LEME · Auditoria de dados · 2024 e 2025

Diagnóstico de Dados Georreferenciados

A base do ISP entrega, para cada ocorrência, um endereço e um par de coordenadas. Este diagnóstico verifica se as duas informações apontam o mesmo lugar.

BASE: ISP/PCERJ · município inteiro 81.451 OCORRÊNCIAS EM 2025 22.378 EM 2024

Em 4 de cada 10 ocorrências, a coordenada fica a mais de meio quarteirão do endereço informado. Em 1 de cada 5, ela cai em outra rua.

38,2%
coordenada a 50 m ou mais do endereço
21,7%
coordenada em outra rua
34,9%
continuam distantes mesmo com endereço completo
9,1%
coordenada repetida em 5 ou mais endereços

O que o diagnóstico encontrou

01

Como o dado está sendo preenchido

Em 34% dos registros não há o número do endereço. Sem número, não é possível associar a ocorrência ao local específico da rua, que normalmente é um imóvel de referência. O melhor que qualquer sistema consegue é um ponto da via — e a Avenida Brasil tem 50 quilômetros.

Preenchimento do endereçoOcorrências% da base
Sem número no boletim27.71334,0%
Com número53.68966,0%

Nesses 34% o erro já era esperado. O que este diagnóstico quer saber é o resto: nos casos em que o endereço foi preenchido por completo, ainda há erro de georreferenciamento?

02

Em quantas ocorrências o endereço está diferente das coordenadas

A coordenada já vem pronta na base. Para checá-la, comparamos com dois cadastros oficiais independentes, um do IBGE e um da Prefeitura.2 Onde os dois concordam, temos uma referência confiável. Foi o caso de 32.866 ocorrências nos dois anos.

O quarteirão típico do Rio tem 59 metros.3 Uma diferença de 50 metros já joga a ocorrência para o quarteirão vizinho, o que é um problema de georreferenciamento.

Distância entre a coordenada e o endereçoOcorrências%
menos de 50 m20.32661,8%
50 m a 250 m9.64229,3%
250 m a 500 m1.2563,8%
500 m a 1 km7692,3%
1 km a 2 km6852,1%
acima de 2 km1880,6%

São 38,2% a partir de 50 metros: 12.540 das 32.866 ocorrências que deu para comparar. Quase todo esse volume está entre 50 e 250 metros, mas cerca de 5% erram mais de 500 metros. Erro desse tamanho não aparece numa conta por bairro. Muda o trecho de rua.

Um caso, em escala

3.46 km de erroOnde o ISP diz que foicoordenada da planilhaOnde realmente ficaIBGE + Prefeitura + Google1 kmRua Conde De Bonfim, 1020, Tijucao traçado escuro é o próprio logradouro; o ponto do ISP caiu em outro trecho dele
Rua Conde de Bonfim, 1020, Tijuca. A coordenada fica a 3.459 metros do endereço. O traçado escuro é a própria Rua Conde de Bonfim: a coordenada caiu em outro trecho dela.

Onde a coordenada dá outra rua que não a do endereço

Este teste dispensa fonte externa. Pega a coordenada da base, acha a rua mais próxima dela e compara o nome com o campo de endereço. Entram 81.402 das 81.451 ocorrências de 2025. As 49 que sobram caem perto de um trecho de rua que não tem nome no cadastro da Prefeitura, então não há o que comparar.

Em 17.646 de 81.402 ocorrências (21,7%) a coordenada cai em outra rua. E não fica no meio do caminho entre as duas ruas. Fica em cima da outra: na metade dos casos, a 2 metros ou menos dela.4 O ponto foi colocado sobre uma rua. Só que a errada.

Tipo de via do endereçoOcorrênciasCoordenada em outra rua
Rua42.93018,4%
Avenida30.83024,8%
Estrada4.05325,2%

Avenidas e estradas erram mais que ruas. Não sabemos por quê. O teste mostra que acontece, não explica a causa.

O comprimento da via explica outra coisa, e as duas se confundem fácil. Ele muda o tamanho do erro, não a troca de rua. Numa travessa de 200 metros, o ponto genérico da via cai perto do endereço de qualquer jeito. Numa avenida de 20 quilômetros, o mesmo ponto pode cair a quilômetros — e continua na avenida certa. É por isso que o erro em avenida é maior, e é o que estraga a contagem por trecho de rua.

03

Como isso se distribui no espaço

Por delegacia

O prefixo do RO diz qual unidade registrou a ocorrência. A pergunta aqui é se o problema se concentra em alguma parte da cidade. Refizemos as duas medidas por unidade. Só entram as que têm pelo menos 300 registros.

