Avaliação dos Casos de
Toxoplasmose no Período de 2019 a 2023
Macroregião
Nordeste
Base
Alagoinhas
Introdução
Este Relatório tem
por objetivo quantificar e analisar os casos de Toxoplasmose no
Núcleo Regional Nordeste - Região de Alagoinhas, no
período de 2019 a 2023, notificados através do
Sistema de Informação de Agravos de Notificação
(SINAN).
A pesquisa foi feita
através da consulta do Agravo (Toxoplasmose), e do CID 10
O98.6 (Doenças causadas por protozoários complicando a gravidez,o
parto e o puerpério).
• 99 são
mulheres e 4 homens no agravo Toxoplasmose, , não foi pesquisado o CID
10 nos casos identificados como Toxoplasmose.
• 147
mulheres e 6 homens no CID 10 O98.6.
A Doença
A toxoplasmose é uma
infecção muito comum, mas a manifestação clínica da doença é rara. Sua
distribuição geográfica é mundial, sendo uma das zoonoses mais
difundidas (ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD,2003). Em humanos
a principal causa da infecção é o consumo de carne
contaminada sem processamento térmico adequado. Para a
maioria dos seres humanos imunocompetentes, a toxoplasmosepassa
despercebida e não acarreta danos ao organismo. Entretanto, em duas
populações a infecção aguda por T. gondii pode desencadear
sérias repercussões: pessoas com imunossupressão e gestantes, estas
últimas não pelo acometimento da paciente em si, mas pela possibilidade
de resultar emtoxoplasmose congênita. As lesões oculares são as
manifestações mais frequentes datoxoplasmose congênita, correspondendo a
cerca de 70% das afecções. Poderão ocorrer retinocoroidite, atrofia do
nervo óptico, microftalmia,paralisia ocular, catarata e estrabismo .As
alterações neurológicaspodem ser de extrema gravidade: microcefalia,
ventriculomegalia,surdez neurossensorial, encefalomalácia, porencefalia
e calcificações cerebrais.
Ciclo Biológico
Um hospedeiro
intermediário suscetível, como por exemplo o ser humano, outros
mamíferos ou aves, podem ingerir água ou alimentos contaminados com
oocistos maduros (contendo os esporozoítos), ou
carne crua ou má cozida contendo bradizoítos ou
leite contaminado contendo taquizoítos. O oocisto se
rompe no intestino, liberando os esporozoítos que invadem os
enterócitos. Dentro dessas células, cada parasito é denominado
taquizoíto.
Transmissão
As principais vias de
transmissão são: “oral” e “congênita”. Em casos raros pode haver
transmissão por inalação de aerossóis contaminados, pela inoculação
acidental,transfusão sanguínea e transplante de órgãos (ORGANIZACIÓN
PANAMERICANA DE LASALUD, 2003; CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND
PREVENTION, 2015; TEUTSCH, 1979).
Vias de
Tramsmissão
-
Ingestão de oocistos presentes em alimento ou água
contaminadas, jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados
mecanicamente por moscas, baratas, minhocas etc;
-
Ingestão de cistos (contendo bradizoítos) em carne crua ou
mal cozida especialmente de porco e carneiro;
-
Congênita ou transplacentária – transmissão dos taquizoítos
para o feto.
Patogenia e
infecção
Este fato traz novos
desafios à prevenção da toxoplasmose em gestantes e amplia para todas,
independentemente serem suscetíveis ou infectadas previamente à
gestação, os cuidados de prevenção primária. Ressalta-se que o
recrudescimento em mulheres grávidas imunocomprometidas, infectadas
antes da sua gravidez, pode levar à infecção congênita (CENTERS FOR
DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2014).
Existem várias
manifestações da toxoplasmose, dependendo do tecido infectado:
- 1.
Congênita ou pré-natal;
- 2.
Pós-natal;
- 3.
Cutânea;
- 4.
Cerebro-espinal ou meningoencefálica;
-
Generalizada.
Na
congênita, a mãe encontra-se na fase aguda da doença ou em quadro de
reagudização durante a gestação.
Tratamento
O Ministério da
Saúde preconiza que imediatamente após diagnóstico da gestante, seja
iniciado o uso de Espiramicina na dose de 1g (3.000.000 Ul) de 8 em
8 horas, via oral. Confirmando a infecção recente, antes da 30ª
semana de gestação, mantêm-se o uso da Espiramicina na mesma dose, até o
final da gestação. Porém, se a infecção for diagnosticada após o
30ª semana recomenda-se o uso da pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido
Folínico, sendo a Pirimetamina, 25 mg de 12 em 12 horas por via
oral, Sulfadiazina, 1.500 mg de 12 em 12 horas por via oral, e àcido
Folínico, 10mg por dia, este último medicamento é muito importante para
prevenção da aplasia medular causada pela pirimetamina (BRASIL,
2012).
Abordagem da
toxoplasmose na gestação: rastreio, prevenção e tratamento.
Cenário 1 –
Gestantes suscetíveis para T. gondii (IgM e IgG não
reagentes):

- •
Devem ser orientadas quanto ao risco de adquirir infecção aguda na
gestação.
- •
Devem repetir a sorologia, idealmente, todos os meses ou, no máximo,com
intervalo de dois meses para detectar precocemente uma soroconversão.
- •
Devem ser bem orientadas quanto às medidas higienodietéticas descritas a
seguir:
- •
Não comer carne crua ou malpassada.
- •
Dar preferência para carnes congeladas.
- •
Não comer ovos crus ou malcozidos.
- •
Beber somente água filtrada ou fervida.
- •
Usar luvas para manipular alimentos e carnes cruas.
- •
Não usar a mesma faca para cortar carnes, vegetais e frutas.
- •
Lavar bem frutas, verduras e legumes (entretanto, recomenda-se não comer
verduras cruas).
- •
Evitar contato com gatos e com tudo que possa estar contaminado com suas
fezes.
- •
Alimentar gatos domésticos com rações comerciais e evitar que circulem
na rua, onde podem se contaminar, principalmente pela ingestão de
roedores.
Esquema tríplice
Os fármacos
antiparasitários utilizados no tratamento tríplice atravessam a placenta
e atingem elevadas concentrações nos tecidos fetais, diminuindo o risco
de alterações fetais em até 70%. O esquema tríplice é administrado nas
seguintes doses:
•
Sulfadiazina, 3 g ao dia.
•
Pirimetamina, 50 mg ao dia.
•
Ácido Folínico, 10 a 20 mg 3 vezes por semana (podendo a
dose ser aumentada por surgimento de neutropenia, anemia ou
plaquetopenia).
Incidência e
Prevalência
As Tabelas abaixo
mostram a incidencia de casos de Toxoplasmose no Mundo, no Brasil e em
regiões do país.



Prevalência de Casos
de Toxoplasmose no Núcleo Regional Nordeste_Base Alagoinhas
TERRITÓRIO
População da
Microregião Nordeste (Base Alagoinhas)(IBGE/2022)
Segundo o último
censo(2022), a MicroRegião Nordeste possui 544.205 hab.

Localização das
Unidades de Saúde(M.S./SAGE)
Segundo registros
do Ministério da Saúde a Microregião de Alagoinhas possui 141unidades de
saúde(UBS) identificadas

Resultados
Foram analisados os
dados relativos as Notificações de Toxoplasmose entre os anos de 2019 a
2023 abrangendo a Notificação por Agravo Toxoplasmose e através
do CID 10 O98.6.
Ocorrência de Casos
entre 2019 a 2023
Distribuição de Casos(Agravo- Toxoplasmose)
Distribuição de Casos(CID 098.6)
Gráficos
comparativos/ Densidade de Casos de Toxoplasmose, entre homens e
mulheres.

Distribuição dos
Casos na Região no ano de 2022.
A tabela e
gráfico abaixo representam os municípios e os respectivos casos
identificados no ano de 2022.
Tabela de
Casos Distribuidos na Região em 2022(Agravo Toxoplasmose)
Representação Gráfica

Representação Gráfica

Casos Agrupados por
Município (Agravo Toxoplasmose,2022)

Grafico (Casos CID
O98.6)
Conclusões:
• A
forma de Notificação no SINAN, dos casos de Toxoplasmose foi realizada
como notificações pelo Agravo, e pelo CID O98.6.
• Nas
duas situações a ocorrência de casos em mulheres é superior ao
registrado em homens , com o percentual de distribuição de casos
semelhante nas duas formas de notificação no período de 2019 ao 1°.
Trimestre de 2023
•
Avaliando os registros de 2022, o município de Crisópolis
foi o que mais registrou casos como Notificações CID
O98.6
• No
período entre (2019 a 2023), os municípios de Aramari e Pedrão
registrarão 1 caso de Toxoplasmose, menores índices da
região
• Pela
tabela acima, verifica-se uma alta prevalência de Toxoplasmose, (valores
iguais ou maiores que 5), em 50% dos municípios da
microregião
• A
média de de casos Toxoplasmose, na região ,no período avaliado, foi de
8,5 casos, com o regístro máximo de 76 casos no município de
Alagoinhas.
• O
município que apresentou maior prevalência de casos foi Itanagra
(11)
Considerações
Finais:
Foram avaliados os
pontos mais relevantes da Toxoplasmose, mas é necessário avaliações mais
detalhadas sobre outros aspectos (idade gestacional na identificação da
toxoplasmose, número de nascidos vivos ou com sequelas nesta população,
etc…).
Este primeiro
relatório tem o objetivo de identificar os casos de Toxoplasmose na
Região e avaliar a magnitude dos casos através de calculos estatísticos,
pelos resultados encontrados, é procupante a situação de falta dos
medicamentos essencias para o tratamento da toxoplasmose no ultimos dois
meses (junho e julho/2023), frente a prevalência alta de casos na
região, principalmente pelos riscos provenientes da patologia em
gestantes.
Relatório feito utilizando recursos da Linguagem R,versão (4.3.0)
Referências: