COMO PERDER O MEDO DA METODOLOGIA SEM SOFRER, EM 14 ETAPAS

Roteiro em etapas para produção científica em Relações Internacionais - TCC, artigo científico e relatório técnico

Autor

Fernando José Ludwig, PhD

Data de Publicação

23/04/2026

APRESENTAÇÃO

Este guia foi elaborado para orientar, de forma prática e sequencial, a escolha da metodologia em trabalhos acadêmicos de Relações Internacionais. Seu objetivo não é apresentar uma lista genérica de métodos, mas ajudar o estudante a percorrer o caminho correto entre problema de pesquisa, pergunta, objetivo, evidência empírica, metodologia, métodos, técnicas e viabilidade real de execução.

A lógica central que estrutura este roteiro é:

problema de pesquisa → pergunta → objetivo → tipo de evidência → metodologia → métodos/técnicas → justificativa.

Em termos de base metodológica, este material se apoia principalmente em Sposito, que organiza o debate metodológico em RI a partir de desenhos de pesquisa, metodologia qualitativa, método histórico, etnografia, metodologia quantitativa e métodos mistos (SPOSITO, 2024). Para a parte quantitativa e de tratamento de dados, o guia também dialoga com capítulos do Handbook of Research Methods in International Relations e do The SAGE Handbook of Research Methods in Political Science and International Relations, sobretudo aqueles dedicados à escolha da estratégia empírica, unidade de análise, regressão, estudo de caso, entrevistas e métodos mistos (RITTER, 2022; GONZALEZ; POAST, 2022; CHIOZZA, 2022; ALI, 2022; EL KURD, 2022; GONZÁLEZ-OCANTOS, 2020; RUFFA, 2020; GREENSTEIN; MOSLEY, 2020; HARBERS; INGRAM, 2020).

COMO USAR ESTE ROTEIRO

Este material pode ser usado de três formas:

  1. como guia de decisão metodológica para o próprio estudante;
  2. como material de apoio didático em disciplinas de metodologia;
  3. como roteiro de orientação para TCC, artigo ou relatório técnico.

A recomendação é simples: o estudante deve percorrer as etapas na ordem proposta. A definição metodológica não deve começar pela técnica favorita, pelo software disponível ou por um rótulo abstrato como “qualitativo” ou “quanti-quali”. Ela deve começar no problema de pesquisa e terminar na compatibilidade entre a pergunta e o tipo de evidência disponível.

ETAPA 1. DEFINIR O PROBLEMA DE PESQUISA

A primeira etapa consiste em identificar qual é o problema de pesquisa. Aqui, o estudante precisa sair do tema amplo e transformar o interesse inicial em uma dificuldade analítica mais precisa. Essa passagem entre tema, quebra-cabeça analítico e projeto de pesquisa é central em Clark (2020) e McCauley e Ruggeri (2020), e aparece em Sposito (2024) na discussão sobre desenhos de pesquisa.

O que fazer

Perguntar:

  • o que exatamente eu quero compreender, descrever, comparar, interpretar ou explicar?
  • qual é o recorte empírico real do trabalho?
  • onde está a tensão analítica do tema?

O que evitar

Evite formular apenas um tema amplo, como:

  • “segurança internacional”;
  • “migração”;
  • “política externa brasileira”;
  • “fronteiras”.

Esses termos indicam apenas um campo temático, não um problema de pesquisa.

Exemplo

Em vez de:

Segurança internacional na Amazônia.

Prefira:

Como a presença do crime organizado transnacional reconfigura as práticas de segurança de fronteira em determinado trecho da Amazônia brasileira?

Resultado esperado da etapa

Ao final desta etapa, o estudante deve ser capaz de formular uma frase clara que indique qual problema pretende investigar.

ETAPA 2. FORMULAR A PERGUNTA DE PESQUISA/PARTIDA

Depois do problema, vem a pergunta. A pergunta de pesquisa/partida é o eixo que orienta o desenho metodológico. Uma pergunta mal formulada gera uma metodologia vaga; uma pergunta precisa permite selecionar melhor as fontes, os casos e as técnicas. A formulação da pergunta e sua transformação em projeto são discutidas de modo especialmente útil em Clark (2020), McCauley e Ruggeri (2020) e Sposito (2024).

Tipos mais comuns de pergunta

Pergunta descritiva

Busca mostrar como algo é, como ocorreu ou como se organiza.

Exemplos:

  • Como se estruturou a cooperação de fronteira entre Brasil e Paraguai entre 2019 e 2025?
  • Como variaram os gastos militares de países sul-americanos no período pós-2010?

Pergunta comparativa

Busca identificar semelhanças, diferenças ou variações entre casos.

Exemplos:

  • Quais diferenças podem ser observadas entre as políticas de fronteira de Brasil e Colômbia?
  • Como variaram os enquadramentos discursivos sobre migração em dois governos distintos?

Pergunta interpretativa

Busca compreender sentidos, enquadramentos, narrativas, representações, identidades e legitimidades.

Exemplos:

  • Como determinado ator constrói discursivamente a ideia de ameaça?
  • De que forma o discurso oficial enquadra a fronteira como espaço de insegurança?

Pergunta explicativa

Busca responder por que um fenômeno ocorreu, quais fatores o condicionam ou por quais mecanismos ele se produz.

Exemplos:

  • Por que determinados países adotaram maior cooperação em segurança fronteiriça?
  • Quais mecanismos explicam a mudança de posição de um governo em política externa?

Regra prática

Se a pergunta usa expressões como:

  • como se organiza;
  • como evolui;
  • como aparece,

o desenho tende a ser descritivo ou interpretativo.

Se a pergunta usa expressões como:

  • por que ocorre;
  • o que explica;
  • quais fatores levam a,

o desenho tende a ser explicativo.

Resultado esperado da etapa

Ao final desta etapa, o estudante deve ter uma pergunta clara, única e executável, compatível com o tempo e com as fontes disponíveis.

ETAPA 3. DEFINIR O OBJETIVO GERAL E OS OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • a pergunta deve terminar com interrogação;
  • o objetivo geral deve começar com verbo no infinitivo;
  • os objetivos específicos devem desdobrar a operação analítica.

Exemplo

Pergunta

Como o discurso oficial brasileiro enquadrou a crise migratória venezuelana entre 2018 e 2022?

Objetivo geral

Analisar como o discurso oficial brasileiro enquadrou a crise migratória venezuelana entre 2018 e 2022.

Objetivos específicos

  1. identificar os principais documentos e pronunciamentos do período;
  2. mapear os eixos temáticos recorrentes;
  3. examinar como categorias como segurança, soberania, assistência humanitária e controle aparecem no corpus.

Resultado esperado da etapa

Ao final desta etapa, o estudante deve saber qual operação intelectual realizará: descrever, comparar, interpretar, explicar ou avaliar.

ETAPA 4. IDENTIFICAR O TIPO DE EVIDÊNCIA EMPÍRICA

Esta é a etapa mais importante do guia !!!

A escolha metodológica deve se apoiar principalmente no tipo de material empírico com que o trabalho vai lidar. A ligação entre tipo de dado, unidade de análise e estratégia empírica aparece com muita clareza em Sposito (2024), Gonzalez e Poast (2022) e Munck, Møller e Skaaning (2020).

4.1. Quando o trabalho usa discursos, entrevistas, falas, notícias e documentos políticos

Se o material empírico é textual e discursivo, a questão central é: o trabalho quer classificar padrões ou interpretar sentidos?

Caminhos mais adequados

Análise de conteúdo

Use quando o objetivo for:

  • categorizar;
  • classificar;
  • identificar recorrências;
  • construir quadros comparativos;
  • observar presença e ausência de categorias.

É mais adequada quando o corpus é composto por documentos, discursos, notas oficiais, notícias ou entrevistas que precisam ser organizados em categorias analíticas. Como porta de entrada, as leituras mais úteis são Sposito (2024, cap. 3), Reyes Nunez (2022) e González-Ocantos (2020), porque ajudam a situar a análise qualitativa dentro de desenhos de N pequeno, seleção de evidências e organização sistemática do corpus.

Análise do discurso

Use quando o objetivo for:

  • interpretar sentidos;
  • examinar enquadramentos;
  • analisar construções de ameaça, identidade, legitimidade ou securitização;
  • compreender estratégias retóricas.

É mais adequada quando o foco não está apenas em “o que aparece”, mas em como o sentido é construído. Para isso, os capítulos mais úteis são Knotter (2022) e Kurowska e Bliesemann de Guevara (2020), porque ajudam a compreender abordagens interpretativas em RI e a relação entre linguagem, contexto e produção de significado.

Análise temática

Use quando o foco for:

  • organizar entrevistas;
  • agrupar falas em eixos temáticos;
  • sistematizar um corpus textual de modo claro e didático.