Primeiro a distância entre a coordenada e o endereço: quantos casos ficam a 50 metros ou mais, dentro das 32.866 ocorrências que deu para comparar. Trinta e seis unidades têm registro suficiente para entrar. A linha do município é a mesma taxa calculada sobre todas as 32.866 juntas, sem separar por unidade — 38,2%, o mesmo número da seção anterior.

DelegaciaOcorrênciasA 50 m ou mais do endereço
35ª DP71957,0%
13ª DP77156,5%
16ª DP49752,1%
15ª DP42351,5%
município inteiro32.86638,2%
5ª DP1.77028,8%
44ª DP54127,4%
24ª DP1.15024,2%

Agora o teste da rua diferente: quantas coordenadas caem sobre uma rua de nome diferente do que está no boletim, dentro das 81.402 ocorrências de 2025. Quarenta e uma unidades têm registro suficiente. De novo, a linha do município é a taxa sobre as 81.402 juntas — 21,7%, o mesmo número já visto acima.

DelegaciaOcorrênciasCoordenada em outra rua
44ª DP1.43740,8%
39ª DP1.59239,6%
43ª DP54233,6%
27ª DP1.83533,0%
município inteiro81.40221,7%
24ª DP1.91514,9%
13ª DP1.60314,8%
7ª DP44413,7%

Nenhuma unidade é ruim nas duas medidas. Ponha as duas tabelas lado a lado. A 44ª DP é a pior do município em rua diferente, com 40,8%, e a segunda melhor em distância, com 27,4%. A 13ª DP faz o contrário: 56,5% em distância, a segunda pior, e 14,8% em rua diferente, a segunda melhor. Nas oito piores de cada medida, não se repete nenhuma.

Uma delegacia que trabalhasse pior apareceria no topo das duas listas. As diferenças entre unidades existem, mas não são de nenhuma unidade em particular. As duas partes seguintes testam as explicações ligadas ao registro, uma por uma. Nenhuma se sustenta.

Se tem problema de preenchimento

Os 34% de boletins sem número da seção 01 são a primeira suspeita. Cruzando o preenchimento com o teste da rua diferente:

Preenchimento do endereçoOcorrênciasCoordenada em outra rua
Sem número no boletim27.71324,4%
Com número53.68920,3%

Ter o número baixa a taxa de 24,4% para 20,3%. Quatro pontos. O preenchimento explica pouco.

Não deveria ter erro — endereço bem preenchido mas ainda tem erro

Agora o recorte mais exigente possível. Só endereços com número no boletim, conferido nos dois cadastros, e os dois cadastros apontando o mesmo ponto.7 São 17.140 registros. Não falta informação e não há dúvida sobre onde o endereço fica.

Distância da coordenada ao endereço20242025Total%
até 50 m3.3157.85111.16665,1%
50 a 100 m7772.2463.02317,6%
100 a 250 m5831.2631.84610,8%
250 a 500 m1503374872,8%
acima de 500 m1434756183,6%

A taxa é de 34,9% a partir de 50 metros: 5.974 dos 17.140 endereços completos têm a coordenada a pelo menos meio quarteirão do lugar informado. Considerando todos os casos em que deu para comparar, e não só os completos, são 38,2%. Endereço perfeito melhora 3 pontos. É isso que joga a dificuldade para depois do preenchimento.

A referência foi checada com uma terceira fonte Cruzamos os dados com o Google — uma fonte independente — para ver se as duas bases de referência tinham algum erro parecido. Não tinham.

  • 500 endereços entre 50 e 500 metros: o Google bateu com as duas bases em 96,8%.
  • 1.600 endereços acima de 500 metros, chequei um por um: a distância se confirmou em 85,9%. Em 3,0% a coordenada da base estava certa e a referência não.
  • 60 endereços de controle (escolhidos entre os que batiam): o Google concordou com a base em 59 deles.

Detalhes em nota.5

Por delegacia, o preenchimento não explica Refiz a taxa de cada unidade usando só os endereços em melhor situação. Entre as 38 unidades que têm pelo menos 100 registros nos dois conjuntos, a taxa caiu cerca de 3 pontos na unidade típica, e em 7 delas subiu. Exigir endereço perfeito não zera a diferença entre unidades. Só derruba todo mundo um pouco. A maior queda é a da 6ª DP, de 49,4% para 31,6%, e vale olhar separado.

04

Entendendo o problema

Coordenadas empilhadas

Parte dos casos dá para ver na planilha, sem cálculo nenhum. Estes seis registros vêm da Avenida Presidente Vargas. Os números vão do 20 ao 3077 e a coordenada é a mesma nos seis.

ROLogradouroLatitudeLongitude
004-04697/2025Av. Presidente Vargas149-22.906586-43.194403
004-04660/2025Av. Presidente Vargas482-22.906586-43.194403
004-04694/2025Av. Presidente Vargas3077-22.906586-43.194403
004-04757/2025Av. Presidente Vargas20-22.906586-43.194403
004-04776/2025Av. Presidente Vargas1326-22.906586-43.194403
004-04812/2025Av. Presidente Vargas2727-22.906586-43.194403

Os números 20, 149, 482, 1326, 2727 e 3077 ficam a quilômetros um do outro na avenida. Todos receberam a mesma coordenada, igual até a última casa decimal. Imprecisão de medida espalharia os pontos. Coordenada repetida dígito por dígito é valor atribuído automaticamente.

Qualquer sistema de geocodificação funciona assim. Quando não acha o número na base de referência, devolve um ponto genérico da rua. O problema não é isso. É que o arquivo entregue não separa esse caso do caso resolvido, e as duas coordenadas ficam com a mesma aparência.

Esse ponto genérico não é o meio da avenida. Ele fica sobre a via, mas num lugar arbitrário — na Atlântica, a um quilômetro e meio do meio dela.

Em 2025, no município:

  • 55.741 coordenadas diferentes para 81.451 ocorrências;
  • 7.434 registros (9,1%) em coordenadas usadas por 5 ou mais endereços;
  • as duas coordenadas mais repetidas são ambas da Avenida Atlântica, com 350 e 313 ocorrências. A da Avenida Presidente Vargas mostrada acima é a sétima, com 184.
  • uma avenida longa tem vários desses pontos: a Atlântica tem sete e a Presidente Vargas, dez.
Nos 17.140 endereços em melhor situaçãonA 50 m ou maisDistância típica
Coordenada repetida (5+ endereços)38093,4%1,9 km
Coordenada própria16.76033,5%24 m

Em endereço bem preenchido, o padrão acerta quase sempre no sentido errado: desses 380 registros, 93,4% ficam a 50 metros ou mais do endereço e 66% passam de um quilômetro.6 O número existia nos dois cadastros.

O conjunto é pequeno. São 355 casos, concentrados em 61 coordenadas e 114 endereços. Avenida Atlântica responde por 188 deles, Presidente Vargas por 26, Avenida das Américas por 18. A lista completa está no repositório.

10.59 km de erroOnde o ISP diz que foicoordenada da planilhaOnde realmente ficaIBGE + Prefeitura + Google1 kmAvenida Das Americas, 7907, Barra da Tijucao traçado escuro é o próprio logradouro; o ponto do ISP caiu em outro trecho dele
Avenida das Américas, 7907, Barra da Tijuca. Maior distância encontrada em maio de 2026: 10,59 quilômetros. Os dois cadastros e o Google apontam praticamente o mesmo ponto.

Outros casos

A coordenada repetida é a parte menor do total. Dos 5.974 casos a 50 metros ou mais em endereços bem preenchidos, só 355 têm esse padrão. Os outros 5.619 têm coordenada própria e nenhuma marca que os identifique.

  • Na maioria a distância é pequena, em torno de 24 metros.
  • Um terço passa de 50 metros e muda de quarteirão.
  • São 15 vezes mais numerosos que os de coordenada repetida.
  • Não há como isolá-los usando só a planilha.

Para esse grupo só resta trocar a base de referência da geocodificação. É o que a seção seguinte trata.

As taxas de 2024 e 2025 são equivalentes Comparei 2024 e 2025 para os mesmos crimes. As taxas são quase idênticas: distância típica de 29 metros nos dois anos; acima de 500 metros em 4,5% e 4,0%; coordenada repetida em 39,8% e 35,3%; rua em 3,0% e 2,8%; avenida em 9,5% e 7,5%. Isso se manteve mesmo com a coordenada de 2024 vindo de outro processo e o campo de número indo de 2,6% para 31,0% de vazio.

05

O que pode ser feito

Em 7.434 registros de 2025 (9,1% da base), a coordenada aponta um ponto genérico da rua, sem o número. Duas bases públicas e gratuitas, do IBGE e da Prefeitura do Rio, localizam o endereço exato em 78% deles — 74,6% pelo cadastro do IBGE, 57,5% pela malha da Prefeitura.

