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Portfólio de Projetos e Análises Imobiliárias 2027

Estratégia, Dados e Previsões para o Mercado imobiliário de Belo Horizonte

CENTRO SUL

TUDO SOBRE O METRO QUADRADO: SANTO ANTÔNIO, SÃO BENTO, ESTORIL e SANTA LÚCIA”

Perito Responsável: Ramon Gregório Silva
Ocupação: Doutorando CEDEPLAR-UFMG
Ano de Referência das Transações: 2026

Timóteo - MG
Julho de 2026


O REFÚGIO E A MANHÃ

Belo Horizonte que acolhe e abraça,
onde o espaço é de quem quer viver,
onde o sol da manhã na praça,
traz o poente e a lua a crescer.

Nos oásis escondidos nos prédios e torres,
há vida na flora, na fauna do lar
e gente que acorda bem antes das dores,
para o seu café no coador coar.

Vê o vapor subindo na xícara quente,
enquanto a cidade desperta e troveja,
mas guarda o refúgio, no peito da gente,
onde a paz do sossego ainda deseja.

https://casa.abril.com.br/jardins-e-hortas/o-que-e-urban-jungle-como-ter-estilo-em-casa/



1 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


1.1 Aconchego Verde e Ciclos Urbanos: O Despertar dos Bairros entre o Café da Manhã e o Vigor dos Investimentos

1.1.1 Ato I: Aconchego versus Localização

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva


O sol da manhã já começa a aquecer as copas das árvores no bairro Estoril, onde o aroma fresco do café coado à mesa mistura-se ao verde tranquilo que abraça cada residência. Ali, a calmaria é quase um oásis urbano, um verdadeiro refúgio onde o tempo parece caminhar em outro ritmo. No ano de 2008, enquanto a mediana registrava modestos R$ 2.908,28 e a média do 70% marcava R$ 18.215,21, o cotidiano seguia suave, embalado pelo canto dos pássaros nos jardins. Logo ao lado, no Santa Lúcia, a mediana de R$ 2.797,55 dividia espaço com uma média do 70% acima da linha de corte, revelando de maneira inédita a forte entrada de grupos de investimento e grandes compras redefinindo a paisagem local. No Santo Antônio, com mediana de R$ 3.373,25 e uma média do 70% também superior ao teto estipulado, o ritmo desacelerava apenas na fachada dos antigos casarões, pois a expressiva movimentação e o aporte inédito de grandes grupos de investimento transformavam por completo o perfil produtivo da vizinhança. Enquanto isso, o São Bento mantinha sua serenidade matinal com mediana de R$ 3.084,23 e média do 70% de R$ 40.120,54, mantendo-se em um compasso orgânico e harmonioso.

Avançando os ponteiros do relógio até 2013, o cenário ganhava novos contornos sob a luz dourada da tarde. O Estoril exibia uma mediana de R$ 5.770,20 e média do 70% de R$ 15.837,30, preservando a paz de suas ruas arborizadas. Já o Santa Lúcia, com mediana de R$ 5.287,48 e média do 70% de R$ 32.949,51, e o São Bento, com mediana de R$ 7.028,63 e média do 70% de R$ 42.938,59, seguiam com suas rotinas pacíficas. Em contrapartida, o Santo Antônio, com mediana de R$ 6.630,36 e uma média do 70% que superava largamente o limite de 42 mil, exibia o influxo marcante e inédito de grupos de investimento que encontravam ali o refúgio perfeito para expandir suas raízes. Em 2020, o mundo desacelerou de maneira inesperada, transformando os lares em verdadeiros refúgios de resiliência. Entre xícaras de café fumegantes e o cuidado redobrado com as plantas nos jardins, o Estoril registrou mediana de R$ 4.304,05 e média do 70% de R$ 12.367,22, mantendo a serenidade intacta. No Santa Lúcia, a mediana de R$ 4.829,11 e a média do 70% de R$ 61.253,33 trouxeram novos ares ao revelar de forma inédita a expansão de grandes compras e a atuação vigorosa de grupos de investimento no bairro. O Santo Antônio navegou o período com mediana de R$ 5.221,52 e média do 70% de R$ 28.461,34, preservando sua essência acolhedora, enquanto o São Bento registrou mediana de R$ 5.842,98 e média do 70% de R$ 24.359,24, provando que a calmaria do bairro era o ativo mais valioso de seus moradores.

