library(readxl)
library(knitr)
library(tidyverse)
library(DT)
library(pheatmap)
library(RColorBrewer)
library(plotly)
O objetivo deste trabalho é a caracterização do perfil volátil da Campomanesia, realizando uma análise comparativa dos compostos orgânicos voláteis (VOCs) presentes na folha e na flor.
As amostras de flores e folhas da Turnera foram analisadas na forma de brotos e ramos inteiros, acondicionados em vials de 10 mL. O fechamento foi realizado com tampas magnéticas, utilizando um crimpador automático.
| Amostra | massa |
|---|---|
| 1. Campomanesia_01_flor | 201 mg |
| 2. Campomanesia_02_flor | 203 mg |
| 3. Campomanesia_03_flor | 201 mg |
| 4. Campomanesia_01_folha | 243 mg |
| 5. Campomanesia_02_folha | 253 mg |
| 6. Campomanesia_03_folha | 252 mg |
As amostras foram analisadas via HS/GC-MS em cromatógrafo a gás da Agilent 7890B acoplado ao espectrômetro de massas 7000D. Os VOCs foram extraídos por 15 minutos a 750 rpm em incubadora mantida a 100 °C. O volume de injeção foi de 2,5 mL com seringa mantida a 100 °C. O gás de arraste utilizado foi o hélio 5.0 (99,999%) com velocidade linear de 30,405 cm/s e o injetor operou no modo splitless a 280 °C. Utilizou-se a coluna HP-5ms de 30 m x 250 μm x 0,25 μm. O forno operou a temperatura inicial de 40 °C por 5 minutos, seguido por rampa de 5 °C/min até 160 °C, em seguida, 1 °C/min até 170 °C, por fim, 10 °C/min até 250 °C, totalizando 47 minutos de análise. O espectrômetro de massas operou no modo EI com temperatura da fonte de íons a 300 °C, no modo SCAN a 70 eV com faixa de massa de 17-400 m/z. Os picos foram identificados com base na correlação de similaridade com os espectros padrões da biblioteca NIST 14.
Foi necessário converter os arquivos contendo os cromatogramas de (.D) para (mzML), utilizando o software da Proteo Wizard (Msconvert). Após a conversão, os arquivos foram carregados no software MZmine versão 4.9.14, onde foi realizado todo o processamento de dados com o seguinte workflow:
| Etapa | Descricao |
|---|---|
| 1. Importação | Entrada dos dados brutos |
| 2. Detecção de massas | Centroidização e threshold |
| 3. EIC | Construção de cromatogramas de íons extraídos |
| 4. Deconvolução | Separação de sinais sobrepostos |
| 5. Alinhamento | Comparação entre amostras (tempo de retenção e m/z) |
| 6. Identificação | Busca na biblioteca espectral NIST |
| 7. Exportação | O processamento é salvo em CSV |
A tabela completa contendo os parâmetros do processamento de dados no
MZmine (versão 4.9.14) está disponível no Material Suplementar:
Parâmetros
As amostras foram codificadas para facilitar o manuseio dos dados, da seguinte maneira:
| Nome | Código |
|---|---|
| Campomanesia_01_flor | CAMFR_01 |
| Campomanesia_02_flor | CAMFR_02 |
| Campomanesia_03_flor | CAMFR_03 |
| Campomanesia_01_folha | CAMFA_01 |
| Campomanesia_02_folha | CAMFA_02 |
| Campomanesia_03_folha | CAMFA_03 |
Após o processamento dos dados no software MZmine, foi exportada uma tabela contendo as features detectadas, caracterizadas pela razão massa/carga (m/z), tempo de retenção (RT) e área do pico. A identificação dos compostos foi realizada no próprio software, com base na comparação dos espectros de massas obtidos com aqueles disponíveis na biblioteca espectral NIST, utilizando critérios de similaridade espectral. Posteriormente, foi aplicada uma etapa de filtragem das features, na qual foram removidos os sinais que apareceram apenas uma única vez nas triplicatas de cada amostra, visando aumentar a robustez dos dados e reduzir a influência de possíveis ruídos.
dados_ident <- read_xlsx("dados_idententificação.xlsx")
datatable(
dados_ident %>%
mutate_at(vars(starts_with("%")), ~ round(., 2)),
extensions = "Buttons",
options = list(
dom = "Bfrtip",
buttons = c("csv", "excel")))
Para realizar a análise estatística de uma amostra como a Campomanesia, com o objetivo de comparar os compostos orgânicos voláteis (COVs) da folha e da flor, foram definidas, na matriz de dados (previamente processada utilizando o MZmine), duas classes referentes às amostras analisadas em triplicata, sendo elas flor e folha.
