Bastão de Asclépio & Distribuição Normal

Bastão de Asclépio & Distribuição Normal

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source("eiras.OneWayANOVA.Fisher.WORD.R")
source("eiras.OneWayANOVA.Welch.WORD.R")
source("summarySEwithin2.R")

Objetivos

  • Reconhecer e mencionar propriedades da distribuição F.
  • Reconhecer as indicações e aplicar ANOVA para três ou mais condições independentes.
  • Reconhecer as indicações e aplicar ANOVA para três ou mais condições dependentes (dados longitudinais).
  • Definir hipóteses estatísticas nula e alternativa.
  • Executar e interpretar os testes estatísticos omnibus e post hoc.
  • Conceituar estatísticas de tamanho de efeito.

ANOVA unifatorial em R

  1. Planejamento de ANOVA unifatorial
  • Independente de Fisher
    • pwr::pwr.anova.test
    • WebPower::wp.anova
  • Relacionada
    • WebPower::wp.rmanova
  1. ANOVA independente unifatorial
  1. Fisher (homocedástico)
  • teste omnibus: lm, car::Anova, effectsize::eta_squared
    • testes post hoc: emmeans::emmeans, emmeans::contrast, multcomp::cld
  • teste omnibus: oneway.test(var.equal=TRUE, ...), effectsize::eta_squared
    • testes post hoc: pairwise.t.test(pool.sd=FALSE, ...)
  • teste omnibus: jmv::ANOVA
    • testes post hoc: jmv::ANOVA
  • teste omnibus: onewaytests::onewaytests(method="aov", ...)
    • testes post hoc: onewaytests::paircomp (Valores p incorretos)
  1. Fisher sem dados individualizados (homocedástico)
  1. Fisher-White (heterocedástico)
  • teste omnibus: lm, car::Anova(white.adjust="hc2", ...)), effectsize::eta_squared
    • testes post hoc: sandwich::vcovHC, emmeans::emmeans, emmeans::contrast, multcomp::cld
  1. Welch (heterocedástico)
  • teste omnibus: oneway.test(var.equal=FALSE, ...)
    • testes post hoc: rstatix::games_howell_test
  • teste omnibus: jmv::anovaOneW
    • testes post hoc: jmv::anovaOneW(phMethod="gamesHowell", ...)
  • teste omnibus: rstatix::welch_anova_test
    • testes post hoc: rstatix::games_howell_test
  • teste omnibus: onewaytests::onewaytests(method="welch", ...)
    • testes post hoc: onewaytests::paircomp (Valores p incorretos)
  1. Welch sem dados individualizados
  • teste omnibus: eiras.OneWayANOVA.Welch.WORD.R
    • testes post hoc: eiras.OneWayANOVA.Welch.WORD.R
  1. Reamostragem (bootstrapping)
  • teste omnibus: WRS2::t1waybt
    • testes post hoc: WRS2::mcppb20
  • teste omnibus: onewaytests::onewaytests(method="gtb",...)
    • testes post hoc: onewaytests::paircomp
  • teste omnibus: lmboot::ANOVA.boot
    • testes post hoc: ?
  1. Permutação (Permutation F test)
  • teste omnibus: onewaytests::onewaytests(method="pf", ...)
    • testes post hoc: onewaytests::paircomp (Valores p incorretos)
  1. ANOVA relacionada unifatorial ou para medidas repetidas (rm)
  1. rmANOVA
  • teste omnibus: lmerTest::lmer, car::Anova(test.statistic="F", ...), effectsize::eta_squared
    • testes post hoc: emmeans::emmeans, emmeans::contrast, multcomp::cld
  1. Reamostragem (bootstrapping)
  • teste omnibus: WRS2::rmanovab
    • testes post hoc: WRS2::pairdepb

Introdução

História

ANOVA

A análise de variância (ANOVA) foi desenvolvida por Ronald A. Fisher, principalmente durante seu trabalho na Rothamsted Experimental Station, na Inglaterra. Seu desenvolvimento ocorreu gradualmente entre o final da década de 1910 e a década de 1920.

  1. 1918 — Fisher introduziu o conceito de variância e ideias de decomposição da variabilidade em seu trabalho sobre genética mendeliana. Ainda não se tratava da ANOVA experimental como a conhecemos atualmente.

  2. 1923 — surgiu um dos primeiros exemplos de análise de variância aplicada a um experimento agrícola.

  3. 1924 — Fisher apresentou sistematicamente o método no International Mathematical Congress, em Toronto. O trabalho correspondente foi publicado em 1928.

  4. 1925 — a ANOVA foi apresentada de forma ampla no livro Statistical Methods for Research Workers, que teve grande influência na disseminação do método.

Fisher posteriormente integrou a ANOVA aos princípios de randomização, replicação e delineamento experimental, contribuindo decisivamente para a formação da estatística experimental moderna.

Ronald A. Fisher

Ronald A. Fisher não iniciou sua carreira como professor universitário. Após concluir sua formação em Matemática na University of Cambridge, trabalhou inicialmente como professor de matemática e física no ensino secundário.

Em 1919, aos 29 anos, ingressou na Rothamsted Experimental Station como estatístico. Foi nesse período, entre 1919 e 1933, que desenvolveu grande parte de suas contribuições fundamentais para a Estatística, incluindo a análise de variância, o delineamento de experimentos e importantes métodos de inferência estatística.

Sua carreira como professor universitário começou apenas em 1933, aos 43 anos, quando assumiu a posição de Galton Professor of Eugenics na University College London.

Em 1943, transferiu-se para a University of Cambridge, onde se tornou Arthur Balfour Professor of Genetics, permanecendo nessa posição até sua aposentadoria, em 1957.

Assim, Fisher já era um estatístico de grande reconhecimento científico antes de ocupar sua primeira cátedra universitária.

Cronologia:

  • 1912 — formação em Matemática na University of Cambridge
  • 1913–1919 — professor de matemática e física no ensino secundário
  • 1919–1933 — estatístico na Rothamsted Experimental Station
  • 1933–1943 — Galton Professor of Eugenics, University College London
  • 1943–1957 — Arthur Balfour Professor of Genetics, University of Cambridge
  • 1957 — aposentadoria

Ronald Fisher, fertilizantes e experimentação agrícola

Ronald A. Fisher ingressou na Rothamsted Experimental Station em 1919, aos 29 anos. Rothamsted já realizava experimentos agrícolas de longa duração desde o século XIX, incluindo estudos sobre os efeitos de diferentes fertilizantes na produtividade das culturas. O experimento de Broadbalk com trigo, por exemplo, havia começado em 1843.

O problema enfrentado pelos pesquisadores era distinguir o verdadeiro efeito de um tratamento da grande variabilidade natural existente entre parcelas agrícolas. Diferenças de solo, clima, umidade e outras condições podiam produzir diferenças de produtividade mesmo quando os tratamentos eram iguais.

Foi nesse contexto que Fisher desenvolveu e sistematizou métodos como análise de variância (ANOVA), randomização, replicação, blocos e delineamentos fatoriais. A partir de 1926, os novos princípios estatísticos desenvolvidos por Fisher passaram a ser utilizados de maneira sistemática nos experimentos anuais de Rothamsted.

Entre seus trabalhos estão experimentos destinados a quantificar a resposta das culturas a diferentes doses e tipos de fertilizantes. Em um estudo publicado com Tim Eden em 1929, por exemplo, foram analisados experimentos realizados entre 1925 e 1927 sobre a resposta da batata a diferentes quantidades de nitrogênio e potássio. O objetivo não era apenas verificar se o fertilizante funcionava, mas estimar de maneira confiável o efeito das diferentes doses e formulações.

Relação com a revolução dos fertilizantes nitrogenados

Esse desenvolvimento estatístico ocorreu justamente em um período de profunda transformação da agricultura. Em 1909, Fritz Haber demonstrou a síntese de amônia a partir do nitrogênio atmosférico e do hidrogênio. Carl Bosch tornou posteriormente o processo viável em escala industrial. O processo Haber–Bosch permitiu produzir grandes quantidades de amônia sintética, matéria-prima para fertilizantes nitrogenados.

Antes disso, a agricultura dependia principalmente do nitrogênio proveniente de esterco, leguminosas, depósitos naturais de nitrato e outras fontes relativamente limitadas. A produção industrial de amônia tornou possível fornecer nitrogênio às culturas em uma escala sem precedentes. Seu uso agrícola cresceu principalmente depois da Segunda Guerra Mundial e tornou-se um dos fatores centrais do grande aumento da produtividade agrícola no século XX.

É importante distinguir as contribuições:

  • Haber e Bosch tornaram possível a produção industrial de grandes quantidades de fertilizantes nitrogenados
  • Rothamsted forneceu o ambiente experimental para estudar quantitativamente seus efeitos sobre as culturas
  • Fisher desenvolveu os métodos estatísticos que permitiram separar os efeitos reais dos tratamentos da variabilidade natural dos experimentos agrícolas

Assim, a expansão dos fertilizantes nitrogenados e o desenvolvimento da estatística experimental ocorreram aproximadamente no mesmo período e foram complementares: tornou-se possível produzir novos insumos agrícolas em grande escala e, simultaneamente, surgiu uma metodologia científica rigorosa para determinar se funcionavam, quanto funcionavam e em quais condições.

Eden & Fisher (1929) analisam experimentalmente a resposta da batata a diferentes aplicações de nitrogênio e potássio e documenta diretamente a atuação de Fisher em experimentos com fertilizantes em Rothamsted.

Modelo

As variáveis envolvidas na ANOVA são:

  • VD (variável dependente) quantitativa, geralmente em escala intervalar ou de razão
  • VI (variável independente) nominal com três ou mais níveis, denominada fator

Na ANOVA independente, assume-se que:

  • a VD apresente distribuição aproximadamente normal em cada condição
  • as variâncias da VD sejam homogêneas entre as condições
  • as observações sejam independentes

Na ANOVA unifatorial (one-way ANOVA) existe apenas um fator.

A ANOVA unifatorial pode ser:

  • independente: fator entre participantes
  • relacionada: fator intraparticipantes

A ANOVA independente unifatorial (one-way analysis of variance) é uma extensão do teste t para grupos independentes quando existem três ou mais condições.

O teste \(F\) apresentado na tabela da ANOVA testa o efeito do fator fixo sobre a VD. Portanto, rigorosamente, não se testa o fator em si, mas o efeito associado ao fator.

Fatores fixos e aleatórios na ANOVA

Na terminologia tradicional da ANOVA, fala-se em fatores fixos e fatores aleatórios. Mais rigorosamente, porém, a distinção refere-se à maneira como os efeitos associados aos níveis do fator são tratados no modelo.

Portanto, o teste \(F\) apresentado na tabela da ANOVA não testa o fator como entidade abstrata, mas uma hipótese sobre os efeitos associados aos seus níveis.

Fator fixo

Um fator fixo possui níveis especificamente definidos pelo pesquisador, e a inferência é dirigida a esses níveis ou às diferenças entre seus efeitos.

O fator fixo pode ser:

  • de interesse: quando seu efeito constitui o objetivo principal da análise
  • de controle: quando é incluído para controlar uma fonte sistemática de variação e melhorar a estimação ou o teste dos efeitos de interesse

Para um fator fixo com \(a\) níveis, uma hipótese típica é

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_a \]

ou, equivalentemente, sob uma parametrização por efeitos,

\[ H_0:\alpha_1=\alpha_2=\cdots=\alpha_a=0 \]

O teste \(F\) avalia, portanto, uma hipótese sobre os efeitos do fator fixo sobre a variável dependente.

Fator aleatório

Um fator aleatório possui níveis considerados como uma amostra de uma população maior de níveis possíveis.

Nesse caso, o interesse não está primariamente nas diferenças entre os níveis específicos observados, mas na variabilidade dos efeitos associada à população de níveis do fator.

Se

\[ u_j\sim N(0,\sigma_u^2) \]

o parâmetro de interesse é, em geral, o componente de variância \(\sigma_u^2\), e não cada efeito \(u_j\) individualmente.

Exemplos usuais de fatores aleatórios incluem participantes, blocos, centros, avaliadores e unidades experimentais quando seus níveis representam uma população mais ampla de níveis possíveis.

Na ANOVA clássica, fatores aleatórios também são fundamentais para determinar os quadrados médios esperados e, consequentemente, o denominador apropriado de determinados testes \(F\).

Assim, de forma resumida:

  • fator fixo → o interesse recai principalmente sobre os efeitos dos níveis especificados
  • fator aleatório → o interesse recai principalmente sobre a variabilidade dos efeitos entre níveis
  • teste \(F\) → compara quadrados médios construídos de acordo com a estrutura fixa, aleatória ou mista do delineamento

Portanto, é conveniente falar em fator fixo e fator aleatório, desde que se entenda que essa classificação descreve, em última análise, como os efeitos associados ao fator são modelados e sobre qual população se pretende fazer inferência.

Suposições

As suposições de normalidade homocedasticidade são condições suficientes e a suposição de independência é necessária para ANOVA independente unifatorial.

Exemplo de condições suficientes: lei do equilíbrio genético de Hardy-Weinberg

Ilustramos com uma analogia, recordando o a lei do equilíbrio genético de Hardy-Weinberg.

Em 1908, G. Hardy e W. Weinberg propuseram independentemente que a frequência de alelos e genótipos em uma população permanecerá constante de geração para geração se a população for estável e em equilíbrio genético.

Cinco condições são necessárias para que uma população permaneça em equilíbrio de Hardy–Weinberg:

  1. População muito grande, idealmente infinita, de modo que não ocorra deriva genética
  2. Acasalamento aleatório (panmixia)
  3. Ausência de mutação
  4. Ausência de migração, isto é, de fluxo gênico
  5. Ausência de seleção natural

http://www.phschool.com/science/biology_place/labbench/lab8/concepts.html

Violando as condições de H-W, em simulação (implementada em demo_HardyWeinberg.R) com:

  • 500 indivíduos,
  • mutação alterando a frequência dos alelos: \(p=p_{\text{A}}\),
  • selecionando para o alelo A.

cycle    fA      fB      fAA     fAB     fBB 
1    0.000   1.000   0.000   0.000   1.000 
100      0.074   0.926   0.006   0.136   0.858 
200      0.304   0.696   0.100   0.408   0.492 
300      0.680   0.320   0.466   0.428   0.106 
400      0.860   0.140   0.740   0.240   0.020 
500      0.927   0.073   0.858   0.138   0.004 
600      0.954   0.046   0.908   0.092   0.000 
700      0.972   0.028   0.944   0.056   0.000 
800      0.983   0.017   0.966   0.034   0.000 
900      0.982   0.018   0.964   0.036   0.000 
1000     0.985   0.015   0.970   0.030   0.000 
1100     0.977   0.023   0.954   0.046   0.000 
1200     0.967   0.033   0.934   0.066   0.000 
1300     0.976   0.024   0.952   0.048   0.000 
1400     0.980   0.020   0.960   0.040   0.000 
1500     0.971   0.029   0.942   0.058   0.000 
1600     0.984   0.016   0.968   0.032   0.000 
1700     0.985   0.015   0.970   0.030   0.000 
1800     0.986   0.014   0.972   0.028   0.000 
1900     0.992   0.008   0.984   0.016   0.000 
2000     0.992   0.008   0.984   0.016   0.000 
2100     0.977   0.023   0.954   0.046   0.000 
2200     0.987   0.013   0.974   0.026   0.000 
2300     0.987   0.013   0.974   0.026   0.000 
2400     0.987   0.013   0.974   0.026   0.000 
2500     0.957   0.043   0.916   0.082   0.002 
2600     0.975   0.025   0.950   0.050   0.000 
2700     0.978   0.022   0.956   0.044   0.000 
2800     0.975   0.025   0.950   0.050   0.000 
2900     0.974   0.026   0.948   0.052   0.000 
3000     0.977   0.023   0.956   0.042   0.002 

3000     0.977   0.023   0.956   0.042   0.002 

As condições matemáticas de população muito grande ou infinita, ausência de mutação e ausência de seleção contribuem para a manutenção do equilíbrio de Hardy–Weinberg. Entretanto, populações biológicas reais não satisfazem rigorosamente essas condições. Ainda assim, quando os desvios são suficientemente pequenos, as frequências genotípicas previstas pelo modelo podem constituir uma aproximação aceitável, permitindo sua aplicação a populações biológicas.

O que é independência?

Um delineamento entre participantes é aquele em que cada unidade experimental é submetida a somente uma condição experimental.

Por exemplo, três grupos com cinco participantes cada um (total de 15 participantes, nomeados de A a O) são alocados assim:

Condição 1 Condição 2 Condição 3
A F K
B G L
C H M
D I N
E J O

Num delineamento intraparticipantes, o mesmo participante é submetido a todas as condições experimentais. Os mesmos 15 participantes são alocados assim:

Condição 1 Condição 2 Condição 3
A A A
B B B
C C C
D D D
E E E
F F F
G G G
H H H
I I I
J J J
K K K
L L L
M M M
N N N
O O O

O que é balanceamento?

Em delineamento em que as condições independentes são balanceadas, o número de participantes em cada condição independente é aproximadamente igual. Por exemplo, com 15 participantes, poderíamos ter algo desbalanceado:

Condição 1 Condição 2 Condição 3
A H K
B I L
C J M
D N
E O
F
G

Em um delineamento intraparticipantes com medidas repetidas no formato de arquivo largo (wide), o desbalanceamento ocorre quando pelo menos uma observação de um participante está ausente numa condição experimental dependente, por exemplo:

Condição 1 Condição 2 Condição 3
A A A
B B
C C C
D D D
E E E
F F F
G G G
H H H
I I I
J J
K K K
L L L
M M M
N N N
O O O

Se os dados de delineamento intraparticipantes estão no formato de arquivo longo (long), i.e., dados longitudinais, então o desbalanceamento não acarreta valor faltante.

Em arquivo no formato wide, basta uma observação faltante (missing value) para caracterizar o desbalanceamento. As estatísticas e modelos de efeitos fixos do R funcionam com a eliminação da unidade experimental com valor faltante. Para delineamento com dados longitudinais (arquivo long), a sugestão é usar modelo com efeito aleatório para usar todos os dados observados.

O conceito de variância

Para uma variável quantitativa intervalar, a variância pode ser interpretada como:

  • o quadrado do desvio-padrão;
  • a covariância da variável com ela mesma;
  • uma medida da dispersão dos valores em torno da média.

Quando uma amostra é particionada em duas ou mais condições ou grupos, a variância total também pode ser interpretada como uma composição da variabilidade dentro dos grupos e da variabilidade entre os grupos.

  • Higgins JPT, Li T, Deeks JJ (editors). Chapter 6: Choosing effect measures and computing estimates of effect. In: Higgins JPT, Thomas J, Chandler J, Cumpston M, Li T, Page MJ, Welch VA (editors). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions, version 6.3 (updated February 2022). Cochrane, 2022.

Suponha que não temos acesso aos dados individualizados de massa corporal total (MCT) dos estudantes do curso de Medicina da FMUSP. Estão disponíveis apenas o tamanho amostral, a média e o desvio-padrão amostral da MCT em cada grupo de sexo:

Sexo \(n\) média desvio-padrão
F 230 57.63 9.05
M 312 71.59 12.09

Quais são a média e o desvio-padrão amostrais da MCT para o conjunto dos 542 estudantes?