Chegando aos ciclos mais recentes de 2025 e olhando para o horizonte de 2026, a poesia desses refúgios verdes continua pulsando em sintonia com a economia. No Estoril, as manhãs de 2025 amanheceram com mediana de R$ 5.756,28 e média do 70% de R$ 9.674,04, evoluindo em 2026 para mediana de R$ 6.397,41 e média do 70% de R$ 6.040,34, mantendo a atmosfera de um verdadeiro oásis residencial. No Santa Lúcia, a calmaria das ruas arborizadas convive harmoniosamente com a intensa transformação trazida pela chegada inédita de grupos de investimento, registrando em 2025 mediana de R$ 4.313,46 e uma média do 70% acima da linha de corte, e avançando em 2026 para mediana de R$ 5.315,63 e uma média do 70% também expressivamente superior ao limite. O Santo Antônio manteve seu charme tradicional em 2025 com mediana de R$ 5.068,40 e média do 70% de R$ 5.660,38, alcançando em 2026 mediana de R$ 6.238,19 e média do 70% de R$ 6.295,76. Por fim, o São Bento coroa essa trajetória em 2025 com mediana de R$ 4.902,97 e média do 70% de R$ 34.319,11, culminando em 2026 com uma mediana de R$ 7.381,24 e uma média do 70% que ultrapassa o teto, onde o aporte inédito de grandes grupos consolida o equilíbrio perfeito entre o refúgio verde das plantas e o vigor renovado da economia local.

O mapa detalha a distribuição imobiliária da capital mineira, disponibilizando os valores do metro quadrado para a totalidade dos bairros de Belo Horizonte, com exceção de poucas localidades. Para compreender essa dinâmica, a métrica utiliza divisões estatísticas fundamentais: o quantil de 25% aponta os valores mais acessíveis da base, a mediana (50%) reflete o ponto exato de equilíbrio que divide o mercado ao meio, e a média do quantil de 70% capta a tendência dos imóveis de maior valorização.


2 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


2.1 Entre o Sítio, a Lama e o Bonde: As Muitas Vidas do Santo Antônio, o Bairro que Cresceu Subindo as Ladeiras de BH

2.1.1 Ato II: Antes da Cidade, o Chão e a Água

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva


Para entender o Santo Antônio, é preciso voltar o relógio para o final do século XIX. Muito antes de o terreno ser fatiado em lotes, a região era uma vasta extensão rural ligada ao antigo Sítio do Cercado.

<p style=’margin-top Não havia asfalto, nem praças planejadas. O que existia ali eram chácaras produtivas, pastagens e uma vocação geográfica incontestável: a água. A área abrigava nascentes fundamentais e parte do estratégico sistema que abastecia o primitivo Arraial do Curral Del Rei. No plano de 1897 da nova capital, a região foi empurrada para fora da muralha invisível da Avenida do Contorno, classificada burocraticamente como a 2ª Seção Suburbana. Era o “fim do mundo” para os padrões da época.

<p style=’margin-top,A virada do século XX trouxe o crescimento inevitável. Pequenos loteamentos informais, como a Vila Maria Ana, começaram a surgir pelas mãos de pioneiros que desbravavam a encosta. Mas o verdadeiro divisor de águas que arrancou o bairro do isolamento rural aconteceu em 1937.

Foi nesse ano que a linha de bonde elétrico batizada de Santo Antônio entrou em operação. O barulho dos trilhos rasgando a poeira e vencendo as subidas encurtou as distâncias, conectando o subúrbio ao coração comercial de Belo Horizonte.

Pouco antes, em meados dos anos 1930, a comunidade ganhou seu farol espiritual e aglutinador: a construção da Paróquia de Santo Antônio, finalizada em 1936. Era o batismo oficial da região. A igreja não apenas deu nome ao bairro, como passou a dizer o ritmo dos domingos, dos encontros na praça e da identidade coletiva dos moradores.

Para entender o Santo Antônio, é preciso voltar o relógio para o final do século XIX. Muito antes de o terreno ser fatiado em lotes, a região era uma vasta extensão rural ligada ao antigo Sítio do Cercado.

