metaAntes de começar, precisamos instalar e carregar o pacote
meta, que contém as funções necessárias para realizar
metanálises.
metainstall.packages("meta") # Instalar o pacote
library(meta) # Carregar o pacote
Antes de iniciar sua metanálise, é essencial garantir que os dados estejam organizados corretamente. Isso evita erros e facilita a compatibilidade com as funções do R.
Abaixo está um exemplo de como estruturar seu conjunto de dados no Microsoft Excel antes de importá-lo para o R.
📌 (Inserir imagem ilustrando a estrutura do dataset no Excel.)
Após organizar seu conjunto de dados, importe-o para o R, converta-o para um data frame e atribua o nome acm, referente ao desfecho All-Cause Mortality.
A função metabin() é utilizada para realizar metanálises
de desfechos binários, ou seja, situações em que existem apenas dois
possíveis resultados (por exemplo: vivo/morto, sucesso/fracasso ou
sim/não).
metabin()event.e → Número de eventos no grupo experimental.
n.e → Número total de participantes no grupo experimental.
event.c → Número de eventos no grupo controle.
n.c → Número total de participantes no grupo controle.
data → Nome do data frame contendo os
dados da metanálise (neste exemplo, acm).
method → Método utilizado para combinar os
estudos. O padrão é "MH"
(Mantel-Haenszel).
method.tau → Método utilizado para estimar a
variância entre os estudos. O padrão é "DL"
(DerSimonian-Laird).
sm → Medida de efeito utilizada. As opções mais
comuns são "RR" (Risk Ratio) e "OR"
(Odds Ratio).
hakn → Define se será utilizado o ajuste de
Hartung-Knapp (TRUE ou FALSE). O padrão é
FALSE.
studlab → Nome da coluna contendo a
identificação dos estudos (por exemplo, Author).
m.acm <- metabin(
event.e,
n.e,
event.c,
n.c,
data = acm,
method = "MH",
method.tau = "DL",
sm = "OR",
hakn = FALSE,
studlab = Author
)
O comando acima cria um novo objeto chamado m.acm, que armazenará todos os resultados da metanálise referente ao desfecho All-Cause Mortality (ACM).
Esse objeto conterá informações como:
Após executar a função metabin(), podemos visualizar um
resumo estatístico utilizando a função summary().
summary(m.acm)
📌 (Inserir imagem mostrando a saída do comando
summary(m.acm) no console do RStudio.)
summary() mostra?A função summary() fornece um resumo completo da
metanálise, incluindo:
estimativa da medida de efeito (Odds Ratio ou Risk Ratio);
intervalo de confiança de 95%;
número de estudos incluídos;
peso de cada estudo;
heterogeneidade entre os estudos;
estimativa da variância entre estudos (Tau²);
estatística Q de Cochran;
valor de I²;
testes estatísticos referentes ao efeito combinado. # Criando um Gráfico de Floresta (Forest Plot)
Após criar a metanálise e armazenar seus resultados no objeto
m.acm, podemos visualizar os resultados graficamente
utilizando a função forest().
O Forest Plot é o gráfico mais utilizado em metanálises. Ele apresenta, de forma visual, o efeito individual de cada estudo incluído na análise, bem como a estimativa combinada de todos os estudos.
Cada estudo é representado por um quadrado, cujo tamanho é proporcional ao seu peso na metanálise, acompanhado por uma linha horizontal correspondente ao intervalo de confiança de 95%. Ao final do gráfico, o efeito combinado é representado por um diamante.
forest(
m.acm,
layout = "Revman5",
sortvar = studlab,
lab.e = "Pretreatment",
lab.c = "No Pretreatment",
label.left = "Favors Pretreatment",
col.label.left = "black",
ff.lr = "bold",
label.right = "Favors No Pretreatment",
col.label.right = "black",
leftcols = c(
"studlab",
"Year",
"event.e",
"n.e",
"event.c",
"n.c",
"w.random",
"effect",
"ci"
),
rightcols = FALSE,
pooled.events = TRUE,
pooled.totals = TRUE,
random = TRUE,
common = FALSE,
diamond.random = TRUE,
fs.heading = 12,
fs.study = 12,
fs.hetstat = 12,
colgap = "6mm",
digits = 2,
digits.pval = 3,
col.square = "darkblue",
col.square.lines = "black",
col.diamond = "black",
col.diamond.lines = "black",
print.Q = TRUE,
print.pval.Q = TRUE,
print.tau.ci = TRUE,
test.overall.random = TRUE,
overall.hetstat = TRUE
)
📌 (Inserir imagem mostrando o Forest Plot gerado no RStudio.)
forest()A função forest() possui diversas opções de
personalização. A seguir, são apresentados os argumentos mais
importantes utilizados neste tutorial.
sortvarDefine a ordem em que os estudos serão apresentados no gráfico.
Neste exemplo, os estudos são ordenados pela variável
studlab, correspondente ao nome dos autores.
lab.e e lab.cDefinem os nomes que serão exibidos para os grupos experimental e controle.
lab.e = "Pretreatment"
lab.c = "No Pretreatment"
label.left e label.rightAdicionam rótulos indicando a direção do efeito observado.
Esses textos auxiliam na interpretação do gráfico, indicando qual intervenção é favorecida conforme a posição do efeito em relação à linha de nulidade.
leftcolsDefine quais informações serão exibidas na tabela localizada à esquerda do gráfico.
Neste exemplo são apresentados:
random e commonEsses argumentos definem qual modelo estatístico será utilizado.
random = TRUE
common = FALSE
Nesse exemplo, será utilizado o modelo de efeitos aleatórios, enquanto o modelo de efeitos fixos não será exibido.
w.randomQuando utilizado em leftcols, exibe o peso de cada
estudo considerando o modelo de efeitos aleatórios.
Caso seja utilizado um modelo de efeitos fixos, normalmente
utiliza-se w.common.
pooled.events e pooled.totalsEsses argumentos adicionam ao gráfico o número total de eventos e o número total de participantes de cada grupo após o agrupamento dos estudos.
col.square e col.diamondPermitem personalizar as cores utilizadas no gráfico.
Neste exemplo:
digits e digits.pvalControlam o número de casas decimais exibidas para as medidas de efeito e para os valores de p.
overall.hetstatQuando definido como TRUE, exibe automaticamente as
principais estatísticas de heterogeneidade da metanálise, incluindo:
Essas informações auxiliam na interpretação da consistência entre os estudos incluídos.
Após a geração do gráfico, é possível identificar rapidamente:
a medida de efeito individual de cada estudo;
os respectivos intervalos de confiança;
o peso relativo de cada estudo;
o efeito combinado da metanálise;
o grau de heterogeneidade entre os estudos.
A interpretação conjunta dessas informações permite avaliar não apenas a magnitude do efeito observado, mas também a consistência dos resultados disponíveis na literatura.
Ao final deste capítulo, aprendemos como realizar uma metanálise de desfechos binários utilizando o pacote meta.
Em resumo:
Instalamos e carregamos o pacote meta;
Organizamos corretamente o conjunto de dados para a análise;
Realizamos uma metanálise utilizando a função
metabin();
Visualizamos os resultados estatísticos com a função
summary();
Construímos um Forest Plot utilizando a função
forest();
Conhecemos os principais argumentos utilizados para personalizar o gráfico e interpretar seus resultados.