A média total é a média ponderada das médias dos grupos:

\[ \bar{x} = \dfrac{ n_F\,\bar{x}_F+n_M\,\bar{x}_M }{ n_F+n_M } \]

A variância amostral total é:

\[ s^2 = \dfrac{ (n_F-1)s_F^2+(n_M-1)s_M^2+ n_F\left(\bar{x}_F-\bar{x}\right)^2+ n_M\left(\bar{x}_M-\bar{x}\right)^2 }{ n_F+n_M-1 } \]

\(n\) média desvio-padrão
542 65.67 12.90
nF <- 230
nM <- 312

mF <- 57.63
mM <- 71.59

sF <- 9.05
sM <- 12.09

n <- nF + nM

m <- (nF*mF + nM*mM)/n
cat("Média = ", round(m, 2), "\n", sep="")
Média = 65.67
dp <- sqrt(
  ((nF - 1)*sF^2 +
   (nM - 1)*sM^2 +
   nF*(mF - m)^2 +
   nM*(mM - m)^2) /
  (n - 1)
)

cat("Desvio-padrão = ", round(dp, 2), "\n", sep="")
Desvio-padrão = 12.9

A variabilidade total pode ser decomposta em:

\[ \text{SQ}_{\text{total}} = \text{SQ}_{\text{dentro}} + \text{SQ}_{\text{entre}} \]

A variabilidade dentro dos grupos é:

\[ \text{SQ}_{\text{dentro}} = (n_F-1)s_F^2+(n_M-1)s_M^2 \]

A variabilidade entre os grupos é:

\[ \text{SQ}_{\text{entre}} = n_F\left(\bar{x}_F-\bar{x}\right)^2+ n_M\left(\bar{x}_M-\bar{x}\right)^2 \]

Dividindo todos os termos por \(n_F+n_M-1\):

\[ s^2 = s_{\text{dentro}}^2+ s_{\text{entre}}^2 \]

sendo que

\[ s_{\text{dentro}}^2 = \dfrac{ (n_F-1)s_F^2+(n_M-1)s_M^2 }{ n_F+n_M-1 } \]

e

\[ s_{\text{entre}}^2 = \dfrac{ n_F\left(\bar{x}_F-\bar{x}\right)^2+ n_M\left(\bar{x}_M-\bar{x}\right)^2 }{ n_F+n_M-1 } \]

A média harmônica dos tamanhos dos dois grupos é

\[ n_H=\dfrac{2n_Fn_M}{n_F+n_M} \]

Assim,

\[ n_F\left(\bar{x}_F-\bar{x}\right)^2+ n_M\left(\bar{x}_M-\bar{x}\right)^2 = \dfrac{n_H}{2} \left(\bar{x}_F-\bar{x}_M\right)^2 \] de modo que

\[ s_{\text{entre}}^2 = \dfrac{ \dfrac{n_H}{2}\left(\bar{x}_F-\bar{x}_M\right)^2 }{ n_F+n_M-1 } \]

Portanto, a variância amostral total pode ser escrita como

\[ s^2= \dfrac{ (n_F-1)s_F^2+(n_M-1)s_M^2+ \dfrac{n_H}{2} \left(\bar{x}_F-\bar{x}_M\right)^2 }{ n_F+n_M-1 } \]

Teste F

O teste F na ANOVA independente unifatorial é usado para testar a hipótese nula (\(H_0\)) de que as médias populacionais de três ou mais condições independentes são iguais. A hipótese alternativa (\(H_1\)) afirma que pelo menos duas médias populacionais diferem entre si.

A distribuição da estatística de teste F tem distribuição F de Fisher-Snedecor.

Para a comparação de três ou mais médias populacionais das condições, com base no teste F, os graus de liberdade do numerador dependem do número de condições independentes e os do denominador dependem do tamanho da amostra e do número de condições independentes.

A estatística de teste do efeito do fator e também omnibus da ANOVA independenten unifatorial é definida por

\[ F = \frac{\text{QM}_{\text{entre}}}{\text{QM}_{\text{dentro}}} = \frac{\dfrac{\text{SQ}_{\text{entre}}}{g-1}}{\dfrac{\text{SQ}_{\text{dentro}}}{n-g}} \]

Sendo que:

  • \(\text{SQ}_{\text{entre}} = \sum_{i=1}^g n_i(\bar X_{i} - \bar X)^2\)
  • \(\text{SQ}_{\text{dentro}} = \sum_{i=1}^g \sum_{j=1}^{n_i}(X_{ij} - \bar X_{i})^2\)

sendo que \(g\) é o número de condições independentes, \(n = \sum_{i=1}^g n_i\) é número total de unidades experimentais, \(\text{SQ}\) é soma de quadrados e \(\text{QM}\) é média da soma de quadrados (“quadrado médio”).

Sob a hipótese nula \(H_0: \mu_1 = \mu_2 = \cdots = \mu_g\), a estatística de teste F, segue a distribuição F de Fisher-Snedecor com os números de graus de liberdade do efeito do fator A, \(\text{df}_A=g-1\), e do efeito residual, \(\text{df}_E=\sum_{i=1}^{g}{(n_i-1)}=(n-1)-(g-1)=n-g\), no numerador e denominador, respectivamente, sendo que \(g\) é o número de condições independentes e \(n = \sum_{i=1}^g n_i\) é número total de unidades experimentais. \(\text{df}_A\) quantifica a complexidade do modelo (GLM univariado) e \(\text{df}_E\) quantifica o tamanho de amostra efetivo, sendo que \(n\) é o tamanho de amostra nominal.

\[ \begin{align} F &\underset{H_0}{\sim} F_{\text{df}_A, \, \text{df}_E}\\ F &\underset{H_0}{\sim} F_{g-1, \, n-g}\\ \end{align} \] Familiarize-se com a distribuição F, observando demo_AnimacaoF.R:

  • F é um valor positivo.
  • sob \(H_0\), a distribuição F da estatística de teste F tem um parâmetro de não centralidade (ncp) nulo; sob \(H_1\) o parâmetro de não centralidade é positivo e é função do tamanho de efeito e do tamanho da amostra.
  • a distribuição F é assimétrica positiva.
  • consideramos somente a cauda superior para localizar \(\alpha\).
  • há dois valores para graus de liberdade: para o numerador (número de grupos - 1) e denominador (número de unidades experimentais - número de grupos).
  • observe o que acontece com a distribuição sob \(H_0\) e com o valor de \(F\) crítico de 95% (\(F_c\)) à medida que os graus de liberdade aumentam.

Distribuição F em R:

O delineamento do estudo, o tipo de variável e, consequentemente, a estatística adequada mudam, mas o problema é sempre o mesmo: há incerteza para a tomada de decisão sobre a hopótese nula porque lidamos com uma evidência amostral.

A diferença, aqui, é que teremos que lidar com três ou mais condições independentes.

A hipótese nula é a igualdade das médias populacionais dos \(m\) grupos. Caso não rejeitemos \(H_0\):

Quando rejeitamos \(H_0\), concluímos que as médias populacionais não são todas iguais:

ou

que pelo duas médias populacionais são diferentes. Por exemplo:

Teste t independente para fator com três grupos

Brendon Small e Coach McGuirk fazem com que seus alunos do SNAP-Ed mantenham diários do que comem por uma semana e depois calculem a ingestão diária de sódio em miligramas.

Desde que as classes receberam diferentes programas de educação nutricional, eles querem ver se a ingestão média de sódio é a mesma para as duas turmas.

Suponha que uma terceira classe junte-se ao experimento (Melissa Robins). Podemos, então, verificar as diferenças destas três condições experimentais independentes com testes t, comparando-se Brendon Small com Coach McGuirk, Brendon Small com Melissa Robins e Coach McGuirk com Melissa Robins?

alfa <- 0.05

Dados <- data.frame(readxl::read_excel("Nutricao3.xlsx"))
Dados$Student <- factor(Dados$Student)
Dados$Instructor <- factor(Dados$Instructor,
                           labels=c("Brendon", "McGuirk", "Melissa"))
print(data.frame(Dados))
   Instructor Student Sodium
1     Brendon       a   1200
2     Brendon       b   1400
3     Brendon       c   1350
4     Brendon       d    950
5     Brendon       e   1400
6     Brendon       f   1150
7     Brendon       g   1300
8     Brendon       h   1325
9     Brendon       i   1425
10    Brendon       j   1500
11    Brendon       k   1250
12    Brendon       l   1150
13    Brendon       m    950
14    Brendon       n   1150
15    Brendon       o   1600
16    Brendon       p   1300
17    Brendon       q   1050
18    Brendon       r   1300
19    Brendon       s   1700
20    Brendon       t   1300
21    McGuirk       u   1100
22    McGuirk       v   1200
23    McGuirk       w   1250
24    McGuirk       x   1050
25    McGuirk       y   1200
26    McGuirk       z   1250
27    McGuirk      aa   1350
28    McGuirk      ab   1350
29    McGuirk      ac   1325
30    McGuirk      ad   1525
31    McGuirk      ae   1225
32    McGuirk      af   1125
33    McGuirk      ag   1000
34    McGuirk      ah   1125
35    McGuirk      ai   1400
36    McGuirk      aj   1200
37    McGuirk      ak   1150
38    McGuirk      al   1400
39    McGuirk      am   1500
40    McGuirk      an   1200
41    Melissa      ao    900
42    Melissa      ap   1100
43    Melissa      aq   1150
44    Melissa      ar    950
45    Melissa      as   1100
46    Melissa      at   1150
47    Melissa      au   1250
48    Melissa      av   1250
49    Melissa      aw   1225
50    Melissa      ax   1325
51    Melissa      ay   1125
52    Melissa      az   1025
53    Melissa      ba    950
54    Melissa      bc    925
55    Melissa      bd   1200
56    Melissa      be   1100
57    Melissa      bf    950
58    Melissa      bg   1300
59    Melissa      bh   1400
60    Melissa      bi   1100
saveRDS(Dados, "Nutricao3.rds")
Dados <- readRDS("Nutricao3.rds")
print(ftable(Dados$Instructor))
 Brendon McGuirk Melissa
                        
      20      20      20
print(FSA::Summarize(Sodium ~ Instructor,
                     digits=1,
                     data=Dados))
  Instructor  n   mean    sd  min     Q1 median     Q3  max
1    Brendon 20 1287.5 193.7  950 1150.0 1300.0 1400.0 1700
2    McGuirk 20 1246.2 142.4 1000 1143.8 1212.5 1350.0 1525
3    Melissa 20 1123.8 143.1  900 1006.2 1112.5 1231.2 1400
boxplot(Sodium ~ Instructor,
        data=Dados)

alpha <- 0.05
g <- nlevels(Dados$Instructor)
alphaBonf <- alpha/g
gplots::plotmeans(Sodium ~ Instructor,
                  connect=FALSE,
                  barcol="black",
                  p=1-alphaBonf,
                  main="IC95% Bonferroni",
                  data=Dados)

t_out <- stats::pairwise.t.test( # testes t de Student
  Dados$Sodium,
  Dados$Instructor,
  p.adjust.method = "none",
  pool.sd = FALSE,
  var.equal = TRUE
)
print(t_out)

    Pairwise comparisons using t tests with non-pooled SD 

data:  Dados$Sodium and Dados$Instructor 

        Brendon McGuirk
McGuirk 0.4477  -      
Melissa 0.0043  0.0100 

P value adjustment method: none 

Quantos testes t precisaremos de acordo com o número de grupos?

É a combinatória do número de grupos (\(m\)) dois a dois:

\[ {m \choose 2} = { {m!} \over {2! (m-2)!} } \]

  • para 2 grupos: \({2 \choose 2} = { {2!} \over {2! (2-2)!} } = 1~\text{teste}\)

  • para 3 grupos: \({3 \choose 2} = { {3!} \over {2! (3-2)!} } = 3~\text{testes}\)

  • para 4 grupos: \({4 \choose 2} = { {4!} \over {2! (4-2)!} } = 6~\text{testes}\)

  • para 6 grupos: \({6 \choose 2} = { {6!} \over {2! (6-2)!} } = 15~\text{testes}\)

Graficamente (demo_Testes_t_2a2.R):

Embora o número cresça rapidamente, podemos não nos impressionar, pois temos computadores para o trabalho repetitivo.

Há, porém, um problema mais grave: as probabilidades de erros do tipo I (\(\alpha\)) e do tipo II (\(\beta\)) acumulam. Quando escolhemos \(\alpha\), a probabilidade de rejeitar incorretamente a hipótese nula, o máximo valor que o valor p pode assumir, a probabilidade de erro do tipo I para \(m\) grupos é:

\[ P(\alpha | m) = 1-(1-\alpha)^{m \choose 2} \]

Também gostaríamos de manter a probabilidade de rejeitar corretamente a hipótese nula, o poder do teste, \(1-\beta\); para \(m\) grupos é:

\[ P(\beta | m) = (1-\beta) ^ {m \choose 2} \]

Graficamente (demo_Testes_t_AlfaPoder.R), podemos observar o que acontece com o número crescente de pares de teste t necessários, considerando os tradicionais \(\alpha=0.05\) e \(\beta=0.1\):

Portanto, a probabilidade de erro do tipo I cresce rapidamente para quase \(100\%\) e o poder de seus testes combinados converge para zero. Na prática, dificilmente teremos mais do que 6 grupos. Porém, ainda assim, teríamos \(\alpha \approx 53.7\%\) e poder \(1-\beta \approx 3.5\%\), valores totalmente inaceitáveis para uma boa inferência estatística.

Podemos resolver com vários testes t?

A resposta é:

NÃO!

É melhor, portanto, testar tudo simultaneamente para
manter \(\alpha\) no valor pretendido e
preservar \(1-\beta\).

Análise da variância

Esta análise, que tem o acrônimo ANOVA (do inglês, Analysis of Variance) utiliza variâncias, mas…

… as conclusões são sobre as médias populacionais dos \(m\) grupos.

Como?

Princípio do teste F da ANOVA independente unifatorial de Fisher

Consideremos que existam três grupos nos quais a VD tem distribuição normal homocedástica.

De cada um deles, retiramos uma amostra:

Não havendo problemas, as três amostras reproduzem a distribuição, média e variância das populações das quais se originaram.

A estatística de teste F da ANOVA independente unifatorial é dada por

\[ F = \dfrac{S_E^2}{S_D^2} \]

em que \(S_E^2\) é a variância entre os grupos e \(S_D^2\) é a variância dentro dos grupos.

Variância entre (between) os grupos

A variância entre os grupos presume que as médias amostrais (\(\bar{X}_m\)) refletem as respectivas médias populacionais (\(\mu_m\)):

Como sempre, não temos esta certeza e lidamos somente com a informação das amostras, \(\bar{X}_m\):

Cada média é um número e, portanto, podemos calcular a variância destes números:

Sendo assim, para \(F = \dfrac{S_E^2}{S_D^2}\), a estatística F aumenta quando a variância entre os grupos aumentar.

Variância dentro (within) dos grupos

A variância dentro dos grupos é uma medida da variância total, desconsiderando a média de cada uma das condições. Cada amostra tem sua própria distribuição (presumivelmente, reflexo da distribuição da população de onde foi extraída):

Como sempre, não temos esta certeza e lidaremos somente com a informação das amostras, \(\bar{X}_m\):

Mesclando as três distribuições, estimamos a variância dentro dos grupos, \(S_D^2\), uma medida de quanto, como um todo, a variável é dispersa:

Caso a variância em cada condição seja maior,

esta variância será refletida em \(S_D^2\):

Sendo assim, para \(F = \dfrac{S_E^2}{S_D^2}\), a estatística F diminui quando a variância dentro os grupos (ou condições) aumentar.

Comportamento de \(F = \dfrac{S_E^2}{S_D^2}\)

É fácil imaginar o comportamento da estatística F combinando-se o que pode acontecer com \(S_E^2\) e \(S_D^2\):

Desta forma, Ronald Fisher inventou uma forma de comparar médias entre várias condições, simultaneamente, utilizando somente a comparação entre duas variâncias, com o numerador refletindo a dispersão das médias e o denominador refletindo a dispersão do fenômeno em estudo.

ANOVA independente unifatorial

A ANOVA independente unifatorial é utilizada quando os participantes são avaliados em somente uma das condições experimentais, i.e., um delineamento entre participantes.

Suposições

  • independência entre as unidades experimentais,
  • normalidade da VD em todas as condições,
  • homocedasticidade da VD entre todas as condições.

O teste analítico pode prescindir da suposição de normalidade para amostras maiores invocando o teorema central do limite (\(n\ge30\)). Podemos testar a suposição de normalidade da VD em cada condição com tamanhos de amostra pequenos. Enfatizamos que a suposição de normalidade é uma condição suficiente para a validade do teste estatístico.

O teste por bootstrapping pode ser usado para qualquer tamanho de amostra (\(n\ge2\)), e não exige a suposição de normalidade. Portanto, exige apenas a suposição de independência entre as observações.

O teste analítico pode prescindir da suposição de homocedasticidade se as condições são balanceadas.

Normalidade

“Vale a pena observar que a MANOVA é ainda um teste válido, mesmo com modestas violações na suposição de normalidade, particularmente quando os tamanhos dos grupos são iguais e existe um número razoável de participantes em cada grupo; por “razoável” entendemos que, em um delineamento completamente entre participantes, deve haver pelo menos 12 participantes por grupo[…]”

  • Dancey & Reidy, 2019, p. 472

Como ANOVA é um caso particular de MANOVA, podemos transpor desta referência e assumir o número de unidades experimentais igual a pelo menos 12 em cada grupo para considerar a suposição de normalidade não necessária.

Balanceamento e Homocedasticidade

O balanceamento não precisa ser estrito:

“Consideram-se grupos de dimensão semelhante quando o quociente entre a maior dimensão e a menor for inferior a 1,5.”

  • Pestana & Gageiro, 2008, p. 278

“A heterocedasticidade ocorre heuristicamente se (maior desvio-padrão)/(menor desvio-padrão) é maior que 2.”

  • Johnson & Wichern, 2007, p. 291
  • Moore, 1995, apud Norusis, 2009, p. 148

Quando a maior quantidade de unidades observacionais numa condição NÃO superar 1.5 vezes a condição de menor quantidade de unidades observacionais, então a suposição de homocedasticidade não precisa ser considerada para o teste ANOVA independente unifatorial .

“Em geral, quando você tiver tamanhos de amostras iguais, esse pressuposto [homocedasticidade] não será um grande problema.”

  • Dancey & Reidy, 2019, p. 472-3

ANOVA independente unifatorial de Fisher para condições balanceadas é adequada na situação de heterocedasticidade populacional.

ANOVA independente unifatorial de Fisher com correção de White e a ANOVA independente unifatorial de Welch funcionam para condições desbalanceadas, pois lidam com a situação de heterocedasticidade populacional.

Exemplo: SNAP-Ed entre participantes com 3 grupos

Este exemplo foi obtido de Salvatore S. Mangiafico: Summary and Analysis of Extension Program Evaluation in R, disponível em https://rcompanion.org/handbook/I_05.html.

O SNAP-Ed (Supplemental Nutrition Assistance Program Education) é um programa baseado em evidências que ajuda as pessoas a terem uma vida mais saudável.

O SNAP-Ed ensina às pessoas que usam ou qualificam para o SNAP uma boa nutrição e como fazer com que o seu dinheiro de alimentação se estenda ainda mais.

Os participantes do SNAP-Ed também aprendem a ser fisicamente ativos.

Brendon Small, Coach McGuirk e Melissa Robins fazem com que seus alunos do SNAP-Ed mantenham diários do que comem por uma semana e depois calculem a ingestão diária de sódio em miligramas.

Desde que as classes receberam diferentes programas de educação nutricional, eles querem ver se a ingestão média de sódio é a mesma para as três turmas.

Hipóteses nula e alternativa

As três turmas receberam diferentes programas de educação nutricional. A ingestão diária média de sódio é a mesma (populacionalmente) para os três programas?

\[ \begin{cases} H_0: \mu_{\text{Brendon}} = \mu_{\text{McGuirk}} = \mu_{\text{Robins}}\\ H_1: \exists \,\mu_i \ne \mu_j,\quad i \ne j,\quad i,j=1,2,3 \end{cases}\\ \alpha=5\% \]

Esta é uma forma matemática para escrever a hipótese alternativa, lida como “Existe pelo menos alguma média \(\mu_i\), diferente de outra média \(\mu_j\), com \(i\) e \(j\) assumindo os valores \(1\), \(2\) e \(3\)”. É dizer que \(\mu_1 \ne \mu_2\) OU \(\mu_1 \ne \mu_3\) OU \(\mu_2 \ne \mu_3\).

No entanto, aparece, frequentemente, como:

\[ H_1: \mu_1 \ne \mu_2 \ne \mu_3 \]

tentando indicar as diferenças, mas esta forma não funciona porque sugere que a rejeição de \(H_0\) implica que todos os grupos são diferentes entre si, como \(\mu_1 \ne \mu_2\) E \(\mu_1 \ne \mu_3\) E \(\mu_2 \ne \mu_3\).

