| Tabela 1: Indicadores Epistemológicos de Cobertura de TA (Intervalo de Confiança 95% - Wilson) | ||||
| Mapeamento das taxas de uso, demanda represada e vulnerabilidade funcional | ||||
| Indicador | Sigla | N Válido | Estimativa Pontual (%) | IC 95% Formatado |
|---|---|---|---|---|
| Uso Corrente de TA | USE | 79 | 89.9% | [81.3% - 94.8%] |
| Necessidade Não Atendida | UNMET | 79 | 12.7% | [7.0% - 21.8%] |
| Demanda Global de TA | DEMAND | 79 | 89.9% | [81.3% - 94.8%] |
| Subatendimento / Precariedade | UNDER | 79 | 12.7% | [7.0% - 21.8%] |
| Limitação Funcional Severa (≥1 Domínio) | NEED2 | 79 | 69.6% | [58.8% - 78.7%] |
Artigo sobre Avaliação da Necessidade e Acesso à Tecnologia Assistiva (rATA/OMS)
Inquérito Hospitalar Integrado: Uma Análise Centrada na Dignidade, Autonomia e Equidade em Saúde
1 Apresentação Metodológica: A Pessoa no Centro do Dado
O protocolo rATA (Rapid Assistive Technology Assessment) da Organização Mundial da Saúde (OMS), formulado no âmbito da cooperação global GATE, não é apenas um instrumento de coleta quantitativa. Sob o prisma da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF/OMS), a Tecnologia Assistiva (TA) é reconhecida como um mediador fundamental dos direitos humanos: o elo que transforma a incapacidade biológica em participação social ativa, autonomia e dignidade.
1.0.1 A Coorte Hospitalar e o Desafio da Equidade
Em um ambiente hospitalar de alta complexidade, cada registro estatístico representa uma trajetória marcada por fragilidade clínica e barreiras cotidianas. Este estudo combina o rigor inferencial da estatística pública (intervalos de confiança pelo método de Wilson, regressão logística ajustada e análise não paramétrica) com a leitura humanizada do cuidado, traduzindo os números em diretrizes acionáveis para o SUS.
- Fonte de Extração dos Dados: Arquivo RDS Processado
- Total de Pacientes Acompanhados: 79 pessoas
- Última Atualização dos Dados: 10/09/2026 às 15:31
2 Indicadores Globais de Cobertura e Desatendimento
Abaixo, os indicadores universais do rATA são apresentados com seus Intervalos de Confiança de 95%, delimitando a margem de incerteza e permitindo uma interpretação segura da demanda real da nossa população.
3 Perfil Demográfico e Ciclos da Vida
3.1 Distribuição Etária por Gênero
3.2 Estruturação Epidemiológica por Faixa Etária (OMS)
| Tabela 2: Composição da Amostra por Ciclos de Vida e Sexo | ||
| AGEGR_lbl | N | Proporcao |
|---|---|---|
| Masculino | ||
| Pré-escolar (3-4 anos) | 1 | 100.0% |
| Fase Adulta/Envelhecimento (18+ anos) | 27 | 34.6% |
| Feminino | ||
| Fase Adulta/Envelhecimento (18+ anos) | 51 | 65.4% |
4 Barreiras Sociais e Econômicas ao Acesso (Seção E - rATA)
Entender o motivo pelo qual uma pessoa precisa de um produto assistivo mas não o possui é o primeiro passo para desenhar políticas públicas empáticas e eficientes.
| Tabela 3: Frequência Detalhada das Barreiras de Acesso | |||
| Descrição da Barreira | Pacientes Afetados (N) | Proporção do Grupo (%) | Impacto Acumulado (%) |
|---|---|---|---|
| Lembrar | 1 | 50.0% | 50.0% |
| Pouca informação | 1 | 50.0% | 100.0% |
5 Determinantes do Desatendimento: Regressão Logística Múltipla
Ajustamos um modelo multivariado para isolar quais fatores demográficos, clínicos ou geográficos de fato multiplicam o risco de um paciente ficar desatendido (UNMET = 1).
