1. INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO

Este trabalho, desenvolvido no âmbito da disciplina de Introdução ao R aplicado à Ciência de Dados, analisa as diferenças de desempenho escolar entre os oito municípios centrais da Região Metropolitana do Rio de Janeiro - o Grande Rio. O objetivo do estudo passa por perceber de que forma o contexto socioeconómico, através da análise de variáveis de rendimento e desigualdade, pode ajudar a explicar variações nos resultados educacionais nas cidades em análise. A pesquisa foca-se nos seguintes municípios do estado: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti e Mesquita. A escolha deve-se ao facto de estes serem os mais representativos do núcleo urbano e social da região.

2. ESTRUTURA

ESTRUTURA

A estrutura do presente Dashboard foi pensada e organizada para cumprir diretamente os requisitos da disciplina. O trabalho começa pelos três gráficos principais, cada um com uma estrutura e propósito distintos. Segue-se o mapa interativo, que oferece uma leitura espacial e complementória aos gráficos anteriores. Por fim, a tabela dinâmica reúne todas as variáveis num único lugar e permite explorar os dados de forma mais detalhada. Esta sequência (gráficos + mapa + tabela) garante uma análise completa, combinando comparação visual e escrita, análise temporal, representação espacial e consulta aprofundada dos valores.

3. GLOSSÁRIO DE VARIÁVEIS

IDEB – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA (2019, 2021 E 2023)

Varia entre 0 e 10 e mede o desempenho escolar, combinando duas componentes: a proficiência dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática, e a taxa de aprovação ao longo do ciclo. Neste trabalho, utilizamos os valores do 9.º ano, por serem mais estáveis e comparáveis entre municípios, já que refletem o final do ensino fundamental, quando as diferenças educacionais estão mais consolidadas. Os anos de 2019, 2021 e 2023 foram escolhidos por marcarem três momentos chave: o período pré-pandemia, o ano mais afetado pelo ensino remoto e o primeiro IDEB totalmente pós-pandemia.

FONTE: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/ideb
Ministério da Educação do GOV.BR (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)

RENDA DOMICILIAR PER CAPITA (2023, REFERENTE AO CENSO 2022)

Indica quanto, em média, cada pessoa recebe no município. É usada como indicador das condições socioeconómicas locais e é o dado mais recente disponível com cobertura para todos os municípios.

FONTE: https://cidades.ibge.gov.br
IBGE – Cidades (GOV.BR)

ÍNDICE DE GINI (2010)

Mede a desigualdade de renda dentro de cada município. Varia entre 0 (mais igualitário) e 1 (mais desigual). Apesar de ser um dado de 2010, é o último disponível a nível municipal e funciona como uma medida estrutural da desigualdade local. Não varia muito ao longo do tempo.

FONTE: https://cidades.ibge.gov.br
IBGE – Cidades (GOV.BR)

POPULAÇÃO RESIDENTE (2023, REFERENTE AO CENSO 2022)

Mostra o tamanho da população de cada município. É essencial para interpretar escala, distribuição e peso demográfico dentro da região metropolitana.

FONTE: https://cidades.ibge.gov.br
IBGE – Cidades (GOV.BR)

4. NOTA DE TRANSPARÊNCIA

Column

NOTA DE TRANSPARÊNCIA

Este trabalho foi elaborado a partir dos conteúdos estudados na disciplina e do código fornecido nas aulas práticas, incluindo os exemplos de gráficos, mapas e tabelas dinâmicas. Sempre que necessário, recorreu-se também ao apoio de inteligência artificial para esclarecer dúvidas, ajustar detalhes técnicos e melhorar a organização do código. Todo o uso destas ferramentas foi feito de forma complementar e responsável, garantindo transparência e rigor no desenvolvimento do projeto.

Column

5. GRÁFICO 1

IDEB (2023) VS RENDA DOMICILIAR PER CAPITA NOS 8 MUNICÍPIOS

O seguinte gráfico mostra a relação entre o IDEB 2023 e a Renda Domiciliar per Capita nos municípios analisados. O objetivo é perceber se existe algum padrão claro entre condições socioeconómicas e desempenho escolar, observando como os municípios se distribuem no espaço renda–educação, e se as sub-regiões apresentam perfis distintos. O tamanho dos pontos representa a população de cada município, permitindo ver como escala demográfica, rendimento e resultados educacionais se combinam.

