Objetivo do curso: Capacitar participantes a extrair, validar, tratar e analisar microdados do SUS com R, integrando fontes de custos/preços e técnicas aplicadas à avaliação econômica.

Ecossistema de dados do SUS com R

Ementa

  • Como os dados do SUS são produzidos, organizados e disseminados?
  • Quais são os principais sistemas de informação e seus subsistemas?
  • Como acessar arquivos no FTP do DATASUS, APIs e portais de dados abertos?
  • Como baixar e ler um arquivo DBC no R?
  • Como interpretar campos usando um dicionário de dados?
  • Como integrar produção ambulatorial, internações, estabelecimentos e procedimentos?
  • Como utilizar esses dados em análises de economia da saúde?
  • Quais cuidados de qualidade, temporalidade, governança e interpretação devem ser adotados?

Objetivo da aula: construir um fluxo reprodutível e intermediário no R, partindo de um arquivo público do SUS até uma tabela enriquecida com metadados e informações cadastrais.


Fundamentos

O ecossistema de dados do SUS

O SUS produz dados durante atividades assistenciais, administrativas, epidemiológicas, regulatórias e financeiras. Esses registros são enviados, validados, consolidados e disseminados por diferentes sistemas.

Um mesmo fenômeno pode exigir mais de uma fonte. Para estudar a produção de um procedimento, por exemplo, pode ser necessário combinar:

  • SIA: produção ambulatorial;
  • SIH: internações hospitalares;
  • CNES: características dos estabelecimentos;
  • SIGTAP: descrição e atributos dos procedimentos;
  • SIM: mortalidade;
  • SINASC: nascidos vivos;
  • SINAN: agravos de notificação.

Os sistemas não são apenas arquivos. Cada um possui finalidade, fluxo, unidade de registro, periodicidade, regras de validação e dicionário próprios.

Dado, informação e metadado no SUS

Considere o código 0301010072 isoladamente:

  • como dado, é apenas uma sequência de caracteres;
  • com o SIGTAP, torna-se a identificação de um procedimento;
  • associado à competência, ao estabelecimento e à quantidade aprovada, torna-se informação;
  • analisado no contexto assistencial e financeiro, pode apoiar conhecimento e decisão.

Metadados descrevem como interpretar o registro:

Elemento Exemplo
Nome do campo PA_PROC_ID
Descrição Código do procedimento ambulatorial
Tipo Caractere
Tamanho 10 posições
Domínio Procedimentos válidos no SIGTAP
Temporalidade Competência informada em PA_CMP
Origem Arquivo PA do SIA/SUS

Dados de produção e dados analíticos

Os arquivos disseminados resultam de processos operacionais. Para uso analítico, é comum realizar:

  1. seleção de competências e unidades geográficas;
  2. download dos arquivos;
  3. leitura e padronização dos atributos (campos, variáveis);
  4. aplicação dos dicionários;
  5. validação da unidade de registro;
  6. integração com tabelas de referência;
  7. construção de indicadores.

O produto analítico deve conservar a rastreabilidade até o arquivo de origem.

dados <- dados |>
  dplyr::mutate(
    arquivo_origem = "PAAC2501.dbc",
    competencia = "202501"
  )

Governança dos dados do SUS

Governança tripartite

O SUS é administrado de forma interfederativa. A governança tripartite articula:

Esfera Participação geral no ciclo dos dados
Federal Coordenação nacional, com estados e municípios, de políticas nacionais, padrões, sistemas e formas de disseminação. Representação do Ministério da Saúde.
Estadual Coordenam fluxos regionais, consolidam e qualificam informações. Representação do Conass.
Municipal Registram ou recebem grande parte dos dados produzidos nos serviços. Representação do Conasems.

A Comissão Intergestores Tripartite reúne as direções nacional, estaduais e municipais para pactuar aspectos operacionais, financeiros e administrativos da gestão compartilhada do SUS.

A qualidade de uma base nacional depende de todas as etapas anteriores: registro no estabelecimento, processamento pelo gestor, validação, consolidação e disseminação.

Governança da informação e da saúde digital

A governança dos dados do SUS também ocorre em instâncias nacionais de informação e saúde digital. Essas instâncias articulam decisões políticas, técnicas e operacionais entre o Ministério da Saúde, o Conass e o Conasems.

Instância ou instrumento Natureza Função principal
CIT Instância de pactuação interfederativa Pactuar decisões com impacto nas três esferas de gestão
GT I&SD Grupo de Trabalho de Informação e Saúde Digital da CIT Preparar e discutir tecnicamente temas de informação e saúde digital
CGSD Comitê Gestor de Saúde Digital Governar a PNIIS e a Estratégia de Saúde Digital
PNIIS Política nacional Estabelecer princípios e diretrizes para informação e informática em saúde
ESD28 Estratégia nacional Organizar objetivos e ações de saúde digital até 2028
RNDS Infraestrutura nacional Permitir o intercâmbio seguro e interoperável de dados de saúde

Essas estruturas são complementares: a política define diretrizes, a estratégia organiza ações, os colegiados realizam governança e pactuação, e a RNDS fornece a infraestrutura para interoperabilidade.

Grupo de Trabalho de Informação e Saúde Digital — GT I&SD

O Grupo de Trabalho de Informação e Saúde Digital, também referido como GT I&SD ou GTISD, integra a estrutura de trabalho da Comissão Intergestores Tripartite.

Participam de suas discussões representantes:

  • do Ministério da Saúde;
  • do Conass;
  • do Conasems;
  • de áreas técnicas convidadas, conforme o tema discutido.

O grupo funciona como espaço técnico tripartite para:

  • discutir políticas de informação e saúde digital;
  • analisar propostas com impacto sobre estados e municípios;
  • acompanhar a implantação da RNDS;
  • discutir interoperabilidade e integração de sistemas;
  • avaliar necessidades de infraestrutura e conectividade;
  • preparar temas para apresentação ou pactuação na CIT;
  • acompanhar projetos de transformação digital do SUS.

O GT I&SD não substitui a CIT. Ele aprofunda tecnicamente os assuntos antes de decisões ou pactuações interfederativas.

Comitê Gestor de Saúde Digital — CGSD

O Comitê Gestor de Saúde Digital (CGSD) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 3.114, de 23 de janeiro de 2024.

É um colegiado permanente e de natureza deliberativa, responsável pela governança da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde e da Estratégia de Saúde Digital.

Sua composição inclui representantes:

  • da Secretaria de Informação e Saúde Digital;
  • das secretarias finalísticas do Ministério da Saúde;
  • da Anvisa;
  • da ANS;
  • do Conass;
  • do Conasems;
  • da Fiocruz;
  • dos departamentos da Secretaria de Informação e Saúde Digital.

Entre suas competências estão:

  • fortalecer, monitorar e avaliar a PNIIS;
  • propor, aprovar e revisar a Estratégia de Saúde Digital;
  • acompanhar soluções de tecnologia da informação e comunicação;
  • promover a interoperabilidade nacional em saúde;
  • incentivar a integração dos sistemas de informação à RNDS;
  • monitorar periodicamente a execução da estratégia;
  • encaminhar resultados e propostas à CIT quando houver impacto interfederativo.

Propostas com impacto operacional, financeiro ou administrativo sobre estados e municípios podem ser submetidas à CIT, especialmente quando solicitado pelas representações do Conass e do Conasems.

Relação entre GT I&SD e CGSD

O GT I&SD e o CGSD atuam em espaços diferentes, embora tratem de temas relacionados.

