A violência contra crianças e adolescentes representa um dos principais desafios para as políticas públicas de proteção integral. Embora os casos de violência letal despertem maior repercussão social, eles frequentemente constituem o desfecho extremo de processos de violência iniciados muito antes, manifestando-se sob diferentes formas de agressão, negligência e violações de direitos.
A recente morte de uma criança de 10 meses em Fortaleza reforça a importância de fortalecer os mecanismos de vigilância e prevenção, tornando essencial compreender como a violência não letal vem evoluindo no estado.
Este relatório apresenta uma análise preliminar das notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), considerando os principais tipos de violência contra crianças e adolescentes no Ceará entre 2009 e 2025.
Foram utilizados os microdados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), abrangendo o período de 2009 a 2025 (dados de 2025 ainda em atualização).
A análise foi restrita às notificações realizadas no estado do Ceará. Contudo a base permite expandir para todos os 184 municipios cearenses.
Vale ressaltar que a identificação dos municípios considerou o município de residência da vítima registrado no SINAN.
Os registros foram agrupados em três faixas etárias:
Foram analisadas quatro categorias de violência:
Foram excluídas as notificações em que o provável autor da agressão era a própria pessoa atendida (REL_PROPRI = 1), mantendo-se apenas situações classificadas como violência interpessoal.
As notificações de violência não letal apresentam tendência geral de crescimento ao longo da série histórica, embora esse comportamento varie conforme o tipo de violência e a faixa etária das vítimas.
Observa-se um aumento expressivo das notificações a partir de 2020. Esse comportamento coincide com o período da pandemia de Covid-19 e pode estar relacionado a diferentes fatores, como a intensificação das situações de vulnerabilidade e violência durante esse período, além do fortalecimento gradual da identificação e da notificação dos casos pelos serviços de saúde nos anos subsequentes.
Os resultados são apresentados nas seções seguintes, de acordo com o tipo de violência analisado.
Entre 2009 e 2025, foram registradas 24.218 notificações de violência por negligência/abandono contra crianças e adolescentes residentes no Ceará, considerando apenas situações classificadas como violência interpessoal, ou seja, excluindo registros em que o provável autor da agressão era a própria pessoa atendida.
A negligência/abandono apresentou-se como uma das formas de violência com maior concentração na primeira infância, período caracterizado por elevada dependência de cuidados familiares e institucionais para garantia das necessidades básicas de sobrevivência, desenvolvimento e proteção.
| faixa | casos | percentual |
|---|---|---|
| 0 a 6 anos | 11323 | 46.8% |
| 7 a 12 anos | 5239 | 21.6% |
| 13 a 19 anos | 7656 | 31.6% |
A distribuição das notificações segundo faixa etária evidencia maior concentração entre crianças de 0 a 6 anos, que responderam por 11.323 registros, seguidas pelos adolescentes de 13 a 19 anos (7.656 registros) e pelas crianças de 7 a 12 anos (5.239 registros).
Esse padrão reforça a maior vulnerabilidade da primeira infância às situações de negligência, considerando que crianças menores possuem maior dependência de adultos responsáveis para alimentação, cuidados de saúde, proteção e desenvolvimento.
