1 Introdução

1.1 A tuberculose (TB), antiga enfermidade descrita como tísica, foi conhecida, no século XIX, como peste branca, ao dizimar centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. A partir da metade do século XX, houve acentuada redução da incidência e da mortalidade relacionadas à TB, já observada àquela ocasião em países desenvolvidos, sobretudo pela melhoria das condições de vida das populações.


1.2 No início da década de 1980, houve resurgimento de casos devido principalmente à emergência da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e, nos países de baixa renda, devido à ampliação da miséria e do processo de urbanização descontrolada, além de desestruturação dos serviços de saúde e dos programas de controle da tuberculose.


[Vídeo de Apresentação]

2 Agente Etiológico

2.1 A TB pode ser causada por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae.


2.2 Em saúde pública, a espécie mais importante é a M. tuberculosis, conhecida também como bacilo de Koch (bK). o M. tuberculosis é fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 μm.


2.3 É um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), aeróbio, com parede celular rica em lipídios (ácidos micólicos e arabinogalactano), o que lhe confere baixa permeabilidade, reduz a efetividade da maioria dos antibióticos e facilita sua sobrevida nos macrófagos.(Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil /2019)


Figura 1 – Imagem ilustrativa do Bacilo de Koch

3 Dados Epidemiológicos

3.1 A doença afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas(Figura 2).


Fig 2 – Imagem ilustrativa pulmão infectado

4 Risco de Adoecimento


4.1 A TB primária é habitualmente, é uma forma grave, porém com baixo poder de transmissibilidade. Os bacilos podem permanecer como latentes (infecção latente pelo M. tuberculosisILTB ) por muitos anos até que ocorra a reativação, produzindo a chamada TB pós-primária (ou secundária). Em uma escala progressiva de risco, observam-se maiores incidências em grupos de indígenas, indivíduos privados de liberdade, portadores de HIV/Aids e pessoas em situação de rua.(Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil /2019)


4.2 A forma extrapulmonar, que afeta outros órgãos que não o pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas vivendo com HIV, especialmente aquelas com comprometimento imunológico.


4.3 Em alguns locais, o M. bovis pode ter especial relevância como agente etiológico da TB e apresenta-se de forma idêntica ao M. tuberculosis, com maior frequência da forma ganglionar e outras extrapulmonares. A ocorrência é mais comum em locais que consomem leite e derivados não pasteurizados ou não fervidos de rebanho bovino infectado; em pessoas que residem em áreas rurais e em profissionais do campo (veterinários, ordenhadores, funcionários de matadouros, entre outros).


5 Quadro Clínico

5.1 Os sinais, sintomas e as manifestações radiológicas dependem do tipo de apresentação da TB. Classicamente, as principais formas de apresentação são a forma primária, a pós-primária (ou secundária) e a miliar.


6 Classificação:


6.1 - Tuberculose extrapulmonar- Sua ocorrência aumenta em pacientes coinfectados pelo HIV, especialmente entre aqueles com imunocomprometimento grave;

6.2 - TB pericárdica

6.3 - TB meningoencefálica – É responsável por 3% dos casos de TB em pacientes não infectados pelo HIV e por até 10% em PVHIV;

6.4 - TB ganglionar periférica – É a forma mais frequente de TB extrapulmonar em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em crianças, sendo mais comum abaixo dos 40 anos;

6.5 - Empiema pleural tuberculoso – É consequência da ruptura de uma cavidade tuberculosa para o espaço pleural


7 Sintomas:


7.1 Tosse por 3 semanas ou mais;

7.2 -Febre vespertina;

7.3 -Sudorese noturna;

7.4 -Emagrecimento.


Importante: Recomenda-se que toda pessoa com sintomas respiratórios, ou seja, que apresente tosse por três semanas ou mais, seja investigada para tuberculose. Caso a pessoa apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final.


7.5 Calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, uma pessoa com tuberculose pulmonar e/ou laríngea ativa, sem tratamento, e que esteja eliminando aerossóis com bacilos, possa infectar, em média, de 10 a 15 pessoas.



7.6 Apesar de ser obrigatória para recém-nascidos, a vacina BCG - que protege contra as formas graves da tuberculose - tem registrado baixos índices de cobertura. Segundo o Datasus, do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal do imunizante caiu de 105%, em 2015, para 68,6% em 2021. A BCG faz parte do Programa Nacional de Imunização (PNI) e é indicada para ser aplicada logo após o nascimento da criança1

Figura 5 – Algoritmo diagnóstico de casos novos de TB pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes baseado no TRM-TB.


