Artigo 1: Bárbara e Alexia

Edneide Ramalho
05/07/2026

Estatísticas Descritivas

Dados Sociodemográficos

Tabela 1. Perfil demográfico dos estudantes
Variável N = 561
Gênero
    Masculino 24 (44%)
    Feminino 31 (56%)
Idade (anos)
    15 2 (3.6%)
    16 45 (80%)
    17 9 (16%)
Raça/cor
    Branca 15 (29%)
    Parda 21 (40%)
    Preta 12 (23%)
    Amarela 3 (5.8%)
    Indígena 1 (1.9%)
Escolaridade da mãe
    Básico (1º ao 4º ano) 7 (15%)
    Fundamental (5º ao 9º ano) 13 (28%)
    Médio (1º ao 3º ano) 15 (33%)
    Técnico profissionalizante 4 (8.7%)
    Superior incompleto 3 (6.5%)
    Superior completo 4 (8.7%)
    Pós-graduação 0 (0%)
Escolaridade do pai
    Básico (1º ao 4º ano) 13 (30%)
    Fundamental (5º ao 9º ano) 16 (36%)
    Médio (1º ao 3º ano) 8 (18%)
    Técnico profissionalizante 2 (4.5%)
    Superior incompleto 4 (9.1%)
    Superior completo 1 (2.3%)
    Pós-graduação 0 (0%)
Mãe trabalha fora
    Sim 16 (35%)
    Não 30 (65%)
Renda familiar mensal
    Sem renda (não trabalha) 6 (14%)
    Autônomo (renda variável) 7 (16%)
    Empregado formal (valor ignorado) 12 (27%)
    1 SM 11 (25%)
    2 SM 4 (9.1%)
    3 SM 4 (9.1%)
    4–5 SM 0 (0%)
    > 5 SM 0 (0%)
1 n (%)

Dados corporais

Tabela 2. Perfil corporal dos estudantes
Variável N = 561
Peso (kg) 58.6 (51.8, 64.0)
Altura (m) 1.6 (1.6, 1.7)
IMC (kg/m²) 21.7 (19.7, 23.7)
% Gordura (Lohman) 21.2 (10.2, 23.9)
Dobra tricipital (mm) 12.0 (10.0, 14.5)
Dobra subescapular (mm) 11.0 (8.0, 13.0)
Soma das dobras (mm) 24.0 (18.0, 27.0)
Classificação IMC
    Magreza 0 (0%)
    Abaixo Do Peso 0 (0%)
    Eutrófico 39 (81%)
    Sobrepeso 3 (6.3%)
    Obesidade 6 (13%)
    Obesidade Grave 0 (0%)
Classificação % GC
    Baixo 1 (2.1%)
    Ótimo 36 (77%)
    Moderado 0 (0%)
    Elevado 6 (13%)
    Alto 2 (4.3%)
    Muito Alto 2 (4.3%)
1 Variáveis contínuas: mediana (P25–P75); categóricas: n (%)

