Análises Estatísticas: Ana Paula

Edneide Ramalho
10/04/2026

Estatística Descritiva

Tabela 1. Características clínicas, demográficas e laboratoriais dos pacientes submetidos à PTX (n = 147)
Característica N = 147
Idade (anos), Median (Q1, Q3) 43.0 (36.0, 52.0)
Sexo, n (%)
    Feminino 74 (50.3%)
    Masculino 73 (49.7%)
Doença de base, n (%)
    Indeterminada 70 (47.6%)
    Diabetes 12 (8.2%)
    Hipertensão 29 (19.7%)
    GNC 20 (13.6%)
    Outras 16 (10.9%)
Tempo em diálise até PTX (meses), Median (Q1, Q3) 120.0 (84.0, 168.0)
Tempo de espera para PTX (meses), Median (Q1, Q3) 21.0 (13.0, 50.0)
Tipo de PTX, n (%)
    Total com implante 132 (89.8%)
    Subtotal 15 (10.2%)
Status vital (jan/2026), n (%)
    Vivo 102 (69.4%)
    Óbito 18 (12.2%)
    Sem referência 27 (18.4%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses), Median (Q1, Q3) 20.0 (8.0, 42.0)
Cálcio PRÉ (mg/dL), Median (Q1, Q3) 9.8 (9.2, 10.6)
Fósforo PRÉ (mg/dL), Median (Q1, Q3) 5.6 (4.7, 6.8)
Albumina PRÉ (g/dL), Median (Q1, Q3) 4.1 (3.9, 4.3)
    Sem dado 19
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L), Median (Q1, Q3) 753.0 (383.0, 1,590.0)
FA PRÉ (× limite superior normal), Median (Q1, Q3) 4.5 (2.0, 7.3)
PTH PRÉ (pg/mL), Median (Q1, Q3) 2,292.0 (1,701.0, 2,500.0)
Vitamina D PRÉ (ng/mL), Median (Q1, Q3) 36.0 (28.0, 43.0)
    Sem dado 61
PTH imediato pós PTX (pg/mL), Median (Q1, Q3) 20.0 (5.0, 110.0)
Fratura pré PTX, n (%)
    Sim 29 (19.7%)
    Não 118 (80.3%)
Tumor marrom, n (%)
    Sim 21 (14.3%)
    Não 126 (85.7%)
Calcifilaxia, n (%)
    Sim 4 (2.7%)
    Não 143 (97.3%)
Fratura pós PTX, n (%)
    Sim 2 (1.4%)
    Não 145 (98.6%)
Dor, n (%)
    Sim 127 (95.5%)
    Não 6 (4.5%)
    Sem dado 14
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g), Median (Q1, Q3) 964.0 (582.0, 1,719.0)
    Sem dado 52
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg), Median (Q1, Q3) 177.5 (99.5, 401.0)
    Sem dado 55
Evolução PTH com 12 meses, n (%)
    PTH ≥ 150 42 (38.5%)
    PTH < 150 67 (61.5%)
    Sem dado 38
T-score Fêmur Total PRÉ, Median (Q1, Q3) -1.9 (-2.6, -0.6)
    Sem dado 74
G/cm² Fêmur Total PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.7 (0.6, 0.9)
    Sem dado 74
T-score Colo Femoral PRÉ, Median (Q1, Q3) -1.8 (-2.6, -0.9)
    Sem dado 74
G/cm² Colo Femoral PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.6 (0.6, 0.7)
    Sem dado 76
T-score L1-L4 PRÉ, Median (Q1, Q3) -2.9 (-4.2, -1.7)
    Sem dado 69
G/cm² L1-L4 PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.8 (0.6, 0.9)
    Sem dado 69
Osteoporose PRÉ, n (%)
    Sim 45 (57.7%)
    Não 33 (42.3%)
    Sem dado 69

