Análise de Mortes Violentas - 2025
Diagnóstico e Priorização para Policiamento 2026
1 Resumo Executivo
Este relatório apresenta uma análise detalhada das mortes violentas registradas em 2025, com objetivo de subsidiar o planejamento operacional do policiamento para 2026. A análise utiliza a metodologia de Curva ABC para identificar as áreas prioritárias de atuação policial.
- Total de Mortes Violentas: 60 vítimas
- Ocorrências Registradas: 308 registros, considerando todas as naturezas da GDO.
- Ocorrências com Morte: 58 (18.8%)
- Setores Afetados: 13 setores com pelo menos uma morte
2 Análise Temporal
2.1 Distribuição Mensal
Análise Criminal: O gráfico evidencia sazonalidade moderada nas mortes violentas em 2025, com pico em abril (10 casos) e níveis ainda elevados em maio (7), sugerindo concentração no primeiro semestre. Após queda progressiva até setembro (mínimo de 1 caso), há recrudescimento pontual em outubro (6) e nova elevação em dezembro (5), indicando possível influência de fatores conjunturais e oportunísticos no último trimestre. Do ponto de vista criminal, o padrão reforça a necessidade de ações preventivas intensificadas no 1º e 4º trimestres, especialmente focadas em conflitos interpessoais e dinâmicas recorrentes de violência letal, com monitoramento contínuo para evitar retomadas abruptas após períodos de baixa.
2.2 Distribuição por Dia da Semana
Análise Criminal: O gráfico revela forte concentração de mortes violentas no final de semana estendido, com pico na sexta-feira (16 casos) e domingo (14), enquanto os dias centrais da semana apresentam níveis substancialmente menores, especialmente terça (4) e segunda (5). Estatisticamente, observa-se um gradiente temporal crescente a partir de quinta-feira, sugerindo associação com maior circulação de pessoas, consumo de álcool e interações sociais mais intensas. Sob a ótica criminal, o padrão indica violência predominantemente interpessoal e situacional, reforçando a necessidade de policiamento preventivo e ações dissuasivas focadas nas noites de sexta, sábado e domingo, com ênfase em locais e horários críticos.
2.3 Distribuição por Faixa Horária
Análise Criminal: O gráfico evidencia concentração expressiva das mortes violentas no período noturno, com pico entre 18h e 23h59 (25 casos) e manutenção de níveis elevados na madrugada (00h–05h59, 17 casos), enquanto o período diurno apresenta incidência significativamente menor, especialmente pela manhã (6 casos). Estatisticamente, há assimetria temporal clara, indicando maior risco em horários de baixa vigilância informal e maior exposição a fatores de desinibição. Do ponto de vista criminal, o padrão é compatível com violência interpessoal associada a lazer noturno, reforçando a necessidade de emprego operacional concentrado no turno noturno e início da madrugada, com foco em pontos de conflito recorrentes e ações preventivas direcionadas.
3 Análise Espacial
3.1 Análise por Setor
Análise Criminal: O gráfico demonstra alta concentração espacial das mortes violentas, com dois setores (45.88.1 e 45.88.2) respondendo isoladamente por parcela substancial dos óbitos (15 e 13 casos), enquanto os demais apresentam valores bem inferiores e dispersos. Estatisticamente, observa-se distribuição fortemente assimétrica, típica de padrões de hotspot, indicando focos territoriais persistentes de risco. Sob a ótica criminal, o achado sugere conflitos localizados e recorrentes, possivelmente associados a dinâmicas criminais específicas desses setores, reforçando a necessidade de intervenções territoriais focalizadas, com policiamento orientado por problemas e ações integradas de prevenção nesses pontos críticos.