Perfil de alimentação

Tabela 3. Perfil de consumo alimentar dos estudantes (n = 56)
Characteristic n (%)1
Chips/salgadinho
    Nunca 7 (16%)
    < 1x/mês 11 (25%)
    1–3x/mês 10 (23%)
    2–4x/semana 6 (14%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 2 (4.5%)
    ≥ 2x/dia 3 (6.8%)
    Unknown 12
Salgado frito
    Nunca 4 (9.1%)
    < 1x/mês 7 (16%)
    1–3x/mês 13 (30%)
    2–4x/semana 4 (9.1%)
    1x/semana 8 (18%)
    1x/dia 3 (6.8%)
    ≥ 2x/dia 5 (11%)
    Unknown 12
Salgado assado
    Nunca 8 (24%)
    < 1x/mês 8 (24%)
    1–3x/mês 9 (26%)
    2–4x/semana 2 (5.9%)
    1x/semana 5 (15%)
    1x/dia 1 (2.9%)
    ≥ 2x/dia 1 (2.9%)
    Unknown 22
Leite integral
    Nunca 23 (51%)
    < 1x/mês 4 (8.9%)
    1–3x/mês 3 (6.7%)
    2–4x/semana 4 (8.9%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 2 (4.4%)
    ≥ 2x/dia 4 (8.9%)
    Unknown 11
Leite desnatado
    Nunca 31 (69%)
    < 1x/mês 6 (13%)
    1–3x/mês 4 (8.9%)
    2–4x/semana 0 (0%)
    1x/semana 3 (6.7%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 0 (0%)
    Unknown 11
Macarrão
    Nunca 7 (16%)
    < 1x/mês 5 (11%)
    1–3x/mês 6 (13%)
    2–4x/semana 9 (20%)
    1x/semana 4 (8.9%)
    1x/dia 4 (8.9%)
    ≥ 2x/dia 10 (22%)
    Unknown 11
Biscoito sem recheio
    Nunca 7 (16%)
    < 1x/mês 6 (13%)
    1–3x/mês 10 (22%)
    2–4x/semana 4 (8.9%)
    1x/semana 11 (24%)
    1x/dia 4 (8.9%)
    ≥ 2x/dia 3 (6.7%)
    Unknown 11
Biscoito com recheio
    Nunca 4 (8.9%)
    < 1x/mês 7 (16%)
    1–3x/mês 5 (11%)
    2–4x/semana 7 (16%)
    1x/semana 10 (22%)
    1x/dia 7 (16%)
    ≥ 2x/dia 5 (11%)
    Unknown 11
Batata
    Nunca 9 (20%)
    < 1x/mês 5 (11%)
    1–3x/mês 7 (16%)
    2–4x/semana 10 (22%)
    1x/semana 9 (20%)
    1x/dia 4 (8.9%)
    ≥ 2x/dia 1 (2.2%)
    Unknown 11
Mandioca
    Nunca 16 (36%)
    < 1x/mês 10 (22%)
    1–3x/mês 7 (16%)
    2–4x/semana 3 (6.7%)
    1x/semana 6 (13%)
    1x/dia 0 (0%)
    ≥ 2x/dia 3 (6.7%)
    Unknown 11
Alface
    Nunca 13 (29%)
    < 1x/mês 8 (18%)
    1–3x/mês 9 (20%)
    2–4x/semana 5 (11%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 4 (8.9%)
    Unknown 11
Beterraba
    Nunca 34 (76%)
    < 1x/mês 5 (11%)
    1–3x/mês 2 (4.4%)
    2–4x/semana 0 (0%)
    1x/semana 4 (8.9%)
    1x/dia 0 (0%)
    ≥ 2x/dia 0 (0%)
    Unknown 11
Cenoura
    Nunca 19 (42%)
    < 1x/mês 6 (13%)
    1–3x/mês 8 (18%)
    2–4x/semana 7 (16%)
    1x/semana 3 (6.7%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 1 (2.2%)
    Unknown 11
Pepino
    Nunca 15 (33%)
    < 1x/mês 10 (22%)
    1–3x/mês 5 (11%)
    2–4x/semana 9 (20%)
    1x/semana 2 (4.4%)
    1x/dia 2 (4.4%)
    ≥ 2x/dia 2 (4.4%)
    Unknown 11
Tomate
    Nunca 9 (20%)
    < 1x/mês 2 (4.4%)
    1–3x/mês 6 (13%)
    2–4x/semana 11 (24%)
    1x/semana 6 (13%)
    1x/dia 4 (8.9%)
    ≥ 2x/dia 7 (16%)
    Unknown 11
Abacaxi
    Nunca 12 (27%)