GRÁFICO 1

ANÁLISE

O gráfico mostra que municípios com menor Renda per Capita — como Belford Roxo (R$ 915,03), São João de Meriti (R$ 1 042,94) e Duque de Caxias (R$ 1 100,31) — concentram os IDEB mais baixos (3,7 e 4,2), enquanto o Rio de Janeiro, com renda mais elevada (R$ 2 515,32), regista o melhor desempenho (5,2), indicando uma tendência geral de associação entre rendimento e resultados escolares. No entanto, Niterói foge parcialmente a essa tendência: apesar de ter a maior renda per capita (R$ 3 577,32), apresenta um IDEB apenas mediano (3,9), o que sugere que fatores internos — como desigualdades dentro do próprio município (IDH bastante elevado) e diferenças entre escolas — também influenciam o desempenho.

6. GRÁFICO 2

EVOLUÇÃO DO IDEB ENTRE 2019 E 2023 NOS 8 MUNICÍPIOS

O segundo gráfico acompanha a evolução do IDEB entre 2019, 2021 e 2023 para cada um dos municípios. Pretende-se visualizar como cada cidade atravessou o período pré-pandemia, o auge das interrupções escolares e a fase de recuperação posterior. A comparação das trajetórias ajuda a identificar municípios que recuperaram rapidamente, assim como aqueles onde o desempenho ainda não voltou ao nível anterior.

GRÁFICO 2

ANÁLISE

O gráfico mostra que 2021 foi um ano de subida para quase todos os municípios, com aumentos relevantes em Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo e São João de Meriti. Esta evolução pode estar ligada à metodologia do IDEB naquele ano, e a um período em que as taxas de aprovação aumentaram, impulsionando o indicador. Já em 2023, as trajetórias divergiram: municípios como o Rio de Janeiro mantiveram bom desempenho, enquanto outros — sobretudo Niterói e Mesquita — registaram quedas acentuadas. Esses resultados podem refletir maior rigor nas avaliações após a pandemia, redução das taxas de aprovação e diferenças na capacidade de recuperação das redes municipais, mostrando que o impacto final da pandemia não foi imediato, mas sim mais visível quando o IDEB voltou ao seu formato normal.

7. GRÁFICO 3

RANKING DO IDEB EM 2023 NOS 8 MUNICÍPIOS

O presente gráfico apresenta o ranking dos municípios com base no IDEB 2023, permitindo uma comparação direta e imediata entre eles. A visualização destaca quais cidades têm melhor desempenho escolar e quais apresentam resultados abaixo dos restantes, organizando a informação de forma simples e clara. As cores indicam a sub-região de cada município, facilitando também a leitura territorial do ranking.

GRÁFICO 3

ANÁLISE

O ranking do IDEB 2023 mostra o Rio de Janeiro claramente destacado na liderança, com 5,2, posicionando-se acima de todos os outros municípios com alguma vantagem. Em seguida, surgem São João de Meriti (4,2) e Nova Iguaçu (4,1), que formam um pequeno grupo intermediário com desempenho moderado. Logo abaixo, aparece um bloco de municípios com resultados praticamente idênticos — Niterói, São Gonçalo, Belford Roxo e Mesquita (todos com 3,9) — revelando um nível de desempenho muito semelhante, apesar de perfis socioeconómicos diferentes. Na última posição, encontra-se Duque de Caxias, com 3,7, ligeiramente abaixo dos restantes. O ranking destaca duas coisas: a vantagem consistente do Rio e a grande proximidade entre quase todos os outros municípios, sugerindo que a maioria opera dentro de um mesmo patamar de desempenho educacional.

8. MAPA INTERATIVO

IDEB 2023 E OUTROS DADOS NOS 8 MUNICÍPIOS

O mapa apresentado mostra a distribuição espacial dos municípios e permite explorar o IDEB 2023 em conjunto com outros indicadores em utilização, nomeadamente relacionados a rendimento, desigualdade e educação. A intenção é complementar a análise gráfica com uma leitura territorial, evidenciando como os resultados escolares se distribuem pelo Grande Rio e como as características de cada município se relacionam com a sua localização geográfica. Os pop-ups foram criadas para, de forma rápida, toda a informação municipal poder ser consultada.