8 Diagnóstico da Infecção Latente pelo M. tuberculosis (ILTB)


8.1 Quando uma pessoa saudável é exposta ao bacilo da TB, tem 30% de chance de infectar-se, dependendo do grau de exposição (proximidade, condições do ambiente e tempo de convivência), da infectividade do caso índice (quantidade de bacilos eliminados, presença de caverna na radiografia de tórax) e de fatores imunológicos individuais. As pessoas infectadas, em geral, permanecem saudáveis por muitos anos, com imunidade parcial ao bacilo. A OMS estima que um quarto da população mundial tenha ILTB .


8.2 O maior risco de adoecimento se concentra nos primeiros dois anos após a primoinfecção, mas o período de latência pode se estender por muitos anos e mesmo décadas.


8.3 Outros fatores de risco incluem doenças ou tratamentos imunossupressores, idade (menor do que 2 anos ou maior do que 60 anos), diabetes mellitus e desnutrição.(Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil /2019)


9 Populações com indicação de investigação de ILTB:


9.1 Contatos (nos últimos dois anos) adultos e crianças de TB pulmonar e laríngea;

9.2 PVHIV com LT CD4+ ≥ 350 cel/mm3;

9.3 _Pessoas em uso de inibidores de TNF alfa( infliximabe, etanercepte e adalimumabe), ou corticosteroides (equivalente a > 15 mg/diade prednisona por mais de um mês);2

9.4 Pessoas com alterações radiológicas fibróticas sugestivas de sequela de TB;

9.5 Pré-transplante que irão fazer terapia imunossupressora;

9.6 Pessoas com silicose;

9.7 Neoplasia de cabeça e pescoço, linfomas e outras neoplasias hematológicas;

9.8 Neoplasias em terapia imunossupressora;

9.9 Insuficiência renal em diálise;

9.10 Diabetes mellitus;

9.11 Baixo peso (< 85% do peso ideal);

9.12 Tabagistas (≥ 1 maço por dia);

9.13 Calcificação isolada (sem fibrose) na radiografia de tórax;

9.14 Profissionais de saúde, pessoas que vivem ou trabalham no sistema prisional ou em instituições de longa permanência.


10 Tratamento


10.1 A tuberculose é uma doença curável em praticamente todos os casos, em pessoas com bacilos sensíveis aos medicamentos antituberculose (antiTB), desde que obedecidos os princípios básicos da terapia medicamentosa e que haja a adequada operacionalização do tratamento.


Componente Estatégico

11 Bases Bacteriológicas e Farmacológicas

11.1 Para que o tratamento da tuberculose seja efetivo, devemos considerar algumas especificidades do desenvolvimento do Mycobacterium tuberculosis no que diz respeito ao seu metabolismo e à atuação dos medicamentos.


11.2 Os medicamentos antiTB, em geral, interferem no sistema enzimático do bacilo ou bloqueiam a síntese de algum metabólito essencial para o seu crescimento (Figura 3). Os fármacos só atuam quando há atividade metabólica, ou seja, bacilos em estado de latência não são atingidos pelos medicamentos, mas são destruídos pelo sistema imunológico.



FIGURA 3 – Mecanismo de ação dos medicamentos


(Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil /2019)


12 A Escolha do Melhor Esquema de Tratamento


  1. _Ter atividade bactericida precoce;

  2. _Ser capaz de prevenir a emergência de bacilos resistentes; e;

  3. _Ter atividade esterilizante.


Os medicamentos com maior atividade bactericida precoce são a isoniazida, estreptomicina e rifampicina (WHO 2004).


Características desejáveis: rápida melhora clínica, redução das chances de óbito, diminução rápida da capacidade infectante e redução da possibilidade de selecionar bacilos resistentes.


Medicamentos, em ordem de importância: isoniazida, rifampicina,e etionamida.


Quadro 03 – Esquemas de tratamento da tuberculose e local de manejo clínico preferencial.