Basta que haja pelo menos duas médias populacionais diferentes para que se rejeite \(H_0\) com teste F da ANOVA. Em português:

\[ H_1: \text{Existe pelo menos duas médias populacionais diferentes} \]

ANOVA independente unifatorial de Fisher

Análise descritiva e teste de suposições

O arquivo de dados está no formato wide: cada linha do arquivo contém os dados de cada unidade experimental. No caso particular do nosso estudo, o arquivo wide Nutricao3.rds tem \(n=20\) linhas ou unidades experimentais distintas.

source("demo_ANOVA1f_indep_Fisher_sodio_Parte1.R")
Instructor
Brendon McGuirk Melissa 
     20      20      20 
       Instructor
Student Brendon McGuirk Melissa
     a        1       0       0
     aa       0       1       0
     ab       0       1       0
     ac       0       1       0
     ad       0       1       0
     ae       0       1       0
     af       0       1       0
     ag       0       1       0
     ah       0       1       0
     ai       0       1       0
     aj       0       1       0
     ak       0       1       0
     al       0       1       0
     am       0       1       0
     an       0       1       0
     ao       0       0       1
     ap       0       0       1
     aq       0       0       1
     ar       0       0       1
     as       0       0       1
     at       0       0       1
     au       0       0       1
     av       0       0       1
     aw       0       0       1
     ax       0       0       1
     ay       0       0       1
     az       0       0       1
     b        1       0       0
     ba       0       0       1
     bc       0       0       1
     bd       0       0       1
     be       0       0       1
     bf       0       0       1
     bg       0       0       1
     bh       0       0       1
     bi       0       0       1
     c        1       0       0
     d        1       0       0
     e        1       0       0
     f        1       0       0
     g        1       0       0
     h        1       0       0
     i        1       0       0
     j        1       0       0
     k        1       0       0
     l        1       0       0
     m        1       0       0
     n        1       0       0
     o        1       0       0
     p        1       0       0
     q        1       0       0
     r        1       0       0
     s        1       0       0
     t        1       0       0
     u        0       1       0
     v        0       1       0
     w        0       1       0
     x        0       1       0
     y        0       1       0
     z        0       1       0
  Instructor  n   mean    sd  min     Q1 median     Q3  max
1    Brendon 20 1287.5 193.7  950 1150.0 1300.0 1400.0 1700
2    McGuirk 20 1246.2 142.4 1000 1143.8 1212.5 1350.0 1525
3    Melissa 20 1123.8 143.1  900 1006.2 1112.5 1231.2 1400

boxplot


gplots::plotmeans

NULL

Normality
Registered S3 methods overwritten by 'car':
  method       from
  hist.boot    FSA 
  confint.boot FSA 

 --------
 Instructor = Brendon 

    Shapiro-Wilk normality test

data:  Sodium
W = 0.97212, p-value = 0.7989

 --------
 Instructor = McGuirk 

    Shapiro-Wilk normality test

data:  Sodium
W = 0.96772, p-value = 0.7062

 --------
 Instructor = Melissa 

    Shapiro-Wilk normality test

data:  Sodium
W = 0.95835, p-value = 0.5114

 --------

 p-values adjusted by the Holm method:
        unadjusted adjusted
Brendon 0.79894    1       
McGuirk 0.70625    1       
Melissa 0.51138    1       
NULL

Homoscedasticity
    Fligner-Killeen test of homogeneity of variances

data:  Sodium by Instructor
Fligner-Killeen:med chi-squared = 0.95543, df = 2, p-value = 0.6202

Testes omnibus e post-hoc

O arquivo de dados está no formato wide: cada linha do arquivo contém os dados de cada unidade experimental.

Sob a hipótese nula \(H_0: \mu_1 = \mu_2 = \cdots = \mu_g\), a estatística de teste F, segue a distribuição F de Fisher-Snedecor com os números de graus de liberdade do efeito do fator A, \(\text{df}_A=g-1\), e do efeito residual, \(\text{df}_E=\sum_{i=1}^{g}{(n_i-1)}=(n-1)-(g-1)=n-g\), no numerador e denominador, respectivamente, sendo que \(g\) é o número de condições independentes e \(n = \sum_{i=1}^g n_i\) é número total de unidades experimentais. \(\text{df}_A\) quantifica a complexidade do modelo (GLM univariado) e \(\text{df}_E\) quantifica o tamanho de amostra efetivo, sendo que \(n\) é o tamanho de amostra nominal.

\[ \begin{align} F &\underset{H_0}{\sim} F_{\text{df}_A, \, \text{df}_E}\\ &\underset{H_0}{\sim} F_{g-1, \, \sum_{i=1}^{g}{(n_i-1)}}\\ &\underset{H_0}{\sim} F_{g-1, \, (n-1)-(g-1)}\\ F &\underset{H_0}{\sim} F_{g-1, \, n-g}\\ \end{align} \]

Se \(\text{df}_E \ge 30\), pode-se recorrer ao Teorema Central do Limite, dispensando-se a suposição de multinormalidade para a validade do teste de hipótese nula omnibus.

Se \(\text{df}_E < 30\), pode-se recorrer ao argumento de que a distribuição normal em cada condição independente é uma condição suficiente para a validade do teste de hipótese nula omnibus. Nenhum teste estatístico de normalidade multivariada ou univariada é prova de normalidade, sendo possível apenas desprovar a normalidade por meio de teste estatístico. Dessa forma, mesmo em situação de amostra pequena, o teste omnibus pode ser válido.

O código R que testa a hipótese nula omnibus e realiza os testes post-hoc da ANOVA de Fisher é (demo_ANOVA1f_indep_Fisher_sodio_Parte2.R).

Algumas das funções principais são:

fit1 <- lm(Sodium ~ Instructor, data=Dados) 
car::Anova(fit1)

oneway.test(Sodium ~ Instructor, 
            var.equal=TRUE,
            data=Dados)
pairwise.t.test(
  x = Dados$Sodium,
  g = Dados$Instructor,
  pool.sd = TRUE,
  p.adjust.method = "holm")

fit2 <- onewaytests::onewaytests(Sodium ~ Instructor, 
                                 method="aov",
                                 alpha=alfa,
                                 na.rm=TRUE,
                                 verbose=TRUE,
                                 data=Dados)
onewaytests::paircomp(fit2, # Valores p incorretos
                      adjust.method="holm")

jmv::ANOVA(dep = "Sodium", 
           factors = "Instructor",
           modelTes = TRUE,
           postHoc= ~ Instructor,
           emMeans = ~ Instructor,
           ciWidthEmm = 100*(1-alfa),
           emmPlots = TRUE,
           emmTables = TRUE,
           postHocCorr = "holm",
           effectSize = "eta",
           data = Dados)
Dados <- readRDS("Nutricao3.rds")
print(FSA::Summarize(Sodium ~ Instructor, 
                     data=Dados), digits=2)
  Instructor  n mean  sd  min   Q1 median   Q3  max
1    Brendon 20 1288 194  950 1150   1300 1400 1700
2    McGuirk 20 1246 142 1000 1144   1212 1350 1525
3    Melissa 20 1124 143  900 1006   1112 1231 1400
alfa <- 0.05
cat("\nFisher's One-way ANOVA")

Fisher's One-way ANOVA
cat("\nStatistical analysis: omnibus test")

Statistical analysis: omnibus test
# lm: Fisher
fit <- lm(Sodium ~ Instructor, 
          data=Dados)
# ANOVA da one-way ANOVA
cat("\nANOVA\n")

ANOVA
print(anv <- car::Anova(fit))
Anova Table (Type II tests)

Response: Sodium
            Sum Sq Df F value   Pr(>F)   
Instructor  290146  2  5.5579 0.006235 **
Residuals  1487812 57                    
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(reg <- summary(fit))

Call:
lm(formula = Sodium ~ Instructor, data = Dados)

Residuals:
   Min     1Q Median     3Q    Max 
-337.5 -121.2    2.5  105.9  412.5 

Coefficients:
                  Estimate Std. Error t value Pr(>|t|)    
(Intercept)        1287.50      36.13  35.639  < 2e-16 ***
InstructorMcGuirk   -41.25      51.09  -0.807  0.42279    
InstructorMelissa  -163.75      51.09  -3.205  0.00221 ** 
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Residual standard error: 161.6 on 57 degrees of freedom
Multiple R-squared:  0.1632,    Adjusted R-squared:  0.1338 
F-statistic: 5.558 on 2 and 57 DF,  p-value: 0.006235
cat("R^2 = eta^2 = ", round(reg$r.squared,2), "\n", sep="")
R^2 = eta^2 = 0.16
eta2 <- effectsize::eta_squared(anv,
                                partial=FALSE,
                                generalized=FALSE,
                                ci=1-alfa,
                                alternative="two.sided",
                                verbose=TRUE)
#eta2$interpret <- effectsize::interpret_eta_squared(eta2$Eta2)
print(eta2, digits=4)
# Effect Size for ANOVA (Type II)

Parameter  |   Eta2 |           95% CI
--------------------------------------
Instructor | 0.1632 | [0.0166, 0.3265]
# gráfico do test F
reg <- summary(fit)
fobs <- reg$fstatistic[1]
dfn <- reg$fstatistic[2]
dfd <- reg$fstatistic[3]
fc <- qf(1-alfa, dfn, dfd)
p <- 1-pf(fobs, dfn, dfd)
if (p < 1e-4)
{
  p <- sprintf("%.2e",p)
} else
{
  p <- sprintf("%.4f",p)
}
f <- seq(0,1.4*max(fc,fobs),length.out=300)
densf <- df(f, dfn, dfd)
plot(f, densf, 
     main="One-way ANOVA: omnibus test",
     xlab="F", ylab="Density", 
     lwd=2, type="l")
abline(v=fc, lty=3)
abline(v=fobs, lty=4)
legend("topright",
       c("H0: igualdade das médias populacionais",
         paste("F(",dfn,",",dfd,",",1-alfa,") = ",round(fc,3),sep=""),
         paste("F(",dfn,",",dfd,") = ",round(fobs,3),"\n",
               "p = ",p,sep="")
       ),
       lwd=c(2,1,1), lty=c(1,3,4),
       cex=0.8)

cat("\nFisher's One-way ANOVA")

Fisher's One-way ANOVA
cat("\nStatistical analysis: Post hoc tests")

Statistical analysis: Post hoc tests
emm <- emmeans::emmeans(object=fit, 
                        pairwise~"Instructor", 
                        adjust="holm",
                        level=1-alfa)
print(emm)
$emmeans
 Instructor emmean   SE df lower.CL upper.CL
 Brendon      1288 36.1 57     1215     1360
 McGuirk      1246 36.1 57     1174     1319
 Melissa      1124 36.1 57     1051     1196

Confidence level used: 0.95 

$contrasts
 contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 Brendon - McGuirk     41.2 51.1 57   0.807  0.4228
 Brendon - Melissa    163.8 51.1 57   3.205  0.0066
 McGuirk - Melissa    122.5 51.1 57   2.398  0.0396

P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(emm$emmeans, 
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(plot(emm$contrasts, 
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(multcomp::cld(object=emm$emmeans,
                    level=1-alfa,
                    alpha=alfa,
                    adjust="holm",
                    Letters=letters))
 Instructor emmean   SE df lower.CL upper.CL .group
 Melissa      1124 36.1 57     1035     1213  a    
 McGuirk      1246 36.1 57     1157     1335   b   
 Brendon      1288 36.1 57     1198     1377   b   

Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 
cat("Teste post hoc: Dunnett")
Teste post hoc: Dunnett
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object = emm, 
                                  method = "trt.vs.ctrl", 
                                  ref = "Brendon",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 McGuirk - Brendon    -41.2 51.1 57  -0.807  0.4228
 Melissa - Brendon   -163.8 51.1 57  -3.205  0.0044

P value adjustment: holm method for 2 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("Teste post hoc: Consecutivo")
Teste post hoc: Consecutivo
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  method="consec",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 McGuirk - Brendon    -41.2 51.1 57  -0.807  0.4228
 Melissa - McGuirk   -122.5 51.1 57  -2.398  0.0396

P value adjustment: holm method for 2 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

# oneway.test: Fisher
fit1 <- oneway.test(Sodium ~ Instructor, 
                    var.equal=TRUE,
                    data=Dados) 
print(fit1, digits=5)

    One-way analysis of means

data:  Sodium and Instructor
F = 5.56, num df = 2, denom df = 57, p-value = 0.0062
print(pairwise.t.test(
  x = Dados$Sodium,
  g = Dados$Instructor,
  pool.sd = TRUE,
  p.adjust.method = "holm"))

    Pairwise comparisons using t tests with pooled SD 

data:  Dados$Sodium and Dados$Instructor 

        Brendon McGuirk
McGuirk 0.4228  -      
Melissa 0.0066  0.0396 

P value adjustment method: holm 
cat("\nAnálise de significância prática: tamanho de efeito\n")

Análise de significância prática: tamanho de efeito
eta2 <- effectsize::eta_squared(fit1,
                                partial=FALSE,
                                generalized=FALSE,
                                ci=1-alfa,
                                alternative="two.sided",
                                verbose=TRUE)
#eta2$interpret <- effectsize::interpret_eta_squared(eta2$Eta2)
print(eta2, digits=4)
# Effect Size for ANOVA

Eta2   |           95% CI
-------------------------
0.1632 | [0.0166, 0.3265]
# onewaytests::onewaytests: Fisher
fit2 <- onewaytests::onewaytests(Sodium ~ Instructor, 
                                 method="aov",
                                 alpha=alfa,
                                 na.rm=TRUE,
                                 verbose=TRUE,
                                 data=Dados)

    One-Way Analysis of Variance

data:  Sodium and Instructor
F = 5.5579, num df = 2, denom df = 57, p-value = 0.006235
onewaytests::paircomp(fit2, # Valores p incorretos
                      adjust.method="holm")

  Holm Correction (alpha = 0.05) 
----------------------------------------------------- 
  Level (a) Level (b)    p.value   No difference
1   Brendon   McGuirk 0.44768959      Not reject
2   Brendon   Melissa 0.01280080          Reject
3   McGuirk   Melissa 0.01992282          Reject
----------------------------------------------------- 
# jmv::ANOVA: Fisher
print(jmv::ANOVA(dep = "Sodium", 
                 factors = "Instructor",
                 modelTes = TRUE,
                 postHoc= ~ Instructor,
                 emMeans = ~ Instructor,
                 ciWidthEmm = 100*(1-alfa),
                 emmPlots = TRUE,
                 emmTables = TRUE,
                 postHocCorr = "holm",
                 effectSize = "eta",
                 data = Dados))

 ANOVA

 ANOVA - Sodium                                                                                 
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 
                    Sum of Squares    df    Mean Square    F           p            η²          
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Overall model          290145.8     2      145072.92    5.557929    0.0062353                
   Instructor             290145.8     2      145072.92    5.557929    0.0062353    0.1631905   
   Residuals             1487812.5    57       26101.97                                         
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 


 POST HOC TESTS

 Post Hoc Comparisons - Instructor                                                                      
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Instructor         Instructor    Mean Difference    SE          df          t            p-holm      
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Brendon       -    McGuirk              41.25000    51.09009    57.00000    0.8073973    0.4227942   
                 -    Melissa             163.75000    51.09009    57.00000    3.2051225    0.0066393   
   McGuirk       -    Melissa             122.50000    51.09009    57.00000    2.3977252    0.0395910   
 ────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Note. Comparisons are based on estimated marginal means


 ESTIMATED MARGINAL MEANS

 INSTRUCTOR

 Estimated Marginal Means - Instructor                          
 ────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Instructor    Mean        SE          Lower       Upper      
 ────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Brendon       1287.500    36.12615    1215.159    1359.841   
   McGuirk       1246.250    36.12615    1173.909    1318.591   
   Melissa       1123.750    36.12615    1051.409    1196.091   
 ────────────────────────────────────────────────────────────── 

Pr(>F) é o valor p nas saídas.

Como p value = 0.006235 omnibus da regressão (igual ao valor p da tabela ANOVA do teste do efeito do fator Instructor) é menor que 0.05, rejeita-se a hipótese nula omnibus (que é a mesma hipótese nula de ausência do efeito do fator).

Multiple R-squared \(R^2=0.1632\) é a estimativa pontual do tamanho de efeito \(\eta^2\) de Cohen omnibus (que é também a estimativa pontual do tamanho de efeito do fator Instructor). Note que o intervalo de confiança bilateral de 95% do tamanho de efeito de Instructor sobre Sodium, \(\eta^2\), está entre 1.66% e 32.65%.

Se \(H_0\) é rejeitada, podemos localizar as diferenças com testes post-hoc (par-a-par simultâneas) com os contrastes de Holm. A conclusão é que Melissa tem média populacional diferente e menor.

Exemplo de relatório para a ANOVA independente unifatorial de Fisher

Há 60 participantes no estudo com delineamento entreparticipantes com três condições, sendo que nenhuma delas é de controle. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente e balanceadamente nos três grupos. As suposições de normalidade e homocedasticidade da VD Sodium nos grupos foram consideradas válidas. A análise por meio da ANOVA independente unifatorial de Fisher mostra que a menor ingestão de sódio diária média foi observada entre estudantes submetidos ao programa aplicado por Melissa Robins. As médias populacionais de ingestão de sódio dos estudantes de Brendon Small e do Coach McGuirk são semelhantes.

A análise de variância de um fator fixo entre participantes mostrou que o efeito fixo Instructor é estatisticamente significante, pois o teste omnibus produziu F(2,57) = 5.56 e p = 0.0062. O tamanho do efeito de Instructor é expresso por eta ao quadrado de Cohen, sendo que seu valor é igual a 16,3% e seu IC95% = [1.7%, 32.7%]. Portanto, 16% da variância da ingesta de sódio é explicada pelo programa adotado pelos instrutores. Os testes post hoc de Holm encontraram diferenças estatisticamente significantes entre os programas adotados por Melissa e McGuirk e Melissa e Brendon. Não se observou diferença estatisticamente significante entre McGuirk e Brendon.

ANOVA independente unifatorial de Welch

A ANOVA independente unifatorial de Welch é uma alternativa à ANOVA clássica de Fisher quando a hipótese de homogeneidade das variâncias entre as condições não é plausível.

A hipótese nula continua sendo a igualdade das médias populacionais:

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g \]

Entretanto, diferentemente da ANOVA de Fisher, o teste de Welch não exige igualdade das variâncias populacionais. As médias dos grupos são comparadas utilizando pesos que dependem das variâncias amostrais e dos tamanhos amostrais de cada condição.

Para a condição \(i\), o peso é proporcional a

\[ w_i=\dfrac{n_i}{s_i^2} \]

Assim, grupos com maior precisão, isto é, maior tamanho amostral e menor variância, recebem maior peso na comparação das médias.

A ANOVA de Welch é especialmente útil quando há heterocedasticidade, principalmente se os tamanhos amostrais também forem diferentes entre as condições.

ANOVA independente unifatorial de Welch demo_ANOVA1f_indep_Welch_sodio.R pode ser executada pelas funções jmv::anovaOneW(), stats::oneway.test() ou rstatix::games_howell_test().

oneway.test(
  Sodium ~ Instructor,
  var.equal = FALSE,
  data = Dados
)

rstatix::welch_anova_test(Sodium ~ Instructor, 
                                 data=Dados)
rstatix::games_howell_test(
  Sodium ~ Instructor,
  conf.level = 1 - alfa,
  detailed = FALSE,
  data = Dados
)

fit <- onewaytests::onewaytests(Sodium ~ Instructor, 
                                method="welch",
                                alpha=alfa,
                                na.rm=TRUE,
                                verbose=TRUE,
                                data=Dados)
onewaytests::paircomp(fit, # Valores p incorretos
                      adjust.method = "holm")

jmv::anovaOneW(
  data = Dados,
  dep = "Sodium",
  group = "Instructor",
  welch = TRUE,
  phMethod = "gamesHowell",
  phTest = TRUE,
  phFlag = TRUE,
  desc = FALSE
)
Dados <- readRDS("Nutricao3.rds")
print(xtabs(~Instructor, data=Dados))
Instructor
Brendon McGuirk Melissa 
     20      20      20 
alfa <- 0.05
cat("\nANOVA unifatorial independente de Welch\n\n")

ANOVA unifatorial independente de Welch
cat("\nAnálise de significância estatística: testes omnibus e posthoc\n")

Análise de significância estatística: testes omnibus e posthoc
# oneway.test: Welch
fit <- oneway.test(Sodium ~ Instructor, 
                   var.equal=FALSE,
                   data=Dados) 
print(fit, digits=5)

    One-way analysis of means (not assuming equal variances)

data:  Sodium and Instructor
F = 5.77, num df = 2.0, denom df = 37.4, p-value = 0.0066
out <- rstatix::games_howell_test(Sodium ~ Instructor, 
                                  conf.level=1-alfa,
                                  detailed=FALSE,
                                  data=Dados)
print(data.frame(out), digits=2)
     .y.  group1  group2 estimate conf.low conf.high p.adj p.adj.signif
1 Sodium Brendon McGuirk      -41     -173        90 0.725           ns
2 Sodium Brendon Melissa     -164     -296       -32 0.012            *
3 Sodium McGuirk Melissa     -122     -233       -12 0.026            *
cat("\nAnálise de significância prática: tamanho de efeito\n")

Análise de significância prática: tamanho de efeito
eta2 <- effectsize::eta_squared(fit,
                                partial=FALSE,
                                generalized=FALSE,
                                ci=1-alfa,
                                alternative="two.sided",
                                verbose=TRUE)
`var.equal = FALSE` - effect size is an approximation.
#eta2$interpret <- effectsize::interpret_eta_squared(eta2$Eta2)
print(eta2, digits=4)
# Effect Size for ANOVA

Eta2   |           95% CI
-------------------------
0.2357 | [0.0251, 0.4351]
# jmv::anovaOneW: Welch
print(jmv::anovaOneW(
  data = Dados,
  dep = "Sodium",
  group = "Instructor",
  welch = TRUE,  
  phMethod = "gamesHowell",
  phTest = TRUE,
  phFlag = TRUE,
  desc = FALSE
))

 ONE-WAY ANOVA

 One-Way ANOVA (Welch's)                                
 ────────────────────────────────────────────────────── 
             F           df1    df2         p           
 ────────────────────────────────────────────────────── 
   Sodium    5.765465      2    37.39637    0.0065692   
 ────────────────────────────────────────────────────── 


 POST HOC TESTS

 Games-Howell Post-Hoc Test – Sodium                                   
 ───────────────────────────────────────────────────────────────────── 
                                 Brendon      McGuirk      Melissa     
 ───────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Brendon    Mean difference            —     41.25000     163.7500   
              t-value                    —    0.7672235     3.040115   
              df                         —     34.89307     34.98266   
              p-value                    —    0.7253215    0.0120952   
                                                                       
   McGuirk    Mean difference                         —     122.5000   
              t-value                                 —     2.713093   
              df                                      —     37.99899   
              p-value                                 —    0.0263388   
                                                                       
   Melissa    Mean difference                                      —   
              t-value                                              —   
              df                                                   —   
              p-value                                              —   
 ───────────────────────────────────────────────────────────────────── 
   Note. * p < .05, ** p < .01, *** p < .001
# rstatix::welch_anova_test: Welch
fit2 <- rstatix::welch_anova_test(Sodium ~ Instructor, 
                                 data=Dados)
print(data.frame(fit2), digits=4)
     .y.  n statistic DFn  DFd     p      method
1 Sodium 60      5.77   2 37.4 0.007 Welch ANOVA
out <- rstatix::games_howell_test(Sodium ~ Instructor, 
                                  data=Dados,
                                  conf.level=1-alfa,
                                  detailed=FALSE)
print(data.frame(out), digits=2)
     .y.  group1  group2 estimate conf.low conf.high p.adj p.adj.signif
1 Sodium Brendon McGuirk      -41     -173        90 0.725           ns
2 Sodium Brendon Melissa     -164     -296       -32 0.012            *
3 Sodium McGuirk Melissa     -122     -233       -12 0.026            *
# onewaytests::onewaytests: Welch
fit3 <- onewaytests::onewaytests(Sodium ~ Instructor, 
                                method="welch",
                                alpha=alfa,
                                na.rm=TRUE,
                                verbose=TRUE,
                                data=Dados)

    Welch's Heteroscedastic F Test

data:  Sodium and Instructor
F = 5.7655, num df = 2.000, denom df = 37.396, p-value = 0.006569
onewaytests::paircomp(fit3, # Valores p incorretos
                      adjust.method = "holm")

  Holm Correction (alpha = 0.05) 
----------------------------------------------------- 
  Level (a) Level (b)    p.value   No difference
1   Brendon   McGuirk 0.44810920      Not reject
2   Brendon   Melissa 0.01337414          Reject
3   McGuirk   Melissa 0.01992301          Reject
----------------------------------------------------- 

Quando o teste global de Welch é significante, comparações múltiplas entre pares de médias podem ser realizadas pelo procedimento de Games-Howell, que também não pressupõe homogeneidade das variâncias.

