Título: “Clubes da Série A batem faturamento recorde de R$ 14,9 bilhões em 2025”
Fonte: InfoMoney / Forbes Brasil, com base em relatório da Ernst & Young (maio de 2026)
A notícia afirma que os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro registraram faturamento recorde de R$ 14,9 bilhões em 2025, crescimento de 33% em relação ao ano anterior, consolidando o futebol brasileiro como uma das maiores indústrias de entretenimento do país.
A estatística central é o crescimento de 33% na receita total dos clubes da Série A, que passou de aproximadamente R$ 11,2 bilhões em 2024 para R$ 14,9 bilhões em 2025, segundo levantamento da consultoria Ernst & Young baseado nas demonstrações financeiras das agremiações.
O levantamento foi produzido pela Ernst & Young, consultoria com interesse em apresentar o futebol brasileiro como setor atrativo para investidores, e divulgado pela Forbes Brasil, revista voltada ao público empresarial. Há viés potencial em destacar o crescimento de receita sem contextualizar o endividamento equivalente.
O relatório utiliza demonstrações financeiras dos próprios clubes, que podem incluir receitas pontuais e não recorrentes. O trio Flamengo, Palmeiras e Botafogo faturou cerca de R$ 400 milhões extras com vendas de atletas e premiações do Mundial de Clubes em 2025 — valores que não se repetem anualmente e que inflam o total sem refletir a saúde operacional recorrente dos clubes.
A manchete omite três informações presentes no mesmo relatório:
A narrativa transforma “faturamento bruto cresceu” em “futebol brasileiro está saudável financeiramente”. São afirmações substancialmente diferentes: faturamento alto com endividamento proporcional não representa saúde — representa escala com risco elevado. A troca silenciosa opera entre receita total e resultado financeiro do setor.
Não para a maioria dos clubes. O crescimento de receita beneficiou principalmente os cinco grandes, enquanto os demais seguem pressionados. Os líderes de endividamento são justamente clubes com receita recorde: Atlético-MG (R$ 2,28 bilhões em dívidas) e Botafogo (R$ 2 bilhões). O resultado líquido agregado do setor foi negativo em 2025.
Em maio de 2026, a revista Forbes Brasil divulgou levantamento da consultoria Ernst & Young com a seguinte manchete: “Clubes da Série A batem faturamento recorde de R$ 14,9 bilhões em 2025”. O número é real, mas sua apresentação isolada cria uma impressão de saúde financeira que os próprios dados do relatório contradizem. Aplicando as cinco perguntas de Huff, observa-se que: (1) o estudo foi produzido por consultoria com interesse em atrair investidores para o setor, e divulgado em veículo voltado ao público empresarial; (2) parte relevante da receita é não recorrente — vendas de atletas e premiações do Mundial de Clubes responderam por R$ 400 milhões apenas entre Flamengo, Palmeiras e Botafogo; (3) o mesmo relatório informa que a dívida líquida dos clubes atingiu R$ 14,3 bilhões, alta de 15%, e que os custos operacionais cresceram 30%, consumindo a maior parte do que entrou; (4) a manchete converte “faturamento bruto cresceu” em “futebol brasileiro está saudável”, uma troca silenciosa entre receita e resultado; e (5) o déficit acumulado dos 20 clubes foi de R$ 1,1 bilhão em 2025, com 49% de toda a receita concentrada em apenas 5 equipes. Uma afirmação mais honesta seria: o faturamento dos clubes da Série A atingiu recorde nominal em 2025, mas o setor encerrou o ano no vermelho, com dívidas quase equivalentes à receita total e crescimento financeiro restrito a poucos clubes.