    < 1x/mês 10 (22%)
    1–3x/mês 11 (24%)
    2–4x/semana 2 (4.4%)
    1x/semana 7 (16%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 2 (4.4%)
    Unknown 11
Banana
    Nunca 4 (8.9%)
    < 1x/mês 2 (4.4%)
    1–3x/mês 8 (18%)
    2–4x/semana 13 (29%)
    1x/semana 7 (16%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 10 (22%)
    Unknown 11
Laranja/mexerica
    Nunca 7 (16%)
    < 1x/mês 6 (13%)
    1–3x/mês 13 (29%)
    2–4x/semana 6 (13%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 7 (16%)
    Unknown 11
Maçã/Pera
    Nunca 7 (16%)
    < 1x/mês 4 (8.9%)
    1–3x/mês 14 (31%)
    2–4x/semana 8 (18%)
    1x/semana 4 (8.9%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 7 (16%)
    Unknown 11
Mamão
    Nunca 18 (40%)
    < 1x/mês 12 (27%)
    1–3x/mês 3 (6.7%)
    2–4x/semana 2 (4.4%)
    1x/semana 6 (13%)
    1x/dia 1 (2.2%)
    ≥ 2x/dia 3 (6.7%)
    Unknown 11
Melão/Melancia
    Nunca 9 (26%)
    < 1x/mês 7 (20%)
    1–3x/mês 9 (26%)
    2–4x/semana 2 (5.7%)
    1x/semana 3 (8.6%)
    1x/dia 2 (5.7%)
    ≥ 2x/dia 3 (8.6%)
    Unknown 21
Manga
    Nunca 9 (20%)
    < 1x/mês 13 (30%)
    1–3x/mês 5 (11%)
    2–4x/semana 5 (11%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 1 (2.3%)
    ≥ 2x/dia 6 (14%)
    Unknown 12
Feijão
    Nunca 1 (2.3%)
    < 1x/mês 0 (0%)
    1–3x/mês 4 (9.1%)
    2–4x/semana 16 (36%)
    1x/semana 1 (2.3%)
    1x/dia 7 (16%)
    ≥ 2x/dia 15 (34%)
    Unknown 12
Carne bovina
    Nunca 2 (4.5%)
    < 1x/mês 2 (4.5%)
    1–3x/mês 3 (6.8%)
    2–4x/semana 18 (41%)
    1x/semana 4 (9.1%)
    1x/dia 3 (6.8%)
    ≥ 2x/dia 12 (27%)
    Unknown 12
Frango
    Nunca 3 (6.8%)
    < 1x/mês 2 (4.5%)
    1–3x/mês 7 (16%)
    2–4x/semana 14 (32%)
    1x/semana 4 (9.1%)
    1x/dia 4 (9.1%)
    ≥ 2x/dia 10 (23%)
    Unknown 12
Ovo
    Nunca 6 (14%)
    < 1x/mês 6 (14%)
    1–3x/mês 5 (11%)
    2–4x/semana 7 (16%)
    1x/semana 7 (16%)
    1x/dia 6 (14%)
    ≥ 2x/dia 7 (16%)
    Unknown 12
Embutidos
    Nunca 8 (19%)
    < 1x/mês 7 (16%)
    1–3x/mês 8 (19%)
    2–4x/semana 5 (12%)
    1x/semana 5 (12%)
    1x/dia 3 (7.0%)
    ≥ 2x/dia 7 (16%)
    Unknown 13
Salsicha
    Nunca 4 (9.1%)
    < 1x/mês 8 (18%)
    1–3x/mês 7 (16%)
    2–4x/semana 4 (9.1%)
    1x/semana 11 (25%)
    1x/dia 5 (11%)
    ≥ 2x/dia 5 (11%)
    Unknown 12
Linguiça
    Nunca 13 (30%)
    < 1x/mês 9 (20%)
    1–3x/mês 7 (16%)
    2–4x/semana 7 (16%)
    1x/semana 5 (11%)
    1x/dia 1 (2.3%)
    ≥ 2x/dia 2 (4.5%)
    Unknown 12
Refrigerante normal
    Nunca 4 (9.1%)
    < 1x/mês 2 (4.5%)
    1–3x/mês 6 (14%)
    2–4x/semana 9 (20%)
    1x/semana 10 (23%)
    1x/dia 4 (9.1%)
    ≥ 2x/dia 9 (20%)
    Unknown 12
Refrigerante diet
    Nunca 22 (50%)
    < 1x/mês 5 (11%)
    1–3x/mês 2 (4.5%)
    2–4x/semana 4 (9.1%)
    1x/semana 7 (16%)
    1x/dia 2 (4.5%)
    ≥ 2x/dia 2 (4.5%)
    Unknown 12
1 n (%)

