Introdução
No início da década
de 1980, houve recrudescimento global da TB: nos países de alta renda,
esse recrudescimento se deveu principalmente à emergência da infecção
pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e, nos países de baixa
renda, devido à ampliação da miséria e do processo de urbanização
descontrolada, além de desestruturação dos serviços de saúde e dos
programas de controle da tuberculose.
História da
Tuberculose.
Agente Etiológico
A TB pode ser causada
por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo
Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M.
bovis, M. africanum, M. canetti, M.
microti, M. pinnipedi e M. caprae.
Em saúde pública, a
espécie mais importante é a M. tuberculosis, conhecida também
como bacilo de Koch (bK). o M. tuberculosis é
fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 μm.
Risco de
Adoecimento
A TB primária, aquela
que ocorre logo após a infecção, é comum em crianças e nos pacientes com
condições imunossupressoras. Habitualmente, é uma forma grave, porém com
baixo poder de transmissibilidade. Em outras circunstâncias, o sistema
imune é capaz de contê-la, pelo menos temporariamente. Os bacilos podem
permanecer como latentes (infecção latente pelo M. tuberculosis
– ILTB ) por muitos anos até que ocorra a reativação,
produzindo a chamada TB pós-primária (ou secundária). Em 80% dos
casos acomete o pulmão, e é frequente a presença de cavidade.
Em uma escala progressiva de risco, observam-se maiores incidências em
grupos de indígenas, indivíduos privados de liberdade, portadores de
HIV/Aids e pessoas em situação de rua. O adoecimento por tuberculose
encontra condições favoráveis ao seu desenvolvimento a partir de
determinantes sociais como as aglomerações populacionais, (especialmente
em contexto de urbanização acelerada), pobreza, iniquidade de renda e
más condições de habitação e nutrição (Andrade et al 2019; Souza &
Braga, 2015;Freitas, 2014; San Pedro & Oliveira, 2013; Xavier &
Barreto, 2007; Ruffino-Netto, 2002; Maciel et al,2012; Andrade et al
2019; BRASIL, 2017).

Classificação:
- TB
pericárdica – Tem apresentação clínica subaguda e geralmente não se
associa à TB pulmonar, embora possa ocorrer simultaneamente com a TB
pleural;
- TB
meningoencefálica – É responsável por 3% dos casos de TB em pacientes
não infectados pelo HIV e por até 10% em PVHIV;
- Empiema
pleural tuberculoso – É consequência da ruptura de uma cavidade
tuberculosa para o espaço pleural e, por isso, além de líquido no espaço
pleural, muitas vezes ocorre também pneumotórax secundário à fístula
broncopleural;
Sintomas:
Tosse por
3 semanas ou mais;
-Febre
vespertina;
-Sudorese
noturna;
-Emagrecimento.
Importante: Recomenda-se que toda pessoa com sintomas
respiratórios, ou seja, que apresente tosse por três semanas ou mais,
seja investigada para tuberculose. Caso a pessoa
apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de
saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de
exames. Se o resultado for positivo para tuberculose,
deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o
final.
Diagnóstico da Infecção
Latente pelo M. tuberculosis (ILTB)
Quando uma pessoa
saudável é exposta ao bacilo da TB, tem 30% de chance de
infectar-se, dependendo do grau de exposição
(proximidade, condições do ambiente e tempo de
convivência), da infectividade do caso índice
(quantidade de bacilos eliminados, presença de caverna na
radiografia de tórax) e de fatores imunológicos individuais. As
pessoas infectadas, em geral, permanecem saudáveis por muitos anos, com
imunidade parcial ao bacilo. Essa condição é conhecida como
infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis
(ILTB). A OMS estima que um quarto da população mundial
tenha ILTB. Esses indivíduos não apresentam nenhum sintoma e
não transmitem a doença, mas são reconhecidos por testes que detectam a
imunidade contra o bacilo.
O maior risco de
adoecimento se concentra nos primeiros dois anos após a
primoinfecção, mas o período de latência pode se estender por
muitos anos e mesmo décadas.