A conclusão, neste exemplo, é semelhante à obtida com a ANOVA de Fisher: o programa adotado por Melissa apresentou ingestão diária média de sódio significantemente menor que a dos programas dos outros dois instrutores.

A matemática da ANOVA de Welch

  • Welch (1951)
  • Games & Howell (1976)

O arquivo de dados está no formato wide: cada linha do arquivo contém os dados de cada unidade experimental.

Sob \(H_0:\ \mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g\), a estatística de Welch é

\[ F_W=\frac{\displaystyle \frac{1}{g-1}\sum_{i=1}^g w_i\left(\bar X_i-\bar X_w\right)^2}{\displaystyle 1+\frac{2(g-2)}{g^2-1}\sum_{i=1}^g\frac{(1-w_i/w)^2}{n_i-1}}, \]

com \(w_i=\dfrac{n_i}{s_i^2}\), \(w=\sum_{i=1}^g w_i\) e \(\bar X_w=\dfrac{\sum_{i=1}^g w_i\bar X_i}{w}\).

A distribuição sob \(H_0\) é

\[ F_W \sim F_{g-1,\ \nu} \]

em que o numerador permanece \(g-1\) e o denominador é

\[ \nu=\frac{g^2-1}{3\displaystyle\sum_{i=1}^g\frac{(1-w_i/w)^2}{n_i-1}} \]

source("ANOVA_Welch_manual.R")
cat("ANOVA de Welch\n")
ANOVA de Welch
print(welch_omnibus(n, media, sd),
      digits=4,
      row.names=FALSE)
     F df1  df2        p
 5.765   2 37.4 0.006569
# conferência:
oneway.test(Sodium ~ Instructor, 
            var.equal=FALSE, 
            data=Dados)

    One-way analysis of means (not assuming equal variances)

data:  Sodium and Instructor
F = 5.7655, num df = 2.000, denom df = 37.396, p-value = 0.006569

No caso balanceado e homocedástico, considere o caso em que todos os grupos têm o mesmo tamanho e a mesma variância amostral:

\[ n_i=m \qquad\text{e}\qquad s_i^2=s^2 \]

Nesse caso, todos os pesos são iguais e

\[ \frac{w_i}{w}=\frac{1}{g} \]

Substituindo na fórmula de Welch–Satterthwaite:

\[ \nu = \frac{g^2-1} {3g\dfrac{\left(1-1/g\right)^2}{m-1}} = \frac{g(g+1)(m-1)} {3(g-1)} \]

Como o tamanho amostral total é

\[ N=gm \]

temos

\[ N-g=g(m-1) \]

e, portanto,

\[ \boxed{ \nu_{\max} = \frac{(g+1)(N-g)}{3(g-1)} } \]

Assim, mesmo quando as amostras são perfeitamente balanceadas e apresentam variâncias amostrais iguais, o \(\text{df}\) do denominador do teste de Welch não é, em geral, igual ao \(\text{df}\) residual da ANOVA clássica, que é

\[ N-g \]

Por exemplo, para \(g=3\) grupos e \(N=120\) observações,

\[ \nu_{\max} = \frac{4}{6}(120-3) = 78 \]

Portanto,

\[ \text{df}_{\text{Welch}}\leq 78 \]

enquanto a ANOVA clássica teria

\[ \text{df}_{\text{resíduo}}=120-3=117 \]

No extremo oposto, suponha que um único grupo concentre praticamente todo o peso:

\[ \frac{w_1}{w}\to1 \]

enquanto, para os demais grupos,

\[ \frac{w_i}{w}\to0 \]

Se esses grupos tiverem o menor tamanho amostral possível, \(n_i=2\), então

\[ \nu_{\min} = \frac{g^2-1}{3(g-1)} = \boxed{\frac{g+1}{3}} \]

Para \(g=3\),

\[ \nu_{\min} = \frac{4}{3} \approx1.33 \]

Portanto, para três grupos e \(N=120\), os graus de liberdade do denominador podem, teoricamente, variar aproximadamente no intervalo

\[ \boxed{ 1.33 < \nu \leq 78 }. \]

O valor \(117=N-g\) é o número de graus de liberdade residual da ANOVA clássica, e não o número de graus de liberdade do teste de Welch.

Interpretação do resultado:

O teste de Welch resultou em

\[ F(2,37.396)=5.7655, \qquad p=0.006569 \]

Como \(p<0.05\), rejeita-se a hipótese nula \(H_0:\mu_1=\mu_2=\mu_3\).

Há evidência estatística de que as médias populacionais não são iguais entre os três grupos.

O número de graus de liberdade do numerador, \(\text{df}_1=2\), corresponde a \(g-1=3-1=2\).

O número de graus de liberdade do denominador, \(\text{df}_2=37.396\), é obtido pela aproximação de Welch–Satterthwaite e, por isso, não precisa ser inteiro.

Esse teste não pressupõe igualdade das variâncias entre os grupos. Assim, a conclusão sobre a diferença entre as médias permanece apropriada mesmo na presença de heterocedasticidade.

O resultado global indica apenas que pelo menos uma média difere das demais. Para identificar quais grupos diferem entre si, é necessário realizar comparações múltiplas compatíveis com heterocedasticidade, como o teste de Games–Howell.

Teórico:   nu_max = 78    nu_min (infimum) = 1.333333 
Simulado:  nu_max ≈ 77.789    nu_min ≈ 1.333 (seed= 2985 )
N - g = 117  ;  nu_max_teor = 78 

ANOVA independente unifatorial de Fisher-White

A ANOVA independente unifatorial clássica de Fisher testa a hipótese de igualdade das médias populacionais entre \(g\) condições independentes:

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g \]

O teste clássico pressupõe homocedasticidade, isto é, igualdade das variâncias populacionais entre as condições. Quando essa suposição é questionável, pode-se utilizar uma versão robusta à heterocedasticidade baseada no estimador de White da matriz de covariâncias dos coeficientes do modelo linear.

O modelo continua sendo

\[ Y_{ij}=\beta_0+\beta_i+\varepsilon_{ij} \]

mas a matriz de covariâncias dos estimadores dos coeficientes é corrigida para heterocedasticidade. A correção HC2 ajusta os resíduos também em função das alavancagens das observações.

No R, o procedimento pode ser realizado ajustando inicialmente o modelo linear e aplicando posteriormente o teste \(F\) robusto:

fit <- lm(
  Sodium ~ Instructor,
  data = TH
)

car::Anova(
  fit,
  white.adjust = "hc2"
)

A hipótese testada permanece sendo a igualdade das médias:

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g \]

A diferença em relação à ANOVA de Fisher clássica está no cálculo da variância dos estimadores e, consequentemente, da estatística de teste. A correção de White-HC2 torna a inferência robusta à heterocedasticidade, mas não elimina a necessidade de independência entre as unidades experimentais.

demo_ANOVA1f_indep_FisherWhite.R

Instructor
Brendon McGuirk Melissa 
     20      20      20 

Fisher-White's One-way ANOVA
----------------------------------
Statistical analysis: Omnibus test
----------------------------------
Coefficient covariances computed by hccm()
Analysis of Deviance Table (Type II tests)

Response: Sodium
           Df      F   Pr(>F)   
Instructor  2 5.8682 0.004815 **
Residuals  57                   
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Call:
estimatr::lm_robust(formula = Sodium ~ Instructor, data = Dados, 
    se_type = "HC2")

Standard error type:  HC2 

Coefficients:
                  Estimate Std. Error t value  Pr(>|t|) CI Lower CI Upper DF
(Intercept)        1287.50      43.32 29.7205 2.185e-36   1200.8  1374.25 57
InstructorMcGuirk   -41.25      53.77 -0.7672 4.461e-01   -148.9    66.41 57
InstructorMelissa  -163.75      53.86 -3.0401 3.568e-03   -271.6   -55.89 57

Multiple R-squared:  0.1632 ,   Adjusted R-squared:  0.1338 
F-statistic: 5.868 on 2 and 57 DF,  p-value: 0.004815
R^2 = eta^2 omnibus = 0.16[1] "large"
(Rules: field2013)
$emmeans
 Instructor emmean   SE df lower.CL upper.CL
 Brendon      1288 43.3 57     1201     1374
 McGuirk      1246 31.8 57     1182     1310
 Melissa      1124 32.0 57     1060     1188

Confidence level used: 0.95 

$contrasts
 contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 Brendon - McGuirk     41.2 53.8 57   0.767  0.4461
 Brendon - Melissa    163.8 53.9 57   3.040  0.0107
 McGuirk - Melissa    122.5 45.2 57   2.713  0.0176

P value adjustment: holm method for 3 tests 

 Instructor emmean   SE df lower.CL upper.CL .group
 Melissa      1124 32.0 57     1045     1203  a    
 McGuirk      1246 31.8 57     1168     1325   b   
 Brendon      1288 43.3 57     1181     1394   b   

Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 
Teste post hoc: Dunnett contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 McGuirk - Brendon    -41.2 53.8 57  -0.767  0.4461
 Melissa - Brendon   -163.8 53.9 57  -3.040  0.0071

P value adjustment: holm method for 2 tests 

Teste post hoc: Consecutivo contrast          estimate   SE df t.ratio p.value
 McGuirk - Brendon    -41.2 53.8 57  -0.767  0.4461
 Melissa - McGuirk   -122.5 45.2 57  -2.713  0.0176

P value adjustment: holm method for 2 tests 

A conclusão, neste exemplo, é similar à obtida com o testes de ANOVA de Fisher e de Welch: o programa adotado por Melissa obteve ingestões diárias médias de sódio significantemente menores que a dos outros dois instrutores.

ANOVA independente unifatorial por bootstrapping

A ANOVA independente unifatorial por bootstrapping utiliza reamostragem para aproximar a distribuição amostral da estatística de teste, reduzindo a dependência de aproximações assintóticas da ANOVA clássica.

A hipótese nula continua sendo

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g \]

No bootstrap, novas amostras são geradas repetidamente a partir dos dados observados ou dos resíduos do modelo. Para cada reamostra, calcula-se novamente a estatística de interesse. A distribuição das estatísticas obtidas nas \(B\) reamostras é então utilizada para realizar a inferência.

A função lmboot::ANOVA.boot() permite utilizar bootstrap dos resíduos ou wild bootstrap. No bootstrap dos resíduos, utilizado abaixo, os resíduos do modelo são reamostrados e adicionados aos valores ajustados para gerar novas respostas.

demo_ANOVA1f_indep_Bootstrap_sodio.R implementa o procedimento por meio da função lmboot::ANOVA.boot(). Essa função realiza o teste global, mas não fornece diretamente comparações post hoc.

lmboot::ANOVA.boot(
  Sodium ~ Instructor,
  data = Dados,
  B = B,
  type = "residual",
  seed = 123,
  keep.boot.resp = FALSE
)
Instructor
Brendon McGuirk Melissa 
     20      20      20 
Bootstrap One-Way ANOVA

F(2, 57) = 5.56
p bootstrap = 0.0052
Bootstrap samples = 10000

Effect size analysis
eta^2 = 0.16

O argumento wild.dist não é necessário quando type="residual". Ele somente é utilizado quando se especifica

type = "wild"

O bootstrap dos resíduos é mais diretamente compatível com a hipótese de homocedasticidade do modelo. Quando há preocupação com heterocedasticidade, uma alternativa é o wild bootstrap:

lmboot::ANOVA.boot(
  Sodium ~ Instructor,
  data = Dados,
  B = B,
  type = "wild",
  wild.dist = "normal",
  seed = 123,
  keep.boot.resp = FALSE
)

Outra possibilidade é utilizar o pacote onewaytests. O método "gtb" corresponde a um teste generalizado equivalente ao bootstrap paramétrico para comparação de médias sob variâncias possivelmente diferentes.

fit <- onewaytests::onewaytests(
  Sodium ~ Instructor,
  method = "gtb",
  alpha = alfa,
  na.rm = TRUE,
  N = B,
  verbose = TRUE,
  data = Dados
)

onewaytests::paircomp( # valores p incorretos
  fit,
  adjust.method = "holm"
)

Nesse caso, onewaytests::paircomp() realiza as comparações dois a dois e ajusta os valores de \(p\) pelo método especificado, aqui Holm.

Uma terceira alternativa é o pacote WRS2, que implementa procedimentos robustos por bootstrap para médias aparadas.

demo_WRS2_ANOVA_independente.R

A função WRS2::t1waybt() executa o teste global e fornece, entre outras medidas, a proporção de variância explicada. O argumento tr determina a proporção aparada em cada cauda. Com tr=0, são utilizadas as médias aritméticas usuais.

WRS2::t1waybt(
  Sodium ~ Instructor,
  data = Dados,
  tr = 0,
  nboot = B
)

A função WRS2::mcppb20() realiza comparações múltiplas por bootstrap:

WRS2::mcppb20(
  Sodium ~ Instructor,
  data = Dados,
  tr = 0,
  nboot = B
)

Embora mcppb20() aceite tr=0, o procedimento foi originalmente formulado para médias aparadas e a própria função produz uma advertência quando tr difere de 0.20. Portanto, seu uso com tr=0 deve ser interpretado com cautela.

Instructor
Brendon McGuirk Melissa 
     20      20      20 

Generalized test equivalent to parametric bootstrap

    Generalized Test Equivalent to Parametric Bootstrap Test (size close to
    intended)

data:  Sodium and Instructor
p-value = 0.006664


  Holm Correction (alpha = 0.05) 
----------------------------------------------------- 
  Level (a) Level (b)  p.value   No difference
1   Brendon   McGuirk 0.447798      Not reject
2   Brendon   Melissa 0.013284          Reject
3   McGuirk   Melissa 0.019962          Reject
----------------------------------------------------- 


Bootstrapped independent one-way ANOVA
Warning in WRS2::t1waybt(Sodium ~ Instructor, data = Dados, tr = 0.2, nboot =
B): Some bootstrap estimates of the test statistic could not be computed.
Call:
WRS2::t1waybt(formula = Sodium ~ Instructor, data = Dados, tr = 0.2, 
    nboot = B)

Effective number of bootstrap samples was 99990.

Test statistic: 3.7723 
p-value: 0.04828 
Variance explained: 0.283 
Effect size: 0.532 

Call:
WRS2::mcppb20(formula = Sodium ~ Instructor, data = Dados, tr = 0.2, 
    nboot = B)

                    psihat  ci.lower ci.upper p-value
Brendon vs. McGuirk   50.0 -87.50000 177.0833 0.36933
Brendon vs. Melissa  162.5  27.08333 302.0833 0.00539
McGuirk vs. Melissa  112.5  -4.16667 241.6667 0.02193

As diferentes implementações de bootstrap não são estatisticamente idênticas. lmboot::ANOVA.boot() com type="residual" reamostra resíduos do modelo; lmboot::ANOVA.boot() com type="wild" utiliza wild bootstrap; onewaytests com method="gtb" utiliza um teste generalizado equivalente ao bootstrap paramétrico; e WRS2::t1waybt() utiliza um procedimento bootstrap robusto para médias aparadas.

Consequentemente, pequenas diferenças entre os valores de \(p\) obtidos por esses procedimentos são esperadas.

Neste exemplo, os métodos conduzem à mesma conclusão geral de que existem diferenças nas médias de ingestão diária de sódio entre os programas dos instrutores. As comparações dois a dois devem ser interpretadas utilizando os valores de \(p\) ou intervalos de confiança já corrigidos para multiplicidade pelo procedimento adotado.

Comparação dos resultados

Os três procedimentos rejeitam a hipótese de igualdade entre os grupos ao nível de significância de 5%, mas testam parâmetros diferentes.

O lmboot::ANOVA.boot() e o onewaytests::onewaytests(method="gtb") comparam as médias aritméticas e produzem resultados muito semelhantes:

\[ p=0.0052 \]

e

\[ p=0.0067 \]

As comparações múltiplas indicam que Melissa apresenta ingestão média de sódio menor que Brendon e McGuirk, enquanto Brendon e McGuirk não diferem entre si.

O WRS2::t1waybt() com tr=0.2 compara médias aparadas em 20% e apresenta resultado global mais próximo do limite de 5%:

\[ p=0.0483 \]

Nas comparações múltiplas robustas, apenas Brendon e Melissa diferem após o controle da multiplicidade; a diferença entre McGuirk e Melissa não permanece significante.

Assim, a conclusão sobre Melissa é mais forte quando se comparam médias aritméticas do que quando se utilizam médias aparadas em 20%.

Comparativo (ANOVA independente)

Para facilitar a comparação das variantes de ANOVA independente unifatorial (omnibus) apresentadas acima:

ANOVA Estatística \(\text{df}\) \(p\) Função
Fisher \(F=5.56\) 2, 57 0.0062 jmv::ANOVA
Fisher \(F=5.56\) 2, 57 0.0062 lm, car::Anova
Welch \(F=5.77\) 2, 37.4 0.0066 oneway.test
Welch \(F=5.77\) 2, 37.4 0.0066 rstatix::welch_anova_test
Welch \(F=5.77\) 2, 37.4 0.0066 onewaytests::onewaytests
Fisher-White \(F=5.87\) 2, 57 0.0048 lm, car::Anova
Bootstrap residual \(F=5.56\) 2, 57 0.0052 lmboot::ANOVA.boot
Bootstrap paramétrico (GTB) — — 0.0067 onewaytests::onewaytests
Bootstrap robusto, média aparada 20% \(T=3.7723\) — 0.0483 WRS2::t1waybt

Os métodos de Fisher, Welch, Fisher-White, bootstrap residual e bootstrap paramétrico apresentam resultados muito semelhantes e rejeitam claramente a hipótese de igualdade das médias ao nível de 5%.

O resultado de WRS2::t1waybt() não é diretamente comparável aos demais, pois com tr=0.2 testa a igualdade das médias aparadas em 20%. Nesse caso, a evidência contra \(H_0\) é consideravelmente menor, com

\[ p=0.0483 \]

Portanto, a conclusão de diferença entre os grupos é robusta entre os métodos baseados nas médias aritméticas, enquanto se torna limítrofe quando a localização dos grupos é representada pelas médias aparadas em 20%.

