Trabalho 1 - Planejamento de Experimentos
1. Unidade Experimental
A unidade experimental é o objeto sobre o qual o tratamento é aplicado e as medições são realizadas. Neste experimento, a unidade experimental é cada helicóptero de papel individualmente construído e testado. Cada helicóptero representa uma amostra independente onde aplicamos o fator de tratamento, que é o comprimento das asas e medimos o tempo de voo até o chão.
2. Réplica e Duplicata
Réplica é a repetição do experimento usando unidades experimentais diferentes, sobre as mesmas condições. O objetivo das réplicas é captar a variabilidade natural e aumentar a precisão estatística do experimento. Neste caso, fazer vários helicópteros idênticos aplicando o mesmo comprimento de asa, e medir seus tempos de voo individualmente, constitui uma réplica. Já a duplicata são as repetições na mesma unidade experimental, ou seja, a mesma unidade é medida mais de uma vez, para reduzir o erro de medição. No helicóptero de papel, seria lançar o mesmo helicóptero mais de uma vez e cronometrar o tempo em cada lançamento.
3. Fator de Tratamento
O fator de tratamento é a variável controlada e modificada intencionalmente para observar seu efeito sobre a variável de interesse. Neste experimento, o fator de tratamento é o comprimento das asas do helicóptero de papel para verificar como essa alteração impacta o tempo de voo.
4. Variáveis Ocultas
- Correntes de ar ou ventilação no ambiente: pode acelerar ou retardar o tempo de queda.
- Altura exata de soltura: pequenas diferenças podem alterar o tempo de voo.
- Modo de soltura: ter um impulso acidental para cima ou para os lados pode alterar a trajetória e o tempo.
- Diferenças na construção: dobras não simétricas, cortes imprecisos nas asas.
- Tipo e gramatura do papel: papéis de densidades diferentes podem voar de maneira diferente.
- Erro humano na cronometragem: reação ao iniciar e parar o cronômetro.
5. Importância da Randomização
A randomização é importante para evitar vieses no experimento. Se sempre testar os helicópteros em uma mesma ordem, fatores externos como mudanças na corrente de ar, podem influenciar apenas alguns tratamentos. A randomização ajuda a distribuir igualmente os efeitos não controlados entre todos os grupos, tornando os resultados mais confiáveis.
6. Lista Aleatória de Experimentos
Para realizar a randomização, embaralhamos previamente todos os helicópteros antes da fase de testes, de modo que a ordem de lançamento fosse completamente aleatória.
Além disso, adaptamos os comprimentos das asas para medidas em centímetros, utilizando os seguintes valores: 10 cm, 12 cm, 14 cm e 15 cm — equivalentes aproximados das medidas em polegadas sugeridas.
Abaixo, apresentamos a lista com a ordem dos lançamentos:
## ordem tamanho_helice
## 1 1 10
## 2 2 12
## 3 3 12
## 4 4 10
## 5 5 14
## 6 6 15
## 7 7 14
## 8 8 10
## 9 9 12
## 10 10 15
## 11 11 10
## 12 12 15
## 13 13 15
## 14 14 14
## 15 15 12
## 16 16 14
## 17 17 15
## 18 18 14
## 19 19 10
## 20 20 12
## 21 21 12
## 22 22 15
## 23 23 14
## 24 24 15
## 25 25 10
## 26 26 12
## 27 27 14
## 28 28 10
## 29 29 12
## 30 30 14
## 31 31 15
## 32 32 10
6.1 Dimensões do Helicóptero
- Altura do corpo: 4.6 cm
- Largura do corpo: 10.3 cm
- Altura da base: 12 cm
- Largura da base: 3.1 cm
7. Dados coletados
Após realizar o experimento soltando os helicopteros de uma altura de aproximadamente 4.5m, estes foram os dados coletados:
dados <- read.csv("C:\\Users\\camil\\Downloads\\Teste Voo.csv", sep = ";", dec = ",", header = TRUE)
head(dados)## ordem tamanho_helice tempo_voo
## 1 1 10 4.11
## 2 2 12 5.02
## 3 3 12 4.56
## 4 4 10 4.28
## 5 5 14 4.08
## 6 6 15 4.15
8. Análise de variância
Para realizar a análise de variância, primeiramente convertimos os comprimentos das hélices em uma variável categórica (factor)
dados$tamanho_helice <- as.factor(dados$tamanho_helice)
modelo_anova <- aov(tempo_voo ~ tamanho_helice, data = dados)
summary(modelo_anova)## Df Sum Sq Mean Sq F value Pr(>F)
## tamanho_helice 3 1.759 0.5863 1.544 0.225
## Residuals 28 10.631 0.3797
Como podemos ver, o valor de p é 0,225. Como definimos um nível de significância \(\alpha\) de 0,05, não rejeitamos \(H_0\), que assume a igualdade entre os tamanhos de hélice em relação ao tempo de voo. Isso significa que, com os dados coletados, não podemos concluir que diferentes comprimentos de hélice alterem o tempo que o helicóptero leva para cair.
Como não houve diferença significativa entre os fatores, não seguiremos com os testes de comparações múltiplas (como o teste de Tukey).
9. Verificando as premissas
A análise de variância (ANOVA) só é válida quando certas condições do modelo são satisfeitas. Conforme destacado em aula, são três as principais premissas:
Os erros devem seguir distribuição normal;
Os erros devem ser independentes;
Os erros devem ter variâncias iguais (homocedasticidade).
A seguir, verificamos cada uma dessas condições com base nos resíduos do modelo ajustado.
Normalidade dos erros
O gráfico Q-Q acima mostra que, embora a maior parte dos pontos esteja
próxima da linha de referência, há alguns pontos dispersos,
principalmente nas extremidades, o que pode indicar leve fuga da
normalidade.
##
## Shapiro-Wilk normality test
##
## data: modelo_anova$residuals
## W = 0.9638, p-value = 0.3478
Já o teste de Shapiro-Wilk resultou em um p-valor = 0.3478, indicando que não há evidências estatísticas suficientes para rejeitar a hipótese nula de normalidade (com \(\alpha\) 0.05).
Assim, embora o gráfico aponte leves desvios, os resíduos podem ser considerados normais.
Independência dos erros
Para verificar se os erros são independentes vamos ver o grafico de resíduos x ordem das observacões
Ao plotar os resíduos x ordem das observações, observa-se uma distribuição aparentemente aleatória, sem padrões sistemáticos. Isso indica que os erros são independentes.
Homocedasticidade (igualdade das variâncias)
Vamos verificar o grafico de valores ajustados x residuos para ver se há homocedasticidade
plot(modelo_anova$fitted.values, modelo_anova$residuals,
xlab = "Valores Ajustados", ylab = "Resíduos",
main = "Resíduos vs Ajustados")
abline(h = 0, col = "red")O gráfico não revela qualquer padrão de aumento ou diminuição da variância ao longo dos valores ajustados, indicando homocedasticidade.
## Levene's Test for Homogeneity of Variance (center = median)
## Df F value Pr(>F)
## group 3 0.7515 0.5307
## 28
Além disso, o teste de Levene resultou em p-valor > 0,05, confirmando que não há diferença significativa entre as variâncias.
Com base nas análises gráficas e nos testes estatísticos aplicados, todas as premissas da ANOVA foram atendidas.