Característica GT I&SD CGSD
Vinculação Comissão Intergestores Tripartite Ministério da Saúde
Ênfase Discussão técnica tripartite Governança da política e da estratégia
Participação interfederativa Ministério da Saúde, Conass e Conasems Ministério, Conass, Conasems e outras instituições
Resultado esperado Subsídios, encaminhamentos e propostas para a CIT Deliberações, acompanhamento e avaliação da saúde digital
Relação com a RNDS Discussão da implantação interfederativa Direcionamento estratégico e monitoramento

Na prática, os dois espaços devem manter articulação para que decisões nacionais de saúde digital sejam técnica e operacionalmente compatíveis com as realidades estaduais e municipais.

Política Nacional de Informação e Informática em Saúde — PNIIS

A Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS) estabelece princípios e diretrizes para a produção, organização, acesso, compartilhamento e uso das informações em saúde.

Entre seus temas centrais estão:

  • integração dos sistemas de informação;
  • interoperabilidade;
  • qualidade e integridade dos dados;
  • segurança da informação;
  • proteção de dados pessoais;
  • acesso à informação;
  • identificação adequada de pessoas, profissionais e estabelecimentos;
  • produção de conhecimento para gestão, assistência, vigilância e pesquisa;
  • redução das desigualdades de acesso às tecnologias digitais.

A PNIIS orienta o uso da informação como recurso estratégico para:

  • atenção à saúde;
  • planejamento;
  • regulação;
  • vigilância;
  • avaliação;
  • controle social;
  • pesquisa;
  • tomada de decisão.

A PNIIS define diretrizes. Ela não corresponde a um sistema ou banco de dados específico.

A versão publicada em 2021 foi estabelecida pela Portaria GM/MS nº 1.768, de 30 de julho de 2021. Em agosto de 2026, uma proposta de atualização, denominada Política Nacional de Informação e Saúde Digital, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde. A formalização normativa da nova política deve ser verificada quando o material for atualizado.

Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028 — ESD28

A Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028, conhecida como ESD28, organiza prioridades e ações para a transformação digital da saúde no período até 2028.

A estratégia procura alinhar:

  • necessidades de saúde da população;
  • planejamento e gestão do SUS;
  • informatização dos serviços;
  • interoperabilidade;
  • formação de profissionais;
  • participação dos usuários;
  • inovação;
  • governança;
  • segurança e proteção dos dados.

A ESD28 busca superar a fragmentação dos sistemas por meio de uma visão coordenada de saúde digital.

Seus objetivos incluem:

  • conectar estabelecimentos e sistemas;
  • melhorar a continuidade do cuidado;
  • disponibilizar informações para cidadãos e profissionais;
  • apoiar decisões clínicas e administrativas;
  • ampliar a qualidade dos dados;
  • estimular padrões nacionais de interoperabilidade;
  • fortalecer o uso ético e seguro das informações.

O CGSD acompanha e avalia a execução da Estratégia de Saúde Digital e pode propor revisões de seus objetivos e ações.

Rede Nacional de Dados em Saúde — RNDS

A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é a infraestrutura nacional de interoperabilidade em saúde.

Seu objetivo é permitir que informações produzidas por diferentes sistemas sejam compartilhadas de forma padronizada, segura e autorizada.

A RNDS pode conectar:

  • estabelecimentos de saúde;
  • sistemas municipais;
  • sistemas estaduais;
  • sistemas nacionais;
  • laboratórios;
  • farmácias;
  • serviços públicos;
  • serviços de saúde suplementar;
  • aplicações utilizadas por cidadãos e profissionais.

Entre os tipos de informação que podem circular pela rede estão:

  • atendimentos;
  • resultados de exames;
  • imunizações;
  • prescrições;
  • dispensações;
  • sumários clínicos;
  • informações de continuidade do cuidado.

A RNDS não deve ser entendida apenas como um banco de dados central. Ela constitui uma infraestrutura para intercâmbio interoperável de informações entre diferentes participantes.

Interoperabilidade

Interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas trocarem informações e utilizarem corretamente o conteúdo recebido.

Ela possui diferentes dimensões:

Dimensão Pergunta principal
Técnica Os sistemas conseguem se conectar e transmitir os dados?
Sintática Os dados utilizam uma estrutura compatível?
Semântica O significado é preservado entre os sistemas?
Organizacional Existem processos e responsabilidades definidos?
Legal O compartilhamento respeita normas, finalidades e direitos?

Exemplos de elementos necessários:

  • identificadores nacionais;
  • terminologias padronizadas;
  • modelos de informação;
  • padrões de troca;
  • autenticação;
  • autorização;
  • registro de acesso;
  • regras de consentimento, quando aplicáveis;
  • proteção de dados pessoais.

RNDS e sistemas tradicionais de informação

A RNDS não elimina automaticamente sistemas como SIA, SIH, SIM, SINAN, SINASC e CNES.

Esses sistemas possuem finalidades administrativas, epidemiológicas e assistenciais próprias. A RNDS busca ampliar a integração e o intercâmbio das informações.

Sistemas tradicionais RNDS
Organizados segundo finalidades específicas Infraestrutura transversal de interoperabilidade
Podem utilizar arquivos e transmissões periódicas Prioriza intercâmbio padronizado entre sistemas
Possuem layouts próprios Utiliza modelos e padrões interoperáveis
Frequentemente orientados à consolidação nacional Também apoia continuidade do cuidado e gestão local
Mantêm fluxos históricos de processamento Promove integração entre diferentes participantes

Durante a transição, é comum coexistirem:

  • sistemas legados;
  • arquivos de disseminação;
  • APIs;
  • bases nacionais;
  • plataformas locais;
  • serviços integrados à RNDS.

Fluxo simplificado da governança

Etapa Principal componente
Definição de princípios e diretrizes PNIIS
Definição de prioridades e ações ESD28
Governança e monitoramento CGSD
Discussão técnica interfederativa GT I&SD
Pactuação entre gestores CIT
Implementação da interoperabilidade RNDS
Execução nos territórios União, estados, Distrito Federal e municípios

Implicações para a análise de dados

A transformação digital não elimina a necessidade de compreender a origem e a finalidade dos dados.

Ao utilizar informações integradas, o analista deve verificar:

  • qual sistema produziu o registro;
  • qual instituição é responsável pela informação;
  • qual era a finalidade original da coleta;
  • qual padrão foi utilizado;
  • quando o dado foi produzido e atualizado;
  • quais transformações foram realizadas;
  • quais regras de acesso e uso se aplicam;
  • se houve integração com outras fontes;
  • se o significado permaneceu consistente.

Interoperabilidade técnica não garante, isoladamente, qualidade, comparabilidade ou adequação analítica.

Referências complementares

BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategia_saude_digital_Brasil.pdf. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Rede Nacional de Dados em Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/seidigi/rnds. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Comitê Gestor de Saúde Digital. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/cgsd. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Regimento Interno do Comitê Gestor de Saúde Digital. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/cgsd/publicacoes/regimento-interno-comite-gestor-de-saude-digital.pdf. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.768, de 30 de julho de 2021. Altera o Anexo XLII da Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.114, de 23 de janeiro de 2024. Institui o Comitê Gestor de Saúde Digital.

Ministério da Saúde

No ecossistema analisado nesta aula, o Ministério da Saúde e a SEIDIGI/MS mantêm sistemas federais, nacionais, padrões, documentos técnicos e canais de disseminação.