Para os testes post hoc:

  • Fisher (jmv::ANOVA)
p
Brendon - McGuirk 0.7000
Brendon - Melissa 0.0062
McGuirk - Melissa 0.0510
  • Fisher (lm: emmeans::emmeans)
p
Brendon - McGuirk 0.4228
Brendon - Melissa 0.0066
McGuirk - Melissa 0.0396
  • Welch (oneway.test: rstatix::games_howell_test)
p
Brendon - McGuirk 0.725
Brendon - Melissa 0.012
McGuirk - Melissa 0.026
  • Welch (rstatix::welch_anova_test: rstatix::games_howell_test)
p
Brendon - McGuirk 0.725
Brendon - Melissa 0.012
McGuirk - Melissa 0.026
  • Welch (onewaytests::onewaytests: onewaytests::paircomp)
p
Brendon - McGuirk 0.4481
Brendon - Melissa 0.0134
McGuirk - Melissa 0.0199
  • Fisher-White (lm: emmeans::emmeans)
p
Brendon - McGuirk 0.4461
Brendon - Melissa 0.0107
McGuirk - Melissa 0.0176

(os mesmos valores obtidos por ANOVA de Fisher)

  • Bootstrap (lmboot::ANOVA.boot: ?)

post hoc não disponível

  • Bootstrap paramétrico (onewaytests::onewaytests + onewaytests::paircomp, ajuste de Holm)
Comparação \(p\) ajustado
Brendon - McGuirk 0.4482
Brendon - Melissa 0.0134
McGuirk - Melissa 0.0200

Ao nível de significância de 5%, Melissa difere de Brendon e de McGuirk, enquanto Brendon e McGuirk não diferem entre si.

  • Bootstrap robusto para médias aparadas em 20% (WRS2::t1waybt + WRS2::mcppb20)
Comparação \(p\)
Brendon - McGuirk 0.3691
Brendon - Melissa 0.0047
McGuirk - Melissa 0.0219

Os valores de \(p\) apresentados por WRS2::mcppb20() não são diretamente ajustados para comparações múltiplas. A decisão deve considerar os intervalos de confiança simultâneos fornecidos pela função. Nesse procedimento, apenas Brendon e Melissa apresentam diferença significante após o controle da multiplicidade.

ANOVA independente SEM dados individualizados

É muito comum, em publicações, que somente tenhamos acesso às medidas-resumo (número de participantes, média, desvio-padrão e correlação).

Nestes casos, os códigos R acima não são utilizáveis.

Os testes F de ANOVA independente unifatorial de Fisher e de Welch sem os dados individualizados e também as comparações aos pares pode ser feito com a implementação da seguinte função:

source("eiras.OneWayANOVA.Fisher.WORD.R")
n  <- c(10, 10, 10, 10)
media <- c(0.2760, 0.1956, 0.1495, 0.3997)
dp <- c(0.4095, 0.1808, 0.2451, 0.2382)
names(media) <- c("A","B","C","D")  # rótulos dos grupos (opcional)
res <- OneWayANOVA.Fisher.WORD(n, media, dp, 
                               alpha = 0.05, 
                               posthoc = TRUE)
print(res$anova, digits=4)
   Source     SS df     MS     F      p   eta2
1 Between 0.3604  3 0.1201 1.515 0.2272 0.1121
2  Within 2.8547 36 0.0793    NA     NA     NA
3   Total 3.2151 39     NA    NA     NA     NA
print(res$posthoc, digits=2)
  Group.1 Group.2 Mean.1 st.dev.1 n.1 Mean.2 st.dev.2 n.2   diff   SE    t df
1       A       B   0.28     0.41  10   0.20     0.18  10  0.080 0.13 0.64 36
2       A       C   0.28     0.41  10   0.15     0.25  10  0.127 0.13 1.00 36
3       A       D   0.28     0.41  10   0.40     0.24  10 -0.124 0.13 0.98 36
4       B       C   0.20     0.18  10   0.15     0.25  10  0.046 0.13 0.37 36
5       B       D   0.20     0.18  10   0.40     0.24  10 -0.204 0.13 1.62 36
6       C       D   0.15     0.25  10   0.40     0.24  10 -0.250 0.13 1.99 36
  p.raw p.adj sig.   eta2
1 0.527  1.00   ns 0.0112
2 0.322  1.00   ns 0.0273
3 0.333  1.00   ns 0.0261
4 0.716  1.00   ns 0.0037
5 0.114  0.68   ns 0.0680
6 0.055  0.33   ns 0.0988
cat("\nANOVA independente unifatorial de Fisher sem dados individualizados\n")

ANOVA independente unifatorial de Fisher sem dados individualizados
Dados <- data.frame(readxl::read_excel("ExemploWelchSDB.xlsx"))
print(Dados, digits=2)
  Grupo media   dp  n
1     A  0.28 0.41 10
2     B  0.20 0.18 10
3     C  0.15 0.25 10
4     D  0.40 0.24 10
factor <- "Grupo"
mean <- "media"
sd <- "dp"
n <- "n"
alpha <- 0.05
resF <- HH::anovaMean(object=Dados$Grupo,
                      n=Dados$n,
                      ybar=Dados$media,
                      s=Dados$dp,
                      ylabel="SDB")
Registered S3 method overwritten by 'HH':
  method       from
  print.ancova WRS2
Warning in ybar - (ybar %*% n)/sum(n): Reciclar uma array de comprimento 1 na aritmética de vetor-array foi descontinuado.
  Em vez disso, use c() ou as.vector().
print(resF, digits=4)
Analysis of Variance Table

Response: SDB

Terms added sequentially (first to last)
          Df Sum of Sq Mean Sq F value Pr(F)
SDB        3    0.3604  0.1201   1.515 0.227
Residuals 36    2.8547  0.0793              
source("eiras.OneWayANOVA.Welch.WORD.R")
cat("\nANOVA independente unifatorial de Welch sem dados individualizados\n")

ANOVA independente unifatorial de Welch sem dados individualizados
# vetores resumo
n  <- c(10,10,10,10)
media <- c(0.2760,0.1956,0.1495,0.3997)
sd <- c(0.4095,0.1808,0.2451,0.2382)
names(media) <- c("A","B","C","D")

# omnibus: Welch + post-hoc: Games–Howell
res <- OneWayWelchSummary(n, media, sd, labels = names(media), posthoc = "games-howell")
print(res$omnibus_title)
[1] "ANOVA independente unifatorial de Welch"
print(res$anova, digits=4)
  Source    SS df1   df2    MS     F      p  eta2
1 Groups 6.535   3 19.47 2.178 2.039 0.1417 0.239
print(res$posthoc_title)
[1] "Post hoc: Games–Howell"
print(res$posthoc, digits=3, row.names = FALSE)
 Group.1 Group.2 Mean.1 st.dev.1 n.1 Mean.2 st.dev.2 n.2    diff     SE     q
       A       B  0.276    0.409  10  0.196    0.181  10  0.0804 0.1416 0.568
       A       C  0.276    0.409  10  0.149    0.245  10  0.1265 0.1509 0.838
       A       D  0.276    0.409  10  0.400    0.238  10 -0.1237 0.1498 0.826
       B       C  0.196    0.181  10  0.149    0.245  10  0.0461 0.0963 0.479
       B       D  0.196    0.181  10  0.400    0.238  10 -0.2041 0.0946 2.158
       C       D  0.149    0.245  10  0.400    0.238  10 -0.2502 0.1081 2.315
   df     p conf.low conf.high sig.
 12.4 0.940   -0.338    0.4987   ns
 14.7 0.836   -0.309    0.5625   ns
 14.5 0.841   -0.557    0.3100   ns
 16.6 0.963   -0.228    0.3206   ns
 16.8 0.175   -0.473    0.0651   ns
 18.0 0.132   -0.556    0.0553   ns
rm(list = ls())

Planejamento de ANOVA independente unifatorial de Fisher

O tamanho do efeito pode ser expresso por eta ao quadrado de Cohen (\(\eta^2\)).

Boa parte dos valores relatados por Ellis (2010) são originais de Cohen (1992).

Cohen, 1992

Do mesmo trabalho, a tabela 2 indica o planejamento dos estudos:

Esta tabela pode ser reproduzida com as funções do pacote pwr. Por exemplo, para 3 grupos, nivel de significância de 5%, poder de 80%, com tamanho de efeito intermediário, obtemos:

print(pwr::pwr.anova.test(k=3,
                          f=0.25,
                          sig.level=0.05,
                          power=0.8))

     Balanced one-way analysis of variance power calculation 

              k = 3
              n = 52.3966
              f = 0.25
      sig.level = 0.05
          power = 0.8

NOTE: n is number in each group

Para poder de 90%:

print(pwr::pwr.anova.test(k=3,
                          f=0.25,
                          sig.level=0.05,
                          power=0.9))

     Balanced one-way analysis of variance power calculation 

              k = 3
              n = 68.49707
              f = 0.25
      sig.level = 0.05
          power = 0.9

NOTE: n is number in each group

O valor f de Cohen, necessário para esta função, precisa ser calculado em função do tamanho de efeito desejado. Supondo que você esteja mais familiarizado com \(\eta^2\) (igual ao \(R^2\)), a conversão é dada por:

\[ f = \sqrt{\dfrac{\eta^2}{1-\eta^2}} \]

Basta escolher a partir de uma das tabelas o tamanho de efeito que se deseja detectar.

Esta função pode receber os seguintes parâmetros:

pwr.anova.test(k = NULL, n = NULL, f = NULL, sig.level = 0.05, power = NULL)

Nos exemplos acima, o valor dado em n, que não foi fornecido na chamada da função, foi calculado.

Além deste planejamento mais habitual (achar o tamanho da amostra), podemos fornecer quaisquer quatro dos cinco valores, para obter o quinto, considerado como incógnita e calculado. E.g.: suponha que dispomos de 50 pacientes e pretendemos medir tamanho de efeito intermediário, com nível de significância de 5% e poder de 80%:

print(pwr::pwr.anova.test(n=50,
                          f=0.25,
                          sig.level=0.05,
                          power=0.8))

     Balanced one-way analysis of variance power calculation 

              k = 3.268196
              n = 50
              f = 0.25
      sig.level = 0.05
          power = 0.8

NOTE: n is number in each group

Necessitaremos de 3 a 4 grupos. Na verdade, se arredondarmos para 3, o poder será um pouco menor que 80%. Quanto?

print(pwr::pwr.anova.test(n=50,
                          k=3,
                          f=0.25,
                          sig.level=0.05))

     Balanced one-way analysis of variance power calculation 

              k = 3
              n = 50
              f = 0.25
      sig.level = 0.05
          power = 0.7795803

NOTE: n is number in each group

Obteremos poder próximo a 78%.

Tradicionalmente exigia-se, para a ANOVA independente unifatorial sem reamostragem, que a distribuição populacional da variável fosse normal para cada condição e que existisse homocedasticidade entre os grupos. As suposições são:

  • Independência das observações dentro e entre condições: delineamento entreparticipantes.
  • Normalidade da VD se a amostra é pequena (menos de 12 observações em cada grupo).
  • Homocedasticidade da VD se os grupos são desbalanceados.

Normalidade e homocedasticidade podem ser testadas. Quando não eram atendidas, alguns autores recomendam o teste não-paramétrico H de Kruskal-Wallis.

No entanto, este teste não-paramétrico não deve ser usado. O teste de Kruskal-Wallis com VD intervalar não precisa de normalidade, mas precisa de homocedasticidade para testar diferenças de pseudo-medianas; para testar diferença de médias, também precisa de simetria da VD em cada condição independente. Testes não paramétricos não são livres de suposições.

Quando o tamanho da amostra é pequeno e há heterocedasticidade ou desbalanceamento da VD, há alternativas de ANOVA independente unifatorial que podem funcionar: Fisher-White, Welch ou por reamostragem (bootstrapping).

Quando o tamanho da amostra é grande (tamanho de amostra total maior que 30 e menor grupo igual a 12 observações), o teorema central do limite permitirá que ANOVA independente unifatorial sem reamostragem funcionem independentemente da distribuição da VD em cada condição independente.

ANOVA relacionada unifatorial

ANOVA relacionada unifatorial é utilizada quando pelo menos um participante é submetido a pelo menos duas condições experimentais, i.e., um delineamento intraparticipantes. Os dados desse delineamento são chamados de dados longitudinais.

O delineamento com medidas repetidas conduz a uma ANOVA com maior poder.

Neste delineamento intraparticipantes, cada participante pode ser controle de si mesmo. Nos participantes com pelo menos duas condições experimentais, sugere-se que esta ordem de submissão, se possível, seja aleatorizada ou contrabalanceada. Para o cálculo da estatística F, a variância total da VD é particionada entre as variâncias das condições dependentes e dos participantes.

Suposições

As suposições para validade do teste F da ANOVA relacionada unifatorial são:

  • As diferenças dos valores das VD são independentes entre as unidades observacionais.
  • As diferenças dos valores das VD têm distribuição normal multivariada.
  • Esfericidade: homocedasticidade das variâncias das diferenças das VDs (explicações estão em Mauchly’s sphericity test: Wikipedia e Ferrari, Motta-Jr & Siqueira (2017).

“Vale a pena observar que a MANOVA é ainda um teste válido, mesmo com modestas violações na suposição de normalidade, particularmente quando os tamanhos dos grupos são iguais e existe um número razoável de participantes em cada grupo; por “razoável” entendemos que [para um delineamento] completamente intraparticipantes, [deve haver] pelo menos 22 participantes ao todo.”

  • Dancey & Reidy, 2019, p. 472

Exemplo: SNAP-Ed intraparticipantes com 3 condições

Usaremos os mesmos dados do exemplo anterior, mas imaginando que as 20 medidas de ingestão de sódio sejam do mesmo participante, submetido aos três diferentes programas educacionais. Com 20 unidades observacionais no estudo, a normalidade multivariada das três diferenças não pode ser automaticamente assumida.

Brendon, McGuirk e Melissa fazem com que seus alunos do SNAP-Ed mantenham diários do que comem por uma semana e depois calculem a ingestão diária de sódio em miligramas.

Estudantes atenderam os diferentes programas de educação nutricional sucessivamente, cada um deles em uma ordem aleatorizada previamente. Os instrutores querem ver se a ingestão média de sódio é a mesma quando cada um dos três programas foi seguido.

Hipóteses nula e alternativa

O delineamento do estudo é diferente, mas as hipóteses são as mesmas:

\[ \begin{cases} H_0: &\mu_{\text{Brendon}} = \mu_{\text{McGuirk}} = \mu_{\text{Robins}}\\ H_1: &\exists\,\mu_i \ne \mu_j,\quad i \ne j,\quad i,j=1,2,3 \end{cases}\\ \alpha=5\% \]

ANOVA relacionada unifatorial

Dados

O arquivo de dados no formato long é Nutricao3rm.xlsx. Verifique a coluna Student, que foi alterada para indicar o participante nos três programas (compare com Nutricao3.xlsx, usada para ANOVA independente unifatorial).

alfa <- 0.05
Dados <- data.frame(readxl::read_excel("Nutricao3rm.xlsx"))
Dados$Student <- factor(Dados$Student)
Dados$Instructor <- factor(Dados$Instructor,
                           labels=c("Brendon", "McGuirk", "Melissa"))
print(data.frame(Dados))
   Instructor Student Sodium
1     Brendon       a   1200
2     McGuirk       a   1100
3     Melissa       a    900
4     Brendon       b   1400
5     McGuirk       b   1200
6     Melissa       b   1100
7     Brendon       c   1350
8     McGuirk       c   1250
9     Melissa       c   1150
10    Brendon       d    950
11    McGuirk       d   1050
12    Melissa       d    950
13    Brendon       e   1400
14    McGuirk       e   1200
15    Melissa       e   1100
16    Brendon       f   1150
17    McGuirk       f   1250
18    Melissa       f   1150
19    Brendon       g   1300
20    McGuirk       g   1350
21    Melissa       g   1250
22    Brendon       h   1325
23    McGuirk       h   1350
24    Melissa       h   1250
25    Brendon       i   1425
26    McGuirk       i   1325
27    Melissa       i   1225
28    Brendon       j   1500
29    McGuirk       j   1525
30    Melissa       j   1325
31    Brendon       k   1250
32    McGuirk       k   1225
33    Melissa       k   1125
34    Brendon       l   1150
35    McGuirk       l   1125
36    Melissa       l   1025
37    Brendon       m    950
38    McGuirk       m   1000
39    Melissa       m    950
40    Brendon       n   1150
41    McGuirk       n   1125
42    Melissa       n    925
43    Brendon       o   1600
44    McGuirk       o   1400
45    Melissa       o   1200
46    Brendon       p   1300
47    McGuirk       p   1200
48    Melissa       p   1100
49    Brendon       q   1050
50    McGuirk       q   1150
51    Melissa       q    950
52    Brendon       r   1300
53    McGuirk       r   1400
54    Melissa       r   1300
55    Brendon       s   1700
56    McGuirk       s   1500
57    Melissa       s   1400
58    Brendon       t   1300
59    McGuirk       t   1200
60    Melissa       t   1100
saveRDS(Dados, "Nutricao3rm.rds")

GLM e GLMM univariados omnibus

Considere os dois modelos:

# GLMM
fit1 <- lmerTest::lmer(Sodium ~ Instructor + (1 | Student),
                       data = Dados)

car::Anova(fit1,
           test.statistic = "F")

# GLM
fit2 <- lm(Sodium ~ Instructor + Student,
           data = Dados)

car::Anova(fit2,
           type = 2)

No GLMM, o efeito da unidade experimental é representado por um intercepto aleatório:

\[ Y_{ij}=\mu+\alpha_j+b_i+\varepsilon_{ij} \]

com

\[ b_i\sim N(0,\sigma_b^2) \]

No GLM, o efeito da unidade experimental é introduzido como efeito fixo:

\[ Y_{ij}=\mu+\alpha_j+\beta_i+\varepsilon_{ij} \]

Os dois modelos podem produzir o mesmo teste omnibus para Instructor quando o delineamento é completo e perfeitamente balanceado, isto é, quando:

  • cada unidade experimental é observada em todas as \(q\) condições dependentes
  • todas as unidades experimentais possuem o mesmo número de observações
  • não há valores ausentes
  • o GLMM contém apenas intercepto aleatório por unidade experimental
  • a variância residual é homogênea entre as condições
  • não há inclinações aleatórias
  • a estrutura de covariância intraunidade é compatível com a estrutura de intercepto aleatório
  • o teste de interesse é o efeito fixo de Instructor

Nessas condições, o efeito da unidade experimental é removido da comparação entre as condições tanto no GLM quanto no GLMM, e os dois modelos utilizam essencialmente a mesma informação para testar

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_q \]

No GLM perfeitamente balanceado,

\[ \text{df}_E=(n-1)(q-1) \]

No GLMM perfeitamente balanceado, os graus de liberdade obtidos por Satterthwaite ou Kenward–Roger podem coincidir com esse valor.

A equivalência deixa de ser garantida quando há dados ausentes, números diferentes de observações por unidade experimental, heterogeneidade de variâncias, estruturas de covariância mais complexas ou inclinações aleatórias.

Assim, em delineamentos completos e perfeitamente balanceados, o GLM com Student como efeito fixo e o GLMM com (1 | Student) podem fornecer resultados omnibus equivalentes para o efeito de Instructor. Em dados desbalanceados ou com estrutura de dependência mais complexa, o GLMM é mais geral.