1. Trocar a base de referência da geocodificação

Essa medida tem o maior impacto. O sistema tenta primeiro o cadastro do IBGE, depois a faixa de números da Prefeitura, e recorre ao ponto da rua só se as duas falharem. A Prefeitura do Rio já mantém um serviço desse tipo — mesma tecnologia, dado melhor. O custo é de configuração.

2. Informar no arquivo como cada coordenada foi obtida

Na geocodificação, existe um campo que separa "imóvel encontrado" de "número não encontrado, devolvido ponto da rua". Esse campo fica na etapa de geração, mas não chega no arquivo final. Incluí-lo não corrige nada. Ainda assim, é a medida mais útil — porque permite filtrar os casos rebaixados. Outra opção é informar uma margem de erro por coordenada.

3. Enquanto isso, marcar as coordenadas repetidas

Contar quantos endereços diferentes usam cada coordenada se faz dentro da planilha, sem consultar nada. Entre as ocorrências que dá para conferir contra uma referência, a marca cobre 41% de todos os casos acima de 500 metros, e recai sobre 9,1% dos registros da base. Para os marcados, os cadastros do IBGE e da Prefeitura dão posição com precisão de dezenas de metros.

Um limite que essas medidas não removem A coordenada vem de um endereço escrito, e 34% das ocorrências não têm número. O ideal seria registrar a posição na origem — um ponto no mapa no momento do registro, ou a coordenada da equipe que atendeu. Enquanto a posição for calculada a partir do endereço, há um limite que nenhum ajuste técnico ultrapassa.

06

O que este diagnóstico não afirma

  • Não é a taxa da base inteira. Os 38,2% valem sobre as 32.866 ocorrências em que deu para comparar com uma referência confiável. Não é sobre as 81.451 de 2025 nem sobre os 17.140 endereços completos, que são os outros dois recortes deste documento. As demais não têm com o que ser comparadas. Como esse conjunto reúne os endereços melhor preenchidos, o número tende a ser um piso.
  • O Google não é medição em campo. É outro sistema de geocodificação. O que sustenta a conclusão é a convergência de três fontes independentes, e não o Google isoladamente.
  • Não se afirma qual sistema gera as coordenadas. Nenhum dos serviços testados reproduz os valores da base. O que se mostra é que os endereços com coordenada repetida são os mesmos que ferramentas profissionais também resolvem apenas no nível da rua.
  • Os cadastros de referência também erram. Em 3,0% dos casos verificados, a coordenada da base estava certa e a referência não. Desses 48 casos, 39 vieram de um recurso do cadastro do IBGE que aproxima pelo número mais próximo, e 43 estão fora do conjunto de endereços bem preenchidos.
  • A comparação entre 2024 e 2025 tem ressalva. A coordenada de 2024 vem de outro processo e cobre só os três roubos de rua. O que se sustenta é que o padrão se manteve; não se afirma melhora nem piora.
  • Não é diferença de sistema de coordenadas. Essa seria a explicação mais confortável: um parâmetro de conversão errado, que se corrige de uma vez e sem culpa de ninguém. Foi testada e não se sustenta. Conversão errada empurra todo mundo para o mesmo lado, pela mesma distância — e o erro do ISP aponta para os oito lados da bússola em proporções parecidas, com centro a menos de dois metros do lugar certo, enquanto os pontos individuais se espalham por centenas. Também não aparece o rastro que o uso de um sistema antigo deixaria, nem o erro aumenta conforme a ocorrência se afasta do centro do mapa. As coordenadas repetidas são a única exceção, e por outro motivo: nelas o desvio tem direção, mas ela aponta para o ponto genérico da rua.8
  • O teste da rua diferente não diz de onde vem a divergência. Quando a coordenada cai em outra via, pode haver problema no endereço ou na coordenada. O teste sozinho não separa os dois. As seções 03 e 04 tratam disso.
07