Os principais canais utilizados serão:

  • FTP de arquivos de disseminação;
  • Portal de Dados Abertos do SUS;
  • APIs públicas;
  • documentos de layout e dicionários de dados.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária atua na regulação sanitária de produtos e serviços. No campo econômico, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos - CMED estabelece critérios e limites regulatórios de preços de medicamentos.

Essas informações podem apoiar:

  • comparação entre preço observado e teto regulatório;
  • análise de compras públicas;
  • estudos de acesso a medicamentos;
  • avaliação de impacto orçamentário.

Preço regulado, preço de compra, valor SIGTAP e custo do tratamento são conceitos diferentes.

repositório: https://dados.anvisa.gov.br/dados/

ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar regula o setor de planos privados de assistência à saúde e disponibiliza bases sobre beneficiários, operadoras, produtos, utilização e informações econômico-financeiras.

Esses dados permitem estudar:

  • cobertura da saúde suplementar;
  • concentração de mercado;
  • receitas, despesas e desempenho das operadoras;
  • utilização de serviços;
  • relações entre os setores público e suplementar.

inventário de dados abertos: https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/perfil-do-setor/dados-abertos-1. Tabulador: https://www.ans.gov.br/anstabnet/


Sistemas e centralizadores de informação

Visão geral

Sistema Conteúdo principal Unidade típica de análise Uso em economia da saúde
SIA Produção ambulatorial Procedimento ou atendimento Quantidades e valores ambulatoriais aprovados
SIH Internações financiadas pelo SUS AIH ou ato hospitalar Permanência, utilização e valores hospitalares
SIM Óbitos Declaração de óbito Mortalidade, carga de doença e desfechos
SINAN Agravos de notificação Notificação ou investigação Vigilância e impacto de agravos
SINASC Nascidos vivos Declaração de nascido vivo Saúde materno-infantil e planejamento
CNES Estabelecimentos, serviços e recursos Estabelecimento por competência Oferta, capacidade instalada e perfil do prestador
SIGTAP Procedimentos, medicamentos e OPM Procedimento por competência Valores de referência e regras de compatibilidade

SIA: produção ambulatorial

O Sistema de Informações Ambulatoriais recebe e processa a produção ambulatorial. Os registros podem resultar de diferentes instrumentos, como BPA e APAC.

Arquivo PA

O arquivo PAUFAAMM.dbc consolida procedimentos ambulatoriais. Seu preenchimento varia conforme o instrumento identificado em PA_DOCORIG.

Campos particularmente úteis:

Campo Conteúdo
PA_CODUNI Código CNES do estabelecimento
PA_GESTAO Município gestor ou indicação de gestão estadual
PA_CMP Competência de realização
PA_PROC_ID Procedimento ambulatorial
PA_DOCORIG Instrumento de registro
PA_QTDAPR Quantidade aprovada
PA_VALAPR Valor aprovado
PA_TPFIN Tipo de financiamento
PA_SUBFIN Subtipo de financiamento

A linha do PA não representa sempre uma pessoa. Dependendo do instrumento, pode representar produção consolidada, atendimento individualizado ou procedimento de uma APAC.

Fluxo da produção ambulatorial e hospitalar

A produção assistencial do SUS é registrada por diferentes instrumentos. A escolha depende da modalidade de atendimento, da necessidade de identificação do usuário e da exigência de autorização prévia.

Instrumento Sistema Característica principal
BPA-C SIA Produção ambulatorial consolidada
BPA-I SIA Produção ambulatorial individualizada
APAC SIA Procedimentos ambulatoriais que exigem autorização e acompanhamento
AIH SIH Internações hospitalares autorizadas
BPA-C

O Boletim de Produção Ambulatorial Consolidado (BPA-C) registra quantidades agregadas de procedimentos.

Uma linha geralmente representa a produção consolidada segundo combinações como:

  • estabelecimento;
  • competência;
  • procedimento;
  • CBO;
  • características administrativas.

O BPA-C não identifica individualmente cada usuário. Por isso, é adequado para analisar quantidade produzida, mas não para acompanhar trajetórias individuais.

BPA-I

O Boletim de Produção Ambulatorial Individualizado (BPA-I) registra procedimentos com informações individualizadas do atendimento.

Pode incluir:

  • estabelecimento;
  • usuário;
  • procedimento;
  • profissional;
  • CBO;
  • data do atendimento;
  • município de residência;
  • diagnóstico, quando exigido;
  • quantidade apresentada.

Individualização não significa necessariamente autorização prévia. O instrumento de registro e as regras do procedimento devem ser consultados no SIGTAP.

APAC

A Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade/Custo (APAC) é utilizada em linhas de cuidado ou procedimentos que exigem autorização, acompanhamento e registro individualizado.

O fluxo simplificado é:

Solicitação → avaliação técnica → autorização → realização → apresentação da produção → processamento no SIA

A APAC é utilizada, entre outras áreas, em:

  • medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica;
  • quimioterapia;
  • radioterapia;
  • terapia renal substitutiva;
  • atenção domiciliar;
  • outros tratamentos continuados ou especializados.

Uma APAC pode gerar vários registros no arquivo PA:

  • P: procedimento principal;
  • S: procedimento secundário.

Produção especializada e financiamento MAC e FAEC

A produção ambulatorial e hospitalar de média e alta complexidade é registrada principalmente no SIA e no SIH.

Os recursos federais destinados a essas ações estão organizados, de forma geral, em dois componentes:

Componente Característica
Limite Financeiro MAC Recursos transferidos regularmente aos fundos estaduais, distrital e municipais
FAEC Financiamento de ações estratégicas e determinados procedimentos, apurado com base na produção registrada
Limite Financeiro MAC

O Limite Financeiro da Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar financia ações e serviços especializados sob gestão estadual, distrital ou municipal.

Ele pode contemplar:

  • consultas especializadas;
  • exames;
  • procedimentos ambulatoriais;
  • internações;
  • incentivos de custeio;
  • serviços habilitados;
  • redes e políticas específicas.

A transferência federal ocorre de forma regular e automática aos fundos de saúde, observadas as regras de programação e financiamento.

FAEC

O Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC) financia procedimentos ou políticas considerados estratégicos, além de determinados procedimentos incorporados ao SUS.

O fluxo simplificado é:

Produção assistencial → registro no SIA ou SIH → processamento → apuração → transferência financeira

A classificação do financiamento pode ser investigada no SIA por campos como:

  • PA_TPFIN: tipo de financiamento;
  • PA_SUBFIN: subtipo de financiamento;
  • PA_VALAPR: valor aprovado;
  • PA_QTDAPR: quantidade aprovada.

Exemplo:

pa |>
  dplyr::group_by(PA_TPFIN, PA_SUBFIN) |>
  dplyr::summarise(
    quantidade = sum(PA_QTDAPR, na.rm = TRUE),
    valor_aprovado = sum(PA_VALAPR, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  )
Cuidados de interpretação
  • nem toda produção registrada gera pagamento adicional ao estabelecimento;
  • produção aprovada não é sinônimo de transferência federal;
  • valor SIGTAP não representa necessariamente custo;
  • Limite MAC e FAEC possuem lógicas distintas;
  • incentivos e recursos globais podem não ser identificados em cada procedimento;
  • diferenças entre produção apresentada e aprovada devem ser consideradas.

Para estudar alocação de recursos, combine SIA/SIH com informações do SISMAC, Fundo Nacional de Saúde, InvestSUS e SIOPS.

