Conclusão
O presente trabalho buscou estimar uma versão alternativa da Curva de Phillips para o Brasil, utilizando a variação da inflação em vez da inflação em nível. Para isso, foram utilizados dados do IPCA e da taxa de desocupação disponibilizados pelo IBGE/SIDRA para o período de 2015 a 2026.
Inicialmente, a Curva de Phillips tradicional apresentou resultados pouco satisfatórios, com baixa capacidade explicativa e coeficientes estatisticamente fracos. Dessa forma, optou-se por utilizar a variação da inflação como variável dependente, buscando captar de maneira mais adequada a dinâmica inflacionária brasileira.
A partir da regressão linear e dos gráficos de dispersão observou-se que a relação entre desemprego e variação da inflação não se mostrou forte ao longo do período analisado. Isso sugere que a inflação brasileira não depende exclusivamente do nível de desemprego, sendo também influenciada por outros fatores macroeconômicos, como choques de oferta, política monetária, variações cambiais, preços internacionais e expectativas inflacionárias.
Além disso, eventos econômicos recentes, como a pandemia da COVID-19 e oscilações nos preços de combustíveis e alimentos, contribuíram para aumentar a volatilidade da inflação, reduzindo ainda mais o poder explicativo da Curva de Phillips simples.
Portanto, conclui-se que, embora exista fundamentação teórica para a relação entre desemprego e inflação, a economia brasileira apresenta uma dinâmica inflacionária complexa, exigindo modelos mais completos para explicar o comportamento dos preços no período analisado.