Perguntas de interesse

1. Existem diferença entre o sexo masculino e feminino desses dados? (idade, escolaridade dos pais, renda familiar)

Tabela 4. Perfil demográfico dos estudantes
Variável Masculino
N = 24
1
Feminino
N = 31
1
p-value2
Idade (anos)

0.5
    15 0 (0%) 2 (6.5%)
    16 19 (79%) 25 (81%)
    17 5 (21%) 4 (13%)
Raça/cor

0.2
    Branca 6 (26%) 9 (31%)
    Parda 12 (52%) 9 (31%)
    Preta 4 (17%) 8 (28%)
    Amarela 0 (0%) 3 (10%)
    Indígena 1 (4.3%) 0 (0%)
Escolaridade da mãe

0.12
    Básico (1º ao 4º ano) 4 (20%) 3 (12%)
    Fundamental (5º ao 9º ano) 2 (10%) 11 (42%)
    Médio (1º ao 3º ano) 7 (35%) 8 (31%)
    Técnico profissionalizante 3 (15%) 1 (3.8%)
    Superior incompleto 1 (5.0%) 2 (7.7%)
    Superior completo 3 (15%) 1 (3.8%)
    Pós-graduação 0 (0%) 0 (0%)
Escolaridade do pai

0.7
    Básico (1º ao 4º ano) 7 (39%) 6 (23%)
    Fundamental (5º ao 9º ano) 5 (28%) 11 (42%)
    Médio (1º ao 3º ano) 4 (22%) 4 (15%)
    Técnico profissionalizante 1 (5.6%) 1 (3.8%)
    Superior incompleto 1 (5.6%) 3 (12%)
    Superior completo 0 (0%) 1 (3.8%)
    Pós-graduação 0 (0%) 0 (0%)
Mãe trabalha fora

0.6
    Sim 6 (30%) 10 (38%)
    Não 14 (70%) 16 (62%)
Renda familiar mensal

0.6
    Sem renda (não trabalha) 2 (11%) 4 (15%)
    Autônomo (renda variável) 4 (22%) 3 (12%)
    Empregado formal (valor ignorado) 6 (33%) 6 (23%)
    1 SM 2 (11%) 9 (35%)
    2 SM 2 (11%) 2 (7.7%)
    3 SM 2 (11%) 2 (7.7%)
    4–5 SM 0 (0%) 0 (0%)
    > 5 SM 0 (0%) 0 (0%)
1 n (%)
2 Fisher’s exact test; Pearson’s Chi-squared test

Nenhuma das variáveis demográficas listadas apresentam diferença estatisticamente significativa entre os gêneros dos participantes.

2. Qual o tempo médio diário de uso de telas e a frequência de uso por semana?

Com base na Tabela 5:

A maioria dos estudantes (33%) relatou usar telas por mais de 4 horas/dia, seguido de 2 horas/dia (31%) e 3 horas/dia (18%). Apenas 9,1% utilizavam por 30 minutos e outros 9,1% por 1 hora/dia. Ou seja, 64% dos estudantes usam telas por 3 horas ou mais por dia.

Quanto à frequência semanal, o uso diário foi predominante: 87% dos estudantes utilizaram dispositivos eletrônicos mais de 5 vezes por semana, enquanto 7,3% relataram 3 vezes/semana e 5,5%, 4 vezes/semana.

Esses dados indicam um padrão de uso intenso e frequente de telas entre os adolescentes, o que é consistente com o fato de que 93% deles acreditam que esse uso pode ocasionar algum problema de saúde — sendo insônia (41%) e cansaço mesmo após dormir (24%) os mais citados.

Tabela 5. Perfil do uso de dispositivos eletrônicos.
Variável N = 561
Acesso à internet
    Sim 56 (100%)
Celular próprio
    Não 1 (1.8%)
    Sim 55 (98%)
Dispositivo mais utilizado
    Celular 38 (69%)
    Celular + computador/notebook 1 (1.8%)
    Celular + Tv 12 (22%)
    Computador/Notebook 1 (1.8%)
    Tablet 1 (1.8%)
    Tv 1 (1.8%)
    Videogame 1 (1.8%)
Conteúdo mais consumido
    Jogos 5 (9.1%)
    Redes sociais 43 (78%)
    Séries ou filmes 7 (13%)
Tempo de uso diário
    1 hora/dia 5 (9.1%)
    2 horas/dia 17 (31%)
    3 horas/dia 10 (18%)
    30 minutos 5 (9.1%)
    Mais de 4 horas/dia 18 (33%)
Frequencia semanal
    3 vezes/semana 4 (7.3%)
    4 vezes/semana 3 (5.5%)
    Mais de 5 vezes/semana 48 (87%)
Acha que causa algum problema de saúde?
    Não 4 (7.1%)
    Sim 52 (93%)
Qual problema de saúde?
    Acordar no meio da noite para utilizar telas 2 (3.9%)
    Cansaço mesmo após + Insônia 1 (2.0%)
    Cansaço mesmo após dormir 12 (24%)
    Insônia 21 (41%)
    Privação de sono 5 (9.8%)
    Privação de sono + Cansaço mesmo após + Insônia 5 (9.8%)
    Privação de sono + Insônia 1 (2.0%)
    Todas as alternativas 4 (7.8%)
1 n (%)