Fonte: Financiamento da Média e Alta Complexidade.

AIH

A Autorização de Internação Hospitalar (AIH) é utilizada para registrar e processar internações financiadas pelo SUS.

O fluxo simplificado é:

Indicação de internação → solicitação → autorização → internação → alta ou encerramento → processamento no SIH

A AIH reúne informações como:

  • estabelecimento;
  • usuário;
  • diagnóstico;
  • procedimento solicitado;
  • procedimento realizado;
  • datas de internação e saída;
  • permanência;
  • utilização de UTI;
  • valores hospitalares e profissionais;
  • motivo de saída;
  • ocorrência de óbito.
Relação entre os instrumentos e os arquivos disseminados
Instrumento Arquivo de disseminação Unidade aproximada
BPA-C SIA PA Produção consolidada
BPA-I SIA PA e BI Atendimento individualizado
APAC SIA PA e arquivos temáticos Autorização e procedimentos associados
AIH SIH RD e SP Internação e atos profissionais

O arquivo PA reúne registros originados por instrumentos diferentes. Antes de contar atendimentos ou usuários, verifique PA_DOCORIG e a unidade de registro.

Fonte: Informe Técnico do SIA/SUS.

Regulação do acesso a medicamentos do CEAF

O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) é uma estratégia de acesso ambulatorial a medicamentos cujas linhas de cuidado são definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas.

O fluxo geral é:

Prescrição → solicitação → avaliação documental e clínica → autorização → dispensação → renovação e acompanhamento

Prescrição

O profissional prescreve o medicamento e preenche os documentos exigidos, incluindo:

  • Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos — LME;
  • prescrição;
  • exames;
  • documentos previstos no PCDT;
  • identificação do usuário.

Solicitação

O usuário ou responsável apresenta a documentação à unidade responsável definida pela Secretaria Estadual de Saúde ou do Distrito Federal.

Avaliação e autorização

A solicitação é avaliada segundo:

  • diagnóstico;
  • critérios de inclusão;
  • critérios de exclusão;
  • tratamento prévio;
  • exames obrigatórios;
  • dose;
  • duração;
  • regras do PCDT.

Dispensação

Após o deferimento, o medicamento é fornecido pela unidade responsável. A continuidade pode exigir renovação, exames e reavaliação.

As Secretarias Estaduais de Saúde e do Distrito Federal são responsáveis pela avaliação das solicitações e pela dispensação no CEAF.

Fonte: Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.

Arquivo SIA AM — APAC de medicamentos

O arquivo AMUFAAMM.dbc contém registros processados de APAC de medicamentos.

Exemplo:

AMAC2501.dbc

Interpretação:

Parte Significado
AM APAC de medicamentos
AC Acre
25 Ano de 2025
01 Janeiro
.dbc Arquivo DBF comprimido

O arquivo pode apoiar análises sobre:

  • usuários autorizados;
  • procedimentos de medicamentos;
  • diagnóstico;
  • estabelecimento;
  • município;
  • quantidade;
  • competência;
  • continuidade do tratamento.

Exemplo de download:

url <- paste0(
  "ftp://ftp.datasus.gov.br/dissemin/publicos/",
  "SIASUS/200801_/Dados/AMAC2501.dbc"
)

curl::curl_download(url, "AMAC2501.dbc")
am <- read.dbc::read.dbc("AMAC2501.dbc")

Exploração mínima:

dim(am)
names(am)
head(am, 3)

O arquivo AM registra APAC processada no SIA. Ele não comprova isoladamente adesão ao tratamento, consumo pelo paciente ou resultado clínico.

Regulação do tratamento oncológico e arquivo SIA AQ

A assistência oncológica é organizada em estabelecimentos habilitados e envolve diagnóstico, estadiamento, definição terapêutica, autorização e registro da produção.

A APAC é utilizada para registrar procedimentos ambulatoriais de tratamento, incluindo quimioterapia.

O arquivo AQUFAAMM.dbc contém registros de APAC de quimioterapia.

Exemplo:

AQAC2501.dbc

Campos e informações podem permitir análises sobre:

  • estabelecimento;
  • usuário;
  • diagnóstico;
  • tipo de tumor;
  • procedimento;
  • esquema ou finalidade terapêutica;
  • competência;
  • continuidade do tratamento;
  • quantidade apresentada ou aprovada.

Exemplo de download:

url <- paste0(
  "ftp://ftp.datasus.gov.br/dissemin/publicos/",
  "SIASUS/200801_/Dados/AQAC2501.dbc"
)

curl::curl_download(url, "AQAC2501.dbc")
aq <- read.dbc::read.dbc("AQAC2501.dbc")

Exploração mínima:

dim(aq)
names(aq)
head(aq, 3)

Particularidade do financiamento oncológico

No tratamento oncológico, a APAC registra procedimentos terapêuticos. O financiamento não deve ser interpretado automaticamente como reembolso de cada medicamento utilizado.

O estabelecimento habilitado organiza o tratamento conforme:

  • condição clínica;
  • estadiamento;
  • diretrizes diagnósticas e terapêuticas;
  • estrutura disponível;
  • procedimentos autorizados;
  • regras de financiamento do SUS.

O procedimento registrado, o medicamento utilizado, o valor aprovado e o custo real do tratamento são dimensões diferentes.

Fonte: Legislação da Assistência Farmacêutica em Oncologia.

PCDT, Conitec, ATS e Rebrats

Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) estabelecem critérios para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de condições clínicas no SUS.

Podem definir:

  • critérios de inclusão e exclusão;
  • exames necessários;
  • alternativas terapêuticas;
  • doses e esquemas;
  • mecanismos de monitoramento;
  • critérios de interrupção;
  • responsabilidades dos gestores.

Conitec

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) assessora o Ministério da Saúde em processos relacionados a:

  • incorporação;
  • exclusão;
  • alteração de tecnologias;
  • elaboração ou atualização de PCDT.

A decisão considera elementos como:

  • eficácia;
  • efetividade;
  • segurança;
  • avaliação econômica;
  • impacto orçamentário;
  • relevância para o SUS;
  • participação social.

A Conitec avalia e recomenda. A decisão e a publicação dos PCDT são formalizadas pelo Ministério da Saúde.

Avaliação de Tecnologias em Saúde

A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) examina consequências clínicas, econômicas, sociais, organizacionais e éticas do uso de tecnologias.

Tecnologia em saúde pode incluir:

  • medicamentos;
  • equipamentos;
  • procedimentos;
  • testes diagnósticos;
  • sistemas;
  • modelos de cuidado.

Em economia da saúde, a ATS pode utilizar:

  • custo-efetividade;
  • custo-utilidade;
  • custo-benefício;
  • impacto orçamentário;
  • análise de incerteza;
  • avaliação de equidade.

Rebrats

A Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Rebrats) articula instituições e núcleos que produzem e disseminam estudos de ATS para apoiar decisões no SUS.

A Rebrats contribui por meio de:

  • pareceres técnico-científicos;
  • revisões sistemáticas;
  • avaliações econômicas;
  • análises de impacto orçamentário;
  • formação de profissionais;
  • desenvolvimento de métodos;
  • cooperação entre instituições.

