Seja \(D\) o número de itens não conformes em uma amostra de \(n\), com \(p\) = probabilidade constante de não conformidade — a mesma distribuição Binomial detalhada na Aula 2:
Hipóteses: \(n\) constante a cada amostra, \(p\) estável no tempo, itens independentes entre si
Verificando a Aproximação Normal para o Gráfico \(p\)
Os limites \(\pm 3\sigma\) do gráfico \(p\) assumem que \(\hat p \approx \text{Normal}\) — válido quando \(n\bar p\) e \(n(1-\bar p)\) são suficientemente grandes. No Exemplo 7.1 do livro (\(n=50\), \(\bar p=0{,}23\)): \(n\bar p \approx 11{,}6\) — confortavelmente acima de 5.
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# Distribuicao exata de D ~ Binomial(50, 0.2313) vs. aproximacao Normalp_ex <-0.2313; n_ex <-50x_vals <-0:30prob_bin <-dbinom(x_vals, n_ex, p_ex)# Normal com mesmos parametrossigma_ex <-sqrt(n_ex * p_ex * (1- p_ex))prob_norm <-dnorm(x_vals, n_ex * p_ex, sigma_ex)df_comp <-data.frame(x =c(x_vals, x_vals),prob =c(prob_bin, prob_norm),tipo =rep(c("Binomial(50, 0.23)", "Aprox. Normal"), each =length(x_vals)))ggplot(df_comp, aes(x, prob, color = tipo)) +geom_line(linewidth =1.1) +geom_vline(xintercept =c(n_ex*p_ex -3*sigma_ex, n_ex*p_ex +3*sigma_ex),linetype ="dashed", color = pal["coral"], alpha = .6) +scale_color_manual(values =c(unname(pal["azul"]), unname(pal["ambar"]))) +labs(title ="Binomial(50, 0.23) vs. Aproximação Normal — Exemplo 7.1",x ="D (não conformes)", y ="Probabilidade", color ="") +tema_cep()
Gráfico \(p\): Padrão Dado
\[LSC = p + 3\sqrt{\frac{p(1-p)}{n}} \qquad LM = p \qquad LIC = p - 3\sqrt{\frac{p(1-p)}{n}}\]
Esta é exatamente a mesma estrutura do teste-Z para proporção — só que aqui \(L=3\) no lugar de \(Z_{\alpha/2}\), e o gráfico é lido como uma sequência repetida no tempo, não como um teste único
Quando \(p\) não é conhecido, estima-se \(\bar p\) a partir de \(m \geq 20\) amostras preliminares
Gráfico \(p\): Estimando \(\bar{p}\) na Fase I — Exemplo 7.1
Os parâmetros abaixo são os valores exatos do Exemplo 7.1 de Montgomery: \(m=30\) amostras de \(n=50\), total de 347 não conformes (Tabela 7.1).
Limites Tentativos e a Regra do Truncamento em Zero
Os limites calculados a partir de \(\bar p\) são tentativos — válidos apenas após a depuração da Fase I
Como \(p \geq 0\) por definição, sempre que \(LIC < 0\), define-se \(LIC = 0\)
Um \(LIC\) positivo é informativo: pontos abaixo dele sinalizam uma melhoria real do processo, não devem ser descartados como “erro”
Depurando a Fase I no Gráfico \(p\)
Pontos acima do \(LSC\): processo piorou — buscar causa atribuível (lote de matéria-prima, novo operador, desgaste de ferramenta)
Pontos abaixo do \(LIC\) (quando \(LIC>0\)): processo melhorou — investigar e preservar a causa, não eliminar o subgrupo
Subgrupos eliminados por causa atribuível identificada exigem recálculo de \(\bar p\) e dos limites
Exemplo Real: Embalagens de Suco de Laranja (Montgomery, Exemplo 7.1)
Exemplo 7.1 — Montgomery, p. 367–373
Suco de laranja concentrado e congelado é embalado em embalagens de papelão de 6 oz. Uma máquina faz essas embalagens, enrolando o papelão e colocando um fundo de metal. Pela inspeção de uma dessas embalagens, pode-se determinar se, quando cheia, poderá vazar ao longo da junta lateral do papelão ou em volta da junção do fundo. Tal embalagem não conforme tem uma vedação imprópria na junção lateral ou na junção do fundo. Estabeleça um gráfico de controle para melhorar a fração de embalagens não conformes produzidas por essa máquina.
Para estabelecer o gráfico, selecionaram-se 30 amostras, com \(n=50\) embalagens cada, a intervalos de meia hora, por um período de três turnos, durante os quais a máquina operou continuamente (Tabela 7.1).
D_suco <-c(12,15,8,10,4,7,16,9,14,10,5,6,17,12,22,8,10,5,13,11,20,18,24,15,9,12,7,13,9,6)cat(sprintf("Total de amostras: %d | Total não conformes: %d | p_bar = %.4f\n",length(D_suco), sum(D_suco), sum(D_suco)/(30*50)))
Total de amostras: 30 | Total não conformes: 347 | p_bar = 0.2313
Suco de Laranja — Gráfico \(p\) Tentativo (Fase I)
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g_suco <-qcc(D_suco, type ="p", sizes =50, plot =FALSE)plot_carta(g_suco$statistics, g_suco$center, g_suco$limits[1,"LCL"], g_suco$limits[1,"UCL"],"Gráfico p - Embalagens de Suco (Fase I, tentativo)", ylab ="Proporção não conforme")
which(D_suco/50> g_suco$limits[1,"UCL"])
[1] 15 23
Suco de Laranja — Investigando os Pontos Fora
As amostras 15 e 23 excedem o \(LSC\) — exatamente como reportado pelo livro
Amostra 15: um novo fardo de papelão entrou em produção naquela meia hora — lote de matéria-prima como causa atribuível
Amostra 23: um operador inexperiente foi temporariamente alocado à máquina
Ambas têm causa documentada e justificam a remoção do cálculo dos limites — mas não do gráfico, que deve registrar a anotação para referência futura
Suco de Laranja — Limites Revisados
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D_revisado <- D_suco[-c(15, 23)]g_suco_rev <-qcc(D_revisado, type ="p", sizes =50, plot =FALSE)plot_carta(g_suco_rev$statistics, g_suco_rev$center, g_suco_rev$limits[1,"LCL"], g_suco_rev$limits[1,"UCL"],"Gráfico p - Embalagens de Suco (limites revisados, 28 amostras)", ylab ="Proporção não conforme")
Planejamento do Gráfico \(p\): Quanto Vale a Pena Amostrar?