3.1.1 Tabela Detalhada - Setores Prioritários
| Setor | Mortes | Ocorrências | Taxa Letalidade (%) | % do Total |
|---|---|---|---|---|
| 45.88.1 | 15 | 70 | 20.00 | 25.00 |
| 45.88.2 | 13 | 50 | 24.00 | 21.67 |
| 28.64.2 | 5 | 22 | 22.73 | 8.33 |
| 28.93.4 | 4 | 19 | 21.05 | 6.67 |
| 28.64.1 | 3 | 18 | 16.67 | 5.00 |
| 28.93.2 | 3 | 22 | 13.64 | 5.00 |
| 28.93.5 | 3 | 11 | 27.27 | 5.00 |
| 45.206.4 | 3 | 18 | 16.67 | 5.00 |
| 45.88.3 | 3 | 9 | 33.33 | 5.00 |
| 28.93.1 | 2 | 18 | 11.11 | 3.33 |
| 28.93.3 | 2 | 12 | 16.67 | 3.33 |
| 45.206.3 | 2 | 26 | 7.69 | 3.33 |
| 45.88.4 | 2 | 6 | 33.33 | 3.33 |
3.2 Análise por Subsetor
Análise Criminal: O gráfico evidencia concentração ainda mais granular das mortes violentas, com destaque para o subsetor 45.88.1.6 (7 casos), seguido por poucos subsetores com valores intermediários (5 e 4 casos), e uma cauda longa de subsetores com baixa frequência (2 a 3 casos). Estatisticamente, observa-se padrão típico de hotspot hierarquizado, no qual poucos microterritórios concentram o risco letal. Do ponto de vista criminal, o achado indica dinâmicas locais persistentes, reforçando a necessidade de intervenções microterritoriais altamente focalizadas, com ações orientadas por problemas, monitoramento contínuo e ajustes finos do emprego operacional nesses subsetores críticos.
4 Curva ABC - Priorização para 2026
A Curva ABC (ou Análise de Pareto) é uma ferramenta de priorização que classifica as áreas conforme sua contribuição para o total de mortes violentas:
- Classe A (Alta Prioridade): Áreas que concentram 80% das mortes
- Classe B (Média Prioridade): Áreas que concentram de 80% a 95% das mortes
- Classe C (Baixa Prioridade): Áreas que concentram de 95% a 100% das mortes
4.1 Curva ABC por Setor
Análise Criminal: A Curva ABC evidencia o Princípio de Pareto aplicado à criminalidade violenta, onde uma minoria de setores concentra a maioria absoluta dos eventos letais. Esta concentração permite o direcionamento estratégico de recursos, maximizando a eficiência operacional. Os setores Classe A devem receber policiamento intensivo permanente, investimento em inteligência policial e ações integradas com outros órgãos. As Classes B e C mantêm policiamento regular com monitoramento para prevenir migração da criminalidade.
4.1.1 Setores Classe A (Alta Prioridade - 80% das mortes)
| Setor | Mortes | % Total | % Acumulado | Taxa Letalidade (%) |
|---|---|---|---|---|
| 45.88.1 | 15 | 25.00 | 25.00 | 20.00 |
| 45.88.2 | 13 | 21.67 | 46.67 | 24.00 |
| 28.64.2 | 5 | 8.33 | 55.00 | 22.73 |
| 28.93.4 | 4 | 6.67 | 61.67 | 21.05 |
| 28.64.1 | 3 | 5.00 | 66.67 | 16.67 |
| 28.93.2 | 3 | 5.00 | 71.67 | 13.64 |
| 28.93.5 | 3 | 5.00 | 76.67 | 27.27 |
Estes setores devem receber:
- Patrulhamento ostensivo reforçado 24/7
- Base operacional fixa ou móvel
- Equipes de inteligência dedicadas
- Operações táticas periódicas
- Monitoramento por videovigilância
- Parcerias interinstitucionais intensificadas
4.1.2 Setores Classe B (Média Prioridade)
| Setor | Mortes | % Total | % Acumulado | Taxa Letalidade (%) |
|---|---|---|---|---|
| 45.206.4 | 3 | 5.00 | 81.67 | 16.67 |
| 45.88.3 | 3 | 5.00 | 86.67 | 33.33 |
| 28.93.1 | 2 | 3.33 | 90.00 | 11.11 |
| 28.93.3 | 2 | 3.33 | 93.33 | 16.67 |
4.1.3 Setores Classe C (Baixa Prioridade)
| Setor | Mortes | % Total | % Acumulado | Taxa Letalidade (%) |
|---|---|---|---|---|
| 45.206.3 | 2 | 3.33 | 96.67 | 7.69 |
| 45.88.4 | 2 | 3.33 | 100.00 | 33.33 |
4.2 Curva ABC por Subsetor
Análise Criminal: A análise por subsetor refina ainda mais a priorização, permitindo ações microfocalizadas em áreas específicas de alta incidência. Esta granularidade é crucial para operações de saturação policial, abordagens de policiamento orientado ao problema e estratégias de mediação de conflitos. Os subsetores Classe A representam os territórios de intervenção imediata, onde pequenas áreas concentram significativa parcela da violência letal, demandando presença policial qualificada e constante.
