Meu primeiro texto para internet.
Aluna: Maria Clara de Oliveira Queiroz
Dani Rodrik inicia o seu texto afirmando que o histórico de aplicação da política neoliberal não é bom. Para defender o seu ponto de vista, o autor apresentou uma visão geral do crescimento econômico de três países da América Latina que adotaram políticas neoliberais e cresceram mais rápido, dos quais apenas o Chile obteve sucesso a longo prazo, enquanto os outros dois - Argentina e Uruguai - tiveram graves problemas. Para complementar seu argumento, o autor também citou a Polônia, que, mesmo sendo o mais sucedido país do Leste Europeu, tem altos índices de pobreza, e também a África sub-saariana, que tem resultados piores do que antes do fim da década de 1970. Logo, é possível observar que o neoliberalismo não funcionou em todos os países, trouxe problemas para alguns e retrocedeu o crescimento de alguns países que aderiram ao neoliberalismo, como os da África sub-saariana.
O segundo argumento utilizado por Rodrik para criticar o neoliberalismo foi o histórico de crescimento econômico ter sido acompanhado pelo aumento da desigualdade de renda na maior parte dos países que aderiram ao Consenso de Washington. Segundo o autor, entre os países que estavam em crescimento e que foram prejudicados devido a adesão dos princípios do Conselho de Washington, estão: México, Brasil, Rússia, Argentina e Turquia, além dos países do Leste Asiático. Poucas foram as exceções das nações que estavam em crescimento econômico e não se prejudicaram, pois não aderiram a esse tipo de política econômica e não seguiram a maioria das regras dos neoliberais, que foram: a China, Índia e Vietnã. Portanto, é notável que forçar uma agenda neoliberal em países em desenvolvimento econômico não funcionou, e que apenas os próprios países sabem sobre suas necessidades e devem criar um plano econômico através da realidade da sua própria nação, para, dessa forma, não ter problemas e não se prejudicar. Caso contrário, os países terão dificuldades em conseguir conciliar o crescimento econômico com o aumento do desenvolvimento econômico, assim como ocorreu com os países que seguiram as normas do Conselho de Washington.
As consequências dos dois primeiros argumentos foram a existência de novos problemas, como o aumento dos índices de pobreza e agravamento da desigualdade econômica nos países que aderiram ao neoliberalismo.
O terceiro argumento mencionado por Rodrik foi a má utilização dos princípios ortodoxos do neoliberalismo, pelos países que não se saíram bem sucedidos. Segundo o autor, eles deveriam adaptar os principais princípios neoliberais à realidade dos seus respectivos países. Assim como a China fez ao adotar um sistema híbrido. A consequência da utilização dos princípios neoliberais à risca resultou na obtenção de resultados negativos na economia dos países que não moldaram esses princípios de acordo com a realidade socioeconômica de suas nações.
Outro fato apontado por Dani Rodrik foi que o crescimento econômico é importante, mas que o neoliberalismo não consegue conciliar o crescimento econômico com a geração o suficiente de desenvolvimento econômico. Por consequência, essa vertente não é capaz de resolver problemas como a desigualdade e degradação ambiental. Nesse sentido, fica claro que para ter um país desenvolvido é necessário investir na diminuição dos problemas socioeconômicos das nações em questão, equilibrando o crescimento com o desenvolvimento dos países.
O autor também mencionou a globalização, afirmando que ela pode ser aliada se não tiver uma agenda distorcida, como demonstra ter atualmente. De acordo com Rodrik, a agenda da globalização desconsidera as necessidades dos países em desenvolvimento, os quais saem perdendo e as nações desenvolvidas saem ganhando. Por consequência, os países em desenvolvimento entram em uma cadeia viciosa por dependerem dos países em desenvolvimento, e, portanto, não conseguem se tornar países desenvolvidos.
Rodrik também menciona em seu texto quatro registros empíricos que reforçam sua tese de uma agenda alternativa - a qual foi citada anteriormente como uma forma de adaptação de princípios ortodoxos com heterodoxos, de acordo com a realidade do país em questão -. Tais registros são:
Transições para o alto crescimento econômico desencadeadas por mudanças políticas e institucionais: O autor citou diversos exemplos desse tipo de transição, como a Coreia do Sul e Taiwan no início da década de 1960, que causaram um alto crescimento econômico. Por outro lado, o Conselho Ampliado de Washington não deu recomendações que pudessem desempenhar um papel importante em um país logo de início. Portanto, as transições que ocorrem devido à realidade do país são mais efetivas do que transições “forçadas” como as da agenda neoliberal para com os países em desenvolvimento. Mudanças políticas normalmente combinam componentes ortodoxos com os heterodoxos: Rodrik mencionou exemplos como as Ilhas Maurício e a criação das ZPE (Zonas de Livre Comércio), para não precisar forçar uma liberalização geral. As inovações institucionais não se transferem com facilidade de um lugar para outro: Em poucas palavras, o autor quis dizer que não é porque uma política deu certo em um país, que ela funcionará em outro. Os contextos histórico e socioeconômico devem ser levados em consideração. Um dos exemplos utilizados foi que a reforma em duas vias funcionou bem na China, mas foi um fracasso na União Soviética. Sustentar um crescimento econômico é um desafio, portanto não se pode presumi-lo como um resultado certeiro: Isso ocorre devido às adversidades e choques que podem vir a ocorrer com o passar dos tempo e depende também do quão fortes e “adaptáveis” são as instituições.
Após citar os registros, Dani Rodrik citou duas estratégias para o crescimento econômico ser possível, que são compostas por ações de curto prazo e a outra de médio a longo prazo. A de curto prazo são investimentos nas empresas nacionais, e a de médio e longo prazo é a criação de quatro instituições reguladoras e criadoras para que a economia do país seja mais resistente a possíveis imprevistos e mudanças econômicas.
Por fim, após a leitura do texto “Depois do Neoliberalismo, o quê?” ficou claro que, na maioria dos casos, os países em desenvolvimento se prejudicaram ao seguir a agenda neoliberal à risca. Apenas as Nações que conseguiram adaptar o ortodoxo com características do heterodoxo foram capazes de saírem sem muitos prejuízos a longo prazo, pois levaram em consideração fatores econômicos e culturais prévios dos seus países.