Minha primeira aula de Estatística
Capítulo 15 - Política e Sociedade na América Latina
No capítulo 15, Fabricio Pereira da Silva discorre acerca do tema “Política e Sociedade na América Latina”. O texto começa apresentando o que seria a América Latina, são os países americanos que foram colonizados por Espanha e Portugal, e por isso, possuem cultura e idioma latinos. O termo apareceu pela primeira vez em 1856, com o intuito de se referir aos países localizados ao sul dos Estados Unidos da América (EUA), como forma de contraposição. Antes disso, tais países costumavam ser referidos como “América Meridional” ou “do Sul”. A ideia de existir uma América de origem hispânica e outra de origem portuguesa também era comum, porém o Brasil não era incluído nos países da América Hispânica, por se considerar que não existia uma entidade em comum entre eles, dessa forma, América Latina, inicialmente, possuía ideia similar a América Hispânica, excluindo o Brasil.
No século XX, foi agregado aos fatores de identidade dos países latino-americanos, elementos econômico-sociais, assim, América Latina passa a significar uma identificação não apenas por herança cultural, social, racial ou espiritual em comum, mas também de um lugar pertencente no mundo. Para esclarecer se o termo é ou não relevante atualmente, o texto faz referência à opinião de Gerónimo de Sierra, que diz que sim, pois são países que compartilham diversas características uns com os outros, mas ressalta que é importante reconhecer a diversidade e as particularidades de cada componente da região.
Fabricio da Silva ainda menciona alguns temas que são relevantes na região latino-americana contemporaneamente. A democracia começou a ser estudada nesta área nos anos 1970 e 1980, inicialmente, com uma abordagem “minimalista”, mas com o tempo o foco mudou para a “qualidade da democracia” e, atualmente considera os déficits institucionais dos Estados, como a capacidade limitada de implementação universal de decisões, no mais, estudos recentes exploram mecanismos de participação cidadã e democracia direta.
Outro tema relevante é a integração regional da América Latina, que vem focando na atuação dos governos de esquerda, que buscaram alternativas à influência dos EUA, enquanto os mais conservadores negociaram tratados bilaterais de livre comércio com os EUA e a Aliança do Pacífico. Desde os anos 2000 houve tentativas de reforma e criação de novos organismos de integração, dois movimentos que resultaram disso foram o Mercosul, que inicialmente focava no comércio, e depois evoluiu para um modelo mais social e participativo. Além de iniciativas como a UNASUL, a CELAC, que procuram articular posições comuns, e a ALBA, que busca promover novas formas de integração regional.
Novas identidades e movimentos sociais, foi outro tema citado no capítulo. As mudanças sociais globais e latino-americanas enfraqueceram a centralidade da identidade de classe como principal agente de transformação social, os movimentos sociais ficaram mais diversos e menos hierárquicos, com identidades mais fluídas e organizações mais dispersas. Embora alguns problemas tenham enfraquecido formas tradicionais de mobilização, surgiram novos sujeitos coletivos e identidades étnicas, indicando uma crescente complexidade social e diversidade de atores e projetos, um exemplo são movimentos indígenas na Bolívia e Equador.
O texto aborda, por fim, a pobreza e desigualdade que configuram problemas centrais nos debates da América Latina, visto que a região é uma das mais desiguais e pobres do mundo. A partir dos anos 2000 essa situação tem apresentado melhora, o que se deve em parte às políticas públicas implementadas pelos governos progressistas, ao bom nível de emprego em grande parte do território e ao aumento de salários. Todavia, tal progresso começou a retrair na crise mundial de 2008, devido às políticas anticíclicas adotadas por diversos países da região, que põem em risco a continuidade das melhorias dos indicadores sociais e podem produzir rápidos retrocessos.
Ao final do capítulo, Fabricio da Silva menciona seu desejo de que o texto tenha cumprido o papel de introduzir o estudo sobre a política e sociedade na América Latina e de instigar o leitor a conhecer um pouco mais por conta própria. Diante do visto ao longo do texto, é possível afirmar que o objetivo foi alcançado. O capítulo possui linguagem clara, construção de fácil compreensão e não deixa dúvidas com relação ao tema abordado, sua definição, surgimento e temas trabalhados pela literatura acerca dos países de seu território. Não obstante, instiga o pensamento crítico acerca da identidade internacional que o Brasil tem com os vizinhos latino-americanos, apesar de existir quem defenda que tal identificação não exista.
Em suma, o capítulo é uma aprazível leitura para alunos, ou não alunos, que desejem ter uma ideia introdutória a respeito da América Latina, de que forma e porque surgiu o termo e porque ele é usado. Além disso, a forma como foi estruturado ajuda no entendimento, tornando o texto prático e objetivo.