Essa estratégia é especialmente útil quando o material empírico é heterogêneo, mas ainda organizado em torno de alguns grandes temas analíticos. As leituras de Broache (2022), Greenstein e Mosley (2020) e González-Ocantos (2020) ajudam a fazer a passagem entre coleta qualitativa e sistematização analítica.

Codificação qualitativa

Use quando houver corpus textual consistente e necessidade de:

  • marcar categorias;
  • organizar trechos;
  • construir matrizes analíticas;
  • sistematizar a leitura.

A codificação se beneficia de capítulos que tratam de desenho qualitativo e organização do corpus, como Sposito (2024, cap. 3), Reyes Nunez (2022) e González-Ocantos (2020).

Análise narrativa

Use quando o foco for:

  • trajetória;
  • memória;
  • encadeamento temporal de sentidos;
  • construção de experiência.

Quando a ênfase recai sobre narrativa, contexto e interpretação densa, os capítulos mais úteis tendem a ser Sposito (2024, cap. 5), Knotter (2022) e Kurowska e Bliesemann de Guevara (2020).

4.2. Quando o trabalho usa legislações, tratados, resoluções e normas

Aqui o mais importante é distinguir entre descrição documental, comparação normativa e interpretação institucional.

Caminhos mais adequados

Análise documental

Use para:

  • examinar estrutura e conteúdo dos documentos;
  • reconstruir a evolução normativa;
  • mapear dispositivos, princípios e orientações.

A leitura mais útil aqui é Shifrinson (2022), que discute pesquisa documental e arquivística em RI, complementada por Sposito (2024, cap. 2 e 4), sobretudo quando o documento precisa ser lido em trajetória histórica.

Análise de conteúdo aplicada a documentos normativos

Use quando quiser:

  • classificar artigos;
  • identificar categorias recorrentes;
  • verificar frequência de temas;
  • comparar documentos de países, governos ou períodos diferentes.

Esse tipo de uso combina bem com a discussão de Sposito (2024, cap. 3) sobre técnicas qualitativas e com Ali (2022) e Ruffa (2020), quando a análise documental está inserida em estudo de caso ou comparação entre casos.

Codificação

Use para classificar:

  • competências institucionais;
  • categorias de ação estatal;
  • menções a segurança, soberania, cooperação, direitos, fronteira etc.

A codificação normativa se beneficia sobretudo de capítulos sobre pesquisa qualitativa, estudo de caso e documentos: Sposito (2024, cap. 3), Shifrinson (2022), Ali (2022) e Ruffa (2020).

Frequência e coocorrência

Use apenas quando fizer sentido mostrar:

  • quantas vezes certos termos aparecem;
  • quais conceitos aparecem juntos.

Esse recurso pode ser útil, mas não substitui interpretação. Quando a frequência é usada em textos, vale consultar também Cuppernull e Terman (2022) e Benoit (2020), sobretudo se o corpus crescer e migrar para uma estratégia de texto como dado.

Análise institucional

Use quando o foco estiver em:

  • competências dos órgãos;
  • desenho institucional;
  • mecanismos de coordenação;
  • efeitos organizacionais e normativos.

Aqui a leitura complementar mais útil é Peterson e Peters (2020), além dos capítulos de comparação e estudo de caso.

Análise jurídica-institucional

Use quando a pergunta envolver fortemente:

  • interpretação normativa;
  • arranjo institucional;
  • coerência entre normas e competências.

Nesse caso, a leitura de documentos deve ser articulada com desenho de caso e comparação institucional: Sposito (2024, cap. 2 a 4), Shifrinson (2022), Ali (2022) e Ruffa (2020).

4.3. Quando o trabalho usa planilhas, indicadores, séries temporais e bases estatísticas

Quando o material empírico é numérico, a escolha depende da pergunta e da qualidade dos dados.

Caminhos mais adequados

Estatística descritiva

É o caminho mais seguro e mais útil para muitos TCCs e artigos de graduação.

Use para:

  • descrever padrões;
  • mostrar evolução temporal;
  • comparar casos;
  • apresentar distribuição de variáveis.

As leituras mais úteis, nesse ponto, são Sposito (2024, cap. 6), Gonzalez e Poast (2022), Munck, Møller e Skaaning (2020) e Whitten-Woodring (2022), porque ajudam a pensar tipo de dado, unidade de análise, mensuração e tratamento inicial.

Visualização de dados

Deve acompanhar a estatística descritiva.

Use para:

  • tornar padrões visíveis;
  • comparar tendências;
  • apresentar séries temporais;
  • comunicar resultados com clareza.