1Caso novo ou virgem de tratamento (VT): paciente nunca submetido ao tratamento antiTB ou realização de tratamento por menos de 30 dias;

2Retratamento: paciente que já fez o tratamento antiTB por mais de 30 dias e que necessite de novo tratamento após abandono ou por recidiva (após a cura ou tratamento completo);

3Recomendado TDO compartilhado com a Atenção Primária;

4Falência terapêutica: paciente que apresenta persistência de baciloscopia de escarro positiva ao final do tratamento; paciente que inicialmente apresentava baciloscopia fortemente positiva (++ ou +++) e mantém essa positividade até o quarto mês de tratamento; e pacientes com baciloscopia inicialmente positiva, seguida de negativação e nova positividade, por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento.



(https://bit.ly/2ZuLs41)


13 Esquema Básico para crianças (< 10 anos de idade): 2RHZ/4RH


Indicações: Casos novos e de retratamento (recidiva e reingresso após abandono) que apresentem doença ativa em crianças (< 10 anos de idade), de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar (Quadro 5), exceto a forma meningoencefálica e osteoarticular.


Quadro 5 – Esquema Básico para o tratamento da TB em crianças (< 10 anos de idade)


Observação: Crianças com TB, infectadas pelo HIV ou desnutridas, deverão receber suplementação de piridoxina – vitamina B6 (5 a 10 mg/dia) (WHO, 2014).



(www.aids.gov.br/pt-br/tuberculose)

13.1 Gestação


13.2 O Esquema Básico pode ser administrado nas doses habituais para gestantes e, dado risco de toxicidade neurológica ao feto atribuído à isoniazida, recomenda-se o uso de piridoxina(50mg/dia). Gestantes e lactantes devem utilizar os esquemas preconizados, com especial atenção ao monitoramento das reações adversas.3

14 Tratamento da TB em PVHIV

14.1 Devem ser utilizados os esquemas padronizados para o tratamento da TB na população em geral.


14.2 Rifampicina é um fármaco essencial no tratamento padronizado de primeira linha para TB (esquema básico). Regimes que não incluem a rifampicina,prolongam a duração do tratamento da TB, têm maiores taxas de recidiva, falência e letalidade, além de, em alguns casos, necessitarem da administração de medicação injetável.


14.3 A adesão ao tratamento é de fundamental importância nessa população, por isso recomenda-se a realização do TDO, que, preferencialmente, será realizado de forma compartilhada entre os SAE’S e unidades de atenção básica.


14.4 A rifabutina está recomendada em substituição à rifampicina, nos esquemas terapêuticos de TB, quando for necessário associar ou manter o inibidor de protease (IP/r) ou dolutegravir no esquema antirretroviral

Quadro 6 – Esquema Básico para o tratamento com rifabutina

  • Não está recomendada a utilização da rifabutina em gestantes


15 Tratamento da infecção latente

15.1 O tratamento da ILTB reduz o risco de adoecimento por TB ativa. O tratamento da ILTB reduz em 60% a 90% esse risco. Essa variação se deve à duração e à adesão ao tratamento.


15.2 O 3HP é um novo esquema de tratamento da ILTB de curta duração. Consiste na tomada uma vez (1x) por semana dos medicamentos isoniazida (H) e rifapentina (P), durante três meses.


15.3 O 3HP pode ser utilizado por todas as pessoas com diagnóstico de ILTB e/ ou com indicação de tratamento da ILTB, incluindo as pessoas vivendo com HIV (PVHIV), atentando para eventuais interações medicamentosas.



(www.aids.gov.br/pt-br/tuberculose)


15.4 Situação no Mundo

15.5 Estima-se que em 2015 cerca de 10,4 milhões de pessoas desenvolveram tuberculose (TB), 580 mil na forma de TB multirresistente (TB MDR) ou TB resistente à rifampicina (TB RR), e 1,4 milhão morreram da doença.


15.6 A subnotificação diminuiu entre os anos de 2013 a 2015, principalmente devido ao aumento de 34% das notificações da Índia (WHO, 2016). Apesar disso, globalmente ainda persistem 4,3 milhões de casos subnotificados. Índia, Indonésia e Nigéria são os principais responsáveis pela subnotificação e, ao lado da China, Paquistão e África do Sul, foram responsáveis por 60,0% dos novos casos de tuberculose no mundo.


15.7 A região das Américas representa cerca de 3,0% da carga mundial de tuberculose, com 268 mil casos novos estimados, os quais estão localizados em nações como Brasil (33,0%), Peru (14,0%), México (9,0%) e Haiti (8,0%), países com a maior carga.


15.8 Como resposta a essa emergência global, é necessário um conjunto articulado de ações que perpassem a vigilância epidemiológica.

15.9 A Estratégia End TB traz uma ousada proposta de mudança no enfrentamento da doença, ao propor eliminação da epidemia até 2035, e inclui metas claras e ambiciosas, que somente serão alcançadas com inovação, investimento e determinação política. As metas globais são sustentadas por três pilares:



  • Pilar 1: Cuidados e prevenção integrados e centrados no paciente;

  • Pilar 2: Políticas ousadas e sistemas de apoio e suporte aos afetados pela TB; e

  • Pilar 3: Intensificação da inovação e da pesquisa.


15.10 Cada pilar reúne intervenções fundamentais para garantir que todas as pessoas com TB tenham acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à prevenção, sem enfrentarem despesas catastróficas nem sofrerem piora de sua situação social.



Figura 1 – Princípios da Estratégia pelo Fim da Tuberculose


A doença é responsável por mais de um milhão de óbitos anuais.


16 Situação no Brasil

16.1 No Brasil são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose.O Brasil está entre os 30 países de alta carga para TB e TB-HIV considerados prioritários pela OMS para o controle da doença no mundo.4

16.2 Em 2015, o percentual de detecção da tuberculose no país, segundo a OMS, foi de 87,0% (WHO, 2017).


16.3 No ano de 2016, foram notificados 4.483 óbitos por TB, o que corresponde ao coeficente de mortalidade de 2,2 óbitos por 100.000 habitantes. O percentual de sucesso de tratamento reportado para os casos novos com confirmação laboratorial foi de 74,6%, em 2016, com 10,8% de abandono de tratamento, e 4,1% dos registros com informação ignorada, quanto ao desfecho dos casos de TB notificados(Figura 3).


Figura 3 – Coeficiente de incidência de tuberculose, todas as formas, por Unidades Federadas, 2016

16.4 Em 2017, o número de casos notificados foi de 72.770 e os coeficientes de incidência variaram de 10,0 a 74,7 casos por 100 mil habitantes entre as Unidades Federadas (UF) (Figura 4).


Figura 4 – Coeficiente de incidência de tuberculose, todas as formas, por Unidades Federadas, 2017


No ano de 2018 cerca de dez milhões de pessoas adoeceram por tuberculose e 1,5 milhão de pessoas morreram em decorrência dela no mundo, sendo globalmente a principal causa de morte por um único agente infeccioso (San Pedro & Oliveira, 2013; Souza & Braga, 2015; WHO, 2019 e 2020).


16.5 Atualmente, o Brasil representa 0,9% dos casos estimados de tuberculose no mundo e 33% dos estimados para as Américas, ocupa a 20ª posição do grupo referente à extensão de casos e a 19ª posição devido ao elevado número de casos com a coinfecção HIV/tuberculose (BRASIL, 2020).

16.6 O Nordeste brasileiro tem o segundo maior coeficiente de mortalidade por tuberculose do país (2,6/100.000 hab.), ficando atrás apenas da região Norte (2,7/100.000hab.). Dentre todos os Estados do Nordeste, Bahia e Pernambuco apresentaram o maior número de casos novos em 2018 (4.241 e 4.488 respectivamente).


17 Custo do Tratamento com a Tuberculose


17.1 O progresso no controle e prevenção da TB requer financiamento adequado. Segundo o Plano Global do Stop TB (2011-2015), o financiamento necessário para a implementação de cuidados e controle da TB em países de baixa e média renda entre 2013 e 2015 é de US$ 8 bilhões por ano.

17.2 Em 2013, era esperado US$ 4,8 bilhões em 104 países de baixa e média renda, que correspondia a 94% dos casos globais. Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul), países com alta carga de TB contribuem com 48% dos casos de TB do mundo e são responsáveis por US$ 3 bilhões do total de US$ 4,8 bilhões esperados.

17.3 A maior parte destes recursos é usado para diagnóstico e tratamento com drogas de primeira linha e cerca de 90% deste investimento vêm dos governos nacionais. Assim, um extra de US$ 2-3 bilhões por ano é necessário até 2015 (WHO, 2012).