Montgomery (Seção 7.2.1) chama atenção para uma armadilha: se \(n\) for pequeno demais, uma única unidade não conforme já pode soar como “fora de controle” — o que é estatisticamente inevitável e não significa processo descontrolado. Três critérios práticos resolvem isso, todos derivados do mesmo \(LSC\)/\(LIC\) que já usamos:
Garantir alta probabilidade de observar ao menos 1 não conforme por amostra
Garantir ~50% de chance de detectar um deslocamento específico de \(p\) (Duncan, 1986)
Garantir \(LIC>0\), criando um mecanismo automático de alerta para melhorias
Abordagem 1: Garantir Pelo Menos 1 Não Conforme na Amostra
Queremos \(n\) tal que \(P(D \geq 1) \geq \gamma\), ou seja \(P(D=0) \leq 1-\gamma\). Usando a Binomial exata ou sua aproximação Poisson (\(\lambda = np\)):
n exato (Binomial) = 299 | lambda minimo = 2.996 | n (Poisson, lambda~3) = 300
O livro-texto resolve a Binomial exata e chega a \(n=298\); a aproximação de Poisson, mais simples de aplicar manualmente, arredonda \(\lambda=np\) para 3 e resulta em \(n=300\) — o valor usualmente citado em sala de aula.
Abordagem 2 (Duncan, 1986): Detectar um Deslocamento com 50% de Chance
Escolha \(n\) de modo que o \(LSC\) coincida exatamente com a nova fração não conforme \(p_1 = p+\delta\) após um deslocamento de tamanho \(\delta\):
\[n = \left(\frac{L}{\delta}\right)^2 p(1-p)\]
Exemplo (Montgomery):\(p=0{,}01\), deslocamento para \(p_1=0{,}05\) (\(\delta=0{,}04\)), \(L=3\).
p0 <-0.01; delta <-0.04; L <-3n_duncan <- (L/delta)^2* p0 * (1- p0)cat(sprintf("n (Duncan) = %.2f -> arredondando para cima: n = %d\n", n_duncan, ceiling(n_duncan)))
n (Duncan) = 55.69 -> arredondando para cima: n = 56
Abordagem 3: Garantir um \(LIC\) Positivo
Um \(LIC>0\) funciona como um mecanismo automático de alerta de melhoria: qualquer amostra com poucos não conformes já dispara uma investigação (boa notícia) em vez de passar despercebida. Da condição \(p - L\sqrt{p(1-p)/n} > 0\):
\[n > \frac{L^2(1-p)}{p}\]
Exemplo (Montgomery):\(p=0{,}05\), \(L=3\). Note que a desigualdade é estrita — o resultado bruto deve ser arredondado para o próximo inteiro, não simplesmente truncado.
Um deslize comum é arredondar \(171{,}0\) “para baixo” e aceitar \(n=171\) — mas, nesse valor exato, \(LIC=0\) (não positivo). O critério estrito do livro-texto exige \(n \geq 172\).
O Gráfico \(np\): Contagem em Vez de Proporção
Equivalente ao gráfico \(p\), mas plota diretamente o número de não conformes \(D\), não a proporção \(\hat p\)
Mais intuitivo para operadores (“12 peças ruins” é mais direto que “0,12”)
Só é válido quando \(n\) é constante entre amostras
Construindo o Gráfico \(np\) no R (Montgomery, Exemplo 7.2)
Exemplo 7.2 — Montgomery, p. 375
Estabeleça o gráfico de controle \(np\) para o processo de embalagens de suco de laranja concentrado do Exemplo 7.1, usando os dados da Tabela 7.1 (\(\bar p = 0{,}2313\), \(n=50\)).
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g_np <-qcc(D_suco, type ="np", sizes =50, plot =FALSE)plot_carta(g_np$statistics, g_np$center, g_np$limits[1,"LCL"], g_np$limits[1,"UCL"],"Gráfico np - Embalagens de Suco (Exemplo 7.2)", ylab ="Número de não conformes")
\(p\) ou \(np\)? Critério de Decisão
Critério
Use \(p\)
Use \(np\)
Tamanho de amostra
Fixo ou variável
Apenas fixo
Leitura para o operador
Proporção (abstrata)
Contagem (concreta)
Comparação entre linhas com \(n\) diferentes
Direta
Não comparável
Estatisticamente são equivalentes — a escolha é puramente de comunicação e contexto operacional.
O Desafio do Tamanho de Amostra Variável
Em processos reais (ex.: 100% de inspeção de um lote que varia de tamanho dia a dia), \(n_i\) muda a cada amostra. Três abordagens são possíveis:
Limites variáveis: recalcular \(LSC_i\), \(LIC_i\) para cada \(n_i\) — preciso, mas visualmente “serrilhado”
Tamanho médio \(\bar n\): usar um único par de limites aproximados — simples, porém impreciso quando \(n_i\) varia muito
Gráfico \(Z\) padronizado: plotar \((\hat p_i - \bar p)/\sigma_{\hat p_i}\), com limites fixos em \(\pm 3\)
Exemplo Real: Ordens de Compra (Montgomery, Tabela 7.4)
Montgomery, Tabela 7.4 — Ordens de Compra (Seção 7.2.2)
O setor de compras de uma grande companhia aeroespacial emite ordens de compra para fornecedores. Os tamanhos das amostras são os números efetivos de ordens emitidas a cada semana — portanto não constantes. Uma ordem não conforme é uma ordem com erro (especificação incorreta de número de peças, data de entrega incorreta ou informação incorreta do fornecedor). Qualquer desses erros pode resultar em uma mudança da ordem, o que é dispendioso e pode atrasar a entrega. Use os dados das 25 semanas para demonstrar as três abordagens de gráfico \(p\) com tamanho variável de amostra.
n_var <-c(100,80,80,100,110,110,100,100,90,90,110,120,120,120,110,80,80,80,90,100,100,100,100,90,90)D_var <-c(12,8,6,9,10,12,11,16,10,6,20,15,9,8,6,8,10,7,5,8,5,8,10,6,9)cat(sprintf("Total de amostras: %d | Total de ordens: %d | Total não conformes: %d | p_bar = %.4f\n",length(D_var), sum(n_var), sum(D_var), sum(D_var)/sum(n_var)))
Total de amostras: 25 | Total de ordens: 2450 | Total não conformes: 234 | p_bar = 0.0955
Abordagem 1: Limites Variáveis no R
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g_pvar <-qcc(D_var, type ="p", sizes = n_var, plot =FALSE)df_var <-data.frame(t =seq_along(D_var),phat = g_pvar$statistics,lcl = g_pvar$limits[,"LCL"],ucl = g_pvar$limits[,"UCL"])ggplot(df_var, aes(t, phat)) +geom_step(aes(y = ucl), color = pal["coral"], linetype ="dashed", linewidth = .8) +geom_step(aes(y = lcl), color = pal["coral"], linetype ="dashed", linewidth = .8) +geom_hline(yintercept = g_pvar$center, color = pal["verde"], linewidth = .8) +geom_line(color = pal["neutro"], linewidth = .6) +geom_point(color = pal["azul"], size =2.6) +labs(title ="Gráfico p - Ordens de Compra (limites variáveis)",x ="Amostra", y ="Proporção não conforme") +tema_cep()
A amostra 11 (\(\hat p=0{,}182\)) fica próxima do \(LSC\) aproximado, mas, contra seu \(LSC\)exato (0,180), ela sinaliza fora de controle.
Válido como aproximação quando os \(n_i\) não variam mais do que cerca de 25% em torno de \(\bar n\) — atenção redobrada com pontos próximos do limite aproximado.
plot_carta(Z, 0, -3, 3, "Gráfico Z padronizado - Ordens de Compra", ylab ="Z")
Sempre \(LM=0\), \(LSC=+3\), \(LIC=-3\) — independentemente de quão variado seja o histórico de tamanhos de amostra.
Atributos em Serviços e Operações Financeiras
O CEP de atributos é a ferramenta natural para processos administrativos: erros de digitação, faturas incorretas, chamadas mal atendidas
“Não conforme” pode ser uma transação com qualquer divergência; “não conformidade” pode ser cada campo incorreto num formulário
O tamanho amostral \(n\) costuma ser o volume diário de transações — frequentemente variável, reforçando a importância do gráfico \(Z\)
Definindo o “Defeito” em Serviços
Diferente da manufatura, o “defeito” em serviços nem sempre é visualmente óbvio — precisa de uma definição operacional rigorosa e documentada
Exemplo: “uma entrega é considerada não conforme se exceder 24 horas após a confirmação, sem ressalva climática ou força maior”
Sem essa precisão, diferentes inspetores classificam o mesmo evento de formas diferentes — contaminando o próprio \(\hat p\) com variação de julgamento, não do processo
Comparando Unidades Antes de Combinar Dados
Antes de unir dados de duas agências, turnos ou equipes num único gráfico \(p\), vale testar se são estatisticamente comparáveis — usando a mesma lógica do teste de duas proporções da Aula 2:
Para o gráfico de controle da fração não conforme com \(n=50\), \(LIC=0{,}0303\) e \(LSC=0{,}3697\) (equivalente a \(\bar p = 0{,}20\), limites \(3\sigma\)), calcule a probabilidade de erro tipo II \(\beta\) para vários valores da fração não conforme do processo \(p_1\). Em particular, qual é a chance de não detectar, na primeira amostra, um deslocamento para \(p_1=0{,}30\)?
n <-50; LSC_np <-18; LIC_np <-1; p1 <-0.30beta <-pbinom(LSC_np, n, p1) -pbinom(LIC_np -1, n, p1)cat(sprintf("beta = %.4f\n", beta))
beta = 0.8594
Curva OC do Gráfico \(p\) — Reproduzindo a Tabela 7.6
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n <-50; LSC_np <-18; LIC_np <-1p_seq <-c(0.01,0.03,0.05,0.10,0.15,0.20,0.25,0.30,0.35,0.40,0.45,0.50,0.55)beta_seq <-sapply(p_seq, function(p) pbinom(LSC_np, n, p) -pbinom(LIC_np -1, n, p))ggplot(data.frame(p = p_seq, beta = beta_seq), aes(p, beta)) +geom_line(color = pal["roxo"], linewidth =1.2) +geom_point(color = pal["roxo"], size =2) +geom_vline(xintercept =0.20, color = pal["verde"], linetype ="dashed") +labs(title ="Curva OC do gráfico p (n=50, p_bar=0.20) - Figura 7.11 do livro-texto",x =expression(p[1]), y =expression(beta)) +tema_cep()
Sob controle (\(p=\bar p=0{,}20\)), um falso alarme ocorre a cada 370 amostras, em média — o “\(1/\alpha \approx 370\)” característico de qualquer gráfico de Shewhart \(3\sigma\). Após o deslocamento para \(p=0{,}30\), são necessárias, em média, ~7 amostras para detectá-lo. Se isso for lento demais, as alternativas do livro são: aumentar \(n\), amostrar com mais frequência, ou trocar para um gráfico CUSUM/MMEP (Capítulo 9).
O Efeito de \(n\) na Detecção: Atributos vs. Variáveis
Para detectar o mesmo deslocamento relativo, um gráfico de atributos tipicamente precisa de \(n\) uma ordem de grandeza maior que um gráfico de variáveis equivalente
Isso não é uma falha do gráfico de atributos — é uma consequência matemática de se trabalhar com informação binária (0/1) em vez de uma medida contínua
A decisão entre os dois tipos de gráfico envolve esse trade-off: custo de medição vs. velocidade de detecção
Quando o Custo de \(n\) Maior Vale a Pena
Em processos de altíssimo volume (ex.: linhas automatizadas, transações bancárias), aumentar \(n\) tem custo marginal próximo de zero — o gráfico de atributos se torna competitivo mesmo com sua menor eficiência estatística
Em processos de baixo volume e alto custo de inspeção, a ineficiência do atributo pesa mais — vale investir em medição numérica sempre que possível
Base Poisson do Gráfico \(c\)
Quando o interesse é o número de não conformidades (não unidades) por unidade de inspeção, e há infinitas oportunidades de defeito com probabilidade pequena e constante por oportunidade — a mesma distribuição de Poisson detalhada na Aula 2:
O desvio-padrão é \(\sqrt{\bar c}\), consequência direta da propriedade Var(X) = E(X) da Poisson
Estimando a Contagem Global \(\bar{c}\)
\[\bar{c} = \frac{\sum c_i}{m}\]
Estimada a partir de \(m\) unidades de inspeção coletadas na Fase I, da mesma forma que \(\bar p\) no gráfico de fração
Exemplo Real: Placas de Circuito Impresso (Montgomery, Exemplo 7.3)
Exemplo 7.3 — Montgomery, p. 384–388
A Tabela 7.7 apresenta o número de não conformidades observadas em 26 amostras sucessivas de 100 placas de circuito impresso. Por questões de conveniência operacional, a unidade de inspeção é definida como 100 placas (não uma placa individual). Construa o gráfico de controle para não conformidades (\(c\)) e verifique se o processo estava sob controle estatístico quando os dados foram coletados.
