Mudança de Uso da Terra e Florestas
Fortalecer a manipulação de fiscalização e controle do
desmatamento e da exploração ilegal
Solução de mitigação e adaptação
Recorrer a tecnologias geoespaciais acessíveis e com alto nível de
precisão auxilia órgãos de fiscalização a atuar de maneira mais
integrada e acertada em ações que resultam em autuação por crimes e
infrações ambientais. O uso desse arsenal tecnológico deve ser
acompanhado de esforços para integrar e estruturar o trabalho de
secretarias de meio ambiente, polícia militar e analistas, contribuindo
na elaboração de protocolos de ação conjunta com estados na tarefa de
fiscalizar e autuar possíveis autores de crimes ambientais.
Nesse sentido, recomenda-se a descentralização da gestão ambiental.
Tais medidas auxiliam no trabalho de fiscalização executado por órgãos
competentes. Coibir infrações ambientais, como o desmatamento e a
exploração ilegal de recursos naturais é uma das maneiras de reduzir as
emissões de gases de efeito estufa (GEE).
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Introdução
A integração lavoura-pecuaria-floresta é uma forma
agrossilvipastoril atual e adaptável às limitantes impostas pela
mecanização desejada na produção de grãos e de madeira, e também, pela
necessidade de considerar aspectos etológicos do rebanho animal que
integra o sistema. Em regiões onde a agricultura e recursos naturais
estão sob crescente pressão para a implementação de práticas que
promovam o bom uso da terra, e/ou sejam ambientalmente sadias, a
integração “lavoura-pecuária-floresta” tende a oferecer alternativas às
questões ecológicas, econômicas e sociais.
Neste texto procurarei responder a dois questionamentos: 1) por que
combinar árvores com lavouras e/ou pecuária? E, 2) como combinar
lavouras (cultivos anuais e/ou forrageiras), pecuária (gado) e
floresta(árvores de produtos e serviços)?
As características do sistema
agrossilvipastoril
o sistema agrossilvipastoril associa, obrigatoriamente, o componente
florestal (árvores) às atividades de integração lavourapecuária. Áreas
ou parcelas onde a combinação é de cultivos agrícolas com árvores
constituem uma integração “lavoura-floresta”, ou silviagrícola, enquanto
que aquelas onde se combinam pastagem com animais e árvores são
conhecidas como integração “pecuária-floresta”, ou silvipastoril.
Ocorre que, quando da introdução de árvores no sistema de integração
lavoura-pecuária - SILP- (e.g. Kluthcousky et aI., 2003), tem-se a
alternância: lavoura com árvore, pastagem e gado com árvore e, novamente
lavoura com árvore. Assim, quando a lavoura é colhida os animais entram
na área e, como as árvores estão presentes (simultaneidade), o sistema
troca de status, passando de silviagrícola para silvipastoril,
configurando uma forma de sistema agrossilvipastori!. Conforme
Macedo (2000), as modalidades silvipastoril,
silviagrícola e agrossilvipastoril, são opções agroecológicas que
incluem em seus conceitos referenciais os principais componentes da
sustentabilidade, ou seja, o econômico, o social e o ambienta!.
Da perspectiva florestal (Dupraz et aI., 2005; Dubé,
1999)
Aceleração do crescimento em diâmetro das árvores devido ao maior
espaçamento. Redução do custo de implantação das árvores, pelo menor
número de árvores plantadas (em alguns arranjos) e pela renda oriunda
dos componentes agrícola e pecuário intercalares.
Melhoria na qualidade da madeira produzida (maior regularidade da
espessura de anéis de crescimento, adequando-se melhor às necessidades
da indústria), uma vez que ciclos de concorrência e desbaste são menos
freqüentes.
Garantindo acompanhamento e cuidados às árvores decorrente da
atividade dos plantios intercalares. Em particular, a proteção contra
fogo em áreas de maior risco de incêndios, com o pastoreio ou com
cultivos intercalares de inverno.
Espécies de árvores que são pouco utilizadas nos plantios comerciais
tradicionais, mas que possuem elevado valor, poderiam ser plantadas em
ILPF.
