Consultoria - Projetos Integradores
Banco de Dados Worlds of Journalism Study (WJS)
job_ttle
Qual é o cargo ou posição que ocupa no trabalho como jornalista?
O gráfico evidencia uma estrutura ocupacional fortemente concentrada nas funções de produção de conteúdo: a categoria Reportagem/Escrita reúne 299 respondentes, o que corresponde a aproximadamente 49,7% da amostra total, configurando-se como a função dominante do jornalismo brasileiro contemporâneo. Em segundo lugar, destaca-se a categoria Edição, com 125 profissionais (20,8%), seguida por Gestão/Chefia, com 90 respondentes (15,0%). Juntas, essas três categorias concentram 85,5% da amostra, indicando que o perfil predominante do jornalista brasileiro no WJS3 é o de profissional diretamente envolvido com a produção, revisão e gerenciamento editorial do conteúdo noticioso. As demais categorias: Produção/Suporte (46), Apresentação/Voz (19), Imagem/Visual (18) e Outros/Consultoria (5) registram participação marginal, somando menos de 15% dos respondentes.
A concentração em cargos de escrita pode ser explicada de duas formas: ou o mercado brasileiro é essencialmente focado em texto, ou a pesquisa não conseguiu alcançar um número suficiente de profissionais de rádio, TV e imagem.
empl
Qual das seguintes categorias descreve melhor a sua situação laboral atual como jornalista?
A distribuição das situações laborais revela que o vínculo empregatício formal em tempo integral é a condição predominante: 307 jornalistas (51,0%) declararam ter contrato permanente de tempo integral, configurando a maioria absoluta da amostra. Esse dado sugere que, apesar das transformações estruturais do mercado de trabalho nas últimas décadas, o emprego formal ainda representa o modelo hegemônico de inserção profissional entre os jornalistas brasileiros participantes do estudo.
A pesquisa revela uma divisão clara no mercado: de um lado, o emprego formal; de outro, um grupo expressivo (quase 50%) em situações de trabalho mais instáveis. Esse segundo grupo é formado principalmente por jornalistas com contratos parciais (21,9%) e freelancers (17,9%). Embora a contratação temporária formal seja pouco frequente (apenas 6,5%), o alto número de autônomos e de jornadas reduzidas sugere que a precarização é uma realidade marcante para boa parte dos respondentes
empl_c1
A sua situação laboral, o seu contrato de trabalho ou a sua condição de trabalhador autônomo mudou por causa da Covid-19?
A maioria dos respondentes — 396 jornalistas (65,9%) — declarou que não houve mudança em seu vínculo empregatício. Ainda assim, 206 profissionais (34,2%) afirmaram que a Covid-19 provocou alterações em sua situação laboral.
Este resultado revela duas realidades distintas. Por um lado, a pandemia causou rupturas significativas para uma parcela considerável da categoria (mais de um terço da amostra). Por outro lado, a estabilidade da maioria sugere que o impacto não foi igual para todos: jornalistas com contratos formais em grandes empresas provavelmente foram mais poupados. A análise das variáveis empl e empl_c2 ajudará a identificar quem são esses profissionais e qual foi o tamanho da mudança para cada grupo.
empl_c2
Qual das seguintes categorias descreve melhor a sua situação laboral ANTES da mudança indicada na questão anterior?
Este gráfico é restrito ao subgrupo de jornalistas que afirmaram ter tido sua situação laboral alterada pela pandemia (n ≈ 206), descrevendo o vínculo que possuíam antes dessa mudança. A distribuição revela que a categoria mais afetada foi a de contrato permanente integral, com 101 respondentes — quase metade do subgrupo.
Isso indica que a pandemia não se limitou a precarizar vínculos já fragilizados: ela também impactou jornalistas que estavam em posições formais estáveis. O contrato permanente parcial (41 casos) e o trabalho como Freelancer/Autônomo (30 casos) aparecem em seguida.
incm_j
Que percentual aproximado da sua renda total provém do seu trabalho como jornalista?
Os dados mostram que a grande maioria dos jornalistas depende financeiramente da profissão: para 64,5% dos respondentes, o jornalismo é a fonte exclusiva (100%) de renda. Se incluirmos aqueles que obtêm entre 76% e 99% de seus ganhos na área, o índice chega a quase 80% da amostra. Esse alto grau de dependência econômica é coerente com a predominância de contratos integrais vistos anteriormente.
Cerca de 17,4% dos jornalistas situam-se em faixas intermediárias de renda, indicando que o jornalismo divide espaço com outras fontes de sustento. Esses dados sugerem um cenário de pluriatividade, em que o profissional recorre a atividades variadas para complementar seus ganhos, embora a natureza dessas ocupações seja diversa e individualizada.
incm_o
Você tem outras fontes de remuneração por atividades em algum dos setores listados a seguir? Por favor, escolha todas as que forem pertinentes.
| Atividade Especificada | Quantidade |
|---|---|
| Pension | 17 |
| Property rental | 5 |
| Alimony | 2 |
| Entrepreneurship | 2 |
| Press relations | 2 |
| Social media | 2 |
| Advertising agency - social media | 1 |
| Alimony - child support received by my son | 1 |
| Apartment rental income | 1 |
| Audio and video editing | 1 |
| Book | 1 |
| Bread sales | 1 |
| Care worker - disabled people | 1 |
| Cattle breeding | 1 |
| Cinema | 1 |
| Co-ownership in a business | 1 |
| Construction industry | 1 |
| Content analyst | 1 |
| Content writer/ copywriter | 1 |
| Digital marketing | 1 |
| Dj, cultural production and curation | 1 |
| Editor in a newspaper specialised in economics | 1 |
| Entertainment sector | 1 |
| Family | 1 |
| Family help | 1 |
| Financial inve | 1 |
| Freelance jobs writing content to social media and institutional communication | 1 |
| Freelancer as content producer to a psicologist - art and video | 1 |
| Help of my family | 1 |
| Husband | 1 |
| I am a stage actress | 1 |
| I am self-employed | 1 |
| I am the executive secretary of the national forum for the democratisation of communication (fndc), a civil society entity that defends and promotes democratic public communication policies. | 1 |
| I receive support of my relatives | 1 |
| I run a sweets business | 1 |
| I write scripts to theatrical productions | 1 |
| Industry - administrative role | 1 |
| Investments | 1 |
| Lecturer | 1 |
| Marketing | 1 |
| Master of ceremonies | 1 |
| Merchandising | 1 |
| Photographer | 1 |
| Photographic production for entrepreneurs and businesses | 1 |
| Photography | 1 |
| Press relations freelance | 1 |
| Production and direction of documentary video | 1 |
| Proofreading | 1 |
| Proofreading of text/book | 1 |
| Property rent | 1 |
| Property rental income | 1 |
| Researcher to civil society organizations | 1 |
| Risk counselling and financial applications | 1 |
| Sales & marketing | 1 |
| Saved money | 1 |
| Self-employed in another sector | 1 |
| Sickness benefit | 1 |
| Site development | 1 |
| Social photographer | 1 |
| Stock market investments | 1 |
| Trade | 1 |
| Video lesson recordings and advertising | 1 |
| Web developer and family support | 1 |
| Writer | 1 |
O gráfico investiga a pluriatividade econômica dos jornalistas brasileiros, perguntando sobre fontes de renda complementares ao jornalismo. A categoria Outra domina amplamente com 201 respondentes, o que, isoladamente, não permite inferências diretas sobre o tipo de atividade. Porém a tabela detalhada revela uma grande dispersão de atividades, incluindo previdência (17 casos), aluguel de imóveis (5), empreendedorismo (2), redes sociais (2), além de uma longa cauda de atividades únicas, indicando que as fontes complementares de renda são altamente heterogêneas e individualizadas.
A presença de 112 jornalistas atuando simultaneamente em Publicidade e Relações Públicas é um dado central, pois aponta para possíveis conflitos de interesse na profissão. Somando-se a isso os casos na Educação e no serviço público, fica evidente que o mercado brasileiro é marcado pela pluriatividade. Esse fenômeno deve ser analisado junto aos dados de renda (incm_j), pois sugere que a dedicação exclusiva ao jornalismo pode estar sob pressão financeira
work_exp
Há quantos anos trabalha como jornalista?
A distribuição do tempo de carreira revela um perfil predominantemente experiente. A faixa 11 a 20 anos concentra o maior número de respondentes (216; 35,9%), seguida pela faixa mais de 20 anos (161; 26,7%). Juntas, essas duas categorias representam 62,6% da amostra, indicando que a maioria dos jornalistas brasileiros participantes do WJS3 possui trajetória profissional consolidada. Os profissionais com até 5 anos de experiência somam 125 casos (20,8%) e os com 6 a 10 anos, 99 (16,4%), compondo juntos 37,2% da amostra. Apenas 1 respondente não informou o tempo de carreira.
Esse perfil sugere que a pesquisa capturou predominantemente jornalistas em fase intermediária ou avançada da carreira, o que pode influenciar as percepções sobre autonomia, condições de trabalho e valores profissionais expressas nas demais variáveis.
union
É afiliado a alguma organização ou associação específica de profissionais do jornalismo ou da comunicação?
A maioria dos respondentes — 363 jornalistas (60,3%) — declarou não ser filiada a nenhuma organização ou associação profissional da área. Apenas 232 (38,5%) afirmaram ter filiação, e 7 declararam não saber. Esse resultado aponta para um grau relativamente baixo de organização corporativa entre os jornalistas brasileiros da amostra, o que pode estar relacionado ao enfraquecimento histórico dos sindicatos de jornalistas no Brasil, à fragmentação do mercado de trabalho ou ao crescimento do trabalho autônomo e freelancer, segmentos tipicamente menos sindicalizados.
role
Diga por favor qual é a importância dos seguintes aspectos no seu trabalho cotidiano
O gráfico de barras divergentes revela uma hierarquia clara entre os papéis profissionais valorizados pelos jornalistas brasileiros. As funções com maior proporção de respostas “extremamente importante” ou “muito importante” são Combater a desinformação (95%), Visibilidade dos problemas sociais (93%), Debater consequências futuras (88%), Monitorar e vigiar o poder (85%) e Produzir análises atuais (85%). Esses dados indicam uma forte orientação para o jornalismo de interesse público, de fiscalização e de responsabilidade social.
Em contrapartida, papéis mais ligados a influência política ou ao apoio a atores governamentais concentram as maiores proporções de respostas negativas: Motivar participação política (60% de avaliações negativas ou baixas), Influenciar a opinião pública (53%), Orientação para a vida cotidiana (50%) e Apoiar políticas governamentais (46%). O papel de dar imagem positiva a políticos registra a maior rejeição — 61% dos respondentes consideram nada importante. No geral, o quadro aponta para um conjunto de valores profissional centrado na fiscalização do poder e na defesa do interesse público, com forte resistência a funções de cunho político-partidário ou promocional.
ethic1
As afirmações a seguir descrevem algumas respostas típicas entre jornalistas diante de dilemas éticos. Por favor indique o quanto você concorda ou discorda de cada uma delas.
O gráfico mostra que a grande maioria dos jornalistas brasileiros rejeita uma visão relativista ou personalista da ética profissional. A afirmação de que os padrões profissionais devem sempre ser seguidos obteve 81% de concordância (somando “concordo” e “concordo totalmente”), enquanto apenas 10% discordaram. A afirmação de que os padrões valem exceto em circunstâncias extras também apresenta maioria concordante (46%), mas com discordância mais elevada (36%), indicando alguma aceitação de exceções em situações limítrofes.
Por outro lado, as afirmações mais relativistas são amplamente rejeitadas: a ideia de que a ética depende da particularidade da situação é discordada por 58% dos respondentes, e a de que depende de critérios pessoais é rejeitada por 85%. Esses resultados revelam uma cultura ética predominantemente normativa e institucional entre os jornalistas brasileiros da amostra, com forte adesão a padrões profissionais coletivos em detrimento de julgamentos individuais situacionais.
ethic2
Dentre as seguintes situações, quais você considera que podem ser sempre justificadas, aquelas que podem ser justificadas em alguns casos e quais você não aprovaria em qualquer circunstância?
O gráfico apresenta o grau de aceitação ou rejeição de práticas jornalísticas eticamente sensíveis. As práticas com maior rejeição absoluta — ou seja, maior proporção de “não aprovo em qualquer circunstância” — são Aceitar dinheiro de fontes (94%), Publicar notícias não verificadas (91%), Conteúdo promocional disfarçado (80%) e Pagar por informação (76%). Esses dados são coerentes com a forte orientação normativa identificada em ethic1 e reforçam a adesão dos jornalistas brasileiros aos deveres morais que orientam a conduta profissional já consolidados.
Práticas mais situacionais apresentam distribuições mais divididas: Se passar por outra pessoa é rejeitada por 50%, mas aceita com justificativa por parcela relevante dos respondentes. O uso de material privado de pessoas sem autorização (58% de rejeição) e o material privado de figuras com poder (25% de rejeição) ilustram a distinção que os jornalistas fazem entre figuras públicas e cidadãos comuns no que tange ao direito à privacidade.
safe1
Nos últimos cinco anos, com que frequência você enfrentou alguma dessas situações em consequência do seu trabalho como jornalista?
| Descrição do Ataque/Risco | Quantidade |
|---|---|
| Moral harassment | 4 |
| A mayor defamed my work in live radio transmission | 1 |
| Assault on reporting team during coverage of demonstrations in front of army barracks due to the 2022 election result. | 1 |
| Being pitched with unsubstantiated news; being charged for productivity far above normal; being barred from covering stories | 1 |
| Censorhip and moral harassment | 1 |
| Censorship by my bosses related the topics that should be covered | 1 |
| Censorship regarding sensitive topics to the jair bolsonaro government | 1 |
| Criticism of the board, which judges the editorial staff as left-wingers | 1 |
| I had to share a studio, without a mask, with a presenter with flu-like symptoms and a pending pcr result for covid-19. The company knew my colleague was symptomatic at that time, but i didn’t. At the time, there was no vaccine available for everybody in brazil. My colleague’s diagnosis was positive for covid-19, even though the company did not pay for my test, and i had to cover the expenses (which were pretty expensive). I tested negative. | 1 |
| I had to work in crowded places during the peak of the covid-19 pandemic | 1 |
| I was obliged to work without wearing a mask with a professional who had flu-like symptoms (it happened before vaccines were offered) | 1 |
| In the place where i work, i face a permanent environment of censorship and alignment with governmental interests on the news agenda and stories that the team covers | 1 |
| Interference of state agencies and bosses with political goals | 1 |
| Justification for accepting gifts or services, as long as they are not a bargaining chip: i also work as a pr and know the importance of press relations actions by sending gifts and invitations. I accept, but i do not oblige myself to reciprocate with publications, and if this type of charge arises, i take a position and ask not to send it anymore. | 1 |
| Lawful censorship | 1 |
| Moral harassment by hierarchical superior people in former jobs | 1 |
| Moral harassment by the company board to produce or do not produce determined contents due to the political alignment of the medium | 1 |
| My superiors discredit me when i present a scoop or exclusive information as a woman reporter and producer. It doesn’t happen with my male coworkers. | 1 |
| My wife was summarily dismissed from her position as principal of a public school whose owner was a federal deputy, at the request of the mayor. At the time, i was producing articles denouncing mismanagement of public money. | 1 |
| Prejudice against my gender identity or nationality | 1 |
| Prevented from publishing content that could damage the institution’s image (journalist at public university); obligation to publish content to promote the rector. | 1 |
| Racism in the workplace environment, too much pressure | 1 |
| To be obliged to assume multiple roles without salary compensation. During and after the pandemic, i do not feel safe about which type of work i would do on the following day: i am an anchor, reporter, editor and news producer, according to the company’s needs. | 1 |
| Vandalism against private vehicle | 1 |
| Working longer than you should and not getting paid anything extra. | 1 |
Os dados revelam um quadro preocupante de exposição a riscos no exercício da profissão. As situações mais frequentes nos últimos cinco anos foram Insultos e discurso de ódio (27% relataram frequência), Ser vigiado (27%) e Descrédito público do trabalho (28%), o que indica um ambiente de desconfiança e desvalorização do trabalho jornalístico — contexto coerente com o ambiente político e midiático brasileiro no período de coleta dos dados. A Exposição à Covid-19 também figura como risco relevante (20%), refletindo as condições de trabalho durante a pandemia.
Riscos físicos graves como prisões/detenções (98% “nunca”), sequestros (98%) e ataques físicos (92%) são reportados com baixíssima frequência, o que indica que a violência direta ainda é marginal na experiência da maioria, embora não ausente. A tabela complementar detalha relatos qualitativos que incluem assédio moral hierárquico, censura editorial, perseguição política e situações de exposição ao risco sanitário durante a pandemia sem proteção adequada, revelando dimensões de violência institucional e simbólica não capturadas pelas categorias fechadas.
safe2
Quando enfrentou alguma das situações indicadas no ponto anterior, em qualquer intensidade, alguma das seguintes pessoas lhe deu algum tipo deapoio (por exemplo, apoio legal ou emocional ou uma licença temporária do trabalho)?
| Fonte de Apoio Especificada | Quantidade |
|---|---|
| Como foi algo relativamente pequeno não tive necessidade de um suporte maior. | 1 |
| Comunidade local de representação de sociedade civil organizada etc. | 1 |
| Da empresa foi parcial e me senti usada | 1 |
| Da fonte: polícia civil | 1 |
| Recebi apoio do meu noivo | 1 |
| Serviço de psicologia aplicada, da universidade nilton lins | 1 |
| Sobre a questão: de alguma organização profissional, como associações e sindicatos de jornalistas, a ajuda aconteceu em uma, das duas situações que ocorreram. Em relação a trabalhar com risco de ser contaminada pela covid-19 sim, de assédio não. | 1 |
| Sofre algumas agressões verbais por manifestantes pró bolsonaro em algumas ocasiões sendo uma grave, pois quase fui agredida fisicamente e tive que contar com apoio policial. | 1 |
O gráfico investiga a percepção dos jornalistas sobre o suporte recebido quando enfrentaram situações de risco. Os resultados são marcadamente negativos nas fontes avaliadas: Sindicatos/Associações, Organização Jornalística, ONGs/Direitos Humanos e Autoridades Governamentais — a barra vermelha (“não recebe apoio”) predomina largamente sobre a verde (“sim, recebe apoio”).
A fonte com maior proporção de apoio percebido é a dos Colegas de Profissão. As Autoridades Governamentais são a fonte com menor apoio percebido, o que é consistente com o contexto político do período e com a percepção de que o Estado oferece proteção limitada aos jornalistas em situação de risco.
Os relatos qualitativos da tabela complementar reforçam esse quadro: os respondentes mencionam situações de apoio pontual de namorados, serviços de psicologia universitária e comunidades locais, o que evidencia a ausência de estruturas institucionais robustas de proteção.
safe3
Em relação ao seu trabalho, diga por favor o quanto você concorda ou discorda das seguintes afirmações.
O gráfico aborda quatro dimensões de preocupação dos jornalistas em relação ao seu trabalho: perda de emprego, integridade física, integridade mental/emocional e impunidade de agressores. Os resultados revelam que as preocupações de natureza psicológica e estrutural são as mais amplamente compartilhadas.
A impunidade de agressores de jornalistas concentra o maior nível de concordância: 95% dos respondentes concordam ou concordam totalmente com a afirmação, com apenas 1% discordando — o dado mais consensual de toda a variável. A integridade mental e emocional também apresenta alta concordância (83%), com apenas 8% discordando, o que aponta para um reconhecimento generalizado dos impactos psicológicos do trabalho jornalístico no Brasil.
As preocupações com perda de emprego (49% concordam) e integridade física (48% concordam) dividem-se de forma mais equilibrada, com aproximadamente 30% de discordância em ambos os casos. Esses resultados indicam que, embora a maioria esteja preocupada com a segurança do emprego e com riscos físicos, há uma parcela significativa que não percebe esses fatores como ameaças imediatas. No conjunto, safe3 reforça o quadro de vulnerabilidade estrutural identificado nas variáveis anteriores, com destaque para a dimensão emocional e para a percepção de impunidade como problemas centrais do jornalismo brasileiro contemporâneo.
Podemos cruzar e analisar:
1. Precarização do Trabalho
empl × incm_j: Ver se freelancers e contratos parciais têm menor dependência de renda do jornalismo.
empl × incm_o: Ver se jornalistas com vínculos não integrais recorrem mais a fontes alternativas como publicidade e relações públicas.
empl × work_exp: Ver se jornalistas mais jovens (menos experientes) concentram os vínculos precários como freelancer, temporário e parcial.
2. Segurança, Risco e Suporte
safe1 × empl: Ver se freelancers e autônomos relatam mais exposição a riscos do que jornalistas com contrato permanente.
safe2 × union: Ver se jornalistas filiados a sindicatos/associações percebem mais apoio quando enfrentam situações de risco.
safe3 × empl: Ver se a preocupação com perda de emprego é mais intensa entre freelancers e contratos temporários do que entre permanentes integrais.
3. Ética e Perfil Profissional
ethic2 × empl: Ver se jornalistas freelancers são mais tolerantes com práticas como “aceitar cortesias” ou “conteúdo promocional disfarçado”
ethic1 × union: Ver se filiados a associações têm postura ética mais normativa. Testa se a organização coletiva reforça a adesão a padrões profissionais.