Dados <- readRDS("Nutricao3rm.rds")

print(xtabs(~ Instructor + Student, data = Dados))
          Student
Instructor a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t
   Brendon 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   McGuirk 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   Melissa 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
# ============================================================
# GLM: Student como efeito fixo
# ============================================================

cat("\nGLM\n")

GLM
modelo.glm <- stats::lm(
  Sodium ~ Instructor + Student,
  data = Dados
)

# ANOVA tipo II
print(
  car::Anova(
    modelo.glm,
    type = 2
  ),
  digits = 4
)
Anova Table (Type II tests)

Response: Sodium
            Sum Sq Df F value   Pr(>F)    
Instructor  290146  2   30.58 1.22e-08 ***
Student    1307542 19   14.51 5.37e-12 ***
Residuals   180271 38                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# ANOVA sequencial tipo I
print(
  stats::anova(modelo.glm),
  digits = 4
)
Analysis of Variance Table

Response: Sodium
           Df  Sum Sq Mean Sq F value   Pr(>F)    
Instructor  2  290146  145073   30.58 1.22e-08 ***
Student    19 1307542   68818   14.51 5.37e-12 ***
Residuals  38  180271    4744                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# ============================================================
# GLMM: Student como intercepto aleatório
# ============================================================

cat("\nGLMM\n")

GLMM
modelo.glmm <- lmerTest::lmer(
  Sodium ~ Instructor + (1 | Student),
  data = Dados
)
Registered S3 method overwritten by 'lme4':
  method           from
  na.action.merMod car 
# car::Anova: teste F
print(
  car::Anova(
    modelo.glmm,
    type = 2,
    test.statistic = "F"
  ),
  digits = 4
)
Analysis of Deviance Table (Type II Wald F tests with Kenward-Roger df)

Response: Sodium
               F Df Df.res   Pr(>F)    
Instructor 30.58  2     38 1.22e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# Kenward-Roger
# Requer o pacote pbkrtest
print(
  stats::anova(
    modelo.glmm,
    type = 2,
    ddf = "Kenward-Roger"
  ),
  digits = 4
)
Type II Analysis of Variance Table with Kenward-Roger's method
           Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value   Pr(>F)    
Instructor 290146  145073     2    38   30.58 1.22e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# Satterthwaite
print(
  stats::anova(
    modelo.glmm,
    type = 2,
    ddf = "Satterthwaite"
  ),
  digits = 4
)
Type II Analysis of Variance Table with Satterthwaite's method
           Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value   Pr(>F)    
Instructor 290146  145073     2    38   30.58 1.22e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
  • GLMM omnibus e post hoc
          Student
Instructor a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t
   Brendon 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   McGuirk 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   Melissa 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
  Instructor Sodium n_obs.x SodiumNormed   sd n_obs.y   se   ci
1    Brendon   1288      20         1288 91.5      20 20.5 53.7
2    McGuirk   1246      20         1246 47.6      20 10.6 28.0
3    Melissa   1124      20         1124 59.9      20 13.4 35.2


GLMM
ANOVA
Analysis of Deviance Table (Type II Wald F tests with Kenward-Roger df)

Response: Sodium
                F Df Df.res    Pr(>F)    
Instructor 30.581  2     38 1.217e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

RegressionLinear mixed model fit by REML. t-tests use Satterthwaite's method [
lmerModLmerTest]
Formula: Sodium ~ Instructor + (1 | Student)
   Data: Dados

REML criterion at convergence: 704

Scaled residuals: 
     Min       1Q   Median       3Q      Max 
-1.71211 -0.44338 -0.05566  0.54555  2.09262 

Random effects:
 Groups   Name        Variance Std.Dev.
 Student  (Intercept) 21358    146.14  
 Residual              4744     68.88  
Number of obs: 60, groups:  Student, 20

Fixed effects:
                  Estimate Std. Error      df t value Pr(>|t|)    
(Intercept)        1287.50      36.13   24.37  35.639  < 2e-16 ***
InstructorMcGuirk   -41.25      21.78   38.00  -1.894   0.0659 .  
InstructorMelissa  -163.75      21.78   38.00  -7.518 4.95e-09 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Effect size analysis# Effect Size for ANOVA (Type II)

Parameter  | Eta2 (partial) |           95% CI | interpret
----------------------------------------------------------
Instructor |         0.6168 | [0.4041, 0.7388] |     large

Post hoc tests Instructor emmean   SE   df lower.CL upper.CL
 Brendon      1288 36.1 24.4     1213     1362
 McGuirk      1246 36.1 24.4     1172     1321
 Melissa      1124 36.1 24.4     1049     1198

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
 contrast          estimate   SE df lower.CL upper.CL t.ratio p.value
 Brendon - McGuirk     41.2 21.8 38    -13.3     95.8   1.894  0.0659
 Brendon - Melissa    163.8 21.8 38    109.2    218.3   7.518 <0.0001
 McGuirk - Melissa    122.5 21.8 38     67.9    177.1   5.624 <0.0001

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
P value adjustment: holm method for 3 tests 

 Instructor emmean   SE   df lower.CL upper.CL .group
 Melissa      1124 36.1 24.4     1031     1217  a    
 McGuirk      1246 36.1 24.4     1153     1339   b   
 Brendon      1288 36.1 24.4     1195     1380   b   

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 

Graus de liberdade

O arquivo de dados está no formato long: cada linha do arquivo contém uma observação da medida (measure) de cada unidade experimental. Portanto, o número de linhas do arquivo long é \(r = \sum_{i=1}^{n}{q_i}\), sendo \(n\) o número de unidades experimentais e \(q_i\) o número de condições dependentes nas quais a unidade experimental \(i\) foi observada na medida (measure).

No caso particular desse estudo, com arquivo de dados perfeitamente balanceado, \(r=20\times 3=60\).

Sob a hipótese nula \(H_0: \mu_1 = \mu_2 = \cdots = \mu_q\), a estatística de teste F segue uma distribuição F de Fisher-Snedecor com graus de liberdade \(\text{df}_A=q-1\) e \(\text{df}_E=(r-1)-((n-1)+(q-1))\) no numerador e denominador, respectivamente, sendo que \(q\) = número de condições dependentes, \(n\) é o número de unidades experimentais e \(r = \sum_{i=1}^{n}{q_i}\) é o número total de observações da variável dependente (measure) ou número de linhas do arquivo long. Essa expressão pressupõe que o modelo aditivo y ~ Condition + Subject tenha o posto esperado, isto é, que o delineamento seja conectado.

\[ \begin{align} F &\underset{H_0}{\sim} F_{\text{df}_A, \, \text{df}_E}\\ &\underset{H_0}{\sim} F_{q-1, \, (\sum_{i=1}^{n}{q_i}-1)-((n-1)+(q-1))}\\ &\underset{H_0}{\sim} F_{q-1, \, (r-1)-((n-1)+(q-1))}\\ F &\underset{H_0}{\sim} F_{q-1, \, r-n-q+1} \end{align} \]

Como \(r=n\bar q\), sendo que \(\bar q=\frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}{q_i}\), temos exatamente \(\text{df}_E=n(\bar q-1)-(q-1)\). Se \(n(\bar q-1)\gg(q-1)\), então \(\text{df}_E\approx n(\bar q-1)\). Se os dados são perfeitamente balanceados, \(\bar q=q\) e, para \(n\) suficientemente grande, \(\text{df}_E\approx n(q-1)\).

Se os dados são completos (perfeitamente balanceados):

Modelo Linear Geral (GLM): lm:

  • \(\text{df}_E = (n-1)(q-1) = (nq-1)-((n-1)+(q-1))\) exatamente. No estudo do exemplo, \(\text{df}_E = (20-1)(3-1) = (20\times 3-1)-((20-1)+(3-1))=38\).

Modelo Linear Misto (LMM): lmerTest::lmer:

  • \(\text{df}_E\) é aproximado por Satterthwaite ou Kenward–Roger. Não há, em geral, uma expressão algébrica exata para \(\text{df}_E\) equivalente a \((n-1)(q-1)\). No estudo do exemplo, o valor de \(\text{df}_E\) deve ser obtido diretamente do modelo ajustado. Em dados perfeitamente balanceados, as aproximações podem coincidir com \((n-1)(q-1)\).

Para o Modelo Linear Geral com dados completos e perfeitamente balanceados:

\[ \begin{align} F &\sim F_{q-1, \; (nq-1)-((n-1)+(q-1))}\\ F &\sim F_{q-1, \; (n-1)(q-1)} \end{align} \]

Interpretação de \(\text{df}_2\):

No formato long, use \(r\) para o total de observações (número de linhas).

Decomposição geral do número de graus de liberdade de \(\text{df}_2\) no modelo y ~ Condition + Subject:

  • \(\text{df}_{\text{total}} = r - 1\)
  • \(\text{df}_{\text{subject}} = n - 1\)
  • \(\text{df}_{\text{condition}} = q - 1\)
  • \(\text{df}_{\text{residual}} = r - n - q + 1\)

Observe que:

\[ \text{df}_{\text{residual}} = \text{df}_{\text{total}} - (\text{df}_{\text{subject}}+\text{df}_{\text{condition}}) \]

Caso balanceado (cada unidade experimental em todas as \(q\) condições dependentes), \(r=nq\) e então:

\[ \begin{align} \text{df}_{\text{residual}} &= (r-1)-(n-1)-(q-1)\\ &= (nq-1)-(n-1)-(q-1)\\ \text{df}_{\text{residual}} &= (n-1)(q-1) \end{align} \]

DADOS BALANCEADOS
n = 20 
q = 3 
r = 60 
df total                  = 59 
df Subject                = 19 
df Condition              = 2 
df residual: decomposição = 38 
df residual: r-n-q+1      = 38 
df residual: (n-1)(q-1)   = 38 
MODELO LINEAR GERAL: DADOS BALANCEADOS
Anova Table (Type II tests)

Response: measure
           Sum Sq Df F value    Pr(>F)    
Condition  148.37  2   10.19 0.0002863 ***
Subject   1464.86 19   10.59 6.505e-10 ***
Residuals  276.65 38                      
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

df residual fornecido por stats::lm = 38 
Posto da matriz X = 22 
n + q - 1 = 22 
r - rank(X) = 38 
Todas as fórmulas coincidem exatamente.
Sob H0: F ~ F(2, 38)
DADOS DESBALANCEADOS
n = 20 
q = 3 
r = 55 
q médio = 2.75 
df residual pela decomposição        = 33 
df residual por r-n-q+1             = 33 
df residual por n(qbar-1)-(q-1)     = 33 
df aproximado por n(qbar-1)         = 35 
MODELO LINEAR GERAL: DADOS DESBALANCEADOS
Anova Table (Type II tests)

Response: measure
           Sum Sq Df F value    Pr(>F)    
Condition  180.94  2  14.337 3.302e-05 ***
Subject   1286.80 19  10.732 3.447e-09 ***
Residuals  208.24 33                      
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

df residual fornecido por stats::lm = 33 
Posto da matriz X = 22 
n + q - 1 = 22 
r - rank(X) = 33 
MODELO LINEAR MISTO: DADOS BALANCEADOS
Satterthwaite
Type III Analysis of Variance Table with Satterthwaite's method
          Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value    Pr(>F)    
Condition 148.37  74.186     2    38   10.19 0.0002863 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Kenward-Roger
Type III Analysis of Variance Table with Kenward-Roger's method
          Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value    Pr(>F)    
Condition 148.37  74.186     2    38   10.19 0.0002863 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

MODELO LINEAR MISTO: DADOS DESBALANCEADOS
Satterthwaite
Type III Analysis of Variance Table with Satterthwaite's method
          Sum Sq Mean Sq NumDF  DenDF F value   Pr(>F)    
Condition 184.15  92.076     2 33.426  14.602 2.77e-05 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Kenward-Roger
Type III Analysis of Variance Table with Kenward-Roger's method
          Sum Sq Mean Sq NumDF  DenDF F value    Pr(>F)    
Condition 183.74  91.871     2 33.382  14.569 2.829e-05 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

ANOVA relacionada unifatorial perfeitamente balanceada por bootstrapping

As funções WRS2::rmanovab e WRS2::pairdepb realizam a ANOVA relacionada unifatorial perfeitamente balanceada por reamostragem (demo_WRS2_ANOVA_dependente.R).

WRS2::rmanovab(Dados$Sodium, Dados$Instructor, tr=0, Dados$Student, nboot=B)
WRS2::pairdepb(Dados$Sodium, Dados$Instructor, tr=0, Dados$Student, nboot=B)
          Student
Instructor a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t
   Brendon 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   McGuirk 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   Melissa 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

"WRS" bootstrapped repeated measure one-Way ANOVACall:
WRS2::rmanovab(y = Dados$Sodium, groups = Dados$Instructor, blocks = Dados$Student, 
    tr = 0, nboot = B)

Test statistic: 30.5805 
Critical value: 4.0915 
Significant:  TRUE 


"WRS" post hocCall:
WRS2::pairdepb(y = Dados$Sodium, groups = Dados$Instructor, blocks = Dados$Student, 
    tr = 0, nboot = B)

                    psihat  ci.lower ci.upper    test    crit   sig
Brendon vs. McGuirk  41.25 -35.92592 118.4259 1.75616 2.71067 FALSE
Brendon vs. Melissa 163.75  82.40419 245.0958 5.41496 2.71067  TRUE
McGuirk vs. Melissa 122.50  85.28899 159.7110 8.19517 2.71067  TRUE

As conclusões permanecem as mesmas.

Na linguagem do modelo linear geral (GLM), na ANOVA relacionada unifatorial precisamos distinguir medida de variável dependente ou de desfecho: há apenas uma medida (measure) que, em nosso exemplo, é a quantidade de sódio ingerida. As variáveis dependentes (VD) são estas observações da medida em cada condição experimental (os programas de cada instrutor).

Adicionalmente, na execução do teste, buscamos mitigar a dependência das três observações em cada indivíduo, o que é feito pelas diferenças, par-a-par, das observações entre todas as condições às quais cada indivíduo foi submetido. A rigor, as suposições de multinormalidade e de esfericidade poderiam ser feitas sobre estas diferenças.

Note que, no caso da ANOVA independente unifatorial, medida e VD são idênticas: há apenas uma medida, que é a própria VD.

ANOVA relacionada unifatorial desbalanceada

Vamos usar os mesmos dados, mas eliminar uma única observação: removemos uma observação do estudante a na condição Melissa, conforme a planilha Nutricao3rmdesb.xlsx.

alfa <- 0.05

Dados <- data.frame(
  readxl::read_excel("Nutricao3rmdesb.xlsx")
)

Dados$Student <- factor(Dados$Student)

Dados$Instructor <- factor(
  Dados$Instructor,
  labels = c("Brendon", "McGuirk", "Melissa")
)

saveRDS(Dados, "Nutricao3rmdesb.rds")

Com a exclusão de uma observação, o delineamento deixa de ser perfeitamente balanceado. Nesse caso, o GLMM é particularmente útil, pois permite utilizar todas as observações disponíveis sem exigir que cada unidade experimental tenha medidas em todas as condições.

Utilizamos o código R implementado em demo_ANOVA1f_dep_desbalanc_sodio.R.

fit1 <- lmerTest::lmer(
  Sodium ~ Instructor + (1 | Student),
  data = Dados
)

car::Anova(
  fit1,
  test.statistic = "F"
)

fit2 <- stats::lm(
  Sodium ~ Instructor + Student,
  data = Dados
)

car::Anova(
  fit2,
  type = 2
)
  • GLM e GLMM omnibus
source("summarySEwithin2.R")

Dados <- readRDS("Nutricao3rmdesb.rds")

Dados$Student <- factor(Dados$Student)
Dados$Instructor <- factor(Dados$Instructor)

print(
  stats::xtabs(~ Instructor + Student, data = Dados)
)
          Student
Instructor a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t
   Brendon 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   McGuirk 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
   Melissa 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
alfa <- 0.05
g <- nlevels(Dados$Instructor)


# ============================================================
# INTERVALOS DE CONFIANÇA INTRAUNIDADES
# Bonferroni para os g intervalos das médias
# ============================================================

alfaBonf <- alfa/g

ic <- summarySEwithin2(
  Dados,
  measurevar = "Sodium",
  withinvars = "Instructor",
  idvar = "Student",
  na.rm = TRUE,
  conf.interval = 1 - alfaBonf
)

print(ic, digits = 3)
  Instructor Sodium n_obs.x SodiumNormed   sd n_obs.y   se   ci
1    Brendon   1288      20         1289 89.7      20 20.0 52.6
2    McGuirk   1246      20         1247 52.0      20 11.6 30.5
3    Melissa   1136      19         1133 57.8      19 13.3 35.0
grf <- ggplot2::ggplot(
  ic,
  ggplot2::aes(
    x = Instructor,
    y = Sodium
  )
) +
  ggplot2::geom_errorbar(
    width = 0.1,
    ggplot2::aes(
      ymin = Sodium - ci,
      ymax = Sodium + ci
    )
  ) +
  ggplot2::geom_point(
    shape = 21,
    size = 3,
    fill = "white"
  ) +
  ggplot2::ylab("Sodium") +
  ggplot2::ggtitle(
    paste0(
      g,
      " Instructors: Sodium\n",
      "Within-subject CI95% Bonferroni"
    )
  ) +
  ggplot2::theme_bw()

print(grf)

# ============================================================
# GLM
# Student como efeito fixo
# ============================================================

cat("\nGLM\n")

GLM
modelo.glm <- stats::lm(
  Sodium ~ Instructor + Student,
  data = Dados
)

anv.glm <- car::Anova(
  modelo.glm,
  type = 2
)

print(anv.glm, digits = 4)
Anova Table (Type II tests)

Response: Sodium
            Sum Sq Df F value   Pr(>F)    
Instructor  256495  2   27.55 4.71e-08 ***
Student    1262858 19   14.28 1.09e-11 ***
Residuals   172255 37                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# ============================================================
# GLMM
# Student como intercepto aleatório
# ============================================================

cat("\nGLMM\n")

GLMM
modelo.glmm <- lmerTest::lmer(
  Sodium ~ Instructor + (1 | Student),
  data = Dados
)


# ============================================================
# TESTE OMNIBUS GLMM
# Kenward-Roger
# ============================================================

cat("\nANOVA\n")

ANOVA
anv.glmm <- car::Anova(
  modelo.glmm,
  type = 2,
  test.statistic = "F"
)

print(anv.glmm, digits = 4)
Analysis of Deviance Table (Type II Wald F tests with Kenward-Roger df)

Response: Sodium
               F Df Df.res   Pr(>F)    
Instructor 27.36  2  37.06 5.04e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# ============================================================
# REGRESSÃO GLMM
# ============================================================

cat("\nRegression\n")

Regression
print(
  summary(
    modelo.glmm,
    correl = FALSE
  )
)
Linear mixed model fit by REML. t-tests use Satterthwaite's method [
lmerModLmerTest]
Formula: Sodium ~ Instructor + (1 | Student)
   Data: Dados

REML criterion at convergence: 691.2

Scaled residuals: 
    Min      1Q  Median      3Q     Max 
-1.7013 -0.4632 -0.0990  0.5474  2.1420 

Random effects:
 Groups   Name        Variance Std.Dev.
 Student  (Intercept) 20846    144.38  
 Residual              4654     68.22  
Number of obs: 59, groups:  Student, 20

Fixed effects:
                  Estimate Std. Error      df t value Pr(>|t|)    
(Intercept)        1287.50      35.71   24.34  36.057  < 2e-16 ***
InstructorMcGuirk   -41.25      21.57   37.03  -1.912   0.0636 .  
InstructorMelissa  -157.51      21.98   37.12  -7.166 1.68e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
# ============================================================
# TAMANHO DE EFEITO GLMM
# ============================================================

cat("\nEffect size analysis\n")

Effect size analysis
eta2 <- effectsize::eta_squared(
  anv.glmm,
  partial = TRUE,
  generalized = FALSE,
  ci = 1 - alfa,
  alternative = "two.sided",
  verbose = TRUE
)

print(eta2, digits = 4)
# Effect Size for ANOVA (Type II)

Parameter  | Eta2 (partial) |           95% CI
----------------------------------------------
Instructor |         0.5962 | [0.3729, 0.7253]
# ============================================================
# MÉDIAS MARGINAIS ESTIMADAS
# ============================================================

cat("\nEstimated marginal means\n")

Estimated marginal means
emm <- emmeans::emmeans(
  modelo.glmm,
  specs = ~ Instructor,
  lmer.df = "satterthwaite",
  lmerTest.limit = nrow(Dados)
)

print(
  summary(
    emm,
    infer = c(TRUE, FALSE),
    level = 1 - alfa
  )
)
 Instructor emmean   SE   df lower.CL upper.CL
 Brendon      1288 35.7 24.3     1214     1361
 McGuirk      1246 35.7 24.3     1173     1320
 Melissa      1130 36.0 24.9     1056     1204

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
# ============================================================
# TESTES POST HOC
# ============================================================

cat("\nPost hoc tests\n")

Post hoc tests
contrastes <- emmeans::contrast(
  emm,
  method = "pairwise"
)

# Valores p ajustados por Holm
print(
  summary(
    contrastes,
    infer = c(FALSE, TRUE),
    adjust = "holm"
  )
)
 contrast          estimate   SE   df t.ratio p.value
 Brendon - McGuirk     41.2 21.6 37.0   1.912  0.0636
 Brendon - Melissa    157.5 22.0 37.1   7.166 <0.0001
 McGuirk - Melissa    116.3 22.0 37.1   5.289 <0.0001

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
# Intervalos de confiança simultâneos de Bonferroni
print(
  stats::confint(
    contrastes,
    level = 1 - alfa,
    adjust = "bonferroni"
  )
)
 contrast          estimate   SE   df lower.CL upper.CL
 Brendon - McGuirk     41.2 21.6 37.0    -12.8     95.3
 Brendon - Melissa    157.5 22.0 37.1    102.4    212.6
 McGuirk - Melissa    116.3 22.0 37.1     61.1    171.4

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
# ============================================================
# GRÁFICOS DAS MÉDIAS MARGINAIS E DOS CONTRASTES
# ============================================================

print(
  plot(
    emm,
    colors = "black"
  ) +
    ggplot2::theme_bw()
)

print(
  plot(
    contrastes,
    colors = "black",
    adjust = "bonferroni"
  ) +
    ggplot2::theme_bw()
)

# ============================================================
# COMPACT LETTER DISPLAY
# ============================================================

print(
  multcomp::cld(
    object = emm,
    level = 1 - alfa,
    adjust = "holm",
    Letters = letters,
    alpha = alfa
  )
)
 Instructor emmean   SE   df lower.CL upper.CL .group
 Melissa      1130 36.0 24.9     1038     1222  a    
 McGuirk      1246 35.7 24.3     1154     1338   b   
 Brendon      1288 35.7 24.3     1196     1379   b   

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 3 estimates 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 
# ============================================================
# COMPARAÇÃO FINAL: GLM versus GLMM
# ============================================================

tab.glm <- as.data.frame(anv.glm)
tab.glmm <- as.data.frame(anv.glmm)

F.glm <- tab.glm["Instructor", "F value"]
df1.glm <- tab.glm["Instructor", "Df"]
df2.glm <- stats::df.residual(modelo.glm)
p.glm <- tab.glm["Instructor", "Pr(>F)"]

F.glmm <- tab.glmm["Instructor", "F"]
df1.glmm <- tab.glmm["Instructor", "Df"]
df2.glmm <- tab.glmm["Instructor", "Df.res"]
p.glmm <- tab.glmm["Instructor", "Pr(>F)"]

Comparacao <- data.frame(
  "Modelo" = c("GLM", "GLMM"),
  "Student" = c("Efeito fixo", "Intercepto aleatório"),
  "F" = c(F.glm, F.glmm),
  "df1" = c(df1.glm, df1.glmm),
  "df2" = c(df2.glm, df2.glmm),
  "p" = c(p.glm, p.glmm),
  check.names = FALSE
)

cat("\nCOMPARAÇÃO GLM versus GLMM\n")

COMPARAÇÃO GLM versus GLMM
print(
  Comparacao,
  row.names = FALSE,
  digits = 4
)
 Modelo              Student     F df1   df2         p
    GLM          Efeito fixo 27.55   2 37.00 4.714e-08
   GLMM Intercepto aleatório 27.36   2 37.06 5.043e-08

No GLM, Student é tratado como efeito fixo e, com dados desbalanceados, utilizamos car::Anova(type=2) para que o teste de Instructor não dependa da ordem dos termos no modelo.

No GLMM, Student é tratado como intercepto aleatório. Os graus de liberdade do denominador são aproximados por Kenward–Roger ou Satterthwaite, permitindo acomodar o desbalanceamento decorrente da observação ausente.

A ANOVA relacionada unifatorial desbalanceada feita com o pacote WRS2 funcionou apenas parcialmente. O teste omnibus com WRS2::rmanovab() funciona, mas o teste post hoc com WRS2::pairdepb() não completa a análise para esses dados desbalanceados.

Comparação entre GLM e GLMM com dados desbalanceados

Com uma observação ausente, o delineamento deixa de ser perfeitamente balanceado e a equivalência exata entre GLM e GLMM deixa de ser garantida.

No GLM,

Sodium ~ Instructor + Student

Student é tratado como efeito fixo e o número de graus de liberdade residual é exato:

\[ \text{df}_E=r-n-q+1=59-20-3+1=37 \]

O teste omnibus fornece

\[ F(2,37)=27.55 \qquad p<0.0001 \]

No GLMM,

Sodium ~ Instructor + (1 | Student)

Student é tratado como efeito aleatório e os graus de liberdade do denominador são aproximados por Satterthwaite ou Kenward–Roger. Neste exemplo, Kenward–Roger fornece

\[ F(2,37.06)=27.36 \qquad p<0.0001 \]

Os resultados são muito próximos:

Modelo Student \(F\) \(\text{df}_1\) \(\text{df}_2\) \(p\)
GLM efeito fixo 27.55 2 37.00 \(4.714\times10^{-8}\)
GLMM intercepto aleatório 27.36 2 37.06 \(5.043\times10^{-8}\)

A perda de uma única observação produz, portanto, apenas uma pequena diferença entre os resultados dos dois modelos. No GLM, \(\text{df}_2=37\) é determinado exatamente pela decomposição dos graus de liberdade; no GLMM, \(\text{df}_2=37.06\) é aproximado por Kenward–Roger.

O GLMM também estima separadamente a variabilidade entre estudantes e a variabilidade residual:

\[ \hat\sigma^2_{\text{Student}}=20846 \qquad \hat\sigma^2_E=4654 \]

Ambos os modelos utilizam as 59 observações disponíveis. Entretanto, o GLMM é mais geral porque modela explicitamente a dependência intraestudante por meio do efeito aleatório e permite extensões para estruturas de dependência mais complexas.

O teste omnibus indica diferença entre os instrutores nos dois modelos. No GLMM, as comparações post hoc com correção de Holm mostram que Melissa apresenta ingestão média de sódio menor que Brendon e McGuirk, enquanto Brendon e McGuirk não diferem significantemente.

Assim, com desbalanceamento pequeno, GLM e GLMM produzem resultados praticamente equivalentes neste exemplo, embora essa equivalência não seja garantida para desbalanceamentos maiores ou estruturas de covariância mais complexas.

Exemplo de relatório para a ANOVA relacionada unifatorial

Vinte participantes foram selecionados para um estudo com delineamento intrapartipantes com três condições experimentais. A ordem de aplicação das três condições experimentais em cada participante foi aleatorizada. As médias amostrais brutas mostram que menor ingestão diária média de sódio foi observada entre estudantes submetidos ao programa aplicado por Melissa Robins. A ingestão diária média de sódio dos estudantes de Brendon e McGuirk são semelhantes. A ANOVA relacionada unifatorial por meio do modelo linear misto geral (lmerTest::lmer) rejeitou a hipótese nula omnibus, pois a estatística de teste observada é F(2,37.1) = 27.369 e o valor p associado é igual a \(1.22 \times 10^{-8}\). O tamanho do efeito do fator intraparticipantes Instructor é estimado pelo eta ao quadrado de Cohen cujo valor indica que 62% da variância da ingesta de sódio é explicada pelo efeito do fator fixo Instructor. A análise post-hoc confirmou que as diferenças das médias populacionais entre entre os programas adotados por Melissa e Brendon, e entre os adotados por Melissa e McGuirk são estatisticamente significantes. Não se observou diferença estatisticamente significante entre os programas adotados por Brendon e McGuirk.

Para aprofundar em métodos para resolver ANOVA relacionada, há oito possibilidades discutidas em Keselman et al. (2001).

Análise de curva de crescimento

  • Johnson & Wichern (2007)

Quando a estatura de uma criança pequena é medida a cada aniversário, os pontos podem ser plotados e conectados por linhas para produzir um gráfico. Isso é um exemplo de uma curva de crescimento. Em geral, medições repetidas da mesma característica na mesma unidade observacional ou participante podem dar origem a uma curva de crescimento se for esperado um padrão crescente, decrescente ou até mesmo crescente seguido de decrescente.

Exemplo: Curva de crescimento de ursa do Alasca

O Departamento de Pesca e Caça do Alasca monitora urso-cinzento ou pardo (Ursus arctos horribilis) com o objetivo de manter uma população saudável. Os ursos são anestesiados com um dardo para induzir o sono e pesados em uma balança suspensa em um tripé. Medidas de comprimento são feitas com uma fita métrica de aço. A Tabela 1.4 fornece as massas corporais totais (Wt) em quilograma e os comprimentos (Length) em centímetro de sete ursos fêmeas nas idades de 2, 3, 4 e 5 anos.

Tabela 1.4 Dados de Ursas

Ursa Wt2 Wt3 Wt4 Wt5 Lngth2 Lngth3 Lngth4 Lngth5
1 48 59 95 82 141 157 168 183
2 59 68 102 102 140 168 174 170
3 61 77 93 107 145 162 172 177
4 54 43 104 104 146 159 176 171
5 45 66 84 112 150 158 168 175
6 68 82 95 118 142 140 178 189
7 68 95 109 111 139 171 176 175

Primeiro, para cada ursa, plotamos os pesos em relação às idades e, em seguida, conectamos os pesos nos anos sucessivos por linhas retas. Isso dá uma aproximação da curva de crescimento para a massa corporal total.

No campo, os ursos são pesados em uma balança que indica libras.

Por ser difícil inspecionar visualmente as curvas de crescimento individuais em um gráfico combinado, as curvas individuais devem ser plotadas novamente em um arranjo onde semelhanças e diferenças sejam facilmente observadas. Algumas curvas de crescimento parecem lineares, enquanto outras são não lineares.

A ursa 6 parece ter ficado menor dos 2 aos 3 anos de idade, mas o pesquisador sabe que a medição do comprimento com uma fita de aço pode ser afetada pela postura da ursa quando sedada.

Pessoa (2008) usa a estrutura de dados de série temporal (dados equiespaçados) para plotar a curva de crescimento de cada ursa. Este não é método geral, pois os dados da curva de crescimento podem ser não equiespaçados.

Os intervalos de confiança de Mirnam (2014) são incorretos, pois são intervalos para delineamento entre participantes e sem correção de Bonferroni. Os intervalos de confiança têm que ser adequados ao delineamento intraparticipantes (i.e., com medidas repetidas).

source("summarySEwithin2.R")
suppressMessages(suppressWarnings(
  invisible(Sys.setlocale("LC_ALL", "pt_BR.UTF-8"))))
# Growth Curve Analysis and Visualization Using R - Mirman - 2014
Year <- rep(2:5, each = 7)
Bear <- rep(1:7, 4)
Wt2 <- c(48, 59, 61, 54, 45, 68, 68)
Wt3 <- c(59, 68, 77, 43, 66, 82, 95)
Wt4 <- c(95, 102, 93, 104, 84, 95, 109)
Wt5 <- c(82, 102, 107, 104, 112, 118, 111)
Wt <- c(Wt2, Wt3, Wt4, Wt5)
Lngth2 <- c(141, 140, 145, 146, 150, 142, 139)
Lngth3 <- c(157, 168, 162, 159, 158, 140, 171)
Lngth4 <- c(168, 174, 172, 176, 168, 178, 176)
Lngth5 <- c(183, 170, 177, 171, 175, 189, 175)
Lngth <- c(Lngth2, Lngth3, Lngth4, Lngth5)
dados_ursas <- data.frame(Year, Bear, Wt, Lngth)
dados_ursas$Bear <- factor(dados_ursas$Bear)

print(car::some(dados_ursas))
   Year Bear  Wt Lngth
2     2    2  59   140
3     2    3  61   145
5     2    5  45   150
6     2    6  68   142
15    4    1  95   168
16    4    2 102   174
18    4    4 104   176
20    4    6  95   178
27    5    6 118   189
28    5    7 111   175
print(xtabs(~Year+Bear, data=dados_ursas))
    Bear
Year 1 2 3 4 5 6 7
   2 1 1 1 1 1 1 1
   3 1 1 1 1 1 1 1
   4 1 1 1 1 1 1 1
   5 1 1 1 1 1 1 1
#knitr::kable(dados_ursas, caption="Dados de Ursas")
ggplot2::ggplot(dados_ursas, 
                ggplot2::aes(Year, Wt, linetype=Bear)) +
  ggplot2::geom_line() +
  ggplot2::geom_point() + 
  ggplot2::theme_bw(base_size = 10) +
  ggplot2::facet_wrap(~ Bear)

ggplot2::ggsave("BearWtSep.png", width=3, height=3, dpi=300)
ggplot2::ggplot(dados_ursas, 
                ggplot2::aes(Year, Lngth, linetype=Bear)) +
  ggplot2::geom_line() +
  ggplot2::geom_point() +
  ggplot2::theme_bw(base_size = 10) +
  ggplot2::facet_wrap(~ Bear)

ggplot2::ggplot(dados_ursas, 
                ggplot2::aes(Year, Wt, linetype=Bear)) +
  ggplot2::geom_line() +
  ggplot2::geom_point() +
  ggplot2::theme_bw(base_size = 10)

ggplot2::ggplot(dados_ursas, 
                ggplot2::aes(Year, Lngth, linetype=Bear)) +
  ggplot2::geom_line() +
  ggplot2::geom_point() + 
  ggplot2::theme_bw(base_size = 10)

alfa <- 0.05
q <- nlevels(factor(dados_ursas$Year))
alfaBonf <- alfa/q
ic <- summarySEwithin2(dados_ursas, 
                       measurevar="Wt", 
                       withinvars="Year",
                       idvar="Bear", 
                       na.rm=TRUE,
                       conf.interval=1-alfaBonf)
Automatically converting to factor: Year
print(ic, digits=3)
  Year    Wt n_obs.x WtNormed    sd n_obs.y   se    ci
1    2  57.6       7     57.6  4.04       7 1.53  5.38
2    3  70.0       7     70.0 11.70       7 4.42 15.57
3    4  97.4       7     97.4 10.35       7 3.91 13.78
4    5 105.1       7    105.1  9.52       7 3.60 12.67
grf <- ggplot2::ggplot(ic, 
                       ggplot2::aes(x=Year, 
                                    y=Wt)) +
  ggplot2::geom_errorbar(width=.1, 
                         ggplot2::aes(ymin=Wt-ci, 
                                      ymax=Wt+ci)) +
  ggplot2::geom_point(shape=21, 
                      size=3, 
                      fill="white") +
  ggplot2::ylab("Weight") +
  ggplot2::ggtitle("7 Female Bear: Weight\nWithin-subject CI95 Bonferroni") +
  ggplot2::theme_bw()
print(grf, digits=3)

ic <- summarySEwithin2(dados_ursas, 
                       measurevar="Lngth", 
                       withinvars="Year",
                       idvar="Bear", 
                       na.rm=TRUE, 
                       conf.interval=
                         1-alfaBonf)
Automatically converting to factor: Year
print(ic, digits=3)
  Year Lngth n_obs.x LngthNormed    sd n_obs.y   se    ci
1    2   143       7         143  4.99       7 1.89  6.65
2    3   159       7         159 10.70       7 4.04 14.24
3    4   173       7         173  4.43       7 1.67  5.89
4    5   177       7         177  8.37       7 3.16 11.14
grf <- ggplot2::ggplot(ic, 
                       ggplot2::aes(x=Year, 
                                    y=Lngth)) +
  ggplot2::geom_errorbar(width=.1, 
                         ggplot2::aes(ymin=Lngth-ci, 
                                      ymax=Lngth+ci)) +
  ggplot2::geom_point(shape=21, 
                      size=3, 
                      fill="white") +
  ggplot2::ylab("Length") +
  ggplot2::ggtitle("7 Female Bear: Length\nWithin-subject CI95 Bonferroni") +
  ggplot2::theme_bw()
print(grf)

cat("\nGLMM: Weight")

GLMM: Weight
modelo <- lmerTest::lmer(Wt ~ factor(Year) + (1|Bear), 
                         data=dados_ursas)
cat("\nRegression")

Regression
print(summary(modelo, correl=FALSE))
Linear mixed model fit by REML. t-tests use Satterthwaite's method [
lmerModLmerTest]
Formula: Wt ~ factor(Year) + (1 | Bear)
   Data: dados_ursas

REML criterion at convergence: 190.7

Scaled residuals: 
    Min      1Q  Median      3Q     Max 
-2.4063 -0.3574  0.1039  0.5184  1.6687 

Random effects:
 Groups   Name        Variance Std.Dev.
 Bear     (Intercept) 53.40    7.307   
 Residual             87.78    9.369   
Number of obs: 28, groups:  Bear, 7

Fixed effects:
              Estimate Std. Error     df t value Pr(>|t|)    
(Intercept)     57.571      4.491 16.793  12.820 4.26e-10 ***
factor(Year)3   12.429      5.008 18.000   2.482   0.0232 *  
factor(Year)4   39.857      5.008 18.000   7.959 2.64e-07 ***
factor(Year)5   47.571      5.008 18.000   9.499 1.96e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
cat("\nANOVA\n")

ANOVA
print(anv <- car::Anova(modelo,
                        test.statistic="F"))
Analysis of Deviance Table (Type II Wald F tests with Kenward-Roger df)

Response: Wt
                  F Df Df.res    Pr(>F)    
factor(Year) 40.224  3     18 3.464e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modelo, ddf = "Kenward-Roger"), digits=4) # necessita do pbkrtest instalado
Type III Analysis of Variance Table with Kenward-Roger's method
             Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value   Pr(>F)    
factor(Year)  10593    3531     3    18   40.22 3.46e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modelo, ddf = "Satterthwaite"), digits=4)
Type III Analysis of Variance Table with Satterthwaite's method
             Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value   Pr(>F)    
factor(Year)  10593    3531     3    18   40.22 3.46e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
cat("\nGLM")

GLM
modeloGLM <- lm(Wt ~ factor(Year) + Bear, 
             data=dados_ursas)
print(car::Anova(modeloGLM), digits=4)
Anova Table (Type II tests)

Response: Wt
             Sum Sq Df F value   Pr(>F)    
factor(Year)  10593  3  40.224 3.46e-08 ***
Bear           1808  6   3.433   0.0194 *  
Residuals      1580 18                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modeloGLM), digits=4)
Analysis of Variance Table

Response: Wt
             Df Sum Sq Mean Sq F value   Pr(>F)    
factor(Year)  3  10593    3531  40.224 3.46e-08 ***
Bear          6   1808     301   3.433   0.0194 *  
Residuals    18   1580      88                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
cat("\nEffect size analysis")

Effect size analysis
eta2 <- effectsize::eta_squared(anv,
                                partial=TRUE,
                                generalized=FALSE,
                                ci=1-alfa,
                                alternative="two.sided",
                                verbose=TRUE)
#eta2$interpret <- effectsize::interpret_eta_squared(eta2$Eta2)
print(eta2, digits=4)
# Effect Size for ANOVA (Type II)

Parameter    | Eta2 (partial) |           95% CI
------------------------------------------------
factor(Year) |         0.8702 | [0.7167, 0.9254]
cat("\nPost hoc tests")

Post hoc tests
cat("Teste post hoc: Pairwise")
Teste post hoc: Pairwise
emm <- emmeans::emmeans(modelo, 
                        specs=pairwise~Year, 
                        adjust="holm",
                        level=1-alfa,
                        lmer.df="satterthwaite",
                        lmerTest.limit=nrow(dados_ursas))
print(summary(emm$emmeans))
 Year emmean   SE   df lower.CL upper.CL
    2   57.6 4.49 16.8     48.1     67.1
    3   70.0 4.49 16.8     60.5     79.5
    4   97.4 4.49 16.8     87.9    106.9
    5  105.1 4.49 16.8     95.7    114.6

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
print(summary(emm$contrasts, infer=TRUE))
 contrast      estimate   SE df lower.CL upper.CL t.ratio p.value
 Year2 - Year3   -12.43 5.01 18    -27.3     2.41  -2.482  0.0463
 Year2 - Year4   -39.86 5.01 18    -54.7   -25.02  -7.959 <0.0001
 Year2 - Year5   -47.57 5.01 18    -62.4   -32.73  -9.499 <0.0001
 Year3 - Year4   -27.43 5.01 18    -42.3   -12.59  -5.477  0.0001
 Year3 - Year5   -35.14 5.01 18    -50.0   -20.31  -7.017 <0.0001
 Year4 - Year5    -7.71 5.01 18    -22.6     7.12  -1.540  0.1409

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 6 estimates 
P value adjustment: holm method for 6 tests 
print(plot(emm$emmeans, 
           xlab="emmeans: Weight",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(plot(emm$contrasts, 
           xlab="estimate: Weight",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(multcomp::cld(object=emm$emmeans,
                    level=1-alfa,
                    adjust="holm",
                    Letters=letters,
                    alpha=alfa))
 Year emmean   SE   df lower.CL upper.CL .group
    2   57.6 4.49 16.8     45.0     70.1  a    
    3   70.0 4.49 16.8     57.4     82.6   b   
    4   97.4 4.49 16.8     84.9    110.0    c  
    5  105.1 4.49 16.8     92.6    117.7    c  

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 4 estimates 
P value adjustment: holm method for 6 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 
cat("Teste post hoc: Dunnett")
Teste post hoc: Dunnett
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  # by="Grupo",
                                  method="trt.vs.ctrl", 
                                  ref="Year2",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast      estimate   SE df t.ratio p.value
 Year3 - Year2     12.4 5.01 18   2.482  0.0232
 Year4 - Year2     39.9 5.01 18   7.959 <0.0001
 Year5 - Year2     47.6 5.01 18   9.499 <0.0001

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Weight",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("Teste post hoc: Consecutivo")
Teste post hoc: Consecutivo
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  # by="Grupo",
                                  method = "consec",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast      estimate   SE df t.ratio p.value
 Year3 - Year2    12.43 5.01 18   2.482  0.0463
 Year4 - Year3    27.43 5.01 18   5.477  0.0001
 Year5 - Year4     7.71 5.01 18   1.540  0.1409

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Weight",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("Teste post hoc: curvas polinomiais de graus 1, 2 e 3")
Teste post hoc: curvas polinomiais de graus 1, 2 e 3
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  #by="Grupo",
                                  method="poly",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast  estimate    SE df t.ratio p.value
 linear      170.14 15.80 18  10.743 <0.0001
 quadratic    -4.71  7.08 18  -0.666  0.5141
 cubic       -34.71 15.80 18  -2.192  0.0835

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Weight",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("\nGLMM: Length")