Da perspectiva ambiental (e.g. Paciullo et aI., 2006;
Schroth, 2004;Kluthcouski et aI., 2000; Oliveira et aI., 2001; Harvey,
2001).
Melhoria para desenvolvimento dos recursos naturais: a produção
total de madeira e de grãos e/ou forragem da ILPF é maior do que a
produção individualizada obtida em cultivos solteiros de grãos ou de
árvores para a mesma área de terra. Este efeito resulta da
complementaridade entre árvores e lavouras na ILPF. Assim, plantas
indesejadas, que normalmente ocorrem nas plantações florestais jovens
são substituídas por grãos e/ou forragem que recebem adubação e são
colhidos; a manutenção é menos dispendiosa e os recursos naturais são
melhores utilizados.
Criação de paisagens originais, que sejam atrativas e que possam
favorecer atividades de agroturismo. Áreas agrossilvipastoris têm um
potencial verdadeiramente inovador de paisagismo, e pode melhorar a
imagem pública dos agricultores para a sociedade. Isto será
particularmente importante para regiões onde as propriedades rurais são
pouco ou nada arborizadas e, também, para as regiões onde são totalmente
cobertas por plantações de florestas comerciais.
Mitigar o efeito-estufa: constituindo um sistema eficaz para o
seqüestro de carbono, ao combinar a manutenção do estoque de matéria
orgânica no solo com a sobreposição de uma camada fixadora acima do solo
que são as árvores.
Proteção do solo e água, em particular nas áreas/regiões mais
sensíveis.
Promoção da biodiversidade, especialmente pela abundância de
“efeitos de borda” ou interfaces. Esta, em particular, permite uma
melhoria sinérgica, por favorecer novos nichos e habitats. A proteção
integrada das culturas por sua associação com árvores, escolhidas para
estimular o controle
biológico nas populações das lavouras e pastagens, é uma promissora
via para o futuro.
Estas características são favoráveis e coadunam com muitos objetivos
da legislação ambiental e de normativas de boas práticas na agropecuária
e florestas, bem como corroboram para a mudança do uso das terras.
Particularmente pode contribuir para com os objetivos da Plano Nacional
de Florestas/MMA e dos Programas das Áreas Animal e Agrícola do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa - em seus
objetivos e questionamentos internacionais.
Considerações gerais sobre a combinação lavoura,pecuária e
floresta
A combinação lavoura:pecuária:floresta tem como objetivo a mudança
do sistema de uso da terra, e em termos sócioeconomicos, conforme Conway
(1987), compreende na busca de: i) produtividade (quantidade de produtos
ou energia ou valor da produção obtidos por unidade de insumos/recursos
aplicados à produção); ii) estabilidade (constância da produtividade
frente às flutuações normais do meio ambiente); iii) sustentabilidade
(habilidade do sistema para manter produtividade quando sujeito a forças
de normais de flutuação do meio ambiente, por exemplo, geadas,
veranicos); iv) resiliência (capacidade do sistema reagir ao distúrbio
voltando à produção em menor tempo, por exemplo, velocidade da retomada
de crescimento das pastagens após estresse climático); e v)
vulnerabilidade (quando a diversidade de produtos reduz o grau com que o
sistema é vulnerável ao distúrbio - estresse ambiental, queda de preço
de um produto, são exemplos).
Em termos ecológicos, a combinação lavoura-pecuária-floresta, tem a
perspectiva de: i) maior produção; ii) redução na variação de
rendimentos; e, iii) manutenção de recursos, todos como resultante da
diversidade crescente de espécies, quer no espaço ou tempo.
Certamente que a busca pela integração “Iavoura-pecuária-floresta” é
para maximizar seus efeitos desejáveis no ambiente, portanto aumentando
a produtividade e conservação de recursos.
A utilização de sistemas de integração lavoura-pecuária (SILP), com
plantios simultâneos de milho, arroz e sorgo com pastagem e sistemas
rotacionados de soja e pastagem, vêm sendo desenvolvidas em diferentes
regiões do país. Os benefícios de SILP têm sido demonstrados por vários
autores (Kluthcousky et aI., 2003; Macedo 2001; Vilela et al.,
1999)
Esses estudos comprovam a eficiência de sistemas integrados
lavoura-pecuária na melhoria das propriedades químicas e físicas Ayarza
et aI. (1993); no uso de fósforo (Sousa et ai, 1997); dinâmica de fungos
micorrízicos (Miranda et al., 2005); na redução de nematódeos no solo
(Vilela et al., 1999); na redução da intensidade de ataque de algumas
doenças causadas por fungos de solo (Kluthcouski et aI. 2000); e redução
de infestação de plantas daninhas Cobucci et aI.(2001 ). O uso integrado
de lavoura e pastagem tem despertado o interesse de agricultores que
buscam a diversificação de seus sistemas de produção e a superação dos
problemas advindos dos cultivos anuais sucessivos, tais como pragas e
plantas invasoras. Sabe-se, por exemplo, que as gramíneas forrageiras
são altamente resistentes à maioria das pragas e, por isso, podem
quebrar o ciclo dos agentes bióticos nocivos às cultivos agrícolas,
resultando em menor uso de agrotóxicos (Kluthcouski et al., 2000;
Oliveira et al., 2001). A integraçao lavoura-pecuária tem contribuído
para redução do custo de recuperação e implantação de pastagens.
A introdução do componente arbóreo em sistemas de integração
lavoura-pecuária (SILP) poderá aumentar ainda mais os benefícios já
auferidos. A associação de árvores e cultivos anuais é bem documentada
na literatura (Vale, 2005; Dupraz et aI., 2005; Rodigheri, 2000; Ong;
Huxley, 1996). Apesar de a maior complexidade provocada pela introdução
de árvores demandar maior capacidade de gestão, os potenciais benefícios
da integração “Iavoura-pecuária-floresta” (SILPF - agrossilvipastoril)
para ’a sociedade deve estimular de modo crescente sua adoção, pois
constitui em ganhos de produtividade agropecuária com conservação de
recursos naturais.
Estimativas indicam que, até 2030, o consumo mundial de madeira em
toras aumentará aproximadamente 60% em relação ao consumo atual e
atingirá cerca de 2,4 milhões de m3 (FAO, 2002). Segundo esse estudo, a
pergunta fundamental não é se haverá madeira no futuro, mas sim de onde
deverá vir, quem a produzirá e como deverá ser produzida. Diante desse
cenário parece interessante a possibilidade de introdução de árvores nas
pastagens, sem o componente lavouras (silvipastoril), ou integrando a
combinação lavoura-pecuária (agrossilvipastoril) .
A recuperação de pastagens por meio de lavouras de grãos
constitui-se num ótimo momento para a introdução de árvores com
finalidades comerciais e/ou de serviços, sendo uma alternativa para
reduzir custos com correção de solo e plantio de árvores.
A presença de árvores adequadamente dispostas proporciona melhoria
no conforto térmico animal (Porfirio-da-Silva et aI. 2001) influenciando
positivamente o desempenho animal (Paciullo et ai, 2006). Os benefícios
da arborização de lavouras e pastagens, potencialmente incluem:
agregação de renda; produtos ambientalmente adequados melhorando a
oportunidade de negócios e promoção da biodiversidade pela maior
complexidade ambiental interna.
As lavouras de grãos, plantadas entre às linhas de árvores,
oportunizam e favorecem o crescimento destas. Ademais, a receita
produzida pela lavoura proporciona recursos para o custeio da
implantação da árvores e, portanto, do “novo” sistema de produção.
Posteriormente, com o crescimento das árvores, estas poderão favorecer
aos cultivos e pastagens por meio de melhorias nas condições ambientais,
inclusive para o gado.
Procedimentos mínimos para a ILPF
Os parâmetros para escolha das especres de árvores a serem
cultivadas em SILPF, são: a) adaptação ao sítio de plantio; b)
existência e acesso ao mercado para seus produtos; c) valoração de seus
produtos; d) velocidade de crescimento (árvores de crescimento lento
mantêm o sistema na fase silviagrícola por maior tempo); e)
características de copa e raiz, pois ambas influem na competição das
árvores com a lavoura e/ou pasto (Carvalho et al.. 1994; Ong e Huxley,
1996; Dupraz et al.,2005); f) capacidade de prover serviços ambientais;
e, g) não apresentar efeitos tóxicos para os animais nem antibiose sobre
as lavouras e/ou pastos. Uma vez considerados tais parâmetros, a
implantação das árvores pode ser iniciada por sub-áreas críticas com
problemas de erosão, cornpactação, espécie forrageira inadequada ou de
outro aspecto negativo para com a produção de grãos ou de pasto. Não
entanto, mesmo áreas consideradas boas podem ser convertidas em sistemas
de integração lavoura-pecuária-floresta.
Procedimentos mínimos para a introdução de árvores numa área de
lavoura e/ou de pastagem a ser convertida em um sistema de ILPF:
definição do número de linhas por faixa de árvore.
definição da distância entre as faixas (largura das aléias): um bom
critério é adotar a dimensão de equipamentos disponíveis, tal como a
largura da plantadeira ou da colheitadeira.
Utilizar razões dessas dimensões, 1 vez, 2 vezes, ou mais.
as linhas de plantio das árvores devem ser demarcadas antes do
plantio da
lavoura para evitar problemas no estabelecimento das árvores.
o plantio da lavoura deve ser afastado da linha de árvore em um
metro de cada lado da faixa, isto é necessário para evitar a competição
das lavouras com as mudas de árvore. Posteriormente, é para evitar danos
pelas operações de máquinas e implementos agrícolas às árvores.
as árvores devem ser plantadas em nível e, no caso de haver
terraceamento, devem ser dispostas à jusante do terraço, a partir do
terço médio.
para evitar o problemas de linha de nível que se aproximam ou se
afastam em função da declividade do terreno, utiliza-se o conceito de
key/ine ou linha-mestre (Yeomans, 1954). Locada na posição mediana do
terreno, orienta das demais, equidistantes, à montante e à jusante.
Considerações finais
A introdução da componente florestal na atividade agropastoril
(integração lavoura-pecuária), certamente ocasionará uma complementação
de benefícios. Enquanto a agricultura e a pecuária cobrem o fluxo de
caixa negativo proporcionado pelo período de maturação do investimento
florestal, este por sua vez incorpora ao sistema benefícios ambientais
importantes do ponto de vista da sustentabilidade ambiental (ambiência
animal e fixação de carbono etc.l, da sustentabilidade econômica
(poupança verde) e da sustentabilidade social por promover entradas de
recursos distribuídas ao longo do tempo (desbastes e colheita final)
permitem ao produtor e aos seus sucessores incentivariam permanência do
jovem no meio rural.
Se parte da enorme superfície territorial do país, hoje utilizada
somente com pastagens, for convertida em sistemas agrossilvipastoris,
poderá ser fundamental para melhorar a imagem do agronegócio brasileiro,
ao tempo em que favorecerá a produção animal e a produção de produtos
florestais e agrícolas. Associando a produção de madeiras nas áreas de
integração lavoura-pecuária será maior a renda por unidade de área, o
que beneficiará sobremaneira ao grande contingente de estabelecimentos
rurais que utilizam esse sistema.
Embora existam evidências científicas e exemplos de aplicação, a
diversidade de condição regional do país evidencia a necessidade de
estudos regionalizados sobre a viabilidade da combinação de diferentes
espécies que podem compor a integração lavoura-pecuária-floresta.
Mecanismos de política pública capaz de direcionar esforços no
sentido de superar barreiras econômicas como a necessidade de
investimento inicial, barreiras operacionais como a necessidade de
adquirir maior conhecimento tecnológico, mais investimento em tempo,
mão-de-obra e infra-estrutura, por parte de técnicos e agricultores
fazem-se necessários.
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