Como apoio específico para visualização, este guia continua recomendando Knaflic (2019), especialmente os capítulos sobre contexto, escolha do visual e focalização da atenção. Como complemento metodológico mais amplo, Traunmüller (2020) discute visualização de dados em pesquisa política.

Correlação

Use apenas quando a pergunta for sobre associação entre variáveis e quando houver dados minimamente consistentes.

As leituras que ajudam aqui são Sposito (2024, cap. 6) e Chiozza (2022), porque ajudam a distinguir associação simples de modelagem mais robusta.

Regressão linear ou logística

Use somente quando houver:

  • hipótese relacional clara;
  • variável dependente bem definida;
  • número de observações suficiente;
  • domínio metodológico compatível.

Em muitos TCCs, a regressão pode ser excessiva se o banco for pequeno, desorganizado ou mal operacionalizado. Os capítulos mais úteis aqui são Chiozza (2022) e Franzese (2020), além de Sposito (2024, cap. 6).

Testes de hipótese e inferência estatística

Só devem ser usados quando houver base adequada, amostragem coerente e pergunta compatível. Aqui também são úteis Chiozza (2022), Franzese (2020) e os capítulos de mensuração do SAGE Handbook.

Séries temporais

São adequadas quando o foco é a evolução ao longo do tempo e há observações suficientes em vários pontos temporais. Os capítulos mais úteis são Linn e Webb (2020), Troeger (2020) e, quando a pergunta envolver duração de eventos, Shiran e Shea (2022) e Fukumoto (2020).

4.4. Quando o trabalho usa poucos casos ou um caso único

Quando a pesquisa trata de um caso único, dois casos ou poucos casos, o mais importante é definir se a prioridade é profundidade, comparação ou causalidade.

Caminhos mais adequados

Estudo de caso

Use quando o objetivo for:

  • examinar profundamente um caso;
  • reconstruir contexto;
  • compreender um processo específico;
  • articular teoria e evidência detalhada.

As leituras mais importantes são Ali (2022), Ruffa (2020) e Sposito (2024, cap. 3), porque ajudam a pensar seleção de caso, análise contextual e relação entre caso e argumento.

Estudo de caso comparado

Use quando houver dois ou mais casos com critério claro de comparação. Aqui também são centrais Sposito (2024, cap. 3), Ali (2022), Ruffa (2020) e Brummer (2020), especialmente para comparações em política externa.

Comparação simples

Use quando o trabalho deseja observar diferenças e semelhanças sem necessariamente reconstruir mecanismos causais complexos. A leitura mais direta é Sposito (2024, cap. 3, item 3.1.2).

Análise histórica comparada

Use quando o tempo histórico e a trajetória dos casos forem centrais. A leitura mais direta é Sposito (2024, cap. 3, item 3.1.3), articulada com Ripsman (2022) e Sposito (2024, cap. 4).

Process tracing

Use quando a pergunta é explicativa e se deseja identificar:

  • sequência de eventos;
  • mecanismos causais;
  • encadeamento decisório.

A leitura mais importante é Sposito (2024, cap. 3, item 3.1.1), complementada por Barnes e Weller (2022), que aproximam a ideia de causal pathway analysis.

Tipologias

Use quando o objetivo é classificar:

  • perfis de política externa;
  • tipos de resposta estatal;
  • tipos de arranjos institucionais;
  • padrões de atuação.

A leitura mais importante é Sposito (2024, cap. 3, item 3.1.4).

QCA

Só recomende quando houver número intermediário de casos, boa definição de condições e resultado, além de real capacidade técnica para aplicação.

As leituras fundamentais são Sposito (2024, cap. 3, item 3.1.5), Thiem (2022) e Duşa (2020).

4.5. Quando o trabalho usa entrevistas, observação e campo

Aqui é essencial distinguir entre técnica de coleta e técnica de análise.

Caminhos mais adequados

Entrevista semiestruturada

É a técnica mais recomendável para TCC e artigo quando o estudante precisa de flexibilidade com algum grau de padronização. As leituras mais importantes são Broache (2022), Greenstein e Mosley (2020) e González-Ocantos (2020).

Entrevista em profundidade

Use quando a ênfase estiver na experiência, percepção, trajetória ou interpretação do entrevistado. As mesmas leituras ajudam, com ênfase maior nos capítulos sobre entrevista e desenho qualitativo.

Grupo focal

Use apenas quando houver real possibilidade de reunir participantes e quando a interação entre eles for relevante para o problema de pesquisa. A leitura central aqui é Van Ingelgom (2020).