defeitos_pci <-c(21,24,16,12,15,5,28,20,31,25,20,24,16,19,10,17,13,22,18,39,30,24,16,19,17,15)cat(sprintf("Total de amostras: %d\nTotal de não conformidades: %d\n",length(defeitos_pci), sum(defeitos_pci)))
Total de amostras: 26
Total de não conformidades: 516
PCI — Estimando \(\bar{c}\) e os Limites Tentativos
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g_pci <-qcc(defeitos_pci, type ="c", plot =FALSE)plot_carta(g_pci$statistics, g_pci$center, g_pci$limits[1,"LCL"], g_pci$limits[1,"UCL"],"Gráfico c - Placas de Circuito Impresso (Fase I)", ylab ="Não conformidades")
A amostra 6 (5 defeitos) está abaixo do \(LIC\): o livro atribui isso a um novo inspetor que não reconhecia todos os tipos de não conformidade — um problema de medição, não de processo
A amostra 20 (39 defeitos) excede o \(LSC\): atribuída a um problema de controle de temperatura na máquina de solda
Ambas têm causa atribuível identificada e documentada — por isso podem ser removidas e os limites recalculados
O livro-texto constrói a curva OC do Exemplo 7.3 a partir dos limites tentativos originais (\(LIC=6{,}48\), \(LSC=33{,}22\), antes da depuração) — não dos limites revisados. São esses os limites que efetivamente sinalizaram as amostras 6 e 20 como fora de controle, e é sobre essa decisão que a curva OC informa.
Curva OC do Gráfico \(c\) (Montgomery, Tabela 7.13 e Figura 7.19)
\(\beta(c_1{=}20)=0{,}997\), \(\beta(c_1{=}25)=0{,}950\), \(\beta(c_1{=}33)=0{,}546\). Os limites revisados (\(\bar c \approx 19{,}7\)) são os que efetivamente valem para a Fase II de monitoramento.
Quando os Limites \(3\sigma\) Falham no Gráfico \(c\)
Quando a taxa de defeitos cai abaixo de cerca de 1.000 ocorrências por milhão (ppm), os gráficos \(c\) e \(u\) convencionais perdem utilidade
Mesmo antes desse extremo, quando \(\bar c\) é pequeno, a Poisson é visivelmente assimétrica — a aproximação Normal usada em \(\pm 3\sigma\) subestima a cauda direita e pode gerar \(LIC\) artificialmente alto
Solução intermediária: usar limites de probabilidade exatos, baseados nos quantis da própria Poisson, em vez do atalho \(\pm 3\sigma\)
Limites Exatos via Poisson no R
Exemplo:\(\bar c = 2\) — caso de contagem baixa, onde a assimetria é evidente.
Quando a Taxa Cai Ainda Mais: o Limite do Próprio Gráfico \(c\)
Mesmo com limites exatos, há um ponto em que o gráfico \(c\) deixa de ser informativo: quando a maioria das amostras tem zero defeitos
Um gráfico que mostra zero repetidamente não diferencia “processo excelente” de “processo em deterioração lenta”
A solução nesse regime não é ajustar os limites — é trocar a variável monitorada inteiramente, como veremos na seção de TBE
O Diagrama de Pareto como Ferramenta Complementar
Quando um gráfico \(c\) ou \(u\) sinaliza fora de controle, o próximo passo é perguntar qual tipo de não conformidade dominou
O Princípio de Pareto (poucos tipos respondem pela maioria dos defeitos) orienta onde investir o esforço de melhoria
Pareto de Causas no R com ggplot2
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tipos <-data.frame(defeito =c("Solda fria","Componente ausente","Trilha rompida","Outros"),freq =c(45, 28, 12, 8))tipos <- tipos[order(-tipos$freq), ]tipos$defeito <-factor(tipos$defeito, levels = tipos$defeito)ggplot(tipos, aes(defeito, freq)) +geom_col(fill = pal["ambar"]) +labs(title ="Diagrama de Pareto - Tipos de Não Conformidade em PCI",x ="", y ="Frequência") +tema_cep() +theme(axis.text.x =element_text(angle =20, hjust =1))
Áreas Instáveis: a Motivação do Gráfico \(u\)
Se a área ou volume inspecionado varia a cada amostra (metros de cabo, m² de tecido, número de transações), o gráfico \(c\) infla artificialmente com o tamanho da oportunidade
É necessário normalizar a contagem pela área exposta, criando uma densidade de defeitos
O denominador \(n\) aparece dentro da raiz — exatamente como no gráfico \(p\) — amostras maiores produzem faixas mais estreitas
Exemplo Real: Erros em Embarques (Montgomery, Exemplo 7.4)
Exemplo 7.4 — Montgomery, p. 390
Um grupo de engenharia da cadeia de suprimentos monitora embarques de materiais através da rede de distribuição da companhia. Erros na entrega do material ou na documentação que o acompanha são observados semanalmente. A cada semana, 50 embarques selecionados aleatoriamente são examinados e os erros registrados. Os dados para 20 semanas são apresentados na Tabela 7.10. Estabeleça um gráfico de controle \(u\) para o monitoramento desse processo.
x_emb <-c(2,3,8,1,1,4,1,4,5,1,8,2,4,3,4,1,8,3,7,4)cat(sprintf("Total de semanas: %d | Total de erros: %d | u_bar = %.4f\n",length(x_emb), sum(x_emb), sum(x_emb)/(20*50)))
Total de semanas: 20 | Total de erros: 74 | u_bar = 0.0740
Construindo o Gráfico u no R (n constante)
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g_u <-qcc(x_emb, type ="u", sizes =50, plot =FALSE)plot_carta(g_u$statistics, g_u$center, max(0, g_u$limits[1,"LCL"]), g_u$limits[1,"UCL"],"Gráfico u - Erros em Embarques (Exemplo 7.4)", ylab ="Erros por embarque")
Os dados preliminares não indicam falta de controle — esses limites tentativos seriam adotados diretamente para a Fase II. Mas note: mesmo “sob controle”, a taxa média de quase 1 erro a cada 13 embarques (\(\bar u=0{,}074\)) é alta — o gráfico confirma estabilidade, não qualidade aceitável.
Exemplo Real: Tecido Tingido com Amostra Variável (Montgomery, Exemplo 7.5)
Exemplo 7.5 — Montgomery, p. 393
Em uma fábrica de acabamento de tecido, inspeciona-se o tecido tingido à procura da ocorrência de defeitos por 50 metros quadrados (esta é a unidade de inspeção). Os dados relativos a dez rolos de tecido são exibidos na Tabela 7.11 — cada rolo tem comprimento diferente, logo o número de unidades de inspeção \(n_i\) (em múltiplos de 50 m²) varia por rolo. Use esses dados para estabelecer um gráfico de controle para não conformidades por unidade.
n_tecido <-c(10.0,8.0,13.0,10.0,9.5,10.0,12.0,10.5,12.0,12.5)x_tecido <-c(14,12,20,11,7,10,21,16,19,23)u_bar_tecido <-sum(x_tecido)/sum(n_tecido)cat(sprintf("Total de não conformidades: %d | Total de unidades de inspecao: %.1f | u_bar = %.4f\n",sum(x_tecido), sum(n_tecido), u_bar_tecido))
Total de não conformidades: 153 | Total de unidades de inspecao: 107.5 | u_bar = 1.4233
Gráfico \(u\) com Tamanho Variável no R
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g_ut <-qcc(x_tecido, type ="u", sizes = n_tecido, plot =FALSE)df_u <-data.frame(t =seq_along(x_tecido),u = g_ut$statistics,lcl = g_ut$limits[,"LCL"], ucl = g_ut$limits[,"UCL"])ggplot(df_u, aes(t, u)) +geom_step(aes(y = ucl), color = pal["coral"], linetype ="dashed") +geom_step(aes(y = lcl), color = pal["coral"], linetype ="dashed") +geom_hline(yintercept = g_ut$center, color = pal["verde"]) +geom_line(color = pal["neutro"], linewidth = .6) +geom_point(color = pal["azul"], size =2.6) +labs(title ="Gráfico u - Tecido Tingido (Exemplo 7.5, n_i variável)",x ="Número do rolo", y ="Não conformidades por unidade") +tema_cep()
Compare com a Tabela 7.12 do livro-texto: para o rolo 1 (\(n_1=10\)), \(LSC \approx 2{,}55\); para o rolo 3 (\(n_3=13\), o maior rolo), \(LSC\approx 2{,}41\) — os limites se estreitam conforme \(n_i\) cresce, exatamente como esperado.
O Gráfico \(u\) Padronizado (\(Z\)) — Exemplo 7.5
Assim como no gráfico \(p\), quando as áreas \(n_i\) variam muito, padronizar resolve o visual “em degrau” e viabiliza testes de sequência
\[Z_i = \frac{u_i - \bar u}{\sqrt{\bar u / n_i}}\]
Esse é o gráfico recomendado para tamanho de amostra variável: testes de sequência podem ser aplicados com segurança, pois todas as mudanças relativas estão na mesma unidade de medida (\(\sigma\)).
A Unidade de Inspeção: Esclarecendo um Ponto Sutil
A unidade de inspeção não precisa ser uma peça física isolada — pode ser qualquer área de oportunidade fixa definida por conveniência
No Exemplo das placas de circuito impresso, a unidade de inspeção foi definida como 100 placas, não uma placa
Ao comparar \(\bar c\) entre processos diferentes, é essencial confirmar que a definição de unidade de inspeção é a mesma — ou normalizar via gráfico \(u\)
\(c\) vs. \(u\): Quando Usar Cada Um
Gráfico \(c\)
Gráfico \(u\)
Área de inspeção
Fixa entre amostras
Variável entre amostras
Estatística plotada
Contagem bruta \(x\)
Taxa \(x/n\)
Limites
Constantes
Variam com \(n_i\)
Interpretação
“Defeitos na amostra”
“Defeitos por unidade”
Binomial (Gráfico \(p\)) vs. Poisson (Gráfico \(c\))
Os dois exemplos reais do capítulo têm parâmetros bem distintos: \(D \sim \text{Binomial}(50, 0{,}23)\) (embalagens de suco, Exemplo 7.1) e \(X \sim \text{Poisson}(19{,}85)\) (placas de circuito, Exemplo 7.3). Nenhuma das duas é simétrica, mas por razões diferentes.
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# Parametros dos exemplos reais do livro-textodf_bin <-data.frame(x =0:40,prob =dbinom(0:40, size=50, prob=0.2313),dist ="Binomial(50, 0.23) — Exemplo 7.1 (suco)")df_pois <-data.frame(x =0:40,prob =dpois(0:40, lambda=19.85),dist ="Poisson(19.85) — Exemplo 7.3 (PCI)")df_all <-rbind(df_bin, df_pois)ggplot(df_all, aes(x, prob, color = dist, group = dist)) +geom_line(linewidth =1.1) +geom_point(size =1.2, alpha = .7) +scale_color_manual(values =c(unname(pal["azul"]), unname(pal["ambar"]))) +labs(title ="Distribuições reais dos dois exemplos principais do Cap. 7",x ="x", y ="P(X=x)", color ="") +tema_cep()
Ambas são aproximadas por Normal nos gráficos de controle — a assimetria da Binomial para \(n=50\) e \(\bar p=0{,}23\) já é leve; para a Poisson com \(\bar c=19{,}85\), também. Mas quando \(\bar p\) ou \(\bar c\) for pequeno, a assimetria pode ser relevante: nesses casos use limites de probabilidade.
