Este relatório apresenta os resultados analíticos estruturados com base nos dados coletados pelo inquérito em curso sobre o uso de Tecnologias Assistivas (TA) no ambiente do Hospital Universitário [1, 2]. O instrumento de coleta de dados e o modelo analítico seguem estritamente as diretrizes da ferramenta rATA (Rapid Assistive Technology Assessment), estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no âmbito do programa GATE (Cooperação Global em Tecnologia Assistiva) [1, 3].
O principal objetivo deste estudo é mapear a necessidade, a demanda, a oferta e a satisfação dos usuários de dispositivos assistivos atendidos em nosso hospital [1, 2]. Esta análise permite identificar gargalos logísticos, vulnerabilidades econômicas e barreiras físicas que impactam diretamente a independência, funcionalidade e qualidade de vida dos participantes [1, 4].
A análise do perfil sociodemográfico é fundamental para contextualizar a amostra hospitalar e garantir que as ações de provisão de tecnologia assistiva considerem as especificidades de gênero e idade dos pacientes [2].
A tabela a seguir apresenta o cruzamento demográfico das faixas etárias oficiais do protocolo rATA pela identidade de gênero declarada [1, 2]:
| Faixa Etária (AGEGR) | Masculino | Feminino | Outro/Não informado | Total Geral |
|---|---|---|---|---|
| 18+ anos | 11 | 24 | 0 | 35 |
O protocolo rATA avalia a dificuldade funcional autorreferida em 6 domínios críticos de atividade básica, causados por condições crônicas ou agudas de saúde [1]: Mobilidade (c.1), Visão (c.2), Audição (c.3), Comunicação (c.4), Cognição (c.5) e Autocuidado (c.6) [1, 5].
Os graus de dificuldade variam de 0 (Nenhuma
dificuldade) a 3 (Não consegue de modo algum) [1, 42].
1 se o indivíduo possui pelo menos uma dificuldade leve
(DIFFLEV == 1) e nenhuma de grau superior [1, 43].1 se o indivíduo possui limitação limitadora severa
(DIFFLEV >= 2), indicando alta prioridade clínica de
reabilitação e provisão [1, 43].O gráfico abaixo ilustra a distribuição percentual amostral de cada
nível máximo de limitação funcional (DIFFLEV):
A tabela abaixo consolida as prevalências gerais dos indicadores de
necessidade (NEED1 e NEED2):
| Total de Registros | Necessidade Leve/Moderada (NEED1) | Taxa NEED1 (%) | Necessidade Severa (NEED2) | Taxa NEED2 (%) |
|---|---|---|---|---|
| 35 | 14 | 40 | 21 | 60 |
A partir das informações de uso e demanda declaradas, calculamos os três macroindicadores de cobertura do rATA:
USE == 1 | UNMET == 1) [1, 43].USE == 1), mas de forma precária: ou porque
necessita de outros produtos adicionais não atendidos
(UNMET == 1), ou avaliou a qualidade, adequação ou
utilidade do produto principal abaixo de 3 (em escala de 1 a 5) [1,
44].O gráfico abaixo compara as taxas oficiais de cobertura calculadas para o ambulatório hospitalar:
A inovação proposta por esta pesquisa hospitalar consiste em cruzar os diagnósticos clínicos livres coletados no hospital universitário com os domínios funcionais dos produtos assistivos utilizados pelos pacientes [2].
Para realizar esta correlação, o script de ETL desmembrou (unnested) as respostas de múltipla escolha para rastrear de forma unívoca cada dispositivo ativo por indivíduo [2].
O gráfico a seguir exibe a distribuição percentual dos domínios de tecnologia assistiva utilizados por cada grupo de diagnóstico clínico:
A tabela abaixo apresenta os volumes absolutos cruzados:
| diag_group | Autocuidado | Cognição | Mobilidade | Outros | Visão | Audição |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Cardiovascular & Sistêmico | 4 | 1 | 3 | 2 | 1 | 0 |
| Cognitivo/Demências | 1 | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 |
| Neurológico Motor | 1 | 0 | 1 | 0 | 2 | 0 |
| Oftalmológico | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0 |
| Oncológico | 0 | 0 | 1 | 1 | 2 | 0 |
| Osteomuscular & Ortopédico | 0 | 0 | 2 | 0 | 1 | 0 |
| Outros Diagnósticos | 10 | 1 | 11 | 5 | 14 | 1 |
Os custos incorridos diretamente do próprio bolso pelos usuários (Out-of-Pocket / OOP) nos últimos 12 meses representam um importante indicador de vulnerabilidade econômica e risco de empobrecimento em saúde [1, 25].
O gráfico Boxplot a seguir compara o nível de gastos acumulados em BRL (R$) contra o estrato de renda familiar declarado, permitindo avaliar a equidade financeira de acesso à saúde [2]:
A tabela a seguir apresenta os principais parâmetros descritivos dos gastos declarados:
| Faixa de Renda | Nº Usuários | Média (R\()| Mediana (R\)) | Máximo (R$) | |
|---|---|---|---|---|
| Sem renda | 1 | 0.00 | 0.0 | 0 |
| Até 1 salário mínimo | 16 | 313.56 | 0.0 | 1560 |
| De 1 à 2 salários mínimos | 4 | 291.50 | 0.0 | 1166 |
| De 2 à 3 salários mínimos | 5 | 1260.00 | 200.0 | 3600 |
| De 3 à 5 salários mínimos | 6 | 2527.50 | 207.5 | 14000 |
A acessibilidade física geográfica é crucial para garantir a equidade.
1 se o usuário precisou se deslocar uma
distância local (igual ou inferior a 25 km) para conseguir o seu
principal dispositivo assistivo [1, 26]. Assume valor 0
caso tenha percorrido trajetos de longa distância (> 25 km) [1,
26].O gráfico abaixo exibe a relação entre a fonte financiadora do dispositivo assistivo e a distância geográfica percorrida pelo paciente:
Os resultados apresentados neste relatório consolidam reflexões importantes para a gestão de reabilitação e fornecimento de tecnologias assistivas em nosso Hospital Universitário [2]:
DISTKMT [1, 44] e PAYER [1, 24] demonstra até
que ponto os serviços públicos financiados pelo Governo (SUS) dependem
de polos centrais altamente concentrados, demandando longas viagens e
criando barreiras indiretas de transporte [1, 26].WHO/MHP/HPS/ATM/2021.1. Licença: CC
BY-NC-SA 3.0 IGO.978-92-4-004945-1.10.1016/S0140-6736(18)30811-1.10.3109/17483107.2016.1186176.