Comparação PRÉ vs 12M dos exames laboratoriais

Tabela 2. Exames laboratoriais PRÉ e 12 meses pós PTX (n = 109)
Characteristic1 PRÉ
N = 109
1
12M
N = 109
1
p-value1
Cálcio (mg/dL) 9.7 (9.3, 10.5) 8.6 (7.7, 9.3) <0.001
Fósforo (mg/dL) 5.5 (4.7, 6.5) 3.6 (2.7, 5.0) <0.001
Albumina (g/dL) 4.1 (3.9, 4.3) 4.4 (4.1, 4.6) <0.001
    Sem dado 16 20
Fosfatase Alcalina (U/L) 753.0 (383.0, 1,469.0) 195.0 (115.0, 338.0) <0.001
    Sem dado 0 8
FA (× limite superior normal) 4.5 (1.9, 6.8) 1.1 (0.8, 2.0) <0.001
    Sem dado 0 8
PTH (pg/mL) 2,294.0 (1,706.0, 2,500.0) 113.0 (50.0, 396.0) <0.001
Vitamina D (ng/mL) 34.0 (27.0, 42.0) 40.5 (32.0, 53.0) 0.007
    Sem dado 44 39
1 Mediana (IQR). Wilcoxon pareado.

A comparação dos exames laboratoriais antes e 12 meses após a PTX (n = 109) demonstrou melhora significativa em todos os parâmetros avaliados. O PTH reduziu de 2.294 (IQR: 1.706–2.500) para 113 pg/mL (IQR: 50–396; p<0,001), refletindo o sucesso cirúrgico na supressão do hiperparatireoidismo. A fosfatase alcalina, marcador de remodelação óssea, também reduziu expressivamente de 753 (IQR: 383–1.469) para 195 U/L (IQR: 115–338; p<0,001), assim como a FA expressa em múltiplos do limite superior normal, de 4,5 para 1,1× (p<0,001). O cálcio reduziu de 9,7 para 8,6 mg/dL (p<0,001) e o fósforo de 5,5 para 3,6 mg/dL (p<0,001), indicando correção da hipercalcemia e hiperfosfatemia pré-operatórias. A albumina aumentou discretamente de 4,1 para 4,4 g/dL (p<0,001) e a vitamina D de 34,0 para 40,5 ng/mL (p=0,007), sugerindo melhora do estado nutricional e metabólico após o procedimento.


Nota: vitamina D teve alto número de dados faltantes (44 PRÉ e 39 no 12M), então a interpretação desse resultado deve ser cautelosa. E o N=109 no cabeçalho das colunas é o total do subgrupo — o Wilcoxon pareado trabalhou com os pares completos de cada variável, que variam conforme o missing. Posso ajustar o cabeçalho para mostrar o N real de cada par se quiser.

Comparação pacientes vivos x mortos

Tabela 3. Comparação das características entre pacientes vivos e em óbito (n = 120)
Characteristic1 Óbito
N = 18
1
Vivo
N = 102
1
p-value1
Idade (anos) 42.0 (39.0, 53.0) 45.0 (36.0, 52.0) 0.5
Sexo

0.6
    Feminino 10 (55.6%) 49 (48.0%)
    Masculino 8 (44.4%) 53 (52.0%)
Doença de base

0.024
    Indeterminada 7 (38.9%) 55 (53.9%)
    Diabetes 4 (22.2%) 4 (3.9%)
    Hipertensão 5 (27.8%) 18 (17.6%)
    GNC 0 (0.0%) 14 (13.7%)
    Outras 2 (11.1%) 11 (10.8%)
Tempo em diálise até PTX (meses) 126.0 (80.0, 180.0) 120.0 (84.0, 168.0) >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 18.0 (11.0, 76.0) 24.0 (14.0, 47.0) 0.4
Tipo de PTX

0.7
    Total com implante 16 (88.9%) 93 (91.2%)
    Subtotal 2 (11.1%) 9 (8.8%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 21.0 (1.0, 48.0) 23.0 (12.0, 52.0) 0.4
Cálcio PRÉ (mg/dL) 9.8 (9.1, 10.4) 9.7 (9.3, 10.5) >0.9
Fósforo PRÉ (mg/dL) 5.5 (3.9, 6.9) 5.6 (4.7, 6.5) 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 4.0 (3.9, 4.2) 4.1 (3.9, 4.3) 0.2
    Sem dado 2 12
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 761.5 (536.0, 1,604.0) 659.5 (326.0, 1,339.0) 0.3
FA PRÉ (× limite superior normal) 4.8 (2.0, 6.5) 4.3 (1.9, 7.2) 0.8
PTH PRÉ (pg/mL) 2,355.5 (1,842.0, 2,500.0) 2,257.0 (1,674.0, 2,500.0) 0.7
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 30.0 (29.0, 39.0) 37.0 (29.0, 45.0) 0.3
    Sem dado 9 35
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 30.5 (6.8, 266.0) 20.0 (5.0, 88.0) 0.3
Fratura pré PTX

0.4
    Sim 2 (11.1%) 23 (22.5%)
    Não 16 (88.9%) 79 (77.5%)
Tumor marrom

>0.9
    Sim 3 (16.7%) 16 (15.7%)
    Não 15 (83.3%) 86 (84.3%)
Calcifilaxia

0.5
    Sim 1 (5.6%) 3 (2.9%)
    Não 17 (94.4%) 99 (97.1%)
Fratura pós PTX

>0.9
    Sim 0 (0.0%) 2 (2.0%)
    Não 18 (100.0%) 100 (98.0%)
Dor

0.5
    Sim 15 (93.8%) 95 (96.9%)
    Não 1 (6.3%) 3 (3.1%)
    Sem dado 2 4
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 942.0 (642.0, 1,905.0) 939.0 (582.0, 1,719.0) >0.9
    Sem dado 10 27
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 271.0 (22.5, 364.0) 168.5 (90.0, 401.0) 0.8
    Sem dado 10 30
Evolução PTH com 12 meses

0.5
    PTH ≥ 150 6 (50.0%) 31 (36.5%)
    PTH < 150 6 (50.0%) 54 (63.5%)
    Sem dado 6 17
T-score Fêmur Total PRÉ -2.9 (-3.2, -2.4) -1.7 (-2.3, -0.4) 0.032
    Sem dado 9 44
G/cm² Fêmur Total PRÉ 0.6 (0.6, 0.6) 0.7 (0.6, 0.9) 0.037
    Sem dado 9 44
T-score Colo Femoral PRÉ -2.7 (-3.0, -2.2) -1.7 (-2.4, -0.7) 0.021
    Sem dado 9 44
G/cm² Colo Femoral PRÉ 0.6 (0.5, 0.6) 0.7 (0.6, 0.8) 0.035
    Sem dado 9 46
T-score L1-L4 PRÉ -4.7 (-4.9, -2.0) -2.7 (-4.0, -1.2) 0.063
    Sem dado 9 39
G/cm² L1-L4 PRÉ 0.5 (0.5, 0.9) 0.8 (0.6, 0.9) 0.075
    Sem dado 9 39
Osteoporose PRÉ

0.3
    Sim 7 (77.8%) 33 (52.4%)
    Não 2 (22.2%) 30 (47.6%)
    Sem dado 9 39
1 Mediana (IQR) ou n (%). Mann-Whitney para contínuas; Fisher para categóricas.

A comparação entre os grupos evidenciou que os pacientes em óbito e os sobreviventes foram semelhantes em relação à idade, sexo, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e tempo de seguimento (p>0,05 para todos). Os exames laboratoriais pré-operatórios — cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina, PTH e vitamina D — também não diferiram significativamente entre os grupos, assim como o PTH imediato pós-operatório e as doses acumuladas de carbonato de cálcio e calcitriol.

A doença de base apresentou distribuição distinta entre os grupos (p=0,024), com maior proporção de diabetes entre os pacientes que evoluíram para óbito (22,2% vs 3,9%), enquanto GNC foi observada exclusivamente entre os sobreviventes (13,7% vs 0%).

Os parâmetros de densitometria óssea pré-operatória foram os únicos marcadores associados ao desfecho. Os pacientes em óbito apresentaram T-scores e valores de G/cm² significativamente menores no fêmur total (T-score: -2,9 vs -1,7; p=0,032 | G/cm²: 0,6 vs 0,7; p=0,037) e no colo femoral (T-score: -2,7 vs -1,7; p=0,021 | G/cm²: 0,6 vs 0,7; p=0,035), com tendência semelhante na coluna L1-L4 (T-score: -4,7 vs -2,7; p=0,063 | G/cm²: 0,5 vs 0,8; p=0,075). Esses achados sugerem que uma menor densidade mineral óssea pré-operatória pode estar associada a pior prognóstico nessa população, hipótese que será explorada nas análises de regressão a seguir.

Regressão univariada (vivos vs. mortos)

Tabela 3b. Análise univariada — fatores de risco para óbito
Characteristic1 N1 OR1 95% CI1 p-value1
Idade (anos) 120 1.02 0.97, 1.07 0.4
Sexo 120


    Feminino

    Masculino
0.74 0.26, 2.02 0.6
Doença de base 120


    Indeterminada

    Diabetes
7.86 1.56, 41.0 0.011
    Hipertensão
2.18 0.58, 7.71 0.2
    GNC
0.00
>0.9
    Outras
1.43 0.20, 6.92 0.7
Tempo em diálise até PTX (meses) 120 1.00 0.99, 1.01 >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 120 1.00 0.98, 1.01 0.8
Tipo de PTX 120


    Total com implante

    Subtotal
1.29 0.19, 5.61 0.8
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 120 0.99 0.97, 1.01 0.4
Cálcio PRÉ (mg/dL) 120 1.00 0.61, 1.59 >0.9
Fósforo PRÉ (mg/dL) 120 0.86 0.61, 1.20 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 106 0.38 0.09, 1.57 0.2
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 120 1.00 1.00, 1.00 0.6
FA PRÉ (× limite superior normal) 120 1.02 0.91, 1.12 0.8
PTH PRÉ (pg/mL) 120 1.00 1.00, 1.00 0.7
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 76 0.97 0.91, 1.02 0.3
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 120 1.00
0.7
Fratura pré PTX 120


    Sim

    Não
2.33 0.60, 15.4 0.3
Tumor marrom 120


    Sim

    Não
0.93 0.27, 4.34 >0.9
Dor 114


    Sim

    Não
2.11 0.10, 17.8 0.5
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 83 1.00 1.00, 1.00 0.7
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 80 1.00 1.00, 1.00 0.4
Evolução PTH com 12 meses 97


    PTH ≥ 150

    PTH < 150
0.57 0.17, 1.98 0.4
T-score Fêmur Total PRÉ 67 0.64 0.38, 1.01 0.071
G/cm² Fêmur Total PRÉ 67 0.04 0.00, 1.27 0.081
T-score Colo Femoral PRÉ 67 0.58 0.31, 0.97 0.055
G/cm² Colo Femoral PRÉ 65 0.01 0.00, 0.94 0.064
T-score L1-L4 PRÉ 72 0.65 0.39, 0.99 0.063
G/cm² L1-L4 PRÉ 72 0.03 0.00, 1.07 0.078
Osteoporose PRÉ 72


    Sim

    Não
0.31 0.04, 1.42 0.2
1 OR (IC 95%). Regressão logística univariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Na análise univariada, a maioria das variáveis clínicas, demográficas e laboratoriais não apresentou associação significativa com o risco de óbito. Idade, sexo, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento, tempo de seguimento e todos os exames laboratoriais pré-operatórios (cálcio, fósforo, albumina, FA, PTH e vitamina D) não atingiram significância estatística.

A exceção foi a doença de base: pacientes com diabetes apresentaram risco significativamente maior de óbito em comparação àqueles com doença indeterminada (OR=7,86; IC95% 1,56–41,0; p=0,011).

Os parâmetros densitométricos pré-operatórios concentraram os demais achados relevantes. Todos os sítios avaliados apresentaram OR abaixo de 1 com p entre 0,055 e 0,081, indicando que valores mais baixos de T-score e G/cm² estão associados a maior risco de óbito — ou seja, quanto pior a densidade óssea pré-operatória, maior a mortalidade. Nenhum atingiu p<0,05 isoladamente, mas o padrão consistente em todos os sítios reforça a relevância clínica desse achado.

Justificativa para seleção das variáveis no modelo multivariado

Pelo critério pré-definido de p<0,10 na univariada, as variáveis elegíveis seriam: doença de base (p=0,011) e os seis parâmetros densitométricos (p entre 0,055 e 0,081).

Contudo, com apenas 18 eventos (óbitos), a regra de 1 variável por 10 eventos limita o modelo a no máximo 2 variáveis independentes. Incluir todas as densitométricas geraria sobreajuste e instabilidade nas estimativas.

A recomendação é incluir no modelo multivariado:

  1. Doença de base — único preditor com p<0,05 e relevância clínica clara (diabetes como fator de risco)

  2. T-score do colo femoral PRÉ — entre os parâmetros densitométricos, apresentou o menor p-valor (0,055) e é o sítio com maior valor preditivo para mortalidade na literatura de osteoporose

Os demais parâmetros densitométricos foram excluídos do modelo por colinearidade (T-score e G/cm² do mesmo sítio medem essencialmente a mesma grandeza, e os três sítios são altamente correlacionados entre si). Incluir mais de um deles simultaneamente inflaria os erros padrão sem acrescentar informação independente.