O segundo capítulo da obra,escrito por Marcia Ribeiro Dias, busca
entender as principais abordagens da disciplina da Teoria Política,
sendo assim, as principais interações dos indivíduos com o ambiente que
nos cerca para que assim possamos entender o porquê dos movimentos e
conflitos políticos, sistemas governamentais, ideologias, cooperação,
conflito, e competição política. Nesse segmento, a Teoria Política,
assim como o termo “Política”, abordado anteriormente, não possui uma
definição exata, dada a sua pluralidade e interdisciplinaridade, sendo
assim, busca compreender a relação dos indivíduos com as instituições
políticas,e analisa também temas da atualidade que estão de alguma forma
relacionados aos conceitos atemporais e universais de liberdade, justiça
e democracia, mesmo que tais conceitos possam ter seu significado
adaptado de acordo com o contexto histórico-social a qual está inserido.
A teoria política também possui certo caráter utópico, ou seja, busca
idealizar como a vida política deveria ser e não como ela é na
realidade. Dessa maneira, busca sempre tecer críticas a respeito do
sistema político e incentivar possíveis visões ou entendimentos nos
leitores, desse jeito, busca exercer forte influência intelectual,
podendo até incentivar atos violentos contra os que propagam idéias
contrárias. Desse modo, os teóricos políticos focam na análise de dados
empíricos, e conseguem ter uma visão mais distante para que possam
entender melhor a realidade, e então relacionam a teoria e a ciência
política. A teoria política ocidental tem como origem a Grécia Antiga,
em que os sofistas, Aristóteles e Platão divergiam sobre suas ideias
sobre política. Entre outros que contribuíram e tiveram grande
influência na Idade Média foram Santo Agostinho e São Tomás de Aquino,
que apesar da vertente cristã, tiveram grande influência no
contratualismo moderno.Posto isso,diversas teorias formuladas por
Nicolau Maquiavel, Hobbes, Locke e Rousseau influenciaram o pensamento
moderno e a estrutura do Estado jurídico, no qual há o pensamento de que
o Estado deve ser laico. Já no século XIX, os conceitos de igualdade e
liberdade se fizeram presente no ponto central da discussão, desse modo,
propuseram meios para uma sociedade mais igualitária politicamente. A
partir do século XX, o confronto entre elitistas e socialistas passa a
ficar mais acirrado, se por um lado os elitistas defendiam que as elites
deveriam governar mas deveriam ser eleitas democraticamente, os
socialistas defendiam mudanças profundas na estrutura social por meio de
luta armada ou revolução passiva. As teorias democráticas que surgiram
no século XX são principalmente: pluralista, procedimental e
participativa. Também surgiram as Teorias do comportamento eleitoral,
sendo elas: sociológica, psicológica e escolha racional. Portanto, a
Teoria Política prova ao longo da história a sua multidisciplinaridade
para entender da forma mais real possível os processos políticos e suas
influências.
Diante do exposto, o capítulo cumpre em parte seu propósito ao
apresentar esse ramo do conhecimento filosófico e político, e todas as
suas teorias formuladas ao longo dos séculos para abordar justamente a
pluralidade de pensamentos e metodologias, para que assim possa tecer
críticas a respeito das organizações políticas e da sociedade como um
todo, e assim buscar qual seria a forma ideal de governo e,
consequentemente buscar influenciar movimentos sociais. No entanto,
justamente pelo caráter utópico da disciplina, o capítulo não aborda com
clareza a influência do estudo dessa disciplina nos movimentos políticos
e nos problemas atuais que assolam a atual sociedade especialmente no
sistema capitalista, sendo assim, é de difícil compreensão o possível
impacto da teoria política na prática.