I. O Estudo

O estudo analisa as relações entre os resultados eleitorais dos candidatos à reeleição, variáveis explicativas de suas atividades parlamentares e a regionalização dos votos. A variável dependente é o padrão dos resultados eleitorais, se regionalizados ou dispersos, enquanto as variáveis explicativas incluem a posição política institucionalizada, como filiação partidária e ideologia; a visibilidade do mandato, como frequência e tipo de aparições na mídia; e a produção legislativa individual.

Os resultados indicam que há forte correlação entre a concentração regional de votos e maiores chances de reeleição. Embora as variáveis ligadas à posição política e visibilidade do mandato tenham sido pouco explicativas, a produção legislativa individual mostrou-se relevante em projetos com abrangência municipal por apresentarem maior impacto positivo na obtenção de votos regionalizados. Já projetos de abrangência estadual foram associados a menores chances de reeleição. Assim, a produção legislativa focada no âmbito local revelou-se estratégica para aumentar as chances de reeleição.

Durante a 14ª Legislatura, 44,6% dos projetos tinham abrangência estadual, 42,8% municipal e apenas 12,5% regional, revelando uma concentração em propostas de grande alcance ou altamente localizadas. Os parlamentares com maior produção de projetos municipais tendiam a receber mais votos regionalizados, reforçando a ideia de que a regionalização eleitoral é crucial para a reeleição.

As outras variáveis se mostraram menos relevantes, porém vale mencionar que a menção negativa na mídia foi tida como negativamente relacionada com a reeleição, ou seja, mesmo que um candidato tenha sido mencionado positivamente na Gazeta do Povo, ao ser mencionado negativamente, sua chance de se reeleger diminui.

“O objetivo deste trabalho foi testar algumas variáveis que identificam a atuação individual dos deputados estaduais do Paraná com o seu desempenho eleitoral posterior, visando identificar possíveis correlações. Os resultados mostraram que, independente da atuação coletiva do Deputado, aqueles que apresentaram uma produção individual localizada geograficamente, com projetos de lei de abrangência regional ou municipal, por exemplo, tenderam a apresentar melhores chances de reeleição.” (Cervi, 2009)

II. O método estatístico utilizado

O método estatístico adotado no estudo combinou testes de independência de médias e modelos de regressão estatística. Os testes de independência foram utilizados para identificar se havia diferenças significativas nas médias das variáveis explicativas entre grupos de parlamentares com diferentes padrões de votação.

Estes testes permitiram avaliar se características como produção legislativa, visibilidade na mídia ou posição política tinham impacto consistente no tipo de votação. Já as regressões estatísticas foram empregadas para determinar a força e a direção das associações entre as variáveis explicativas e o padrão dos votos. O objetivo era identificar quais variáveis explicativas estavam mais fortemente correlacionadas com a reeleição.

III. Os resultados

Os resultados indicaram que a regionalização dos votos é o fator mais relevante para a reeleição dos deputados estaduais do Paraná. A produção legislativa individual, especificamente o foco geográfico dos projetos de lei, mostrou forte correlação com o padrão dos votos. Em contrapartida, parlamentares que priorizam projetos de abrangência estadual tiveram menor sucesso em obter votos concentrados regionalmente e, consequentemente, enfrentam mais dificuldade para se reeleger. No entanto, o volume total de projetos apresentados ou aprovados não foi um fator significativo para o desempenho eleitoral.

“(…) São testados cinco conjuntos de variáveis empíricas que poderiam explicar a votação regionalizada. A primeira delas diz respeito à carreira política do parlamentar, sendo composta por: partido a que pertenceu durante o mandato, posição do partido no espectro ideológico, bancada a que pertenceu na ALEP, número de mandatos como Deputado Estadual antes de 1998 e número de partidos políticos a que pertenceu durante o mandato. O segundo conjunto de variáveis é de caráter eleitoral, incluindo: coligação a que pertenceu em 2002, percentual de votos regionais em 1998 e 2002 e categoria de votação em 1998 e 2002. Outra variável a ser testada diz respeito à posição declarada no Parlamento em relação a temas polêmicos.” (Cervi, 2009)

O método estatístico utilizado no estudo apresenta alguns pontos fortes, como a combinação de testes de independência de médias e regressões estatísticas, que permitiu analisar tanto diferenças entre parlamentares reeleitos ou não reeleitos quanto a força das relações entre variáveis de maneira mais complexa e controlada. Os testes de independência são úteis para identificar associações iniciais, enquanto as regressões ajudam a avaliar o impacto relativo de múltiplos fatores, isolando suas influências. Isso é particularmente relevante em estudos que envolvem diversas variáveis explicativas, já que permite identificar as que são realmente determinantes para os resultados eleitorais.

Por outro lado, o método apresenta limitações importantes. Em primeiro lugar, ele depende da qualidade das variáveis escolhidas. A exclusão de fatores relevantes, conjunturais ou a utilização de variáveis que não capturam completamente o fenômeno em análise pode levar a resultados inconclusivos. No estudo, algumas variáveis institucionais e políticas, como filiação partidária e posição sobre temas polêmicos, foram consideradas insignificantes, mas pode haver outros aspectos não medidos que poderiam influenciar os resultados. Fatores conjunturais, como a dinâmica política local, percepção dos eleitores ou condições econômicas regionais, podem ter impacto significativo nos resultados eleitorais, mas não foram devidamente representados no modelo.