Não havia asfalto, nem praças planejadas. O que existia ali eram chácaras produtivas, pastagens e uma vocação geográfica incontestável: a água. A área abrigava nascentes fundamentais e parte do estratégico sistema que abastecia o primitivo Arraial do Curral Del Rei. No plano de 1897 da nova capital, a região foi empurrada para fora da muralha invisível da Avenida do Contorno, classificada burocraticamente como a 2ª Seção Suburbana. Era o “fim do mundo” para os padrões da época.

A virada do século XX trouxe o crescimento inevitável. Pequenos loteamentos informais, como a Vila Maria Ana, começaram a surgir pelas mãos de pioneiros que desbravavam a encosta. Mas o verdadeiro divisor de águas que arrancou o bairro do isolamento rural aconteceu em 1937.

Foi nesse ano que a linha de bonde elétrico batizada de Santo Antônio entrou em operação. O barulho dos trilhos rasgando a poeira e vencendo as subidas encurtou as distâncias, conectando o subúrbio ao coração comercial de Belo Horizonte.

Pouco antes, em meados dos anos 1930, a comunidade ganhou seu farol espiritual e aglutinador: a construção da Paróquia de Santo Antônio, finalizada em 1936. Era o batismo oficial da região. A igreja não apenas deu nome ao bairro, como passou a dizer o ritmo dos domingos, dos encontros na praça e da identidade coletiva dos moradores.

Nas décadas de 1950 e 1960, o Santo Antônio trocou a pacatice de bairro distante pelo fôlego da modernização. O marco dessa fase foi a chegada do tradicional Colégio Marista Dom Silvério, em 1950, que atraiu famílias inteiras para a região, consolidando uma vocação residencial de classe média alta que perdura até hoje.

Entre os anos 1960 e 1970, o horizonte do bairro mudou para sempre. A onda da verticalização chegou com força. Os antigos casarões deram espaço a edifícios de arquitetura marcante, que souberam usar a topografia acidentada para garantir o que hoje é o cartão de visitas de muitas coberturas: a vista panorâmica para a calmaria e o casario da zona Sul.

O que diferencia o Santo Antônio de outros bairros nobres de Belo Horizonte é a sua capacidade de manter um pé na grande metrópole e outro numa pacata cidade do interior. É nas esquinas do bairro que residem algumas das lendas urbanas mais queridas da capital, como a famosa Vaquinha da Rua Leopoldina — uma estátua de cimento instalada nos anos 70 que resiste impassível ao tempo, testemunhando gerações de pedestres.

Essa atmosfera acolhedora e cinematográfica não passou despercebida pela cultura. Ruas do Santo Antônio serviram de locação para produções que marcaram o cinema nacional, como as filmagens de O Menino Maluquinho (1997), transpondo para as telas a essência nostálgica de crescer em ruas arborizadas de BH.

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3 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


3.1 Projeções de Longo Prazo e Incerteza Condicional no Mercado Imobiliário

3.1.1 Ato III: O metro quadrado na régua.

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva




4 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


4.1 Previsões gerais dos bairros

4.1.1 Ato IV: Descubra o futuro

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva


As projeções para o mercado imobiliário revelam uma grande disparidade nos preços por metro quadrado quando analisamos detalhadamente os percentis (25%, mediana e 70%) em diferentes regiões. No bairro Santo Antônio, os valores oscilam de R$ 2.000 a R$ 20.000, onde o percentil de 25% apresenta média de R$ 3.900 (limite superior próximo de R$ 6.000), e o percentil de 70% atinge média de R$ 6.380, abrindo espaço para investimentos na planta comercializados posteriormente na “porteira fechada” no teto máximo da região. O Estoril exibe uma curva mais tradicional, com o percentil de 25% variando de R$ 2.300 a R$ 7.300, a mediana registrando média de R$ 5.234 com topo em R$ 13.000, e o percentil de 70% alcançando até R$ 18.000 no limite superior.

