Nesta propaganda da Chevrolet de 1992, a marca afirma que mais de \(98\%\) das suas caminhonetes vendidas nos últimos dez anos continuam em circulação, utilizando um gráfico de barras para sugerir uma superioridade esmagadora sobre os concorrentes. Contudo, ao aplicarmos as perguntas de Huff, identificamos uma manipulação visual clássica, o truncamento do eixo vertical, que inicia em \(95\%\) em vez de \(0\%\). Essa omissão distorce a escala e faz com que a diferença real de apenas \(3,2\%\) entre a Chevrolet e a Nissan pareça gigantesca, dando a falsa impressão de que os veículos concorrentes desaparecem das ruas com facilidade. Além disso, a publicidade altera o foco estatístico ao associar a mera sobrevivência do veículo à sua confiabilidade absoluta, ocultando variáveis cruciais como custos excessivos de reparação, quilometragem média ou se as vendas da Chevrolet se concentraram indevidamente em anos mais recentes. Uma conclusão matematicamente honesta indicaria que todas as principais marcas apresentam excelentes taxas de durabilidade, mantendo mais de \(95\%\) da sua frota ativa após uma década, restando apenas uma variação marginal e pouco expressiva de desempenho prático entre elas.
Abaixo está a peça publicitária veiculada pela marca na época, contendo a distorção visual no eixo das ordenadas:
Este caso é amplamente reconhecido como um exemplo clássico de distorção
em gráficos de barras.E foi usada de exemplo na lição educacional de Lea
Gaslowitz para o TED-Ed, intitulada How to Spot a Misleading
Graph.
GASLOWITZ, Lea. How to Spot a Misleading Graph. TED-Ed, 2017. Disponível em: https://ed.ted.com/lessons/how-to-spot-a-misleading-graph-lea-gaslowitz. Acesso em: 3 jun. 2026.