| NU_ANO | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos |
|---|---|---|---|
| 2009 | 26 | 16 | 39 |
| 2010 | 29 | 25 | 63 |
| 2011 | 34 | 33 | 99 |
| 2012 | 52 | 58 | 227 |
| 2013 | 38 | 34 | 185 |
| 2014 | 138 | 117 | 560 |
| 2015 | 140 | 134 | 649 |
| 2016 | 150 | 102 | 616 |
| 2017 | 133 | 100 | 588 |
| 2018 | 191 | 154 | 732 |
| 2019 | 226 | 143 | 657 |
| 2020 | 257 | 138 | 693 |
| 2021 | 229 | 170 | 680 |
| 2022 | 253 | 231 | 768 |
| 2023 | 276 | 283 | 977 |
| 2024 | 374 | 386 | 1137 |
| 2025 | 466 | 400 | 1230 |
| NU_ANO | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos |
|---|---|---|---|
| 2009 | 16 | 12 | 18 |
| 2010 | 12 | 21 | 38 |
| 2011 | 14 | 23 | 40 |
| 2012 | 26 | 24 | 57 |
| 2013 | 16 | 24 | 61 |
| 2014 | 42 | 45 | 127 |
| 2015 | 51 | 62 | 177 |
| 2016 | 99 | 74 | 203 |
| 2017 | 66 | 74 | 158 |
| 2018 | 100 | 90 | 279 |
| 2019 | 88 | 92 | 307 |
| 2020 | 119 | 119 | 251 |
| 2021 | 71 | 139 | 252 |
| 2022 | 63 | 120 | 352 |
| 2023 | 80 | 180 | 522 |
| 2024 | 263 | 376 | 693 |
| 2025 | 308 | 417 | 633 |
| NU_ANO | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos |
|---|---|---|---|
| 2009 | 13 | 11 | 16 |
| 2010 | 11 | 23 | 25 |
| 2011 | 15 | 25 | 28 |
| 2012 | 15 | 20 | 23 |
| 2013 | 19 | 34 | 45 |
| 2014 | 36 | 52 | 262 |
| 2015 | 56 | 76 | 127 |
| 2016 | 84 | 97 | 222 |
| 2017 | 82 | 90 | 287 |
| 2018 | 100 | 142 | 369 |
| 2019 | 139 | 167 | 489 |
| 2020 | 123 | 170 | 539 |
| 2021 | 186 | 290 | 750 |
| 2022 | 132 | 301 | 523 |
| 2023 | 311 | 478 | 808 |
| 2024 | 411 | 533 | 1008 |
| 2025 | 334 | 426 | 947 |
Com o objetivo de compreender a distribuição territorial das notificações de violência contra crianças e adolescentes, foi realizada uma análise específica para municípios selecionados do Ceará.
Foram considerados os registros de crianças e adolescentes residentes nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Quixadá, Beberibe, Piquet Carneiro e Salitre, no período de 2009 a 2025.
A análise considera as notificações registradas no SINAN, utilizando o município de residência da vítima como referência territorial.
| Município | Número de notificações |
|---|---|
| Fortaleza | 20976 |
| Caucaia | 1847 |
| Beberibe | 1675 |
| Quixadá | 394 |
| Salitre | 33 |
| Piquet Carneiro | 28 |
| Faixa etaria | Numero de notificacoes |
|---|---|
| 0 a 6 anos | 6814 |
| 7 a 12 anos | 4522 |
| 13 a 19 anos | 13617 |
Entre 2009 e 2025, foram analisadas as notificações de violência não letal contra crianças e adolescentes residentes nos municípios selecionados do Ceará. Os resultados indicam uma distribuição heterogênea dos registros entre os territórios analisados, com concentração expressiva das notificações em Fortaleza, seguida por Caucaia e Beberibe. Essa diferença está relacionada não apenas à magnitude populacional dos municípios, mas também a fatores como estruturação da rede de proteção, capacidade dos serviços de saúde e assistência social na identificação das situações de violência e consolidação dos processos de notificação.
Em relação à faixa etária das vítimas, observa-se maior concentração das notificações entre adolescentes de 13 a 19 anos, que representam a maior parcela dos registros analisados. As crianças de 0 a 6 anos também apresentam participação relevante no conjunto das notificações, evidenciando a necessidade de fortalecimento das estratégias de prevenção e proteção na primeira infância.
| municipio | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos | Total |
|---|---|---|---|---|
| Fortaleza | 3450 | 965 | 1536 | 5951 |
| Beberibe | 397 | 326 | 277 | 1000 |
| Caucaia | 188 | 71 | 100 | 359 |
| Quixadá | 60 | 19 | 24 | 103 |
| Salitre | 2 | 0 | 0 | 2 |
| Piquet Carneiro | 1 | 0 | 0 | 1 |
| municipio | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos | Total |
|---|---|---|---|---|
| Fortaleza | 899 | 760 | 3502 | 5161 |
| Caucaia | 128 | 128 | 396 | 652 |
| Beberibe | 99 | 84 | 113 | 296 |
| Quixadá | 28 | 23 | 85 | 136 |
| Salitre | 0 | 2 | 12 | 14 |
| Piquet Carneiro | 0 | 0 | 12 | 12 |
| municipio | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos | Total |
|---|---|---|---|---|
| Fortaleza | 636 | 804 | 1926 | 3366 |
| Beberibe | 163 | 190 | 191 | 544 |
| Caucaia | 35 | 47 | 103 | 185 |
| Quixadá | 13 | 10 | 27 | 50 |
| Piquet Carneiro | 1 | 0 | 6 | 7 |
| Salitre | 1 | 2 | 4 | 7 |
| municipio | 0 a 6 anos | 7 a 12 anos | 13 a 19 anos | Total |
|---|---|---|---|---|
| Fortaleza | 946 | 1311 | 2533 | 4790 |
| Caucaia | 70 | 107 | 201 | 378 |
| Beberibe | 34 | 107 | 140 | 281 |
| Quixadá | 23 | 14 | 28 | 65 |
| Piquet Carneiro | 4 | 0 | 4 | 8 |
| Salitre | 2 | 3 | 2 | 7 |
Nesta seção é apresentado o perfil das vítimas notificadas nos municípios selecionados segundo sexo, raça/cor, escolaridade e presença de deficiência. As análises são estratificadas por faixa etária, permitindo identificar diferenças no perfil das vítimas ao longo do ciclo de vida.
| Faixa etária | Sexo | Notificações | % |
|---|---|---|---|
| 0 a 6 anos | Feminino | 3596 | 52.8 |
| 0 a 6 anos | Ignorado | 21 | 0.3 |
| 0 a 6 anos | Masculino | 3197 | 46.9 |
| 7 a 12 anos | Feminino | 2863 | 63.3 |
| 7 a 12 anos | Ignorado | 3 | 0.1 |
| 7 a 12 anos | Masculino | 1656 | 36.6 |
| 13 a 19 anos | Feminino | 9220 | 67.7 |
| 13 a 19 anos | Ignorado | 10 | 0.1 |
| 13 a 19 anos | Masculino | 4387 | 32.2 |
Observa-se predominância de vítimas do sexo feminino em todas as faixas etárias analisadas. Entre crianças de 0 a 6 anos, as meninas representam 52,8% das notificações, enquanto os meninos correspondem a 46,9%, indicando uma distribuição relativamente equilibrada nesse grupo etário.
A partir dos 7 anos de idade, a participação feminina torna-se mais expressiva. Na faixa de 7 a 12 anos, as meninas concentram 63,3% das notificações, percentual superior ao observado entre os meninos (36,6%). Essa diferença amplia-se entre os adolescentes de 13 a 19 anos, em que 67,7% das notificações referem-se ao sexo feminino, frente a 32,2% do sexo masculino.
Esse padrão sugere que, embora a violência acometa ambos os sexos ao longo da infância e adolescência, as meninas apresentam maior participação nas notificações, especialmente a partir da idade escolar e, de forma mais acentuada, durante a adolescência. Essa distribuição pode refletir diferenças na exposição aos diferentes tipos de violência, sobretudo aquelas de natureza sexual, psicológica e praticadas por parceiros íntimos na adolescência, bem como diferenças na identificação e notificação dos casos pelos serviços da rede de proteção.
Os registros classificados como sexo ignorado representam proporção inferior a 0,5% em todas as faixas etárias, indicando boa completude dessa variável nas notificações analisadas.
| Faixa etária | Raça/Cor | Notificações | % |
|---|---|---|---|
| 0 a 6 anos | Parda | 4371 | 64.1 |
| 0 a 6 anos | Ignorado | 1162 | 17.1 |
| 0 a 6 anos | Branca | 938 | 13.8 |
| 0 a 6 anos | Preta | 226 | 3.3 |
| 0 a 6 anos | Não informado | 70 | 1.0 |
| 0 a 6 anos | Indígena | 31 | 0.5 |
| 0 a 6 anos | Amarela | 16 | 0.2 |
| 7 a 12 anos | Parda | 2957 | 65.4 |
| 7 a 12 anos | Ignorado | 768 | 17.0 |
| 7 a 12 anos | Branca | 498 | 11.0 |
| 7 a 12 anos | Preta | 219 | 4.8 |
| 7 a 12 anos | Não informado | 31 | 0.7 |
| 7 a 12 anos | Indígena | 25 | 0.6 |
| 7 a 12 anos | Amarela | 24 | 0.5 |
| 13 a 19 anos | Parda | 8704 | 63.9 |
| 13 a 19 anos | Ignorado | 2085 | 15.3 |
| 13 a 19 anos | Branca | 1828 | 13.4 |
| 13 a 19 anos | Preta | 773 | 5.7 |
| 13 a 19 anos | Não informado | 92 | 0.7 |
| 13 a 19 anos | Amarela | 84 | 0.6 |
| 13 a 19 anos | Indígena | 51 | 0.4 |
Os registros de violência contra crianças e adolescentes apresentam predominância de vítimas classificadas como pardas em todas as faixas etárias analisadas. Entre crianças de 0 a 6 anos, a população parda correspondeu a 64,1% das notificações, seguida pelas vítimas de raça/cor branca (13,8%) e preta (3,3%). Entre aquelas de 7 a 12 anos, observa-se padrão semelhante, com predominância de vítimas pardas (65,4%), seguidas por brancas (11,0%) e pretas (4,8%).