Sistemas de Demérito: Combinando Severidades
Em muitos processos, nem toda não conformidade tem o mesmo impacto — um arranhão estético não é igual a uma falha funcional
O sistema de demérito pondera cada classe de defeito por sua gravidade antes de somar
Um hospital pode aplicar o mesmo princípio a eventos de segurança do paciente: erro de medicação grave (\(w=100\)), quase-erro com dano leve (\(w=20\)), desvio de protocolo sem dano (\(w=2\))
O índice de demérito agregado por unidade-tempo (ex.: por mês) se torna um indicador único para a diretoria, sem perder a granularidade interna por tipo de evento
Cuidado: a escolha dos pesos é uma decisão de gestão de risco, não puramente estatística — deve envolver especialistas da área
Demérito: Vantagens e Limitações
Vantagem: um único índice resume múltiplas classes de severidade, facilitando o reporte executivo
Limitação: se um único defeito de classe A dominar o índice, melhorias em defeitos de classe C/D ficam invisíveis no gráfico agregado
Boa prática: manter os gráficos \(c\)/\(u\) individuais por classe disponíveis como detalhamento, mesmo reportando o índice \(U\) agregado para a gestão
O Desafio dos “Zero Defeitos”
Processos modernos de altíssima qualidade reduzem \(\bar c\) a valores muito próximos de zero
Com \(\bar c\) tão pequeno, gráficos \(c\) e \(u\) geram alarmes falsos excessivos — não há “espaço” suficiente para distinguir ruído de sinal
A Inversão Tática: do “O Quê” para o “Quando”
Em vez de contar defeitos por unidade, mede-se o tempo (ou volume de produção) entre eventos raros
Para contagem de unidades boas até a próxima falha, usa-se a distribuição Geométrica (gráficos \(g\)/\(h\))
Para tempo contínuo até a falha, usa-se a distribuição Exponencial — a mesma relação Poisson-Exponencial que já vimos na Aula 2, agora aplicada à construção de uma carta de controle
TBE: Tempo Entre Eventos
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set.seed(21)tbe <-rexp(200, rate =0.5)ggplot(data.frame(tbe = tbe), aes(tbe)) +geom_histogram(bins =30, fill = pal["ambar"], color = pal["neutro"], alpha = .85) +labs(title ="Tempo entre não conformidades ~ Exponencial(0.5)",x ="Tempo entre eventos", y ="Frequência") +tema_cep()
A Exponencial é fortemente assimétrica — gráficos de Shewhart tradicionais (que assumem Normalidade) não se aplicam diretamente sobre o tempo bruto.
A Transformação de Nelson
Nelson (1994) mostrou que elevar dados exponenciais à potência \(0{,}2777\) (aproximadamente \(1/3{,}6\)) produz uma distribuição aproximadamente Normal, viabilizando o uso de um gráfico I-MR convencional:
\[x_i = y_i^{0{,}2777}\]
y <- tbe^0.2777shapiro.test(y)$p.value
[1] 0.07615023
Exemplo Real: Falhas de uma Válvula (Montgomery, Exemplo 7.6)
Exemplo 7.6 — Montgomery, p. 398–399
Uma engenheira química deseja estabelecer um gráfico de controle para monitorar a ocorrência de falhas em uma válvula importante de um processo químico. Ela decidiu usar o número de horas entre falhas como variável monitorada. A Tabela 7.14 mostra o tempo entre as últimas 20 falhas dessa válvula. O gráfico de probabilidade normal mostra claramente que esses dados não são normalmente distribuídos. Estabeleça o gráfico de controle do tempo entre eventos para esse processo, usando a transformação de Nelson (\(x = y^{0{,}2777}\)) para aproximar a distribuição exponencial pela normal.
O processo aparenta estar sob controle: o mecanismo de falha da válvula é estável. Uma melhoria na manutenção deveria deslocar pontos para acima do LSC (tempos entre falhas maiores).
Gráficos \(g\) e \(h\): a Versão Discreta do TBE
Quando o interesse é contar o número de unidades conformes entre duas não conformes (em vez do tempo), usa-se a distribuição Geométrica
O gráfico \(g\) monitora essa contagem; o gráfico \(h\) é sua versão acumulada — ambos são extensões naturais do gráfico \(c\) para o regime de baixíssima taxa de defeitos
TBE: Cuidados de Interpretação
Um ponto acima do \(LSC\) no gráfico TBE transformado é bom (intervalo maior entre falhas) — o oposto da leitura usual de “fora de controle é ruim”
Por isso TBE exige mais treinamento dos operadores antes de ser implantado — a leitura intuitiva do gráfico se inverte em relação aos gráficos \(c\)/\(u\) convencionais
Atributos vs. Variáveis: Trade-offs
Variáveis (\(\bar x\)-R, \(\bar x\)-s, I-MR)
Atributos (\(p\), \(np\), \(c\), \(u\))
Informação por unidade
Alta (escala contínua)
Baixa (binária ou contagem)
Tamanho de amostra
Pequeno (\(n=4\)–\(6\))
Geralmente maior
Custo de coleta
Mais caro (medição precisa)
Mais barato (inspeção visual)
Sensibilidade a pequenos deslocamentos
Maior
Menor
Na prática, muitos processos combinam os dois: variáveis para características críticas, atributos para triagem ampla
Dimensionando Subgrupos em Atributos
Quanto maior \(n\), mais estável \(\hat p\) e mais sensível o gráfico — mas também mais caro e mais lento
Regra prática informal: escolher \(n\) tal que \(n\bar p \geq 5\) (para a aproximação Normal funcionar razoavelmente)
Nem todo atributo vem de um sensor: avaliação de satisfação do cliente (satisfeito/insatisfeito), conformidade documental, aprovação em auditoria
O desafio nesses casos é garantir critério de classificação consistente entre diferentes inspetores — sem isso, a “não conformidade” mistura variação real do processo com variação do julgamento humano
Estudos de R&R para atributos (ex.: índice Kappa) são o complemento natural do CEP de atributos nesse cenário
Padrões Mistos e Estratificação em Atributos
Um gráfico \(p\) ou \(c\) “bem comportado” pode ainda esconder um padrão de mistura: dois turnos, duas máquinas ou dois fornecedores com taxas diferentes, combinados na mesma amostra
Sintoma típico: poucos ou nenhum ponto perto da linha central, a maioria oscilando perto dos limites
Solução: estratificar o gráfico — um gráfico separado por turno/máquina/fornecedor revela o que o gráfico agregado escondia
Diretrizes de Implementação: Onde Aplicar os Gráficos
Montgomery resume cinco decisões centrais de qualquer programa de CEP: quais características controlar, onde no processo posicionar os gráficos, qual tipo de gráfico escolher, que ações corretivas tomar, e quais sistemas de coleta/computação usar.
No início de um programa, é normal aplicar mais gráficos do que o necessário — eles mesmos revelam quais são realmente úteis
Com a maturidade do processo, gráficos de atributos (perto do fim da linha) tendem a ser substituídos por gráficos de variáveis aplicados mais cedo, sobre as causas-raiz
Diretrizes de Implementação: Qual Tipo de Gráfico Escolher
Considere atributos quando: a qualidade só pode ser expressa como conformidade/contagem, é necessário um resumo histórico para a gerência, ou medidas numéricas simplesmente não estão disponíveis.
