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Carta de Conjuntura Econômica Volume 1 - Ano 2025

Introdução

Esta carta apresenta uma análise da conjuntura econômica do estado de São Paulo, com base nos principais indicadores econômicos e sociais do período recente. A proposta é fornecer uma visão sintética e objetiva do desempenho da economia paulista, oferecendo subsídios para análise crítica e tomada de decisões.

Sumário Executivo

Atividade Econômica

A economia paulista encerrou o ano de 2024 com um cenário de contrastes. Após um início de ano promissor, com expansão consistente, o estado enfrentou desaceleração no segundo semestre, culminando em uma leve retração no último trimestre.

Evolução do PIB de São Paulo (2023–2024)

Evolução do PIB de São Paulo (2023–2024)

Variação Acumulada do PIB de São Paulo (2023-2024)

Variação Acumulada do PIB de São Paulo (2023-2024)

Inflação

A partir do segundo semestre de 2023, houve retomada gradual da alta nos preços, com picos mensais expressivos como em janeiro de 2024 (0,78%) e fevereiro de 2025 (1,3%), o maior valor do período analisado.

Em 2024, a inflação seguiu comportamento instável, alternando entre acelerações e desacelerações mensais. Apesar disso, não houve tendência clara de queda sustentada, o que indica pressões inflacionárias persistentes.

O salto observado em fevereiro de 2025 é especialmente relevante, pois marca um aumento expressivo e fora do padrão recente, acendendo um alerta para possíveis impactos de choques de oferta, alta de combustíveis ou reajustes administrados.

Em síntese, o gráfico revela um comportamento volátil da inflação, com recente aceleração preocupante, exigindo atenção quanto à política monetária e aos seus efeitos sobre o consumo e os investimentos.

Inflação

Inflação

Sobre Setor Externo

A análise da variação trimestral dos componentes da balança comercial paulista em 2024 revela um cenário de fortes oscilações, refletindo instabilidades tanto no mercado externo quanto na dinâmica interna da economia do estado.

Exportações

As exportações apresentaram quedas consecutivas ao longo de todo o ano. A retração foi de -11,3% no primeiro trimestre, aprofundando-se para -11,7% no segundo. No terceiro trimestre, houve uma leve recuperação, com queda mais moderada de -1,0%, mas o quarto trimestre voltou a registrar queda expressiva de -7,9%. Esses números indicam dificuldades persistentes no setor exportador, possivelmente associadas a menor demanda internacional, valorização cambial ou perda de competitividade de produtos paulistas no exterior.

Importações

As importações, por outro lado, mostraram um comportamento altamente volátil. Após um crescimento de 6,5% no primeiro trimestre e 11,4% no segundo, houve uma disparada significativa no terceiro trimestre, com variação positiva de 66,8%. Esse salto pode refletir aumento na demanda doméstica, recomposição de estoques ou crescimento das compras de bens de capital e intermediários. Contudo, no quarto trimestre, a taxa recuou drasticamente para apenas 1,5%, sugerindo possível arrefecimento da atividade econômica ou ajuste de consumo.

Saldo Comercial O saldo da balança comercial, que representa a diferença entre exportações e importações, também apresentou grande variação. O primeiro trimestre iniciou com um saldo negativo de -86,1, mas o segundo trimestre marcou uma reversão significativa para um superávit de 404,5. O terceiro trimestre apresentou novo avanço expressivo (769,7), indicando melhora momentânea nas contas externas. No entanto, no último trimestre, o saldo recuou para 278,0, refletindo simultaneamente a queda nas exportações e a manutenção das importações em patamar elevado.

Variação Trimestral da Balança Comercial de São Paulo (2024)

Variação Trimestral da Balança Comercial de São Paulo (2024)

Crescimento do consumo das familias

Entre o 4º trimestre de 2023 e o 3º trimestre de 2024, o consumo das famílias apresentou crescimento contínuo, saindo de 196,3 para 205,6 pontos (com ajuste sazonal). No entanto, no 4º trimestre de 2024, houve uma queda para 203,7 pontos, sinalizando possível desaceleração da atividade econômica.

A variação anual cresceu de 2,7% para 5,5% entre o T4/2023 e o T3/2024, mas recuou para 3,7% no final do ano. A variação interanual acompanhou esse movimento, com pico de 5,4% no T3 e queda no T4.

Já a variação marginal, mais sensível, mostrou um ritmo decrescente: após atingir 2,2% no T1/2024, caiu para -0,8% no T4/2024, indicando retração no curto prazo.

Esses dados sugerem que, apesar do bom desempenho no início de 2024, o consumo perdeu força no fim do ano, possivelmente devido ao encarecimento do crédito, inflação ou incertezas econômicas.

Crescimento Consumo

Crescimento Consumo

Crescimento Industria

O nível da atividade industrial com ajuste sazonal (linha vermelha) mostrou crescimento constante no período analisado, saindo de 141,0 no T4/2023 para 144,5 no T4/2024. Apesar do crescimento, a aceleração foi moderada e gradual, refletindo estabilidade no setor.

A variação anual (linha azul) se manteve estável em 3,1% nos dois primeiros trimestres, alcançou um pico de 4,0% no T2/2024, mas recuou para 2,6% no T4/2024. Isso sugere que, embora o desempenho industrial tenha sido positivo ao longo do ano, houve perda de fôlego no final de 2024.

A variação interanual (linha verde) seguiu trajetória semelhante: partiu de 3,1%, atingiu 4,0% no T2, mas caiu para 2,5% no T4. Esse padrão aponta para uma redução no ritmo de crescimento da indústria ao longo do segundo semestre.

A variação marginal (linha roxa), que compara trimestres consecutivos, mostrou grande oscilação. Após um pico de 1,2% no T4/2023, caiu para 0,5% no T1/2024, subiu levemente até 1,0% no T3, e voltou a cair para 0,3% no T4. Esse comportamento sugere baixo dinamismo no curto prazo, com crescimento ainda tímido e irregular.

Em resumo, os dados revelam uma trajetória de crescimento industrial moderado, porém com desaceleração visível no segundo semestre de 2024, o que pode sinalizar maior cautela por parte do setor produtivo frente ao cenário econômico.

Crescimento Industria

Crescimento Industria

Crecimento Investimento

A variação anual (linha azul) mostrou recuperação importante: partindo de -3,7% no fim de 2023, subiu progressivamente até 10,5% no T3/2024, encerrando o ano em 9,7%. Esse movimento aponta para uma retomada sólida dos investimentos em 2024. * A variação interanual (linha verde) seguiu padrão semelhante, saindo de -3,9% e atingindo 10,7% no T3, com leve recuo para 9,6% no T4, indicando que o nível de investimento foi consistentemente superior ao mesmo período do ano anterior.

A variação marginal (linha roxa), mais volátil, teve pico de 3,9% no T1/2024, mas foi perdendo força nos trimestres seguintes, chegando a 1,4% no T4/2024. Isso sugere que, apesar da expansão anual, o ritmo de crescimento trimestral está se estabilizando.

Em resumo, os dados revelam que 2024 foi um ano positivo para os investimentos, com forte recuperação em relação a 2023. No entanto, o fôlego parece ter diminuído no final do período, o que merece atenção nas análises futuras.

Crescimento Investimento

Crescimento Investimento