Análises Estatísticas: Ana Paula

Edneide Ramalho
17/04/2026

Análises Estatísticas

As variáveis contínuas foram descritas como mediana e intervalo interquartil (IQR) e as variáveis categóricas como frequência absoluta e relativa (n, %). Para a comparação entre grupos, foi utilizado o teste de Mann-Whitney para variáveis contínuas e o teste exato de Fisher para variáveis categóricas. A comparação dos exames laboratoriais nos momentos pré-operatório e 12 meses após a PTX foi realizada pelo teste de Wilcoxon pareado. A associação entre os marcadores laboratoriais pré-operatórios e a variação percentual da densidade mineral óssea após a PTX foi avaliada pela correlação de Spearman. Para a identificação de fatores associados aos desfechos de interesse — óbito e osteoporose pré-operatória — foram realizadas análises de regressão logística univariada e multivariada, com resultados expressos como odds ratio (OR) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). A seleção de variáveis para os modelos multivariados seguiu o critério de p<0,10 na análise univariada, respeitando o limite de aproximadamente um preditor por dez eventos. Para a análise de mortalidade, dois modelos multivariados foram testados: o Modelo 1 incluiu variáveis pré-operatórias e o Modelo 2 incluiu variáveis do seguimento, sendo este último interpretado com cautela dado o risco de causalidade reversa inerente ao desenho retrospectivo. Valores de p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos. Todas as análises foram realizadas no software R (R version 4.5.2 (2025-10-31)), utilizando o pacote gtsummary para a construção das tabelas.

1. Estatística Descritiva

Tabela 1. Características clínicas, demográficas e laboratoriais dos pacientes submetidos à PTX (n = 147)
Característica N = 147
Idade (anos), Median (Q1, Q3) 43.0 (36.0, 52.0)
Sexo, n (%)
    Feminino 74 (50.3%)
    Masculino 73 (49.7%)
Doença de base, n (%)
    Indeterminada 70 (47.6%)
    Diabetes 12 (8.2%)
    Hipertensão 29 (19.7%)
    GNC 20 (13.6%)
    Outras 16 (10.9%)
Tempo em diálise até PTX (meses), Median (Q1, Q3) 120.0 (84.0, 168.0)
Tempo de espera para PTX (meses), Median (Q1, Q3) 21.0 (13.0, 50.0)
Tipo de PTX, n (%)
    Total com implante 132 (89.8%)
    Subtotal 15 (10.2%)
Status vital (jan/2026), n (%)
    Vivo 102 (69.4%)
    Óbito 18 (12.2%)
    Sem referência 27 (18.4%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses), Median (Q1, Q3) 20.0 (8.0, 42.0)
Cálcio PRÉ (mg/dL), Median (Q1, Q3) 9.8 (9.2, 10.6)
Fósforo PRÉ (mg/dL), Median (Q1, Q3) 5.6 (4.7, 6.8)
Albumina PRÉ (g/dL), Median (Q1, Q3) 4.1 (3.9, 4.3)
    Sem dado 19
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L), Median (Q1, Q3) 753.0 (383.0, 1,590.0)
FA PRÉ (× limite superior normal), Median (Q1, Q3) 4.5 (2.0, 7.3)
PTH PRÉ (pg/mL), Median (Q1, Q3) 2,292.0 (1,701.0, 2,500.0)
Vitamina D PRÉ (ng/mL), Median (Q1, Q3) 36.0 (28.0, 43.0)
    Sem dado 61
PTH imediato pós PTX (pg/mL), Median (Q1, Q3) 20.0 (5.0, 110.0)
Fratura pré PTX, n (%)
    Sim 29 (19.7%)
    Não 118 (80.3%)
Tumor marrom, n (%)
    Sim 21 (14.3%)
    Não 126 (85.7%)
Calcifilaxia, n (%)
    Sim 4 (2.7%)
    Não 143 (97.3%)
Fratura pós PTX, n (%)
    Sim 2 (1.4%)
    Não 145 (98.6%)
Dor, n (%)
    Sim 127 (95.5%)
    Não 6 (4.5%)
    Sem dado 14
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g), Median (Q1, Q3) 964.0 (582.0, 1,719.0)
    Sem dado 52
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg), Median (Q1, Q3) 177.5 (99.5, 401.0)
    Sem dado 55
Evolução PTH com 12 meses, n (%)
    PTH ≥ 150 42 (38.5%)
    PTH < 150 67 (61.5%)
    Sem dado 38
T-score Fêmur Total PRÉ, Median (Q1, Q3) -1.9 (-2.6, -0.6)
    Sem dado 74
G/cm² Fêmur Total PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.7 (0.6, 0.9)
    Sem dado 74
T-score Colo Femoral PRÉ, Median (Q1, Q3) -1.8 (-2.6, -0.9)
    Sem dado 74
G/cm² Colo Femoral PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.6 (0.6, 0.7)
    Sem dado 76
T-score L1-L4 PRÉ, Median (Q1, Q3) -2.9 (-4.2, -1.7)
    Sem dado 69
G/cm² L1-L4 PRÉ, Median (Q1, Q3) 0.8 (0.6, 0.9)
    Sem dado 69
Osteoporose PRÉ, n (%)
    Sim 45 (57.7%)
    Não 33 (42.3%)
    Sem dado 69
PTH Final (pg/mL), Median (Q1, Q3) 111.0 (44.0, 326.0)
    Sem dado 2
Cálcio Final (mg/dL), Median (Q1, Q3) 8.9 (8.1, 9.6)
    Sem dado 2
Fósforo Final (mg/dL), Median (Q1, Q3) 3.6 (2.3, 5.4)
    Sem dado 3
Albumina Final (g/dL), Median (Q1, Q3) 4.4 (4.1, 4.6)
    Sem dado 23
FA Final, Median (Q1, Q3) 145.0 (96.0, 304.0)
    Sem dado 12
Vitamina D Final (ng/mL), Median (Q1, Q3) 42.0 (31.0, 52.0)
    Sem dado 34

2. Comparação PRÉ vs 12M dos exames laboratoriais

Tabela 2. Exames laboratoriais PRÉ e 12 meses pós PTX (n = 109)
Characteristic1 PRÉ
N = 109
1
12M
N = 109
1
p-value1
Cálcio (mg/dL) 9.7 (9.3, 10.5) 8.6 (7.7, 9.3) <0.001
Fósforo (mg/dL) 5.5 (4.7, 6.5) 3.6 (2.7, 5.0) <0.001
Albumina (g/dL) 4.1 (3.9, 4.3) 4.4 (4.1, 4.6) <0.001
    Sem dado 16 20
Fosfatase Alcalina (U/L) 753.0 (383.0, 1,469.0) 195.0 (115.0, 338.0) <0.001
    Sem dado 0 8
FA (× limite superior normal) 4.5 (1.9, 6.8) 1.1 (0.8, 2.0) <0.001
    Sem dado 0 8
PTH (pg/mL) 2,294.0 (1,706.0, 2,500.0) 113.0 (50.0, 396.0) <0.001
Vitamina D (ng/mL) 34.0 (27.0, 42.0) 40.5 (32.0, 53.0) 0.007
    Sem dado 44 39
1 Mediana (IQR). Wilcoxon pareado.

A comparação dos exames laboratoriais antes e 12 meses após a PTX (n = 109) demonstrou melhora significativa em todos os parâmetros avaliados. O PTH reduziu de 2.294 (IQR: 1.706–2.500) para 113 pg/mL (IQR: 50–396; p<0,001), refletindo o sucesso cirúrgico na supressão do hiperparatireoidismo. A fosfatase alcalina, marcador de remodelação óssea, também reduziu expressivamente de 753 (IQR: 383–1.469) para 195 U/L (IQR: 115–338; p<0,001), assim como a FA expressa em múltiplos do limite superior normal, de 4,5 para 1,1× (p<0,001). O cálcio reduziu de 9,7 para 8,6 mg/dL (p<0,001) e o fósforo de 5,5 para 3,6 mg/dL (p<0,001), indicando correção da hipercalcemia e hiperfosfatemia pré-operatórias. A albumina aumentou discretamente de 4,1 para 4,4 g/dL (p<0,001) e a vitamina D de 34,0 para 40,5 ng/mL (p=0,007), sugerindo melhora do estado nutricional e metabólico após o procedimento.


Nota: vitamina D teve alto número de dados faltantes (44 PRÉ e 39 no 12M), então a interpretação desse resultado deve ser cautelosa. E o N=109 no cabeçalho das colunas é o total do subgrupo — o Wilcoxon pareado trabalhou com os pares completos de cada variável, que variam conforme o missing. Posso ajustar o cabeçalho para mostrar o N real de cada par se quiser.

3. Comparação pacientes vivos x mortos

Tabela 3. Comparação das características entre pacientes vivos e em óbito (n = 120)
Characteristic1 Óbito
N = 18
1
Vivo
N = 102
1
p-value1
Idade (anos) 42.0 (39.0, 53.0) 45.0 (36.0, 52.0) 0.5
Sexo

0.6
    Feminino 10 (55.6%) 49 (48.0%)
    Masculino 8 (44.4%) 53 (52.0%)
Doença de base

0.024
    Indeterminada 7 (38.9%) 55 (53.9%)
    Diabetes 4 (22.2%) 4 (3.9%)
    Hipertensão 5 (27.8%) 18 (17.6%)
    GNC 0 (0.0%) 14 (13.7%)
    Outras 2 (11.1%) 11 (10.8%)
Tempo em diálise até PTX (meses) 126.0 (80.0, 180.0) 120.0 (84.0, 168.0) >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 18.0 (11.0, 76.0) 24.0 (14.0, 47.0) 0.4
Tipo de PTX

0.7
    Total com implante 16 (88.9%) 93 (91.2%)
    Subtotal 2 (11.1%) 9 (8.8%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 21.0 (1.0, 48.0) 23.0 (12.0, 52.0) 0.4
Cálcio PRÉ (mg/dL) 9.8 (9.1, 10.4) 9.7 (9.3, 10.5) >0.9
Fósforo PRÉ (mg/dL) 5.5 (3.9, 6.9) 5.6 (4.7, 6.5) 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 4.0 (3.9, 4.2) 4.1 (3.9, 4.3) 0.2
    Sem dado 2 12
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 761.5 (536.0, 1,604.0) 659.5 (326.0, 1,339.0) 0.3
FA PRÉ (× limite superior normal) 4.8 (2.0, 6.5) 4.3 (1.9, 7.2) 0.8
PTH PRÉ (pg/mL) 2,355.5 (1,842.0, 2,500.0) 2,257.0 (1,674.0, 2,500.0) 0.7
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 30.0 (29.0, 39.0) 37.0 (29.0, 45.0) 0.3
    Sem dado 9 35
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 30.5 (6.8, 266.0) 20.0 (5.0, 88.0) 0.3
Fratura pré PTX

0.4
    Sim 2 (11.1%) 23 (22.5%)
    Não 16 (88.9%) 79 (77.5%)
Tumor marrom

>0.9
    Sim 3 (16.7%) 16 (15.7%)
    Não 15 (83.3%) 86 (84.3%)
Calcifilaxia

0.5
    Sim 1 (5.6%) 3 (2.9%)
    Não 17 (94.4%) 99 (97.1%)
Fratura pós PTX

>0.9
    Sim 0 (0.0%) 2 (2.0%)
    Não 18 (100.0%) 100 (98.0%)
Dor

0.5
    Sim 15 (93.8%) 95 (96.9%)
    Não 1 (6.3%) 3 (3.1%)
    Sem dado 2 4
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 942.0 (642.0, 1,905.0) 939.0 (582.0, 1,719.0) >0.9
    Sem dado 10 27
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 271.0 (22.5, 364.0) 168.5 (90.0, 401.0) 0.8
    Sem dado 10 30
Evolução PTH com 12 meses

0.5
    PTH ≥ 150 6 (50.0%) 31 (36.5%)
    PTH < 150 6 (50.0%) 54 (63.5%)
    Sem dado 6 17
T-score Fêmur Total PRÉ -2.9 (-3.2, -2.4) -1.7 (-2.3, -0.4) 0.032
    Sem dado 9 44
G/cm² Fêmur Total PRÉ 0.6 (0.6, 0.6) 0.7 (0.6, 0.9) 0.037
    Sem dado 9 44
T-score Colo Femoral PRÉ -2.7 (-3.0, -2.2) -1.7 (-2.4, -0.7) 0.021
    Sem dado 9 44
G/cm² Colo Femoral PRÉ 0.6 (0.5, 0.6) 0.7 (0.6, 0.8) 0.035
    Sem dado 9 46
T-score L1-L4 PRÉ -4.7 (-4.9, -2.0) -2.7 (-4.0, -1.2) 0.063
    Sem dado 9 39
G/cm² L1-L4 PRÉ 0.5 (0.5, 0.9) 0.8 (0.6, 0.9) 0.075
    Sem dado 9 39
Osteoporose PRÉ

0.3
    Sim 7 (77.8%) 33 (52.4%)
    Não 2 (22.2%) 30 (47.6%)
    Sem dado 9 39
PTH Final (pg/mL) 146.5 (41.0, 384.0) 129.0 (59.0, 344.0) >0.9
    Sem dado 0 1
Cálcio Final (mg/dL) 8.6 (8.1, 9.4) 8.8 (8.1, 9.5) 0.7
    Sem dado 0 1
Fósforo Final (mg/dL) 3.7 (2.4, 5.8) 3.8 (2.6, 5.2) >0.9
    Sem dado 0 1
Albumina Final (g/dL) 4.2 (3.8, 4.5) 4.5 (4.2, 4.6) 0.016
    Sem dado 3 11
FA Final 185.0 (108.5, 448.5) 126.0 (89.0, 231.0) 0.066
    Sem dado 2 5
Vitamina D Final (ng/mL) 28.0 (25.0, 34.0) 44.0 (36.0, 53.0) <0.001
    Sem dado 4 17
1 Mediana (IQR) ou n (%). Mann-Whitney para contínuas; Fisher para categóricas.

A comparação entre os grupos evidenciou que os pacientes em óbito e os sobreviventes foram semelhantes em relação à idade, sexo, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e tempo de seguimento (p>0,05 para todos). Os exames laboratoriais pré-operatórios — cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina, PTH e vitamina D — também não diferiram significativamente entre os grupos, assim como o PTH imediato pós-operatório e as doses acumuladas de carbonato de cálcio e calcitriol.

A doença de base apresentou distribuição distinta entre os grupos (p=0,024), com maior proporção de diabetes entre os pacientes que evoluíram para óbito (22,2% vs 3,9%), enquanto GNC foi observada exclusivamente entre os sobreviventes (13,7% vs 0%).

Os parâmetros de densitometria óssea pré-operatória foram os únicos marcadores associados ao desfecho. Os pacientes em óbito apresentaram T-scores e valores de G/cm² significativamente menores no fêmur total (T-score: -2,9 vs -1,7; p=0,032 | G/cm²: 0,6 vs 0,7; p=0,037) e no colo femoral (T-score: -2,7 vs -1,7; p=0,021 | G/cm²: 0,6 vs 0,7; p=0,035), com tendência semelhante na coluna L1-L4 (T-score: -4,7 vs -2,7; p=0,063 | G/cm²: 0,5 vs 0,8; p=0,075). Esses achados sugerem que uma menor densidade mineral óssea pré-operatória pode estar associada a pior prognóstico nessa população, hipótese que será explorada nas análises de regressão a seguir.

3.1. Regressão univariada (vivos vs. mortos)

Tabela 3b. Análise univariada — fatores de risco para óbito
Characteristic1 N1 OR1 95% CI1 p-value1
Idade (anos) 120 1.02 0.97, 1.07 0.4
Sexo 120


    Feminino

    Masculino
0.74 0.26, 2.02 0.6
Doença de base 120


    Indeterminada

    Diabetes
7.86 1.56, 41.0 0.011
    Hipertensão
2.18 0.58, 7.71 0.2
    GNC
0.00
>0.9
    Outras
1.43 0.20, 6.92 0.7
Tempo em diálise até PTX (meses) 120 1.00 0.99, 1.01 >0.9
Tempo de espera para PTX (meses) 120 1.00 0.98, 1.01 0.8
Tipo de PTX 120


    Total com implante

    Subtotal
1.29 0.19, 5.61 0.8
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 120 0.99 0.97, 1.01 0.4
Cálcio PRÉ (mg/dL) 120 1.00 0.61, 1.59 >0.9
Fósforo PRÉ (mg/dL) 120 0.86 0.61, 1.20 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 106 0.38 0.09, 1.57 0.2
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 120 1.00 1.00, 1.00 0.6
FA PRÉ (× limite superior normal) 120 1.02 0.91, 1.12 0.8
PTH PRÉ (pg/mL) 120 1.00 1.00, 1.00 0.7
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 76 0.97 0.91, 1.02 0.3
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 120 1.00
0.7
Fratura pré PTX 120


    Sim

    Não
2.33 0.60, 15.4 0.3
Tumor marrom 120


    Sim

    Não
0.93 0.27, 4.34 >0.9
Dor 114


    Sim

    Não
2.11 0.10, 17.8 0.5
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 83 1.00 1.00, 1.00 0.7
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 80 1.00 1.00, 1.00 0.4
Evolução PTH com 12 meses 97


    PTH ≥ 150

    PTH < 150
0.57 0.17, 1.98 0.4
T-score Fêmur Total PRÉ 67 0.64 0.38, 1.01 0.071
G/cm² Fêmur Total PRÉ 67 0.04 0.00, 1.27 0.081
T-score Colo Femoral PRÉ 67 0.58 0.31, 0.97 0.055
G/cm² Colo Femoral PRÉ 65 0.01 0.00, 0.94 0.064
T-score L1-L4 PRÉ 72 0.65 0.39, 0.99 0.063
G/cm² L1-L4 PRÉ 72 0.03 0.00, 1.07 0.078
Osteoporose PRÉ 72


    Sim

    Não
0.31 0.04, 1.42 0.2
PTH Final (pg/mL) 119 1.00 1.00, 1.00 0.13
Cálcio Final (mg/dL) 119 0.93 0.60, 1.46 0.8
Fósforo Final (mg/dL) 119 1.01 0.77, 1.32 >0.9
Albumina Final (g/dL) 106 0.14 0.03, 0.52 0.007
FA Final 113 1.00 1.00, 1.00 0.016
Vitamina D Final (ng/mL) 99 0.93 0.88, 0.97 0.003
1 OR (IC 95%). Regressão logística univariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Na análise univariada, as variáveis demográficas e clínicas gerais — idade, sexo, doença de base, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e tempo de seguimento — não se associaram ao risco de óbito. Os exames laboratoriais pré-operatórios também não atingiram significância estatística, à exceção da doença de base diabética (OR=7,86; IC95% 1,56–41,0; p=0,011).

Os parâmetros densitométricos pré-operatórios apresentaram associação limítrofe com o desfecho, com OR abaixo de 1 e p entre 0,055 e 0,081 em todos os sítios avaliados, sugerindo que menor densidade óssea basal se associa a maior risco de óbito, embora sem significância formal.

Os exames laboratoriais do seguimento final foram os preditores mais robustos identificados na análise univariada. Menor albumina final associou-se fortemente ao risco de óbito (OR=0,14; IC95% 0,03–0,52; p=0,007), indicando que hipoalbuminemia ao longo do seguimento é um marcador importante de pior prognóstico.

A vitamina D final também apresentou associação protetora significativa (OR=0,93 por ng/mL; p=0,003), sugerindo que níveis mais baixos de vitamina D no seguimento se associam a maior mortalidade. A fosfatase alcalina final mostrou tendência de associação com óbito (OR=1,00 por unidade; p=0,016), refletindo possivelmente persistência de remodelação óssea elevada. O PTH final apresentou tendência sem significância formal (p=0,13).

Esses achados em conjunto sugerem que o estado nutricional e metabólico ao longo do seguimento — e não apenas os parâmetros pré-operatórios — é determinante do prognóstico a longo prazo nesses pacientes.

3.2. Regressão multivariável (vivos vs. mortos)

Tabela 3c. Análise multivariada — fatores de risco para óbito
Characteristic1
Modelo 1 — Basal
Modelo 2 — Seguimento
OR1 95% CI1 p-value1 OR2 95% CI2 p-value2
Doença de base





    Indeterminada



    Diabetes 8.36 0.75, 99.9 0.074


    Hipertensão 5.84 0.84, 43.0 0.070


    GNC/Outras 0.56 0.02, 5.37 0.6


T-score Colo Femoral PRÉ 0.56 0.27, 1.01 0.077


Albumina Final (g/dL)


0.18 0.03, 0.69 0.048
Vitamina D Final (ng/mL)


0.95 0.90, 0.99 0.038
1 OR ajustado (IC 95%). Regressão logística multivariada.
2 OR ajustado (IC 95%). Regressão logística multivariada. Interpretar com cautela: variáveis coletadas durante o seguimento, risco de causalidade reversa.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Na análise multivariada, dois modelos foram testados considerando o limite de eventos disponíveis (n=18 óbitos).

O Modelo 1, composto por variáveis pré-operatórias, confirmou as tendências observadas na univariada. Pacientes com diabetes como doença de base apresentaram risco aumentado de óbito em relação àqueles com doença indeterminada (OR ajustado=8,36; IC95% 0,75–99,9; p=0,074), assim como aqueles com hipertensão (OR ajustado=5,84; IC95% 0,84–43,0; p=0,070), embora sem atingir significância formal, reflexo do tamanho amostral limitado. O T-score do colo femoral pré-operatório manteve associação inversa com a mortalidade (OR ajustado=0,56; IC95% 0,27–1,01; p=0,077), sugerindo que menor densidade óssea basal se associa a maior risco de óbito independentemente da doença de base.

O Modelo 2, composto por variáveis do seguimento, demonstrou associações estatisticamente significativas. A albumina final foi o preditor mais expressivo (OR ajustado=0,18; IC95% 0,03–0,69; p=0,048), indicando que cada aumento de 1 g/dL na albumina ao longo do seguimento reduz o risco de óbito em aproximadamente 82%. A vitamina D final também se manteve como fator protetor independente (OR ajustado=0,95 por ng/mL; IC95% 0,90–0,99; p=0,038), reforçando o papel do estado nutricional no prognóstico desses pacientes.

É importante ressaltar que as variáveis do Modelo 2 foram coletadas ao longo do seguimento retrospectivo, o que impede estabelecer uma relação causal direta com o desfecho — pacientes que evoluíram para óbito podem ter apresentado deterioração nutricional como consequência do agravamento clínico, e não como causa isolada. Dessa forma, o Modelo 1 oferece maior robustez metodológica para inferência causal, enquanto o Modelo 2 tem maior valor preditivo e aponta para alvos terapêuticos relevantes no seguimento pós-PTX.

4. Comparação Osteoporose vs. Não Osteoporose

Tabela 4. Comparação das características entre pacientes com e sem osteoporose pré-operatória (n = 78)
Characteristic1 Osteoporose N = 451 Sem Osteoporose
N = 33
1
p-value1
Idade (anos) 42 (38, 51) 41 (37, 51) >0.9
Sexo

0.8
    Feminino 24 (53%) 16 (48%)
    Masculino 21 (47%) 17 (52%)
Doença de base

>0.9
    Indeterminada 23 (51%) 18 (55%)
    Diabetes 3 (6.7%) 2 (6.1%)
    Hipertensão 6 (13%) 4 (12%)
    GNC 6 (13%) 5 (15%)
    Outras 7 (16%) 4 (12%)
Tempo em diálise até PTX (meses) 123 (84, 156) 115 (72, 156) 0.5
Tempo de espera para PTX (meses) 22 (14, 50) 21 (14, 42) 0.8
Tipo de PTX

>0.9
    Total com implante 41 (91%) 30 (91%)
    Subtotal 4 (8.9%) 3 (9.1%)
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 21 (12, 33) 13 (12, 25) 0.4
Cálcio PRÉ (mg/dL) 9.80 (9.50, 10.60) 9.70 (9.30, 10.60) 0.9
Fósforo PRÉ (mg/dL) 5.40 (4.60, 6.70) 5.90 (4.80, 7.10) 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 4.00 (3.80, 4.30) 4.20 (4.00, 4.40) 0.2
    Sem dado 6 1
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 745 (481, 1,468) 522 (158, 802) 0.004
FA PRÉ (× limite superior normal) 5.9 (2.8, 11.1) 3.3 (1.3, 6.0) 0.003
PTH PRÉ (pg/mL) 2,474 (2,000, 2,759) 1,842 (1,385, 2,122) <0.001
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 32 (26, 42) 39 (33, 47) 0.028
    Sem dado 13 9
PTH Final (pg/mL) 98 (39, 285) 95 (50, 286) 0.9
    Sem dado 1 1
Cálcio Final (mg/dL) 8.80 (8.05, 9.60) 8.90 (8.30, 9.70) 0.8
    Sem dado 1 1
Fósforo Final (mg/dL) 3.05 (2.15, 4.40) 3.65 (2.20, 5.05) 0.4
    Sem dado 1 1
Albumina Final (g/dL) 4.50 (4.20, 4.75) 4.50 (4.30, 4.70) >0.9
    Sem dado 5 2
FA Final 170 (101, 245) 120 (78, 209) 0.081
    Sem dado 2 1
Vitamina D Final (ng/mL) 42 (28, 52) 48 (36, 54) 0.14
    Sem dado 2 4
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 14 (6, 81) 17 (3, 40) 0.6
Fratura pré PTX

0.041
    Sim 17 (38%) 5 (15%)
    Não 28 (62%) 28 (85%)
Tumor marrom

0.020
    Sim 10 (22%) 1 (3.0%)
    Não 35 (78%) 32 (97%)
Calcifilaxia

0.6
    Sim 1 (2.2%) 2 (6.1%)
    Não 44 (98%) 31 (94%)
Fratura pós PTX

>0.9
    Sim 1 (2.2%) 1 (3.0%)
    Não 44 (98%) 32 (97%)
Dor

0.2
    Sim 41 (100%) 31 (94%)
    Não 0 (0%) 2 (6.1%)
    Sem dado 4 0
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 846 (609, 1,468) 778 (468, 1,417) 0.5
    Sem dado 12 11
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 135 (55, 330) 127 (90, 246) >0.9
    Sem dado 14 12
Evolução PTH com 12 meses

0.8
    PTH ≥ 150 13 (38%) 9 (35%)
    PTH < 150 21 (62%) 17 (65%)
    Sem dado 11 7
T-score Fêmur Total PRÉ -2.40 (-3.20, -2.00) -0.70 (-1.65, 0.10) <0.001
    Sem dado 4 1
G/cm² Fêmur Total PRÉ 0.65 (0.56, 0.70) 0.89 (0.75, 0.98) <0.001
    Sem dado 4 1
T-score Colo Femoral PRÉ -2.50 (-3.00, -2.00) -1.05 (-1.70, -0.10) <0.001
    Sem dado 4 1
G/cm² Colo Femoral PRÉ 0.57 (0.51, 0.65) 0.73 (0.65, 0.88) <0.001
    Sem dado 4 3
T-score L1-L4 PRÉ -3.90 (-4.80, -3.20) -1.20 (-2.00, -0.10) <0.001
G/cm² L1-L4 PRÉ 0.64 (0.55, 0.71) 0.88 (0.84, 1.03) <0.001
Status vital (jan/2026)

0.2
    Vivo 33 (73%) 30 (91%)
    Óbito 7 (16%) 2 (6.1%)
    Sem referência 5 (11%) 1 (3.0%)
1 Mediana (IQR) ou n (%). Mann-Whitney para contínuas; Fisher para categóricas.

Os grupos com e sem osteoporose foram semelhantes em relação às características demográficas e clínicas gerais, incluindo idade, sexo, doença de base, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e tempo de seguimento (p>0,05 para todos).

Entre os exames laboratoriais pré-operatórios, os pacientes com osteoporose apresentaram valores significativamente mais elevados de fosfatase alcalina (745 vs 522 U/L; p=0,004), FA expressa em múltiplos do limite superior normal (5,9 vs 3,3×; p=0,003) e PTH (2.474 vs 1.842 pg/mL; p<0,001), além de menores níveis de vitamina D (32 vs 39 ng/mL; p=0,028). Esses achados refletem um estado de hiperparatireoidismo mais grave e maior remodelação óssea no grupo com osteoporose. Cálcio, fósforo e albumina não diferiram entre os grupos.

A presença de fratura pré-PTX foi mais frequente no grupo com osteoporose (38% vs 15%; p=0,041), assim como a ocorrência de tumor marrom (22% vs 3%; p=0,020), reforçando a gravidade do comprometimento ósseo nesse subgrupo. Como esperado, todos os parâmetros densitométricos foram significativamente piores no grupo com osteoporose em todos os sítios avaliados — fêmur total, colo femoral e coluna L1-L4 (p<0,001 para todos os T-scores e valores de G/cm²).

O PTH imediato pós-operatório, as doses acumuladas de carbonato de cálcio e calcitriol e a evolução do PTH com 12 meses não diferiram entre os grupos, sugerindo que a resposta cirúrgica foi semelhante independentemente do status ósseo basal. A mortalidade tendeu a ser maior no grupo com osteoporose (16% vs 6%), embora sem significância estatística (p=0,2), o que é consistente com os achados da análise de mortalidade previamente apresentada.

Os exames laboratoriais do seguimento final foram semelhantes entre os grupos com e sem osteoporose. PTH, cálcio, fósforo e albumina finais não diferiram entre os grupos (p>0,05 para todos), indicando resposta bioquímica equivalente à PTX independentemente do status ósseo basal. A FA final mostrou tendência de valores mais elevados no grupo com osteoporose (170 vs 120 U/L; p=0,081), sugerindo possível persistência de maior remodelação óssea nesse subgrupo, embora sem atingir significância estatística. A vitamina D final também não diferiu entre os grupos (42 vs 48 ng/mL; p=0,14).

4.1. Análise Univariada

Tabela 4b. Análise univariada — fatores associados à osteoporose pré-operatória
Characteristic1 N1 OR1 95% CI1 p-value1
Idade (anos) 78 1.00 0.96, 1.05 >0.9
Sexo 78


    Feminino

    Masculino
0.82 0.33, 2.03 0.7
Doença de base 78


    Indeterminada

    Diabetes
1.17 0.18, 9.64 0.9
    Hipertensão
1.17 0.29, 5.18 0.8
    GNC/Outras
1.13 0.40, 3.30 0.8
Tempo em diálise até PTX (meses) 78 1.00 0.99, 1.01 0.8
Tempo de espera para PTX (meses) 78 1.00 0.98, 1.01 0.7
Tipo de PTX 78


    Total com implante

    Subtotal
0.98 0.20, 5.26 >0.9
Tempo de seguimento pós PTX (meses) 78 1.01 0.99, 1.03 0.5
Cálcio PRÉ (mg/dL) 78 0.92 0.59, 1.40 0.7
Fósforo PRÉ (mg/dL) 78 0.90 0.68, 1.18 0.4
Albumina PRÉ (g/dL) 71 0.61 0.16, 2.11 0.4
Fosfatase Alcalina PRÉ (U/L) 78 1.00 1.00, 1.00 0.014
FA PRÉ (× limite superior normal) 78 1.17 1.05, 1.34 0.009
PTH PRÉ (pg/mL) 78 1.00 1.00, 1.00 0.004
Vitamina D PRÉ (ng/mL) 56 0.94 0.89, 0.99 0.022
PTH Final (pg/mL) 76 1.00 1.00, 1.00 0.7
Cálcio Final (mg/dL) 76 0.93 0.62, 1.39 0.7
Fósforo Final (mg/dL) 76 0.92 0.71, 1.18 0.5
Albumina Final (g/dL) 71 0.88 0.24, 0.99 0.8
FA Final 75 1.00 1.00, 1.00 0.2
Vitamina D Final (ng/mL) 72 0.98 0.95, 1.01 0.2
PTH imediato pós PTX (pg/mL) 78 1.00
0.5
Fratura pré PTX 78


    Sim

    Não
0.29 0.09, 0.86 0.033
Dor 74


    Sim

    Não
0.00
>0.9
Dose acumulada CaCO₃ 12M (g) 55 1.00 1.00, 1.00 0.5
Dose acumulada Calcitriol 12M (mcg) 52 1.00 1.00, 1.00 0.8
Evolução PTH com 12 meses 60


    PTH ≥ 150

    PTH < 150
0.86 0.29, 2.47 0.8
Status vital (jan/2026) 78


    Vivo

    Óbito
3.18 0.70, 22.5 0.2
    Sem referência
4.55 0.68, 89.7 0.2
1 OR (IC 95%). Regressão logística univariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Os grupos com e sem osteoporose foram semelhantes em relação às características demográficas e clínicas gerais, incluindo idade, sexo, doença de base, tempo em diálise, tempo de espera para PTX, tipo de procedimento e tempo de seguimento (p>0,05 para todos).

Entre os exames laboratoriais pré-operatórios, os pacientes com osteoporose apresentaram valores significativamente mais elevados de fosfatase alcalina (745 vs 522 U/L; p=0,004), FA expressa em múltiplos do limite superior normal (5,9 vs 3,3×; p=0,003) e PTH (2.474 vs 1.842 pg/mL; p<0,001), além de menores níveis de vitamina D (32 vs 39 ng/mL; p=0,028), refletindo um estado de hiperparatireoidismo mais grave e maior remodelação óssea no grupo com osteoporose. Cálcio, fósforo e albumina não diferiram entre os grupos.

Os exames laboratoriais do seguimento final não diferiram significativamente entre os grupos, à exceção de uma tendência de FA final mais elevada no grupo com osteoporose (170 vs 120 U/L; p=0,081), sugerindo persistência de maior remodelação óssea nesse subgrupo mesmo após a cirurgia. PTH, cálcio, fósforo, albumina e vitamina D finais foram semelhantes entre os grupos, indicando que a resposta bioquímica à PTX foi equivalente independentemente do status ósseo basal.

A presença de fratura pré-PTX foi mais frequente no grupo com osteoporose (38% vs 15%; p=0,041), assim como a ocorrência de tumor marrom (22% vs 3%; p=0,020), reforçando a gravidade do comprometimento ósseo nesse subgrupo. Como esperado, todos os parâmetros densitométricos foram significativamente piores no grupo com osteoporose em todos os sítios avaliados (p<0,001 para todos os T-scores e valores de G/cm²).

A mortalidade tendeu a ser maior no grupo com osteoporose (16% vs 6%), sem atingir significância estatística (p=0,2), consistente com os achados da análise de mortalidade previamente apresentada.

4.2. Análise Multivariável

Para a análise multivariada dos fatores determinantes da osteoporose, dois modelos foram testados. O Modelo B incluiu as três variáveis com menor p-valor na univariada (FA × limite superior normal, PTH e vitamina D), enquanto o Modelo A substituiu a FA pela presença de fratura pré-PTX, variável com relevância clínica direta e menor colinearidade com o PTH. O Modelo B apresentou perda de significância em todas as variáveis, atribuída à colinearidade entre FA e PTH — ambos marcadores do mesmo processo fisiopatológico, o hiperparatireoidismo secundário grave. O Modelo A demonstrou melhor desempenho estatístico e maior coerência biológica, sendo adotado como modelo final.

4.2.1. Modelo A

Tabela 4c1. Análise multivariada — fatores determinantes da osteoporose pré-operatória
Characteristic1 OR1 95% CI1 p-value1
pth_pre 1.00 1.00, 1.00 0.015
vitd_pre 0.94 0.88, 0.99 0.038
fx_pre_ptx


    Sim
    Não 0.30 0.06, 1.18 0.10
1 OR ajustado (IC 95%). Regressão logística multivariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

4.2.2. Modelo B

Tabela 4c. Análise multivariada — fatores determinantes da osteoporose pré-operatória
Characteristic1 OR1 95% CI1 p-value1
xfa_pre 1.12 0.97, 1.32 0.14
pth_pre 1.00 1.00, 1.00 0.057
vitd_pre 0.94 0.88, 0.99 0.051
1 OR ajustado (IC 95%). Regressão logística multivariada.
Abbreviations: CI = Confidence Interval, OR = Odds Ratio

Na análise multivariada, ajustada para PTH pré-operatório, vitamina D e presença de fratura pré-PTX, dois fatores se mantiveram como determinantes independentes da osteoporose.

O PTH pré-operatório elevado permaneceu associado a maior risco de osteoporose (OR ajustado=1,00 por unidade; p=0,015), confirmando o papel central do hiperparatireoidismo grave na deterioração óssea dessa população.

A vitamina D manteve associação protetora independente (OR ajustado=0,94 por ng/mL; p=0,038), sugerindo que níveis mais elevados de vitamina D se associam a menor probabilidade de osteoporose mesmo após ajuste para a gravidade do hiperparatireoidismo.

A ausência de fratura pré-PTX mostrou tendência a menor risco de osteoporose (OR ajustado=0,30; IC95% 0,06–1,18; p=0,10), sem atingir significância estatística formal, possivelmente pelo tamanho amostral limitado.

Em conjunto, os resultados indicam que a gravidade do hiperparatireoidismo secundário — traduzida pelo PTH elevado e pela deficiência de vitamina D — é o principal determinante da osteoporose pré-operatória nesses pacientes, reforçando a importância do diagnóstico e tratamento precoces antes da indicação cirúrgica.

Análise adicional: Densitometria pré e pós

•⁠ ⁠vou precisar dos valores densitometricos pré e pós para acrescentar no trabalho 1 . Mostrando o desfecho melhora da massa óssea .

Tabela. Comparação dos parâmetros densitométricos PRÉ e PÓS PTX (n = 147)
Characteristic1 PRÉ
mediana (IQR)
1
PÓS
mediana (IQR)
1
p-value1
T-score Fêmur Total -1.90 (-2.60, -0.60) -0.95 (-2.15, -0.35) 0.003
    Sem dado 74 107
T-score Colo Femoral -1.80 (-2.60, -0.90) -0.60 (-1.50, 0.30) <0.001
    Sem dado 74 107
T-score L1-L4 -2.90 (-4.20, -1.70) -1.95 (-3.20, -0.60) <0.001
    Sem dado 69 101
G/cm² Fêmur Total 0.71 (0.61, 0.88) 0.85 (0.69, 0.96) <0.001
    Sem dado 74 108
G/cm² Colo Femoral 0.65 (0.55, 0.74) 0.80 (0.65, 0.89) <0.001
    Sem dado 76 107
G/cm² L1-L4 0.76 (0.62, 0.88) 0.87 (0.70, 1.00) <0.001
    Sem dado 69 101
1 Mediana (IQR). Wilcoxon pareado. N por par completo varia conforme disponibilidade do dado.