18 Relato de Caso

18.1 O município de Limoeiro está localizado no estado de Pernambuco, segundo o último censo tinha 55.439 habitantes (IBGE, 2010).


18.2 Limoeiro tem um hospital público de média complexidade de gestão estadual; e, uma policlínica e dezoito unidades de saúde da família (USF) administradas pela Secretaria Municipal de Saúde de Limoeiro (SMSL). O hospital serve de referência para os municípios que compõem a Geres oferecendo assistência nas clínicas básicas e serviço de pronto atendimento. Integra ainda esta rede o serviço de saúde próprio, da Penitenciária Dr. Ênio Pessoa Guerra, onde o PNCT é igualmente coordenado pela SMSL.


18.3 Tratou-se de um estudo censitário, com todos os pacientes de TB diagnosticados no primeiro semestre de 2013. A identificação dos pacientes ocorreu através do Relatório da Vigilância Epidemiológica da SMSL, no qual constavam: nome, endereço e unidade de saúde onde foi notificado o caso.


18.4 O critério de inclusão utilizado foi ter recebido o diagnóstico da doença Tuberculose no primeiro semestre de 2013, independentemente da idade (maiores e menores de 18 anos) e como critério de exclusão ser atendido na rede privada de saúde. O tamanho da amostra foi de 28 pacientes para calcular os custos diretos e indiretos do SUS. Destes, apenas 10 pacientes foram recrutados para a entrevista com ajuda da enfermeira e do ACS de sua USF, pois 13 eram presidiários, um não foi localizado pela equipe, ocorreram duas transferências do domicílio de tratamento, um caso foi a óbito sem concluir o tratamento e um paciente estava hospitalizado em UTI de outro município.




18.5 Custo para os pacientes com TB.

18.5.1 Entrevistaram-se 10 dos 15 pacientes diagnosticados nas USF.

18.5.2 Dos 10 pacientes, dois estavam desempregados e oito eram trabalhadores autônomos com renda individual média de R$ 829,25 e renda média mensal familiar de R$ 1.082,40. Todos tinham baixa escolaridade, cinco tinham 1º grau incompleto, dois, o 2º grau incompleto e três eram analfabetos.


18.5.3 A maioria dos pacientes se locomoveu a pé para a USF e 30% necessitaram de transporte. Apenas dois pacientes tiveram gasto com transporte (R$ 30,00). Dos 10 pacientes, dois foram algumas vezes à USF e não foram atendidos, também não tiveram gastos.


18.5.4 Sete pacientes relataram gasto extra com alimentação durante o tratamento, a maioria no período inicial. Houve gasto com outros medicamentos fora do esquema terapêutico de TB (R$ 180,00) e com exames complementares (R$ 574,00) para cinco e três pacientes,respectivamente. Metade dos pacientes precisou de acompanhante para ir às USF, mas, apenasum teve gasto adicional referente ao transporte.


18.5.5 Todos os pacientes empregados relataram afastamento do trabalho durante alguns meses de tratamento, com perda de renda média mensal de R$ 561,42 por paciente, por debilidade física. Apenas um informou que recebeu auxílio-doença do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), no valor de R$ 3.000,00. Este valor foi subtraído no cálculo da perda de renda por incapacidade temporária.


18.5.6 A média de custo do conjunto de pacientes com a doença foi estimada em R$ 31.194,00 para os seis meses de tratamento e, individualmente, R$ 3.194,40, a um custo médio mensal de R$ 519,90. A perda de renda temporária (custo indireto) foi o item que mais pesou no orçamento da família (Tabela 5).


18.5.7 O custo total do tratamento de tuberculose segundo locais de assistência e valores investidos pelos pacientes/familiares em Limoeiro foi R$ 42.199,74 destacando-se o custo familiar (Tabela 6).



18.6 Este estudo mostrou a carga financeira da tuberculose tanto para os pacientes e suas famílias como para o SUS em um município de médio porte no Nordeste do Brasil, cujo PIB (Produto Interno Bruto) per capita não chega aos R$ 10.000,00 (IBGE, 2011). Este município foi classificado em 2011 pelo Programa de enfrentamento das doenças negligenciadas-SANAR, como um dos municípios prioritários para o controle da Tuberculose (PERNAMBUCO, 2014a).


18.7 Em Limoeiro, o custo do tratamento da tuberculose para os cofres públicos, dos pacientes diagnosticados no primeiro semestre de 2013, foi maior que o valor do PIB per capita municipal, referente ao ano de 2011, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) em R$ 6.516,93.


18.8 O custo das famílias de R$ 3.119,40 confirma que a TB onera o orçamento das famílias, principalmente, pela perda de renda por incapacidade temporária, comprometendo 48% da renda mensal familiar.5


19 Situação no NRS_NE

19.1 O Estado da Bahia é o maior em extensão territorial do Nordeste do Brasil, com 564.760,429 km² (equivalente a 1,1 vezes a área da Espanha)*, possui a maior população, estimada em cerca de 114.985.284 pessoas,Rendimento mensal domiciliar per capita e com Rendimento mensal domiciliar per capita de R$1.010o maior produto interno bruto (R$ 304,8 bilhões) e o maior número de municípios, 417 no total (BAHIA, 2021)6



20 Regiões de Saúde da Bahia


20.1 O Plano Diretor de Regionalização da Saúde do Estado da Bahia (PDR/BA) divide o território baiano em 28 Regiões de Saúde que se juntam em nove (09) Macrorregiões de Saúde denominadas de: Macrorregião Norte, Macrorregião Nordeste, Macrorregião Leste, Macrorregião Sul, Macrorregião Extremo Sul, Macrorregião Sudoeste, Macrorregião Oeste, Macrorregião Centro Norte e Macrorregião Centro Leste. 7



20.1.1 O Núcleo Regional Nordeste abrange 33 municípios com o total de 890.973 hab.8



20.2 Base Regional de Alagoinhas

20.2.1 A base regional de Alagoinhas possui 18 Municípios com total de 556.410 habitantes.9


21 Relatório de Casos (2018 A 2022)

21.1 Como avaliação sobre a frequencia de casos identificados na Região de Núcleo Nordeste, apresentamos abaixo Relatórios referente aos casos novos nos municípios da Base de Alagoinhas,no período de 2018 a 2022 , com o objetivo de debater os dados encontrados.

22 Tabelas

22.1 Relatório de Casos Novos(2018/2022) - Fonte SINAN


22.2 Relatório de Casos Novos em Mulheres(2018/2022) - Fonte SINAN


22.3 Relatório de Casos Novos em Homens(2018/2022) - Fonte SINAN

23 Mapas

23.1 Casos Novos (2018/2022)- Fonte SINAN (2018/2022)

23.2 Casos Novos em Mulheres em Mapa- Fonte SINAN (2018/2022)

23.3 Casos Novos em Homens em Mapa- Fonte SINAN (2018/2022)

24 Referencias:


  1. [link] (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-07/vacina-contra-tuberculose-bcg-registra-baixa-cobertura-no-brasil)↩︎

  2. [link] (https://www.saude.ba.gov.br/patologia/artrite-reumatoide-juvenil/)↩︎

  3. [link] (https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/notas-informativas/2022/sei_ms-0029820255-oficio-conjunto.pdf/view)↩︎

  4. [] (<O Brasil não atingiu o marco de 2020 estabelecido pela OMS para erradicar a tuberculose até 2030 e, nesse ritmo, provavelmente não atingirá as metas de 2030 e 2035. Infelizmente, em um momento em que é necessária a intensificação das pesquisas, o Brasil está enfrentando uma redução drástica do apoio financeiro do governo federal à pesquisa básica. É preciso reconhecer que a carga da tuberculose no Brasil contribui para a alta carga da doença no mundo. Além disso, os serviços de saúde no Brasil foram afetados pela pandemia de COVID-19, principalmente os serviços de tuberculose. As medidas tomadas em resposta à pandemia de COVID-19 terão consequências profundas. Hogan et al.>)↩︎

  5. [link] (https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/11539)↩︎

  6. [link] (https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ba.html)↩︎

  7. [link] (http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2022/05/Nota-Tecnica-04_2022.pdf)↩︎

  8. [link] (http://www1.saude.ba.gov.br/mapa_bahia/result_macroch.asp?MACRO=NORDESTE&Button122=Ok)↩︎

  9. [link] (http://www1.saude.ba.gov.br/mapa_bahia/Result_REGIAO_SAUDEch.asp?REGIAO_SAUDE=Alagoinhas&Button12A=Ok)↩︎