Mas lembre-se: gráficos de atributos são, em geral, estatisticamente inferiores aos gráficos de variáveis equivalentes — use-os quando a medição numérica não for viável, não por padrão.
O Plano de Ação para Fora de Controle (PAFC)
Um gráfico de controle sem um plano de ação documentado é apenas decoração de parede
O PAFC define, antecipadamente: quem é notificado, quais verificações imediatas são feitas, quando a produção é interrompida, e como a causa é documentada
Operadores e engenharia devem manter o PAFC atualizado — ele é tão parte do gráfico de controle quanto os próprios limites \(LSC\)/\(LIC\)
O Papel do CEP de Atributos no Ciclo DMAIC
Medir: construir os gráficos \(p\)/\(np\)/\(c\)/\(u\) a partir de dados históricos
Analisar: Pareto, Ishikawa, segmentação por turno/máquina/operador
Melhorar: ação corretiva sobre as causas atribuíveis identificadas na Fase I
Controlar: os limites revisados tornam-se a referência para o monitoramento contínuo (Fase II)
Cautela com Regras Sensibilizantes em Atributos
As regras WECO (zonas \(1\sigma\)/\(2\sigma\)/\(3\sigma\)) foram derivadas sob a suposição de Normalidade e simetria
Distribuições Binomial e Poisson com \(\bar p\) ou \(\bar c\) pequenos são assimétricas — aplicar zonas WECO ingenuamente nesses gráficos pode gerar excesso de falsos alarmes no lado mais “apertado” da distribuição
Recomendação: usar regras sensibilizantes com mais parcimônia em atributos do que em variáveis, e preferir limites exatos quando \(\bar p\) ou \(\bar c\) forem pequenos
Síntese: Escolha do Gráfico de Controle Adequado
Exercício 7.9 — Gráfico \(p\) para Montagens (Montgomery)
Exercício 7.9 — Montgomery, p. 408
Os dados da Tabela 7E.3 dão o número de montagens não conformes de rolamentos e fechos em amostras de tamanho 100. Construa um gráfico de controle para a fração não conforme para esses dados. Se algum ponto for plotado fora de controle, suponha que causas atribuíveis possam ser encontradas e determine os limites de controle revisados.
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D_montagem <-c(7,4,1,3,6,8,10,5,2,7,6,15,0,9,5,1,4,5,7,12)g_m <-qcc(D_montagem, type ="p", sizes =100, plot =FALSE)plot_carta(g_m$statistics, g_m$center, g_m$limits[1,"LCL"], g_m$limits[1,"UCL"],"Gráfico p - Montagens (Exercício 7.9, fase tentativa)", ylab ="Proporção não conforme")
Exercício 7.12 — Aros de Roda de Titânio (Partes a e b)
Exercício 7.12 — Montgomery, p. 409
Um processo que produz aros de roda de titânio para automóveis com motores turbinados deve ser controlado pelo uso do gráfico para a fração não conforme. Inicialmente, uma amostra de tamanho 150 é tirada a cada dia, durante 20 dias, e os resultados são mostrados na Tabela 7E.6.
Estabeleça um gráfico de controle para monitorar a produção futura.
Qual é o menor tamanho de amostra que pode ser usado para esse processo que ainda forneça um limite inferior de controle positivo para o gráfico?
Trace a curva CO para esse gráfico de controle.
Qual a probabilidade de se detectar uma mudança na fração não conforme para 0,03, na terceira amostra após a mudança?
Exercício 7.12 — Aros de Roda de Titânio (Partes a e b)
cat(sprintf("P(detectar ate a 3a amostra apos mudanca) = %.4f\n", 1- beta_aro^3))
P(detectar ate a 3a amostra apos mudanca) = 0.2559
Exercício 7.48 — Gráfico \(c\) para Placas de Aço
Exercício 7.48 — Montgomery, p. 414
Foram contados os defeitos de superfície de 25 placas de aço retangulares, e os dados são mostrados na Tabela 7E.12. Estabeleça um gráfico de controle para não conformidades usando esses dados. O processo de produção das placas parece estar sob controle estatístico?
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x_aco <-c(1,0,4,3,1,2,5,0,2,1,1,0,8,0,2,1,3,5,4,6,3,1,0,2,4)g_aco <-qcc(x_aco, type ="c", plot =FALSE)plot_carta(g_aco$statistics, g_aco$center, g_aco$limits[1,"LCL"], g_aco$limits[1,"UCL"],"Gráfico c - Defeitos de Superfície em Placas de Aço (Ex. 7.48)", ylab ="Não conformidades")
A amostra 13 (8 defeitos) excede o \(LSC \approx 6{,}97\). Se uma causa atribuível for identificada, ela deve ser removida e os limites recalculados.
Exercício 7.49 — Gráfico \(u\) para Rolos de Papel
Exercício 7.49 — Montgomery, p. 414
Uma fábrica de papel usa um gráfico de controle para monitorar imperfeições nos rolos de papel acabados. O resultado da produção é inspecionado durante 20 dias, e os dados resultantes são mostrados na Tabela 7E.13. Use esses dados para estabelecer um gráfico de controle para não conformidades por rolo de papel. O processo parece estar sob controle estatístico? Qual linha central e quais limites de controle você recomendaria para controlar a produção corrente?
Exercício 7.49 — Gráfico \(u\) para Rolos de Papel
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n_papel <-c(18,18,24,22,22,22,20,20,20,20,18,18,18,20,20,20,24,24,22,21)x_papel <-c(12,14,20,18,15,12,11,15,12,10,18,14,9,10,14,13,16,18,20,17)g_papel <-qcc(x_papel, type ="u", sizes = n_papel, plot =FALSE)df_papel <-data.frame(t =seq_along(x_papel), u = g_papel$statistics,lcl = g_papel$limits[,"LCL"], ucl = g_papel$limits[,"UCL"])ggplot(df_papel, aes(t, u)) +geom_step(aes(y = ucl), color = pal["coral"], linetype ="dashed") +geom_step(aes(y = lcl), color = pal["coral"], linetype ="dashed") +geom_hline(yintercept = g_papel$center, color = pal["verde"]) +geom_line(color = pal["neutro"], linewidth = .6) +geom_point(color = pal["azul"], size =2.6) +labs(title ="Gráfico u - Imperfeições em Rolos de Papel (Ex. 7.49)",x ="Dia", y ="Imperfeições por rolo") +tema_cep()
cat(sprintf("u_bar = %.4f | Sem pontos fora de controle.\n", g_papel$center))
u_bar = 0.7007 | Sem pontos fora de controle.