Foi utilizado o teste t de Student, uma ferramenta estatística empregada para verificar se existe diferença significativa entre dois grupos, neste caso, as duas classes (flor e folha). Esse teste calcula um valor t com base na diferença entre as médias, na variância e no tamanho das amostras, comparando-o a um valor de p, que é utilizado para aceitar ou rejeitar a hipótese nula. Nos casos em que um composto apresenta valor de p < 0,05, rejeita-se a hipótese nula, admitindo-se que há diferença significativa entre os grupos para esse composto.
dados <- read.csv2("Matriz_Campomanesia.csv",check.names = FALSE)
dados$Class <- factor(dados$Class)
Class <- dados$Class
dados_numericos <- dados[, -c(1, 2)]
dados_numericos[] <- lapply(dados_numericos, function(x) {
as.numeric(gsub(",", ".", as.character(x)))})
dados_numericos <- dados_numericos[, colSums(!is.na(dados_numericos)) > 0]
variancias <- apply(dados_numericos, 2, var, na.rm = TRUE)
dados_numericos <- dados_numericos[, variancias > 0]
dados_normalizados <- as.data.frame(scale(dados_numericos))
p_valores <- apply(dados_normalizados, 2, function(coluna) {
tryCatch(
t.test(coluna ~ Class)$p.value,
error = function(e) NA)
})
resultados_significativos <- p_valores[!is.na(p_valores) & p_valores < 0.05]
tabela_p_valores <- data.frame(
Composto = names(resultados_significativos),
P_Valor = as.numeric(resultados_significativos),
row.names = NULL
) %>%
arrange(P_Valor)
datatable(
tabela_p_valores,
options = list(pageLength = 10),
caption = "Compostos significativos pelo teste t"
)
dados_para_media <- cbind(Class = Class, dados_normalizados)
medias_calculadas <- dados_para_media %>%
group_by(Class) %>%
summarise(across(everything(), ~ mean(.x, na.rm = TRUE)), .groups = "drop")
nomes_compostos <- colnames(dados_normalizados)
tabela_medias <- as.data.frame(t(medias_calculadas[, -1]))
colnames(tabela_medias) <- as.character(medias_calculadas$Class)
tabela_medias$Composto <- nomes_compostos
grupo_1 <- colnames(tabela_medias)[1]
grupo_2 <- colnames(tabela_medias)[2]
tabela_final <- tabela_medias %>%
mutate(
P_Valor = as.numeric(p_valores[Composto]),
Destaque = ifelse(
.data[[grupo_1]] > .data[[grupo_2]],
toupper(grupo_1),
toupper(grupo_2)
)
) %>%
filter(!is.na(P_Valor) & P_Valor < 0.05) %>%
arrange(P_Valor)%>%
select(Composto, P_Valor, Destaque)
tabela_final$P_Valor <- round(tabela_final$P_Valor, 4)
rownames(tabela_final) <- NULL
datatable(tabela_final)
Também foi construído um heatmap utilizando todos os compostos detectados, com o objetivo de visualizar o perfil geral das amostras, com base na intensidade dos compostos.
# 1. Matriz de dados
matriz_heatmap <- dados_normalizados
# 2. Definir nomes das amostras
rownames(matriz_heatmap) <- dados$Samples
# 3. Criar anotação (classe)
anotacao <- data.frame(Classe = Class)
rownames(anotacao) <- dados$Samples
# 4. Cores da anotação
cores_anotacao <- list(
Classe = c("FR" = "#E07B8A", "FA" = "#6BAE75"))
# 5. Paleta de cores do heatmap (melhor contraste)
cores_heatmap <- colorRampPalette(
rev(brewer.pal(n = 7, name = "RdYlBu")))(100)
# 6. Gerar heatmap + HCA
pheatmap(matriz_heatmap,
# Clustering
clustering_method = "ward.D2",
clustering_distance_rows = "euclidean",
clustering_distance_cols = "euclidean",
# Anotações
annotation_row = anotacao,
annotation_colors = cores_anotacao,
# Aparência
scale = "none",
color = cores_heatmap,
fontsize = 10,
fontsize_row = 8,
fontsize_col = 6,
show_colnames = TRUE,
main = "Heatmap + HCA de Todos os Compostos")