Análises Estatísticas: Ana Paula - Trabalho 02

Edneide Ramalho
17/04/2026

Análises Estatísticas

As variáveis contínuas foram descritas como mediana e intervalo interquartil (IQR) e as variáveis categóricas como frequência absoluta e relativa (n, %). Para a comparação entre grupos, foi utilizado o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas e o teste exato de Fisher para variáveis categóricas.

A comparação dos exames laboratoriais antes e após a PTX (PRÉ vs 12 meses) foi realizada pelo teste de Wilcoxon pareado. A associação entre marcadores laboratoriais pré-operatórios e a variação percentual da densidade mineral óssea foi avaliada pela correlação de Spearman.

Para a identificação de fatores associados aos desfechos de interesse — óbito, osteoporose pré-operatória e ganho de massa óssea — foram realizadas análises de regressão logística univariada e multivariada, com resultados expressos como odds ratio (OR) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). A seleção de variáveis para o modelo multivariado seguiu o critério de p<0,10 na análise univariada, respeitando o limite de aproximadamente um preditor por dez eventos. Valores de p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos.

Todas as análises foram realizadas no software R (R version 4.5.2 (2025-10-31)), utilizando o pacote gtsummary para a construção das tabelas.

1. Comparativo ganho ou não de massa óssea

Tabela 5. Comparação das características entre pacientes com e sem ganho de massa óssea pós PTX (n = 46)
Characteristic1 Total
N = 46
1
Ganho
N = 34
1
Não Ganho
N = 12
1
p-value1
Idade (anos) 42.5 (38.0, 51.0) 42.5 (38.0, 49.0) 43.5 (35.5, 53.0) >0.9
Sexo


0.2
    Feminino 26 (56.5%) 17 (50.0%) 9 (75.0%)
    Masculino 20 (43.5%) 17 (50.0%) 3 (25.0%)
Doença de base


>0.9
    Indeterminada 23 (50.0%) 17 (50.0%) 6 (50.0%)
    Diabetes 3 (6.5%) 2 (5.9%) 1 (8.3%)
    Hipertensão 6 (13.0%) 5 (14.7%) 1 (8.3%)
    GNC 7 (15.2%) 5 (14.7%) 2 (16.7%)
    Outras 7 (15.2%) 5 (14.7%) 2 (16.7%)
Tempo em diálise até PTX (meses) 120.0 (84.0, 156.0) 120.0 (84.0, 156.0) 114.0 (76.5, 186.0) >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 22.5 (14.0, 50.0) 19.5 (9.0, 50.0) 25.5 (21.0, 57.0) 0.2
Tipo de PTX


0.6
    Total com implante 42 (91.3%) 30 (88.2%) 12 (100.0%)
    Subtotal 4 (8.7%) 4 (11.8%) 0 (0.0%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 24.0 (14.0, 45.0) 23.5 (13.0, 31.0) 35.0 (16.5, 54.0) 0.2
Cálcio PRÉ (mg/dL) 9.8 (9.5, 10.7) 9.8 (9.5, 10.8) 9.8 (9.4, 10.7) 0.8
Fósforo PRÉ (mg/dL) 5.2 (4.6, 6.5) 5.6 (4.6, 6.9) 4.9 (4.2, 5.4) 0.2
Albumina PRÉ (g/dL) 4.0 (3.9, 4.2) 4.0 (3.8, 4.2) 4.1 (4.0, 4.4) 0.3
    Sem dado 3 3 0
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 647.5 (326.0, 1,080.0) 659.0 (318.0, 1,080.0) 581.0 (336.0, 1,294.0) 0.8
FA PRÉ (× limite superior normal) 4.3 (1.9, 7.8) 4.4 (1.9, 7.9) 2.9 (2.0, 6.9) 0.4
PTH PRÉ (pg/mL) 2,206.5 (1,701.0, 2,500.0) 2,303.5 (1,706.0, 2,505.0) 1,942.0 (1,602.0, 2,500.0) 0.2
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 34.0 (27.0, 43.0) 32.0 (27.0, 43.0) 36.0 (30.5, 51.0) 0.4
    Sem dado 13 9 4
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 13.9 (4.0, 70.2) 11.0 (4.0, 28.0) 53.0 (10.4, 95.5) 0.2
Cálcio Final (mg/dL) 9.0 (8.2, 9.6) 9.0 (8.1, 9.6) 8.9 (8.6, 9.5) 0.8
Fósforo Final (mg/dL) 3.6 (2.3, 4.6) 3.6 (2.3, 4.6) 3.8 (2.4, 4.8) 0.7
Albumina Final (g/dL) 4.5 (4.2, 4.7) 4.5 (4.3, 4.8) 4.4 (4.1, 4.7) 0.2
    Sem dado 1 1 0
Fosfatase Alcalina Final (U/L) 113.0 (83.0, 176.0) 117.5 (83.0, 170.0) 101.5 (85.5, 224.5) 0.8
PTH Final (pg/mL) 117.5 (62.0, 280.0) 117.5 (66.0, 292.0) 115.5 (43.5, 215.0) 0.8
Vitamina D Final (ng/mL) 45.0 (32.0, 53.0) 46.5 (35.0, 54.0) 44.0 (30.0, 52.0) 0.3
    Sem dado 1 0 1
FA Final (× limite superior normal) 0.9 (0.6, 1.4) 0.9 (0.6, 1.3) 0.8 (0.7, 1.8) 0.6
Fratura pré PTX


0.7
    Sim 15 (32.6%) 12 (35.3%) 3 (25.0%)
    Não 31 (67.4%) 22 (64.7%) 9 (75.0%)
Tumor marrom


0.7
    Sim 7 (15.2%) 6 (17.6%) 1 (8.3%)
    Não 39 (84.8%) 28 (82.4%) 11 (91.7%)
Calcifilaxia


>0.9
    Sim 0 (0.0%) 0 (0.0%) 0 (0.0%)
    Não 46 (100.0%) 34 (100.0%) 12 (100.0%)
Fratura pós PTX


>0.9
    Sim 2 (4.3%) 2 (5.9%) 0 (0.0%)
    Não 44 (95.7%) 32 (94.1%) 12 (100.0%)
Dor


>0.9
    Sim 45 (100.0%) 34 (100.0%) 11 (100.0%)
    Não 0 (0.0%) 0 (0.0%) 0 (0.0%)
    Sem dado 1 0 1
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 854.0 (576.0, 1,451.0) 895.5 (684.0, 1,602.0) 648.0 (510.0, 1,314.0) 0.3
    Sem dado 1 0 1
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 127.0 (60.0, 300.0) 126.0 (60.0, 300.0) 198.0 (22.0, 345.0) >0.9
    Sem dado 3 1 2
Evolução PTH com 12 meses


>0.9
    PTH ≥ 150 12 (26.7%) 9 (26.5%) 3 (27.3%)
    PTH < 150 33 (73.3%) 25 (73.5%) 8 (72.7%)
    Sem dado 1 0 1
T-score Fêmur Total PRÉ -1.9 (-2.8, -0.6) -1.9 (-2.6, -1.0) -1.9 (-3.0, 0.0) >0.9
    Sem dado 4 4 0
G/cm² Fêmur Total PRÉ 0.7 (0.6, 0.9) 0.7 (0.6, 0.8) 0.7 (0.6, 1.0) >0.9
    Sem dado 4 4 0
T-score Colo Femoral PRÉ -1.9 (-2.7, -0.3) -1.9 (-2.7, -1.0) -1.8 (-2.6, 0.4) 0.8
    Sem dado 4 4 0
G/cm² Colo Femoral PRÉ 0.6 (0.5, 0.8) 0.6 (0.6, 0.8) 0.6 (0.5, 0.9) 0.9
    Sem dado 5 4 1
T-score L1-L4 PRÉ -3.3 (-4.4, -1.8) -3.3 (-4.3, -2.0) -2.6 (-4.9, -0.6) 0.7
G/cm² L1-L4 PRÉ 0.7 (0.5, 0.9) 0.7 (0.5, 0.9) 0.7 (0.5, 1.0) 0.8
Osteoporose PRÉ


0.7
    Sim 26 (56.5%) 20 (58.8%) 6 (50.0%)
    Não 20 (43.5%) 14 (41.2%) 6 (50.0%)
Status vital (jan/2026)


0.6
    Vivo 41 (89.1%) 31 (91.2%) 10 (83.3%)
    Óbito 5 (10.9%) 3 (8.8%) 2 (16.7%)
Tempo PTX até última densitometria (meses) 18.5 (12.0, 30.0) 14.5 (11.0, 29.0) 22.5 (13.0, 45.0) 0.2
1 Mediana (IQR) ou n (%). Mann-Whitney para contínuas; Fisher para categóricas.

A comparação entre os grupos com e sem ganho de massa óssea revelou ausência de diferenças estatisticamente significativas em todas as variáveis avaliadas. Os grupos foram semelhantes em relação às características demográficas, clínicas e laboratoriais pré-operatórias, incluindo idade, sexo, doença de base, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e todos os exames laboratoriais basais — cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina, PTH e vitamina D (p>0,05 para todos).

Os parâmetros densitométricos pré-operatórios também não diferiram entre os grupos em nenhum dos sítios avaliados — fêmur total, colo femoral e coluna L1-L4 (p>0,05 para todos), ao contrário do que seria esperado com base na literatura, que sugere maior ganho ósseo em pacientes com menor densidade basal. A prevalência de osteoporose pré-operatória foi semelhante entre os grupos (58% vs 50%; p=0,7), assim como a presença de fratura pré-PTX, tumor marrom e as doses acumuladas de carbonato de cálcio e calcitriol.

O tempo entre a PTX e a última densitometria tendeu a ser maior no grupo sem ganho (22,5 vs 14,0 meses; p=0,2), sem atingir significância estatística, mas esse achado merece atenção — pacientes acompanhados por mais tempo podem ter tido maior oportunidade de perda óssea secundária a outros fatores após o período inicial de recuperação pós-PTX.

A mortalidade foi numericamente maior no grupo sem ganho (16,7% vs 8,3%), sem diferença significativa (p=0,6), e a evolução do PTH com 12 meses foi equivalente entre os grupos, sugerindo que a supressão do hiperparatireoidismo foi igualmente efetiva em ambos.

2. Análise Univariada

Tabela 5b. Análise univariada — fatores associados ao ganho de massa óssea
Characteristic1 N1 OR1 95% CI1 p-value1
Idade (anos) 46 0.99 0.92, 1.07 0.9
Sexo 46


    Feminino

    Masculino
3.00 0.75, 15.3 0.14
Doença de base 46


    Indeterminada

    Diabetes
0.71 0.06, 16.8 0.8
    Hipertensão
1.76 0.22, 37.4 0.6
    GNC/Outras
0.88 0.20, 4.16 0.9
Tempo em diálise até PTX (meses) 46 1.00 0.99, 1.01 >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 46 1.0 0.98, 1.01 0.5
Tipo de PTX 46


    Total com implante

    Subtotal
17,017,925 0.00,
>0.9
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 46 0.98 0.94, 1.01 0.13
Cálcio PRÉ (mg/dL) 46 1.17 0.63, 2.43 0.6
Fósforo PRÉ (mg/dL) 46 1.31 0.86, 2.19 0.2
Albumina PRÉ (g/dL) 43 0.49 0.05, 3.07 0.5
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 46 1.00 1.00, 1.00 0.6
FA PRÉ (× limite superior normal) 46 1.06 0.93, 1.26 0.4
PTH PRÉ (pg/mL) 46 1.00 1.00, 1.00 0.2
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 33 0.96 0.90, 1.01 0.2
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 46 1.00 0.99, 1.01 0.8
Cálcio Final (mg/dL) 46 0.83 0.40, 1.65 0.6
Fósforo Final (mg/dL) 46 0.91 0.60, 1.39 0.7
Albumina Final (g/dL) 45 4.67 1.30, 50.6 0.2
Fosfatase Alcalina Final (U/L) 46 1.00 0.99, 1.01 0.7
PTH Final (pg/mL) 46 1.00 1.00, 1.00 0.9
Vitamina D Final (ng/mL) 45 1.03 0.98, 1.08 0.3
FA Final (× limite superior normal) 46 0.71 0.28, 1.82 0.4
Fratura pré PTX 46


    Sim

    Não
0.61 0.12, 2.51 0.5
Tumor marrom 46


    Sim

    Não
0.42 0.02, 2.90 0.5
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 45 1.00 1.00, 1.00 0.5
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 43 1.00 1.00, 1.00 0.8
Evolução PTH com 12 meses 45


    PTH ≥ 150

    PTH < 150
1.04 0.20, 4.57 >0.9
T-score Fêmur Total PRÉ 42 0.96 0.65, 1.41 0.8
G/cm² Fêmur Total PRÉ 42 0.73 0.03, 15.5 0.8
T-score Colo Femoral PRÉ 42 0.96 0.65, 1.42 0.8
G/cm² Colo Femoral PRÉ 41 1.54 0.05, 55.2 0.8
T-score L1-L4 PRÉ 46 0.90 0.66, 1.23 0.5
G/cm² L1-L4 PRÉ 46 0.43 0.03, 7.09 0.5
Osteoporose PRÉ 46


    Sim

    Não
0.70 0.18, 2.67 0.6
Status vital (jan/2026) 46


    Vivo

    Óbito
0.48 0.07, 4.06 0.5
Tempo PTX até última densitometria (meses) 46 0.98 0.94, 1.01 0.15
1 OR (IC 95%). Regressão logística univariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Na análise univariada, nenhuma variável clínica, demográfica, laboratorial ou densitométrica apresentou associação estatisticamente significativa com o ganho de massa óssea pós-PTX (p>0,10 para todas as variáveis avaliadas). Dessa forma, não há variáveis elegíveis para inclusão no modelo multivariado segundo o critério pré-definido de p<0,10, e a análise multivariada não foi realizada.

Este resultado deve ser interpretado no contexto das limitações do estudo: com apenas 48 pacientes e 12 eventos no grupo sem ganho, o poder estatístico desta análise é reduzido, o que pode ter impedido a detecção de associações de menor magnitude que seriam clinicamente relevantes. Cabe destacar que o tempo entre a PTX e a última densitometria tendeu a ser maior no grupo sem ganho (22,5 vs 14,0 meses; p=0,11), assim como o tempo de seguimento pós-PTX (35,0 vs 23,5 meses; p=0,2), sugerindo que fatores temporais relacionados ao seguimento podem influenciar o desfecho, mas não foi possível confirmar essa hipótese com o tamanho amostral disponível.

Gráficos

A análise da variação da densidade mineral óssea nos 48 pacientes com densitometria PRÉ e PÓS-PTX demonstrou aumento significativo da G/cm² em todos os sítios avaliados após a cirurgia. No fêmur total, no colo femoral e na coluna L1-L4, o incremento foi estatisticamente significativo (p<0,001 para todos), evidenciado pela predominância de linhas ascendentes no gráfico. Embora uma parcela dos pacientes tenha apresentado redução da densidade óssea no período avaliado — representada pelas linhas descendentes — a tendência geral foi de ganho de massa óssea após a PTX, confirmando o efeito benéfico da correção cirúrgica do hiperparatireoidismo secundário sobre o esqueleto. Esses achados são consistentes com os descritos na literatura, que demonstra recuperação preferencial da densidade óssea nos primeiros meses a anos após a PTX, com magnitude variável entre os sítios e entre os indivíduos.

No fêmur total, o PTH pré-operatório também se correlacionou positivamente com a variação da G/cm² (r=0,426; p=0,010), sugerindo que o grau de hiperparatireoidismo pré-operatório é um preditor relevante do ganho ósseo nesse sítio. A FA pré-operatória, no entanto, não apresentou correlação significativa com a variação do fêmur total (r=0,15; p=0,364), possivelmente refletindo a menor sensibilidade desse marcador para predizer mudanças no osso cortical em comparação ao osso trabecular da coluna.

Análises adicionais

Variação % por sítio

Tabela. Variação percentual da G/cm² por sítio ósseo após PTX
Characteristic1 Total
N = 46
1
Ganho
N = 34
1
Não Ganho
N = 12
1
p-value1
% variação G/cm² Fêmur Total 10.0 (1.7, 17.0) 13.0 (8.0, 21.5) -8.0 (-10.0, -3.0) <0.001
    Sem dado 9 6 3
% variação G/cm² Colo Femoral 16.0 (2.0, 27.0) 18.0 (9.0, 31.5) -1.3 (-13.0, -0.1) <0.001
    Sem dado 9 6 3
% variação G/cm² Coluna L1-L4 11.0 (-3.5, 35.5) 19.5 (7.5, 45.5) -9.0 (-18.5, -3.5) <0.001
    Sem dado 2 2 0
1 Mediana (IQR). Mann-Whitney. Ganho definido como variação ≥ 5% em pelo menos 1 sítio.

A análise da variação percentual da G/cm² por sítio confirmou diferenças significativas entre os grupos em todos os sítios avaliados (p<0,001 para todos). No grupo com ganho de massa óssea, a mediana de variação foi de 13,0% (IQR: 8,0–21,5) no fêmur total, 18,0% (IQR: 9,0–31,5) no colo femoral e 19,5% (IQR: 7,5–45,5) na coluna L1-L4, evidenciando incrementos clinicamente relevantes em todos os sítios após a PTX. O colo femoral e a coluna lombar apresentaram as maiores magnitudes de ganho, consistente com o predomínio de osso trabecular nesses sítios e com o efeito anabólico esperado da correção do hiperparatireoidismo secundário. No grupo sem ganho, observou-se redução da densidade óssea em todos os sítios — fêmur total (-8,0%; IQR: -10,0 a -3,0), colo femoral (-1,3%; IQR: -13,0 a -0,1) e coluna L1-L4 (-9,0%; IQR: -18,5 a -3,5) — reforçando que esses pacientes apresentaram perda progressiva de massa óssea no período de seguimento apesar da cirurgia.

Gráficos Adicionais

A análise de correlação entre os marcadores laboratoriais pré-operatórios e a variação percentual da G/cm² após a PTX revelou que o PTH pré-operatório apresentou correlações positivas e significativas com a variação da G/cm² no fêmur total (r=0,395; p=0,016) e no colo femoral (r=0,386; p=0,018), e tendência de correlação com a coluna L1-L4 (r=0,274; p=0,072). Esses achados indicam que pacientes com hiperparatireoidismo mais grave no pré-operatório tenderam a apresentar maior recuperação da massa óssea após a PTX em todos os sítios avaliados. A FA pré-operatória correlacionou-se significativamente apenas com a variação da coluna L1-L4 (r=0,315; p=0,037), sem associação significativa com fêmur total (r=0,112; p=0,510) ou colo femoral (r=0,215; p=0,202). Esse padrão sugere que a FA, como marcador de remodelação óssea, tem maior capacidade de predizer o ganho ósseo no osso trabecular da coluna lombar do que nos sítios de osso cortical predominante. Em conjunto, o PTH pré-operatório mostrou-se o marcador mais consistente para predizer a recuperação da massa óssea após a PTX, com associações significativas em dois dos três sítios avaliados, enquanto a FA teve papel preditor mais restrito ao osso trabecular.

O PTH imediato pós-operatório não apresentou correlação significativa com a variação da G/cm² em nenhum dos sítios avaliados — coluna L1-L4 (r=-0,028; p=0,858), fêmur total (r=0,039; p=0,821) e colo femoral (r=0,295; p=0,077). Esses achados sugerem que o nível de PTH nas primeiras horas após a cirurgia não é um preditor relevante da recuperação óssea a longo prazo, diferentemente do PTH pré-operatório, que demonstrou correlações significativas com o ganho ósseo no fêmur total e no colo femoral.

A análise da correlação entre o tempo de espera para a PTX e a variação percentual da G/cm² revelou tendências negativas consistentes em todos os sítios avaliados, embora sem atingir significância estatística formal — coluna L1-L4 (r=-0,265; p=0,082), fêmur total (r=-0,135; p=0,424) e colo femoral (r=-0,266; p=0,112). O padrão observado sugere que pacientes submetidos à PTX após períodos mais longos de espera tenderam a apresentar menor ganho de massa óssea após a cirurgia, independentemente do sítio avaliado. Embora a significância estatística não tenha sido alcançada, possivelmente pela limitação amostral, a direção consistentemente negativa das correlações em todos os três sítios tem relevância clínica importante. Esses dados reforçam o conceito de que o atraso na indicação cirúrgica pode comprometer a capacidade de recuperação óssea após a PTX, sugerindo que a intervenção precoce — antes que o dano esquelético acumulado se torne mais grave — pode resultar em maior benefício ósseo a longo prazo.