… à partir daí, qual a limitação? Como tomar criticamente os dados coletados? Pouca gente usou a cabeça aqui de verdade.

Comentário geral

Gente, uma prova como esta coloca vocês para estudarem e pensarem. Aproveitem sempre essas chances para se desenvolver intelectualmente. Não se trata apenas de decorar coisas. Lembrem-se, um biólogo que “acordou pra vida” jamais votlará a olhar apara a natureza com olhos de mistério, mas de indagação e sua mente vai imediatamente tentar encontrar explicações. Não tem conceito decorado ou I.A. que resolva os problemas ecológicos que estamos enfrentando.

Distribuição das notas

Considero que as notas foram muito boas para a turma em geral. A distribuição abaixo mostra que houve uma tendência a notas mais altas e que notas muito baixas foram muito raras (quem quiser feedback pessoal, pode me procurar)