Outros fatores de
risco incluem doenças ou tratamentos imunossupressores, idade
(menor do que 2 anos ou maior do que 60 anos), diabetes
mellitus e desnutrição.
Bases Bacteriológicas
e Farmacológicas
A Escolha do Melhor
Esquema de Tratamento
Esquema Básico para
crianças (< 10 anos de idade): 2RHZ/4RH
A vulnerabilidade
apresentada pela mulher nessa fase, agravada pela doença, torna a
tuberculose na gestação um desafio para os serviços de saúde. O
tratamento da TB, além de importante para a condição da gestante,
diminui o risco de transmissão ao feto, ao recém nato e aos que
coabitam na mesma residência. O Esquema Básico pode ser
administrado nas doses habituais para gestantes e, dado risco de
toxicidade neurológica ao feto atribuído à isoniazida,
recomenda-se o uso de piridoxina(50mg/dia).
Gestantes e lactantes devem utilizar os esquemas preconizados, com
especial atenção ao monitoramento das reações adversas.
Tratamento da TB em
PVHIV
Rifampicina é um
fármaco essencial no tratamento padronizado de primeira linha para
TB(esquema básico). Regimes que não incluem a rifampicina, quando
indicados em PVHIV, são menos eficazes, resultam em retardo na
negativação da baciloscopia, prolongam a duração do tratamento da TB,
têm maiores taxas de recidiva, falência e letalidade, além de, em alguns
casos, necessitarem da administração de medicação injetável (GANDHI et
al., 2010;HAVLI R et al., 2011).
Tratamento da infecção
latente
O tratamento da ILTB
reduz o risco de adoecimento por TB ativa. O tratamento da ILTB comH
reduz em 60% a 90% esse risco. Essa variação se deve à duração e à
adesão ao tratamento (INTERNATIONAL , 1982; SMIEJA et al., 2000).
O tratamento da
infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis –
ILTB é uma das principais estratégias para a eliminação
da tuberculose (TB) como problema de saúde pública no Brasil.
O 3HP é um novo
esquema de tratamento da ILTB de curta duração.Consiste na tomada uma
vez (1x) porsemana dos medicamentos isoniazida (H) e rifapentina (P),
durante três meses. O 3HP já está disponível no SUS.
O tratamento estará
completo quando ocorrer a tomada de 12 doses de isoniazida + rifapentina
por 12 semanas. Dependendo do caso, esse prazo pode ser prorrogado para
15 semanas.
ATENÇÃO!
Antes de efetuar o tratamentoda ILTB, deve-se afastar
definitivamente a TB ativa;
A isoniazida 300mg está disponível para as pessoas
que farão uso do esquema 3HP. Assim, é necessário atenção redobrada na
dispensação da isoniazida, uma vez que há duas concentrações do
medicamento disponíveis na rede;
Não é recomendado o uso do esquema 3HP em
gestantes;
Todos os casos de ILTB devem ser notificados e
posteriormente encerrados no Sistema de Informação para notificação das
pessoas em tratamento de ILTB, o IL-TB;
Os medicamentos devem ser tomados sempre no mesmo dia
da semana. Por exemplo, todas as quartas-feiras;
O esquema 3HP não deve ser utilizado em caso de
contato com monorresistência à isoniazida ou rifampicina ou de efeitos
adversos graves a qualquer dos medicamentos do
3HP.
Situação no Mundo
A subnotificação
diminuiu entre os anos de 2013 a 2015, principalmente devido ao aumento
de 34% das notificações da Índia (WHO, 2016). Apesar disso, globalmente
ainda persistem 4,3 milhões de casos subnotificados.
Índia, Indonésia e Nigéria são os principais responsáveis pela
subnotificação e, ao lado da China, Paquistão e África do Sul, foram
responsáveis por 60,0% dos novos casos de tuberculose no mundo.