Relação com os dados do SIA e SIH

Componente Papel
Conitec Avaliação e recomendação sobre tecnologias e protocolos
PCDT Definição de critérios clínicos e terapêuticos
SIGTAP Regras administrativas e atributos dos procedimentos
SIA/SIH Registro da produção processada
SIA AM Registros de APAC de medicamentos
SIA AQ Registros de APAC de quimioterapia
Rebrats Produção e disseminação de estudos de ATS

Os dados administrativos podem apoiar ATS e monitoramento pós-incorporação, mas possuem limitações:

  • não registram todos os desfechos clínicos;
  • valores aprovados não equivalem necessariamente a custos;
  • podem existir mudanças de codificação;
  • a cobertura depende da qualidade do registro;
  • comparações históricas exigem compatibilidade temporal com PCDT e SIGTAP.

Fontes:

SIH: internações hospitalares

O Sistema de Informações Hospitalares dissemina dados das Autorizações de Internação Hospitalar - AIH.

Arquivo RD

O arquivo RDUFAAMM.dbc contém dados reduzidos das AIH.

Campo Conteúdo
N_AIH Número da AIH
CNES Estabelecimento hospitalar
PROC_REA Procedimento principal realizado
QT_DIARIAS Quantidade de diárias
DIAS_PERM Dias de permanência
VAL_SH Valor dos serviços hospitalares
VAL_SP Valor dos serviços profissionais
VAL_TOT Valor total da AIH
DIAG_PRINC Diagnóstico principal
MORTE Indicador de óbito
MUNIC_RES Município de residência
MUNIC_MOV Município do estabelecimento

Arquivo SP

O arquivo SPUFAAMM.dbc detalha atos profissionais associados à internação. Ele possui maior granularidade que o RD e pode conter várias linhas para uma AIH.

O PA pertence ao SIA e o RD pertence ao SIH. Ambos são mensais e podem ser articulados com CNES e SIGTAP, mas possuem unidades de registro diferentes.

Regulação do acesso e registros do SIA e SIH

A regulação do acesso organiza a entrada dos usuários nos serviços segundo:

  • necessidade clínica;
  • risco;
  • disponibilidade da oferta;
  • referências territoriais;
  • protocolos;
  • prioridades;
  • pactuações entre gestores.

Sistemas como SISREG e e-SUS Regulação podem registrar:

  • solicitações;
  • filas;
  • classificação de risco;
  • agendamentos;
  • encaminhamentos;
  • autorizações;
  • disponibilidade de vagas.

O SIA e o SIH possuem outra função principal: registrar, processar e disseminar a produção ambulatorial e hospitalar apresentada pelos gestores.

Etapa Sistema ou instrumento associado
Solicitação de acesso Sistema local, SISREG ou e-SUS Regulação
Avaliação e priorização Central de regulação
Autorização ambulatorial APAC ou autorização do BPA-I, quando exigida
Autorização hospitalar AIH
Registro da produção SIA ou SIH
Processamento e controle Gestor e sistemas nacionais
Disseminação Arquivos públicos do SIA e SIH

O SIA e o SIH podem apoiar análises de acesso por meio de:

  • município de residência;
  • município de atendimento;
  • estabelecimento;
  • procedimento;
  • competência;
  • quantidade aprovada;
  • internação;
  • permanência;
  • deslocamento entre territórios.

Entretanto, essas bases geralmente não apresentam toda a demanda reprimida.

A ausência de produção pode significar ausência de demanda, falta de oferta, barreira de acesso, não autorização, não realização ou falha de registro.

Para estudar acesso de forma mais completa, combine:

  • filas reguladas;
  • solicitações;
  • oferta do CNES;
  • produção do SIA e SIH;
  • população;
  • tempos de espera;
  • pactuações regionais.

Fonte: Sistemas de Informação na Regulação do Acesso.

SIM, SINAN e SINASC

  • SIM: permite analisar causas básicas e associadas de morte, local de residência, características demográficas e circunstâncias do óbito.
  • SINAN: organiza notificações e investigações de agravos; seus subsistemas variam conforme a doença ou agravo.
  • SINASC: reúne informações da Declaração de Nascido Vivo, incluindo características maternas, gestação, parto e recém-nascido.

Essas fontes não medem custos diretamente, mas ajudam a definir necessidades, desfechos, carga de doença e populações de referência.

CNES

O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde descreve a oferta e a estrutura dos serviços.

Subsistemas frequentes:

Sigla Conteúdo
ST Estabelecimentos
DC Dados complementares
PF Profissionais
LT Leitos
EQ Equipamentos
SR Serviços especializados
EP Equipes
HB Habilitações
GM Gestão e metas

O CNES permite contextualizar a produção segundo estabelecimento, município, gestão, natureza e capacidade instalada.

SIGTAP

O SIGTAP organiza a Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS. Além do código e do nome, registra atributos e compatibilidades que variam por competência.

Pode conter relações com:

  • grupo, subgrupo e forma de organização;
  • modalidade de atendimento;
  • instrumento de registro;
  • financiamento;
  • CBO;
  • CID;
  • serviço e classificação;
  • idade e sexo;
  • valores de referência.

Um procedimento deve ser interpretado usando o SIGTAP da competência correspondente. A tabela pode mudar ao longo do tempo.

Fundo Nacional de Saúde e sistemas de financiamento

O Fundo Nacional de Saúde (FNS) é a unidade responsável pela gestão financeira de recursos federais destinados ao SUS.

Os recursos podem ser executados por modalidades como:

  • transferências fundo a fundo;
  • convênios;
  • contratos de repasse;
  • termos de execução descentralizada;
  • investimentos;
  • emendas parlamentares.

A análise do financiamento exige distinguir:

Etapa Exemplo de informação
Programação Limite financeiro ou proposta
Dotação Crédito autorizado no orçamento
Empenho Reserva orçamentária
Liquidação Reconhecimento da obrigação
Pagamento Saída financeira
Transferência Repasse ao fundo ou entidade
Execução local Aplicação do recurso pelo beneficiário

Valor transferido não é sinônimo de despesa executada pelo ente, assim como despesa empenhada não é necessariamente paga.

InvestSUS

O InvestSUS reúne ferramentas e painéis para gestão e acompanhamento de recursos federais da saúde.

Entre os dados disponíveis estão:

  • repasses fundo a fundo;
  • saldos de contas dos fundos de saúde;
  • propostas de investimento;
  • instrumentos formalizados;
  • empenhos e pagamentos;
  • emendas parlamentares;
  • equipamentos e materiais permanentes;
  • obras;
  • execução orçamentária;
  • instrumentos de planejamento;
  • informações bancárias;
  • transferências registradas no Transferegov.

Painéis especialmente úteis:

Painel Conteúdo
Repasses Fundo a Fundo Valores transferidos a estados, municípios e Distrito Federal
Saldos de Repasses Saldos e movimentações das contas dos fundos de saúde
Emendas Parlamentares Indicações, instrumentos, empenhos e pagamentos
Equipamentos Equipamentos financiados com recursos federais
Obras Fundo a Fundo Situação financeira e física das obras
InvestSUS Gestão Visão consolidada dos recursos e instrumentos
Execução Orçamentária Execução do orçamento do Ministério da Saúde

O InvestSUS pode ser usado para responder:

  • quanto foi transferido para determinado município?
  • qual ação ou componente financiou o repasse?
  • em que data ocorreu a transferência?
  • qual instrumento originou o recurso?
  • qual é a situação de uma proposta ou obra?
  • existem saldos nas contas vinculadas?

Fonte: Painéis de informações do Fundo Nacional de Saúde.

SIOPS

O Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) recebe dados declarados por União, estados, Distrito Federal e municípios sobre receitas e despesas públicas em saúde.

