PET Economia
O que você faria se fosse o
Haddad?
Prof. Dr. Julio Fernando Costa Santos
Maio de 2026 (Atualizado: 2026-05-01)
Ponto metodológico: esta apresentação diferencia feitos institucionais, resultados macroeconômicos observados e causalidade econômica. Nem todo resultado decorre diretamente da Fazenda; há choques externos, Congresso, Banco Central independente e inércias herdadas.
Pergunta central: o Ministério da Fazenda de Haddad conseguiu combinar credibilidade fiscal, reforma institucional e crescimento com inclusão?
A agenda de Haddad parte de um diagnóstico diferente daquele associado a Guedes:
| Tema | Guedes | Haddad |
|---|---|---|
| Âncora fiscal | Teto de gastos como limite real rígido | Regra de despesa com bandas e meta de primário |
| Tributação | Simplificação prometida, mas travada | EC 132/2023 e LC 214/2025 aprovadas |
| Estado | Redução do tamanho e privatizações | Reconstrução de capacidades e investimento público limitado |
| Política social | Auxílio emergencial/Auxílio Brasil | Bolsa Família recomposto, IRPF progressivo e Desenrola |
| Crescimento | Oferta, privatização e confiança | Demanda, renda, investimento e reformas institucionais |
| Fiscal | Ênfase no corte de gastos | Ênfase em recomposição de receita + contenção parcial de despesa |
Síntese: Haddad reconstruiu a âncora fiscal, mas ainda não resolveu a equação estrutural entre gasto obrigatório, juros reais e crescimento.
Avanços institucionais:
Resultados macroeconômicos favoráveis:
Pergunta para debate: Haddad conseguiu criar um novo regime de política econômica ou apenas uma solução pragmática para sobreviver ao conflito fiscal de curto prazo?
1. Reformas institucionais
2. Canais macroeconômicos
3. Resultados esperados
Leitura do mecanismo: as reformas institucionais procuram melhorar a eficiência tributária e a credibilidade fiscal. Em tese, isso pode favorecer o investimento, o crescimento e a arrecadação. Se o crescimento aumenta e o resultado primário melhora, a pressão sobre a dívida/PIB diminui. O elo frágil permanece quando a Selic elevada e a rigidez do gasto comprimem o espaço fiscal.
Não basta. A regra fiscal organiza expectativas, mas a trajetória da dívida depende de:
\[\dot{b}=d+(r-g)b\]
em que \(b\) é dívida/PIB, \(d\) é déficit primário/PIB, \(r\) é juro real efetivo da dívida e \(g\) é crescimento real do PIB.
Logo, o fiscal brasileiro continua condicionado por três variáveis politicamente difíceis:
No Lula 3, a Fazenda opera sob pelo menos quatro restrições:
Portanto, o balanço de Haddad deve separar:
\[\text{Política econômica desenhada} \neq \text{Resultado macro observado}\]