Observação participante ou não participante

Use quando o campo exige acompanhamento de práticas, rotinas e interações. A leitura mais importante para dar densidade a essa decisão é Sposito (2024, cap. 5).

Pesquisa de campo

É adequada quando a compreensão do problema depende de presença empírica no local ou junto aos atores. González-Ocantos (2020) é particularmente útil nesse ponto.

Etnografia

Só deve ser recomendada quando houver:

  • tempo prolongado de imersão;
  • presença continuada em campo;
  • desenho compatível com observação densa.

A leitura central é Sposito (2024, cap. 5), apoiada por González-Ocantos (2020).

4.6. Quando o trabalho combina tipos de evidência

Se o trabalho combina documentos, entrevistas, estatística e estudo de caso, pode ser o caso de métodos mistos.

Caminhos mais adequados

Métodos mistos

Use apenas quando a combinação gerar ganho analítico real. As leituras centrais são Sposito (2024, cap. 7), El Kurd (2022) e Harbers e Ingram (2020).

Triangulação

É útil para:

  • confrontar evidências distintas;
  • aumentar robustez interpretativa;
  • verificar convergência de achados.

Essa lógica aparece sobretudo nos capítulos de métodos mistos de Sposito (2024), El Kurd (2022) e Harbers e Ingram (2020).

Desenho sequencial exploratório

Começa pelo qualitativo e depois avança para o quantitativo. As leituras mais úteis são Sposito (2024, cap. 7) e Harbers e Ingram (2020).

Desenho sequencial explanatório

Começa pelo quantitativo e depois recorre ao qualitativo para explicar ou aprofundar resultados. As leituras mais úteis são Sposito (2024, cap. 7), El Kurd (2022) e Harbers e Ingram (2020).

ETAPA 5. ESCOLHER A METODOLOGIA MAIS ADEQUADA

Depois de identificar a evidência empírica, o estudante deve definir a abordagem metodológica geral.

Metodologia qualitativa

Mais adequada quando o trabalho pretende:

  • interpretar significados;
  • reconstruir processos;
  • analisar poucos casos em profundidade;
  • compreender discursos, documentos, trajetórias e mecanismos.

As leituras mais úteis aqui são Sposito (2024, cap. 3 a 5), Reyes Nunez (2022), Knotter (2022), Ali (2022), González-Ocantos (2020), Ruffa (2020) e Kurowska e Bliesemann de Guevara (2020).

Metodologia quantitativa

Mais adequada quando o trabalho pretende:

  • descrever padrões em dados numéricos;
  • comparar grande número de observações;
  • testar associações;
  • estimar relações entre variáveis.

As leituras mais úteis aqui são Sposito (2024, cap. 6), Gonzalez e Poast (2022), Chiozza (2022), Franzese (2020), Linn e Webb (2020), Troeger (2020) e capítulos de mensuração do SAGE Handbook.

Métodos mistos

Mais adequados quando:

  • uma única metodologia não responde suficientemente à pergunta;
  • a combinação é complementar;
  • há condições reais de execução.

As leituras mais úteis aqui são Sposito (2024, cap. 7), El Kurd (2022) e Harbers e Ingram (2020).

Regra prática

Nunca escolha primeiro entre “qualitativo” ou “quantitativo” por preferência pessoal. Escolha a partir da pergunta e do tipo de evidência.

ETAPA 6. DEFINIR O MÉTODO

A metodologia é a orientação geral. O método é a estratégia mais concreta.

Exemplos de combinação correta

  • metodologia qualitativa + estudo de caso + análise documental + análise de conteúdo;
  • metodologia qualitativa + estudo de caso comparado + process tracing;
  • metodologia quantitativa + análise descritiva + séries temporais;
  • metodologia mista + análise estatística descritiva + estudo de caso com entrevistas.

Regra prática

Um bom método deve responder a três perguntas:

  1. qual é a unidade de análise?
  2. quantos casos serão examinados?
  3. qual tipo de inferência o trabalho pretende produzir?

ETAPA 7. DEFINIR TÉCNICAS DE COLETA E ANÁLISE

Nesta etapa, o estudante deve distinguir claramente:

  • metodologia: qualitativa, quantitativa ou mista;
  • método: estudo de caso, comparação, process tracing, regressão etc.;
  • técnica de coleta: entrevista, levantamento documental, base (de dados) estatística, observação;
  • técnica de análise: análise de conteúdo, análise do discurso, estatística descritiva, correlação, regressão etc.