Como resposta a essa
emergência global, é necessário um conjunto articulado de ações que
perpassem a vigilância epidemiológica, que incluam diagnósticos rápidos
e acurados para a detecção de casos novos e da resistência bacteriana,
tratamentos rápidos e efetivos para a TB sensível e resistente, medidas
adequadas de prevenção – como a vacinação e o tratamento da TB latente
–, e medidas de proteção social e suporte aos doentes. Para viabilizar
essa resposta global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, na
Assembleia Mundial da Saúde de 2014, a Estratégia End TB (pelo
Fim da Tuberculose), que propõe uma mudança radical de
paradigma na luta contra a TB, com o objetivo de eliminar a doença como
problema de saúde pública:
A
Estratégia End TB traz uma ousada proposta de mudança no
enfrentamento da doença, ao propor eliminação da epidemia até 2035, e
inclui metas claras e ambiciosas, que somente serão alcançadas com
inovação, investimento e determinação política. As metas globais são
sustentadas por três pilares:
Pilar 1: Cuidados e prevenção integrados e centrados
no paciente;
Pilar 2: Políticas ousadas e sistemas de apoio e
suporte aos afetados pela TB; e
Pilar 3: Intensificação da inovação e da
pesquisa.
Situação no
Brasil
No Brasil são
notificados aproximadamente 70 mil casos novos e
ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da
tuberculose.O Brasil está entre os 30 países de alta carga
para TB e TB-HIV considerados prioritários pela OMS para o controle da
doença no mundo.
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Em 2015, o
percentual de detecção da tuberculose no país, segundo a OMS, foi de
87,0% (WHO, 2017).
Em 2017, o
número de casos notificados foi de 72.770 e os
coeficientes de incidência variaram de 10,0 a 74,7 casos por 100
mil habitantes entre as Unidades Federadas (UF) (Figura
4).
Figura 4 – Coeficiente de incidência de tuberculose, todas as
formas, por Unidades Federadas, 2017

No ano de 2018 cerca de dez milhões de pessoas adoeceram
por tuberculose e 1,5 milhão de pessoas morreram em decorrência dela no
mundo, sendo globalmente a principal causa de morte por um único agente
infeccioso (San Pedro & Oliveira, 2013; Souza & Braga, 2015;
WHO, 2019 e 2020).
Atualmente,
o Brasil representa 0,9% dos casos estimados de tuberculose no mundo e
33% dos estimados para as Américas, ocupa a 20ª posição do grupo
referente à extensão de casos e a 19ª posição devido ao elevado número
de casos com a coinfecção HIV/tuberculose (BRASIL, 2020).
O Nordeste
brasileiro tem o segundo maior coeficiente de mortalidade por
tuberculose do país (2,6/100.000 hab.), ficando atrás apenas
da região Norte (2,7/100.000hab.). Dentre todos os Estados
do Nordeste, Bahia e Pernambuco apresentaram o maior número
de casos novos em 2018 (4.241 e 4.488
respectivamente).
Relato de Caso
O município de
Limoeiro está localizado no estado de Pernambuco, segundo o último censo
tinha 55.439 habitantes (IBGE, 2010).
Limoeiro tem um
hospital público de média complexidade de gestão estadual; e, uma
policlínica e dezoito unidades de saúde da família (USF) administradas
pela Secretaria Municipal de Saúde de Limoeiro (SMSL). O hospital serve
de referência para os municípios que compõem a Geres oferecendo
assistência nas clínicas básicas e serviço de pronto atendimento.
Integra ainda esta rede o serviço de saúde próprio, da Penitenciária
Dr. Ênio Pessoa Guerra, onde o PNCT é igualmente coordenado pela
SMSL.
Identificação do
Território
Regiões de Saúde da
Bahia
O Plano Diretor de
Regionalização da Saúde do Estado da Bahia (PDR/BA) divide o território
baiano em 28 Regiões de Saúde que se juntam em nove (09)
Macrorregiões de Saúde denominadas de: Macrorregião Norte,
Macrorregião Nordeste, Macrorregião Leste, Macrorregião
Sul, Macrorregião Extremo Sul, Macrorregião Sudoeste, Macrorregião
Oeste, Macrorregião Centro Norte e Macrorregião Centro Leste.
Base Regional de
Alagoinhas
Referencias: