PROJETO INTEGRADOR — ESTATÍSTICA I

Engenharia de Produção


PARTE 1 — ENUNCIADO GERAL DO PROJETO INTEGRADOR

1. Identificação

  • Disciplina: Estatística I
  • Curso: Engenharia de Produção
  • Modalidade: Projeto Integrador (PI) em equipe (máximo de 4 integrantes)
  • Carga horária do PI: Atividade final (10 pontos — peso 2)
  • Prazo único: 1 semana para execução, entrega e apresentação

2. Objetivo Geral

Aplicar os conceitos de Estatística Descritiva, Probabilidade, Variáveis Aleatórias e Distribuições, Intervalo de Confiança e Teste de Hipóteses para uma única amostra na análise de um problema real (ou simulado com base realista) de Engenharia de Produção.

3. Objetivos Específicos

  • Compreender um processo produtivo (qualidade, manutenção, logística, capacidade) a partir de dados.
  • Organizar, descrever e interpretar conjuntos de dados por meio de medidas de tendência central, dispersão e representação gráfica adequada.
  • Calcular probabilidades e modelar o comportamento de variáveis aleatórias relevantes ao problema (contagens, tempos, proporções).
  • Construir e interpretar intervalos de confiança para a média, proporção ou variância populacional.
  • Formular, executar e interpretar testes de hipóteses para uma única amostra, com diferentes níveis de informação sobre o desvio padrão (σ conhecido ou desconhecido).
  • Comunicar tecnicamente as conclusões, com respeito aos limites da análise e à ética no uso de dados.

4. Estrutura da Equipe

  • Equipes com máximo de 4 integrantes, definidas pelos próprios alunos.
  • Cada equipe recebe um cenário distinto, conforme a Parte 2 deste documento.
  • A composição deve priorizar diversidade de perfis (processos, qualidade, logística, gestão) e equilíbrio de responsabilidades.
  • É vedada a troca de cenário entre equipes sem autorização do docente.

5. Guia de Resolução do Problema (substitui o cronograma semanal)

O PI é executado em 1 semana. A equipe deve seguir o guia abaixo, passo a passo, e registrar a evidência de cada passo no relatório.

Passo 1 — Imersão no problema

  • Ler o cenário atribuído em profundidade.
  • Identificar a variável de interesse, o parâmetro populacional-alvo (média, proporção, variância, λ, p) e a pergunta de decisão.
  • Listar, no relatório, as suposições admitidas e os limites do estudo.

Passo 2 — Construção e organização da base de dados

  • Reproduzir a tabela do cenário em planilha (Excel, Google Sheets ou LibreOffice Calc).
  • Conferir unidades, contagens e identificadores.
  • Calcular as medidas-resumo e os gráficos dos Passos 3 e 4 na própria planilha, com fórmulas auditáveis.

Passo 3 — Análise descritiva

  • Calcular média, mediana, desvio padrão, mínimo, máximo, amplitude e, quando aplicável, coeficiente de variação.
  • Construir pelo menos um gráfico adequado (histograma, boxplot, gráfico de barras, gráfico de linhas temporal, Pareto).
  • Interpretar o padrão observado (simetria, dispersão, presença de outliers) antes de qualquer teste.

Passo 4 — Análise probabilística

  • Identificar a distribuição teórica plausível para o fenômeno (Binomial, Poisson, Hipergeométrica, Geométrica, Binomial Negativa, Exponencial ou Normal), com justificativa.
  • Calcular pelo menos uma probabilidade no contexto do problema (por exemplo: “P(observar mais de X ocorrências) sob a distribuição adotada”).

Passo 5 — Inferência estatística (intervalo de confiança)

  • Construir o IC 95 % (ou outro nível, com justificativa) para o parâmetro-alvo.
  • Interpretar o IC em linguagem de Engenharia de Produção, sem afirmar “probabilidade de que o parâmetro esteja no intervalo” (interpretação frequentista).

Passo 6 — Teste de hipótese para uma única amostra

  • Definir H₀, H₁, nível de significância α (com justificativa) e tipo de teste (unilateral ou bilateral).
  • Escolher a estatística de teste adequada (Z, t, χ²), informando se σ é conhecido ou estimado.
  • Calcular a estatística de teste, o valor-p e a regra de decisão.
  • Decidir rejeitar ou não rejeitar H₀ e interpretar a decisão em linguagem de produção.

Passo 7 — Conclusão técnica e limites

  • Articular o resultado estatístico com a decisão de produção (manter o processo, investigar causa-raiz, revisar meta, etc.).
  • Declarar limites: tamanho da amostra, escopo, possíveis vieses, generalização.
  • Listar recomendações fundamentadas nos dados.

Passo 8 — Comunicação e apresentação

  • Relatório escrito em PDF ou DOCX, com capa, sumário, seções numeradas, tabelas, gráficos, fórmulas, comandos utilizados e referências (ABNT ou APA).
  • Seminário de 10 a 15 minutos por equipe, com 5 minutos de arguição.