4.2.1 Subsetores Classe A (Alta Prioridade)
| Setor | Subsetor | Mortes | % Total | % Acumulado |
|---|---|---|---|---|
| 45.88.1 | 45.88.1.6 | 7 | 11.67 | 11.67 |
| 28.64.2 | 28.64.2.1 | 5 | 8.33 | 20.00 |
| 45.88.1 | 45.88.1.5 | 5 | 8.33 | 28.33 |
| 45.88.2 | 45.88.2.1 | 4 | 6.67 | 35.00 |
| 45.88.2 | 45.88.2.2 | 4 | 6.67 | 41.67 |
| 45.88.2 | 45.88.2.4 | 4 | 6.67 | 48.33 |
| 28.93.4 | 28.93.4.1 | 3 | 5.00 | 53.33 |
| 45.206.4 | 45.206.4.1 | 3 | 5.00 | 58.33 |
| 28.64.1 | 28.64.1.1 | 2 | 3.33 | 61.67 |
| 28.93.2 | 28.93.2.3 | 2 | 3.33 | 65.00 |
| 28.93.3 | 28.93.3.2 | 2 | 3.33 | 68.33 |
| 28.93.5 | 28.93.5.4 | 2 | 3.33 | 71.67 |
| 45.88.1 | 45.88.1.1 | 2 | 3.33 | 75.00 |
| 45.88.3 | 45.88.3.1 | 2 | 3.33 | 78.33 |
5 Análise por Cia PM
Análise Criminal: Analisando a distribuição de mortes violentas por companhia da Polícia Militar, identifica-se concentração crítica na 88ª CIA PM/45 BPM/16 RPM com 33 óbitos (55% do total), caracterizando área de altíssima vulnerabilidade que demanda intervenção prioritária. A 93ª CIA PM registra 14 mortes (23,3%), enquanto a 64ª CIA PM apresenta 8 casos (13,3%) e a 206ª CIA PM apenas 5 (8,3%), evidenciando distribuição extremamente heterogênea da violência letal entre as áreas de atuação. Essa disparidade sugere fatores criminógenos específicos na região da 88ª CIA PM, possivelmente relacionados a territórios de disputa entre facções, tráfico de drogas ou vulnerabilidade socioeconômica, exigindo diagnóstico aprofundado e estratégias diferenciadas de policiamento ostensivo e investigativo para cada território.
6 Análise por Meio Utilizado
Análise Criminal: Analisando os meios utilizados nas mortes violentas, constata-se predomínio absoluto de armas de fogo com 33 óbitos (55%), seguido por instrumentos contundentes/cortantes/perfurantes (arma branca) com 23 casos (38,3%), evidenciando padrão típico de criminalidade violenta organizada. Os casos residuais (tráfico de drogas, agressão física sem instrumentos e outros meios, cada um com 1 ocorrência) representam apenas 5% do total, sugerindo que a violência letal na região está predominantemente associada a confrontos armados e agressões com objetos letais. A preponderância de armas de fogo indica circulação significativa de armamento ilegal e possível atuação de grupos criminosos estruturados, demandando estratégias integradas de controle de armas, inteligência policial para desarticulação de quadrilhas e políticas de redução de homicídios focadas no desarmamento e mediação de conflitos territoriais.