MAPA

ANÁLISE

O mapa mostra que o desempenho escolar no Grande Rio segue um padrão territorial evidente: o Rio de Janeiro forma um núcleo isolado de alto desempenho (5,2), enquanto a Baixada Fluminense aparece como um bloco contínuo de municípios com IDEB mais baixo. A zona Leste (Niterói e São Gonçalo) aproxima-se mais do padrão da Baixada do que do Rio, revelando que a geografia não explica sozinha as diferenças. O destaque do município do Rio pode estar ligado à maior capacidade de investimento público, à dimensão e diversidade da rede municipal, e à existência de programas educacionais mais estruturados, fatores que não estão presentes com a mesma intensidade nos municípios circundantes. No conjunto, o mapa reforça que as desigualdades educacionais na região têm uma forte marca territorial.

9. TABELA DINÂMICA

PERFIL MUNICIPAL - EDUCAÇÃO, RENDA E DESIGUALDADE NOS 8 MUNICÍPIOS

A tabela que se observa reúne, num único lugar, todos os indicadores usados neste Dashboard, permitindo uma comparação detalhada entre os municípios. O objetivo é oferecer uma visão mais completa dos dados, com destaque automático dos valores mais altos e mais baixos, além de filtros e funcionalidades interativas. É a secção que permite explorar cada variável individualmente e confirmar os padrões observados nos gráficos e nos mapas apresentados anteriormente.

TABELA

ANÁLISE

A tabela, ao juntar todos os indicadores num único lugar, deixa claro que os municípios do Grande Rio seguem combinações muito diferentes de condições socioeconómicas e resultados educacionais. Observa-se, por exemplo, que municípios altamente populosos, como São Gonçalo (896 mil), têm o mesmo IDEB que municípios muito menores, como Mesquita ou Belford Roxo (ambos com 3,9), mostrando que o tamanho da rede escolar não determina o desempenho escolar. Também se nota que rendas, IDH´s e população semelhantes — como as de Caxias e Nova Iguaçu — podem resultar em IDEB distintos (3,7 vs. 4,1), sugerindo diferenças importantes na gestão interna. A tabela revela, ainda, que a desigualdade não tem relação linear com o IDEB: Niterói, com o maior Gini (0,837), apresenta apenas um resultado mediano de IDEB (3,9), enquanto Belford Roxo, com o menor Gini (0,684), também não se destaca (tem, na verdade, o mesmo valor que Niterói). Em conjunto, os dados mostram que cada município combina, de forma própria, fatores como renda, desigualdade e população, e que nenhuma variável isolada explica por completo as diferenças no desempenho educacional entre eles.

10. CONCLUSÃO

CONCLUSÃO

A análise mostra que o desempenho escolar no Grande Rio é desigual e não pode ser explicado por um único fator socioeconómico. O Rio de Janeiro destaca-se como o único município com IDEB claramente superior, enquanto quase todos os restantes apresentam valores muito próximos entre si, mesmo com perfis de renda, população e desigualdade bastante diferentes. Ao longo do tempo, 2021 marcou uma melhoria generalizada, mas 2023 revelou trajetórias distintas, com algumas redes a manterem resultados estáveis, e outras, como Niterói e Mesquita, a registarem recuos relevantes. O mapa confirma um padrão territorial evidente que é composto por um núcleo isolado de bom desempenho (o município do Rio de Janeiro) e rodeado de municípios com resultados mais baixos, especialmente na Baixada. A tabela reforça, ainda, que rendas semelhantes podem produzir IDEB´s diferentes e que municípios muito distintos convergem para valores parecidos, mostrando que o desempenho educacional depende, em grande parte, das dinâmicas internas de cada rede municipal e da forma como os territórios enfrentam os seus desafios específicos.

11. IDENTIFICAÇÃO

TRABALHO REALIZADO POR:

João Fialho Henriques

DISCIPLINA:

Introdução ao R aplicado à Ciência de Dados

PROFESSOR:

Diogo Tavares Robaina

DATA:

Rio de Janeiro, 1 de dezembro de 2025