Sugestão de divisão de tarefas para 4 alunos

Aluno Responsabilidade principal
A Imersão, organização da base, descritiva (Passos 1–3)
B Probabilidade, modelo teórico, probabilidades calculadas (Passo 4)
C IC, teste de hipótese, valor-p (Passos 5–6)
D Conclusão, limites, relatório escrito, ensaio da apresentação (Passos 7–8)

Check-list de autoavaliação antes da entrega

6. Entregáveis Obrigatórios

  • Relatório técnico (PDF ou DOCX) contendo:
    • Capa com identificação da equipe, cenário, disciplina e professor.
    • Contextualização do problema.
    • Base de dados completa, em tabela.
    • Estatísticas descritivas (com interpretação).
    • Gráfico(s) com legendas, títulos e fonte.
    • Modelo probabilístico adotado, com justificativa e cálculo de probabilidades.
    • Intervalo de confiança (nível justificado).
    • Teste de hipótese (H₀, H₁, α, estatística de teste, valor-p, decisão).
    • Conclusão técnica, recomendações e limites da análise.
    • Referências bibliográficas (ABNT ou APA).
  • Seminário de apresentação (10 a 15 minutos por equipe, com 5 minutos para arguição).

7. Requisitos Técnicos Mínimos

Toda apresentação deve conter, no mínimo: - Descrição dos dados (média, mediana, variância, desvio padrão, mínimo, máximo — quando aplicável). - Pelo menos um gráfico adequado ao tipo de variável e ao objetivo (histograma, boxplot, barras, Pareto, linhas temporal). Não é permitido o uso de análise de correlação como foco do trabalho. - Cálculo e interpretação de pelo menos uma probabilidade no contexto do problema, com modelo teórico explícito. - Construção e interpretação de um intervalo de confiança (95 %, 90 % ou 99 %, com justificativa). - Execução e interpretação de um teste de hipótese para uma única amostra, com nível de significância α definido e justificado. - Conclusão técnica com discussão sobre os limites da análise (tamanho da amostra, possíveis vieses, escopo, generalização).

8. Condutas Esperadas

  • Autoria e honestidade acadêmica: todos os cálculos, gráficos e interpretações devem ser de produção da equipe. Plágio total ou parcial implica nota zero e encaminhamento à coordenação.
  • Coerência metodológica: as análises estatísticas devem estar alinhadas ao tipo de variável, à distribuição admitida e à pergunta do problema.
  • Comunicação técnica: uso correto da terminologia estatística, com clareza, organização e referência a fontes.
  • Ética no uso de dados: mesmo em dados sintéticos, as equipes devem tratar a análise com o mesmo rigor que aplicariam a dados reais. Em dados reais, deve-se observar a legislação aplicável de proteção de dados, anonimizando identificadores quando necessário.

9. Observação Final do Enunciado Geral

Este enunciado é único. As especificidades — contexto, empresa, base de dados, perguntas, indicador de processo, modelo probabilístico e teste inferencial — variam de acordo com o cenário atribuído a cada equipe e estão detalhadas na Parte 2 deste documento.


PARTE 2 — CENÁRIOS POR EQUIPE

A seguir, são apresentados 10 cenários distintos, ordenados por progressão didática (do mais simples ao mais completo). Cada equipe recebe apenas o cenário correspondente à sua numeração, previamente divulgado pelo docente.

A alocação garante: - 5 modelos probabilísticos diferentes (Binomial, Poisson, Hipergeométrica, Geométrica, Binomial Negativa) usados uma vez cada antes de repetir; Exponencial e Normal aparecem em papéis complementares. - 4 tipos de teste inferencial (Z com σ conhecido para média, Z para proporção, t de Student com σ desconhecido, qui-quadrado para variância). - Mix de resultados: cenários em que H₀ não é rejeitada, cenários em que H₀ é rejeitada e cenários borderline (valor-p próximo de α), exigindo interpretação crítica.


EQUIPE 1 — INSPEÇÃO DE LOTE: PROPORÇÃO DE DEFEITUOSOS (BINOMIAL)

1.1 Contexto

A MetalFort Indústria Metalúrgica S.A. fabrica arruelas de aço em lotes de 500 unidades. A política de qualidade admite que a proporção de peças defeituosas por lote não ultrapasse 5 %. O controle estatístico do processo (CEP) vem registrando lotes próximos do limite, e a engenharia de qualidade quer confirmar se o processo está, de fato, dentro da meta.

1.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a proporção de defeituosos está acima de 5 %, com base em 30 lotes inspecionados.

1.3 Base de Dados

Tabela 1 — Lotes inspecionados e peças defeituosas (30 lotes, 2025).

Lote Itens Defeituosos Lote Itens Defeituosos
1 500 18 16 500 22
2 500 24 17 500 19
3 500 20 18 500 25
4 500 28 19 500 21
5 500 17 20 500 23
6 500 30 21 500 18
7 500 22 22 500 26
8 500 19 23 500 20
9 500 25 24 500 24
10 500 21 25 500 17
11 500 23 26 500 28
12 500 19 27 500 22
13 500 26 28 500 21
14 500 20 29 500 19
15 500 24 30 500 25

1.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A proporção de defeituosos é superior a 5 % (limite da política de qualidade)?
  • Pergunta secundária 1: Qual a probabilidade aproximada de um lote sorteado aleatoriamente apresentar mais de 25 defeituosos?
  • Pergunta secundária 2: Construir um intervalo de confiança de 95 % para a verdadeira proporção de defeituosos.

1.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: proporção média, desvio padrão da proporção, mínimo, máximo, histograma da proporção por lote.
  • Modelo probabilístico: Binomial com n = 500 e p amostral. Justificar o uso (ensaios de Bernoulli independentes, contagem de defeituosos em lote de tamanho fixo).
  • Probabilidade: sob Binomial, calcular P(X > 25) com p̂ amostral; comparar com a aproximação Normal (n·p ≥ 5 e n·(1−p) ≥ 5).
  • Inferência: IC 95 % para a proporção populacional (método de Wilson ou Normal com correção de continuidade).
  • Teste de hipótese: Z unilateral à direita para proporção (H₀: p = 0,05 contra H₁: p > 0,05), α = 0,05. Resultado esperado: não rejeitar H₀ (média ≈ 22/500 = 4,4 %).
  • Gráfico sugerido: barras com a proporção por lote e linha do limite de 5 %.