7 Municípios Mais Afetados
Análise Criminal: Analisando o ranking dos 10 municípios com mais mortes violentas, Paracatu desponta como epicentro crítico da violência regional com 31 óbitos (52,5% do total desses municípios), distanciando-se drasticamente de Unaí (10 mortes, 16,9%) e Arinos (5 mortes, 8,5%). Os sete municípios restantes registram entre 1 e 3 homicídios cada, caracterizando padrão de baixa incidência. Essa concentração extrema em Paracatu sugere fatores criminógenos específicos da localidade, possivelmente relacionados a rotas de tráfico de drogas, mineração ilegal, disputas territoriais entre facções ou vulnerabilidades socioeconômicas agudas, demandando diagnóstico criminológico aprofundado e força-tarefa integrada estadual para contenção urgente da escalada de violência letal no município, que representa mais da metade dos homicídios da região analisada.
8 Conclusões e Recomendações
8.1 Principais Achados
| Classificação | Quantidade de Setores | Total de Mortes | % do Total de Mortes |
|---|---|---|---|
| A - Alta Prioridade | 7 | 46 | 76.67 |
| B - Média Prioridade | 4 | 10 | 16.67 |
| C - Baixa Prioridade | 2 | 4 | 6.67 |
8.2 Recomendações Estratégicas para 2026
8.2.1 1. Alocação de Recursos (Curva ABC)
80% dos recursos operacionais devem ser direcionados para os setores Classe A, que concentram 80% das mortes violentas. Implementar:
- Bases operacionais permanentes
- Patrulhamento 24 horas com efetivo reforçado
- Equipes de inteligência dedicadas
- Sistemas de videomonitoramento
- Operações táticas semanais programadas
15% dos recursos para manutenção de presença policial regular e monitoramento de tendências. Ações preventivas e rondas programadas.
5% dos recursos para policiamento comunitário e ações educativas, mantendo vigilância para evitar migração da criminalidade.
8.2.2 2. Estratégias Temporais
- Reforço de efetivo nos dias da semana e horários identificados como críticos
- Operações preventivas nos meses com histórico de picos
- Policiamento orientado para locais e tipos de estabelecimentos de maior risco
8.2.3 3. Ações Integradas
- Articulação com Polícia Civil para elucidação de homicídios
- Parcerias com Ministério Público para investigação de organizações criminosas
- Cooperação com órgãos municipais para melhorias urbanísticas em áreas críticas
- Programas sociais preventivos em comunidades vulneráveis
8.2.4 4. Inteligência e Tecnologia
- Sistema de georreferenciamento para monitoramento em tempo real
- Análise preditiva para antecipação de conflitos
- Banco de dados integrado de facções e grupos criminosos
- Uso de drones e câmeras em áreas prioritárias
8.2.5 5. Monitoramento e Avaliação
- Revisão periódica dos dados de análise criminal
- Ajuste trimestral da classificação ABC conforme evolução dos dados
- Avaliação de impacto das operações implementadas
8.3 Considerações Finais
A aplicação da metodologia Curva ABC permite uma alocação racional e eficiente dos recursos policiais, concentrando esforços onde os resultados serão mais significativos. A identificação clara dos setores e subsetores prioritários fundamenta decisões estratégicas baseadas em evidências, potencializando o impacto das ações de segurança pública.
O sucesso na redução das mortes violentas em 2026 dependerá da implementação consistente das recomendações apresentadas, com monitoramento contínuo e capacidade de ajuste conforme a dinâmica criminal evolui.