O cancer pode ser uma doença perigosa quando não descoberta no início. Segundo o jornal Folha do Estado da Bahia, “o estado deve ter 2,1 mil novos casos de câncer colorretal em 2026. Além disso, tumor de cólon e reto é o segundo mais comum em homens e mulheres. Campanha Março Azul-Marinho foi lançada para conscientizar sobre a prevenção”.
Além disso o Portal Terra também aponta que “Incidência aumenta entre menores de 50 anos, e especialistas buscam respostas para o avanço precoce da doença. No Brasil, mortes devem crescer 36% até 2040.O câncer colorretal, antes associado sobretudo a adultos mais velhos, avança cada vez mais entre homens e mulheres jovens. Nos Estados Unidos, já é a neoplasia que mais mata abaixo dos 50 anos.”
A fonte dos dados é do PAINEL DE MONITORAMENTO DE TRATAMENTO ONCOLÓGICO: PAINEL-ONCOLOGIA que disponibiliza a base de dados de pessoas que foram notificados com algum tipo de câncer pelo Sistema Único de Saúde desde 2013. Em 2026, o Painel ainda não teve informações atualizadas.
Diante dessas informações divulgadas na mídia sobre o crescimento do câncer colorretal, torna-se relevante analisar dados provenientes de sistemas oficiais de monitoramento da saúde pública. Nesse contexto, a base de dados do Painel de Monitoramento de Tratamento Oncológico (Painel-Oncologia), disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permite observar os registros de diagnósticos e tratamentos oncológicos notificados no sistema ao longo dos anos. A análise desses registros possibilita avaliar o comportamento da doença em diferentes faixas etárias e identificar possíveis tendências temporais entre jovens.
Embora o número de registros de diagnóstico de câncer de cólon em pessoas de 20 anos, notificados nos sistemas de informação do SUS, tenha sido ligeiramente menor em 2024, os registros voltaram a crescer em 2025.
Entre 2015 e 2025 (em dez anos), o número de registros de diagnóstico de câncer de cólon (região do abdômen) em homens jovens de 15 a 25 anos totalizou 2.391 notificações nos sistemas do SUS. No grupo das mulheres da mesma faixa etária, também se observa número elevado, com 1.969 registros no período. Assim, ao longo da última década, observa-se aumento dos registros da doença tanto entre homens quanto entre mulheres jovens. O total foram de 4.360 mil casos em 10 anos para essa faixa etária.
O gráfico acima mostra o número de casos notificados por ano e por idade específica (15 a 25 anos). Clique sobre a coluna Idade e compare-as.
Embora reportagens recentes indiquem milhares de novos casos de câncer colorretal no Brasil, a análise dos registros disponíveis no Painel de Monitoramento de Tratamento Oncológico mostra números significativamente menores quando se observa especificamente a população jovem.
Essa diferença pode estar relacionada às limitações do próprio sistema de dados, que registra procedimentos e notificações vinculados ao atendimento no SUS, e não necessariamente todos os casos incidentes da doença no país. Além disso, atrasos de atualização, subnotificação e diferenças metodológicas entre registros administrativos e estimativas epidemiológicas podem produzir discrepâncias entre as estatísticas divulgadas pela mídia e aquelas observadas diretamente na base de dados.