A heterogeneidade se intensifica drasticamente em bairros como Santa Lúcia e São Bento, que acomodam desde faixas mais acessíveis até negócios de luxo extremo e transações verticais em lote. No Santa Lúcia, o percentil de 25% vai de R$ 880 a R$ 12.400, a mediana alcança média de R$ 5.100 com picos de até R$ 28.000, e o percentil de 70% eleva a média para R$ 7.000, impulsionado por operações de prédios inteiros cujo “metro quadrado empilhado” atinge incríveis R$ 60.000 captados em múltiplos andares. De forma similar, o São Bento registra no percentil de 25% uma média de R$ 4.800 com teto em R$ 15.300, a mediana aponta média de 5.416 com teto de R$ 22.000, e o percentil de 70% dispara para uma média de R$ 8.734 com um limite superior que chega a R$ 96.000, corroborando o histórico de comercialização de ativos inteiros e andares empilhados na região.





5 Robustez dos modelos

Diagnóstico Estatístico Completo
Modelo LjungBox_p ARCH_p Status
SANTO ANTONIO_Q25 0.1190 0.7704 Adequado
SANTO ANTONIO_Mediana 0.3556 0.0023 Revisar
SANTO ANTONIO_Q70 0.8574 0.9895 Adequado
SAO BENTO_Q25 0.5892 0.9157 Adequado
SAO BENTO_Mediana 0.9832 0.9151 Adequado
SAO BENTO_Q70 0.9873 0.2152 Adequado
ESTORIL_Q25 0.5685 0.8200 Adequado
ESTORIL_Mediana 0.7645 1.0000 Adequado
ESTORIL_Q70 0.9998 0.9997 Adequado
SANTA LUCIA_Q25 0.2957 0.2319 Adequado
SANTA LUCIA_Mediana 0.7042 0.5872 Adequado
SANTA LUCIA_Q70 0.3457 0.4418 Adequado

6 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


6.1 Dinâmica e Resiliência: O Que a Volatilidade dos Imóveis no Santo Antônio Revela Sobre a Economia Real

6.1.1 Ato V: Preços rígidos

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva


A aparente calmaria do mercado imobiliário tradicionalmente contrasta com a frenética movimentação das telas da bolsa de valores. No entanto, análises econométricas recentes sobre o comportamento de preços no bairro Santo Antônio, especificamente na faixa da mediana, revelam que o setor possui uma dinâmica própria, marcada por uma forte inércia e um efeito de memória longa que surpreende pela semelhança com grandes ativos sistêmicos do mercado financeiro nacional. O modelo estatístico refinado para a região, baseado em uma arquitetura de volatilidade condicional do tipo GARCH acoplada a um componente de média ARFIMA, traz à luz como a incerteza e os choques de preços se comportam e se propagam no mercado de metro quadrado urbano.

Antes de traduzir os números para a economia real, a validação técnica do modelo passou por um rigoroso crivo estatístico. Os testes de Ljung-Box e de heterocedasticidade condicional, conhecidos como efeitos ARCH, foram aplicados aos resíduos padronizados do modelo em múltiplos horizontes de defasagem, abrangendo os lags 1, 3, 5 e 10, e atestaram a perfeita adequação do ajuste. A ausência de autocorrelação nos erros foi comprovada com p-valores consistentemente acima do limiar de significância de 0,05, destacando-se o lag 3 com 0,9662 e o lag 10 com 0,8478, o que demonstra que a estrutura do modelo absorveu toda a dependência temporal anterior e fez com que os erros passassem a se comportar como um ruído branco puro. Paralelamente, os testes aplicados aos resíduos ao quadrado eliminaram qualquer vestígio de aglomeração de volatilidade indesejada, registrando p-valores seguros como 0,8492 no lag 3 e 0,6444 no lag 10, atestando que a variabilidade dos preços foi plenamente modelada.

Os parâmetros estimados para a equação da média e da variância revelam a pulsação do mercado imobiliário local de forma detalhada. A alta significância estatística do nível base e do termo autorregressivo demonstra que o preço passado exerce uma influência massiva sobre a cotação presente, indicando que o mercado avança por tendências contínuas e consolidadas, sem saltos erráticos de curto prazo. Além disso, a validação da distribuição t de Student confirmou empiricamente a presença de eventos extremos na distribuição dos preços, validando a escolha metodológica para capturar oscilações atípicas sem distorcer o panorama geral da série.