1.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar a decisão em linguagem de produção: “ao nível de 5 %, não há evidências estatísticas de violação do limite”.
  • Recomendar manutenção do controle atual, com plano de CEP para monitoramento contínuo.
  • Limites: amostra restrita a 30 lotes, ausência de estratificação por turno e por máquina.

EQUIPE 2 — CHAMADOS DE MANUTENÇÃO POR DIA (POISSON)

2.1 Contexto

A Linha de Produção Têxtil Sul Ltda. opera três turnos em uma planta de tecelagem. A gestão de manutenção considera que uma média superior a 3 chamados de manutenção corretiva por dia indica degradação do estado dos equipamentos. O engenheiro de manutenção suspeita que a média esteja acima do limite, especialmente após paradas não programadas recentes.

2.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a média diária de chamados de manutenção corretiva é superior a 3, com base em uma amostra de 30 dias úteis.

2.3 Base de Dados

Tabela 1 — Chamados de manutenção corretiva por dia (30 dias, outubro/2025).

Dia Chamados Dia Chamados
1 3 16 5
2 4 17 3
3 2 18 6
4 5 19 4
5 3 20 5
6 6 21 3
7 4 22 4
8 3 23 7
9 5 24 5
10 4 25 4
11 7 26 6
12 3 27 5
13 4 28 4
14 5 29 3
15 6 30 5

2.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A média diária de chamados é superior a 3 (limite da gestão de manutenção)?
  • Pergunta secundária 1: A variável “chamados por dia” pode ser razoavelmente modelada por uma distribuição de Poisson? Justifique usando a relação média ≈ variância.
  • Pergunta secundária 2: Construir um intervalo de confiança de 95 % para a média diária de chamados.

2.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, variância, desvio padrão, mínimo, máximo, histograma.
  • Modelo probabilístico: Poisson com λ̂ = média amostral. Justificar pela natureza de contagem em intervalo fixo de tempo e pela razão variância/média ≈ 1.
  • Probabilidade: sob Poisson, calcular P(X ≥ 6) e P(X = 0).
  • Inferência: IC 95 % para λ (usar IC para a média de Poisson, baseado no qui-quadrado: (2·S/χ²ₐ/₂, 2·S/χ²₁₋ₐ/₂), em que S é o total de chamados).
  • Teste de hipótese: t unilateral à direita para a média (H₀: μ = 3 contra H₁: μ > 3), α = 0,05. Resultado esperado: rejeitar H₀ (média ≈ 4,4).
  • Gráfico sugerido: histograma dos chamados com a curva Poisson sobreposta (λ = 4,4).

2.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar a decisão: “há evidências estatísticas de que a média diária de chamados é superior a 3”.
  • Recomendar ações (revisão do plano de manutenção preventiva, análise de causa-raiz dos equipamentos críticos, lubrificação preditiva, treinamento de operadores).
  • Limites: amostra de 30 dias, possível subnotificação em dias de baixo movimento, ausência de estratificação por tipo de equipamento.

EQUIPE 3 — INSPEÇÃO SEM REPOSIÇÃO: HIPERGEOMÉTRICA (CASO BORDERLINE)

3.1 Contexto

A ConstruPrime Pré-fabricados Ltda. fabrica vigas de concreto. Antes do envio, uma amostra de 20 peças é inspecionada a partir de cada lote de 200 peças, sem reposição. A norma interna de aceitação exige que a proporção de peças defeituosas no lote não ultrapasse 3 %. Lotes acima desse limite são bloqueados. O controle de qualidade vem registrando proporções próximas do limite e quer evidência estatística antes de decidir pelo bloqueio sistemático.

3.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a proporção de defeituosos no lote é superior a 3 %, a partir de uma amostra de 20 peças por lote, em 30 lotes.

3.3 Base de Dados

Tabela 1 — Peças defeituosas encontradas em amostras de 20, em 30 lotes.

Lote Defeituosos Lote Defeituosos
1 1 16 1
2 0 17 2
3 1 18 1
4 2 19 0
5 1 20 2
6 0 21 1
7 2 22 1
8 1 23 0
9 1 24 2
10 0 25 1
11 2 26 1
12 1 27 0
13 1 28 2
14 0 29 1
15 2 30 1

3.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A proporção de defeituosos no lote é superior a 3 % (norma interna)?
  • Pergunta secundária 1: Por que a Binomial não é adequada neste cenário e a Hipergeométrica sim?
  • Pergunta secundária 2: Calcule a probabilidade de, em uma amostra de 20 peças de um lote com 6 defeituosos (3 %), encontrar 2 ou mais defeituosas.

3.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: proporção amostral média, desvio padrão, histograma do número de defeituosos por amostra.
  • Modelo probabilístico: Hipergeométrica (N = 200, n = 20, K = número de defeituosos no lote). Justificar pela amostragem sem reposição em população finita (n/N = 10 %).
  • Probabilidade: P(X ≥ 2 | N = 200, n = 20, K = 6) pela Hipergeométrica. Comparar com a aproximação Binomial (n · p = 20 · 0,03 = 0,6 < 5, indicando cautela).
  • Inferência: IC 95 % para a proporção de defeituosos no lote (Haldane-Anscombe ou Wilson).
  • Teste de hipótese: Z unilateral à direita para proporção (H₀: p = 0,03 contra H₁: p > 0,03), α = 0,05. Resultado esperado: borderline (p̂ ≈ 0,033; valor-p próximo de 0,05).
  • Gráfico sugerido: histograma do número de defeituosos por amostra, com a distribuição Hipergeométrica sobreposta.

3.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • O valor-p próximo de α exige interpretação crítica: a estatística, isoladamente, não resolve a decisão.
  • Recomendar combinar o resultado estatístico com evidências qualitativas (reclamações em obra, histórico do fornecedor de cimento, condições de cura) antes de bloquear lotes.
  • Limites: amostra de 30 lotes, amostragem com K desconhecido na população (estimado por p̂), ausência de estratificação por traço de concreto.

EQUIPE 4 — NÚMERO DE PEÇAS ATÉ A PRIMEIRA FALHA (GEOMÉTRICA)

4.1 Contexto

A FarmaPlus Embalagens Farmacêuticas S.A. produz frascos de vidro para medicamentos. Em um teste de durabilidade acelerada, conta-se o número de frascos produzidos até a ocorrência do primeiro defeito crítico (trinca). O plano de qualidade admite que a média de frascos produzidos entre defeitos seja de pelo menos 200 (taxa de defeito crítico ≤ 0,5 %). A produção atual tem apresentado primeiros defeitos antes do esperado.

4.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a média de frascos produzidos até o primeiro defeito é inferior a 200, com base em 30 sequências de produção.

4.3 Base de Dados

Tabela 1 — Número de frascos produzidos até a primeira falha (30 sequências, 2025).

Sequência Frascos Sequência Frascos
1 150 16 180
2 210 17 160
3 175 18 195
4 165 19 170
5 190 20 200
6 155 21 145
7 185 22 175
8 200 23 165
9 160 24 190
10 145 25 180
11 175 26 155
12 195 27 200
13 170 28 165
14 185 29 175
15 150 30 190

4.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A média de frascos até o primeiro defeito é inferior a 200 (meta do plano de qualidade)?
  • Pergunta secundária 1: Qual a probabilidade de o primeiro defeito ocorrer antes do frasco de número 100, admitindo uma Geométrica com p̂ = 1/180?
  • Pergunta secundária 2: Construir um intervalo de confiança de 95 % para a média da distribuição Geométrica.

4.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, desvio padrão, mínimo, máximo, histograma.
  • Modelo probabilístico: Geométrica (nº de tentativas até o 1º sucesso, em que “sucesso” = defeito). Justificar por ensaios de Bernoulli independentes até a primeira falha.
  • Probabilidade: P(X < 100) com p̂ = 1/180; comparar com Poisson(λ = 180).
  • Inferência: IC 95 % para μ = 1/p (transformação do IC para p).
  • Teste de hipótese: t unilateral à esquerda (H₀: μ = 200 contra H₁: μ < 200), α = 0,05. Resultado esperado: rejeitar H₀ (média ≈ 174).
  • Gráfico sugerido: histograma com a curva Geométrica sobreposta (p̂ = 1/174).

4.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar: “há evidências estatísticas de que a média de frascos até a primeira falha é inferior a 200”.
  • Recomendar revisão do processo de têmpera do vidro, controle de temperatura do forno, análise de variabilidade do fornecedor de matéria-prima.
  • Limites: 30 sequências, possível não estacionariedade do processo ao longo do ano.

EQUIPE 5 — TEMPO ENTRE FALHAS DE AEROGERADORES (EXPONENCIAL)

5.1 Contexto

A VentoSul Energia Renovável S.A. opera um parque eólico com 12 aerogeradores. O plano de manutenção estabelece que o tempo médio entre falhas (MTBF) deve ser de pelo menos 500 horas de operação contínua. A equipe de SRE (manutenção) tem registrado indisponibilidades mais frequentes, levantando a hipótese de que o MTBF esteja abaixo da meta.

5.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se o MTBF é inferior a 500 horas, com base em 30 registros de falhas.

5.3 Base de Dados

Tabela 1 — Tempo entre falhas (em horas) — 30 registros (2024–2025).

Registro Tempo (h) Registro Tempo (h)
1 380 16 490
2 450 17 360
3 320 18 600
4 580 19 410
5 410 20 430
6 500 21 390
7 350 22 520
8 640 23 310
9 370 24 560
10 420 25 410
11 470 26 480
12 330 27 340
13 550 28 620
14 400 29 440
15 490 30 410

5.4 Perguntas

  • Pergunta principal: O MTBF é inferior a 500 horas (meta do plano de manutenção)?
  • Pergunta secundária 1: A variável “tempo entre falhas” pode ser razoavelmente modelada por uma distribuição Exponencial? Justifique.
  • Pergunta secundária 2: Construir um intervalo de confiança de 95 % para o MTBF.

5.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, desvio padrão, mínimo, máximo, histograma.
  • Modelo probabilístico: Exponencial com média amostral μ̂. Justificar por processos sem memória (taxa de falha aproximadamente constante).
  • Probabilidade: P(X < 200) = 1 − exp(−200/μ̂).
  • Inferência: IC 95 % para a média da Exponencial baseado em (2·n·μ̂/χ²ₐ/₂, 2·n·μ̂/χ²₁₋ₐ/₂).
  • Teste de hipótese: t unilateral à esquerda (H₀: μ = 500 contra H₁: μ < 500), α = 0,05. Resultado esperado: não rejeitar H₀ (média ≈ 450; valor-p próximo de 0,10, mas estatística não conclusiva).
  • Gráfico sugerido: histograma com a curva Exponencial sobreposta (μ̂ = 450).