Exemplos

Exemplo 1

  • metodologia: qualitativa
  • método: estudo de caso
  • coleta: documentos oficiais, notas diplomáticas, discursos
  • análise: análise de conteúdo

Exemplo 2

  • metodologia: qualitativa
  • método: estudo de caso comparado
  • coleta: tratados, decretos, legislações, relatórios
  • análise: análise documental e comparação institucional

Exemplo 3

  • metodologia: quantitativa
  • método: análise de séries temporais descritiva
  • coleta: banco de dados em CSV/Excel (fonte x, y, z)
  • análise: estatística descritiva, visualização e comparação de tendências

Exemplo 4

  • metodologia: mista
  • método: desenho sequencial explanatório
  • coleta: base estatística + entrevistas
  • análise: estatística descritiva inicial e análise temática posterior

ETAPA 8. AVALIAR A VIABILIDADE REAL

Nem toda metodologia teoricamente interessante é executável. Um desenho bom precisa ser viável.

Critérios de viabilidade

Tempo disponível

  • 2 a 4 meses: prefira recortes mais simples, estudo de caso, comparação simples, análise documental, estatística descritiva.
  • 6 a 12 meses: já é possível combinar métodos com mais segurança.
  • menos de 2 meses: evite campo complexo, regressões sofisticadas e métodos mistos pesados.

Acesso às fontes

Se o acesso ao material é incerto, não construa o desenho metodológico em torno de fontes que talvez não existam.

Volume de dados

Se o banco é pequeno, incompleto ou inconsistente, prefira descrição robusta a inferência frágil.

Quantidade de casos

  • 1 caso: estudo de caso, análise documental, process tracing, discurso;
  • 2 ou 3 casos: comparação simples ou estudo de caso comparado;
  • muitos casos: estatística descritiva, correlação, regressão, séries temporais, eventualmente QCA.

Nível de conhecimento metodológico do autor

Se o estudante tem domínio básico, não é prudente recomendar desenho excessivamente sofisticado.

Compatibilidade com o tipo de trabalho

  • TCC: exige clareza, viabilidade e recorte controlado;
  • artigo científico: exige maior concisão e foco;
  • relatório técnico: exige aplicabilidade e capacidade de síntese.

ETAPA 9. DISTINGUIR O TIPO DE INFERÊNCIA POSSÍVEL

Nem todo trabalho permite inferência causal. Esta distinção é decisiva para evitar exageros metodológicos. A discussão geral sobre inferência aparece de maneira introdutória em Sposito (2024, cap. 2) e, em chave mais sofisticada, em Pratt (2022), Bräuninger e Swalve (2020) e Franzese (2020).

Descrição

O trabalho mostra como algo se organiza, distribui ou evolui.

Interpretação

O trabalho reconstrói sentidos, enquadramentos, narrativas ou significados.

Comparação

O trabalho identifica diferenças e semelhanças entre casos.

Explicação causal limitada

O trabalho sugere mecanismos e relações explicativas, mas sem generalização ampla.

Inferência estatística

O trabalho testa relações em base numérica adequada.

Regra prática

Se o trabalho usa poucos casos, fontes documentais e recorte qualitativo, o mais prudente costuma ser falar em:

  • interpretação;
  • comparação;
  • explicação causal limitada.

ETAPA 10. O QUE EVITAR !!!

⚠ ATENÇÃO

Alguns erros aparecem com frequência em trabalhos de RI.

Erro 1. Escolher a metodologia antes da pergunta

A metodologia não deve ser escolhida por gosto pessoal, e sim por adequação analítica.

Erro 2. Confundir método com técnica

“Entrevista” não é metodologia. “Análise de conteúdo” não é coleta. “Qualitativo” não é método suficiente.

Erro 3. Usar “métodos mistos” como rótulo vazio

Não basta dizer “quali-quanti”. É preciso explicar:

  • qual etapa vem primeiro;
  • qual método complementa o outro;
  • por que a combinação é necessária.

Erro 4. Usar regressão de forma ornamental

Regressão não deve ser usada para “sofisticar” artificialmente um TCC.

Erro 5. Propor etnografia sem tempo de campo

Sem imersão prolongada, não é adequado chamar o desenho de etnográfico.

Erro 6. Trabalhar com corpus amplo demais

Um recorte empírico excessivo compromete a execução e enfraquece a análise.

ETAPA 11. COMO TRANSFORMAR UMA ESCOLHA EM REDAÇÃO METODOLÓGICA transformar a escolha em redação metodológica

Depois de definir a estratégia, o estudante deve redigir a seção metodológica com clareza.

Modelo 1. Trabalho qualitativo com documentos e discursos

Este trabalho adota metodologia qualitativa, com desenho de estudo de caso, voltado à análise de [tema/caso]. O recorte empírico é composto por [tipo de fonte], produzidos no período [x-y]. A coleta de dados baseia-se em levantamento documental e organização do corpus textual. Para a análise, emprega-se análise de conteúdo, com categorização dos documentos em eixos analíticos relacionados a [categorias]. A escolha dessa estratégia justifica-se pela natureza textual das fontes e pelo objetivo de identificar padrões, recorrências e enquadramentos presentes no material empírico.

Modelo 2. Trabalho qualitativo comparado

O trabalho adota metodologia qualitativa, com desenho comparativo de N-pequeno, a partir de [casos]. O objetivo é identificar semelhanças e diferenças em [dimensão de comparação]. A coleta será realizada por meio de documentos oficiais, relatórios e fontes secundárias especializadas. A análise será conduzida por comparação estruturada dos casos, complementada por análise documental. Essa estratégia é adequada porque permite examinar, de maneira aprofundada e contextualizada, variações entre poucos casos selecionados com critério teórico.

Modelo 3. Trabalho quantitativo descritivo

O estudo adota metodologia quantitativa, com foco descritivo, baseada em dados secundários extraídos de [base]. O recorte considera [casos] no período [x-y]. A análise será realizada por meio de estatística descritiva e visualização de dados, com o objetivo de identificar padrões, tendências e diferenças entre os casos observados. Essa estratégia é adequada porque a pergunta de pesquisa exige mapear empiricamente a evolução do fenômeno e porque a base disponível não demanda, neste estágio, modelagem inferencial mais complexa.

Modelo 4. Trabalho com métodos mistos

A pesquisa adota abordagem de métodos mistos, em desenho sequencial explanatório. Em um primeiro momento, realiza-se análise quantitativa descritiva dos dados de [base], buscando identificar padrões gerais do fenômeno. Em seguida, recorre-se à análise qualitativa de [documentos/entrevistas/casos] para aprofundar a interpretação dos resultados encontrados na etapa anterior. A combinação das duas estratégias se justifica pela necessidade de articular amplitude descritiva e profundidade analítica.

ETAPA 12. ROTEIRO DECISÓRIO RESUMIDO

Se o trabalho usa principalmente…

Discursos, entrevistas, falas, notícias, textos políticos

Tende a ser mais adequado:

  • metodologia qualitativa;
  • análise de conteúdo, análise do discurso ou análise temática;
  • eventualmente estudo de caso.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 3), Reyes Nunez (2022), Knotter (2022), Kurowska e Bliesemann de Guevara (2020).

Legislação, tratados, resoluções, decretos

Tende a ser mais adequado:

  • metodologia qualitativa;
  • análise documental;
  • codificação;
  • comparação documental;
  • análise institucional.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 2 a 4), Shifrinson (2022), Ali (2022), Ruffa (2020), Peterson e Peters (2020).

Dados numéricos em planilhas, bases e séries

Tende a ser mais adequado:

  • metodologia quantitativa;
  • estatística descritiva;
  • visualização;
  • correlação ou regressão, se houver base adequada.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 6), Gonzalez e Poast (2022), Chiozza (2022), Franzese (2020), Traunmüller (2020).

Poucos casos ou caso único

Tende a ser mais adequado:

  • estudo de caso;
  • estudo de caso comparado;
  • process tracing;
  • análise histórica comparada;
  • tipologias.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 3 e 4), Barnes e Weller (2022), Ali (2022), Ruffa (2020), Brummer (2020).

Campo, entrevistas e observação

Tende a ser mais adequado:

  • entrevistas semiestruturadas;
  • análise temática;
  • análise de conteúdo;
  • eventualmente observação ou etnografia, se houver condições reais.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 5), Broache (2022), González-Ocantos (2020), Greenstein e Mosley (2020), Van Ingelgom (2020).

Combinação de textos, números e casos

Tende a ser mais adequado:

  • métodos mistos;
  • triangulação;
  • desenho sequencial exploratório ou explanatório.

Leituras mais úteis: Sposito (2024, cap. 7), El Kurd (2022), Harbers e Ingram (2020).

ETAPA 13. MODELO DE FICHA PARA A DECISÃO METODOLÓGICA

Preencha os campos abaixo antes de redigir a metodologia.

Dados do trabalho

  • Tipo de trabalho:
  • Tema:
  • Recorte empírico:
  • Pergunta de pesquisa:
  • Objetivo geral:
  • Objetivos específicos:
  • Hipótese, se houver:
  • Tipo de fonte/material:
  • Quantidade de casos:
  • Período analisado:
  • Tempo disponível:
  • Nível de conhecimento metodológico do autor:
  • Software pretendido, se houver:
  • Observações adicionais:

Decisão metodológica

  • Natureza do estudo:
  • Metodologia escolhida:
  • Método principal:
  • Técnica de coleta:
  • Técnica de análise:
  • Unidade de análise:
  • Tipo de inferência possível:
  • Justificativa da escolha:
  • Limites da estratégia:

ETAPA 14. FUNDAMENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

Este guia foi organizado com base em obras que ajudam a sustentar as decisões metodológicas. Em vez de citar apenas os livros em geral, esta versão destaca também os capítulos efetivamente mais úteis para cada decisão.

Para metodologia em Relações Internacionais

A referência principal continua sendo Sposito, sobretudo:

  • capítulo 2, para desenhos de pesquisa, inferência válida e variações de desenho;
  • capítulo 3, para metodologia qualitativa, process tracing, comparação simples, análise histórica comparada, tipologias e QCA;
  • capítulo 4, para método histórico;
  • capítulo 5, para descrições densas e etnografia;
  • capítulo 6, para metodologia quantitativa;
  • capítulo 7, para métodos mistos.

Para formulação do projeto e da pergunta

Os capítulos mais úteis nas coletâneas são:

  • Clark (2020), sobre perguntas interessantes;
  • McCauley e Ruggeri (2020), sobre passagem de puzzle a projeto;
  • Ritter (2022), sobre o uso da teoria para escolher estratégia empírica;
  • Gonzalez e Poast (2022), sobre tipo de dado e unidade de análise.

Para qualitativos

Os capítulos mais úteis são:

  • Reyes Nunez (2022), sobre métodos qualitativos em RI;
  • Broache (2022), sobre entrevistas;
  • Shifrinson (2022), sobre documentos e arquivos;
  • Thiem (2022), sobre QCA;
  • Knotter (2022), sobre interpretativismo;
  • Ali (2022), sobre estudo de caso;
  • González-Ocantos (2020), sobre desenho qualitativo e pesquisa de campo;
  • Ruffa (2020), sobre métodos de estudo de caso;
  • Greenstein e Mosley (2020), sobre interview research;
  • Van Ingelgom (2020), sobre grupos focais;
  • Kurowska e Bliesemann de Guevara (2020), sobre abordagens interpretativas.

Para quantitativos

Os capítulos mais úteis são:

  • Whitten-Woodring (2022), sobre conceituação, mensuração e dados;
  • Gonzalez e Poast (2022), sobre unidade de análise;
  • Chiozza (2022), sobre regressão;
  • Shiran e Shea (2022), sobre survival analysis;
  • Menninga e Goldberg (2022), sobre network analysis;
  • Cuppernull e Terman (2022), sobre text as data;
  • Bestvater (2022), sobre social media data;
  • Barnum (2022), sobre missing data;
  • Munck, Møller e Skaaning (2020), sobre conceptualização e mensuração;
  • Fariss, Kenwick e Reuning (2020), sobre measurement models;
  • Traunmüller (2020), sobre visualização;
  • Benoit (2020), sobre text as data;
  • Franzese (2020), sobre econometric modeling;
  • Linn e Webb (2020), sobre time series;
  • Troeger (2020), sobre TSCS;
  • Fukumoto (2020), sobre duration analysis;
  • Victor e Khwaja (2020) e Schoeneman e Desmarais (2020), sobre network analysis e network modeling.

Para métodos mistos

Os capítulos mais úteis são:

  • El Kurd (2022), sobre mixed methods research;
  • Harbers e Ingram (2020), sobre mixed-methods designs;
  • Sposito (2024, cap. 7), para a integração entre qualitativo e quantitativo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Escolher metodologia não significa decorar nomes de métodos. Significa construir uma relação coerente entre:

  • o que se quer saber;
  • o que é possível observar;
  • como se vai observar;
  • e até onde é possível inferir.

Em Relações Internacionais, um bom trabalho não é o que usa o método mais sofisticado, mas aquele que apresenta um desenho coerente, executável e intelectualmente honesto. O MÉTODO DEVE SERVIR AO PROBLEMA (PERGUNTA DE PARTIDA), E NÃO O CONTRÁRIO.

REFERÊNCIAS

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