Notas técnicas

  1. Correlação entre preenchimento e divergência. Calculada entre a proporção de endereços com número preenchido em cada delegacia e sua taxa de divergência, uma vez para cada medida do diagnóstico. Para a distância acima de 50 metros, sobre as 36 unidades com pelo menos 300 registros no conjunto comparável, o coeficiente de Pearson é +0,08 — na prática, ausência de relação. Para o teste da rua diferente, sobre as 41 unidades com pelo menos 300 registros em 2025, é −0,22: relação fraca e no sentido esperado, já que quem preenche melhor erra um pouco menos de rua — é a mesma coisa que os 4 pontos de diferença medidos na seção 03. Nenhum dos dois tem tamanho para explicar a diferença entre as unidades. Cálculo em scripts/analise_por_dp_diagnostico.py.
  2. As duas referências e como foram combinadas. O CNEFE (IBGE, Censo 2022) traz 3,28 milhões de endereços do Rio, com a posição de cada imóvel levantada em campo. A malha de logradouros do Data.Rio (Prefeitura) traz a faixa de números de cada quarteirão, o que permite calcular onde fica um número dentro dele. Uma é federal, a outra municipal, feitas em épocas e por métodos diferentes: quando as duas apontam o mesmo lugar, é improvável que estejam erradas juntas.

    Entram na referência apenas os endereços em que o IBGE localizou o número exato (sem aproximação por número vizinho) e a malha da Prefeitura calculou a posição dentro da faixa do quarteirão, com os dois resultados a no máximo 50 metros um do outro. A posição de referência é o ponto médio entre eles. Nesse conjunto, os dois cadastros ficam a 22 metros um do outro na metade dos casos.
  3. Tamanho do quarteirão. Mediana de 58,5 metros para o comprimento dos trechos de logradouro da malha do Data.Rio. Metade dos trechos é menor que isso.
  4. Distância à rua em que a coordenada caiu. Mediana de 2 metros, com 90% dos casos abaixo de 9 metros. A coordenada está sobre o eixo da outra via, e não a meio caminho entre as duas.
  5. Verificação no Google. Na amostra de 500 endereços da faixa de 50 a 500 metros, a posição do Google ficou a 21 metros da referência e a 110 metros da coordenada da base (medianas), e mais próxima da referência em 96,8% dos casos (intervalo de confiança de 95%: 94,9% a 98,0%). No censo dos 1.600 endereços acima de 500 metros, a divergência se confirmou em 85,9% (intervalo de 84,1% a 87,5%) contra 3,0% em que a coordenada da base estava correta. Confirmação aqui quer dizer que o ponto do Google ficou a 200 metros ou menos da referência; correção da base, que ficou a 200 metros ou menos da coordenada do ISP. Com um limiar de 100 metros no lugar de 200, a confirmação cai para 79,9% e a correção da base para 2,1% — o sentido do resultado não muda. A amostra foi sorteada com semente fixa e embaralhada, para que uma interrupção da coleta ainda produzisse amostra aleatória.
  6. Coordenadas repetidas em endereços bem preenchidos. Dentro dos 17.140 endereços completos e verificados, 380 registros têm uma coordenada compartilhada por cinco ou mais endereços diferentes. Desses 380, 355 estão a 50 metros ou mais do endereço: os 93,4% têm 380 como denominador, não 355. Os 355 equivalem a 2,1% dos 17.140 e se concentram em apenas 61 coordenadas e 114 endereços, o que permite corrigir um a um. A distância mediana dos 380 é de 1.912 metros, contra 24 metros nos registros de coordenada própria, e 66% deles passam de um quilômetro.
  7. Critério de "melhor situação possível". Quatro condições simultâneas: o número está preenchido no boletim; foi encontrado exatamente no cadastro do IBGE, sem aproximação; cai dentro da faixa de números do quarteirão na malha da Prefeitura; e os dois cadastros ficam a menos de 50 metros um do outro.
  8. Teste de sistema de coordenadas. Erro de datum ou de projeção é sistemático: move todos os pontos para o mesmo lado, pela mesma distância. Quatro testes, sobre os 16.760 endereços em melhor situação sem coordenada repetida. Deslocamento médio: o desvio da coordenada do ISP contra a referência tem centro em −1,6 m no eixo norte-sul e +0,2 m no leste-oeste, com dispersão de 172 m e 632 m — o deslocamento é 2% do espalhamento. Direção: o erro se reparte pelos oito setores da bússola entre 8,7% e 16,3%, contra 12,5% esperados por acaso. Datum antigo: uma conversão de SAD69 não feita deixaria um aglomerado a 60 m ao norte e 20 m a leste; ali estão 1,55% dos pontos, contra 1,67% numa janela espelhada que não significa nada. Fator de escala: o erro não cresce conforme o ponto se afasta do meridiano central da zona UTM (correlação −0,07). As coordenadas repetidas são a exceção e por outro motivo: nelas há direção preferencial, mas ela aponta para o ponto genérico do logradouro, não para um lado da bússola. Cálculo em scripts/testa_projecao_isp.py.