O dado mais revelador do modelo econômico reside no parâmetro de persistência da variância condicional. Com um valor expressivo de 0,7656 e uma estatística t altamente significativa, o modelo demonstra que cerca de 76% da volatilidade ou do clima de incerteza do período anterior transfere-se diretamente para o período seguinte. Na prática, isso gera um efeito de memória longa no Santo Antônio: ao contrário de ações de alta liquidez na bolsa, onde choques de curto prazo evaporam rapidamente, no mercado imobiliário a incerteza cria raízes profundas. Quando ocorre um evento de impacto, seja ele macroeconômico, como uma guinada na taxa de juros, ou microeconômico, como mudanças de infraestrutura ou oferta na região, a instabilidade na formação de preços demora a se dissipar. Esse comportamento reflete a baixa liquidez física dos imóveis, onde vendedores tendem a resistir a reajustes imediatos para baixo em momentos de revés econômico, gerando rigidez de preços, enquanto compradores entram em um ciclo prolongado de espera, estendendo o ciclo de volatilidade por vários trimestres.

Embora operem em universos de liquidez completamente distintos, confrontando o mercado imobiliário físico com o pregão eletrônico instantâneo da B3, a mecânica da incerteza une o Santo Antônio a ativos pesados como Petrobras e Banco Bradesco. Enquanto a petroleira estatal sofre choques diários e instantâneos de preços internacionais do petróleo e de ruídos regulatórios, gerando um impacto imediato severo, a propagação dessa incerteza no tempo se assemelha à do mercado imobiliário, pois quando o mercado precifica uma mudança estrutural de longo prazo na companhia, a volatilidade da ação permanece elevada por meses, ecoando o mesmo comportamento de espera e cautela visto nos investidores imobiliários. Da mesma forma, o setor bancário reflete de forma visceral os ciclos longos da economia real, como a deterioração ou recuperação gradual das carteiras de crédito em ciclos de juros altos, fazendo com que os preços por metro quadrado no Santo Antônio absorvam lentamente as mudanças de patamar de liquidez da mesma maneira cadenciada e duradoura com que os balanços bancários e o preço das ações do Bradesco digerem as transições macroeconômicas.

O mapa detalha a distribuição imobiliária da capital mineira, disponibilizando os valores do metro quadrado para a totalidade dos bairros de Belo Horizonte, com exceção de poucas localidades. Para compreender essa dinâmica, a métrica utiliza divisões estatísticas fundamentais: o quantil de 25% aponta os valores mais acessíveis da base, a mediana (50%) reflete o ponto exato de equilíbrio que divide o mercado ao meio, e a média do quantil de 70% capta a tendência dos imóveis de maior valorização.







O gráfico sintetiza a modelagem econométrica avançada via GARCH para a mediana do preço do metro quadrado no bairro Santo Antônio ao longo do horizonte de nove meses em 2026, onde a linha verde central exibe uma trajetória estável na faixa dos R$ 5.400 a R$ 5.500, refletindo a forte inércia informacional e a ausência de saltos abruptos no curto e médio prazo. Por outro lado, a ampla área sombreada que delimita o intervalo de confiança de 95% entre aproximadamente R$ 4.000 e R$ 7.400 traduz visualmente a alta persistência da volatilidade condicional e as caudas pesadas da distribuição t de Student.

Esse comportamento paralelo e estável das bandas ao longo do eixo temporal confirma a propriedade de memória longa do modelo, indicando que a volatilidade passada reverbera de maneira uniforme e duradoura na região. Com isso, evidencia-se que, embora o preço médio seja previsível, a dispersão e o risco associados às negociações reais exigem margens de segurança amplas, mantendo o grau de cautela elevado para analistas e investidores que acompanham o mercado imobiliário local.