3. Qual a proporção de adolescentes que ultrapassa o tempo recomendado de 2 horas/dia?

Com base na Tabela 5, os que usam mais de 2 horas/dia são:

  • 3 horas/dia: 10 (18%)

  • Mais de 4 horas/dia: 18 (33%)

Total: 28 estudantes (51%) ultrapassam o limite recomendado de 2 horas/dia.

Mais da metade dos adolescentes (51%) ultrapassou o tempo recomendado de até 2 horas diárias de uso de telas. Entre esses, 33% relataram usar telas por mais de 4 horas/dia e 18% por 3 horas/dia, evidenciando um padrão de exposição elevada a dispositivos eletrônicos nessa população.

4. Qual a frequência de consumo de ultraprocessados e de alimentos in natura?

Os escores de frequência de consumo alimentar, calculados pelo método de Fornés et al. (2002), revelaram padrões semelhantes entre os dois grupos analisados. O Grupo I (ultraprocessados) apresentou mediana de 1,27 (IIQ: 0,27–2,99), enquanto o Grupo II (alimentos in natura ou minimamente processados) registrou mediana de 1,09 (IIQ: 0,25–3,32). A amplitude dos intervalos interquartílicos em ambos os grupos indica elevada variabilidade no padrão de consumo entre os adolescentes, sugerindo heterogeneidade nas práticas alimentares da amostra. A proximidade entre os escores medianos dos dois grupos aponta para uma coexistência do consumo de ultraprocessados e de alimentos in natura, característica da transição nutricional observada em populações jovens brasileiras.

Escores de consumo por grupo — Método Fornés et al. (2002)
Characteristic Mediana (IIQ)1
Escore Grupo I (Ultraprocessados) 1.27 (0.27, 2.99)
Escore Grupo II (In natura) 1.09 (0.25, 3.32)
1 Median (Q1, Q3)

Grupo I — Ultraprocessados

Entre os alimentos ultraprocessados, o refrigerante normal destacou-se pelo consumo mais frequente: 49% dos adolescentes o consumiram ao menos uma vez por semana, sendo 20% com consumo ≥ 2x/dia e 9,1% 1x/dia. O macarrão instantâneo também apresentou consumo diário expressivo, com 22% relatando ≥ 2x/dia e 8,9% 1x/dia, totalizando 31% com consumo diário. O biscoito com recheio foi consumido por 49% dos estudantes ao menos uma vez por semana. Entre as carnes processadas, os embutidos e a salsicha se destacaram: 35% e 47% dos estudantes, respectivamente, os consumiram com frequência semanal ou maior. A linguiça teve consumo predominantemente baixo, com 30% nunca consumindo. O refrigerante diet foi o item com menor adesão, com 50% dos estudantes relatando nunca consumi-lo.

Grupo II — In natura / minimamente processados

Entre os alimentos in natura, a banana foi a fruta de maior consumo regular, com 51% dos estudantes relatando consumo de 2–4x/semana ou mais, incluindo 22% com consumo ≥ 2x/dia. O tomate e a batata foram os alimentos com maior frequência semanal entre hortaliças e tubérculos, com 49% e 44% dos estudantes consumindo-os ao menos uma vez por semana, respectivamente. Em contrapartida, a beterraba apresentou o menor consumo do grupo, com 76% dos adolescentes relatando nunca consumi-la, seguida pelo mamão (40%) e pela cenoura (42%). A maioria das frutas teve consumo predominantemente mensal ou esporádico, com exceção da banana e da laranja/mexerica, cujo consumo frequente foi mais expressivo.

Síntese

Em conjunto, os dados indicam a coexistência de padrões alimentares opostos: elevado consumo de ultraprocessados — especialmente refrigerantes, macarrão instantâneo e biscoitos — ao lado de consumo regular de alguns alimentos in natura como banana, tomate e batata. Esse padrão é consistente com o escore mediano semelhante entre os Grupos I e II (1,27 vs. 1,09), e reflete o perfil de transição nutricional característico de adolescentes em contextos urbanos brasileiros.

5. Qual a proporção de adolescentes com alto consumo de ultraprocessados?

Podemos responder a essa pergunta usando os scores de frequência de consumo alimentar. Podemos definir “alto consumo” como escore acima da mediana (> 1,27) ou acima do terceiro quartil (> 2,99). Nesse caso, teríamos as seguintes proporções de estudantes:

A proporção de adolescentes com alto consumo de ultraprocessados variou conforme o critério adotado. Considerando como ponto de corte o escore acima da mediana (> 1,27), metade dos estudantes (50%) foi classificada com alto consumo de alimentos ultraprocessados. Quando se adotou um critério mais restritivo, correspondente ao terceiro quartil (> 2,99), a proporção foi de 25% dos adolescentes. Esses resultados reforçam a relevância do consumo de ultraprocessados nessa população, independentemente do critério utilizado para sua classificação.

6. O consumo difere entre sexo, idade e renda familiar?

Escores de consumo por sexo
Characteristic Feminino
N = 31
1
Masculino
N = 24
1
p-value2
Escore Grupo I (Ultraprocessados) 0.95 (0.00, 2.69) 1.72 (0.54, 3.35) 0.4
Escore Grupo II (In natura) 1.06 (0.00, 3.26) 1.22 (0.41, 3.67) 0.6
1 Median (Q1, Q3)
2 Wilcoxon rank sum test

Escores de consumo por idade
Characteristic 15
N = 2
1
16
N = 45
1
17
N = 9
1
p-value2
Escore Grupo I (Ultraprocessados) 1.99 (0.71, 3.26) 0.98 (0.23, 2.69) 2.07 (0.77, 4.07) 0.6
Escore Grupo II (In natura) 5.43 (0.73, 10.13) 1.31 (0.30, 3.26) 0.73 (0.20, 2.01) 0.6
1 Median (Q1, Q3)
2 Kruskal-Wallis rank sum test

Escores de consumo por renda familiar
Characteristic 1 SM
N = 11
1
2 SM
N = 4
1
3 SM
N = 4
1
Autônomo (renda variável)
N = 7
1
Empregado formal (valor ignorado)
N = 12
1
Sem renda (não trabalha)
N = 6
1
p-value2
Escore Grupo I (Ultraprocessados) 1.17 (0.38, 2.69) 1.24 (0.85, 4.45) 0.90 (0.00, 2.80) 2.32 (0.23, 3.11) 0.82 (0.00, 3.07) 1.12 (0.00, 2.50) 0.9
Escore Grupo II (In natura) 2.06 (0.57, 4.35) 3.56 (1.90, 5.03) 0.24 (0.00, 0.71) 2.01 (0.08, 3.54) 1.22 (0.00, 3.48) 0.41 (0.00, 3.00) 0.2
1 Median (Q1, Q3)
2 Kruskal-Wallis rank sum test

A comparação dos escores de consumo alimentar segundo sexo, idade e renda familiar não revelou diferenças estatisticamente significativas para nenhuma das variáveis analisadas (p > 0,05 em todos os testes).

Em relação ao sexo, o escore de ultraprocessados foi ligeiramente superior no sexo masculino (mediana: 1,72; IIQ: 0,54–3,35) em comparação ao feminino (mediana: 0,95; IIQ: 0,00–2,69), sem diferença significativa (p = 0,4). O mesmo padrão foi observado para o consumo de alimentos in natura, com medianas de 1,22 (IIQ: 0,41–3,67) e 1,06 (IIQ: 0,00–3,26) para masculino e feminino, respectivamente (p = 0,6).

Quanto à idade, os adolescentes de 15 anos apresentaram escore mediano de ultraprocessados de 1,99 (IIQ: 0,71–3,26), seguidos pelos de 17 anos (mediana: 2,07; IIQ: 0,77–4,07) e 16 anos (mediana: 0,98; IIQ: 0,23–2,69), sem diferença significativa entre os grupos (p = 0,6). Para o consumo in natura, destaca-se a mediana elevada nos adolescentes de 15 anos (5,43; IIQ: 0,73–10,13) em comparação aos demais grupos, embora sem significância estatística (p = 0,6).