| Tabela 4: Preditores Independentes de Necessidade Não Atendida (UNMET) | |||||
| Modelo de Regressão Logística Múltipla ajustado por cofatores | |||||
| Preditor | Razão de Chances Ajustada (aOR) | IC 95% Inferior | IC 95% Superior | p-valor | Significancia |
|---|---|---|---|---|---|
| age | 1.01 | 0.98 | 1.06 | 0.529 | Não Significativo |
| sexMasculino | 1.15 | 0.26 | 4.59 | 0.840 | Não Significativo |
| DIFFLEV | 1.00 | 0.35 | 2.73 | 0.998 | Não Significativo |
| DISTKMTAcima de 25 km | 0.52 | 0.06 | 11.10 | 0.585 | Não Significativo |
6 Impacto Financeiro e Vulnerabilidade (Out-of-Pocket)
Gastos do próprio bolso em saúde (Out-of-Pocket) são highly assimétricos. Por isso, analisamos a Mediana e o Intervalo Interquartil (IQR) e aplicamos testes não paramétricos (Kruskal-Wallis) para entender o impacto financeiro real na renda familiar.
| Tabela 5: Análise Robusta dos Gastos Diretos do Próprio Bolso (OOP) | |||||||
| Diferença entre faixas de renda (Teste de Kruskal-Wallis: p = 0.0498) | |||||||
| Renda | N | Média | Desvio_Padrão | Mediana | Q25 | Q75 | IQR |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Até 1 salário mínimo | 14 | R$811.57 | R$637.46 | R$710.00 | R$500.00 | R$1,075.00 | R$575.00 |
| De 1 à 2 salários mínimos | 9 | R$956.22 | R$1,068.92 | R$700.00 | R$385.00 | R$1,085.00 | R$700.00 |
| De 2 à 3 salários mínimos | 3 | R$2,100.00 | R$1,734.94 | R$2,500.00 | R$1,350.00 | R$3,050.00 | R$1,700.00 |
| De 3 à 5 salários mínimos | 6 | R$198.50 | R$311.97 | R$14.50 | R$11.00 | R$303.75 | R$292.75 |
| Sem renda | 1 | R$1.00 | NA | R$1.00 | R$1.00 | R$1.00 | R$0.00 |
7 Qualidade do Cuidado: Adequação Tecnológica e Treinamento
A diretriz GATE/OMS reforça que acesso sem qualidade não gera reabilitação. Avaliamos aqui o grau de adequação percebido e a presença de orientação profissional para o uso.
8 Mapeamento Clínico: Diagnósticos vs. Domínios de TA
9 Inferência Populacional e Amostragem Complexa (srvyr)
Abaixo, apresentamos a estrutura de expansão amostral para correção de viés de seleção hospitalar via pacote srvyr.
| Tabela 6: Estimativas Ponderadas do Protocolo rATA com Correção Amostral | |||
| Expansão estatística para a população assistida no território hospitalar | |||
| Indicador | Estimativa Ponderada (%) | IC 95% Inferior (%) | IC 95% Superior (%) |
|---|---|---|---|
| Uso Corrente (USE) - Estimativa Ponderada | 89.9% | 83.1% | 96.7% |
| Necessidade Não Atendida (UNMET) - Estimativa Ponderada | 12.7% | 5.2% | 20.2% |
10 Recomendações e Diretrizes para a Gestão Hospitalar e Políticas Públicas
- Protocolo de Alta Hospitalar Humanizada: Integrar a prescrição e a concessão da TA ao plano de alta do paciente, garantindo que ninguém deixe o hospital sem o recurso necessário para sua mobilidade ou autocuidado.
- Capacitação Obrigatoria do Usuário e Família: Instituir oficinas práticas de treino e adaptação anatômica conduzidas por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais antes da entrega definitiva do dispositivo.
- Pólos Regionais de Assistência e Manutenção: Criar pontos descentralizados de apoio técnico para aproximar os serviços dos pacientes que residem a mais de 25 km do hospital central, reduzindo o impacto das barreiras geográficas.
- Isenção de Custos para Populações Vulneráveis: Garantir a gratuidade total do fornecimento e da manutenção dos equipamentos para famílias de baixa renda, prevenindo o endividamento e o empobrecimento decorrentes do cuidado em saúde.
11 Referências Científicas
- World Health Organization. (2021). Rapid Assistive Technology Assessment (rATA) Questionnaire. Geneva: World Health Organization.
- World Health Organization & UNICEF. (2022). Global Report on Assistive Technology. Geneva: World Health Organization.
- Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). (2004). Organização Mundial da Saúde. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo - EDUSP.
- Khasnabis, C., & Zhang, W. (2018). The GATE initiative: Global Cooperation on Assistive Technology. The Lancet, 391(10129), 1477-1479.
- Agresti, A. (2013). Categorical Data Analysis. 3rd Edition, John Wiley & Sons.