Os dados permitem acompanhar:

  • receitas totais;
  • receitas de impostos e transferências;
  • transferências recebidas para a saúde;
  • despesas empenhadas;
  • despesas liquidadas;
  • despesas pagas;
  • despesas por subfunção;
  • aplicação de recursos próprios;
  • cumprimento dos mínimos constitucionais;
  • indicadores fiscais da saúde.

O SIOPS responde a perguntas diferentes das bases assistenciais:

Fonte Pergunta
SIA e SIH Qual produção foi registrada e aprovada?
FNS e InvestSUS Quanto a União transferiu?
SIOPS Quanto o ente declarou como receita e despesa em saúde?

Os dados do SIOPS são orçamentários e declaratórios. Eles não devem ser interpretados como custos individuais dos procedimentos.

Fonte: Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde.

SISMOB

O Sistema de Monitoramento de Obras (SISMOB) acompanha obras de infraestrutura da saúde financiadas por transferências fundo a fundo.

Os dados podem incluir:

  • identificação da proposta;
  • município e localização;
  • tipo de estabelecimento;
  • objeto da obra;
  • valor pactuado;
  • valores transferidos;
  • situação da obra;
  • percentual de execução;
  • etapas de monitoramento;
  • datas de início e conclusão;
  • registros fotográficos;
  • paralisação, cancelamento ou retomada.

O SISMOB permite relacionar financiamento de infraestrutura com:

  • expansão da capacidade instalada;
  • abertura ou reforma de estabelecimentos;
  • equipamentos;
  • dados do CNES;
  • oferta posterior de serviços;
  • produção registrada no SIA e no SIH.

Exemplo de desenho analítico:

Obra financiada → estabelecimento no CNES → serviço habilitado → produção no SIA/SIH

A presença de uma obra concluída não comprova, isoladamente, que o serviço entrou em funcionamento. A confirmação deve utilizar CNES e dados de produção.

Fonte: Painéis do Fundo Nacional de Saúde.

SISMAC

O Sistema de Controle do Limite Financeiro da Média e Alta Complexidade (SISMAC) apoia o acompanhamento dos limites financeiros federais destinados às ações ambulatoriais e hospitalares de média e alta complexidade.

Pode conter informações sobre:

  • limite financeiro por estado ou município;
  • parcelas e componentes do limite;
  • remanejamentos;
  • incorporações;
  • deduções;
  • incentivos;
  • portarias relacionadas;
  • histórico de alterações;
  • impacto financeiro de habilitações ou políticas.

O SISMAC deve ser analisado em conjunto com:

Fonte Informação complementar
SIA e SIH Produção assistencial
SIGTAP Regras e valores dos procedimentos
CNES Estabelecimentos e habilitações
FNS Transferências realizadas
SIOPS Receitas e despesas declaradas
InvestSUS Instrumentos, repasses e saldos

O SISMAC informa limites e componentes financeiros. Ele não representa, isoladamente, produção, transferência efetiva ou execução da despesa.


Fontes e formas de acesso

FTP do DATASUS

O FTP disponibiliza arquivos históricos organizados por sistema, período e subsistema. Os nomes geralmente codificam:

  • tipo do arquivo;
  • unidade da federação;
  • ano;
  • mês ou competência.

Exemplo:

PAAC2501.dbc

Interpretação:

Parte Significado
PA Produção ambulatorial
AC Acre
25 Ano de 2025
01 Janeiro
.dbc Arquivo DBF comprimido

API

APIs permitem consultar dados por parâmetros e receber respostas estruturadas, frequentemente em JSON.

Exemplos relevantes:

  • API CKAN do Portal de Dados Abertos do SUS;
  • API do Banco de Preços em Saúde - BPS;
  • APIs e conjuntos disponibilizados por órgãos vinculados.

APIs podem exigir paginação, filtros, limites por consulta e tratamento de falhas.

Portal de Dados Abertos do SUS

O portal organiza conjuntos e recursos em formatos como CSV, JSON, XLSX e ZIP. O catálogo CKAN também oferece uma API para pesquisa programática.

Uma busca mínima:

library(httr2)

resultado <- request(
  "https://dadosabertos.saude.gov.br/api/3/action/package_search"
) |>
  req_url_query(q = "economia da saúde", rows = 3) |>
  req_perform() |>
  resp_body_json(simplifyVector = TRUE)

resultado$result$results$title

Documentação e dicionários

Arquivos sem dicionário podem ser tecnicamente legíveis e semanticamente inutilizáveis. Antes da análise, localize:

  • informe técnico;
  • layout da versão correspondente;
  • domínio das categorias;
  • notas sobre alterações temporais;
  • regra de formação do nome do arquivo;
  • unidade de registro.

Fluxo prático: do FTP à análise

Preparar o ambiente

Instale os pacotes uma única vez:

install.packages(c("curl", "dplyr", "readr", "remotes"))
remotes::install_github("danicat/read.dbc")

Carregue os pacotes a cada nova sessão:

library(curl)
library(dplyr)
library(read.dbc)

Baixar um arquivo DBC

Neste exemplo, será baixada a produção ambulatorial do Acre referente a janeiro de 2025.

url <- paste0(
  "ftp://ftp.datasus.gov.br/dissemin/publicos/",
  "SIASUS/200801_/Dados/PAAC2501.dbc"
)

curl_download(url, "PAAC2501.dbc")

Confirme que o arquivo foi criado:

file.exists("PAAC2501.dbc")
file.info("PAAC2501.dbc")$size

Descompactar e ler com read.dbc

A função read.dbc() descomprime e lê o conteúdo diretamente em um data frame.

pa <- read.dbc("PAAC2501.dbc")

Não é necessário gerar um DBF intermediário para iniciar a análise.

class(pa)
dim(pa)

Explorar a tabela

Comece pela estrutura, pelos nomes e por uma amostra das linhas.

names(pa)
str(pa)
head(pa, 3)

Selecione apenas os campos necessários para reduzir a complexidade:

pa_min <- pa |>
  select(
    PA_CODUNI,
    PA_GESTAO,
    PA_CMP,
    PA_PROC_ID,
    PA_DOCORIG,
    PA_QTDAPR,
    PA_VALAPR
  )

Verifique a unidade de registro e os valores:

pa_min |>
  summarise(
    linhas = n(),
    estabelecimentos = n_distinct(PA_CODUNI),
    procedimentos = n_distinct(PA_PROC_ID),
    quantidade = sum(PA_QTDAPR, na.rm = TRUE),
    valor_aprovado = sum(PA_VALAPR, na.rm = TRUE)
  )

Tipificar usando o dicionário

Segundo o layout do SIA, os identificadores e competências são campos de caracteres. Preservá-los como texto evita a perda de zeros à esquerda.

pa_min <- pa_min |>
  mutate(
    across(
      c(PA_CODUNI, PA_GESTAO, PA_CMP, PA_PROC_ID, PA_DOCORIG),
      as.character
    ),
    PA_QTDAPR = as.numeric(PA_QTDAPR),
    PA_VALAPR = as.numeric(PA_VALAPR)
  )

Adicione descrições mínimas como atributos:

attr(pa_min$PA_CODUNI, "label") <- "Código CNES do estabelecimento"
attr(pa_min$PA_PROC_ID, "label") <- "Código do procedimento ambulatorial"
attr(pa_min$PA_VALAPR, "label") <- "Valor aprovado da produção"

Consulte os metadados adicionados:

attr(pa_min$PA_VALAPR, "label")

Na prática, recomenda-se manter um dicionário tabular versionado, com uma linha por variável e colunas para tipo, descrição, domínio, fonte e vigência.