Em relação à renda familiar, os escores de ultraprocessados foram semelhantes entre as categorias, variando de 0,90 (3 SM) a 2,32 (autônomo), sem diferença significativa (p = 0,9). Para o consumo in natura, a categoria 2 SM apresentou a maior mediana (3,56; IIQ: 1,90–5,03), enquanto 3 SM registrou a menor (0,24; IIQ: 0,00–0,71), sem atingir significância estatística (p = 0,2).

É importante destacar que o tamanho amostral reduzido da amostra (n = 56) pode ter limitado o poder estatístico das análises, reduzindo a capacidade de detectar diferenças reais entre os grupos. Estudos com amostras maiores são necessários para confirmar ou refutar as tendências observadas.

7. Qual a prevalência de excesso de peso e de gordura corporal?

A prevalência de excesso de peso na amostra foi de 17% (n = 8), enquanto a de excesso de gordura corporal foi de 21% (n = 10).

A análise cruzada entre os dois indicadores revelou associação estatisticamente significativa (p < 0,001, teste exato de Fisher). Entre os adolescentes sem excesso de gordura corporal, 95% também não apresentavam excesso de peso pelo IMC, e apenas 5,4% tinham excesso de peso. Em contrapartida, entre aqueles com excesso de gordura corporal, 60% apresentavam simultaneamente excesso de peso, enquanto 40% foram classificados com peso adequado pelo IMC.

Esses achados indicam que o excesso de gordura corporal e o excesso de peso tendem a coexistir, mas não são completamente sobreponíveis. A discordância observada — 40% dos adolescentes com excesso de gordura sem excesso de peso pelo IMC — sugere que o IMC isolado pode subestimar a adiposidade nessa população, reforçando a importância de incluir medidas de composição corporal, como o percentual de gordura estimado por dobras cutâneas, na avaliação do estado nutricional de adolescentes.

Excesso de peso segundo classificação de gordura corporal
Characteristic Overall
N = 47
1
Sem excesso de gordura
N = 37
1
Excesso de gordura
N = 10
1
p-value2
Excesso de peso (IMC)


<0.001
    Sem excesso de peso 39 (83%) 35 (95%) 4 (40%)
    Excesso de peso 8 (17%) 2 (5.4%) 6 (60%)
1 n (%)
2 Fisher’s exact test

8. Qual a proporção de adolescentes ativos, pouco ativos e sedentários?

O nível de atividade física dos adolescentes foi avaliado pelo PAQ-A, cujo escore mediano foi de 2,16 (IIQ: 1,75–2,89), indicando, em média, um nível moderadamente baixo de atividade física na amostra.

Quanto à classificação, observou-se distribuição equivalente entre as categorias sedentário/pouco ativo e moderadamente ativo, cada uma representando 41% dos adolescentes (n = 18). Apenas 18% (n = 8) foram classificados como muito ativos. Em conjunto, esses dados revelam que a grande maioria dos adolescentes — 82% — não atingiu o nível considerado muito ativo pelo instrumento, o que é preocupante diante das recomendações da OMS de pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia para essa faixa etária.

Vale destacar que 12 adolescentes não foram classificados por ausência de resposta em pelo menos um item do questionário, o que pode ter influenciado os percentuais observados.

Nível de atividade física — PAQ-A
Characteristic N = 561
Escore PAQ-A 2.16 (1.75, 2.89)
    Unknown 12
Nível de atividade física
    Sedentário/Pouco ativo 18 (41%)
    Moderadamente ativo 18 (41%)
    Muito ativo 8 (18%)
    Unknown 12
1 Median (Q1, Q3); n (%)

9. O nível de atividade física varia conforme sexo, idade e escolaridade?

A análise do nível de atividade física segundo o sexo revelou diferença estatisticamente significativa tanto para o escore contínuo do PAQ-A (p = 0,006) quanto para a classificação categórica (p = 0,040).

Os adolescentes do sexo masculino apresentaram escore mediano significativamente superior ao feminino (2,75; IIQ: 1,94–3,10 vs. 1,89; IIQ: 1,55–2,30), indicando maior nível de atividade física entre os meninos. Essa diferença se refletiu na distribuição por categorias: entre os meninos, 32% foram classificados como muito ativos e 42% como moderadamente ativos, com apenas 26% na categoria sedentário/pouco ativo. Entre as meninas, o padrão foi inverso — 54% foram classificadas como sedentárias/pouco ativas, 42% como moderadamente ativas e apenas 4,2% como muito ativas.

Esses achados são consistentes com a literatura, que aponta sistematicamente maiores níveis de atividade física em adolescentes do sexo masculino em comparação ao feminino, possivelmente relacionados a fatores culturais, sociais e ao maior engajamento dos meninos em atividades esportivas.

A análise do nível de atividade física segundo a escolaridade materna não revelou diferença estatisticamente significativa, tanto para o escore contínuo do PAQ-A (p = 0,6) quanto para a classificação categórica (p = 0,4).

Os escores medianos foram semelhantes entre a maioria das categorias de escolaridade, variando de 1,94 (superior completo) a 2,33 (ensino médio). A exceção foi a categoria técnico profissionalizante, que apresentou o maior escore mediano (3,63), com o único adolescente classificado nesse grupo sendo muito ativo — resultado que deve ser interpretado com extrema cautela dado o n = 1 após exclusão dos missing. De forma geral, a categoria sedentário/pouco ativo predominou na maioria dos níveis de escolaridade materna, com proporções variando entre 43% (básico) e 67% (superior completo).

Os resultados devem ser interpretados com cautela em razão do tamanho reduzido em várias categorias de escolaridade — especialmente técnico profissionalizante (n = 1), superior incompleto (n = 2) e pós-graduação (n = 0 válidos) — o que compromete a confiabilidade das estimativas e o poder estatístico para detectar diferenças entre os grupos.

Nível de atividade física por sexo
Characteristic Masculino
N = 24
1
Feminino
N = 31
1
p-value2
Escore PAQ-A 2.75 (1.94, 3.10) 1.89 (1.55, 2.30) 0.006
    Unknown 5 7
Nível de atividade física

0.040
    Sedentário/Pouco ativo 5 (26%) 13 (54%)
    Moderadamente ativo 8 (42%) 10 (42%)
    Muito ativo 6 (32%) 1 (4.2%)
    Unknown 5 7
1 Median (Q1, Q3); n (%)
2 Wilcoxon rank sum test; Fisher’s exact test
Nível de atividade física por idade
Characteristic 15
N = 2
1
16
N = 45
1
17
N = 9
1
p-value2
Escore PAQ-A 1.83 (1.75, 1.90) 2.25 (1.77, 2.92) 1.88 (1.25, 2.75) 0.4
    Unknown 0 10 2
Nível de atividade física


0.5
    Sedentário/Pouco ativo 2 (100%) 12 (34%) 4 (57%)
    Moderadamente ativo 0 (0%) 16 (46%) 2 (29%)
    Muito ativo 0 (0%) 7 (20%) 1 (14%)
    Unknown 0 10 2
1 Median (Q1, Q3); n (%)
2 Kruskal-Wallis rank sum test; Fisher’s exact test
Nível de atividade física por escolaridade da mãe
Characteristic Básico (1º ao 4º ano)
N = 7
1
Fundamental (5º ao 9º ano)
N = 13
1
Médio (1º ao 3º ano)
N = 15
1
Técnico profissionalizante
N = 4
1
Superior incompleto
N = 3
1
Superior completo
N = 4
1
Pós-graduação
N = 0
1
p-value2
Escore PAQ-A 2.11 (1.29, 2.25) 2.09 (1.60, 2.69) 2.33 (1.54, 2.96) 3.63 (3.63, 3.63) 2.00 (2.00, 2.00) 1.94 (1.75, 3.17) NA (NA, NA) 0.6
    Unknown 0 3 3 3 1 1 0
Nível de atividade física






0.4
    Sedentário/Pouco ativo 3 (43%) 5 (50%) 6 (50%) 0 (0%) 0 (0%) 2 (67%) 0 (NA%)
    Moderadamente ativo 4 (57%) 4 (40%) 4 (33%) 0 (0%) 2 (100%) 0 (0%) 0 (NA%)
    Muito ativo 0 (0%) 1 (10%) 2 (17%) 1 (100%) 0 (0%) 1 (33%) 0 (NA%)
    Unknown 0 3 3 3 1 1 0
1 Median (Q1, Q3); n (%)
2 Kruskal-Wallis rank sum test; Fisher’s exact test