No grupo de 13 a 19 anos, a distribuição mantém comportamento semelhante, com as vítimas pardas representando 63,9% dos registros, seguidas pelas categorias branca (13,4%) e preta (5,7%).
De forma geral, observa-se que a composição racial das notificações acompanha a predominância da população parda no estado do Ceará. Entretanto, destaca-se a proporção relevante de registros classificados como ignorado, variando entre 15,3% e 17,1% nas diferentes faixas etárias, indicando limitações no preenchimento dessa informação e a necessidade de qualificação dos registros para aprimorar a análise das desigualdades raciais relacionadas à violência.
| Faixa etária | Deficiência/Transtorno | Notificações | % |
|---|---|---|---|
| 0 a 6 anos | Não | 6532 | 95.9 |
| 0 a 6 anos | Sim | 282 | 4.1 |
| 7 a 12 anos | Não | 4052 | 89.6 |
| 7 a 12 anos | Sim | 470 | 10.4 |
| 13 a 19 anos | Não | 12028 | 88.3 |
| 13 a 19 anos | Sim | 1589 | 11.7 |
Entre as crianças de 0 a 6 anos, foram identificadas 282 notificações (4,1%) envolvendo vítimas com deficiência ou transtorno, enquanto 6.532 registros (95,9%) correspondiam a vítimas sem essa condição informada. Na faixa etária de 7 a 12 anos, observa-se aumento da participação relativa de vítimas com deficiência ou transtorno, representando 10,4% das notificações (470 casos).
Entre os adolescentes de 13 a 19 anos, a proporção é ainda maior, com 1.589 notificações (11,7%) envolvendo vítimas com deficiência ou transtorno, enquanto 12.028 registros (88,3%) foram classificados como sem deficiência ou transtorno.
Observa-se, portanto, uma maior participação proporcional de vítimas com deficiência ou transtorno entre adolescentes, quando comparados aos grupos de menor idade. Esse resultado reforça a importância de considerar esse grupo como uma população potencialmente mais vulnerável às situações de violência, demandando estratégias específicas de prevenção, identificação precoce e articulação da rede de proteção.
| faixa | Deficiência física | Deficiência intelectual/mental | Deficiência visual | Deficiência auditiva | Transtorno mental | Transtorno de comportamento | Outra deficiência/transtorno |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 a 6 anos | 41 | 60 | 5 | 5 | 73 | 89 | 89 |
| 7 a 12 anos | 27 | 96 | 10 | 6 | 131 | 199 | 119 |
| 13 a 19 anos | 49 | 177 | 13 | 19 | 981 | 499 | 265 |
Observa-se que os registros de deficiência ou transtorno apresentam maior concentração entre adolescentes de 13 a 19 anos, especialmente em relação aos transtornos mentais e de comportamento, que apresentam frequências superiores às demais faixas etárias. Entre crianças de 0 a 6 anos e 7 a 12 anos, os registros apresentam distribuição mais equilibrada entre os diferentes tipos identificados, com destaque para transtornos de comportamento e outras deficiências ou transtornos. Ressalta-se que uma mesma vítima pode apresentar mais de um tipo de deficiência ou transtorno registrado na notificação, não sendo as categorias mutuamente exclusivas.
