Introdução
No início da década
de 1980, houve resurgimento de casos devido principalmente à emergência
da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e, nos países de
baixa renda, devido à ampliação da miséria e do processo de urbanização
descontrolada, além de desestruturação dos serviços de saúde e dos
programas de controle da tuberculose.
[Vídeo de Apresentação]
Agente Etiológico
A TB pode ser causada
por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo
Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M.
bovis, M. africanum, M. canetti, M.
microti, M. pinnipedi e M. caprae.
Em saúde pública, a
espécie mais importante é a M. tuberculosis, conhecida também
como bacilo de Koch (bK). o M. tuberculosis é
fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 μm.
Classificação:
- TB
pericárdica
- TB
meningoencefálica – É responsável por 3% dos casos de TB em pacientes
não infectados pelo HIV e por até 10% em PVHIV;
- Empiema
pleural tuberculoso – É consequência da ruptura de uma cavidade
tuberculosa para o espaço pleural
Sintomas:
Tosse por
3 semanas ou mais;
-Febre
vespertina;
-Sudorese
noturna;
-Emagrecimento.
Importante: Recomenda-se que toda pessoa com sintomas
respiratórios, ou seja, que apresente tosse por três semanas ou mais,
seja investigada para tuberculose. Caso a pessoa
apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de
saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de
exames. Se o resultado for positivo para tuberculose,
deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o
final.
Diagnóstico da Infecção
Latente pelo M. tuberculosis (ILTB)
Quando uma pessoa
saudável é exposta ao bacilo da TB, tem 30% de chance de
infectar-se, dependendo do grau de exposição
(proximidade, condições do ambiente e tempo de
convivência), da infectividade do caso índice
(quantidade de bacilos eliminados, presença de caverna na
radiografia de tórax) e de fatores imunológicos individuais. As
pessoas infectadas, em geral, permanecem saudáveis por muitos anos, com
imunidade parcial ao bacilo. A OMS estima que um quarto da
população mundial tenha ILTB .
O maior risco de
adoecimento se concentra nos primeiros dois anos após a
primoinfecção, mas o período de latência pode se estender por
muitos anos e mesmo décadas.
Outros fatores de
risco incluem doenças ou tratamentos imunossupressores, idade
(menor do que 2 anos ou maior do que 60 anos), diabetes
mellitus e desnutrição.(Manual de Recomendações para o Controle da
Tuberculose no Brasil /2019)
Bases Bacteriológicas
e Farmacológicas
A Escolha do Melhor
Esquema de Tratamento
_Ter atividade bactericida
precoce;
_Ser capaz de prevenir a emergência de bacilos
resistentes; e;
_Ter atividade esterilizante.
Os medicamentos com maior atividade bactericida precoce são a
isoniazida, estreptomicina e rifampicina (WHO 2004).
Características desejáveis: rápida melhora clínica, redução das
chances de óbito, diminução rápida da capacidade infectante e redução da
possibilidade de selecionar bacilos resistentes.
Medicamentos, em ordem de importância: isoniazida, rifampicina,e
etionamida.
Quadro 03 – Esquemas de tratamento da tuberculose e local de
manejo clínico preferencial.

1Caso novo ou virgem de tratamento (VT): paciente nunca
submetido ao tratamento antiTB ou realização de tratamento por menos de
30 dias;
2Retratamento: paciente que já fez o tratamento antiTB por
mais de 30 dias e que necessite de novo tratamento após abandono ou por
recidiva (após a cura ou tratamento completo);
3Recomendado TDO compartilhado com a Atenção Primária;
4Falência terapêutica: paciente que apresenta persistência
de baciloscopia de escarro positiva ao final do tratamento; paciente que
inicialmente apresentava baciloscopia fortemente positiva (++ ou +++) e
mantém essa positividade até o quarto mês de tratamento; e pacientes com
baciloscopia inicialmente positiva, seguida de negativação e nova
positividade, por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de
tratamento.
(https://bit.ly/2ZuLs41)
Esquema Básico para
crianças (< 10 anos de idade): 2RHZ/4RH
Indicações: Casos novos e de retratamento (recidiva e reingresso após
abandono) que apresentem doença ativa em crianças (< 10 anos de
idade), de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar
(Quadro 5), exceto a forma meningoencefálica e osteoarticular.
Quadro 5 – Esquema Básico para o tratamento da TB em crianças
(< 10 anos de idade)

Observação: Crianças com TB, infectadas pelo HIV ou desnutridas,
deverão receber suplementação de piridoxina – vitamina B6 (5 a 10
mg/dia) (WHO, 2014).


