Teste | Estatistica | Valor.p | Interpretação |
|---|---|---|---|
Shapiro-Wilk (Normalidade) | 0.9903 | 0.278 | ✅ Resíduos compatíveis com normalidade |
Levene (Homogeneidade) | 1.8095 | 0.024 | ❌ Variâncias não homogêneas |
Análise do Índice de Velocidade de Emergência (IVE)
- O IVE varia significativamente entre cultivares (ANOVA de Welch, p < 0.001), mas há forte sobreposição entre grupos (muitos “ab/abc” no post‑hoc).
- A ANCOVA não é aplicável aqui porque cada cultivar aparece em apenas uma temperatura média (colinearidade perfeita).
- A tendência térmica geral (Spearman) indica efeito positivo da temperatura mínima (ρ 0.703) e efeito negativo da temperatura média e máxima (ρ -0.25 e -0.25).
- Nos testes de qualidade, os melhores indicadores de IVE são EA 48h (r = 0.580), GI (r = 0.501) e TZ‑Vigor (r = 0.348).
- Na coluna de classe de qualidade, só há registros “A+”; por isso não é possível comparar IVE entre A+, A e C aqui.
Contexto
O IVE (Maguire, 1962) mede velocidade de emergência, não apenas a porcentagem final. Quanto maior o IVE, mais rápido e vigoroso é o lote.
\[ \mathbf{IVE} = \frac{G_1}{N_1} + \frac{G_2}{N_2} + \frac{G_3}{N_3} + \dots + \frac{G_n}{N_n} \]
- \(G\): número de plântulas emergidas em cada contagem
- \(N\): número de dias até a contagem
Seção 1 — Prévia 1: cultivar e temperatura
Nesta seção, o objetivo é entender como o IVE muda com cultivar e temperatura média.
Dados analisados: 176 amostras, 21 cultivares, temperatura média entre 23.41 e 25.11°C. Como a faixa de temperatura é relativamente estreita, a interpretação do efeito térmico deve ser feita com cautela.
1.1 Diferenças entre cultivares
Antes de escolher a ANOVA, verificamos dois pressupostos:
- Normalidade dos resíduos.
- Homogeneidade das variâncias.
Quando o teste de Levene indica variâncias desiguais (p < 0,05), a ANOVA tradicional perde robustez.
Por isso, usamos a ANOVA de Welch, que é apropriada quando as variâncias não são homogêneas.
Método | F | GL (num) | GL (den) | Valor p |
|---|---|---|---|---|
ANOVA de Welch | 117.843 | 20 | 34.93 | < 0.001 |
Como o valor p é menor que 5%, concluímos que há diferenças significativas de IVE entre os cultivares — ou seja, pelo menos um par de cultivares apresenta médias diferentes (p < 0.001).
Esse resultado, porém, não diz quais cultivares diferem entre si nem quais tiveram melhor desempenho.
Para responder isso, usamos um teste post‑hoc — chamado assim porque é aplicado após a ANOVA, justamente para detalhar quais pares de cultivares são diferentes.
Seguindo essa lógica, usamos o teste post‑hoc com t de Welch e correção Holm, que compara pares de cultivares e controla o erro por múltiplas comparações — isso é importante porque, ao realizar muitas comparações, aumenta-se a chance de “falsos positivos” (diferenças que parecem reais, mas se devem apenas ao acaso).