| Local de ocorrência | Notificações | Percentual (%) |
|---|---|---|
| Residência | 14035 | 56.8 |
| Via pública | 3767 | 15.2 |
| Outro | 2925 | 11.8 |
| Ignorado | 2562 | 10.4 |
| Escola | 748 | 3.0 |
| Comércio/Serviços | 209 | 0.8 |
| Habitação coletiva | 207 | 0.8 |
| Bar ou similar | 138 | 0.6 |
| Local de prática esportiva | 110 | 0.4 |
| Indústrias/Construção | 22 | 0.1 |
A análise do local de ocorrência evidencia que a residência constitui o principal espaço de ocorrência das violências notificadas contra crianças e adolescentes nos municípios selecionados. Do total de registros analisados, 56,8% ocorreram no ambiente residencial, indicando a relevância do espaço doméstico como contexto de atenção prioritária para as ações de prevenção, identificação precoce e acompanhamento pela rede de proteção.
A via pública aparece como o segundo principal local informado, concentrando 15,2% das notificações, seguida pela categoria “Outro”, com 11,8%. Esses resultados indicam que, embora o ambiente familiar concentre a maior parcela dos casos registrados, situações de violência também ocorrem em espaços comunitários e sociais frequentados por crianças e adolescentes.
Os registros em escolas representam 3% das notificações. Apesar da menor participação proporcional, esse dado reforça o papel estratégico das instituições de ensino na identificação de sinais de violência, considerando sua presença cotidiana na vida das crianças e adolescentes e sua integração com a rede de proteção.
Ressalta-se ainda a existência de 10,4% de registros com local de ocorrência ignorado, indicando a necessidade de qualificação do preenchimento das notificações, uma vez que essa informação contribui para compreender os contextos de ocorrência e orientar ações intersetoriais de prevenção e proteção.
| Faixa etaria | Relacao do provavel autor com a vitima | Notificacoes | Percentual (%) |
|---|---|---|---|
| 0 a 6 anos | Familiar (pais ou padrasto/madrasta) | 4916 | 72.1 |
| 0 a 6 anos | Não informado | 625 | 9.2 |
| 0 a 6 anos | Outro | 417 | 6.1 |
| 0 a 6 anos | Amigo(a)/Conhecido(a) | 289 | 4.2 |
| 0 a 6 anos | Desconhecido | 285 | 4.2 |
| 0 a 6 anos | Própria pessoa | 104 | 1.5 |
| 0 a 6 anos | Relação institucional ou trabalho | 72 | 1.1 |
| 0 a 6 anos | Cuidador | 54 | 0.8 |
| 0 a 6 anos | Parceiro(a) ou ex-parceiro(a) | 52 | 0.8 |
| 7 a 12 anos | Familiar (pais ou padrasto/madrasta) | 2170 | 48.0 |
| 7 a 12 anos | Amigo(a)/Conhecido(a) | 544 | 12.0 |
| 7 a 12 anos | Outro | 458 | 10.1 |
| 7 a 12 anos | Desconhecido | 372 | 8.2 |
| 7 a 12 anos | Própria pessoa | 315 | 7.0 |
| 7 a 12 anos | Não informado | 313 | 6.9 |
| 7 a 12 anos | Parceiro(a) ou ex-parceiro(a) | 256 | 5.7 |
| 7 a 12 anos | Relação institucional ou trabalho | 85 | 1.9 |
| 7 a 12 anos | Cuidador | 9 | 0.2 |
| 13 a 19 anos | Própria pessoa | 4094 | 30.1 |
| 13 a 19 anos | Familiar (pais ou padrasto/madrasta) | 2722 | 20.0 |
| 13 a 19 anos | Parceiro(a) ou ex-parceiro(a) | 1898 | 13.9 |
| 13 a 19 anos | Desconhecido | 1873 | 13.8 |
| 13 a 19 anos | Amigo(a)/Conhecido(a) | 1047 | 7.7 |
| 13 a 19 anos | Não informado | 997 | 7.3 |
| 13 a 19 anos | Outro | 620 | 4.6 |
| 13 a 19 anos | Relação institucional ou trabalho | 350 | 2.6 |
| 13 a 19 anos | Cuidador | 16 | 0.1 |
Em relação à relação do provável autor com a vítima, observa-se um padrão distinto conforme a faixa etária analisada. Entre as crianças de 0 a 6 anos, há forte predominância de situações envolvendo familiares (pais ou padrasto/madrasta), responsáveis por 72,1% das notificações, evidenciando a maior vulnerabilidade das crianças pequenas em contextos de convivência e dependência familiar.
Na faixa de 7 a 12 anos, embora os familiares permaneçam como os principais prováveis autores (48,0%), observa-se maior diversificação das relações envolvidas, com participação mais expressiva de amigos(as)/conhecidos(as) (12,0%), outros vínculos (10,1%) e desconhecidos (8,2%).
Entre os adolescentes de 13 a 19 anos, o perfil apresenta mudança importante, com maior participação da categoria própria pessoa (30,1%), seguida por familiares (20,0%), parceiros(as) ou ex-parceiros(as) (13,9%) e desconhecidos (13,8%). Esse resultado indica maior presença de situações em que a violência está associada a relações afetivas, sociais e também a situações envolvendo o próprio adolescente.
De forma geral, os dados reforçam que a violência contra crianças e adolescentes ocorre predominantemente em relações próximas e contextos de convivência, especialmente nas primeiras fases da vida, enquanto na adolescência observa-se ampliação dos contextos de ocorrência e das relações envolvidas, demandando estratégias diferenciadas de prevenção e proteção conforme o ciclo de vida da vítima.
| Violência de repetição | Notificações | Percentual (%) |
|---|---|---|
| Sim | 8688 | 34.8 |
| Não | 8301 | 33.3 |
| Ignorado | 7507 | 30.1 |
| Não informado | 457 | 1.8 |
A análise da ocorrência anterior da violência evidencia que uma parcela significativa das notificações corresponde a situações de violência de repetição. Entre os municípios selecionados, foram identificados 8.688 registros classificados como episódios recorrentes, representando 34,8% das notificações analisadas.
Esse resultado indica que uma parte relevante das crianças e adolescentes atendidos pelos serviços de saúde já havia vivenciado situações anteriores de violência, caracterizando um cenário de continuidade das violações de direitos. A recorrência dos episódios reforça a necessidade de acompanhamento sistemático das vítimas e suas famílias, com atuação articulada dos diferentes serviços que compõem a rede de proteção.
Por outro lado, 33,3% dos registros foram classificados como não repetição, correspondendo a 8.301 notificações. Esses casos podem representar episódios isolados ou situações em que a violência foi identificada no primeiro atendimento realizado pelos serviços notificadores.
Destaca-se, entretanto, o elevado percentual de informações ignoradas (30,1%), equivalente a 7.507 notificações, além de 1,8% de registros não informados. A proporção expressiva de dados ausentes limita a interpretação da recorrência das violências e evidencia a importância da qualificação do preenchimento das fichas de notificação.
A informação sobre repetição da violência possui papel estratégico para o planejamento das ações do Sistema de Garantia de Direitos, pois permite identificar situações que demandam intervenções continuadas, acompanhamento familiar e articulação entre saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar e demais instituições responsáveis pela proteção integral de crianças e adolescentes.
| Encaminhamento realizado | Notificações | Percentual (%) |
|---|---|---|
| Conselho Tutelar | 11566 | 46.4 |
| Assistência Social | 4431 | 17.8 |
| Defensoria Pública | 1087 | 4.4 |
| Atendimento à Mulher | 772 | 3.1 |
| Ministério Público | 728 | 2.9 |
| Outras Delegacias | 447 | 1.8 |
| Rede de Educação | 319 | 1.3 |
| Justiça da Infância e Juventude | 278 | 1.1 |
| Rede da Saúde | 258 | 1.0 |
| Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente | 224 | 0.9 |
| Centro de Referência dos Direitos Humanos | 93 | 0.4 |
Os resultados apresentados neste relatório preliminar reforçam que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um importante desafio para o Ceará.
A recente morte de uma criança de 10 meses em Fortaleza evidencia que os casos fatais frequentemente são precedidos por diferentes formas de violência e vulnerabilidade já presentes no cotidiano das famílias.
Nesse contexto, o fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente constitui elemento essencial para prevenir novos casos e proteger crianças e adolescentes.
As informações apresentadas neste documento possuem caráter preliminar e destinam-se a subsidiar discussões técnicas e o aprimoramento das políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência.