“iNTRUDUÇÃO”

objetivo deste texto é demonstrar que não há mais viabilidade nem para a previdência por capitalização (fundos de pensão) , devido ao cenário de impressão de moeda, nem para a previdência por repartição (INSS), em razão do colapso demográfico, para as futuras gerações.

Em “Seis Lições” de Ludwig Von Mises, a inflação real não deve ser confundida com o aumento dos preços medido por índices oficiais, mas sim entendida como o aumento da base monetária. Um exemplo claro é o caso da Argentina: entre janeiro de 2020 e setembro de 2022, a base monetária do país cresceu mais de 200%. Isso demonstra que quem investiu com base na taxa de juros definida pelo Banco Central argentino sofreu perdas expressivas, disfarçadas por índices de inflação que não refletem a verdadeira desvalorização da moeda.

A diferença recorrente entre a inflação medida pelos preços, e aquela relacionada à expansão da base monetária pode ser atribuída aos ganhos de produtividade gerados por avanços tecnológicos, além de economias de escala e de escopo. Em sistemas de moeda fiduciária (fiat), os governos conseguem capturar parte desses ganhos ao aumentar a quantidade de moeda em circulação, reduzindo seu poder de compra. Em vez de considerar a inflação em seu sentido mais amplo — o crescimento da oferta monetária —, a atenção costuma se concentrar apenas nos índices de preços. Esse processo recebe o nome de senhoriagem, que corresponde ao benefício econômico obtido pelo Estado em razão de seu monopólio sobre a emissão de moeda.

Entre janeiro de 1995 e setembro de 2022, a base monetária do real (M1) passou de R$ 18,217 bilhões para R$ 591,754 bilhões — um aumento de 32,48 vezes. No mesmo período, o agregado M2 cresceu de R$ 139 bilhões para R$ 4,724 trilhões — um aumento de 33,98 vezes. Esse crescimento expressivo representa a inflação real, medida pelo aumento da base monetária, e estabelece, portanto, a taxa mínima de retorno necessária para que não haja perda real, nem renúncia aos ganhos de produtividade. Vale destacar que esse cálculo não inclui qualquer remuneração adicional por tempo (maturidade) ou por riscos associados ao investimento.

Além disso, existe um efeito composto ainda mais perverso: qualquer realização do “investimento” sofre incidência de Imposto de Renda ou imposto sobre ganhos de capital, sem qualquer correção monetária do valor original. Ou seja, o investidor, além de já ter perdido poder de compra devido à diluição da moeda, ainda é tributado sobre a própria inflação monetária. Isso significa um duplo benefício para o governo: ele se apropria do ganho via expansão da base monetária e, posteriormente, tributa o investidor sobre uma suposta valorização que nada mais é do que correção inflacionária.

1.3

’Segundo as séries históricas do IPEADATA e IBGE o crescimento populacional e a mudança da estrutura etária contribuíram para transformar o Brasil em uma das dez maiores economias do mundo. Porém, como dito anteriormente, o bônus demográfico é um fenômeno temporário e tem prazo de validade. Adicionalmente, pouco contribui o fato de haver muitas pessoas em idade produtiva se a situação do mercado de trabalho não garante o pleno emprego e o trabalho decente. Também, pouco contribui a redução da razão de dependência demográfica se os jovens não conseguem se inserir adequadamente nas atividades produtivas e se há uma retirada precoce do mercado de trabalho

Conforme demonstrado, os sistemas de previdência por capitalização tornaram-se inviáveis em um ambiente de juros reais e inflação, cenário este agravado pelos “alívios quantitativos” e pelas “medidas extraordinárias” adotadas em resposta à pandemia. Nesse contexto, não há retornos reais nem em instrumentos de renda fixa — nem em ativos de renda variável. Se os mercados tradicionais geram perdas reais de forma sistemática e ainda impõe tributação sobre ganhos nominais que apenas corrige a inflação monetária, torna-se inviável a capitalização como meio de garantir renda na velhice.

’Já o modelo de previdência por repartição, baseado na solidariedade intergeracional — em que as contribuições dos trabalhadores ativos financiam os benefícios dos aposentados —, só é sustentável quando há crescimento do número de contribuintes proporcional, no mínimo, ao crescimento do número de beneficiários. No entanto, como demonstrado pelos dados demográficos, as taxas de fertilidade são insuficientes e continuam em queda. Isso implica que, nas próximas décadas, o número de idosos e pessoas fora da força de trabalho continuará aumentando, enquanto o número de contribuintes diminuirá. Essa tendência é agravada pela queda expressiva na população ocupada e, dentro dela, na formalidade, o que compromete ainda mais a arrecadação tributária e previdenciária.

‘Conclusão’

Com isso, para as futuras gerações o que resta são opções de hedge — como ouro e bitcoin — e ativos com retorno consistentemente inferior à inflação monetária (medida pelo M2), como o Ibovespa e a taxa Selic, respectivamente diante do colapso demográfico, da ubiquidade da internet, da explosão do teletrabalho e da migração massiva para o comércio digital. Essa tendência deve se prolongar até o colapso estrutural dos pilares atuais: bancos centrais, moedas fiduciárias e o modelo de Estado de bem-estar social. Isso porque os governos enfrentam uma armadilha fiscal: não conseguem aumentar a arrecadação, tampouco cortar gastos de maneira significativa. Assim, resta apenas a impressão monetária como solução formal. Nesse cenário, insistir em chamar de “investimento” qualquer ativo cuja expectativa líquida de retorno fique abaixo do crescimento da base monetária seria um erro e portanto gostaria de deixa claro para as novas geráções do que pode acontcer, eo que sera melhor a se fazer com o seu dineiro.

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