5.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar o resultado com cautela: a média está abaixo da meta, mas a evidência estatística é fraca.
  • Recomendar combinar o resultado com o custo de manutenção antes de decidir por retrofit.
  • Limites: amostra de 30 registros, possível mistura de aerogeradores de diferentes fornecedores, ausência de estratificação por fabricante e idade do equipamento.

EQUIPE 6 — REPROCESSOS POR LOTE COM SUPERDISPERSÃO (BINOMIAL NEGATIVA)

6.1 Contexto

A VittaFoods Indústria de Laticínios S.A. produz queijos frescais em lotes de 100 unidades. A norma interna admite até 4 reprocessos por lote em média. O controle de processo tem registrado superdispersão: alguns lotes apresentam muitos reprocessos, enquanto outros têm quase nenhum. A engenharia de qualidade quer avaliar se a média está acima do limite, e se a variabilidade justifica o uso de um modelo mais flexível que a Poisson.

6.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a média de reprocessos por lote é superior a 4, com base em 30 lotes.

6.3 Base de Dados

Tabela 1 — Reprocessos por lote (30 lotes, 2025).

Lote Reprocessos Lote Reprocessos
1 5 16 6
2 3 17 4
3 7 18 8
4 4 19 5
5 6 20 3
6 9 21 7
7 4 22 5
8 5 23 6
9 8 24 4
10 3 25 9
11 6 26 5
12 4 27 7
13 7 28 6
14 5 29 4
15 8 30 5

6.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A média de reprocessos por lote é superior a 4 (norma interna)?
  • Pergunta secundária 1: Por que a Poisson é inadequada neste cenário e a Binomial Negativa é mais indicada? Use a razão variância/média.
  • Pergunta secundária 2: Ajuste uma Binomial Negativa aos dados e estime seus parâmetros.

6.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, variância, desvio padrão, histograma. Comparar variância e média: se a razão for muito maior que 1, há superdispersão.
  • Modelo probabilístico: Binomial Negativa (nº de insucessos antes de r sucessos) com parâmetros estimados por máxima verossimilhança ou método dos momentos.
  • Probabilidade: P(X ≥ 7) sob Binomial Negativa ajustada.
  • Inferência: IC 95 % para a média (via t-Student, já que a Binomial Negativa converge para Normal em amostras grandes).
  • Teste de hipótese: t unilateral à direita (H₀: μ = 4 contra H₁: μ > 4), α = 0,05. Resultado esperado: rejeitar H₀ (média ≈ 5,5).
  • Gráfico sugerido: histograma dos reprocessos com a curva Binomial Negativa e a Poisson sobrepostas (para evidenciar a superdispersão).

6.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar: “há evidências estatísticas de que a média é superior a 4, com variabilidade superior à prevista por uma Poisson”.
  • Recomendar investigar causas especiais de variabilidade (lotes de matéria-prima, troca de turno, calibração de equipamentos) — a superdispersão sugere causas sistemáticas.
  • Limites: amostra de 30 lotes, Binomial Negativa com r estimado tem maior incerteza que a Poisson; checar convergência dos estimadores.

EQUIPE 7 — VARIABILIDADE DA ESPESSURA DE CHAPAS (QUI-QUADRADO PARA VARIÂNCIA)

7.1 Contexto

A InovaPlast Injeção Plástica S.A. produz chapas técnicas. O cliente automotivo exige que o desvio padrão da espessura das chapas não ultrapasse 0,05 mm (equivalente a um Cp ≥ 1,33). A engenharia de processo suspeita que a variabilidade esteja acima do exigido, especialmente após a troca de um lote de matéria-prima.

7.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se o desvio padrão da espessura é superior a 0,05 mm, com base em 30 medições.

7.3 Base de Dados

Tabela 1 — Espessura (em mm) de 30 chapas (amostra de produção, outubro/2025).

Amostra Espessura Amostra Espessura
1 2,48 16 2,55
2 2,52 17 2,46
3 2,50 18 2,53
4 2,55 19 2,49
5 2,47 20 2,52
6 2,51 21 2,50
7 2,53 22 2,48
8 2,49 23 2,54
9 2,52 24 2,51
10 2,50 25 2,47
11 2,46 26 2,53
12 2,54 27 2,50
13 2,49 28 2,48
14 2,51 29 2,52
15 2,53 30 2,50

7.4 Perguntas

  • Pergunta principal: O desvio padrão da espessura é superior a 0,05 mm (exigência do cliente)?
  • Pergunta secundária 1: Construir um intervalo de confiança de 95 % para a variância σ².
  • Pergunta secundária 2: Calcule o índice Cp assumindo LSE = 2,60 e LIE = 2,40, e interprete o resultado.

7.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, desvio padrão, mínimo, máximo, histograma, boxplot.
  • Modelo probabilístico: Normal (justificar pelo tipo de variável — espessura é contínua, resultante de múltiplos fatores somados).
  • Inferência: IC 95 % para σ² baseado em ( (n−1)·s²/χ²ₐ/₂, (n−1)·s²/χ²₁₋ₐ/₂ ).
  • Teste de hipótese: qui-quadrado unilateral à direita (H₀: σ² = 0,05² contra H₁: σ² > 0,05²), α = 0,05. Estatística de teste: χ² = (n−1)·s²/σ₀². Resultado esperado: tipicamente não rejeitar H₀ (s ≈ 0,027; χ² ≈ 8,1; crítico ≈ 42,6).
  • Gráfico sugerido: histograma com a curva Normal sobreposta; boxplot.

7.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar com clareza: “ao nível de 5 %, não há evidências estatísticas de que σ seja superior a 0,05 mm”.
  • Recomendar manter o controle atual, mas documentar a capacidade do processo (Cp, Cpk) para o cliente.
  • Limites: amostra de 30 chapas, normalidade presumida (verificar pelo histograma e por testes de normalidade se disponível).

EQUIPE 8 — ATRASO EM ENTREGAS (Z PARA PROPORÇÃO, σ CONHECIDO)

8.1 Contexto

A RotaCarga Logística e Transporte Ltda. firmou contrato com 5 clientes industriais. A cláusula contratual admite que no máximo 20 % dos pedidos sofram atraso superior a 2 dias úteis. O desvio padrão histórico do percentual de atrasos, em meses anteriores, é conhecido: σ = 4 % (estimado por cartas de controle). A gerência quer testar se a proporção atual de atrasos está acima do limite, usando a referência histórica de variabilidade.

8.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a proporção de pedidos com atraso é superior a 20 % (cláusula contratual), com base em uma amostra de 200 pedidos e σ histórico conhecido.

8.3 Base de Dados

Tabela 1 — Status de 200 pedidos do mês (outubro/2025): 1 = atraso > 2 dias úteis, 0 = dentro do prazo.

Resumo da amostra de 200 pedidos: - Pedidos com atraso > 2 dias úteis: 54 - Pedidos dentro do prazo: 146 - Total: 200 - Proporção amostral de atrasos: p̂ = 0,27 - Desvio padrão histórico: σ = 0,04

(Para fins de cálculo, a equipe pode trabalhar diretamente com p̂ e n = 200, ou simular 30 lotes de 200 para fins de treinamento.)

8.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A proporção de pedidos com atraso é superior a 20 % (cláusula contratual)?
  • Pergunta secundária 1: Construir um IC 95 % para a proporção de atrasos usando o σ histórico.
  • Pergunta secundária 2: Por que, neste cenário, o teste Z com σ conhecido é mais adequado que o teste Z com p̂ estimado?

8.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: proporção amostral, desvio padrão amostral, valor de σ histórico.
  • Modelo probabilístico: aproximação Normal para a proporção (n·p = 54 ≥ 5, n·(1−p) = 146 ≥ 5).
  • Inferência: IC 95 % para p usando σ conhecido: p̂ ± z_{α/2} · σ.
  • Teste de hipótese: Z unilateral à direita para proporção (H₀: p = 0,20 contra H₁: p > 0,20), α = 0,05, com σ = 0,04. Estatística: Z = (p̂ − p₀)/σ. Resultado esperado: rejeitar H₀ (Z = (0,27 − 0,20)/0,04 = 1,75; valor-p ≈ 0,04).
  • Gráfico sugerido: gráfico de barras com a proporção de atrasos por cliente e linha do limite contratual.

8.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar: “ao nível de 5 %, há evidências estatísticas de que a proporção de atrasos é superior a 20 %, com σ histórico conhecido”.
  • Recomendar ações (revisão do planejamento de frota, auditoria das rotas mais críticas, ampliação do quadro de motoristas em sazonalidade, análise de causa-raiz por cliente).
  • Limites: σ histórico pode não representar a variabilidade atual; verificar estabilidade do processo por carta de controle antes de aplicar.

EQUIPE 9 — PRODUTIVIDADE EM CÉLULA DE MANUFATURA (Z PARA MÉDIA, σ CONHECIDO)

9.1 Contexto

A Mineração PedraForte S.A. monitora a produtividade de uma célula de britagem em toneladas/hora. A meta de produção é de 35 toneladas/hora. O desvio padrão histórico do processo, controlado por CEP nos últimos 24 meses, é σ = 2 t/h. O engenheiro de produção quer testar se a produtividade média atual está abaixo da meta, usando a referência histórica.

9.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se a produtividade média da célula é inferior a 35 t/h, com base em 30 medições horárias e σ histórico conhecido.

9.3 Base de Dados

Tabela 1 — Produtividade horária (em t/h) — 30 medições (outubro/2025).

Medição t/h Medição t/h
1 34,8 16 35,2
2 35,1 17 34,6
3 34,5 18 35,4
4 35,3 19 34,9
5 34,7 20 35,0
6 35,0 21 34,8
7 34,6 22 35,2
8 35,1 23 34,7
9 34,9 24 35,3
10 35,0 25 34,8
11 34,5 26 35,1
12 35,2 27 34,6
13 34,7 28 35,0
14 35,1 29 34,9
15 34,8 30 35,2

9.4 Perguntas

  • Pergunta principal: A produtividade média é inferior a 35 t/h (meta), considerando σ histórico conhecido?
  • Pergunta secundária 1: Construir um IC 95 % para a média usando o σ histórico.
  • Pergunta secundária 2: Compare o resultado deste teste com o que seria obtido pelo teste t. Em que situação eles coincidem?

9.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média amostral, desvio padrão amostral, histograma.
  • Modelo probabilístico: Normal (justificar: produtividade é contínua, resultante de múltiplos fatores somados; σ conhecido por CEP).
  • Inferência: IC 95 % para μ com σ conhecido: x̄ ± z_{α/2} · σ/√n.
  • Teste de hipótese: Z unilateral à esquerda (H₀: μ = 35 contra H₁: μ < 35), α = 0,05, com σ = 2. Estatística: Z = (x̄ − 35)/(σ/√n). Resultado esperado: não rejeitar H₀ (x̄ ≈ 34,9; Z ≈ −0,27; valor-p ≈ 0,39).
  • Gráfico sugerido: histograma com a curva Normal sobreposta e a linha da meta.

9.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Reportar: “ao nível de 5 %, não há evidências estatísticas de que a produtividade média esteja abaixo da meta”.
  • Recomendar manter o processo, com monitoramento contínuo por CEP. A média está apenas 0,1 t/h abaixo da meta, dentro da variabilidade histórica.
  • Limites: σ histórico assume estabilidade do processo; se houver mudança de matéria-prima ou de equipe, σ deve ser reestimado.

EQUIPE 10 — TEMPO DE SETUP DE MÁQUINAS (TESTE t, BORDERLINE)

10.1 Contexto

A CentralAtende Indústria de Plásticos S.A. busca reduzir o tempo médio de setup (preparação) de uma injetora. A meta do programa de manufatura enxuta é de até 25 minutos por setup. O σ populacional é desconhecido e deve ser estimado a partir da amostra. A engenharia suspeita que o tempo esteja próximo da meta, sem conseguir afirmar com clareza se está acima ou abaixo.

10.2 Problema de Engenharia de Produção

Verificar se o tempo médio de setup é superior a 25 minutos (meta do programa), com base em 30 cronometragens e σ desconhecido.

10.3 Base de Dados

Tabela 1 — Tempo de setup (em minutos) — 30 cronometragens (setembro–outubro/2025).

Setup Tempo Setup Tempo
1 26,2 16 25,4
2 24,8 17 26,1
3 25,5 18 24,7
4 26,0 19 25,8
5 24,5 20 26,3
6 25,9 21 24,9
7 25,2 22 25,7
8 26,4 23 25,0
9 24,6 24 26,2
10 25,7 25 24,8
11 25,3 26 25,9
12 26,1 27 25,1
13 24,7 28 26,0
14 25,8 29 24,6
15 25,5 30 25,4

10.4 Perguntas

  • Pergunta principal: O tempo médio de setup é superior a 25 minutos (meta)?
  • Pergunta secundária 1: Construir um IC 95 % para o tempo médio de setup.
  • Pergunta secundária 2: Se o valor-p for próximo de 0,05, o que isso significa para a decisão? Que outras evidências devem ser buscadas?

10.5 Análise Estatística Esperada

  • Estatística descritiva: média, desvio padrão, histograma, boxplot.
  • Modelo probabilístico: Normal (justificar: tempo de setup é contínuo, soma de várias etapas aproximadamente simétricas; n = 30, pelo TLC).
  • Inferência: IC 95 % para μ com σ desconhecido: x̄ ± t_{α/2, n−1} · s/√n.
  • Teste de hipótese: t unilateral à direita (H₀: μ = 25 contra H₁: μ > 25), α = 0,05, com σ desconhecido. Estatística: t = (x̄ − 25)/(s/√n). Resultado esperado: borderline (x̄ ≈ 25,4; valor-p próximo de 0,05).
  • Gráfico sugerido: histograma com a curva Normal sobreposta; boxplot.

10.6 Orientação para Interpretação e Conclusão

  • Discutir o caso borderline: a estatística, isoladamente, não resolve.
  • Recomendar complementar com análise qualitativa (observação direta dos setups, mapeamento de desperdícios, balanceamento de operadores), buscar mais dados ou ampliar a amostra antes de decidir.
  • Limites: σ estimado a partir de 30 observações, presença de variabilidade entre operadores e produtos, ausência de estratificação por turno.

PARTE 3 — RUBRICA DE AVALIAÇÃO DO PROJETO INTEGRADOR

A avaliação do PI é feita por equipe, em escala de 0 a 10 pontos, distribuídos em cinco critérios ponderados.

Critério Descrição Pontuação Máxima
1. Clareza do problema e aderência ao contexto Capacidade da equipe de apresentar o problema de Engenharia de Produção com clareza, situando o cenário, o processo em análise e a relevância da questão para a tomada de decisão. 2,0
2. Organização e qualidade dos dados Apresentação completa da base de dados em tabela, identificação correta das variáveis e das escalas de medição, consistência e integridade dos dados, registro das fontes ou do processo de geração. 2,0
3. Aplicação correta dos conceitos estatísticos Uso correto das técnicas estatísticas: estatística descritiva, probabilidade com modelo teórico adequado, intervalo de confiança e teste de hipótese para uma única amostra. Coerência entre a técnica escolhida, o tipo de variável e a pergunta do problema. 3,0
4. Interpretação, conclusão e limites da análise Interpretação correta dos resultados em linguagem técnica, articulação com o problema de produção, recomendações fundamentadas e discussão explícita dos limites da análise (amostra, escopo, possíveis vieses, generalização). 2,0
5. Comunicação técnica e apresentação Qualidade do relatório escrito, correção gramatical, uso adequado de tabelas e gráficos com títulos, legendas e fontes, domínio do tempo no seminário, clareza na exposição oral, postura e resposta à arguição. 1,0
Total 10,0

3.1 Critérios de Desempate e Observações Complementares

  • Trabalhos entregues fora do prazo sofrerão desconto de 0,5 ponto por dia útil de atraso, até o limite de 2,0 pontos.
  • Caso duas ou mais equipes terminem empatadas, será considerado, como critério de desempate, o domínio técnico demonstrado na arguição oral.
  • Relatórios entregues sem a base de dados em tabela serão penalizados em 1,0 ponto no critério 2.
  • Gráficos sem título, sem legenda de eixos ou sem fonte serão penalizados em 0,5 ponto por gráfico no critério 5.
  • A simples apresentação de fórmulas ou resultados numéricos, sem interpretação no contexto do problema, implica nota zero no critério 4.
  • O uso de modelo probabilístico inadequado ao tipo de variável (por exemplo, Normal para contagens) implica penalização de até 1,0 ponto no critério 3, salvo justificativa explícita.
  • Em cenários com dados reais, o descumprimento de boas práticas de proteção de dados (anonimização, minimização) implica penalização de até 1,0 ponto no critério 4.

3.2 Escala Qualitativa de Referência (para devolutiva)

Faixa Conceito Descrição Sintética
9,0 a 10,0 Excelente Domínio pleno, com interpretação crítica e recomendações fundamentadas.
7,0 a 8,9 Bom Domínio consistente, com pequenas lacunas de interpretação.
5,0 a 6,9 Regular Aplicação correta das técnicas, mas com interpretação superficial.
3,0 a 4,9 Insuficiente Erros conceituais relevantes ou ausência de itens obrigatórios.
0,0 a 2,9 Insatisfatório Trabalho não atende aos requisitos mínimos do PI.

PARTE 4 — OBSERVAÇÕES FINAIS AOS ALUNOS

4.1 Limites da Análise Estatística

  • Os resultados obtidos refletem apenas a amostra coletada e as condições registradas no período de análise. Generalizações devem ser feitas com cautela.
  • Toda conclusão estatística está associada a uma margem de erro e a um nível de confiança. Não confundir “ausência de evidência” com “evidência de ausência”.
  • O tamanho da amostra influencia a precisão do intervalo de confiança e a potência do teste de hipótese. Amostras pequenas podem não detectar desvios relevantes.
  • A normalidade dos dados é um pressuposto para o teste t e Z. Em amostras pequenas, recomenda-se avaliar a forma do histograma e, se possível, realizar testes de normalidade. Desvios acentuados devem ser reportados.
  • Para o teste de proporção, o produto n·p e n·(1 − p) deve ser maior ou igual a 5 para que a aproximação pela Normal seja adequada.
  • A modelagem por Binomial, Poisson, Hipergeométrica, Geométrica, Binomial Negativa e Exponencial deve ser avaliada quanto à sua aderência ao fenômeno, e não assumida como verdade. Em particular: Poisson exige variância ≈ média; Hipergeométrica exige amostragem sem reposição em população finita; Binomial Negativa é indicada quando há superdispersão (variância > média); Geométrica é adequada para “número de tentativas até o 1º sucesso”.
  • O uso de σ histórico no teste Z é aceitável apenas se o processo estiver estável (sem mudança de matéria-prima, equipe ou método). Caso contrário, σ deve ser estimado da própria amostra e usa-se o teste t.

4.2 Ética e Proteção de Dados

  • Os dados deste PI são fictícios e foram elaborados com fins didáticos, mas devem ser tratados com o mesmo rigor que dados reais exigem.
  • É vedada a manipulação intencional de dados para obter resultados favoráveis. Se necessário, os dados podem ser depurados, com registro explícito do critério utilizado.
  • Em cenários com dados reais, deve-se observar a legislação aplicável de proteção de dados, anonimizando identificadores pessoais e minimizando a coleta ao necessário.
  • Citações a fontes externas (livros, artigos, manuais) devem seguir as normas da ABNT ou APA, conforme orientação do docente.
  • A autoria do trabalho é da equipe. Cópias, ainda que parciais, serão tratadas como plágio.

4.3 Coerência e Comunicação Técnica

  • O texto deve usar terminologia estatística precisa (por exemplo, “evidências estatísticas de que…”, “ao nível de 5 % de significância, rejeita-se H₀”), evitando afirmações categóricas como “comprovou-se que…”.
  • O gráfico deve ter título claro, rótulos nos eixos, legenda (quando necessário) e fonte. Cores devem ter função, não apenas efeito estético.
  • As conclusões devem articular o resultado estatístico com a decisão de produção, indicando a ação recomendada e os limites da recomendação.
  • Em cenários com resultado borderline (valor-p próximo de α), a equipe deve explicitar a incerteza e discutir o que isso significa para a decisão, em vez de “forçar” uma conclusão.
  • A apresentação oral deve respeitar o tempo e priorizar a síntese: problema, método, resultado principal, conclusão e recomendação. Cálculos detalhados ficam no relatório escrito.

4.4 Sugestões de Boas Práticas

  • Construir a base de dados em planilha eletrônica desde o início, registrando unidades de medida, timestamps e data de coleta.
  • Conferir se as perguntas do cenário estão todas respondidas no relatório, com a técnica estatística adequada a cada uma.
  • Revisar o relatório com atenção à coerência entre as perguntas, a análise, a conclusão e as referências.
  • Ensaiar a apresentação oral, cronometrando o tempo e definindo quem apresenta cada parte.
  • Ao utilizar software (Excel, Google Sheets, LibreOffice Calc, R, Python, Minitab, etc.), registrar no relatório as fórmulas ou comandos utilizados, para garantir rastreabilidade e transparência.
  • Ao ajustar modelos (Binomial Negativa, Exponencial, Geométrica), comparar visualmente a curva ajustada com o histograma e reportar a qualidade do ajuste.

FIM DO PROJETO INTEGRADOR — ESTATÍSTICA I (ENGENHARIA DE PRODUÇÃO)