Videoaula 02 – Escore-z e curva normal padronizada
Como localizar um valor dentro da distribuição
Pergunta guia
Como saber se um valor está próximo ou distante do esperado?
Tempo sugerido
12 a 16 minutos
Objetivo da videoaula
Ao final desta videoaula, o aluno deverá compreender o escore-z como uma medida de posição relativa em relação à média, expressa em unidades de desvio-padrão.
4. O escore-z e a curva normal padronizada
O escore-z é uma forma de transformar um valor observado em uma medida padronizada. Em vez de interpretarmos uma variável na sua unidade original, como mg/dL, cm, kg ou mmHg, passamos a interpretá-la em unidades de desvio-padrão.
A ideia central é simples: o escore-z informa quantos desvios-padrão um valor está acima ou abaixo da média.
Esse procedimento é importante porque as variáveis observadas na prática, representadas por , podem estar em escalas muito diferentes. Por exemplo, glicemia é medida em mg/dL, estatura em cm, IMC em kg/m² e pressão arterial em mmHg. Ao transformar esses valores em , todas essas variáveis passam a ser analisadas em uma mesma escala: a escala da curva normal padronizada.
A curva normal padronizada, também chamada de curva normal reduzida, tem média igual a 0 e desvio-padrão igual a 1. Por isso, quando transformamos uma variável em , estamos deslocando a média para 0 e expressando a distância de cada valor em número de desvios-padrão.
4.1 Curva normal padronizada
A curva normal padronizada é uma curva normal especial, com:
e
Assim, a variável padronizada passa a indicar a posição relativa de um valor em relação à média.
- : o valor está exatamente na média;
- : o valor está acima da média;
- : o valor está abaixo da média;
- : o valor está 1 desvio-padrão acima da média;
- : o valor está 1 desvio-padrão abaixo da média;
- : o valor está 2 desvios-padrão acima da média;
- : o valor está 2 desvios-padrão abaixo da média.
4.2 Fórmula do escore-z
A transformação de uma variável em uma variável padronizada é feita por:
em que:
- representa o valor observado;
- representa a média populacional;
- representa o desvio-padrão populacional;
- representa o valor padronizado.
Quando utilizamos dados amostrais e não conhecemos os parâmetros populacionais, podemos usar, de forma aproximada:
em que é a média amostral e é o desvio-padrão amostral.
Quando o objetivo é comparar um indivíduo com uma população de referência, o ideal é usar a média e o desvio-padrão dessa população de referência. Quando usamos e da própria amostra, o escore-z descreve apenas a posição relativa do indivíduo dentro daquela amostra.
4.3 Como interpretar o escore-z
O sinal e o tamanho do escore-z têm interpretações diferentes.
| Valor de | Interpretação |
|---|---|
| valor igual à média | |
| valor acima da média | |
| valor abaixo da média | |
| valor próximo da média | |
| valor moderadamente afastado da média | |
| valor bastante afastado da média | |
| valor extremo ou raro, sob normalidade |
O escore-z não transforma automaticamente uma variável assimétrica em normal. Ele apenas coloca os valores em uma escala padronizada. Para interpretar probabilidades usando a curva normal, é necessário que a variável tenha distribuição normal ou aproximadamente normal.
4.4 Para que serve o escore-z na prática?
Na Bioestatística aplicada à Saúde e Nutrição, o escore-z pode ser usado para:
- comparar valores medidos em escalas diferentes;
- identificar indivíduos com valores muito afastados da média;
- interpretar a posição relativa de uma pessoa em relação a uma população de referência;
- auxiliar na leitura de áreas e probabilidades na curva normal;
- construir raciocínios sobre faixas esperadas de valores;
- facilitar a comparação entre variáveis como glicemia, IMC, pressão arterial, estatura e marcadores bioquímicos.
Fechamento da videoaula
O escore-z transforma uma medida individual em posição relativa dentro de uma distribuição.