Apresentação
Este Boletim Epidemiológico é produzido semanalmente pela Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT), da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVEP), da Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS), da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
As informações sobre dengue apresentadas neste Boletim são referentes às notificações no Distrito Federal (DF), ocorridas no ano de 2024 e até a Semana Epidemiológica (SE) 50 de 2025, disponíveis no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN Online. Os dados foram extraídos em 12 de fevereiro de 2026.
Nota: Todos os dados deste Boletim são parciais e provisórios, sujeitos à alteração conforme atualizações no SINAN Online.
Situação Epidemiológica no Distrito Federal
Resumo de Casos
Em 2025, até a SE 50, foram notificados 22.825 casos suspeitos de dengue em residentes do DF, dos quais 11.073 eram prováveis. Dentre os casos prováveis, 5.030 foram confirmados laboratorialmente, representando uma taxa de confirmação de 45.4%. A incidência acumulada foi de 369.1 casos por 100 mil habitantes.
| Indicador | Frequência | Taxa / Proporção |
|---|---|---|
| Casos Notificados | 22.825 | 100% |
| Casos Prováveis | 11.073 | 48.5% |
| Casos Confirmados | 5.030 | 45.4% |
| Óbitos | 2 | 0.02% |
| Incidência (por 100 mil hab.) | - | 369.1 |
Interpretação: O número de casos prováveis de dengue notificados até a SE 50 de 2025 demonstra a circulação ativa do vírus no Distrito Federal. A taxa de confirmação laboratorial de 45.4% reflete a capacidade diagnóstica da rede de vigilância. A taxa de mortalidade de 0.02% permanece baixa, indicando que os casos estão sendo identificados e tratados adequadamente.
Análise Temporal
Curva Epidêmica
O comportamento da dengue é sazonal, com aumento de casos tipicamente no primeiro semestre, especialmente entre janeiro e abril, período de maior pluviosidade no DF. A Figura 1 apresenta a curva de casos prováveis por semana de início dos sintomas.
Interpretação: A curva epidêmica de 2025 apresenta o padrão típico de dengue no DF. A linha de tendência (em laranja) permite visualizar a evolução geral dos casos ao longo das semanas. A variabilidade semanal reflete a natureza cíclica da transmissão, influenciada por fatores climáticos (temperatura e pluviosidade) e comportamentais.
Diagrama de Controle – Múltiplos Métodos
A vigilância epidemiológica utiliza diferentes métodos estatísticos para detecção de anomalias e monitoramento de tendências. O diagrama abaixo apresenta cinco métodos complementares, cada um com perspectivas distintas para a análise da série temporal.
Interpretação dos Métodos:
Média ± Desvios Padrão (Azul claro): Método clássico com limites em ±1,96 SD (IC 95%). Simples e direto para vigilância de rotina. Semanas fora da faixa indicam possível anomalia.
Modelo Harmônico Polinomial (Vermelho): Captura a sazonalidade em múltiplas escalas (12, 6 e 3 semanas). Mais sofisticado para doenças com padrão sazonal como a dengue.
Regressão Segmentada (Verde): Detecta mudanças de nível (changepoints) na série temporal. Identifica períodos epidêmicos distintos e transições entre fases.
Média Móvel Exponencial – EWMA (Roxo): Suavização adaptativa com λ=0,15. Mais sensível a mudanças recentes na tendência.
A concordância entre os diferentes métodos aumenta a confiança na interpretação. Divergências podem indicar mudanças recentes na dinâmica de transmissão.
Gráfico CUSUM
O gráfico CUSUM (Soma Cumulativa) é especialmente sensível para detectar pequenas mudanças sustentadas na série temporal, sendo um instrumento complementar de alerta precoce.
Interpretação: O CUSUM positivo (vermelho) acumula desvios acima da média de referência, enquanto o CUSUM negativo (azul) acumula desvios abaixo. Quando uma das linhas ultrapassa o limite de decisão (linhas tracejadas), há evidência estatística de mudança sustentada no nível de casos, sinalizando necessidade de investigação epidemiológica.
Análise por Região Administrativa
A tabela a seguir apresenta a distribuição de casos de dengue por Região Administrativa do DF, com classificação por quartis de incidência para identificação de áreas prioritárias.