(www.aids.gov.br/pt-br/tuberculose)

O Esquema Básico
pode ser administrado nas doses habituais para gestantes e, dado risco
de toxicidade neurológica ao feto atribuído à isoniazida,
recomenda-se o uso de piridoxina(50mg/dia).
Gestantes e lactantes devem utilizar os esquemas preconizados, com
especial atenção ao monitoramento das reações adversas.
Tratamento da TB em
PVHIV
Devem ser utilizados
os esquemas padronizados para o tratamento da TB na população em
geral.
Rifampicina é um
fármaco essencial no tratamento padronizado de primeira linha para TB
(esquema básico). Regimes que não incluem a rifampicina,prolongam a
duração do tratamento da TB, têm maiores taxas de recidiva, falência e
letalidade, além de, em alguns casos, necessitarem da administração de
medicação injetável.
A rifabutina está
recomendada em substituição à rifampicina, nos esquemas terapêuticos de
TB, quando for necessário associar ou manter o inibidor de protease
(IP/r) ou dolutegravir no esquema antirretroviral
Quadro 6 – Esquema Básico para o tratamento com
rifabutina

- Não está recomendada a utilização da rifabutina em
gestantes
Tratamento da infecção
latente
O tratamento da ILTB
reduz o risco de adoecimento por TB ativa. O tratamento da ILTB reduz em
60% a 90% esse risco. Essa variação se deve à duração e à adesão ao
tratamento.
O 3HP é um novo
esquema de tratamento da ILTB de curta duração. Consiste na tomada uma
vez (1x) por semana dos medicamentos isoniazida (H) e rifapentina (P),
durante três meses.
Situação no
Mundo
A subnotificação
diminuiu entre os anos de 2013 a 2015, principalmente devido ao aumento
de 34% das notificações da Índia (WHO, 2016). Apesar disso, globalmente
ainda persistem 4,3 milhões de casos subnotificados.
Índia, Indonésia e Nigéria são os principais responsáveis pela
subnotificação e, ao lado da China, Paquistão e África do Sul, foram
responsáveis por 60,0% dos novos casos de tuberculose no mundo.
Como resposta a essa
emergência global, é necessário um conjunto articulado de ações que
perpassem a vigilância epidemiológica.
A
Estratégia End TB traz uma ousada proposta de mudança no
enfrentamento da doença, ao propor eliminação da epidemia até 2035, e
inclui metas claras e ambiciosas, que somente serão alcançadas com
inovação, investimento e determinação política. As metas globais são
sustentadas por três pilares:
Pilar 1: Cuidados e prevenção integrados e centrados
no paciente;
Pilar 2: Políticas ousadas e sistemas de apoio e
suporte aos afetados pela TB; e
Pilar 3: Intensificação da inovação e da
pesquisa.
Situação no
Brasil
No Brasil são
notificados aproximadamente 70 mil casos novos e
ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da
tuberculose.O Brasil está entre os 30 países de alta carga
para TB e TB-HIV considerados prioritários pela OMS para o controle da
doença no mundo.
Em 2015, o
percentual de detecção da tuberculose no país, segundo a OMS, foi de
87,0% (WHO, 2017).
Em 2017, o
número de casos notificados foi de 72.770 e os
coeficientes de incidência variaram de 10,0 a 74,7 casos por 100
mil habitantes entre as Unidades Federadas (UF) (Figura
4).
Figura 4 – Coeficiente de incidência de tuberculose, todas as
formas, por Unidades Federadas, 2017

No ano de 2018 cerca de dez milhões de pessoas adoeceram
por tuberculose e 1,5 milhão de pessoas morreram em decorrência dela no
mundo, sendo globalmente a principal causa de morte por um único agente
infeccioso (San Pedro & Oliveira, 2013; Souza & Braga, 2015;
WHO, 2019 e 2020).
Atualmente,
o Brasil representa 0,9% dos casos estimados de tuberculose no mundo e
33% dos estimados para as Américas, ocupa a 20ª posição do grupo
referente à extensão de casos e a 19ª posição devido ao elevado número
de casos com a coinfecção HIV/tuberculose (BRASIL, 2020).
O Nordeste
brasileiro tem o segundo maior coeficiente de mortalidade por
tuberculose do país (2,6/100.000 hab.), ficando atrás apenas
da região Norte (2,7/100.000hab.). Dentre todos os Estados
do Nordeste, Bahia e Pernambuco apresentaram o maior número
de casos novos em 2018 (4.241 e 4.488
respectivamente).
Relato de Caso
O município de
Limoeiro está localizado no estado de Pernambuco, segundo o último censo
tinha 55.439 habitantes (IBGE, 2010).
Limoeiro tem um
hospital público de média complexidade de gestão estadual; e, uma
policlínica e dezoito unidades de saúde da família (USF) administradas
pela Secretaria Municipal de Saúde de Limoeiro (SMSL). O hospital serve
de referência para os municípios que compõem a Geres oferecendo
assistência nas clínicas básicas e serviço de pronto atendimento.
Integra ainda esta rede o serviço de saúde próprio, da Penitenciária
Dr. Ênio Pessoa Guerra, onde o PNCT é igualmente coordenado pela
SMSL.
Este estudo mostrou
a carga financeira da tuberculose tanto para os pacientes e suas
famílias como para o SUS em um município de médio porte no Nordeste do
Brasil, cujo PIB (Produto Interno Bruto) per capita não chega
aos R$ 10.000,00 (IBGE, 2011). Este município foi classificado em 2011
pelo Programa de enfrentamento das doenças negligenciadas-SANAR, como um
dos municípios prioritários para o controle da Tuberculose (PERNAMBUCO,
2014a).
Em Limoeiro, o custo
do tratamento da tuberculose para os cofres públicos, dos pacientes
diagnosticados no primeiro semestre de 2013, foi maior que o valor do
PIB per capita municipal, referente ao ano de 2011, calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011) em R$
6.516,93.
O custo das famílias
de R$ 3.119,40 confirma que a TB onera o orçamento das famílias,
principalmente, pela perda de renda por incapacidade
temporária, comprometendo 48% da renda mensal familiar.
Regiões de Saúde da
Bahia
O Plano Diretor de
Regionalização da Saúde do Estado da Bahia (PDR/BA) divide o território
baiano em 28 Regiões de Saúde que se juntam em nove (09)
Macrorregiões de Saúde denominadas de: Macrorregião Norte,
Macrorregião Nordeste, Macrorregião Leste, Macrorregião
Sul, Macrorregião Extremo Sul, Macrorregião Sudoeste, Macrorregião
Oeste, Macrorregião Centro Norte e Macrorregião Centro Leste.
Base Regional de
Alagoinhas
Relatório de Casos
(2018 A 2022)
Como avaliação sobre
a frequencia de casos identificados na Região de Núcleo Nordeste,
apresentamos abaixo Relatórios referente aos casos novos nos municípios
da Base de Alagoinhas,no período de 2018 a 2022 , com o objetivo de
debater os dados encontrados.
Tabelas
Relatório de Casos
Novos(2018/2022) - Fonte SINAN
Relatório de Casos
Novos em Mulheres(2018/2022) - Fonte SINAN
Relatório de Casos
Novos em Homens(2018/2022) - Fonte SINAN
Mapas
Casos Novos
(2018/2022)- Fonte SINAN (2018/2022)

Casos Novos em
Mulheres em Mapa- Fonte SINAN (2018/2022)

Casos Novos em
Homens em Mapa- Fonte SINAN (2018/2022)

Referencias: