Bastão de Asclépio & Distribuição Normal

Bastão de Asclépio & Distribuição Normal

1 Objetivo geral

Estruturar uma oficina prática com 7 grupos de 6 alunos, voltada ao desenvolvimento preliminar de instrumentos de mensuração psicométrica. A atividade envolve a operacionalização de construtos, elaboração de itens, definição da finalidade da escala, identificação de instrumentos similares, caracterização da população-alvo, coleta de dados, proposição de estratégias de validação de construto, avaliação da confiabilidade e definição de regras de escoragem.

O tema gerador da oficina é a operacionalização psicométrica de construtos psicológicos metaforicamente associados aos sete pecados: soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça.

2 Organização dos grupos

Sugestão de distribuição dos temas:

  • Grupo 1: Soberba (Superbia)
  • Grupo 2: Avareza (Avaritia)
  • Grupo 3: Luxúria (Luxuria)
  • Grupo 4: Inveja (Invidia)
  • Grupo 5: Gula (Gula)
  • Grupo 6: Ira (Ira)
  • Grupo 7: Preguiça (Acedia)

Cada grupo deverá desenvolver um protocolo psicométrico preliminar, conforme as etapas descritas a seguir.

3 Finalidade da escala

Para fins desta oficina, todas as escalas deverão seguir o enquadramento nomotético. O enquadramento idiográfico é apresentado apenas como contraste conceitual.

3.1 Enquadramento A: nomotético / psicométrico / epidemiológico

Neste enquadramento, a escala tem como finalidade a comparação entre indivíduos e a obtenção de estimativas em nível populacional. O instrumento é concebido para uso padronizado, com escores comparáveis entre pessoas e grupos, permitindo análises estatísticas agregadas.

Esse tipo de escala é característico de estudos psicométricos e epidemiológicos, nos quais se busca mensurar traços latentes de forma consistente e replicável.

Conforme Franzen (2000, p. 39),

“A validade de construto foi introduzida conceitualmente por Cronbach e Meehl (1955). A validade de construto pode ser descrita como aquele aspecto do processo de validação que tenta confirmar as dimensões ou características que o teste foi projetado para medir. A validação de construção é um processo contínuo. Percorre a demonstração da validade de conteúdo e critério e, além disso, é construído a partir de testes de hipóteses exploratórios e confirmatórios do procedimento de interesse. O objetivo da validação de construto é construir uma rede nomotética ou definição inferencial das características que um teste procura medir. De muitas maneiras, o processo de validação de construto retorna os pesquisadores ao início do projeto do instrumento porque a relação entre o teste e sua teoria subjacente está constantemente em questão.”

3.2 Enquadramento B: idiográfico / clínico / impressionista

Neste enquadramento, a escala tem como finalidade a compreensão do indivíduo em seu contexto específico. O instrumento é utilizado como apoio à avaliação clínica ou interpretativa, com foco na descrição qualitativa ou no acompanhamento intrassujeito.

Os escores, quando presentes, são interpretados de forma contextualizada e não têm como objetivo a comparação direta entre indivíduos ou a generalização populacional.

Conforme Franzen (2000, p. 43),

“Um uso comum da avaliação neuropsicológica é fornecer uma impressão diagnóstica. Infelizmente, essa aplicação da neuropsicologia não tem recebido grande atenção em estudos que examinam a validade de instrumentos de avaliação neuropsicológica. Existem dois aspectos principais da validade diagnóstica. A primeira é se um único teste pode identificar com precisão indivíduos com um determinado diagnóstico. A segunda é se combinações de testes podem identificar ou classificar indivíduos com precisão.”

4 Etapas obrigatórias por grupo

4.1 Definição e operacionalização do construto

Cada grupo deverá apresentar uma definição constitutiva do construto escolhido, fundamentada em literatura teórica e conceitual, seguida de uma definição operacional, explicitando quais comportamentos, atitudes ou experiências observáveis representam o construto no contexto proposto.

Devem ser elencados e justificados pelo menos três subconstrutos do construto.

4.2 Objetivo da escala

O grupo deve adotar o Enquadramento A (nomotético), apresentando uma justificativa conceitual coerente com a proposta do instrumento.

4.3 Escalas similares existentes

Devem ser identificados instrumentos ou abordagens previamente existentes que mensurem construtos semelhantes ou relacionados. O grupo deve discutir a relação entre essas escalas e a proposta desenvolvida, indicando se a nova escala se propõe como alternativa, adaptação ou complemento.

4.4 População-alvo

O grupo deve definir claramente a população-alvo do instrumento por meio de critérios de inclusão e exclusão, incluindo características demográficas relevantes, contexto de aplicação e forma de administração (autoaplicação ou entrevista). A adequação da linguagem dos itens à população definida deve ser considerada.

4.5 Construção dos itens

Cada grupo deverá elaborar um conjunto inicial de 20 itens Likert de 5 pontos (Discordância-Concordância).

O grupo deve justificar a escolha do formato de resposta em função do construto e da população-alvo. Os itens devem ser redigidos de forma clara, objetiva e adequada ao contexto de aplicação.

4.6 Modelo psicométrico subjacente

O grupo deve explicitar o modelo conceitual de mensuração assumido, indicando se o construto é tratado como unidimensional ou multidimensional, bem como a relação esperada entre as dimensões, quando aplicável.

4.7 Validação de construto

Deve ser apresentada uma proposta de obtenção de evidências de validade de construto, compatível com a finalidade da escala.

Para escalas do Enquadramento A, podem ser considerados:

  • avaliação da dimensionalidade
  • validade convergente
  • validade divergente
  • análise de invariância entre grupos, quando pertinente

4.8 Confiabilidade

O grupo deve indicar quais estratégias de avaliação da confiabilidade seriam adequadas ao instrumento proposto.

Para escalas do Enquadramento A, podem ser incluídas medidas de tamanho de efeito do construto e estabilidade temporal.

4.9 Escoragem

Devem ser descritas de forma clara as regras de escoragem do instrumento, incluindo:

  • definição de escore total e/ou subescalas
  • tratamento de itens invertidos
  • manejo de dados ausentes
  • forma de interpretação dos escores

4.10 Amostra-piloto e análise de dados

Cada deverá aplicar a escala de avaliação do pecado capital em pelo menos 60 pessoas da população-alvo.

Realizar a análise estatística descritiva das respostas obtidas.

Avaliar estatisticamente a qualidade da escala globalmente, suas subescalas (se existirem) e os itens.

Realizar a análise preliminar de dimensionalidade da escala.

Propor e realizar a análise estatística para redução da escala para dez itens.

5 Relatório Final

Cada grupo deverá entregar um documento contendo:

  1. Definição constitutiva e operacional do construto
  2. Finalidade da escala
  3. Descrição da população-alvo
  4. Escalas similares existentes
  5. Conjunto inicial de itens e formato de resposta
  6. Modelo conceitual de mensuração
  7. Proposta de validação de construto
  8. Proposta de avaliação da confiabilidade
  9. Regras de escoragem e interpretação
  10. Coleta de dados e análise estatística da escala e dos itens

O documento deve ser redigido em linguagem acadêmica, com fundamentação em artigos científicos, foco na coerência conceitual e metodológica.

6 Referências