Cultivar | IVE médio | Grupo (letras) |
|---|---|---|
CZ37B39I2X | 29.51 | a |
CZ37B43IPRO | 28.10 | ab |
CZ37B07I2X | 25.41 | ab |
CZ47B74I2X | 24.26 | ab |
711I2X | 22.91 | ab |
CZ47B91I2X | 20.82 | ab |
CZ48B18IPRO | 20.23 | ab |
CZ48B08I2X | 18.79 | ab |
CZ15B29XTD | 14.65 | ab |
BSA64014I2X | 21.45 | abc |
CZ48B32IPRO | 20.16 | abc |
752 I2X | 18.76 | abc |
CZ15B20I2X | 18.62 | abc |
CZ15B99I2X | 18.55 | abc |
CZ37B51IPRO | 18.24 | abc |
CZ36B96I2X | 18.00 | abc |
BSA57079I2X | 16.62 | abc |
822I2X | 15.92 | abc |
BS2606IPRO | 15.60 | abc |
CZ58B28IPRO | 21.81 | bc |
616I2X | 16.92 | c |
Como ler a tabela (letras):
- Mesma letra → cultivares apresentam IVE médio estatisticamente equivalente.
- Letras diferentes → cultivares apresentam IVE médio estatisticamente diferente.
- Letra dupla (ex.: ab) → o cultivar é estatisticamente semelhante aos grupos “a” e “b”; fica na zona de transição e não difere de nenhum deles.
- Melhor desempenho isolado: CZ37B39I2X (grupo a, IVE médio 29.51).
- Pior desempenho: 616I2X (grupo c, IVE médio 16.92).
- A maioria das cultivares está nos grupos ab e abc, mostrando sobreposição de desempenho. Na prática, isso indica que muitas cultivares são estatisticamente semelhantes, então a escolha entre elas pode depender de outros critérios (disponibilidade, custo, logística).
1.2 Temperatura média e IVE
Neste experimento, a temperatura não foi controlada como fator.
Por isso, não é possível ajustar um fatorial completo \(cultivar \times temperatura\).
Isso fica evidente ao agruparmos a temperatura em apenas duas faixas (23–24°C e 24–26°C): os dados não estão balanceados como um fatorial.
Diante disso, o caminho correto seria usar um modelo com ajuste por cultivar, sem tratar como fatorial formal.
Uma das abordagens mais comuns para estudar a influência de uma variável contínua controlando outra (aqui, cultivar) é a ANCOVA.
Para que uma ANCOVA fosse estatisticamente válida para separar “o que é genética” de “o que é clima”, cada cultivar precisaria ter sido testada em mais de uma temperatura.
Como demonstrado abaixo, cada material genético foi exposto a um perfil térmico único, o que gera colinearidade perfeita:
Cultivar | Temperaturas (Média) Testadas |
|---|---|
616I2X | 1 |
711I2X | 1 |
752 I2X | 1 |
822I2X | 1 |
BS2606IPRO | 1 |
BSA57079I2X | 1 |
BSA64014I2X | 1 |
CZ15B20I2X | 1 |
CZ15B29XTD | 1 |
CZ15B99I2X | 1 |
CZ36B96I2X | 1 |
CZ37B07I2X | 1 |
CZ37B39I2X | 1 |
CZ37B43IPRO | 1 |
CZ37B51IPRO | 1 |
CZ47B74I2X | 1 |
CZ47B91I2X | 1 |
CZ48B08I2X | 1 |
CZ48B18IPRO | 1 |
CZ48B32IPRO | 1 |
CZ58B28IPRO | 1 |
Nota: Como o número de temperaturas por cultivar é 1, não há variância, os efeitos de 'clima' e 'genética' estão fundidos (confundidos). | |
Devido a essa limitação do desenho, a ANCOVA não consegue isolar matematicamente as variáveis. Portanto, procedemos com a Análise de Tendência via Correlação de Spearman, que avalia o comportamento como um todo.
Tendência Térmica Geral (Spearman)
Dado o limite do desenho, a alternativa é avaliar a associação geral entre IVE e temperatura por correlação de Spearman, que não exige linearidade estrita.
Isso é útil porque o padrão visual sugere subida e depois queda do IVE com a temperatura, o que viola a suposição de linearidade do coeficiente de correlação de Pearson.
Temperatura | Spearman (ρ) | Valor p |
|---|---|---|
Temperatura mínima | 0.703 | < 0.001 |
Temperatura média | -0.250 | < 0.001 |
Temperatura máxima | -0.250 | < 0.001 |
A forte correlação positiva com a Mínima (\(\rho = 0.703\)) e o comportamento crescente no gráfico indicam que temperaturas mínimas mais elevadas são o principal acelerador do IVE. Em contrapartida, as correlações negativas com a Média e Máxima revelam que picos excessivos de calor prejudicam a velocidade de emergência.
1.3 Agrupamento de cultivares (cluster)
As cultivares foram agrupadas por similaridade de IVE pelo método de Ward:
Cultivar | Grupo | IVE Médio |
|---|---|---|
616I2X | 1 | 16.92 |
BSA57079I2X | 1 | 16.62 |
822I2X | 1 | 15.92 |
BS2606IPRO | 1 | 15.60 |
CZ15B29XTD | 1 | 14.65 |
711I2X | 2 | 22.91 |
CZ58B28IPRO | 2 | 21.81 |
BSA64014I2X | 2 | 21.45 |
CZ47B91I2X | 2 | 20.82 |
CZ48B18IPRO | 2 | 20.23 |
CZ48B32IPRO | 2 | 20.16 |
CZ48B08I2X | 3 | 18.79 |
752 I2X | 3 | 18.76 |
CZ15B20I2X | 3 | 18.62 |
CZ15B99I2X | 3 | 18.55 |
CZ37B51IPRO | 3 | 18.24 |
CZ36B96I2X | 3 | 18.00 |
CZ37B07I2X | 4 | 25.41 |
CZ47B74I2X | 4 | 24.26 |
CZ37B39I2X | 5 | 29.51 |
CZ37B43IPRO | 5 | 28.10 |
- Grupo 1 (IVE 14.65–16.92): Cultivares de baixo desempenho
- Grupo 2 (IVE 20.16–22.91): Bom desempenho
- Grupo 3 (IVE 18.00–18.79): Desempenho intermediário — ficam na zona cinzenta entre os Grupos 1 e 2.
- Grupo 4 (IVE 24.26–25.41): Alto desempenho — excelentes escolhas quando a velocidade é prioritária.
- Grupo 5 (IVE 28.10–29.51): Elite — priorizar esses materiais quando a velocidade de emergência for crítica.
Seção 2 — Pré-expedição: relação com testes de qualidade
Aqui o objetivo é avaliar como o IVE se relaciona com os testes internos de qualidade.
2.1 Classe de qualidade (A+, A, C)
Primeiro, verificamos se há diversidade de classes na planilha, pois isso define se a comparação entre classes é viável.
Classe | N |
|---|---|
A+ | 176 |
Neste arquivo, a coluna classe possui apenas a categoria A+. Por isso, não é possível comparar o IVE entre A+, A e C aqui. Se houver outras classes em outro arquivo, a análise pode ser refeita automaticamente.
2.2 IVE por cultivar
Antes de correlacionar com outros testes, é útil observar a distribuição do IVE por cultivar para entender a variação básica do material genético.
2.3 Correlação do IVE com outros testes
Agora avaliamos se o IVE acompanha os demais testes de qualidade. Primeiro, apresentamos a matriz geral e, em seguida, destacamos as relações significativas.