7 Robustez do modelo

Defasagem_Lag Teste Estatistica_X2 Graus_Liberdade P_Valor Status
X-squared…1 1 Autocorrelação (Erro) 0.0545 1 0.8154 Aprovado
X-squared…2 1 Heterocedasticidade (Variância) 0.1983 1 0.6561 Aprovado
X-squared…3 3 Autocorrelação (Erro) 0.2663 3 0.9662 Aprovado
X-squared…4 3 Heterocedasticidade (Variância) 0.8012 3 0.8492 Aprovado
X-squared…5 5 Autocorrelação (Erro) 3.0850 5 0.6869 Aprovado
X-squared…6 5 Heterocedasticidade (Variância) 5.2304 5 0.3884 Aprovado
X-squared…7 10 Autocorrelação (Erro) 5.5982 10 0.8478 Aprovado
X-squared…8 10 Heterocedasticidade (Variância) 7.8407 10 0.6444 Aprovado

8 Estimando o Aluguel








9 GAZETA IMOBILIÁRIA & CRÔNICA URBANA

Edição Especial de Mercado • Belo Horizonte, Julho de 2026


9.1 Aconchego Verde e Ciclos Urbanos: O Despertar dos Bairros entre o Café da Manhã e o Vigor dos Investimentos

9.1.1 Ato I: Aconchego versus Localização

Por Ramon Gregório • Análise Estatística e Preditiva


Os resultados das projeções para os bairros Santo Antônio, São Bento, Santa Lúcia e Estoril confirmam a manutenção da forte valorização do mercado de locação residencial na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os modelos econométricos indicam que a renda imobiliária permanece crescente à medida que a área dos imóveis aumenta, com destaque para apartamentos acima de 150 m², segmento que concentra a maior parte da demanda de alto padrão e dos investidores patrimoniais.

Entre os bairros analisados, São Bento e Santa Lúcia apresentam os maiores níveis de precificação projetada, refletindo o perfil consolidado de renda elevada, baixa disponibilidade de terrenos e forte procura por imóveis amplos. Santo Antônio aparece logo em seguida, beneficiado pela proximidade com Savassi, Lourdes e São Pedro, além de sua ampla oferta de serviços e infraestrutura urbana. O Estoril, embora apresente valores absolutos ligeiramente inferiores, mantém trajetória consistente de crescimento e continua atraindo famílias em busca de apartamentos maiores com melhor relação entre área e custo.

As projeções indicam que apartamentos entre 250 m² e 300 m² podem alcançar aluguéis médios superiores a R$ 10 mil mensais nos cenários centrais analisados, enquanto os limites superiores das estimativas apontam potencial de mercado significativamente maior para imóveis de localização privilegiada, acabamento elevado e características exclusivas. Em determinadas situações, os modelos sugerem valores superiores a R$ 15 mil mensais para unidades de grande porte, evidenciando a disposição de pagamento existente nos segmentos de alta renda.

Quando a análise é ampliada para a receita anual, o cenário torna-se ainda mais expressivo. Imóveis com aproximadamente 300 m² apresentam potencial de geração de renda recorrente superior a R$ 150 mil anuais nos cenários médios, podendo ultrapassar R$ 200 mil anuais nos cenários mais favoráveis observados pelos modelos. Esse resultado reforça a atratividade do mercado de locação de alto padrão como alternativa de preservação patrimonial e geração de fluxo de caixa de longo prazo.

Os resultados também evidenciam um comportamento recorrente do mercado imobiliário da região: o ganho absoluto de receita cresce mais rapidamente do que o aumento proporcional da área. Em outras palavras, embora imóveis maiores apresentem um desconto relativo por metro quadrado devido aos efeitos de escala, o valor total recebido pelo proprietário aumenta substancialmente, ampliando a rentabilidade nominal dos ativos.

Do ponto de vista do investidor, os bairros analisados permanecem entre os mais resilientes da capital mineira. A combinação de infraestrutura consolidada, elevada renda média dos moradores, baixa vacância estrutural e oferta limitada de novos empreendimentos sustenta a valorização dos aluguéis e reduz a volatilidade da receita ao longo do tempo. Comentários de moradores e indicadores de mercado reforçam a percepção de São Bento, Santa Lúcia e Santo Antônio como alguns dos endereços mais desejados da cidade, com níveis de aluguel acima da média de Belo Horizonte.

Em síntese, as projeções sugerem que Santo Antônio, São Bento, Santa Lúcia e Estoril continuarão figurando entre os principais polos de geração de renda imobiliária de Belo Horizonte. O crescimento projetado dos aluguéis e da receita anual reforça a posição estratégica desses bairros para investidores que buscam ativos de alta qualidade, capacidade de preservação de valor e geração consistente de renda no longo prazo.

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