Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, Cap. 20
John M.Keynes
Tópicos Especiais em Economia Monetária
PPEco/ UnB – Profª. Drª. Adriana Amado
2025-02-04
Introdução
I - A Função Emprego
II - Demanda Efetiva e Distribuição
III - Demanda Efetiva e Pleno emprego
IV - Assimetria entre Inflação e Deflação
Explora a relação entre emprego e demanda efetiva
Introduz o conceito chave da “função emprego”
Formaliza matematicamente implicações
Discute os impactos reais e distributivos de variações na demanda efetiva
Anteriormente: Função de oferta agregada (\(Z=\phi(N)\))
Função emprego é praticamente a sua inversa (\(N=\phi^{-1}(Z)\)), porém medida em unidades de salário
Seja \(D_w\) a demanda efetiva medida em unidades de salário
A função emprego relaciona \(D_w\) com o volume de emprego (\(N\)) associado à produção cujo preço de oferta é equiparável a \(D_w\)
\(D_{wr}\) a demanda efetiva da empresa ou indústria
\(N_r = F_r (D_{wr})\) é o volume de emprego correspondente
Se podemos supor que \(D_{wr}\) é função unicamente
da demanda efetiva total \(D_w\), então: \(N_r = F_r(D_w)\)
Distingue mais facilmente a análise do produto como um todo da análise de uma empresa ou indústria em particular
A curva de demanda tradicional supõe dada a renda
O mesmo vale para a curva de oferta quando as condições de produção mudam
Assim, a análise das respostas de indústrias ou empresas a variações no emprego agregado requerem duas famílias de curvas
A função emprego de uma indústria a partir de sua demanda efetiva:
\(N_r = F_r (D_{wr})\)
A função emprego em uma indústria a partir da demanda agregada efetiva:
\(N_r = F_r (D_{w})\)
O emprego agregado a partir da demanda agregada, decomponível ao nível da indústria:
\(N = F(D_w) = \sum N_r = \sum F_r (D_{wr})\)
Considere as definições das seguintes elasticidades:
Seja \(O_r\) o produto de uma indústria \(r\) e \(p_{wr}\) o preço esperado (medido em unidades de salário)
Partindo da definição de \(e_{or}\) e do fato de \(\Delta D_{wr} = \Delta (p_{wr} O_{wr})\),
Keynes aplica a derivada total para mostrar que:
\(\Delta P_r = (1-e_{or}) \Delta D_{wr}\)
Que indica que a elasticidade do produto (em relação à \(D_{wr}\)) permeia a transferência do aumento da demanda efetiva aos lucros
Quando se consideram os custos marginais constantes,temos:
\(\Delta P_r = (1-e_{or}) \Delta D_{wr}\)
Seja \(O_r = \phi(N_r)\) a função que dá o produto de uma indústria (\(O_r\)) em função do número de trabalhaodres nela empregados (\(N_r\))
Tomando \(D_{wr}=p_{wr}O_r\), tirando a derivada total (aplicando a regra da cadeia e a regra do quociente) e substituindo \(\phi(N_r)\), temos:
\(\frac{1-e_{or}}{e_{er}}= - \frac{N_r \phi^{''}(N_r)}{p_{wr}(\phi^{'}(N_{nr}))^2}\)
De acordo com a TC, salário sempre iguala desutilidade marginal do trabalho
O aumento da despesa não poderia aumentar o emprego, pois salários nonimais aumentariam proporcionalmente
Assim, não haveria nenhum aumento da despesa em unidades de salários
Portanto, não haveria nenhum aumento no emprego, e não faria sentido falar em elasticidade do emprego.
Em geral espera-se \(0< o_{er} <1\)
De modo que \(e'_{pr}+e_{or} = 1\)
Ou seja, um aumento da demanda efetiva \(D_{wr}\) é exatamente distribuído entre o aumento de preço e o aumento do produto.
\(p = p_w W\)
\(D = D_w W\)
A elasticidade dos preços em relação à demanda efetiva: \(e_p = \frac{D dp}{p dD}\)
A elasticidade dos salários em relação à demanda efetiva: \(e_w = \frac{D dW}{WdD}\)
\(e_p + e_o(1-e_w)=1\)
Se \(e_o=0\) ou se \(e_o=1\), a produção não varia e os preços sobem na mesma proporção do aumento da despesa.
Mas não se pode supôr que uma variação da \(D_w\) implica uma distribuição inequívoca dessa variação na demanda pelo bem de cada indústria individual
Conforme muda a renda, muda também a proporção em que ela é gasta nos diferentes bens
Os preços dos bens responderão de maneiras diferentes ao aumento da demanda por eles \(D_{wr}\)
O modo como a demanda é distribuída entre os diferentes bens afeta a resposta do emprego
A depender das elasticidades do emprego nas indústrias que concentrarem a variação na demanda
Pode até mesmo ocorrer variação no emprego sem variação na demanda, se a composição da demanda se deslocar para indústrias de diferentes elasticidades do emprego
Se variação na demanda for inesperada, elasticidade do emprego pode ser baixa
Com antecedência suficiente, elasticidade do emprego pode aproximar-se da unidade
Período de produção de um bem é \(n\) se são necessários \(n\) períodos de antecedência na informação de varição da demanda para que a indústria atinja a elasticidade do emprego máxima que ela pode atingir.
Bens de consumo teriam o maior período de produção – já que constituem o último estágio da cadeia
O direcionamento da variação na demanda pode ser a bens de maior ou menor elasticidade do emprego (menor ou maior elasticidade preço), o que impacta a distriuição de renda
Assim, o aumento da demanda poder ser mais ou menos favorável à sustentação da despesa, a depender dos efeitos distributivos
No curto prazo, ambiente de aumento de preços pode levar empresários a superestimar a produção que maximiza seus lucros
Contratos financeiros fixos em termos nominais levam a redistribuição entre empreendedores e rentistas
Abaixo do pleno emprego, a deflação reduz preços e nível de emprego
Acima do pleno emprego: inflação aumenta apenas preços