Variável | IVE | EM Sync | EM | GI | TZ-Viab | TZ-Vigor | EA 48h | EA 24h | EM30 | EM60 | EM90 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
IVE | 1.000 | 0.061 | 0.140 | 0.501 | 0.227 | 0.348 | 0.580 | 0.369 | 0.197 | 0.263 | 0.184 |
EM Sync | 0.061 | 1.000 | 0.665 | 0.395 | 0.057 | 0.095 | 0.254 | 0.251 | 0.079 | 0.144 | -0.005 |
EM | 0.140 | 0.665 | 1.000 | 0.405 | 0.101 | 0.140 | 0.342 | 0.245 | 0.061 | 0.078 | 0.306 |
GI | 0.501 | 0.395 | 0.405 | 1.000 | 0.310 | 0.378 | 0.650 | 0.448 | 0.309 | 0.334 | 0.466 |
TZ-Viab | 0.227 | 0.057 | 0.101 | 0.310 | 1.000 | 0.884 | 0.419 | 0.410 | 0.555 | 0.441 | 0.542 |
TZ-Vigor | 0.348 | 0.095 | 0.140 | 0.378 | 0.884 | 1.000 | 0.495 | 0.499 | 0.554 | 0.509 | 0.601 |
EA 48h | 0.580 | 0.254 | 0.342 | 0.650 | 0.419 | 0.495 | 1.000 | 0.608 | 0.356 | 0.375 | 0.679 |
EA 24h | 0.369 | 0.251 | 0.245 | 0.448 | 0.410 | 0.499 | 0.608 | 1.000 | 0.561 | 0.565 | 0.628 |
EM30 | 0.197 | 0.079 | 0.061 | 0.309 | 0.555 | 0.554 | 0.356 | 0.561 | 1.000 | 0.529 | 0.335 |
EM60 | 0.263 | 0.144 | 0.078 | 0.334 | 0.441 | 0.509 | 0.375 | 0.565 | 0.529 | 1.000 | 0.561 |
EM90 | 0.184 | -0.005 | 0.306 | 0.466 | 0.542 | 0.601 | 0.679 | 0.628 | 0.335 | 0.561 | 1.000 |
Correlações ordenadas por r
A seguir, as variáveis são ordenadas conforme a força de associação com a velocidade de emergência:
Variável | r | Valor p | N |
|---|---|---|---|
EA 48h | 0.580 | < 0.001 | 176 |
GI | 0.501 | < 0.001 | 176 |
EA 24h | 0.369 | < 0.001 | 172 |
TZ-Vigor | 0.348 | < 0.001 | 176 |
EM60 | 0.263 | < 0.001 | 164 |
TZ-Viab | 0.227 | 0.002 | 176 |
EM30 | 0.197 | 0.010 | 172 |
EM90 | 0.184 | 0.401 | 23 |
EM | 0.140 | 0.063 | 176 |
EM Sync | 0.061 | 0.423 | 176 |
EM90 possui poucas observações (N baixo), então a correlação com IVE deve ser interpretada com cautela.
Testes altamente correlacionados entre si capturam essencialmente o mesmo aspecto da qualidade. Isso é visível no corrplot (correlações fortes entre EA 48h, GI, TZ-Vigor, EA 24h).
Para prever IVE, priorize:
- EA 48h (r = 0.580) — melhor preditor único
- GI (r = 0.501) — segundo melhor, pode substituir EA 48h se já disponível
- TZ-Vigor (r = 0.348) — útil se você precisa avaliar sem germinar
Testes redundantes:
- EA 24h e EA 48h são altamente correlacionados (r = 0.608)
- EM e EM Sync medem coisas similares (r = 0.665)
Testes fracos para IVE:
- EM90, EM, EM Sync — correlação não significativa (valor p \(> 0.05\)). Se o interesse é exclusivamente o IVE, esses testes podem ser desconsiderados.
Dispersões
Os gráficos abaixo mostram todas as relações com p < 0,05 em grade.
Melhores preditores de IVE:
- EA 48h: dispersão reduzida = maior precisão, inclinação forte → melhor teste isolado
- GI: bom preditor, porém com maior dispersão em valores baixos de IVE
- TZ-Vigor e EM60: úteis, mas inferiores aos acima
Testes fracos (efeito teto):
- EA 24h e TZ-Viab: valores consistentemente altos (>90–95%) mesmo com IVE baixo → baixo poder discriminatório
- EM30: linha quase horizontal — todos os lotes acima de 90%