Baixar outro DBC para integração

Agora será baixado o cadastro de estabelecimentos do CNES para a mesma UF e competência.

url_cnes <- paste0(
  "ftp://ftp.datasus.gov.br/dissemin/publicos/",
  "CNES/200508_/Dados/ST/STAC2501.dbc"
)

curl_download(url_cnes, "STAC2501.dbc")
cnes <- read.dbc("STAC2501.dbc")

Selecione uma linha por estabelecimento:

cnes_min <- cnes |>
  transmute(
    CNES = as.character(CNES),
    CODUFMUN = as.character(CODUFMUN),
    TPGESTAO = as.character(TPGESTAO)
  ) |>
  distinct(CNES, .keep_all = TRUE)

Integrar SIA e CNES

O campo PA_CODUNI do SIA corresponde ao código CNES do cadastro de estabelecimentos.

pa_cnes <- pa_min |>
  left_join(
    cnes_min,
    by = c("PA_CODUNI" = "CNES")
  )

Verifique a qualidade da junção:

pa_cnes |>
  summarise(
    linhas = n(),
    sem_cnes = sum(is.na(CODUFMUN)),
    percentual_sem_cnes = mean(is.na(CODUFMUN)) * 100
  )

Uma junção não deve ser considerada correta apenas porque o código executou. Verifique duplicidades na chave, perdas de correspondência e compatibilidade temporal.

Resumir a produção

Calcule quantidade e valor aprovado por procedimento:

resumo_pa <- pa_cnes |>
  group_by(PA_PROC_ID) |>
  summarise(
    estabelecimentos = n_distinct(PA_CODUNI),
    quantidade_aprovada = sum(PA_QTDAPR, na.rm = TRUE),
    valor_aprovado = sum(PA_VALAPR, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  ) |>
  arrange(desc(valor_aprovado))

Visualize os procedimentos com maior valor aprovado:

head(resumo_pa, 10)

Repetir o fluxo com o SIH

O mesmo padrão pode ser aplicado às internações:

url_sih <- paste0(
  "ftp://ftp.datasus.gov.br/dissemin/publicos/",
  "SIHSUS/200801_/Dados/RDAC2501.dbc"
)

curl_download(url_sih, "RDAC2501.dbc")
rd <- read.dbc("RDAC2501.dbc")

Resumo hospitalar mínimo:

rd |>
  summarise(
    aih = n_distinct(N_AIH),
    internacoes = n(),
    permanencia = sum(DIAS_PERM, na.rm = TRUE),
    valor_total = sum(VAL_TOT, na.rm = TRUE),
    obitos = sum(MORTE == 1, na.rm = TRUE)
  )

Volumetria e temporalidade

Leitura da lista FTP

A lista fornecida é uma fotografia do catálogo em 15 de agosto de 2026. Ela agrega arquivos por UF, sistema, versão, subsistema e ano de competência.

catalogo <- readr::read_csv(
  "lista_ftp_sus.csv",
  show_col_types = FALSE
)

Panorama dos principais sistemas

Sistema Período observado Subsistemas Arquivos DBC Volume compactado Registros catalogados
SIA 1994-2026 14 58.572 429,6 GB 7,03 bilhões
SIH 1992-2026 6 31.937 83,1 GB 1,25 bilhão
CNES 2005-2026 18 80.191 53,3 GB 619,0 milhões
SINASC 1994-2024 2 1.666 10,6 GB 33,8 milhões
SIM 1996-2024 6 940 10,0 GB 32,8 milhões
SINAN 1999-2025 45 741 2,6 GB 23,5 milhões

Os totais de registros refletem o preenchimento disponível no catálogo. Valor zero pode significar contagem ainda não calculada, e não ausência de registros no arquivo.

Subsistemas ilustrativos

Sistema Subsistema Temporalidade típica Arquivos DBC Volume compactado Registros catalogados
SIA PA Mensal por UF 10.792 214,2 GB 3,76 bilhões
SIH RD Mensal por UF 11.157 25,4 GB 83,4 milhões
SIH SP Mensal por UF 9.412 56,4 GB 1,16 bilhão
CNES ST Mensal por UF 6.779 3,3 GB 31,0 milhões
SIM DO Anual por UF 812 9,6 GB 31,7 milhões
SINASC DN Anual por UF 1.558 10,4 GB 33,8 milhões

Essas diferenças alteram a estratégia analítica:

  • arquivos mensais exigem controle de competência;
  • arquivos anuais podem ter defasagem de consolidação;
  • subsistemas com várias linhas por evento não podem ser somados sem definir a unidade de análise;
  • grande quantidade de arquivos aumenta a importância de nomes padronizados e catálogos.

Reproduzir a agregação com dplyr

O SQL usado para produzir a lista pode ser representado no R:

resumo_ftp <- catalogo |>
  transmute(
    sg_uf,
    sg_sistema = toupper(sg_sistema),
    sg_versao = toupper(sg_versao),
    sg_subsistema = toupper(sg_subsistema),
    ano_competencia = as.integer(ano_competencia),
    qt_bytes_ftp,
    qt_registro_dbc,
    dbc,
    no_dbc_origem
  ) |>
  group_by(
    sg_uf,
    sg_sistema,
    sg_versao,
    sg_subsistema,
    ano_competencia
  ) |>
  summarise(
    qt_bytes_ftp = sum(qt_bytes_ftp, na.rm = TRUE),
    qt_registro_dbc = sum(qt_registro_dbc, na.rm = TRUE),
    dbc = sum(dbc, na.rm = TRUE),
    no_dbc_origem = paste(no_dbc_origem, collapse = " "),
    .groups = "drop"
  ) |>
  arrange(
    sg_uf,
    sg_sistema,
    sg_versao,
    sg_subsistema,
    ano_competencia
  )

Resumo por sistema:

catalogo |>
  group_by(sg_sistema) |>
  summarise(
    primeiro_ano = min(ano_competencia, na.rm = TRUE),
    ultimo_ano = max(ano_competencia, na.rm = TRUE),
    arquivos = sum(dbc, na.rm = TRUE),
    gigabytes = sum(qt_bytes_ftp, na.rm = TRUE) / 1e9,
    registros = sum(qt_registro_dbc, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  ) |>
  arrange(desc(gigabytes))

Metadados aplicados à análise

Dicionário de dados mínimo

Um dicionário analítico pode ser representado como uma tabela:

dicionario_pa <- tibble::tribble(
  ~campo,       ~tipo,       ~descricao,
  "PA_CODUNI", "character", "Código CNES do estabelecimento",
  "PA_CMP",    "character", "Competência de realização",
  "PA_PROC_ID", "character", "Código do procedimento",
  "PA_QTDAPR", "numeric",   "Quantidade aprovada",
  "PA_VALAPR", "numeric",   "Valor aprovado"
)

Esse objeto pode orientar validações automáticas:

setdiff(dicionario_pa$campo, names(pa))

Resultado vazio significa que todos os campos esperados estão presentes.

Chaves e granularidade

Uma coluna não é necessariamente uma chave apenas porque se chama identificador.

