1. Base territorial da Paraíba

2. Aquisição e preparação das bases

2.1 SIM (óbitos)

2.2 SIH (internações)

3. Qualidade / completude

Qualidade do SIM — completude (2018–2023)
variavel preenchidos total Preenchimento (%)
SEXO 180.798 180.836 100.0%
RACACOR 171.830 180.836 95.0%
DTOBITO 180.836 180.836 100.0%
CAUSABAS 180.836 180.836 100.0%
CODMUNRES 180.836 180.836 100.0%
Qualidade do SIH — completude (2018–2023)
variavel preenchidos total Preenchimento (%)
SEXO 1.115.823 1.115.823 100.0%
ANO_CMPT 1.115.823 1.115.823 100.0%
DIAG_PRINC 1.115.823 1.115.823 100.0%
MUNIC_RES 1.115.823 1.115.823 100.0%

4. Resultados

4.1 Descritivo (frequências e %)

SIM — Óbitos por sexo
Paraíba (município de residência), 2018–2023
Categoria Frequência (n) Proporção (%) % acumulada
Masculino 98.341 54.4% 100.0%
Feminino 82.457 45.6% 45.6%
SIM — Óbitos por raça/cor
Paraíba (município de residência), 2018–2023
Categoria Frequência (n) Proporção (%) % acumulada
Parda 112.881 65.7% 95.8%
Branca 50.720 29.5% 29.9%
Preta 7.211 4.2% 100.0%
Amarela 668 0.4% 0.4%
Indígena 350 0.2% 30.1%

4.2 Mortalidade (SIM) — Equidade racial

Equação do indicador (proporção Pretos + Pardos)

Equação

\[ \text{PropÓbitosNegros}_m = \frac{\text{Óbitos Pretos + Pardos}_m}{\text{Óbitos Totais}_m} \]

O que mede

sse indicador expressa, em cada município, qual fração dos óbitos ocorreu entre pessoas autodeclaradas Pretas ou Pardas, utilizando o município de residência como referência.

Interpretação correta

Valores elevados não indicam risco biológico, mas refletem principalmente:

  • a composição racial da população local;
  • desigualdades estruturais que afetam exposição a riscos, acesso aos cuidados e condições de vida.

Em municípios de pequeno porte, o indicador pode ser sensível a flutuações associadas ao baixo número absoluto de óbitos.

Os 30 municípios com maior proporção de óbitos em Pretos/Pardos
SIM, 2018–2023
Municipio Óbitos Óbitos (Pretos/Pardos) Proporção
Cacimba De Areia 114 101 88.6%
Mãe D'água 159 140 88.1%
Pitimbu 642 562 87.5%
Cacimbas 294 257 87.4%
Passagem 94 81 86.2%
Santa Inês 88 75 85.2%
Santana De Mangueira 173 147 85.0%
Quixaba 86 73 84.9%
São José Do Bonfim 173 145 83.8%
Salgadinho 112 93 83.0%
Assunção 182 151 83.0%
Conceição 833 686 82.4%
Ouro Velho 153 126 82.4%
Serra Grande 135 110 81.5%
Cruz Do Espírito Santo 722 587 81.3%
Patos 4.523 3.638 80.4%
Catingueira 207 165 79.7%
Junco Do Seridó 266 211 79.3%
Massaranduba 583 461 79.1%
Malta 334 264 79.0%
São Mamede 422 333 78.9%
São José De Princesa 123 97 78.9%
Curral Velho 88 69 78.4%
Ibiara 309 242 78.3%
Caaporã 747 584 78.2%
Maturéia 297 232 78.1%
São José Dos Ramos 223 174 78.0%
Conde 1.060 827 78.0%
Curral De Cima 272 212 77.9%
São Miguel De Taipu 306 238 77.8%

Por que é um indicador de equidade

No Brasil, pessoas Pretas e Pardas historicamente enfrentam:

  • maior exposição a condições socioeconômicas adversas;
  • maior dependência do Sistema Único de Saúde (SUS);
  • piores desfechos em eventos potencialmente evitáveis.

Assim, a desigualdade racial na mortalidade constitui um marcador sintético de inequidade social em saúde.

4.3 SIH — Internações SUS (total)

Equação

\[ \text{InternaçõesSUS}_m = \sum_{t=2018}^{2023} \text{AIH}_{m,t} \]

Transformação aplicada

\[ \log_{10}(\text{InternaçõesSUS}_m + 1) \]

Por que usar escala logarítmica

A transformação logarítmica é utilizada porque:

  • reduz a assimetria causada por municípios muito populosos;
  • permite comparação visual mais justa entre pequenos e grandes municípios;
  • evita que capitais e regiões polo “apaguem” o padrão espacial do restante do estado.
Distribuição municipal — Internações SUS (quintis)
SIH, 2018–2023
Quintil (1=menor; 5=maior) N Proporcao
1 45 20.2%
2 45 20.2%
3 45 20.2%
4 44 19.7%
5 44 19.7%

Interpretação

As diferenças observadas nos mapas refletem ordens de magnitude, e não variações absolutas simples. Um município mais destacado possui substancialmente mais internações, e não apenas um incremento marginal.

4.4 ICSAP — Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária

Equação

\[ \text{ICSAP}_m = \sum_{i \in \text{Lista ICSAP}} \mathbf{1}(\text{CID principal}_i) \]

O que mede

Contabiliza internações por causas potencialmente evitáveis por meio de:

  • atenção básica oportuna;
  • acompanhamento longitudinal;
  • manejo adequado de condições crônicas.

Interpretação

  • ICSAP elevado pode indicar fragilidades na Atenção Primária à Saúde (APS) ou maior carga de doença.
  • O indicador não responsabiliza isoladamente a APS, sendo influenciado por pobreza, envelhecimento populacional e organização da rede assistencial.

4.5 Integração SIM + SIH — índice de carga

Índice de carga (integração SIM + SIH)

Equações

Padronização (escore z):

\[ Z(x_m) = \frac{x_m - \bar{x}}{s_x} \]

Índice final:

\[ \text{ÍndiceCarga}_m = Z(\text{Óbitos}_m) + Z(\text{Internações}_m) \]

O que mede

Identifica municípios que acumulam simultaneamente:

  • alta mortalidade;
  • alta morbidade hospitalar;

em relação ao padrão estadual.

Por que é potente

Evita análises fragmentadas e identifica territórios com pressão assistencial combinada sobre o sistema de saúde.

5. Discussão dos resultados

5.1 Qualidade da informação: base sólida para análise

Os dados do SIM e do SIH apresentam elevada completude (superior a 95% para raça/cor no SIM e 100% para campos críticos no SIH), o que:

  • confere robustez aos indicadores;
  • reduz viés diferencial entre municípios;
  • sustenta análises espaciais e comparações intraestaduais.

Isso é especialmente relevante em estudos de equidade, nos quais vieses de preenchimento podem comprometer as inferências.

6. Séries temporais

Morbidade hospitalar (SIH) — Evolução anual: internações SUS (escala log)

2018

2019

2020

2021

2022

2023

Equidade assistencial (ICSAP) — Evolução anual

2018

2019

2020

2021

2022

2023

7. Mortalidade e equidade racial

Os resultados evidenciam concentração elevada da proporção de óbitos em Pretos e Pardos em diversos municípios, com valores superiores a 80% no conjunto de maior magnitude.

Pontos-chave de interpretação

  • O padrão não é aleatório e predomina em municípios do interior, muitos de pequeno ou médio porte.
  • Municípios de maior porte populacional (como Patos e Conde) também figuram entre os mais elevados, indicando que a desigualdade racial não se restringe a contextos rurais.

7.1 Morbidade hospitalar (SIH)

A distribuição das internações revela:

  • forte heterogeneidade espacial;
  • concentração esperada em municípios-polo;
  • presença de clusters de alta internação em áreas não metropolitanas.

A escala logarítmica demonstra que não se trata apenas de volume populacional, mas de uso hospitalar desproporcional, sugerindo fragilidades da rede local ou maior carga de doença.

7.2 ICSAP: um sinal de alerta para a APS

Os mapas de ICSAP evidenciam municípios com:

  • volumes expressivos de internações evitáveis;
  • persistência do padrão ao longo dos anos.

7.3 Evolução temporal (2018–2023)

As séries temporais indicam:

  • redução de óbitos em 2020 (possível artefato pandêmico);
  • recomposição posterior;
  • comportamento distinto entre mortalidade total, ICSAP e internações gerais.

A análise integrada sugere que a pandemia alterou padrões de uso do sistema e que alguns efeitos persistiram além do período crítico, reforçando a importância de análises longitudinais e integradas.