Introdução
No início da década
de 1980, houve recrudescimento global da TB: nos países de alta renda,
esse recrudescimento se deveu principalmente à emergência da infecção
pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e, nos países de baixa
renda, devido à ampliação da miséria e do processo de urbanização
descontrolada, além de desestruturação dos serviços de saúde e dos
programas de controle da tuberculose (BLOOM, 1992; CDC, 1993; ROOSMAN;
MACGREGOR, 1995).
Agente Etiológico
A TB pode ser causada
por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo
Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M.
bovis, M. africanum, M. canetti, M.
microti, M. pinnipedi e M. caprae.
Em saúde pública, a
espécie mais importante é a M. tuberculosis, conhecida também
como bacilo de Koch (bK). o M. tuberculosis é
fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 μm.
Risco de
Adoecimento
A TB primária, aquela
que ocorre logo após a infecção, é comum em crianças e nos pacientes com
condições imunossupressoras. Habitualmente, é uma forma grave, porém com
baixo poder de transmissibilidade. Em outras circunstâncias, o sistema
imune é capaz de contê-la, pelo menos temporariamente. Os bacilos podem
permanecer como latentes (infecção latente pelo M. tuberculosis
– ILTB ) por muitos anos até que ocorra a reativação,
produzindo a chamada TB pós-primária (ou secundária). Em 80% dos
casos acomete o pulmão, e é frequente a presença de cavidade.
Em uma escala progressiva de risco, observam-se maiores incidências em
grupos de indígenas, indivíduos privados de liberdade, portadores de
HIV/Aids e pessoas em situação de rua. O adoecimento por tuberculose
encontra condições favoráveis ao seu desenvolvimento a partir de
determinantes sociais como as aglomerações populacionais, (especialmente
em contexto de urbanização acelerada), pobreza, iniquidade de renda e
más condições de habitação e nutrição (Andrade et al 2019; Souza &
Braga, 2015;Freitas, 2014; San Pedro & Oliveira, 2013; Xavier &
Barreto, 2007; Ruffino-Netto, 2002; Maciel et al,2012; Andrade et al
2019; BRASIL, 2017).

Situação no Mundo
A subnotificação
diminuiu entre os anos de 2013 a 2015, principalmente devido ao aumento
de 34% das notificações da Índia (WHO, 2016). Apesar disso, globalmente
ainda persistem 4,3 milhões de casos subnotificados.
Índia, Indonésia e Nigéria são os principais responsáveis pela
subnotificação e, ao lado da China, Paquistão e África do Sul, foram
responsáveis por 60,0% dos novos casos de tuberculose no mundo.
Como resposta a essa
emergência global, é necessário um conjunto articulado de ações que
perpassem a vigilância epidemiológica, que incluam diagnósticos rápidos
e acurados para a detecção de casos novos e da resistência bacteriana,
tratamentos rápidos e efetivos para a TB sensível e resistente, medidas
adequadas de prevenção – como a vacinação e o tratamento da TB latente
–, e medidas de proteção social e suporte aos doentes. Para viabilizar
essa resposta global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, na
Assembleia Mundial da Saúde de 2014, a Estratégia End TB (pelo
Fim da Tuberculose), que propõe uma mudança radical de
paradigma na luta contra a TB, com o objetivo de eliminar a doença como
problema de saúde pública:
A
Estratégia End TB traz uma ousada proposta de mudança no
enfrentamento da doença, ao propor eliminação da epidemia até 2035, e
inclui metas claras e ambiciosas, que somente serão alcançadas com
inovação, investimento e determinação política. As metas globais são
sustentadas por três pilares:
Pilar 1: uidados e prevenção integrados e centrados
no paciente;
Pilar 2: Políticas ousadas e sistemas de apoio e
suporte aos afetados pela TB; e
Pilar 3: Intensificação da inovação e da
pesquisa.
Situação no Brasil
No Brasil são
notificados aproximadamente 70 mil casos novos e
ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da
tuberculose.O Brasil está entre os 30 países de alta carga
para TB e TB-HIV considerados prioritários pela OMS para o controle da
doença no mundo.
Em 2015, o percentual
de detecção da tuberculose no país, segundo a OMS, foi de 87,0%
(WHO, 2017).
Em 2017, o
número de casos notificados foi de 72.770 e os
coeficientes de incidência variaram de 10,0 a 74,7 casos por 100
mil habitantes entre as Unidades Federadas (UF) (Figura
5).
Figura 5 – Coeficiente de incidência de tuberculose, todas as
formas, por Unidades Federadas, 2017

Em 2017, foram diagnosticados e acompanhados no Sistema
de Informação de Tratamentos Especiais de Tuberculose (SITE-TB) 246
casos novos de monorresistência, 80 de polirresistência, 713 de
multidrogarresistência ou resistência à rifampicina e 2 casos de
resistência extensiva.
No ano de 2018 cerca de dez milhões de pessoas adoeceram
por tuberculose e 1,5 milhão de pessoas morreram em decorrência dela no
mundo, sendo globalmente a principal causa de morte por um único agente
infeccioso (San Pedro & Oliveira, 2013; Souza & Braga, 2015;
WHO, 2019 e 2020).
Atualmente, o
Brasil representa 0,9% dos casos estimados de tuberculose no mundo e 33%
dos estimados para as Américas, ocupa a 20ª posição do grupo referente à
extensão de casos e a 19ª posição devido ao elevado número de casos com
a coinfecção HIV/tuberculose (BRASIL, 2020).
O Nordeste brasileiro
tem o segundo maior coeficiente de mortalidade por tuberculose do país
(2,6/100.000 hab.), ficando atrás apenas da região Norte
(2,7/100.000hab.). Dentre todos os Estados do Nordeste,
Bahia e Pernambuco apresentaram o maior número de casos
novos em 2018 (4.241 e 4.488 respectivamente).
Identificação do
Território
Regiões de Saúde da
Bahia
O Plano Diretor de
Regionalização da Saúde do Estado da Bahia (PDR/BA) divide o território
baiano em 28 Regiões de Saúde que se juntam em nove (09)
Macrorregiões de Saúde denominadas de: Macrorregião Norte,
Macrorregião Nordeste, Macrorregião Leste, Macrorregião
Sul, Macrorregião Extremo Sul, Macrorregião Sudoeste, Macrorregião
Oeste, Macrorregião Centro Norte e Macrorregião Centro Leste.
Base Regional de
Alagoinhas
Este Relatório é uma
avaliação entre os anos de 2018 a 2022, sobre os casos de Tuberculose
identificados na região da base de Alagoinhas.