| Região Administrativa | Notificados | Prováveis | Confirmados | Óbitos | Incidência/100mil | Risco |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Plano Piloto | 4643 | 1247 | 167 | 0 | 1413.3 | Alto |
| Cruzeiro | 1715 | 1037 | 195 | 0 | 1175.3 | Alto |
| Samambaia | 1695 | 529 | 310 | 0 | 599.5 | Alto |
| Não Especificado | 1492 | 1181 | 627 | 0 | 1338.5 | Alto |
| Taguatinga | 1488 | 401 | 273 | 0 | 454.5 | Médio-Alto |
| Fercal | 1474 | 316 | 23 | 0 | 358.1 | Médio-Alto |
| Gama | 1373 | 756 | 355 | 0 | 856.8 | Alto |
| Lago Sul | 934 | 789 | 69 | 0 | 894.2 | Alto |
| Guará | 919 | 554 | 459 | 0 | 627.9 | Alto |
| Riacho Fundo | 904 | 433 | 62 | 0 | 490.7 | Médio-Alto |
| Itapoã | 744 | 544 | 400 | 0 | 616.5 | Alto |
| Planaltina | 716 | 570 | 300 | 1 | 646.0 | Alto |
| Areal | 661 | 308 | 29 | 0 | 349.1 | Médio-Alto |
| Ceilândia | 447 | 271 | 97 | 0 | 307.1 | Médio-Alto |
| Recanto das Emas | 446 | 253 | 228 | 0 | 286.7 | Médio-Alto |
| Paranoá | 348 | 134 | 25 | 0 | 151.9 | Médio-Baixo |
| Brazlândia | 332 | 220 | 199 | 1 | 249.3 | Médio-Alto |
| Arniqueira | 285 | 160 | 129 | 0 | 181.3 | Médio-Baixo |
| Lago Norte | 244 | 189 | 138 | 0 | 214.2 | Médio-Alto |
| Santa Maria | 223 | 84 | 65 | 0 | 95.2 | Baixo |
| Sobradinho II | 219 | 174 | 112 | 0 | 197.2 | Médio-Baixo |
| São Sebastião | 213 | 93 | 80 | 0 | 105.4 | Médio-Baixo |
| SCIA/Estrutural | 210 | 163 | 156 | 0 | 184.7 | Médio-Baixo |
| Estrutural | 171 | 88 | 67 | 0 | 99.7 | Baixo |
| Candangolândia | 165 | 146 | 121 | 0 | 165.5 | Médio-Baixo |
| Varjão | 145 | 108 | 95 | 0 | 122.4 | Médio-Baixo |
| Park Way | 141 | 46 | 26 | 0 | 52.1 | Baixo |
| Núcleo Bandeirante | 137 | 91 | 80 | 0 | 103.1 | Médio-Baixo |
| Águas Claras | 90 | 44 | 42 | 0 | 49.9 | Baixo |
| Vicente Pires | 85 | 49 | 19 | 0 | 55.5 | Baixo |
| Sudoeste/Octogonal | 74 | 49 | 48 | 0 | 55.5 | Baixo |
| Sobradinho | 69 | 32 | 31 | 0 | 36.3 | Baixo |
| Jardins Mangueiral | 19 | 12 | 2 | 0 | 13.6 | Baixo |
| Riacho Fundo II | 4 | 2 | 1 | 0 | 2.3 | Baixo |
Interpretação: A tabela classifica as Regiões Administrativas em quatro níveis de risco com base nos quartis de incidência. As regiões em vermelho (Alto) apresentam maior risco epidemiológico e requerem intensificação das ações de vigilância e controle vetorial. As regiões em verde (Baixo) apresentam menor incidência relativa, mas devem manter a vigilância ativa.
Perfil dos Casos
Pirâmide Etária por Sexo
A pirâmide etária permite visualizar a distribuição dos casos prováveis de dengue por faixa etária e sexo, identificando grupos populacionais mais afetados.
Distribuição por Sexo e Faixa Etária
| Sexo | Frequência | Percentual |
|---|---|---|
| Feminino | 6224 | 56.2% |
| Ignorado | 15 | 0.1% |
| Masculino | 4834 | 43.7% |
| Faixa Etária | Frequência | Percentual |
|---|---|---|
| < 1 ano | 212 | 1.9% |
| 1-4 | 526 | 4.8% |
| 5-9 | 674 | 6.1% |
| 10-14 | 663 | 6% |
| 15-19 | 934 | 8.4% |
| 20-29 | 2460 | 22.2% |
| 30-39 | 1904 | 17.2% |
| 40-49 | 1595 | 14.4% |
| 50-59 | 959 | 8.7% |
| 60-69 | 559 | 5% |
| 70-79 | 348 | 3.1% |
| 80+ | 228 | 2.1% |
| NA | 11 | 0.1% |
Interpretação: A distribuição por sexo e faixa etária revela o perfil epidemiológico da dengue no DF. A faixa etária de 20-39 anos concentra a maior proporção de casos, refletindo a exposição ao vetor em ambientes domésticos e de trabalho. A análise por sexo permite identificar possíveis diferenças na exposição ou no comportamento de busca por atendimento.
Casos Graves e Óbitos
Até a SE 50 de 2025, foram notificados 440 casos de dengue com sinais de alarme e 0 casos graves em residentes do DF. Foram registrados 2 óbito(s) no período.
| Indicador | Frequência | Proporção (%) |
|---|---|---|
| Casos com Sinais de Alarme | 440 | 3.97 |
| Casos Graves | 0 | 0.00 |
| Óbitos | 2 | 0.02 |
Alerta: Cada caso grave deve ser investigado e tratado com urgência. A identificação precoce de sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia, acúmulo de líquidos, hepatomegalia, aumento progressivo do hematócrito) é fundamental para prevenir a evolução para dengue grave e óbito.
Interpretação: O monitoramento contínuo dos indicadores de gravidade é essencial para a avaliação da qualidade da assistência. A taxa de letalidade e a proporção de casos graves em relação aos casos prováveis devem ser acompanhadas semanalmente. Qualquer aumento nesses indicadores deve desencadear investigações epidemiológicas e revisão dos protocolos de manejo clínico.
Elaboração
Subsecretaria de Vigilância à Saúde – SVS
Diretoria de Vigilância Epidemiológica – DIVEP
Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis – GVDT
Endereço: Edifício CEREST – SEPS 712/912 Bloco D, Asa Sul, Brasília/DF. CEP 70.390-125
Telefone: (61) 3449-4443
E-mail: gvdt.divep@saude.df.gov.br