Exemplos:

Fonte Possível identificador Cuidado
SIA PA PA_CODUNI + PA_CMP + PA_PROC_ID Pode haver várias linhas por instrumento e atributos adicionais
SIH RD N_AIH Reapresentações e regras do sistema devem ser verificadas
SIH SP SP_NAIH Vários atos profissionais por AIH
CNES ST CNES por competência Cadastro varia no tempo
SIGTAP Procedimento por competência Atributos podem mudar mensalmente

Antes de um left_join(), teste a unicidade da tabela que será adicionada:

cnes_min |>
  count(CNES) |>
  filter(n > 1)

Temporalidade dos metadados

O vínculo deve respeitar a competência sempre que a dimensão variar no tempo.

Exemplo conceitual:

dados |>
  left_join(
    sigtap,
    by = c(
      "procedimento" = "co_procedimento",
      "competencia" = "dt_competencia"
    )
  )

Usar apenas o código pode atribuir ao registro histórico uma descrição, valor ou regra de uma competência diferente.


Economia da saúde com dados do SUS

Produção não é custo

Os campos financeiros de SIA e SIH são fundamentais para analisar o financiamento registrado nos sistemas, mas não representam necessariamente o custo econômico integral do cuidado.

É necessário distinguir:

Conceito Exemplo de fonte
Quantidade produzida ou aprovada SIA e SIH
Valor aprovado ou pago segundo regras administrativas SIA e SIH
Valor de referência do procedimento SIGTAP
Preço observado em compras públicas BPS
Teto regulatório de medicamento CMED/Anvisa
Custo apurado pelo prestador Sistema de custos
Despesa orçamentária Sistemas orçamentários e financeiros

Aplicações do SIA

O SIA pode apoiar estudos de:

  • volume de procedimentos por estabelecimento e gestor;
  • concentração territorial da oferta;
  • evolução de quantidades e valores aprovados;
  • participação de diferentes tipos de financiamento;
  • produção de medicamentos, OPM e procedimentos especializados;
  • acesso ambulatorial segundo município de atendimento.

Exemplo de valor médio administrativo por unidade aprovada:

resumo_pa |>
  mutate(
    valor_medio_aprovado = if_else(
      quantidade_aprovada > 0,
      valor_aprovado / quantidade_aprovada,
      NA_real_
    )
  )

Esse quociente não deve ser chamado automaticamente de custo médio.

Aplicações do SIH

O SIH permite analisar:

  • internações e permanência;
  • valores hospitalares e profissionais;
  • utilização de UTI;
  • procedimentos realizados;
  • mortalidade hospitalar registrada;
  • variações entre estabelecimentos e territórios.

Exemplo:

rd |>
  group_by(PROC_REA) |>
  summarise(
    internacoes = n(),
    permanencia_media = mean(DIAS_PERM, na.rm = TRUE),
    valor_medio_aih = mean(VAL_TOT, na.rm = TRUE),
    mortalidade = mean(MORTE == 1, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  )

BPS, CMED e SIGTAP

As três fontes respondem a perguntas diferentes:

  • BPS: por quanto determinados itens foram adquiridos por instituições?
  • CMED: quais limites regulatórios se aplicam aos preços de medicamentos?
  • SIGTAP: quais atributos e valores de referência estão associados aos procedimentos do SUS?

Não existe equivalência automática entre código CATMAT, registro sanitário, apresentação farmacêutica e código SIGTAP. Qualquer relacionamento deve ser documentado e validado.

Consulta mínima à API do BPS:

library(httr2)

bps <- request(
  "https://apidadosabertos.saude.gov.br/v1/economia-da-saude/bps"
) |>
  req_url_query(
    codigoCatmat = "405899",
    anoCompra = 2025,
    pagina = 1,
    tamanhoPagina = 10
  ) |>
  req_perform() |>
  resp_body_json(simplifyVector = TRUE)

Comece inspecionando a estrutura, pois APIs podem alterar nomes e níveis da resposta:

str(bps, max.level = 2)

Papel do CNES

O CNES acrescenta contexto à produção:

  • localização do estabelecimento;
  • esfera e tipo de gestão;
  • natureza jurídica;
  • leitos;
  • equipamentos;
  • profissionais;
  • serviços e habilitações.

Isso permite comparar produção, valores e capacidade instalada, desde que todas as fontes sejam alinhadas pela competência.


Qualidade e validação

Verificações mínimas após a leitura

stopifnot(nrow(pa) > 0)
stopifnot(all(c("PA_CODUNI", "PA_PROC_ID") %in% names(pa)))
stopifnot(all(nchar(pa$PA_CODUNI) == 7 | is.na(pa$PA_CODUNI)))

Competência de processamento e ocorrência

Alguns sistemas distinguem:

  • competência de processamento;
  • competência de realização;
  • data do evento;
  • data de atualização ou disseminação.

Essas datas não devem ser tratadas como equivalentes sem consultar o layout.

Valores ausentes e códigos especiais

Valores como 0, 9, 99, espaços e texto vazio podem representar categorias diferentes de ausência. A conversão automática para NA pode apagar significado.

pa_min |>
  count(PA_DOCORIG, sort = TRUE)

Consulte o domínio antes de recodificar.

Revisões e arquivos recentes

Competências recentes podem estar incompletas ou sofrer substituição. Registre:

  • data do download;
  • endereço da fonte;
  • nome e tamanho do arquivo;
  • competência;
  • versão do dicionário;
  • código usado no processamento.

Privacidade e uso responsável

Mesmo em bases públicas, combinações de variáveis podem aumentar o risco de identificação indireta. Evite divulgar tabelas muito detalhadas com pequenas contagens e avalie a finalidade, a necessidade e o contexto da publicação.


Exercício integrado

Utilize os exemplos anteriores para responder:

  • Quantos procedimentos ambulatoriais foram aprovados no Acre em janeiro de 2025?
  • Quantos estabelecimentos aparecem no PA?
  • Qual proporção foi encontrada no CNES da mesma competência?
  • Quais procedimentos concentraram os maiores valores aprovados?
  • O ranking muda quando se utiliza quantidade em vez de valor?
  • Quais limitações impedem interpretar PA_VALAPR como custo econômico?

Estrutura mínima da resposta:

resultado <- pa_cnes |>
  group_by(PA_PROC_ID) |>
  summarise(
    estabelecimentos = n_distinct(PA_CODUNI),
    quantidade = sum(PA_QTDAPR, na.rm = TRUE),
    valor = sum(PA_VALAPR, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  ) |>
  arrange(desc(valor))

Síntese

Uma análise intermediária de dados do SUS exige mais do que importar arquivos:

  1. compreender a finalidade do sistema;
  2. identificar a unidade de registro;
  3. selecionar a competência adequada;
  4. consultar o dicionário correspondente;
  5. preservar códigos como texto;
  6. validar chaves antes das junções;
  7. integrar dimensões temporalmente compatíveis;
  8. distinguir produção, valor administrativo, preço e custo;
  9. documentar origem, versão e limitações.

O código pode ser curto. A interpretação precisa ser rigorosa.


Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Intergestores Tripartite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/gestao-do-sus/articulacao-interfederativa/cit. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portal de Dados Abertos do SUS. Disponível em: https://dadosabertos.saude.gov.br/. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CNES: Informe Técnico 2017-06. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Informe Técnico do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Informe Técnico do Sistema de Informações Hospitalares do SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações Ambulatoriais. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/samu-192/sistemas. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Dados abertos. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/perfil-do-setor/dados-abertos-1. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Quem somos. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/quem-somos-1. Acesso em: 17 ago. 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed. Acesso em: 17 ago. 2026.