Nenhum ponto fora de controle. Os limites estimados (\(\bar u \approx 0{,}70\) imperfeições por rolo) são recomendados para monitorar a produção corrente.
Exercício 7.53 — Gráfico \(c\) para Cabos de Telefone
Exercício 7.53 — Montgomery, p. 415
Os dados da Tabela 7E.15 representam o número de não conformidades por 1000 metros em cabos de telefone (22 amostras).
Quais são a linha central e os limites de controle para monitorar a produção com base no número total de não conformidades? Pela análise desses dados, você concluiria que o processo está sob controle estatístico?
Quais são a linha central e os limites de controle para um gráfico de controle para a média de não conformidades por unidade, usado para monitorar a produção futura?
Trace a curva da função característica de operação (CO) para o número total de não conformidades (Gráfico \(c\)).
Exercício 7.53 — Gráfico \(c\) para Cabos de Telefone
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x_cabo <-c(1,1,3,7,8,10,5,13,0,19,24,6,9,11,15,8,3,6,7,4,9,20)g_cabo <-qcc(x_cabo, type ="c", plot =FALSE)plot_carta(g_cabo$statistics, g_cabo$center, g_cabo$limits[1,"LCL"], g_cabo$limits[1,"UCL"],"Gráfico c - Não conformidades em Cabos de Telefone (Ex. 7.53)", ylab ="c")
Um gráfico de controle indica que a fração corrente de não conformes do processo é \(0{,}02\). Se 50 itens são inspecionados a cada dia, qual é a probabilidade de se detectar uma mudança na fração não conforme para \(0{,}04\) no primeiro dia após a mudança? E ao final do terceiro dia após a mudança?
Exercício: Probabilidade de Detecção
\(p_0=0{,}02 \to p_1=0{,}04\)
p0 <-0.02; n <-50LSC_det <- p0 +3*sqrt(p0*(1-p0)/n); LIC_det <-max(0, p0 -3*sqrt(p0*(1-p0)/n))# Converter para inteiros de DLSC_np_det <-floor(n * LSC_det)p1 <-0.04beta_det <-pbinom(LSC_np_det, n, p1) -pbinom(0, n, p1)cat(sprintf("LSC = %.4f -> LSC_np = %d\n", LSC_det, LSC_np_det))
Encontre os limites de probabilidade de 0,999 e 0,001 para um gráfico \(c\) quando a média do processo é igual a 16 não conformidades. Compare com os limites obtidos pelo uso da distribuição normal (\(\pm 3\sigma\)).
(Nota: o livro-texto apresenta o Exercício 7.58 com os limites 0,900/0,100 para o mesmo \(\bar c = 16\). Esta versão, com 0,999/0,001, corresponde ao material suplementar MS7.1 e ao exercício apresentado na Aula 4.)
Exercício: Limites de Probabilidade vs. \(3\sigma\) para Gráfico \(c\)
Os limites de probabilidade são mais estreitos que os \(3\sigma\) quando a Poisson é assimétrica (\(\bar c\) moderado) — resultando em risco \(\alpha\) genuinamente próximo de 0,002 em vez do usual 0,0027.
Resumo de Fórmulas — Capítulo 7
Gráfico
Estatística
Linha Central
LSC / LIC
\(p\)
\(D/n\)
\(\bar p\)
\(\bar p \pm 3\sqrt{\bar p(1-\bar p)/n}\)
\(np\)
\(D\)
\(n\bar p\)
\(n\bar p \pm 3\sqrt{n\bar p(1-\bar p)}\)
\(c\)
\(x\)
\(\bar c\)
\(\bar c \pm 3\sqrt{\bar c}\)
\(u\)
\(x/n\)
\(\bar u\)
\(\bar u \pm 3\sqrt{\bar u/n_i}\)
Em todos os casos: se o cálculo do \(LIC\) resultar em valor negativo, define-se \(LIC=0\)
Roteiro de Implantação
Definir a característica de qualidade — fração não conforme ou contagem de não conformidades — e a unidade de inspeção
Coletar \(m=20\) a \(25\) subgrupos históricos
Investigar e documentar causas atribuíveis; expurgar apenas com justificativa registrada
Recalcular os limites com os dados depurados — referência da Fase II
Aplicar o PAFC a cada alarme na Fase II; avaliar TBE se a taxa de defeitos cair abaixo de ~1.000 ppm
Glossário Rápido de Siglas
Sigla
Significado
LSC / LIC / LM
Limite Superior/Inferior de Controle / Linha Média
ARL / ATS
Average Run Length / Average Time to Signal
TBE
Tempo Entre Eventos
ppm
Partes por milhão
PAFC
Plano de Ação para Fora de Controle
Conclusão
Gráficos \(p\)/\(np\) (base Binomial) e \(c\)/\(u\) (base Poisson) cobrem, juntos, praticamente todo cenário de monitoramento discreto
A Fase I depura o histórico com o mesmo rigor visto no Capítulo 6: nenhum subgrupo é removido sem causa documentada
Quando a taxa de defeitos se aproxima de zero, o TBE com a transformação de Nelson mantém o CEP informativo
A escolha entre atributos e variáveis é uma decisão de custo, disponibilidade de medição e sensibilidade requerida — não uma preferência arbitrária
Referências
Montgomery, D. C.Introdução ao Controle Estatístico da Qualidade. 7ª ed. LTC, 2017. Cap. 7.
Duncan, A. J.Quality Control and Industrial Statistics. 5ª ed. Homewood, IL: Richard D. Irwin, 1986. (Critério de dimensionamento de \(n\) para o gráfico \(p\).)
Western Electric.Statistical Quality Control Handbook. Western Electric Co., 1956.
Nelson, L. S. “A Control Chart for Parts-Per-Million Nonconforming Items.” Journal of Quality Technology, 26(3), 1994.
Jones, L. A., Woodall, W. H., Conerly, M. D. “Exact Properties of Demerit Control Charts.” Journal of Quality Technology, 31(2), 1999.
Scrucca, L. Pacote qcc: Quality Control Charts. CRAN, 2023.
Obrigado!
Controle Estatístico de Processos: Atributos · UFPB