GLMM: Length
modelo <- lmerTest::lmer(Lngth ~ factor(Year) + (1|Bear), 
                         data=dados_ursas)
boundary (singular) fit: see help('isSingular')
cat("\nRegression")

Regression
print(summary(modelo, correl=FALSE))
Linear mixed model fit by REML. t-tests use Satterthwaite's method [
lmerModLmerTest]
Formula: Lngth ~ factor(Year) + (1 | Bear)
   Data: dados_ursas

REML criterion at convergence: 166.8

Scaled residuals: 
    Min      1Q  Median      3Q     Max 
-2.9039 -0.3818 -0.1076  0.4302  1.7854 

Random effects:
 Groups   Name        Variance Std.Dev.
 Bear     (Intercept)  0.00    0.000   
 Residual             44.11    6.641   
Number of obs: 28, groups:  Bear, 7

Fixed effects:
              Estimate Std. Error     df t value Pr(>|t|)    
(Intercept)     143.29       2.51  24.00  57.082  < 2e-16 ***
factor(Year)3    16.00       3.55  24.00   4.507 0.000145 ***
factor(Year)4    29.86       3.55  24.00   8.411 1.29e-08 ***
factor(Year)5    33.86       3.55  24.00   9.537 1.23e-09 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
optimizer (nloptwrap) convergence code: 0 (OK)
boundary (singular) fit: see help('isSingular')
cat("\nANOVA\n")

ANOVA
print(anv <- car::Anova(modelo,
                        test.statistic="F"))
Analysis of Deviance Table (Type II Wald F tests with Kenward-Roger df)

Response: Lngth
                  F Df Df.res    Pr(>F)    
factor(Year) 37.304  3     18 6.204e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modelo, ddf = "Kenward-Roger"), digits=4) # necessita do pbkrtest instalado
Type III Analysis of Variance Table with Kenward-Roger's method
             Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value  Pr(>F)    
factor(Year)   4936    1645     3    18    37.3 6.2e-08 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modelo, ddf = "Satterthwaite"), digits=4)
Type III Analysis of Variance Table with Satterthwaite's method
             Sum Sq Mean Sq NumDF DenDF F value   Pr(>F)    
factor(Year)   4936    1645     3    24    37.3 3.39e-09 ***
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
cat("\nGLM")

GLM
modeloGLM <- lm(Lngth ~ factor(Year) + Bear, 
                data=dados_ursas)
print(car::Anova(modeloGLM), digits=4)
Anova Table (Type II tests)

Response: Lngth
             Sum Sq Df F value   Pr(>F)    
factor(Year)   4936  3  28.730 4.44e-07 ***
Bear             28  6   0.081    0.997    
Residuals      1031 18                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modeloGLM), digits=4)
Analysis of Variance Table

Response: Lngth
             Df Sum Sq Mean Sq F value   Pr(>F)    
factor(Year)  3   4936  1645.4  28.730 4.44e-07 ***
Bear          6     28     4.6   0.081    0.997    
Residuals    18   1031    57.3                     
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
cat("\nEffect size analysis")

Effect size analysis
eta2 <- effectsize::eta_squared(anv,
                                partial=TRUE,
                                generalized=FALSE,
                                ci=1-alfa,
                                alternative="two.sided",
                                verbose=TRUE)
#eta2$interpret <- effectsize::interpret_eta_squared(eta2$Eta2)
print(eta2, digits=4)
# Effect Size for ANOVA (Type II)

Parameter    | Eta2 (partial) |           95% CI
------------------------------------------------
factor(Year) |         0.8614 | [0.6980, 0.9203]
cat("\nPost hoc tests")

Post hoc tests
cat("Teste post hoc: Pairwise")
Teste post hoc: Pairwise
emm <- emmeans::emmeans(modelo, 
                        specs=pairwise~Year, 
                        adjust="holm",
                        level=1-alfa,
                        lmer.df="satterthwaite",
                        lmerTest.limit=nrow(dados_ursas))
print(summary(emm$emmeans))
 Year emmean   SE df lower.CL upper.CL
    2    143 2.51 24      138      148
    3    159 2.51 24      154      164
    4    173 2.51 24      168      178
    5    177 2.51 24      172      182

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
print(summary(emm$contrasts, infer=TRUE))
 contrast      estimate   SE df lower.CL upper.CL t.ratio p.value
 Year2 - Year3    -16.0 3.55 24    -26.2    -5.79  -4.507  0.0004
 Year2 - Year4    -29.9 3.55 24    -40.1   -19.65  -8.411 <0.0001
 Year2 - Year5    -33.9 3.55 24    -44.1   -23.65  -9.537 <0.0001
 Year3 - Year4    -13.9 3.55 24    -24.1    -3.65  -3.903  0.0013
 Year3 - Year5    -17.9 3.55 24    -28.1    -7.65  -5.030  0.0002
 Year4 - Year5     -4.0 3.55 24    -14.2     6.21  -1.127  0.2710

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 6 estimates 
P value adjustment: holm method for 6 tests 
print(plot(emm$emmeans, 
           xlab="emmeans: Length",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(plot(emm$contrasts, 
           xlab="estimate: Length",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

print(multcomp::cld(object=emm$emmeans,
                    level=1-alfa,
                    adjust="holm",
                    Letters=letters,
                    alpha=alfa))
 Year emmean   SE df lower.CL upper.CL .group
    2    143 2.51 24      137      150  a    
    3    159 2.51 24      153      166   b   
    4    173 2.51 24      166      180    c  
    5    177 2.51 24      170      184    c  

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
Confidence level used: 0.95 
Conf-level adjustment: bonferroni method for 4 estimates 
P value adjustment: holm method for 6 tests 
significance level used: alpha = 0.05 
NOTE: If two or more means share the same grouping symbol,
      then we cannot show them to be different.
      But we also did not show them to be the same. 
cat("Teste post hoc: Dunnett")
Teste post hoc: Dunnett
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  # by="Grupo",
                                  method="trt.vs.ctrl", 
                                  ref="Year2",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast      estimate   SE df t.ratio p.value
 Year3 - Year2     16.0 3.55 24   4.507  0.0001
 Year4 - Year2     29.9 3.55 24   8.411 <0.0001
 Year5 - Year2     33.9 3.55 24   9.537 <0.0001

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Length",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("Teste post hoc: Consecutivo")
Teste post hoc: Consecutivo
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  # by="Grupo",
                                  method = "consec",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast      estimate   SE df t.ratio p.value
 Year3 - Year2     16.0 3.55 24   4.507  0.0004
 Year4 - Year3     13.9 3.55 24   3.903  0.0013
 Year5 - Year4      4.0 3.55 24   1.127  0.2710

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Length",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("Teste post hoc: curvas polinomiais de graus 1, 2 e 3")
Teste post hoc: curvas polinomiais de graus 1, 2 e 3
EMM.contrast <- emmeans::contrast(object=emm, 
                                  #by="Grupo",
                                  method="poly",
                                  adjust="holm",
                                  level=1-alfa)
print(EMM.contrast)
 contrast  estimate    SE df t.ratio p.value
 linear      115.43 11.20 24  10.282 <0.0001
 quadratic   -12.00  5.02 24  -2.390  0.0501
 cubic        -7.71 11.20 24  -0.687  0.4986

Degrees-of-freedom method: satterthwaite 
P value adjustment: holm method for 3 tests 
print(plot(EMM.contrast,
           xlab="estimate: Length",
           colors="black") + ggplot2::theme_bw())

cat("\nGLM multivariado")

GLM multivariado
modelo <- lm(cbind(Wt,Lngth)  ~ factor(Year) + Bear, 
             data=dados_ursas)
print(car::Anova(modelo), digits=4)

Type II MANOVA Tests: Pillai test statistic
             Df test stat approx F num Df den Df  Pr(>F)    
factor(Year)  3    1.0314    6.390      6     36 0.00012 ***
Bear          6    0.5525    1.145     12     36 0.35715    
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(anova(modelo), digits=4)
Analysis of Variance Table

             Df Pillai approx F num Df den Df  Pr(>F)    
(Intercept)   1 0.9988     7262      2     17 < 2e-16 ***
factor(Year)  3 1.0314        6      6     36 0.00012 ***
Bear          6 0.5525        1     12     36 0.35715    
Residuals    18                                          
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Lógica estatística da estatística de teste F

Considere um delineamento entre participantes com \(g\geq3\) condições independentes e perfeitamente balanceado, com \(n\) unidades experimentais em cada condição. Portanto, o tamanho amostral total é

\[ N=gn \]

A ANOVA unifatorial compara duas formas de estimar a variância populacional \(\sigma^2\) da variável dependente.

A ideia básica é estimar \(\sigma^2\) por dois métodos diferentes: um que não depende da veracidade de \(H_0\) e outro que depende.

Se todas as condições tiverem a mesma média populacional,

\[ H_0:\mu_1=\mu_2=\cdots=\mu_g \]

as duas estimativas de \(\sigma^2\) deverão ser próximas. Se as médias populacionais diferirem, a estimativa baseada na variabilidade entre as médias amostrais tenderá a ser maior.

Uma primeira forma de estimar \(\sigma^2\), independentemente da veracidade de \(H_0\), consiste em calcular a variância amostral da variável dependente em cada condição,

\[ S_1^2,S_2^2,\ldots,S_g^2 \]

e, como o delineamento é perfeitamente balanceado, tomar a média dessas variâncias:

\[ \hat{\sigma}_{\text{dentro}}^2 = \overline{S^2} = \dfrac{1}{g}\sum_{i=1}^{g}S_i^2 \]

Essa estimativa não depende da veracidade de \(H_0\) e reflete a variabilidade amostral dentro de cada condição independente.

Considere agora as \(g\) médias amostrais,

\[ \bar X_1,\bar X_2,\ldots,\bar X_g \]

Como cada condição contém \(n\) unidades experimentais independentes,

\[ \operatorname{Var}(\bar X_i) = \dfrac{\sigma^2}{n} \]

Se \(H_0\) for verdadeira, todas as médias amostrais estimam a mesma média populacional \(\mu\). Assim,

\[ E(\bar X_i)=\mu \]

e

\[ \operatorname{Var}(\bar X_i)=\dfrac{\sigma^2}{n} \]

A variância amostral das \(g\) médias é

\[ S_{\bar X}^2 = \dfrac{ \sum_{i=1}^{g} \left(\bar X_i-\bar{\bar X}\right)^2 }{ g-1 } \]

onde

\[ \bar{\bar X} = \dfrac{1}{g}\sum_{i=1}^{g}\bar X_i \]

Sob \(H_0\), \(S_{\bar X}^2\) estima \(\sigma^2/n\). Multiplicando por \(n\), obtemos uma segunda estimativa de \(\sigma^2\):

\[ \hat{\sigma}_{\text{entre}}^2 = nS_{\bar X}^2 \]

Essa estimativa depende da veracidade de \(H_0\). Se as médias populacionais forem diferentes, a variabilidade observada entre as médias amostrais contém tanto a variabilidade amostral quanto a variabilidade decorrente das diferenças entre as médias populacionais. Consequentemente, \(nS_{\bar X}^2\) tende a ficar inflacionada.

A estatística de teste \(F\) compara essas duas estimativas:

\[ F = \dfrac{ \hat{\sigma}_{\text{entre}}^2 }{ \hat{\sigma}_{\text{dentro}}^2 } \]

Para um delineamento perfeitamente balanceado,

\[ F = \dfrac{ nS_{\bar X}^2 }{ \overline{S^2} } \]

ou, de forma particularmente simples,

\[ F = n\; \dfrac{ \text{variância das médias} }{ \text{média das variâncias} } \]

Portanto:

  • \(\hat{\sigma}_{\text{dentro}}^2\) estima \(\sigma^2\) independentemente da veracidade de \(H_0\)
  • \(\hat{\sigma}_{\text{entre}}^2\) estima \(\sigma^2\) quando \(H_0\) é verdadeira
  • sob \(H_0\), as duas quantidades estimam o mesmo parâmetro \(\sigma^2\)
  • quando \(H_0\) é falsa, \(\hat{\sigma}_{\text{entre}}^2\) tende a incorporar também a variabilidade entre as médias populacionais

Escrevendo diretamente em função das observações,

\[ F = n\; \dfrac{ \dfrac{ \sum_{i=1}^{g} \left(\bar X_i-\bar{\bar X}\right)^2 }{ g-1 } }{ \dfrac{ \sum_{i=1}^{g} \sum_{j=1}^{n} \left(X_{ij}-\bar X_i\right)^2 }{ g(n-1) } } \]

Sob \(H_0\) e assumindo normalidade, independência e homocedasticidade,

\[ F \sim F_{g-1,\,g(n-1)} \]

Os graus de liberdade são, portanto,

\[ \text{df}_{\text{entre}}=g-1 \]

e

\[ \text{df}_{\text{dentro}}=g(n-1)=N-g \]

Definições auxiliares:

\[ \begin{align} \bar X_i &= \dfrac{1}{n} \sum_{j=1}^{n}X_{ij} \qquad i=1,2,\ldots,g \\ \bar{\bar X} &= \dfrac{1}{g} \sum_{i=1}^{g}\bar X_i \end{align} \]

com

\[ n=n_1=n_2=\cdots=n_g \]

No delineamento perfeitamente balanceado, \(\bar{\bar X}\) coincide com a média geral das \(N=gn\) observações.

O Teorema do Limite Central não é necessário para mostrar que

\[ \operatorname{Var}(\bar X_i)=\dfrac{\sigma^2}{n} \]

Essa relação é exata para observações independentes com variância finita. O Teorema do Limite Central justifica aproximadamente a normalidade das médias amostrais quando \(n\) é suficientemente grande. Já a distribuição \(F\) exata da ANOVA clássica decorre da hipótese de normalidade da variável dependente em cada condição.

Aplicação em Nutricao3.rds

Médias e variâncias por grupo:

Instrutor Média Variância
Brendon 1287.50 37532.89
McGuirk 1246.25 20281.25
Melissa 1123.75 20491.78
  • Variância das médias = 7253.65
  • Média das variâncias = 26101.97

Estatística F (cálculo direto):

\[ F = n \; \frac{s^2_{\bar X}}{\overline{s^2}} = 20 \times \frac{7253.65}{26101.97} = 5.56 \]

Tabela ANOVA:

Fonte SQ gl QM F p
Instrutor 290145.8 2 145072.9 5.56 0.0062
Residual 1487812.5 57 26102.0

Conclusão:

Como \(F=5.56 > F_{0.95}(2,57) \approx 3.16\), rejeitamos \(H_0\). Equivalentemente, rejeitamos \(H_0\), pois \(p=0.0062<0.05\).

Há evidência de que as médias populacionais de sódio/semana diferem significativamente entre os três instrutores.

Dados <- readRDS("Nutricao3.rds")
print(FSA::Summarize(Sodium ~ Instructor, 
                     data=Dados), digits=2, row.names=FALSE)
 Instructor  n mean  sd  min   Q1 median   Q3  max
    Brendon 20 1288 194  950 1150   1300 1400 1700
    McGuirk 20 1246 142 1000 1144   1212 1350 1525
    Melissa 20 1124 143  900 1006   1112 1231 1400
fit <- lm(Sodium ~ Instructor, 
          data=Dados)
print(anv <- car::Anova(fit), digits=3)
Anova Table (Type II tests)

Response: Sodium
            Sum Sq Df F value Pr(>F)   
Instructor  290146  2    5.56 0.0062 **
Residuals  1487812 57                  
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
print(reg <- summary(fit), digits=3)

Call:
lm(formula = Sodium ~ Instructor, data = Dados)

Residuals:
   Min     1Q Median     3Q    Max 
-337.5 -121.2    2.5  105.9  412.5 

Coefficients:
                  Estimate Std. Error t value Pr(>|t|)    
(Intercept)         1287.5       36.1   35.64   <2e-16 ***
InstructorMcGuirk    -41.3       51.1   -0.81   0.4228    
InstructorMelissa   -163.8       51.1   -3.21   0.0022 ** 
---
Signif. codes:  0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1

Residual standard error: 162 on 57 degrees of freedom
Multiple R-squared:  0.163, Adjusted R-squared:  0.134 
F-statistic: 5.56 on 2 and 57 DF,  p-value: 0.00624
alfa <- 0.05
print(apaTables::apa.aov.table(lm_output=fit, 
                               conf.level=1-alfa,
                               type=2))


ANOVA results using Sodium as the dependent variable
 

  Predictor         SS df        MS    F    p partial_eta2 CI_95_partial_eta2
 Instructor  290145.83  2 145072.92 5.56 .006          .16         [.02, .32]
      Error 1487812.50 57  26101.97                                  [NA, NA]

Note: Values in square brackets indicate the bounds of the 95% confidence interval for partial eta-squared 
print(bruceR::GLM_summary(fit, 
                          robust=FALSE))

General Linear Model (OLS Regression)

Model Fit:
F(2, 57) = 5.56, p = 0.006 ** 
R² = 0.16319 (Adjusted R² = 0.13383)

Unstandardized Coefficients:
Outcome Variable: Sodium
N = 60
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────
                          b     S.E.      t     p            [95% CI of b] VIF
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────
(Intercept)        1287.500 (36.126) 35.639 <.001 *** [1215.159, 1359.841]    
InstructorMcGuirk   -41.250 (51.090) -0.807  .423     [-143.556,   61.056]    
InstructorMelissa  -163.750 (51.090) -3.205  .002 **  [-266.056,  -61.444]    
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────
Registered S3 methods overwritten by 'MuMIn':
  method        from 
  nobs.multinom broom
  nobs.fitdistr broom
Standardized Coefficients (β):
Outcome Variable: Sodium
N = 60
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────
                        β    S.E.      t     p        [95% CI of β] r(partial) r(part)
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────
InstructorMcGuirk  -0.113 (0.140) -0.807  .423     [-0.393,  0.167]     -0.106  -0.098
InstructorMelissa  -0.448 (0.140) -3.205  .002 **  [-0.729, -0.168]     -0.391  -0.388
──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────

NULL

Teste t de Student é um teste F?

  • Condições baleanceada: \(n_1=n_2=n\). Portanto, \(n_{\text{total}}=2n\).

Estatística de teste t de Student:

\[ t_{2(n-1)}=\frac{\bar X_1-\bar X_2}{\sqrt{\dfrac{S_1^2+S_2^2}{n}}} \]

\[ \bar X_1=\frac{1}{n}\sum_{j=1}^{n} X_{1j},\qquad \bar X_2=\frac{1}{n}\sum_{j=1}^{n} X_{2j} \]

\[ S_i^2=\frac{\sum_{j=1}^{n}\left(X_{ij}-\bar X_i\right)^2}{\,n-1\,},\quad i=1,2 \]

Estatística de teste F:

\[ F_{1,\,2(n-1)}=\frac{\hat\sigma^2_{\text{entre}}}{\hat\sigma^2_{\text{dentro}}} =\frac{n\,\hat\sigma^2_{\bar X}}{\tfrac12\sum_{i=1}^{2}\hat\sigma^2_{X_i}} =\frac{n\displaystyle\left[\dfrac{(\bar X_1-\bar X)^2+(\bar X_2-\bar X)^2}{2-1}\right]} {\displaystyle \dfrac{\sum_{j=1}^{n}(X_{1j}-\bar X_1)^2+\sum_{j=1}^{n}(X_{2j}-\bar X_2)^2}{2(n-1)}} \]

Demonstração:

\[ \begin{align} F_{1,\,2(n-1)}&=\frac{n\left[(\bar X_1-\bar X)^2+(\bar X_2-\bar X)^2\right]} {\displaystyle \frac{\sum_{j=1}^{n}(X_{1j}-\bar X_1)^2+\sum_{j=1}^{n}(X_{2j}-\bar X_2)^2}{2(n-1)}}\\ &=\frac{n\left[\bar X_1^{\,2}+\bar X_2^{\,2}-2\bar X^{\,2}\right]} {\displaystyle \frac{\sum_{j=1}^{n}(X_{1j}-\bar X_1)^2+\sum_{j=1}^{n}(X_{2j}-\bar X_2)^2}{2(n-1)}}\\ &=\frac{n\left[\tfrac12(\bar X_1-\bar X_2)^2\right]} {\displaystyle \frac{\sum_{j=1}^{n}(X_{1j}-\bar X_1)^2+\sum_{j=1}^{n}(X_{2j}-\bar X_2)^2}{2(n-1)}}\\ &=\frac{(\bar X_1-\bar X_2)^2} {\displaystyle \frac{\sum_{j=1}^{n}(X_{1j}-\bar X_1)^2+\sum_{j=1}^{n}(X_{2j}-\bar X_2)^2}{n(n-1)}}\\ &=\frac{(\bar X_1-\bar X_2)^2}{\dfrac{S_1^2+S_2^2}{n}}\\ F_{1,\,2(n-1)}&=t_{2(n-1)}^{\,2} \end{align}\\ \quad\text{Q.E.D.} \]

Referências

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